Portugal sempre vergado ao capital

“Espanha defende que deve haver uma alteração do mecanismo de fixação dos preços, deixando de indexar o preço da electricidade ao preço do gás, enquanto Portugal defende uma liberalização nas taxas do IVA sobre a energia.“

Mais uma vez, a posição de Portugal é contra os portugueses. Como aquela história do corte de subsídios às renováveis: a Espanha, enfrentou, fez às abertas e viu-se a braços com 50 casos de ISDS. Mas, pelo menos, os espanhóis sabem que estão a ser atacados em grande pelo capital estrangeiro. Portugal, fez tudo por baixo da mesa, orgulha-se de nunca ter sido processado pelos amigos investidores que têm a faca e o queijo na mão e andamos a pagar tarifas feed ins e outras que tais há uma data de anos sem sequer sabermos disso, e vamos continuar a pagar.

“Os consumidores estão a pagar esse “desastre criado pelo governo de José Sócrates”, que se traduz em pagar a energia a 290 euros por megawatt/hora até 2028, “quando o preço de mercado anda pelos 40 euros”, tudo devido às garantias dadas aos investidores, as chamadas “feed-in tariff”, uma forma de acelerar o investimento nas energias renováveis dando como contrapartida contratos de longo prazo.”

“A generalidade da opinião publica não se apercebeu disso, mas estamos amarrados a contratos que o Estado fez em nosso nome até 2032. Alem de termos uma dívida tarifária, proveniente desse completo disparate tecnológico a que estamos amarrados”, diz.

Esta avidez dos governantes pelos negócios, à custa dos portugueses e do ambiente, é asquerosa.

Era o mercado a funcionar, estúpido!

Em 2017, a petrolífera Exxon foi multada em 2 milhões de dólares, por violar as sanções impostas por Washington a Moscovo.

O CEO da empresa, à data dos factos, era Rex Tillerson. Acontece que, à data da multa passada pelo Tesouro norte-americano, Tillerson já não dirigia a Exxon. Era o Secretário de Estado dos Estados Unidos. Under Donald Trump.

Os factos remontam a 2014. Dizem respeito a sanções aplicadas pelos EUA à Federação Russa, no contexto da ocupação da Crimeia e da queda do voo da Malasyan Airlines. Sanções que a Exxon violou aquando da joint venture com a Rosneft no mar de Kara.

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O meu Tom Tom, a Direita e as Direitas

O surgimento do Chega envergonha a minha direita. Sempre soubemos que eles “andavam por aí”, nalgumas conversas de café, no átrio de algumas empresas, nos corredores de algumas universidades. Com o Chega perderam a vergonha. Aliás, para ser justo, com as redes sociais perderam a vergonha e com o Ventura fizeram matilha. A minha direita sempre temeu que esta malta saísse da caverna. E porquê? O meu velhinho Tom Tom já vai explicar.

A minha direita, defensora dos três pilares fundamentais da sociedade (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) sabia que, com o surgir do Chega, outras direitas aproveitariam para atiçar a matilha e colocarem os gajos das cavernas a fazer aquilo que eles não queriam fazer/dizer e, com isso, como bem me avisou o meu Tom Tom, servirem de ponto de defesa para uma outra esquerda continuar a ser aquilo que sempre foi. A minha direita não precisa de comparar o Chega com o PCP. A minha direita sabe muito bem o que historicamente as ideias do Chega representam. Tal como sabe muitíssimo bem o que historicamente representa o comunismo internacional em geral e o PCP em particular.

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GPS: da esquerda para a direita

O Chega, nos últimos anos, foi um desbloqueador de alguma continência a que a direita se sentiu forçada durante alguns anos. Dito de outra maneira: alguma direita perdeu a vergonha e voltou a sentir o odor do 25 de Novembro, porque a direita adora o cheiro a extinção de esquerda pela manhã.

Muita dessa direita, alegadamente defensora da democracia, começou a aproveitar as críticas ao Chega para dizer que os extremos se tocam e que, portanto, o PCP ou o Bloco, por exemplo, eram tão maus como o partido de André Ventura, porque defendem ditaduras ou porque ser de esquerda é ser inevitavelmente defensor de ditaduras.

Algumas pessoas de esquerda ainda têm tentado explicar que há um espectro democrático que inclui partidos de direita, mas não o Chega, mesmo sabendo-se que esta espécie de partido é mais uma jogada populista do que uma agremiação ideologicamente consistente. A verdade, no entanto, é que a quantidade de nazis e de fascistas assumidos torna a subida do Chega preocupante. [Read more…]

Rui Pedro Braz – de cartilheiro a suspenso foi um pulo

Este senhor chama-se Rui Pedro Braz. Andou pelas televisões como “comentador independente” mesmo quando muitos diziam que ele não era independente, era um cartilheiro do Benfica. Entretanto, deixou de ser comentador e foi para…….exacto, dirigente do Benfica.

Enquanto andou pelas televisões criticava, violentamente, o que se passava nos bancos de suplementes de todos os clubes. De todos? Bem, quase todos. Ora, a personagem em causa foi hoje condenado a 23 dias de suspensão. E porquê? Porque na qualidade de dirigente do Benfica e estando sentado no banco, proferiu as seguintes declarações:

“É uma vergonha caralho. És um filho da p. caralho!” Após o final do jogo, quando a equipa de arbitragem se dirigia para o balneário, Braz disse: “És uma vergonha, não olhes para mim que eu não tenho medo! Vai para o caralho!”

A piada faz-se sozinha….

Os velhos colaboracionistas franceses voltaram….

A Renault, a exemplo da Nestlé*, a manter uma velha tradição nacional colaboracionista. Anda Macron pelos palcos internacionais a bradar contra Putin e no segredo dos gabinetes do capitalismo selvagem business as usual…. hipócritas do caralho.

*Sim, erro meu, a Nestlé não é francesa. De todo o modo, aqui ficam outras empresas (palmado ao nosso Carlos Osório) que, tal como a Renault, continuam na Rússia: Leroy Merlin, Danone, Auchan ou Decathlon.

Abaixo o mistério da poesia

Abaixo o mistério da poesia

Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas
Despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for precido lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:

ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA.

António Gedeão

O novo Hitler

Mário Machado, o privilegiado

A extrema-direita, querendo apresentar-se como antissistema, teima em ser o seu pior reflexo. Basta ver o caso de André Ventura, que passa a vida com o sistema na boca, mas também no bolso. Ou no bolso dele, do sistema. Do SL Benfica à CMTV, passando pela elite de milionários com quem se reúne e junto da qual obtém financiamento para o seu partido, não esquecendo as origens políticas do outrora afilhado de Pedro Passos Coelho, que nunca deixou Ventura cair, mesmo quando o próprio CDS se afastou da sua candidatura à autarquia de Loures, nas Autárquicas de 2017. O cheiro a racismo era já demasiadamente nauseabundo para tolerar. E quando abandonou o PSD, um dos partidos que é em si mesmo o sistema, o líder da extrema-direita não veio sozinho. Trouxe e continua a atrair inúmeras figura da casta de privilegiados da São Caetano à Lapa. E do que resta do Caldas.

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Cronologia do “mas”….

Primeiro começaram a dizer que o Putin não ia invadir a Ucrânia e que as informações dos serviços secretos dos EUA eram falsas e uma forma de Biden pressionar para uma guerra. Putin invadiu.

Depois veio a treta que Putin apenas estava a realizar uma “operação militar” em zonas historicamente russas. Putin começou a invadir em zonas diferentes das tais “historicamente” russas.

A seguir a narrativa passou a ser que a Rússia apenas estava a bombardear zonas militares. Rapidamente se viu que Putin manda bombardear tudo e um par de botas. Nem escolas, teatros ou hospitais escapam.

Como a coisa estava a ficar pouco suportável para as teses do “putinismo escondido” nas mentes de certas almas de extrema esquerda e direita, passaram à fase da pornografia pura: a solução passa pela rendição da Ucrânia, por promover a paz impedindo a Ucrânia de receber armas e pela rendição sem condições de Zelensky.

Como diz o João Mendes: ide-vos foder!

E a malta do “mas” também…

Dia Mundial da Poesia – Defeat de Michael Prochaska

Refugiados da 1ª Grande Guerra


Defeat

Blood starts drippin’ from the soldier’s wound
Seeps like sewage ‘neath the politician’s room

Deep in the house, white fades to red
And the freedom we’re fighting for seems to be dead
‘Cause we can’t win like he once said
No we can’t triumph over the hate in our enemy’s head
But we’re deep in mud over the bullshit we’ve been fed
While more and more soldiers awake in Heaven’s bed

The wind is blowing like a hurricane
In the frightening desolated lands
Where the wolves are insane
And hawks feast on bloody hands

Bullets flying, children dying, mothers crying
While the beasts are lying and hiding
Behind black curtains that no one’s finding
But God knows the truth, and He’s forevermore sighing

Too many hands washed in widows’ tears
Too many echoed gun shots ringing in ears
Too many hearts frozen numb from fears
Of hope too distant, like skylight chandeliers

Wounded souls soaked in blotched black fate
Disillusioned by dark demons’ fate

Persistent nightmares of woebegone escape:
Screeching fervently under Liberty’s Gate
I grasp the rope fabric with delicate care,
Neck tickling from its bristly hair
My chapped, dry lips whisper a final prayer
Before a tightening ravish pain permeates the air

A bright radiant flash scorches the cloudless horizon
And ashes drift upward, caressing my bare, dangling feet
Bleak, barren, biting malice below seems blazon
But the dead know not the sentiment of defeat.

Michael Prochaska, 2007

Colossal lata

@observador.pt

Fiquei chocado com a evidente hipocrisia que a esquerda histericamente demonstrou a propósito do despacho judicial que alterou as medidas de coacção aplicadas a Mário Machado de forma a permitir-lhe deslocar-se para a Ucrânia. Além de ninguém se ter preocupado ou sequer referido a fundamentação jurídica do despacho, a “ira” focou-se na alegada normalização da “extrema-direita”.

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Ucrânia: últimos números sem mas nem meio mas…

Mais de 10 milhões de ucranianos foram deslocados. O equivalente à população de Portugal.

Mariupol foi arrasada. Cerca de 80% das suas infraestruturas estão danificadas ou destruídas. Uma das maiores da Ucrânia e considerada russófona pelo invasor. Imaginem se não fossem.

Em boa parte da Ucrânia estão a ser bombardeados hospitais, refúgios e lares de idosos.

Os EUA e a UE querem voltar à sua confortável corrupção, comprando petróleo e gás russos, aplicando sanções fracas, falando da boca para fora sobre a democracia, convidando Putin para Davos. Os ditadores sempre escalam e o Ocidente continua dobrando. Mas desta vez existe um problema: a Ucrânia se recusa a desistir – Garry Kasparov, antigo campeão do Mundo de Xadrez (Rússia).

A agressão violenta contra a Ucrânia não para, um massacre insensato onde a cada dia se repetem destruição e atrocidades. Não há justificativa para isso. Suplico a todos os atores da comunidade internacional, para que se empenhem realmente para pôr fim a esta guerra repugnante” – Papa Francisco (para citar alguém de quem a esquerda gosta).

This is not about Ukraine at all, but the world order. The current crisis is a fateful, epoch-making moment in modern history. It reflects the battle over what the world order will look like” – Sergei Lavrov, Russian Foreign Minister (para citar outro querido de certa esquerda e de certos militares filhos de putin que andam pelas televisões).

Wohlstandsverwahrlosung.

 

Ucrânia e Nestlé

Questão secundária

Perante a crise climática e o movimento acelerado do planeta para o abismo, a custo e a más horas, com todo o cuidadinho para não magoar os gigantes da indústria fóssil, os países ocidentais e também a China, estavam de facto a tomar medidas para uma economia (mais) liberta de combustíveis fósseis.

Sabendo-se que a economia russa se baseia, sobretudo, na exportação de petróleo, gás natural e metais preciosos, até que ponto terá este factor influído na mente perversa de Putin para avançar para a barbárie que iniciou no passado dia 24 de Fevereiro?

Bombardeamento do Teatro Drama em Mariupol

Cronologia:
1 – A Ucrânia afirmou que os russos bombardearam o “Teatro Drama” em Mariupol onde se encontravam cerca de 1.000 pessoas;

2 – Nós vimos várias imagens dos escombros desse mesmo teatro e dos esforços para resgatar pessoas de entre eles;

3 – Ucrânia acusa Rússia de mais um crime de guerra;

4 – Rússia nega ter bombardeado o Teatro Drama;

5 – Parlamento ucraniano vem informar que não houve vítimas desse bombardeamento.

Como é expectável em guerra, a desinformação e a contra-informação é o que nos é servido por ambas as partes litigantes com a conivência dos órgãos de comunicação social afectos a cada lado.
É triste, temos dificuldade em conhecer a verdade, se é que alguma vez a viremos a saber.
Sabemos, isso sim, que estão a morrer muitas pessoas a cada dia [Read more…]

Tabu – Bruno Nogueira

Quando ouvi falar sobre o programa fiquei reticente. Os temas são complexos e não é fácil fazer humor com eles. O Bruno Nogueira conseguiu ser, uma vez mais, genial. E não era nada fácil.

O Bruno Nogueira surgiu, para mim, naquele momento genial de “o senhor do bolo” numa gala de aniversário da SIC. Depois, a fazer-me rir de forma descontrolada nas manhãs a caminho do trabalho com os seus “Tubos de Ensaio” na TSF. Até que me ganhou completamente na pandemia com os seus directos no Instagram.

O Tabu é o seu mais recente momento de genialidade. Um programa que é verdadeiramente de serviço público. Ide ver. Vale mesmo a pena.

Zelenskyy VS Putin: o herói acidental e o odioso tirano

Existe um motivo, quer-me parecer, que faz com que Vladimir Putin não queira encontrar-se num frente a frente com Volodymyr Zelenskyy. Mais do que ser a personagem mais odiada do planeta, no presente momento, o que contrasta com a aura de último grande herói do presidente ucraniano, Zelenskyy é, literalmente, a antítese de Putin.

O primeiro é um actor e humorista que decidiu enveredar pelo mundo da política, como é seu direito (eu “punha” muito rápido o RAP, o Bruninho, a Cátia Domingues, o Markl, a Joana Marques ou o Diogo Batáguas no lugar de 80% dos deputados que estão na AR, sem pestanejar), e que agora lidera, com bravura e uns imensos tomates, a resistência à violenta invasão de um tirano que não pode argumentar estar rodeado pela NATO para invadir, esmagar e ocupar um Estado soberano que nem sequer integra a Aliança. Até porque os mísseis dele também estão apontados para cá. O argumento é real, mas não legitima, de forma alguma, a destruição em curso. Para “libertar” o Donbas, não precisa de sitiar Kiev ou bombardear Mariupol. Putin, um dos maiores financiadores da extrema-direita europeia, ele próprio um ultranacionalista, não quer desnazificar coisa nenhuma. Quer, apenas e só, decapitar e substituir o poder político ucraniano, para lá colocar outro do seu agrado.

Nenhum argumento, real ou ilusório, justifica uma invasão militar. Resistir é a única saída, mais ainda para quem recusou uma extradição segura e um exílio de luxo no outro lado do oceano. E essa é a grande afronta, talvez a maior de todas, que Zelenskyy poderia fazer ao rei-sol do Kremlin, que o olha com desdém e indigno, ele ao seu povo, de existir como nação. E eles a resistir, outnumbered and outgunned:

  • If I was in World War III they’d called me Spitfire.

A música anda sempre à frente do seu tempo.
Adiante.

O segundo é um carreirista de dois regimes, sendo hoje proprietário de facto do segundo. Começou nos serviços secretos, fez-se a vida, subiu até onde pôde e deu o salto para a política, como qualquer carreirista que se preze. Foi, desde sempre, do sistema. Mas a escalada foi impressionante, seguramente apoiada nos mesmos métodos que aprendeu e desenvolveu – com mestria, diga-se – no KGB, e é hoje o senhor absoluto da Federação Russa. Algo que lhe poderá até correr mal, mas outro dia lá iremos.

Putin é o sistema. No seu expoente máximo. O grande irmão que tudo controla, que corrompe, que persegue, que discrimina, que agride. O sistema elitista que dizima quem se lhe opõe. Que tortura, envenena e mata. Putin é a negação da democracia. E a democracia também tem os seus pequenos putin-minions, que o digam iraquianos, iemenitas ou vários povos da América Latina. Acontece que, por cá, temos o poder de lhes tirar o poder. Algo que não acontece na Federação Russa. Não é uma diferença de somenos. Faz toda a diferença. Toda.

Há muito que pode ser dito e apontado a Zelenskyy. Deixarei esses factos para outro dia. Mas não existe comparação possível entre um tirano e um político imperfeito, como o são todos, em maior ou menor grau. Em todo o caso, Zelenskyy é hoje a figura mais aproximada a líder do mundo livre, ainda que acidentalmente. Pela coragem, pela determinação e pelo exemplo. Quando os americanos saíram cobardamente do Afeganistão, ainda “ontem”, Ashraf Ghani foi o primeiro a pôr-se a milhas. Com uma mala cheia de dólares. Zelenskyy podia ter seguido a mesma via. Podia ter sido o Puidgemont que fugiu para o exílio em Bruxelas. Mas ficou. E talvez venha a morrer nas próximas semanas. Mas é ele, não as armas “cedidas” pelo Ocidente, um dos poucos que poderão dar a vitória, altamente improvável, à Ucrânia. A História contará a sua história. Cantará a sua história, concorde-se ou não com ela. Já Putin será apenas mais um merdas do Hall of Fame das abominações, à mesa com Hitler e Estaline. No esgoto da História. Para ser odiado para sempre, excepto por aquela malta que, por motivos variados, opta por branquear o ocasional ditador. A democracia tem destas coisas. É uma brincalhona.

Não temos escapa

2,7 milhões de euros para aqueles que a ministra Maria do Céu Antunes tão carinhosamente sempre denomina de “nossos agricultores”, ou seja, para as absurdas culturas intensivas de regadio. É a tal coisa: gastos públicos, lucros privados. Com um descaramento emproado, é o sector privado – o tal que tanto se revolta contra os impostos e anseia minimizar o estado – o que mais alto grita e estende a mão quando há crise. E os lobbies funcionam às mil maravilhas com este governo sedento de investimento à custa dos cidadãos e do futuro do planeta.

 

Vladimir Putin e as sanções

Há quem esteja a enveredar pelo caminho da xenofobia. Existem até relatos de crianças russas insultadas em escolas por cá e noutros pontos da Europa. Mas nenhum povo, como o russo, sabe o que é a mão pesada de Putin. Há 20 anos.

Entretanto, aqui ao lado, o Povo Saauri

Para surpresa de muitos (os argelinos ainda estão em fúria) o governo espanhol recuou e decidiu reconhecer que o Saara Ocidental como parte integrante de Marrocos (como uma região autónoma). Uma machadada ao Povo Saauri que sempre teve Espanha como aliada. Marrocos controla mais de dois terços do território e propôs um plano de autonomia sob sua soberania. O povo Saauri, por sua vez, quer um referendo de autodeterminação organizado pela ONU. Não querem pertencer a Marrocos.

O governo espanhol do PSOE e do Podemos recuou e aceitou as exigências de Marrocos, depois de meses e meses em que as relações entre os dois países estiveram tensas porque Espanha, em 2021, recebeu o líder da Frente Polisário, Brahim Ghali, para ser hospitalizado. O Saara Ocidental é uma antiga colónia espanhola que foi abandonada à sua sorte e que Marrocos procurou sempre tomar como sua contra a vontade da maioria da população local.

Atenção ao que se vai passar nos próximos tempos com a Argélia (o fornecedor de gás de Espanha e Portugal) e vamos ver se ainda não vai sobrar para Portugal. Uma coisa é certa, a autodeterminação do Povo Saauri sofreu, injustamente, mais um revés. E ainda nem percebi o que vai fazer o Podemos (o Bloco de Esquerda espanhol) perante esta decisão do seu próprio governo…

Ser pai em tempos de guerra

Não sei se vai ficar tudo bem. Gostava de ter a certeza, mas não tenho. É impossível ter certezas durante uma guerra, mais ainda quando o agressor é um tirano sanguinário e sem escrúpulos, frio e calculista, que de louco não tem nada, por muito que aparente ser.

Ainda assim, recuso fazer parte do coro que anuncia o holocausto nuclear, porque as lições da Guerra Fria ainda estão bem presentes e a escalada é altamente improvável, mais ainda quando a NATO não intervém directamente no conflito. Contudo, no imediato, a situação com que nos deparamos é muito preocupante, por outros motivos que já todos conhecemos, e torna-se cada vez mais difícil de processar, principalmente para quem, como eu, tem filhos. Felizmente, estamos no conforto da paz, a 3400km daquele inferno. Se lá estivesse, “preocupante” não seria a palavra que utilizaria.

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Alguém ajude a Raquel Varela

Confesso que não tenho por hábito ver o programa da RTP chamado “O último apaga a luz” onde participa, entre outros, Raquel Varela. Porém, hoje, perante o ruído sobre a intervenção de Raquel Varela no dito, fui espreitar.

Sinceramente, ainda estou de boca aberta. Logo no arranque a douta comentadora saliva raiva contra Zelensky zurrando sobre o facto de “um ex comediante que se tornou presidente”. Bem, esta parte pode não parecer mas é importante. Para a douta senhora, de cima da sua suposta superioridade académica, o facto de o presidente eleito da Ucrânia ter sido humorista é uma questão que o menoriza. Sim, não vamos esconder as coisas como elas são. Raquel Varela em nada se distingue daqueles professores doutores com todas as letras que todos nós tivemos um dia de aturar nas universidades portuguesas que frequentamos, cujo facto de terem obtido um grau académico os faz considerarem-se superiores a todos os restantes humanos. Não sei o que pensará Raquel Varela do facto do Secretário Geral do PCP ser afinador de máquinas e ter apenas o 3º ciclo. Aliás, imagino o pior. A sua postura petulante, notória até no tom de voz, faz dela uma afilhada predilecta das tias de Cascais ou da Foz. Estas e ela não diriam coisa diferente sobre as habilitações académicas de Jerónimo de Sousa ou sobre o facto de Zelensky ter sido humorista. A casta.

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O Putin da RFM


Lembro-me de uma polémica com a Rádio Renascença lá para os finais dos anos 80 do século passado (não, antes que me perguntem, ainda não tenho 100 anos).
Descobriu-se, nessa altura, que a emissora católica tinha uma lista de músicas proibidas, porque contrárias à Fé católica. Como o «Menino do Bairro Negro» do Zeca (Frase fatal: «Bairro negro / Onde não há pão / Não há sossego»); «Cálice» do Chico Buarque (Frase fatal: «Pai / Afasta de mim esse cálice (Pai) / De vinho tinto de sangue»); ou o «Vídeo Maria» dos GNR (Frase fatal: «Por parecer latina/ Suponho que o nome dela é Maria / É casta, eu sei, se é virgem ou não / Depende da tua fantasia»).
Recordo, a propósito, a forma ousada como o PSR, nos Tempos de Antena para as Legislativas, através da voz de António Macedo, emitia essas músicas precisamente na Renascença, acompanhada das denúncias ao comportamento da Emissora.
Décadas depois, a RFM, chancela da Renascença para um público mais jovem, refinou o lápis azul da censura. Agora, censuram também as músicas estrangeiras mas de forma subtil. Quando chega a altura do palavrão, ouve-se um silêncio tão rápido que só dá pela putinice quem estiver atento e conhecer bem a música. [Read more…]

Cosmonautas russos vestidos com as cores ucranianas

Há pequenos gestos que são enormes, pelo seu significado, com certeza, mas particularmente, pelas repercussões que possam ter, no caso, estes cosmosnautas russos terem-se vestido com as cores da Ucrânia numa transmissão para um canal de televisão da Rússia.
It became our turn to pick a colour” disse um deles a bordo da estação ISS.

É facto que cada vez mais russos ousam arriscar manifestar-se publicamente contra o regime de Putin, sem medo das consequências, que serão, não tenhamos dúvida, muito duras. E acredito eu que a multiplicação destes gestos poderá, isso sim, mudar muita coisa nesta guerra e do lado que mais interessa – o afastamento de Putin e a derrocada do seu regime.

As coisas que interessam

Nestes dias obscuros, é repetidamente referido o passado de Zelensky como actor. E daí? Isso por acaso tem alguma relevância, será que é razão para menosprezar a capacidade de alguém, ou por que razão é esse facto digno de tamanha atenção?

Já a referência ao passado de Putin como agente do KGB, essa não tem interesse nenhum.

É vergonhoso

o namoro de Marcelo com um presidente corrupto que despreza o seu próprio povo.

Breves notas sobre o momento

  1. José Crespo de Carvalho é Professor Catedrático. Qual o espanto com o que disse? Quantos professores doutores com todas as letras a dizer alarvidades vocês conhecem? Eu conheci e conheço imensos. Este é mais um. Alguns deles andam pelas nossas televisões e jornais. É o estado a que isto chegou. Andam com saudade dos negreiros é o que é. Vergonha é coisa que já nem existe…
  2. “A Síria está em guerra civil há mais de 20 anos. O presidente sírio não foi eleito, sucedeu ao seu pai que governou mais de 30 anos. Bashar Al-Assad usou armas químicas contra a população síria. Al-Assad tem o apoio do Irão e da Rússia. Agora continuem a comparar a Síria à Ucrania e perguntem à Alma se vive nos escombros”, escrito por Helena Sampaio;
  3. Um Juiz decide deixar o facho Mário Machado ir combater para a Ucrânia sem ter de cumprir as apresentações quinzenais na esquadra. Vamos acreditar que o douto juiz, no seu íntimo, acredita que o melhor é enviar o gajo para a guerra e, quem sabe, levar um tiro. Sim, vamos ser crentes que foi isso. Já nem sei que diga.
  4. A estes professores doutores com todas as letras e doutos juízes juntem boa parte dos militares que dizem umas coisas nas televisões, acrescidos de boa parte da nossa classe política e já sabemos o estado a que chegaram as ditas “elites” nacionais. Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável, como cantavam os Mão Morta.

Os Generais não podem…

… estão muito ocupados a comentar nas televisões