A AEP contra o 1º de Dezembro

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A gente da AEP – Associação Empresarial Portuguesa -, insurge-se contra o excessivo número de feriados e correspondentes pontes, propondo a simplificação do calendário. Como inadiável sugestão, aí está a abolição do feriado do 1º de Dezembro.

Nada disto é por acaso ou por conveniência empresarial. É a perfeita coordenação política e económica inter-fronteiriça que neste post mencionámos. Não nos admiraremos se surgir gente do poder, pronta para “estudar a questão”. Al servicio d’España!

A Lei nunca é cega. Nem com a morte.

Desculpem voltar ao assunto. Há um cadáver confirmado por uma médica do INEM, e pela sua equipa.

A autoridade apresenta-se e toma conta da ocorrência, fala com a equipa médica, retem um documento assinado pela médica do INEM, toma nota dos medicamentos que a defunta anda a tomar. Eu próprio sou chamado a testemunhar, bem como um dos vizinhos que entretanto se juntara ao grupo.

Ligo para uma empresa mortuária para tratarem do funeral, que me diz imediatamente, que é necessário contactar o médico de família. Isto são 2.20 horas, não há médicos de família a esta hora, e o médico que estivera com a defunta a meio da tarde, não responde aos repetidos telefonemas que lhe faço.

Muito solenemente, o funcionário da funerária apressa-se a informar-me que tem um médico pronto a deslocar-se, que não pertence à empresa, e que recebe em dinheiro. 150 Euros!

Por acaso, há dinheiro suficiente entre todos. Chega um senhor de gabardina que pede para ver o cadáver, ver os medicamentos, ouvir a história das doenças de uma mulher de 97 anos e assina um papel, sem o qual, o cadáver não pode ser removido, ou então tem que se chamar o Ministério Público que, obrigatoriamente, determina o depósito na morgue.

Mete os 150,00 euros ao bolso, boa a noite e sai pela porta fora, nem cinco minutos esteve connosco. E eu pergunto, mas a médica do INEM não tinha já determinado a hora da morte? Não tinha assinado um documento a confirmar que, quando chegou, encontrou aquela pessoa já cadáver?

A que título, é que no meio de um drama se arranja um negócio? É que, quem faz as leis no nosso país, deixa sempre uma frexazinha por onde entra a “pata” asquerosa dos interesses das corporações!

AMINATU HAIDAR

aminetu

Escrevo-te deste lugar onde as árvores estão doentes.

Queria a tua força para me saber invencível.

Queria as tuas mãos e a tua fome para fazer um país.

Queria um deserto para descobrir

a flor.

Diz aos teus filhos

que a tua terra está um pouco por toda a parte.

Aí. Aqui.

As tuas cidades não são cidadelas. São caminhos errantes

como todos os caminhos. E a tua pátria estrelas inseguras

como todas as estrelas.

Porto, 24 de Dezembro de 2009

A arrogância dos ateus

Não conheço arrogância superior à da fé. Quando me asseguro que o Porto vai ganhar o campeonato porque é o maior estou a ser arrogante, na minha fé. Já se utilizar algumas evidências estatísticas revelarei alguma humildade, embora o campeão  em prognóstico seja o mesmo.

Vem isto a propósito da mensagem natalícia do Cardeal Policarpo, que nos acusa a nós, ateus, de sermos arrogantes. Deixe-se estar. Não lhe vou sequer lembrar que se a nossa cultura está marcada pelo cristianismo tal se deve a uma imposição violenta: até ao século XIX a religião era obrigatória, pagar os dízimos à igreja uma imposição legal, e assim, à porrada, também eu convertia o país à minha fé clubistíca. Tinha de reconhecer aos crentes a humildade que não têm, e não vou perder tempo com isso.

Está Decidido, E Não Se Fala Mais Nisso

AQUELA CORRIDITA DOS ARES

A página está virada. O espectáculo, que muitos de nós adorávamos, e que muito beneficiou a nossa terra e as nossas gentes, vai para outro lado.

Com tantos sítios para ir, com tantas razões para ficar, vai para o sítio do costume.

A ganância, a inveja, a lata, a mesquinhes e o descaramento dessas gentes, aliados aos interesses económicos de uma empresa, que como qualquer outra se move pelo lucro, e cujas despesas são astronómicas, provocaram este desfecho.

Paciência! Partamos para outra que esta já cheira mal. Já se falou e deu demasiada importância a este assunto.

Não querem, haverá mais quem queira. Não faltarão espectáculos de valia semelhante, ou até superior, que nos possam interessar. E para cá virão e estarão, até que o olho gordo e insaciável dos de sempre, não no-los venham roubar.

Para além da procura que vamos ter de fazer, baseada num concurso de ideias, ou em propostas internacionais oriundas de um qualquer concurso que façamos, só nos resta fazer uma coisita. Pequena e sem importância.

=NÃO FALAR MAIS NISTO. NUNCA MAIS! SEJA POR QUE MOTIVO FOR=


E no sentido mais lato da ideia. Não dar quaisquer notícias, não fotografar, não transmitir, não visitar, não falar de, em suma, IGNORAR TOTALMENTE.

Utilizar uma atitude passiva e distante em relação a esse evento.

Só assim, no meu entendimento, chegaremos a qualquer lado. Não nos adianta continuar a fazer o papel de desgraçadinhos a quem tiraram o rebuçado da boca.

Não nos querem, muito bem. Nós respondemos do mesmo modo, e agora somos nós que nunca mais vamos querer.

Desta forma, esta será a última vez que escrevo sobre este assunto, com a ressalva de uma qualquer evolução do problema, que se mostre importante para a nossa região, e que me obrigue a voltar ao tema.

FAÇAM COMO EU.

MOVIMENTEM-SE, FALEM UNS COM OS OUTROS.

MOSTREMOS DO QUE SOMOS CAPAZES.

FAÇAMOS USO DA NOSSA FORÇA.

TRANSMITAM E IMPLEMENTEM ESTA IDEIA:

MANTER SILÊNCIO ABSOLUTO SOBRE TUDO ISTO.

Hoje poucos, amanhã imensos e vencedores.

Links:

A, B, C, D, E, F, G.

A máquina do tempo: há 32 anos…

Não gosto do Natal. Não sou crente, pelo que a face religiosa da quadra nada me diz. É a festa da família, dizem. A minha família, felizmente, não precisa de dias especiais para se reunir, nem de datas certas para manifestarmos o nosso amor e estima uns pelos outros. Porém, não consigo fugir totalmente aos tentáculos deste polvo comercial que, em Dezembro, esbraceja para sacar às pessoas em geral, crentes ou não, tudo o que possa. E depois é o sortilégio da comida – não gosto do Natal, mas adoro alguns dos acepipes que lhe estão associados. Contradições…

E assim, todos os anos nos reunimos na ceia da noite de 24 ou no almoço do dia 25. Em 1977, eu, minha mulher e os filhos, com os meus pais, estávamos à mesa, embora já tivéssemos almoçado. Eu ainda fumava e estava a contas com uma cigarrilha, acompanhado pelo meu pai que só fumava em ocasiões especiais e se encarregava de um puro. A televisão estava ligada, com o som desligado, e ninguém estava a dar-lhe atenção. Começaram a dar filmes e fotografias do Charlot e pensámos que era mais um programa natalício. Como todos, dos mais novos aos mais velhos, éramos seus admiradores, subi o som. Então percebemos – Charles Chaplin tinha morrido. O lugar-comum «o mundo ficou mais pobre» teve aqui total cabimento. Sem Charlot, o mundo ficava mesmo mais pobre.

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Charles Spencer Chaplin Jr., nasceu em Londres em 1889. Os seus pais Charles e Hannah Harriette Hill, eram ambos artistas de music-hall. Chaplin viveu, pois, num ambiente teatral desde o berço. Em 1900, com apenas 11 anos, conseguiu um papel cómico na pantomima Cinderela no “London Hippodrome”. Em 1903 participou em “Jim, a romance of cockyne”, seguiu-se o seu primeiro trabalho regular, como Billy, o ardina, em Sherlock Holmes, um papel que representou até 1906. Resumindo, Charles nunca teve outra profissão senão a de actor.

Chegou aos Estados Unidos da América em 1912 integrado na companhia de Karno. Um dos seus colegas era Arthur Stanley Jefferson, que se viria a tornar conhecido como Stan Laurel, o «Estica» da famosa dupla «Bucha e Estica». O produtor Mack Sennett, contratou Chaplin. Em 1919, fundou a United Artists com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D. W. Griffith. Apesar de o sonoro ter surgido em 1927, Chaplin só o usou no final da 1930. Tempos Modernos foi sonorizado, embora praticamente não tivesse diálogos. Chaplin, numa das cenas finais, canta num restaurante uma canção totalmente em mímica, onde os versos não significavam nada pois a personagem representada por Charlot não sabia a letra. Uma cena inesquecível.

O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940), de que se mostra um fragmento no final deste texto, foi o seu primeiro filme com diálogos. Era uma sátira a Adolf Hitler e ao nazismo, filmada e lançada nos Estados Unidos um ano antes da entrada do país na Guerra. O papel de Chaplin era duplo: o de Adenoid Hynkel, clara alusão ao nome de Hitler, e o de um barbeiro judeu. Quando tomou conhecimento do Holocausto, Charlie lamentou ter brincado com o regime nazi, pois com o horror não se brinca

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nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ/09 – # 10- U2:

É Natal. Um data como esta só podia ter uma escolha como esta: U2!.

Em Março os U2 regressaram com um novo álbum de originais e uma inacreditável tournée (em Portugal apenas em 2010). No Line on the Horizon não é o seu melhor trabalho (nem por sombras) mas qualquer novo disco dos U2 é um acontecimento marcante e por isso está, igualmente, no melhor do ano. Feliz Natal!

Apontamentos de Inverno (3)

Rio Minho, Valença(Rio Minho, Valença)

Ele já deve andar por aí

Bob Dylan – Must Be Santa

Os mistérios do Natal

Como já tive ocasião de aqui escrever a minha vida de criança foi de saltibanco. Nasci a Norte, cresci no Interior e acabei a estudar e a trabalhar em Lisboa. Para quem teve a felicidade de criar raízes, não sabe o que deve a Deus ou ao destino, ou aos pais que pensaram a tempo e horas, enfim, agradeçam.

Quando vim para Lisboa aos dezoito anos, andei um ano com uma dor de barriga e chorava baba e ranho nas noites solitárias, prenhes de saudade. Da minha rua, do sol da minha rua…

Num sábado cheio de sol, tínhamos um baile em casa de uma colega do ICL, actual ISCGL, e estavamos aprumadinhos como convem, fomos almoçar, bebemos uma cervejinha e toca a ir para a Praça do Chile.

Antes de entrarmos, alguem se lembrou de beber um “eduardinho” e cá o jovem foi na cantiga, fazia frio, estavamos próximo do Natal e havia que fazer “lastro”. Passada meia hora, dizem os meus amigos, eu estava com a maior bebedeira de que tinham memória, a ponto de teram pensado em levarem-me ao hospital.

A verdade é que eu era um puto num corpo grande, nunca tinha bebido e o “eduardinho” foi fulminante. Lá me deitaram numa cama num quarto escuro, lembro-me de ouvir as vozes do meu irmão e outras que não reconhecia e passei a tarde numa enorme lástima.

Quando comecei a acordar e os vapores do alcool se começaram a evaporar, dei comigo com a cabeça no colo de uma mulher que não conhecia de lado nenhum, e que com todo o carinho e grande perícia (depois contou-me a que se devia…) me dava pequenos goles de “Água das Pedras “.

Ainda atordoado, os meus amigos arrastaram-me com eles para a residência que partilhavamos e deixamos a conversa para o dia seguinte. A minha curiosidade ia toda para aquela mulher que me havia ajudado e queria agradecer-lhe. Passados uns tempos encontramo-nos. Era uma mulher de meia idade com duas filhas que tinham estado no baile e que eu não conhecia.

Essa mulher tornou-se avó do meu filho ! E nunca, mas mesmo nunca, me falou no assunto da “azia”. O Natal está cheio de mistérios, assim tenhamos a alma aberta para os encontrar…

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ/09 – # 9- Placebo:

Foi em Junho de 2009 que “Battle For The Sun” marcou o regresso dos Placebo com um novo álbum (e mais um concerto em Portugal). Mantiveram a superior qualidade a que nos habituaram. Os Placebo são uma das minhas bandas preferidas e, por isso mesmo, não podiam faltar nas escolhas de 2009.

Então é Natal e não me disseram nada?

Ai o caraças. Natal sem Pogues não é Natal.

Um belo Conto de Natal

S. José – O filofax

«1 de Março
Hoje comprei um martelo de duas pontas e uma esposa. Não sei nada para que servem as duas pontas, mas é alemão.

11 de Março
Há muitos judeus na rua. A Maria demorou-se imenso tempo no mercado. Voltou ofegante e contou uma história complicadíssima de incidentes entre as varinas e os romanos. O preço da madeira está a subir. Onde é que isto vai parar?

20 de Março
Tudo voltou à normalidade. Maria foi buscar água, mas depois em vez de água, trouxe um líquido preto, que suja tudo e que ela diz que é inflamável, que parece que os sumérios estão cheios dele, que ainda vai valer uma fortuna… Às vezes pergunto-me se não terá um parafuso a menos. O que faz sentido… ai os parafusos ainda não foram inventados.

1 de Abril
A Maria contou-me uma coisa que não percebo nada. Mete um pombo, um anjo, um tal de Gabriel, uma tal de Isabel, um tal de Espírito Santo… Não percebi. Só sei é que vou ser pai.

2 de Abril
Toda a gente da aldeia me felicita. Nunca pensei que gostassem tanto de mim. Cada vez que entro num café todo o mundo se atira ao chão de riso. Que gente boa!

(…)

28 de Maio
A Maria voltou. Está mais gordinha. Volto de novo aquela história do pombo e do anjo. Continuo a não perceber nada.

16 de Junho
Já percebi. Parece que afinal nem eu sou pai nem ela está grávida. A notícia abalou-me tanto que fiquei a martelar até tarde.

27 de Junho
Afinal não tinha percebido. O que é que se passa é que ela está grávida mas continua virgem. Eu sou o pai, mas não sou o pai biológico. Agora cada vez que vou ao café, perguntam-me se quero um whisky biológico ou legal. São uns brincalhões, estes nazarenos. É o humor judeu! [Read more…]

Sejamos directos: O Pai Natal não existe

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Sejamos directos. É tempo de descer à terra. Cá vai: O Pai Natal não existe! Pronto, está dito. Da forma mais directa, simples e, vá lá, também da mais dura. Mas é melhor enfrentarmos a realidade.

Apesar da componente esotérica da questão, que poderá permitir uma leve – muito leve, e algo inútil discussão, basta uma simples análise matemática para mostrar o disparate que é a ideia de ter um senhor idoso, algo anafado, montado num veículo puxado por renas, percorrer todo o planeta com um saco de presentes, verificar a lista das crianças que se portaram bem ao longo do ano, descer a chaminé nas casas que as têm (como seria nas que não têm chaminé), depositar embrulhos junto de uma árvore, subir a chaminé, regressar ao trenó, passar para a casa seguinte e recomeçar todo o processo milhões de vezes. Pense dois segundos neste assunto e chega à mesma conclusão: não é possível. A existir, S. Nicolau terá de ser mais rápido que Usain Bolt, que Lucky Luke ou o Super-Homem.

Vamos directos ao assunto. Toda a história do trenó cai por terra por uma simples evidência: as renas não voam. Nenhuma espécie de rena voa. Pelo menos, até ao dia de hoje. O argumento não chega? Há mais e com argumentos imbatíveis. Matemáticos.

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Premiar o Talento:

É um prazer ver jovens talentosos serem, paulatinamente, reconhecidos pela excelência do seu trabalho.

O Aventar sobre eles falou no começo desta aventura. Mais tarde foi a imprensa local. Agora foi a vez da nacional através do JN. Eles merecem.

Apontamentos de Inverno (2)

Apontamentos de Inverno (2)

(Rio Minho, Vila Nova de Cerveira)

Isto nos natais anda tudo ligado

maury christmas Está visto que o Natal de 2009 ficará ligado à figura de José, o carpinteiro. Nem sempre boas notícias.

A cada um o seu Bolo!

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Este post vai direitinho para o bonacheirão do Carlos Loures.

Uma das curiosidades consequentes de qualquer golpe de Estado, consiste sempre na apressada mudança dos nomes, sejam estes os das ruas, avenidas, praças e até cidades, ou noutros casos, a alarvice chega mesmo à pastelaria.

Pois bem, em Portugal somos peritos neste tipo de actividade e aqui deixo alguns exemplos:

1. A Av. Rainha Dª Amélia passou a chamar-se Av. Almirante Reis, o tal senhor que apenas se notabilizou por desfechar um tiro na própria cabeça. Fez bem, coitado. Como teria passado os anos a seguir à vitória da Rotunda? Aliás, esteja onde estiver, a rainha agradece. A Almirante Reis é frequentada por uma certa calibragem que não é passível de se coadunar com o vestido de cauda de Dª Amélia. É a ironia da justiça deste mundo.

2. Uma localidade. Lembram-se de Poço de Boliqueime? Pois… Quando Sua Excelência o Senhor Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva ascendeu a 1º ministro – já foi, já foi e não vale a pena “fazer de conta” que não -, o autarca lá do sítio logo mudou o nome à terra, promovendo-a a Fonte de Boliqueime. Mas, o problema é que o cavalheiro agora é o Supremo Magistrado, o Venerando  Presidente da República! Então como é? Para o segundo mandato, há que adequar a vila à sua nova categoria, saltando de Fonte, para Termas de Boliqueime. No mínimo! Aqui fica a sugestão.

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nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – dEZ/09 – # 8- Fever Ray:

Para muitos será o melhor de 2009. Não creio mas aceito que seja dos melhores e por isso mesmo entra na minha escolha: Fever Ray. Foi um dos primeiros trabalhos do ano – publicado em Janeiro. É muito bom mas não é o melhor.

Memorial poético (1)

Confronto

 

O ódio é arma que mata,

O divórcio é a secura,

Os remorsos são a errata,

De um amor que é a cura.

 

Príncipe sem principado,

Soberano por quimera,

Amante sem ser amado,

Herói de uma outra era.

 

O Homem é poeta,

Sonhador sem igual,

Expulsou Cristo da Terra,

E recusa-se a ser mortal.

 

Viajante nas horas do tempo,

Ulisses no mundo do sonho,

Já fui guerreiro do Olimpo,

Dando a parte pelo todo.

 

(Porto, Dezembro de 1993)

Bukowski revisitado #2

Porque toda a gente tem direito a um Natal feliz, eis outro poema de Charles Bukowski, também simples e informalmente traduzido:

as putas de Hamburgo

as prostitutas de Akron estão em todo o lado.

vejo-as em todo o lado

nos filmes

nas outras cidades do mundo

mas vi as putas de

Hamburgo só uma vez.

.

estão lá como seres eternos

à espera.

.

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A máquina do tempo: serões da província

Estava a melhorar da minha cleptomania. Não sei se têm reparado que já há muitos textos que não surripiava nenhum título. Mas porque um blogger não é de pau e o Júlio Dinis estava mesmo a pedi-las, tive uma recidiva. Assim, como habitualmente, sem que o conteúdo tenha a ver com o título do romance aqui estão estes «serões da província» que de bucólicos e de românticos pouco tinham. (e daí…). Bem, como agora se diz, então é assim:

Há quarenta anos estava-se no auge da luta antifascista. Salazar caíra da cadeira, Caetano prometera democratizar, mas tudo continuou na mesma – guerra colonial, polícia política, censura, partido único… ditadura, para tudo dizer numa palavra. Mudou os nomes às coisas, mas tudo ficou na mesma.

Uma boa parte da população conspirava, sobretudo nas camadas mais esclarecidas da pequena-burguesia – professores, profissionais liberais, oficiais do exército (geralmente de patente não superior a capitão), pequenos empresários, estudantes… E, sobretudo nas pequenas cidades, conspirava-se. Como? [Read more…]

O meu «reveillon» em tempos de crise

São tempos de dificuldades, aqueles que estamos a viver. Tempos de incerteza, em Portugal e no mundo, com a crise económica e financeira e o desemprego a um nível nunca visto. Como será o futuro? Isso ninguém sabe.
É por isso que este ano, por muito que me custe, vou limitar o orçamento das habituais férias de Inverno e «reveillon». Terei de me contentar com uma semana em Paris. Parto amanhã, dia de Natal, e regresso no dia 1 de Janeiro. É que, como sou professor, não posso sequer escolher as datas das minhas férias – algo que considero particularmente escandaloso e discriminatório!
Mas como terei acesso diário à internet, o Aventar não será esquecido. Conto enviar diariamente uma crónica da cidade-luz, que neste momento está coberta por um branco manto de neve. Estarei alojado no centro de Paris, perto da Bastilha, mas faço questão de visitar e fotografar todos os locais que tenham interesse para o Aventar, incluindo os locais onde me deleito com a deliciosa comida francesa. Pas de problème, tenho grande facilidade de circulação na cidade – praticamente só ando de táxi. [Read more…]

Apontamentos de Inverno (1)

Apontamentos de Inverno (1)

(Borralho minhoto)

Como Se Fora Um Conto – O Pai Natal e o Menino Jesus

O PAI NATAL E O MENINO JESUS

Tenho de começar por dizer que não gosto do Pai Natal.

Desde que entrou na minha vida, já lá vão mais de vinte anos, que aos poucos a minha aversão ao personagem, foi crescendo.

Também não será para admirar. O Pai Natal chegou e destronou o meu Menino Jesus. Arrumou-o para um canto de uma gaveta, dentro de uma caixa velha, e não se ouviu mais falar dele.

Com a chegada do Pai Natal, começaram as desavenças natalícias lá por casa. E, pelo que ouço dizer, em muito mais casas por esse mundo fora.

O Pai Natal que na altura começou a andar lá por casa era um Pai Natal rico. O meu Menino Jesus, era um Menino Jesus pobre. Só por aí comecei eu a não gostar do velho de barbas e vestido de vermelho. Começou a luta dos ricos contra os pobres, e o rico ganhou. Não é que tenha ganho grande coisa, mas ganhou. Ganhou pelo menos o lugar que o Menino Jesus sempre tinha tido em minha casa. E com essa vitória começaram a desaparecer os valores que até então nos tinham norteado.

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O Casal Ventoso chegou a Alvalade

Ele há gajos que me chateiam. Chateiam-me porque são do Sporting. E chateiam-me ainda mais, precisamente porque são do Sporting. Sem excepções. O gajo até pode ser meu amigo (que não é o caso, nem nunca será)  mas se é do Sportem, é um amigo chato.

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Poemas estoricônticos

                  (adao cruz)

(adao cruz)

Pobre de quem tem medo das esquinas da vida

e só caminha pelas ruas a direito

bem iluminadas!

Nunca tem sonhos nem surpresas.

Vive na pálida

insípida e mistificadora rotina da vida

que tu e eu bem conhecemos

porque somos exactamente sonhadores. [Read more…]

Mistérios do Natal – o véu desceu para sempre

São cada vez mais frequentes os toques da Zeca á minha porta altas horas da noite Com 92 anos, vive com uma amiga com 97 anos, nenhuma delas tem família, eu sou quem está mais à mão.

Esta noite o bater da Zeca foi mais cedo e mais persistente. Abri a porta e a Zeca estava a chorar, a amiga Esmeralda estava a morrer. Do primeiro ao terceiro não são precisos elevadores, num ápice entrava na casa onde uma pobre mulher dava os últimos suspiros.

Abracei-a e morreu assim, sem um suspiro, sem um ai, sem um adeus…

Chegaram os jovens médicos do INEM, a polícia, o médico civil, o cangalheiro. Verificaram a morte e preparam tudo para a última viagem.

Naqueles vinte minutos em que estive sozinho com aquelas duas mulheres, onde estive tantas vezes, sempre em momentos críticos, lembrei-me que a única coisa que nos alívia é sermos úteis. Uma paz serena e raramente sentida apoderou-se de mim. Não há medos, nem frustações, nem ódios, tudo isso faz parte da vida que perdemos, quando vivos, no turbilhão da angústia, da ambição e da inveja.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” diz Pessoa, mas não é verdade.

Eu odiei grande parte da minha vida e dava tudo para voltar atrás e perdoar!

Bike 2.0 – a minha prenda aventadora

Com uma espécie de motor na roda traseira que recupera e armazena a energia que se liberta do atrito entre o piso e as rodas provocado pelo travão, aqui está a prenda que vou pedir ao Menino Jesus e distribuir pelos aventadores.

Quanto mais trava mais energia se tem, acumulada, pelo que no limite, quem não pedala mas trava, está sempre cheio de energia. Isto para certos aventadores que conheço é a prenda ideal.

Agora ,vejam, vou escrever mas não traduzo porque tudo isto nos é familiar: Bluetooth, iPHone e motor de recuperação energética, que acrescentam uma “explosão de velocidade” em situações de trafego intenso.

A roda especial acompanha a velocidade com a ajuda preciosa do sistema Bluetooth. É uma tecnologia semelhante à HERS ( Kinetic Energie Recovery System ) que mudou radicalmente a Fórmula 1.

Ora, Fórmula 1, Bluetooth e energia acumulada são, características que usamos e abusamos aqui no Aventar, pelo que ninguem mais preparado para receber esta prenda. Já encomendei ao Pai Natal e amanhã vou passar pelo Largo do Rato, onde distribuem em mão.

Espero que os meus confrades aventadores percebam a enorme canseira que tudo isto dá, a começar por, para lá, ter que ir a pé, e para cá, a energia de tão acumulada não haver travão que a segure. Acresce, que o mais certo é apanhar com dois beijos da Edite e/ou da Ana e um forte abraço do Santos Silva!

O Pai Natal sofre muito e ainda tem que ouvir que não existe! Aliás, (e esta é muito má )  ainda estou a pensar se dou ou não a prenda, aos aventadores que dizem não acreditar no Menino Jesus.

Aceitam-se sugestões ! Para todos ?

E Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro – De onde se justifica que o Natal pode ser quando o Homem quiser

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Não. Pelo menos segundo diversos investigadores e estudiosos. É certo que o Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo mas é também certo que não foi a 25 de Dezembro que o “Menino Jesus” nasceu. Pelo menos em Belém.

A Igreja acabou por “adoptar”, não sem alguns problemas, o 25 de Dezembro para o Natal, de forma oficial, a partir do ano 354, por determinação do Papa Libério.

Há dados que apontam para o facto de os primeiros cristãos valorizarem cada momento da vida de Jesus, em especial a Paixão e Morte na Cruz. Mas não era, na altura, costume comemorar o aniversário e, portanto, não havia elementos suficientes para datar o nascimento. Há, aliás, datas muito variadas.

O dia 25 de Dezembro foi escolhido pela Igreja na sequência da missão de cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam por altura do solstício de Inverno. Eram festividades assinaladas por inúmeros povos europeus e foram adoptadas no Império Romano, através da Saturnália, festa em honra ao deus Saturno, que era comemorada entre 17 a 22 de Dezembro. Era um período de alegria e troca de presentes.

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