AMTP: Mais uma estória de bravos boys laranjazuis

Joaquim-Cavalheiro-PresidenteAMTPCarlos de Sá

Joaquim Cavalheiro passou os últimos cinco anos, ou quase, a presidir a uma entidade que não passa de um nado-morto: a Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto (AMTP). Nomeado por indicação de Rui Rio, em Novembro de 2010, cedo deparou com a completa obstrução do governo da Direita – que tomou todas as decisões, em matéria de transportes públicos na área metropolitana do Porto, sem passar cavaco à AMTP, para a qual nunca nomeou os vogais do respectivo Conselho Executivo. Mas isso não fez desistir Joaquim Cavalheiro: continuou a presidir a um organismo sem qualquer utilidade, e a auferir o vencimento de 4.204,20 Euros, pago por 14 meses em cada ano, mais despesas de representação de 1.471,50 Euros pagas por 12 meses em cada ano (fonte: http://dre.tretas.org/dre/281920/).

De saída do cargo (a AMTP será extinta a 09 de Agosto próximo), Joaquim Cavalheiro quis fazer jus aos mais de trezentos mil Euros que custou aos contribuintes, levando à reunião do Conselho Executivo da AMTP uma proposta de última hora, fora da agenda, para sancionar alterações nas linhas da STCP e prolongar a concessão por dez anos – ao encontro das exigências do consórcio espanhol a quem foi dada a subconcessão pelo governo. Para tal, contou com o seu próprio voto e o voto da senhora Ana Isabel Miranda, uma vogal do Instituto da Mobilidade e Transportes, contra o voto do senhor Lino Ferreira, representante do Conselho Metropolitano do Porto.

Assim, nas costas dos autarcas, e nas costas dos utentes (que nem contam nestas coisas), os boys do governo na AMTP acrescentaram mais um frete ao rol de manigâncias de que está pejado o negócio da subconcessão dos transportes.

Alguém adormece em Kalachi, um autocarro arde em Buenos Aires


Andamos todos uma pilha de nervos. Eu ando. E vós, aposto que também. São injustiças por todo o lado, abusos de poder, é uma carta que chega das Finanças e a gente fica a tremer (ministra Cristas dixit), é a impunidade dos poderosos, é a deterioração de um modo de vida, com direitos que achávamos adquiridos, com garantias que pensávamos inalienáveis. E a revolta que isso nos provoca e que há-de tornar-se uma úlcera, se não coisa pior. O cidadão irritado, espoliado, indignado e de mãos atadas. O cidadão sozinho contra um sistema iníquo que, tal como a serpente que morde a própria cauda, foi o mesmo cidadão que permitiu que se fosse consolidando.

Por tudo isto, a cidadã pilha de nervos que sou eu gostou de conhecer, há pouco, a personagem do grande actor Ricardo Darín numa das curtas-metragens do filme argentino “Relatos Selvagens”, um engenheiro a quem passam uma multa de estacionamento indevida e que por isso se lança numa cruzada contra o sistema. Pelo meio, perde o emprego, a sua mulher pede o divórcio, a filha afasta-se dele, e até acaba por perder a liberdade. Depois de embater na arbitrariedade de quem manda e na apatia e falta de solidariedade de quem, como ele, deve obedecer, acaba por decidir mandar pelos ares (ele é um especialista em implosões) as instalações da empresa que lhe havia cobrado indevidamente, e, por isso, é detido mas transforma-se num herói popular, alvo de atenção da imprensa e das redes sociais. O povo baptiza-o de “engenheiro Bombita”. [Read more…]

Fundamentalismo de tijolo e cimento

RDA, Israel, EUA, Bulgária e agora Hungria. Os radicais adoram rodear-se de muros.

O empresário idiota

uma ideia que a comunidade hispânica nos EUA e eu partilhamos sobre Donald Trump, que na Terça-feira afirmou que o México envia “traficantes” e “violadores” para o país. Teria a sua piada ver a Casa Branca ocupada por alguém ainda mais idiota que G.W. Bush.

Um poço sem fundo chamado BES

Poço

Bons velhos tempos em que o boliqueimense mais famoso do PSD e do Palácio de Belém nos sossegava afirmando que era seguro confiar no Banco Espírito Santo. Ontem, por entre arrestos de bens e buscas às casas de algumas figuras de topo da antiga administração do BES, surge uma notícia que dá conta de um fundo do Estado que perdeu 6 milhões de euros com a aposta no cavalo esbarrado que dá pelo nome de papel comercial, desta feita não da Rioforte mas do Espírito Santo International (ESI). O Fundo de Apoio à Inovação (FAI) é um organismo público criado pelo Estado para gerir um montante total de 40 milhões de euros que resultaram de contrapartidas dos concursos eólicos lançados no tempo do prisioneiro nº44, que teve a triste ideia de investir 6 desses milhões nas artimanhas do Dono Disto Tudo. Remontando a Novembro de 2013, a aplicação venceu a Novembro de 2014 mas a devolução do investimento nem vê-la.

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O truque da venda da TAP

Mário Amorim Lopes fez um post cheio de números e gráficos – números e gráficos dão um ar sério a qualquer post – sobre a TAP. E jurou a pés juntos que se iria flagelar se, com esta privatização, dívida da TAP passasse para o estado.

Está na hora de o fazer e até pode usar a sugestão da imagem.

Victor Baptista, economia e ex-deputado do PS, é assim que ele assina, fez uma coisa que qualquer um pode fazer quanto a números, qualquer um é um exagero porque aquilo é intragável, e olhou para o último Relatório e Contas da TAP, o de 2014.

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Portugal tem um “pedregulho” às costas que “é pesado”

maria-luis-rodin

Título roubado ao DN (sintaxe “criativa” idem).
Que me perdoem Rodin e mais uns quantos.

E agora, vão dizer que os juros subiram por vossa culpa?

demontar a propaganda - juros

Em 20 de Maio a propaganda do governo fez um boneco, daqueles de atirar areia para os olhos, onde dizia:

Crescimento!
Portugal coloca Bilhetes de Tesouro a taxas negativas pela primeira vez!

Não era a primeira vez que a malta da propaganda laranja fazia passar a mensagem de que o que eles fizeram foi tão bom que se viram os resultados nos juros.
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As duas troikas e a comunicação social

Santana Castilho *

1 A governação de Sócrates foi julgada nas últimas eleições. Nas próximas devemos julgar a governação de duas troikas: a estrangeira e a nacional, composta por Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva. O rasto impressivo desta troika nacional não pode ser iludido pelo apaziguamento dos mercados e pelos elogios hipócritas dos credores, mas antes recordado pelas imagens degradantes dos últimos dias, quando vimos centenas de portugueses passarem noites inteiras numa fila, esperando uma senha para fazerem uma colonoscopia. Ao estado a que o Estado chegou! Literalmente destroçado por um Governo que procurou alistar jovens, trabalhadores privados e activos contra velhos, funcionários públicos e reformados. Que fez a dívida galgar 20 pontos percentuais, apesar de ter vendido toda a economia pública relevante (parte da banca, EDP, CTT, ANA, REN, PT, Tranquilidade, Espírito Santo Saúde e TAP). Que tenta dissimular, com as “Linhas de Orientação para Elaboração do Programa Eleitoral”, o PEC que enviou para Bruxelas: mais austeridade, mais despedimentos e mais extorsão de salários e pensões. [Read more…]

A venda da TAP e um criminoso chamado Pedro Passos Coelho

Crime PPC

Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

Muito se tem discutido a privatização da TAP. Na arena ideológica, a contenda divide-se essencialmente entre três facções: a direita ultraliberal, sedenta por privatizar todo o país excepto, por enquanto, o solo, o oxigénio e a ZEE (sublinhe-se o “por enquanto”), a esquerda mesmo esquerda, que se opõe ferozmente a esta e a qualquer outra privatização e o PS, que igual a si mesmo se limita a fazer campanha eleitoral, actividade que neste momento passa por ser contra a privatização, apesar de um passado privatizador altamente prejudicial ao país que tenta, sem sucesso, branquear.

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Vamos brincar aos pobrezinhos?

PJ efectua buscas nas casas de Ricardo Salgado e restante corte com o objectivo de apreender bens e documentos. A Comporta vai ser pequena para tanta brincadeira.

Dos reality shows para a Casa Branca

o ayatollah do capitalismo selvagem Donald Trump está na corrida presidencial americana. Nas palavras do próprio, será “o melhor presidente que Deus alguma vez criou“. Medo.

Ronaldo já tem nome nas estrelas

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Entre as designadas galáxias distantes, formadas no Universo primordial cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang, a galáxia CR7 (COSMOS Redshift 7) é a mais brilhante entre todas. Foi observada por uma equipa liderada pelo David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Universidade de Lisboa, e do Observatório de Leiden, Holanda, que realizou as observações com o Very Large Telescope do ESO. Explicou o David Sobral que o nome também é inspirado no Cristiano Ronaldo porque também ele emana um brilho “fora de série”.

Um magno embuste e outras cartas

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Anda por aí um corropio por causa de uma tal de Magna Carta que faz 800 anos. É conhecido o fenómeno da manipulação da História ao serviço das ideologias, um clássico, e que pelos vistos hoje é assumido por uma facção da chamada ciência política, instalada na “universidade” da ICAR (um excelente local de exílio para académicos de carreira fracassada nas universidades laicas).

A tal carta resulta de um clássico conflito entre nobreza feudal e poder régio. Afirma direitos aos barões perante um rei fraco. Nada de especial, a História Medieval europeia está cheia disso. Fazer dela um documento fundador da liberdade das elites faz algum sentido, simbólico. Mas qualquer carta de foral que por esse mesmo tempo em Portugal defendia os direitos dos povos perante a prepotência senhorial, nas particulares condições portuguesas que levaram os reis a com eles tantas vezes se aliaram precisamente contra os nosso barões, que eram mais condes, é um muito superior exercício da liberdade, no sentido que lhe podemos dar nesse tempo. [Read more…]

Conselho gratuito

Exmo. Sr. Presidente da Republica:
Tendo V.Exa. manifestado, repetida e emocionadamente, o seu” alívio pela venda da TAP” venho, por este meio desinteressadamente, trazer V.Exa. a alvissareira notícia de que é possível obter alívio por formas muito mais simples e económicas que a que decorre da venda da companhia aérea nacional. E com a vantagem de, proporcionando o alívio a V.Exa., não prejudicar o país nem favorecer negócios mais que duvidosos – argumento a que, acredito, V.Exa. será particularmente sensível. Aqui está:

laxante

Vomitódromo

Dezenas de passageiros protestam contra privatização da TAP em voo da companhia entre Bruxelas e o Porto. Nos sacos de enjoo, escreveram “A privatização da TAP dá-me vómitos”.

Não é aceitável que a primeira despesa do Estado sejam PPP e juros da dívida

Paulo Pereira

Grécia: o “golpe de Estado” que não será televisionado

Porque é financeiro, conta com o apoio do presidente da Comissão Europeia, do ministro das Finanças da Alemanha, das agências de notação financeira, dos governos (entre os quais o português), da Oposição interna ao Syriza, e dos jornalistas (com destaque para a imprensa alemã e francesa) comprometidos com o sistema. Mais, aqui (em francês).

De olhos bem tapados

11 Jun 2015, São Paulo, Brazil --- A TAP plane departs Guarulhos international airport in Sao Paulo, Brazil, June 11, 2015. A consortium led by American-Brazilian investor David Neeleman will take control of indebted Portuguese state airline TAP, ending a drawn-out sales process that has faced strong opposition from many unions. REUTERS/Paulo Whitaker --- Image by © PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis

© PAULO WHITAKER/Reuters/Corbis (http://bit.ly/1cYx1qt)

Nicolau Santos pergunta se faz sentido o Estado português vender “parte da posição acionista” da TAP “a um banco público brasileiro, ou seja, ao Estado brasileiro”. Creio que sim. Se fosse ‘accionista‘, teríamos outra conversa. Sendo ‘acionista‘, obviamente, o Brasil é o destino mais indicado.

Por falar em Brasil, sempre que leio o Diário da República, lembro-me do Diário Oficial da União. Porquê? Por causa das coisas que acontecem no sítio do costume. Hoje, temos mais do mesmo.

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Cavaco Silva disse que “pode haver excepções para a Grécia”?

É possível e já aconteceu algo de semelhante com o ‘factor de perturbação’ de Carvalho da Silva. Segundo o Correio da Manhã, Cavaco Silva disse que “não pode haver exceções para a Grécia”.

Não é de um «Grexit» que a Europa precisa mas de um «Schäubxit»

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Em 1990, a RDA (que precisava de ser “salva”, para ser integrada na Alemanha) exibia os mesmos sintomas que a Grécia em 2015 relativamente à UE. Foi então criado, pelo mesmo Schäuble, actual coveiro da Europa, um imposto de solidariedade, para financiar a unificação alemã. Artigo (em francês) do jornalista alemão Kai Littmann.

Consumocracia, a Democracia de Consumo

Paulo Pereira

A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.

Aldous Huxley

Cândida Almeida tinha razão

Corruption

Quando formulou, num momento de algum brilhantismo, na mui nobre e antiga Universidade de Verão de Castelo de Vide, o seguinte juízo:

O nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto. Existe corrupção obviamente, mas rejeito qualquer afirmação simplista e generalizada, de que o país está completamente alheado dos direitos, de um comportamento ético (…) de que é um país de corruptos. [DN]

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Bullying

Fala-se agora muito em bullying, termo sofisticado para uma velha realidade, agora aumentada pelas redes sociais.

Gostava só de recordar um romance:

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O Deus das Moscas, de William Golding. O filme que nele se baseou de nada vale mas o livro é soberbo.

Rua Padres e Professores

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Selecção dominou, mas Seleção venceu

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© EPA|Joel Ford (http://bit.ly/1cVJP11)

De facto, como podemos ler no Público de ontem: “Portugal dominou mas Brasil venceu nos penáltis por 1-3“. Por qualquer motivo, na redacção do jornal O Jogo há quem, apesar do título (Portugal eliminado pelo Brasil), creia que o Brasil perdeu: “A Seleção Nacional de Sub-20 perdeu“. Convém sempre recordar que ‘selecção’ ≠ ‘seleção’ — por exemplo, há pouco mais de um ano, selecção jogou com os Camarões e a seleção jogou com a África do Sul.

Também convirá, durante a tal “discussão mais focada sobre as matérias mais controversas“, explicar que, em português europeu, Contact Mechanics and Lubrication não corresponde exactamente a Mecânica do Contato e Lubrificação. Exactamente: hoje, no sítio do costume.

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A decadência de Houellebecq

Comprei na feira do livro o novo do Houellebecq, Submissão. Já tinha comprado há uns o meses o Mapa e o Território que comecei mas entretanto não acabei de ler porque se meteram outras coisas. Submissão é comparativamente mais fácil de ler mas a minha experiência com o Houellebecq não é muita e portanto o meu texto será em parte construído através de uma série de generalizações mais ou menos banais, mas sinto que vale a pena pensar nelas.

A pessoa lê Houellebecq e fica com a sensação de duas coisas: a primeira é que as personagens são todas iguais. Dei uma olhadela à sinopse dos outros livros dele e não me parecem ser diferentes. As personagens principais são sempre as mesmas (homens, introspectivos, com tendências depressivas, que gostam de mulheres, de beber e de comer): só muda o enredo. A segunda é que Houellebecq tem na cabeça uma série de ideias sobre a civilização ocidental (se quisermos ser generosos, sobre as várias civilizações) e os livros acabam todos por ser sobre isso. Aliás, não fiquei com muita vontade de ler os outros, embora queira acabar o Mapa e o Território que penso ser até mais interessante do que Submissão.

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Citações do Bloco Central

“A questão essencial é se o capital é credível, sustentável e se está em linha com os interesses fundamentais do Estado português”.

António Vitorino, 20 de Dezembro de 2014, a propósito da privatização da TAP.

“Pândegos”

Marques Mendes referindo-se ao ministro Pires de Lima e ao secretário de estado Sérgio Monteiro em 13 de Junho de 2015, a propósito da privatização da TAP.

«A operação (de venda da TAP) movimentou muitos assessores, incluindo dois advogados com influência na política e que intervieram activamente: Marques Mendes, da Abreu Advogados, estava com Efromovich;  António Vitorino, da Cuatrecasas, com Neeleman. A proposta que venceu foi a apoiada pela Cuatrecasas».

Jornal Expresso

Portugal não é a Grécia!

portugal_nao_e_greciaA EasyJet pensa diferente.

Nova carta ao ministro da Economia

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© Económico

Ex.mo Senhor Ministro:

Desde a minha última carta, da qual V.Exa., por certo, nem tomou conhecimento, perdi mais de duas semanas de trabalho à espera de autocarros da STCP que deviam passar e não passaram. Não, senhor ministro, não por culpa das raras greves dos trabalhadores que entretanto tiveram lugar, mas por exclusiva culpa dos boys que o seu antecessor nomeou para a administração daquela empresa, e que V.Exa. manteve – e mantém mesmo depois de expirado o prazo do contrato. Gente absolutamente incapaz de gerir um pequeno quiosque, que V.Exa. e o seu antecessor acharam capazes de gerir uma empresa de transporte de passageiros, mesmo contra todas as evidências.
Assim por alto, só à conta das mais de dez mil carreiras suprimidas em cada mês pela STCP, V.Ex.a é responsável pela perda de vários milhões de horas de trabalho. Nunca antes um ministro da Economia tinha alcançado semelhante feito!
Fica registado, senhor ministro, para memória futura, que V.Exa. preferiu prejudicar milhões de pessoas, tornando o seu já difícil quotidiano num inferno ainda maior, a despedir incompetentes boys que outro mérito não têm que não seja o de possuírem um cartão partidário.

Cumprimentos,

Carlos de Sá
Vila Nova de Famalicão