Parar de amar

 Miguel Esteves Cardoso é, às vezes, irresistível. Como hoje!

O título do seu texto no Público: «Ser amado». O homem «põe-se» a dizer aquelas coisas sobre o seu amor a Maria João e vice-versa e eu não lhe resisto. Transcrevo a passagem que considero mais interessante:

Às vezes, é preciso conseguirmos o que não se consegue: parar de amar por um momento, para se ser amado por quem se ama. Seria bom podermos parar para nos sentirmos amados sem ser de volta, na confusão de duas pessoas a amarem-se.

Parar de amar não se consegue!

Fazer um «stop», uma «pausa» em amar.

Amar é movimento? É uma canção? Amar o que é para se poder parar «por um momento»?

Desliga. Liga.

Carrega no botão: põe o amor em andamento!

festa na rua das putas

Na rua das putas há duas instituições: o infantário da segurança social e a pensão das putas. Também há cafés, garagens, marcos do correio, buracos na estrada, uma mercearia, mas tudo isso se secundariza perante o infantário e, mais ainda, perante a pensão das putas. Aliás, toda a gente a conhece como rua das putas, e não a rua do infantário, ou a rua da garagem. Porque são as putas, nos seus sucessivos turnos, que patrulham a rua, vigiam a casa de quem vai de férias, devolvem a bola aos miúdos do outro lado da cerca, convidam os homens solitários a subir com elas, e seguem os casais com um olhar onde jogam, às escondidas, a discrição e a insolência.

Por estes dias, acaba o ano escolar no infantário e faz-se uma festa. A festa é no pátio, semioculto por um portão, e para espreitar lá para dentro há que ter saltos bem altos. Na festa, o director fala ao microfone, e a rua toda ouve o que ele diz, e também apresenta os cantores, que não são as crianças nem os professores mas uns artistas convidados que costumam cantar muito mal. [Read more…]

Uma Ingenuidade de Corrupção Divertida

É o que acontece quando falamos de mulheres, entre amigos, tantas vezes. Hoje, falar de Portugal dói e massacra para além de todas as medidas. Ainda acredito que Passos Coelho na maioria das medidas esteja a decidir aquilo para que não há alternativa e tem de ser feito em Portugal, apesar de decidir contra os meus interesses imediatos, as minhas necessidades prementes, apesar de assediar os meus nulos recursos, [o Fisco, por exemplo, parece uma vaca doida que me inventa sucessivas questões e vem com cartas ameaçadoras ou chover no molhado ou sobressaltar-me com supostas dívidas em que é impossível eu ter incorrido], apesar de esmagar a minha tranquilidade de cidadão cumpridor e pobre. A sensação de justiça nas medidas, essa é que teria e terá de ser incomparavelmente maior tanto para a minoritária centena dos que o vaiam profissional e metodicamente como para os milhões que ficam calados, mais apostados em olhar por si e em correr os riscos necessários para não cair no abismo da miséria. Reconheçamos que em demasiados casos os Portugueses teriam de se vaiar a si mesmos por cada ano desta semi-democracia até ficarem roucos. Uma vaia monumental, para começar, à má qualidade do seu voto. Uma vaia interminável, para terminar, ao individualismo explorador do próximo em situações de poder económico ou político. Onde está a tua solidariedade, Portugal?! Que é feito do teu sentido do outro?! E autocrítica, não temos?!

Universo pluralístico

Li Não Matem o Bebé de Kenzaburo Oë, Nobel da Literatura, há dezoito anos. Uma passagem não me saiu da cabeça desde então: um diálogo entre Himiko e Passarinho. Falam do «universo pluralístico» nestes termos:

– Neste preciso momento tu e eu estamos sentados e a falar um com o outro num quarto que faz parte daquilo a que chamamos o mundo real – principiou Himiko. (…) Ora sucede que tu e eu existimos também sob formas completamente diferentes num mundo incontável de outros universos. Aí tens! Ambos nos recordamos de tempos passados em que as probabilidades de viver ou morrer eram de cinquenta por cento. Por exemplo, quando eu era criança apanhei febre tifóide e quase morri. E lembro-me ainda perfeitamente do instante em que cheguei à encruzilhada; ou descia para a morte ou subia a ladeira da convalescença. Naturalmente, a Himiko que se encontra sentada contigo neste quarto escolheu o caminho da convalescença. Mas, no mesmo instante, outra Himiko escolheu a morte! (…)”

Eu concordo com esta visão. Decidir, que acontece a cada momento da nossa vida, é isto mesmo! Há muitos caminhos que deixamos de fazer… por um.

Agora imaginem este «universo pluralístico» na cena política! E se Portugal tivesse enveredado por um outro caminho que não este em que nos encontramos e que já não há retorno? Ainda teremos outra oportunidade para escolher «a ladeira da convalescença»?

p.s.: o poema de Frost foi sugestão da Celeste Ramos!

Que se lixe

Que se lixe aqui no Porto seria escrito de outro modo, mas atendendo à época carnavalesca em curso admito como plausível o acesso de menores ao Aventar – vou, por isso, evitar escrever Que se foda!

Caro leitor, nas linhas que se seguem, penso de um modo, mas escrevo de outro. Sou uma pessoa complicada, sim, admito. Uma pessoa complicada daquelas que gosta de chatear o Primeiro-ministro. Aliás, estou de licença sem vencimento, porque ninguém me pagou o subsídio de férias e no último mês, confesso, estive em quatro manifestações. Sou decididamente uma pessoa complicada e por isso não entendo o Miguel Relvas.

São pessoas complicadas os médicos e os professores, os enfermeiros, os funcionários públicos…

Todos um bando de ladrões que tirou licenciaturas na Lusófona  e tudo gente que subiu na vida à custa das equivalências ou dos cargos nas empresas dos amigos. [Read more…]

Os bancos devem ser desmembrados

É o que diz um ex-presidente executivo do Citigroup. – É claro que vamos continuar a endividar-nos para salvar bancos falidos.

Acordo Ortográfico prejudica Futebol Clube do Porto

O labor incansável do João Roque Dias permite-me, todos os dias, confirmar que o chamado acordo ortográfico (AO90) é uma fonte de ruído e não me estou a referir ao debate entre os defensores e os críticos. [Read more…]

Filmes para o 7.º ano de História – Fim

A última unidade do programa do 7.º ano de História, Crises e Revolução no séc. XIV, é na prática uma unidade do 8.º ano, pois nunca é leccionada, por falta de tempo, no 7.º. Assim, ficará para outras núpcias.
Quanto à série que hoje termina, relembrar que não quis fazer uma listagem exaustiva dos filmes existentes na net sobre os conteúdos do programa do 7.º ano de História, mas seleccionar aqueles que tinham mais interesse do ponto de vista da aula e dos alunos.
Como escrevi no primeiro post desta série, é de evitar a utilização de filmes completos. O facto de existirem na net é excelente, mas só se o professor souber aproveitá-los para os seus objectivos. Ou seja, retirar determinada cena ou determinado episódio pode ser muito importante, muito mais do que mil palavras que o professor diga. E aí, os inúmeros programas gratuitos de edição de som e de imagem, de legendagem, etc, são seus aliados fundamentais.
Pode dar muito mais trabalho do que estar ali a debitar a matéria do costume, mas os alunos agradecem. Ou não.

Da série Filmes completos para o 7.º ano de História

Os Jogos Olímpicos visitam Banksy (2)

aquele que sabe que vai morrer

Quando se olha um homem que sabe que vai morrer – não num qualquer dia incerto, mas em breve e inexoravelmente – não é a morte que contemplamos, mas a vida que nele resiste, essa vida que nos desconcerta porque a achávamos impossível quando o futuro, a redentora ideia de futuro, desaparece. Um homem que sabe que vai morrer já só tem o presente e tudo o que a ele conduziu, tem o tempo – contado, escasso, precioso –, tem um corpo que talvez já não domine, tem fé ou não a tem, tem gente à sua volta ou está sozinho, tem-se a si mesmo – inteiro, desmascarado, definitivo. [Read more…]

Querida, Descobri um Estadista

Ao contrário d’O Jumento e da generalidade de blogues xuxas, nostálgicos e adoradores de uma Besta Apocalíptica, fiquei agradado com as declarações de Pedro Passos Coelho: «Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal.» Pôr explicitamente o interesse do País em primeiro lugar é de estadista; recusar medidas que eleitoralizam as psiques, chantageiam ou compram eleitorados, não é de estadista. PSD e CDS tornaram-se odiosos com o que estão a fazer: basicamente cumprir o Memorando que os xuxas negociaram. Foram-nos dadas metas e exigidas mudanças estruturais às quais o Estado Português está comprometido com a Troyka e, em rigor, não há caminho alternativo nem folga para fugir.

Temos diante de nós uma escolha: ou a falência iminente ou a redução abrupta e brutal da despesa do Estado. Até chegarmos aqui, venha António Costa ou outros xuxas dizer o que quiserem, os Governos xuxas omitiram a realidade, nunca abordando este tópico singelo de se tratar Portugal de um País ultra-endividado, vivendo de empréstimos, sem PIB que os suportasse. Era uma corrida supersónica contra a parede. Quem é que falou e enfrentou, no passado, o défice das empresas públicas de transportes, 6 mil milhões, mais juros de empréstimos por pagar?! Os Governos xuxas estavam ocupados com outras coisas e prioridades. [Read more…]

Reviver o passado relendo Eduardo Catroga

3 de Maio do ano da desgraça de 2011 o maratonista Eduardo Catroga falava assim:

O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal «foi essencialmente influenciada» pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

Numa declaração aos jornalistas, em nome do PSD, Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma «grande vitória» dos sociais-democratas.

Congratulou-se também com o facto de o programa de ajuda externa a Portugal não afectar as «pensões de sobrevivência e de invalidez de cerca de um milhão de pensionistas com menos de 200 euros mensais» que, disse, eram «atacadas» pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) chumbado em Março pela oposição no Parlamento.

Airmou ainda que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais «medidas penalizadoras para os portugueses» do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objectivos.

Gosto da Cidade

maldade minha…

Hóquei em Campo: uma foto para a história

 Armindo de Vasconcelos

Portugal, em masculinos, e Irlanda, em femininos, conquistaram a medalha de ouro nos Europeus. É um escalão menor, mas, em 2014, já estarão no patamar acima. Daí, essa alegria contagiante e essa amizade que o desporto sempre faz nascer. Porque são raras estas imagens de união, mesmo no desporto onde cada um comemora à sua maneira, quase se constituindo excepção, seja-nos permitido sorrir com estes jovens atletas que suaram para atingir a sua glória como equipa.
E foram os melhores. Eles, portugueses; elas, irlandesas.

Os médicos

Desde a última greve dos médicos que estes passaram a ser notícia. Ouvi-as ontem e hoje também sobre duplicação de vencimentos. Há, possivelmente, médicos que estejam a furar o esquema. Falta de vergonha deles mas também do próprio ministério que é incapaz de fazer o que lhe compete – controlar – e agora descarta responsabilidades espalhando sobre todos os médicos o manto do descaramento.

Esta estratégia não é nova.

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pois… também gostávamos de saber

A alma lusa tem muita tusa


Um finlandês chamado Tatu Westling descobriu que a economia cresce mais quando o pénis é mais pequeno. A notícia é velha, podem ver a prelecção do Tatu no Vímeo, mas o Verão não perdoa a arqueologia noticiosa e o Rui Rocha muito menos.

E foi bem desenterrada. Perante a ameaça de novos cortes, cientificamente dirigidos para o coiso, se bem conheço a pátria e seus indígenas é desta que homens e mulheres de Portugal saem à rua e vai tudo raso. Qual Grécia: atreve-te Gaspar, afoita-te Coelho, e ides ver de que massa é feita a revolta em Portugal.

Até já estou a ver o operariado cerâmico das Caldas da Rainha, logo a meio da manhã:

– Ai ele é isso? pois não faço nem mais cortado.

Ganhar duas vezes

“Inspecção de Saúde dá conta de acumulações de remunerações no relatório de actividades de 2011. Há 374 médicos a ganhar duas vezes num mesmo hospital. Há hospitais que continuam a pagar 60 euros à hora a médicos contratados à tarefa, o dobro do máximo estipulado há um ano pelo secretário de Estado da Saúde.” (Público, 25/7).

Enquanto a maioria dos portugueses vê o seu salário alterado para baixo e outros perdem o emprego há, contudo, quem receba a dobrar…

Austeridade para uns, acumulação para outros.

O seu a seu dono!

 

Reconheceram-na pelo sorriso

Arqueólogos acreditam ter descoberto esqueleto de “Mona Lisa”

Acordo Ortográfico: um vídeo penoso de Fernando Cristóvão

Neste vídeo, Fernando Cristóvão, eminente estudioso da língua e da literatura portuguesas, faz uma defesa penosa do chamado acordo ortográfico (AO90).

Um dos primeiros argumentos usados consiste no facto de ser uma lei. Para além de haver muitas dúvidas acerca da legalidade do AO90, as leis podem ser revogadas, a não ser que estejamos diante de algum fenómeno religioso e o dito acordo tenha descido do Monte Sinai pelas mãos de algum iluminado. [Read more…]

Vida = fórmula (?)

Continuo a transcrever o Diário de Etty Hillesum para este espaço. Etty, uma escritora judia que morreu em Auschwitz em 1943.

Na quarta-feira 22 de Outubro de 1941,  poucos dias após ter iniciado a Batalha de Moscovo –  uma das mais importantes e mais longas da Segunda Guerra Mundial e em que morreu cerca de um milhão de pessoas – Etty, com 27 anos na altura, escreveu isto:

A vida não se apanha em meia dúzia de fórmulas. No final de contas é com isso que te ocupas constantemente e que te obriga a pensar de mais. Tentas capturar a vida em algumas fórmulas, mas tal não é possível, a vida tem infinitas nuances e não se deixa apanhar nem simplificar. Mas por isso mesmo, tu podes ser simples.

S. Francisco de Assis

Longa-metragem sobre S. Francisco de Assis e uma das principais Ordens Mendicantes da Idade Média. Não legendado.

ficha IMdB

Da série Filmes para o 7.º ano de História
Tema 4 – Portugal no contexto europeu dos séculos XII a XIV
Unidade 4.2. – A cultura portuguesa face aos modelos europeus

Os Jogos Olímpicos visitam Banksy (1)

Crato inclinou-se tanto que abriu um buraco

São quase três da manhã e a plataforma continua em baixo. Os Professores continuam a não poder concorrer.

É perfeitamente estúpido que o Mestre da exigência se preste a este papel. Não há adiamento que resista a tanta incompetência.

E reparem, não se trata de estar ou não estar de acordo com as políticas: para lutar pela Escola Pública, fomos, no Porto, outra vez para a rua!

Não é essa a questão.

O ponto é mesmo a incompetência desta gente em gerir uma coisa tão simples como um concurso de professores. Nos anos 80, quando eram em papel, tudo era possível. Agora com computadores e fibra óptica e sei lá mais o quê, não conseguem? Ou são incompetentes ou querem acabar com os concursos nacionais?

Será que sobre isto, a FNE terá algo a dizer? É que à hora em que uns estavam nas ruas do Porto a lutar pela escola pública, outros estavam a Despachar serviço no gabinete do Ministro.

Nota de rodapé: passaram 11 minutos e a plataforma continua como o Crato! Um zero!

 

 

É pecado não ser feliz

Encontrei um pedacinho de papel entre as folhas de um Moleskine: um recorte da rubrica «Escrito na pedra» (jornal Público). Não sei desde quando…

 A frase é do célebre escritor argentino J.L.Borges (1899-1986):

No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz.

Passos Coelho recebe lições de Jorge Jesus

Passos Coelho tem revelado uma inusitada capacidade de usar a gíria e o calão, o que tem espantado os observadores políticos. O Aventar revela, hoje, o segredo: o chefe do governo tem andando a receber lições de Jorge Jesus.

Tudo começou com a célebre frase “Ainda não é a altura de ir ao pote”, passando pela escolha do adjectivo “piegas”, tendo atingido o auge com “As eleições que se lixem”. Fontes próximas do gabinete do primeiro-ministro declararam que, nos comentários à execução orçamental, Passos Coelho irá afirmar “Tivemos munta fortes.” Entretanto, irá aprender a mastigar pastilha elástica com a boca aberta, durante os debates na Assembleia da República, enquanto grita instruções para o grupo parlamentar.

 

Mixórdia de temáticas: musiquinhas profissionais

A partir do minuto 2:18.

Comunidade educativa

Outra vez os concursos de professores

Há por aí uma lei da vida de um tal de Murphy que diz qualquer coisa como ” Quando uma coisa tem que correr mal, vai mesmo correr mal”.

Crato merecia esta confusão! Sim, já estou na fase do quanto pior melhor!

O que estes boys estão a fazer à classe num ano é algo que se aproxima do reinado de quem sabemos, mas temos até medo de falar. Mas o monstro acordou e não vai dar para parar…

Esta semana mais de 50 mil almas têm uma aplicação informática para manifestarem as suas preferências. Tem acontecido de tudo:

– mudam a lei depois do concurso ter começado;

– horas e horas a tentar aceder e nada;

– 15 minutos para guardar um número na aplicação;

– servidor em baixo depois de duas horas a meter códigos;

– limites para coisas que não estavam previstas…

Enfim, um exemplo perfeito do que não pode ser uma aplicação informática. Um exemplo ainda melhor do que não pode ser uma prática governativa. Confesso que estou surpreendido com a capacidade de Nuno Crato. Não pensei que fosse tão mau!

Sabia que era um duque num naipe sem valor, mas não estava à espera que fosse o que está a ser: um gerador de saudades da Maria de Lurdes.

Ai! Escrevi! Cruzes! Canhoto!

Vou para a rua! Às cinco em frente à DREN!