O Meu Apeadeiro

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Taxa Engravida

Se cada consumidor paga actualmente, através da factura da electricidade, 2,385 euros por mês, com os 6% de IVA incluídos, passará a pagar um pouco mais, em 2014. Para grandes vícios, taxas agravadas.

Pasto para Demagogos

Passos ConejoA questão do corte ou avaliação de recursos nas pensões de sobrevivência tem sido matéria para os mais asquerosos e abusivos aproveitamentos políticos de reles quilate e baixa argumentação: o PS cala. O PSD cala. O CDS-PP vê-se aflito para explicar ao País do que se trata realmente. Os outros incendeiam-se no ódio e na leviandade com que Pedro grita «Lobo!» haja lobo, rato ou lagarto.

Qualquer ai ou ui proveniente do Governo da República parece não merecer, da parte dos mesmos à bica dos microfones, nem o benefício da dúvida nem a prudência do estudo prévio e nunca pode ser analisado friamente, antes de uma barragem de fogo de artifício arruaceiro. Primeiro chama-se-lhes ladrões. Depois arma-se uma cena qualquer de encher praças. Há Governo, pois ser contra há-de ser dar prioridade à mais abjecta demagogia, à mentira mais descarada e à distorção mais cega. Uma competição sem tréguas, cada qual com a sua mentira e a verdade talvez venha ou não no fim, onde só escombros poderão restar.

Duvido que se possa conceber um Governo assim tão obstinado, chato, e aparentemente perseguidor reincidente de uns em detrimento de outros, sem que o assistam razões mais altas e obrigações mais pesadas a que não possa de todo fugir. No entanto, todo o esclarecimento é bem-vindo. E vem tarde.

Porto ao Retardador

Porto relegado de Rui Rio; Porto sem pista de asfalto para popós de alta gama; Porto intocável e esquecido; Porto ao Retardador; Porto que morre em Campanhã.

É Berrar Mais Alto!

Estou à espera que a Sociedade Portuguesa dê a justa força a isto. Mais alto. Ouve-se mal.

Coelhinho, se eu fosse como tu

coelhinho
Se eu fosse como tu, seria um ser do mais abjecto que há, um cara de pau com a cabeça cheia de nada e a boca aberta para dizer coisa nenhuma.
Se eu fosse como tu, marimbar-me-ia para todos os seres humanos que me rodeassem, tratando apenas de me ver no espelho sempre favorável do meu egocentrismo poeirento e bafioso.
Se eu fosse como tu, teria uma vida confortável, rir-me-ia da pobreza alheia, achando-me o maior por ser superior a essa gentalha.
Se eu fosse como tu, seria o responsável por milhares de mortes. Sim, milhares de mortes. Directa ou indirectamente, eu estaria a carregar no gatilho de quem dá um tiro na sua própria cabeça, a empurrar aquelas pessoas das pontes abaixo, a atirá-las, sozinhas ou com os filhos, para debaixo de carros, comboios, para dentro de poços. Mas, claro, não me sentiria nada culpado. As pessoas suicidam-se porque são malucas, que diabos!, e se levam os filhos com elas, isso não é desespero, porque há uma luz ao fundo do túnel e não, não é o comboio, é porque são ainda mais malucas.
Directa ou indirectamente, eu mataria os velhinhos à fome e com falta de medicamentos e cuidados médicos.
Directa ou indirectamente, eu seria responsável por haver hoje muito maior mortalidade infantil do que há dez anos atrás.
Directa ou indirectamente, eu tiraria carne, peixe, iogurtes, leite, fruta do prato dos Portugueses.
Directa ou indirectamente eu tê-los-ia despejado das casas que já não podem pagar. Não podem pagar? Que trabalhem! Ou que procurem casas mais baratas. Não podemos todos viver em casarões. Para que é que uma família precisa de sala? Ou de quartos para os filhos? Basta-lhes dormir todos no mesmo quarto, até é mais aconchegante no Inverno, poupam no aquecimento…
Directa ou indirectamente seria eu quem teria atirado com milhares de conterrâneos para a miséria.
Mas eu não sou um ser tão desprezível como tu és. Não sou uma pessoa ressabiada com um país que fez uma Revolução de flores em Abril e com isso conquistou a liberdade. Uma liberdade que usaste quando te deu jeito para ascenderes as postos de poder e que agora te incomoda, te prende os movimentos.
Orgulho-me de ser quem sou. Ao contrário de ti, faço o que posso pelos outros. Dou-me aos outros, algo que tu deverias experimentar fazer, coelhinho.
Claro que eu sendo eu e não tu, há todo um abismo que nos separa.
Eu, sendo eu e não tu, vivo com dificuldades. Não consigo encontrar trabalho que me permita garantir o pagamento das minhas despesas. Tenho que fazer contas para comprar sapatos ou roupas para as minhas filhas.
Eu, sendo eu e não tu, preocupo-me (apesar dos meus próprios problemas) com os outros. Com os que me rodeiam e estão numa situação muito pior do que a minha.
Eu, sendo eu e não tu, vou ter que fazer mais contas à vida porque vais roubar mais 150 euros do salário do meu marido, que, actualmente, é o único que ganha salário cá em casa. Sim, se lhe vão ser roubados 150 euros é porque ele tem um bom salário. É verdade. Tem um bom salário. Mas é um salário que tem que pagar todas as despesas e, deixa que te diga a ti, que achas que com 600 euros já se é rico, 1100 euros líquidos para pagar casa, alimentação, infantário e todas as outras despesas não são suficientes.
Ainda assim, eu,sendo eu e não tu, não baixarei os braços e, se antes me tinhas nas manifestações a lutar mais pelos outros do que por mim, desta vez vais ter-me a lutar muito pelas minhas filhas.
Não vou deixar que lhes roubes o direito de ser crianças.
Já lhes roubaste algumas coisas, mas também, admito, lhes deste muito. À custa de todo o lixo que tens feito, e à força de ouvir algumas conversas cá em casa, a minha filha mais velha, com cinco anos, sabe o que é ditadura, sabe que o passos coelho, primeiro-coiso de Portugal é um ladrão, sabe que só tratas bem os teus amigalhaços, os palhaços que aí te colocaram, sabe que a mãe vai a manifestações porque é importante lutar pelos direitos dos nossos semelhantes.
As minhas filhas, graças a ti, sabem que em Portugal há muitos meninos como elas que passam fome, que perderam as casas onde viviam. Sabem que, por respeito a essas crianças e porque é preciso controlar o dinheiro, não podem ter tudo o que desejam (isso, é verdade, já acontecia antes de tu começares a tua saga destruidora de uma nação).
Por tudo isto, coelhinho, se eu fosse como tu, começava já a tirar a mão do bolso e a proteger o traseiro. É que isto vai piorar para o teu lado e só espero que se te atravessem não um, não dois, mas vários. Ao mesmo tempo.
Fim!

Contas Para Catadores de Fascistas

Eu sei que o Primeiro-Ministro é fraquinho e teimoso. Eu sei. Mas a divindade faz milagres colectivos com os mais incompetentes e incapazes, com os mais covardes e estouvados, menos com os competentes e repletos de si, porque o paradoxo da realização espiritual ocorre na precisa auto-anulação e no fracasso pessoais à luz dos critérios-selva dos humanos, o ápice da realização espiritual dá-se na descida ao âmago de nós mesmos pelo inferno da derrota, pela entrega de si nas mãos do Alto, cônscios da nossa cintilante miséria no plano mais vasto de um Cosmos, provavelmente mais um grão de pó entre os Multiversos, mas em que cada coração é maior que a soma de cada um deles-Cosmos. Só mesmo o pós-morte para premiar e dar sentido absolutos a uma vida nascida e morta no lixo de Manila, nascida e morta nas minas diamantíferas de África, nascida e atolada no pântano da Incúria como é Portugal. Uma vida pessoal ou colectiva fracassada ainda beneficia da larga promessa das Bem-Aventuranças. Alguém tape a boca ao beato que aqui posta e assassine o fascista que há em mim, se há alguém no blogue que lê o blogue, como diria um leitor fora-de-si.

Ora, portantos, Passos é fraquinho. O que se evidencia em Passos, evidencia-se muito mais no Povo Português, um Povo que é igualzinho a Passos ou até menos que Passos, naquela acepção espiritual que acabei de expor. Por exemplo, quem matou as expectativas crescimentistas para 2014? Passos! O Povo Português fará o resto. Este era para ser o ano do nosso apuro enquanto Povo tutelado pelo BCE, com uma abóbora na Presidência da República, um pepino como líder do Principal Partido da Oposição, além de uma série de grelos e de nabos na chefia de um sindicalismo instalado e obeso, com bigode e vasto ventre. Portanto, olhe-se para Passos e pense-se em milhões de Passos, milhões de Arménios e milhões de Ferreira Leite, Seguros ou Jerónimos, em sã desharmonia, consumindo produtos estritamente nacionais e procurando soluções inteligentes para fazer face ao empobrecimento galopante da nossa sociedade. Não se pensa? Porquê? Porque todos são fraquinhos, teimosos, medíocres. Nabos. [Read more…]

SOS na zona pobre

Leia a reportagem do Público.

Portugal Acaba Amanhã

calçadoExportações nacionais de calçado para a China triplicaram em quatro anos.

Baixinho, pá.

O teor do texto em relação à perda de Constâncio, mesmo sendo um imbecil. E convém saber do que se fala, quando se fala do PCP, de subvenções vitalícias e de reformas.

Um Governo de hipócritas

Hipócrita, Joaquim, é um Governo que corta as pensões de sobrevivência a quem recebe 600 euros de reforma ao mesmo tempo que não acaba definitivamente com as escandalosas reformas vitalícias dos políticos. As tais que o teu odiado Sócrates deu por terminadas.
Hipócrita é o Governo que acaba com pensões de sobrevivência de quem recebe 600 euros mas que não tem coragem de ir além de uma redução nojenta de 15% na reforma vitalícia de quem trabalhou apenas 12 anos e continua a acumular, hoje em dia, com 50 anos ou menos, muitos outros vencimentos.
Hipócrita é o teu post. Quem finge que a Esquerda está é preocupada com os Constâncios que recebem 2400 euros ou mais de pensão de sobrevivência, e não com aqueles cuja reforma miserável vê na pensão que recebem um complemento fundamental para a própria sobrevivência, não merece outra classificação.

O Viúvo Constâncio

Coitadinho! Mas não se toque nos “direitos” do Vitucho, berra o PCP e toda a fauna hipócrita e cínica que arrasta o abdómen sanguessuga por Lisboa.

Passos, Meu Amor!

Passos, o mérito e os excendentários

Tenho dois irmãos, ambos formados na escola pública e, posteriormente, numa universidade pública. O mais novo seguiu ontem as pisadas do mais velho e foi-se embora deste país que gastou dinheiro com a sua formação mas que não precisa dele. Para os meus pais foi o segundo desgosto. Que pais querem ver os seus filhos serem forçados a partir para outro país?

Os meus irmãos nunca foram alunos geniais. Apenas bons alunos, alunos aplicados. Não compraram o curso numa universidade privada nem ficaram na universidade até aos 37 anos. Ficaram até aos 23. A mesma idade com que, depois de baterem a tantas portas que teimavam em não abrir, decidiram procurar outro país que os valorizasse. Podiam ter feito o cartão rosa ou laranja e talvez isso tivesse mudado um pouco o cenário. Mas optaram por não vender a alma ao diabo e o desfecho foi o mesmo que afecta tantos dos nossos familiares, amigos e conhecidos.

Quando ontem ouvia o hipócrita Passos Coelho, naquele exercício de retórica patética que fez na RTP, a dizer “Nós apostamos muito nos jovens”, enquanto o Diogo aterrava na República Checa, foi provavelmente a única vez que me apeteceu partir-lhe a cara. Sou um gajo pacífico, até agora só me apetecia vê-lo preso, ou “encurralado” por uma multidão em fúria. Mal por mal, prefiro sempre ver os vilões a partilhar a cela com um entroncado presidiário de longa data, pronto a dar-lhes todo o carinho do mundo, algo que, infelizmente, nunca acontece.

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O Dia Seguinte…

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O jornalista Miguel Carvalho fez uma reportagem sobre a cidade do Porto (Como o Porto conquistou o Mundo) para a revista Visão. Já aguardava ansioso pela dita desde julho/agosto, altura em que entrevistou Melchior Moreira (Turismo do Porto e Norte de Portugal) na esplanada do Porto Cruz e no restaurante do Hotel Carris.

 

As minhas expectativas eram, confesso, elevadas. O Porto está mesmo na moda, o Miguel Carvalho conhece bem a cidade (é um tripeiro) e basta percorrer as ruas do Porto para perceber a quantidade enorme de turistas. Gostei, gostei bastante. E fiquei a saber que me falta conhecer tanto desta minha cidade. Tanto!

 

O problema será “o dia seguinte”.

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Mudar o mundo todo, uma pessoa de cada vez

A utopia é um elemento essencial da nossa identidade porque no dia em que  o sonho deixar de estar presente, o caminho para o amanhã desaparece também. No entanto, a utopia tem que ser um sonho que se materializa nas práticas diárias, nas opções que vamos fazendo a cada momento.

Malala é uma menina que faz a sua parte e que procurava, na sua comunidade, fazer a diferença.

“Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro”

Esta VERDADE apresentada por Malala na ONU leva-me para um terreno absolutamente oposto ao de Nuno Crato e dos seus seguidores. A aposta na Educação é um valor entendido até nos territórios mais deprimidos do nosso planeta, enquanto por cá um grupo de boys parece comprometido com o fim da escola pública. A jovem Paquistanesa além da defesa da Educação enquanto valor global, apresenta como urgente a formação das mulheres. [Read more…]

a virgem deixou-se de merdas e agora só viaja em executiva…

A virgem maria (a tal que apareceu brilhando escarrapachada numa azinheira na Cova da Iria…), deixou-se de merdas e trocou a azinheira por um lugar em classe executiva num voo da TAP.

‘Viajar de azinheira não dá jeito nenhum’ – revelou a virgem à nossa redação – sem condições atmosféricas favoráveis e sem o brutal sol do meio-dia é impossível fazê-lo, já para não falar da porcaria das folhas que são tão pequenas que se espetam em todo o lado’, continuou a senhora de fátima. A virgem viaja de madrugada, no próximo sábado até ao aeroporto de Fiumicino, em Roma, onde (juntamente com a sua coroa e uma comitiva de nove padres, incluindo o reitor do santuário de Fátima) tomará, seguidamente um helicóptero para percorrer os cerca de 32 km entre o aeroporto e a cidade do Vaticano. Aqui irá participar, a pedido do papa, na jornada mariana do ano da fé.

‘Pronto, sei lá, tá a ver? – disse-nos a virgem em conversa ocorrida esta manhã – é verdade que eu podia tomar um autocarro, mas dentro de uma caixa, com a coroa noutra caixa e os nove padres não seria uma tarefa fácil e o trânsito em Roma, àquela hora, mesmo a um fim de semana é impossível, não sei se já esteve em Roma alguma vez? Eu fui lá uma vez, de azinheira, mas pronto, era nova e com a mochila às costas ainda foi pior que das outras viagens de azinheira. Mas vou gostar de rever a cidade, sabe? E conhecer o Chico, que parece tão bom rapaz e isso. E, depois pronto, como já poupo dinheiro na viagem de Lisboa a Roma (porque o senhor reitor achou por bem não fretar um avião propositadamente e então vou num voo comercial…) posso perfeitamente tomar o helicóptero, tá a ver?’. 

A virgem regressa no domingo à noite ao santuário de Fátima, pelos mesmos meios. Entretanto, católicos do mundo inteiro, regozijai-vos, o dinheiro da santa madre igreja, a mesma que almeja ajudar os pobres e isso, é gasto, sei lá, tá a ver? nestas modernices. se o raio da mulher não podia viajar de azinheira?

Derrota Técnica, Sucesso em Seco

Arménio FóssilPor imperativos de bom senso e mínimos de segurança, a propalada manif-marcha do próximo dia 19 de Outubro não poderá decorrer na Ponte Salazar-25 de Abril.

Não será, mas já é um sucesso. Não acontecerá, mas já é uma vitória. Após pareceres negativos de duas entidades, Conselho de Segurança da Ponte Salazar-25 de Abril e PSP, a manif na Ponte foi interditada. Inconvenientes técnicos ditam o fim da fantasia, da pose em grande, coisa que não se coloca à alternativa, a pista n.º 1 do Aeroporto da Portela, com a anuência de todas as entidades, incluindo o Observatório de Aves em instalações aeroportuárias e os caçadores de gambuzinos.

Entretanto, o secretário-geral da CGTP-PCP, Fóssil Espingardante Camarada Arménio, considera virtuais os pareceres negativos do Conselho de Segurança da Ponte e da PSP: não os recebeu nem por carta, telex, telegrama, ou e-mail, nada. Já o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, garante que dois pareceres contrários é muita areia para as pretensões desafiadoras da CGTP-PCP e que os comunicados técnicos negativos já foram devidamente remetidos ao PCP-CGTP, tendo mesmo as câmaras municipais de Lisboa e de Almada manifestado a sua completa incompetência para quaisquer pronunciamentos pela autorização ou não da realização da marcha pontifícia que-era-para-ser.

A comunicação social veiculou a novidade mas, segundo Fóssil Camarada Espingardante Arménio, isso não chega. Nada lhe chegou às mãos. Importante é que alternativas existem: a Pista n.º 1 da Portela. O problema deixou de ser rodoviário. Passou a aéreo. Os aviões podem esperar.

Estado social, por Daniel Oliveira

É então que os privados ficarão finalmente sozinhos a tratar destes apetecíveis e inesgotáveis negócios.”
Fica a sugestão de leitura para os amantes de Passos Coelho que habitam cá no corner.

Novo Aforro 5%

O Governo criou novos certificados do aforro com taxas de juros no quarto e quinto ano após a subscrição, acrescido de prémio adicional consoante crescimento do PIB.

Convicção Goldman

EDPDe venda.

Alice Munro é Prémio Nobel da Literatura

Confesso que sei muito pouco sobre a autora.

Ainda o Fóssil Espingardar em Minoria

Portugal é um País extraordinário que consegue ter um Governo moribundo há dois anos e uma Esquerda Fóssil, Mumificada há quarenta com um manifesto problema de hiperventilação psíquica: exagera nos seus choques e dores de ilharga, está sempre à espera de um pretexto para se zangar e as lentes que usa para a realidade são as do eterno farisaísmo, inflexível, lapidário, aflito por partir para grandes batalhas campais contra moinhos de vento, aparecendo sempre em minoria.

Prefiro ter paciência com um suposto fascismo europrotector prosseguido pelo BCE e pelos Governos de Estados Intervencionados da União que o aplicam, apertando o gasganete aos sectores públicos na Irlanda, Grécia e Portugal, carreando um enorme sofrimento social a essas sociedades. Prefiro aturar essa estratégia. Desconheço qualquer outra. Prefiro suportar a maligna salvação dos bancos europeus e da banca europeia à custa de milhões desses contribuintes, desempregados cada vez mais endémicos, como eu, ou pensionistas vulneráveis como os meus pais, porque sei que um dia esse holocausto reverterá em benefício dos sobreviventes e máximos sacrificados de hoje, ressarcidos os que se viram na iminência de prejuízos volumosos e investimentos comprometidos pela insolvabilidade bancária de 2008, cujas perdas fariam colapsar a confiança mundial hoje muito delicada nos seus equilíbrios. A impaciência, escrevia recorrentemente Kafka, é o pecado capital da Humanidade. Quando lhe cedemos, sobrevém o pior. A Esquerda é impaciente e apressada nos seus juízos. Rasga as vestes, como se a inexorável Senectudocracia Europeia não suscitasse novos roubos reequilibradores do sistema nunca dantes necessários, a par da lenta coragem dos Governos para, em nome dos contribuintes e dos cidadãos prejudicados, atacar a chicha dos sectores protegidos. [Read more…]

Passos e as 20 perguntas

Pergunta no Facebook: “Alguém sabe dizer se o Passos ganhou o carro no concurso apresentado pelo Carlos Daniel?”

O Jornal de Angola

O primeiro jornal que os meus olhos viram foi o Província de Angola, que pontualmente entrava na casa dos meus pais. Parece que havia outro, o Diário de Luanda, tido e mantido pela União Nacional, mas esse não entrava lá em casa. Nem percebo porquê, porque devia ser feito por gente excepcional, a avaliar pelo trajecto de vários redactores. Um deles, Luís Fontoura, hoje figura de proa do PSD e da Maçonaria. Enfim, embirrações que eu não cheguei a entender. Eu fazia o ensino primário na Escola Sousa Coutinho, mesmo em frente da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, onde fui baptizada. Por estar gravemente doente na altura de entrar na escola só o pude fazer um ano depois, mas aprendi as letras e a juntá-las, em casa, nos livros do Hans Christian Andersen e no Província de Angola. A pouco e pouco, fui tendo o prazer de ler a página infantil que era leira lavrada por Lília da Fonseca. Muitos anos depois, já na universidade e ganhando o meu sustento com uma pequena agência literária de exilados espanhóis nos Estados Unidos, herança benfazeja que me foi deixada pela poetisa angolana Alda Lara, eu haveria de conviver com Lília da Fonseca que tanta paixão punha na literatura infantil e no militantismo de esquerda.

Mas quando eu andava de bibe, o Província de Angola, o mais antigo jornal da África a sul do Saara, era propriedade da família Correia de Freitas. Jornal prestigiado, bem escrito, sério e, ao contrário doutros em Portugal, muito mais avesso à autocensura e sempre às turras com os coronéis da dita. Refilava. O seu último proprietário e director foi Ruy Correia de Freitas, engenheiro de máquinas por Londres, um gentleman de grande aprumo moral e bondade. A exemplo de todos nós dessa geração, o Ruy também queria a independência, mas negociada, pelo diálogo, educadamente, como um filho que passa a viver por si mesmo, mas se dá bem com os pais. Uma independência sem ódio nem guerra, para prosperidade dos seus povos. Como nada disto agradava aos serventuários da União Soviética, quando Angola foi entregue ao MPLA, unilateralmente, o Ruy Correia de Freitas só teve tempo de meter a mulher e a filha na sua avioneta e partir para a África do Sul. Dali foi ao Brasil e ao Canadá, mas acabou por viver (e morrer) em Portugal, na maior modéstia mas sempre com imensa dignidade. Foi a “descolonização exemplar” – coisa que é dita por quem a fez mal. [Read more…]

O estranho caso do Embaixador mal informado

Tenho para mim que o desempenho de altos cargos constitui uma responsabilidade e não propriamente um privilégio. É por isso que um ministro, um deputado ou um diplomata devem ter um cuidado acrescido quando tomam decisões, quando dão opiniões ou quando resolvem prestar esclarecimentos.

Mário Vilalva, Embaixador do Brasil em Portugal, tendo constatado que “em Portugal há algumas resistências ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, resolveu “proceder a um esclarecimento dos factos.” No entanto, decerto por estar mal informado, em lugar de esclarecer, publicou mistificações.

Aconselhá-lo-ia, antes de mais, a ler a carta aberta que lhe dirigiu Luís Canau. Encontrará aí informação abundante, esclarecida e, portanto, esclarecedora.

Tendo, ainda, em conta que o embaixador brasileiro parece acreditar que o chamado acordo ortográfico poderá contribuir para interligar “os nossos mercados editoriais sem custos adicionais” e que “livros, materiais didáticos e programas de educação à distância poderão ser reproduzidos sem os custos de adaptação do idioma a públicos diferentes”, atrevo-me a recomendar-lhe a leitura de dois textos publicados no Aventar: O mundo encantado das edições únicas e Editora Leya confirma inutilidade do acordo ortográfico.

A uniformização ortográfica e o consequente unicórnio das edições únicas correspondem a mitos que urge erradicar de vez. Esperamos contar com a ajuda do representante do Brasil em Portugal para que isso aconteça, agora que os factos ficaram esclarecidos.

Crato do dia

EB 2/3 de Gueifães quase a parar por falta de funcionários

Uma ponte contra o esquecimento

Ponte 25 de Abril
© Nuno Saldanha

Há uns quinze anos ou coisa que o valha, a propósito das pontes sobre o Tejo (a Vasco da Gama acabara de ser inaugurada), escrevi um texto defendendo que os nomes das grandes obras de Estado não deveriam mudar de nome com a mudança dos regimes. Fui muito atacada, e o editor fez questão de se livrar de toda e qualquer responsabilidade relativamente ao que escrevi, publicando uma caixa de texto dizendo isso mesmo. Defendia eu que não se deveria ter renomeado a ponte anteriormente designada por Ponte Salazar, não para celebrar a obra do ditador, Deus me livre, mas para que a memória de quem foi e do que fez ao povo português durante perto de 50 anos não fosse assim apagada, por renomeação decretada por impulso revolucionário, e pudesse dessa forma sobreviver ao esquecimento.

Continuo a pensar que estava certa, embora hoje não me passasse pela cabeça assinar semelhante texto, porque tenho sobre a memória histórica dos portugueses uma outra ideia, que deriva do que aprendi sobre a sociedade portuguesa. [Read more…]

Ricardo Rodrigues, o verdadeiro artista

Afinal não foi eleito presidente da Câmara. Houve chapelada. Alguém esperava outra coisa?