
A História do Chile não regista as maldades que narrei na minha escrita da manhã, essas atrocidades em que eu ia morrendo e tive que sair a correr do país en que menos tempo de minha vida, vivi.
O Chile foi sempre simpático, acolhedor, alegre, com festas e desfiles por sim ou por não. Teve duas guerras, como tenho relatado nos meus livros sobre a História do Chile, nos anos 30 do Século XIX, contra a confederação Peru – Boliviana que atacou ao país pelo norte, para se apoderar das do Nitrato de Sódio, que eram uma fortuna. O Chile defendeu-se e ganhou todas as minas: as que possuía antes e as que eram de Bolívia, em Antofagasta, que passara a ser chilena, como a Província de Arica, antes do Peru, mas por direito de conquista passou a ser do nosso país. Tinha também conquistado Tacna, mas por tratado entre os Presidentes Leguia e Figueroa, o armistício foi assinado a 29 de Agosto de 1929, e Tacna foi devolvida ao [Read more…]
as minhas memórias-2-História do Chile
Escritores latinoamericanos e poucos europeus-3ª parte. Pablo Neruda

Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, ele deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida. [1] Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La Chascona, feita para o agrado da mulher que amava, Matilde Urrutia e os seus encontros clandestinos. La Chascona, por causa do telhado de totora[2]. Nem pensar que, por poeta, falasse em verso, falava como todo ser humano nascido no centro Sul do Chile, engolindo as consonantes e um cantar típico que compassava as suas frases. [Read more…]
Hoje sou mineiro
Um mineiro feliz, e chileno também.
Vão sair todos sãos e salvos como se usa dizer, salvos pela aldeia global e a tecnologia que ela pode chamar. Teriam apodrecido como os mineiros desta cantiga popular asturiana, não estivéssemos todos a olhar para a mina que não vemos.
E um deles já fez um poema:
O nosso Raul Iturra está ali a torcer o sofrimento acrescido do homem que olha os seus compatriotas a voltarem um a um da terra que os emprenha, mas amanhã regressa feliz e contente, podem crer, um verbo derivado do querer.
Big Brother da mina: E depois da saída?
O ‘big brother’ global em que se transformou a operação de salvamento dos 33 mineiros chilenos soa a um tradicional ‘dejá vu’. O uso do pleonasmo é aqui propositado. Só assim se pode comparar à mega transmissão do que se passa na mina de San José.
A chegada à superfície de cada um dos estafados homens foi relatada em detalhe. Um a um, com todos os detalhes. Nome, idade, estado civil, número de filhos, doenças existentes, as funções e a biografia. São heróis, claro. Merecem todo o destaque. Quantos dos heróis de pacotilha do mundo em que vivemos seriam capazes de superar o que eles superaram? Com aquele sacrifício…
Sejamos honestos. A cobertura informativa foi feita desta forma porque prometia ser um espectáculo. Cheio de emoção, que, no fundo, é aquilo que anima as nossas vidas. Eles merecem.
A dúvida reside no depois. Depois da saída, depois dos primeiros dias, depois de contadas as histórias, depois de feitas as reportagens, os documentários. O que será depois?
Na televisão ouço falar em milagre, em homens que nunca mais serão esquecidos. Será assim?
o bicentenário da independência da República do Chile

Chile, um país que se inventa dia após dia, como diz Isabel Allende
Tenho a premonição de o Chile ser uma República desconhecida, ou conhecida pelos acidentes políticos e criminosos acontecidos no século passado. É natural, o povo português colonizou a África e a Índia, mas, na divisão das novas terras, apenas lhe coube uma pequena parte, o Brasil. Todas as restantantes colónias foram arrebanhadas pela coroa do Reino de Espanha. O Século XVIII foi a época em que espanhóis e portugueses decidiram fixar fronteiras entre os diversos grupos nativos que tinham conquistado. Uma conquista sem honra nem glória. Contrariamente ao acolhimento dado pelas etnias indígenas, que pensavam tratar-se da chegada de deuses que iam beneficiar os seus povos, estas foram feitas escravas, servidoras e sem as suas terras que passaram a ser propriedade das coroas de Espanha e Portugal. Foi assim que a hoje América Latina, foi organizada. A justificação para tanta pilhagem e roubo, surge por motivos religiosos: as etnias que as habitavam tinham de ser cristianizadas, baptizadas e conhecer a doutrina da Igreja Romana, quisessem ou não. Para traçar os limites desta pilhagem de pessoas e terras, Portugueses e Espanhóis solicitaram ao Vaticano que adjudicasse terras às coroas de tão triste conquista. [Read more…]
Novas Oportunidades para o Brasil, já!
Na sequência do meu post sobre os mineiros do Chile (subterrados, como diria a nossa RTP), um nosso leitor, brasileiro, que certamente chegou aqui ao engano, deixou o seguinte comentário:
auguem pode me fazer um artigo escrito para mim copiar e entregar para minha profi sobre os mineiros do chile?
Não, não pode. Trabalha, malandro. E se possível com um dicionário à frente. E uma gramática.
Mineiros do Chile
«Só então o homem se deu conta de que aquilo era uma mina e a vergonha tomou conta dele. Para quê tentar? Não haveria trabalho… Em vez de se dirigir para o edifício, decidiu escalar o terreno onde ardiam os três fogos de hulha em tachos de ferro fundido que serviam para alumiar e aquecer os homens no trabalho. Os operários encarregados do desaterro certamente tinham trabalhado até tarde, ainda estavam retirando o entulho. Agora ouvia os carregadores empurrando os vagonetes sobre os trilhos montados nos cavaletes, divisava sombras que se moviam descarregando os carros ao lado das fogueiras.
— Bom dia — disse ele aproximando-se de um dos fogos. [Read more…]
Salvador Allende-Biografia

o Presidente do Chile, mártir da oligarquia e dos Republicanos USA
O Chile perdeu uma batalha, mas ganhou um herói.
(troço de um livro meu que estou a editar)
Salvador Allende Gossens; Valparaíso, 1908 – Santiago de Chile, 1973, político chileno, líder del Partido Socialista, del que también fue cofundador en 1933. Fue presidente de Chile desde 1970 hasta el golpe de estado dirigido por el general Augusto Pinochet el 11 de septiembre de 1973, día en que falleció en el Palacio de la Moneda, que fue bombardeado por los golpistas.
Salvador Allende perteneció a una familia de clase media acomodada. Estudió medicina y, ya desde su época de estudiante universitario, formó parte de grupos de tendencia izquierdista. Más tarde, alternó su dedicación a la política con el ejercicio profesional. Participó en la elección parlamentaria de 1937, y salió elegido diputado por Valparaíso. Fue ministro de sanidad del gabinete de Pedro Aguirre Cerda entre 1939 y 1942. A partir de entonces se convirtió en líder indiscutible del partido socialista.
En 1952, 1958 y 1962 se presentó a las elecciones presidenciales. En la primera ocasión fue temporalmente expulsado del partido por aceptar el apoyo de los comunistas, que habían sido ilegalizados, y quedó en cuarto lugar. En 1958, con el apoyo socialista y comunista, quedó en segundo lugar tras Jorge Alessandri.
En 1964 fue derrotado por Eduardo Frei Montalva, que propugnaba un programa de “revolución en libertad”, cuyos puntos sustantivos eran la reforma agraria, el
CHILE e PORTUGAL, MUNDIAL DE 2010!
Elenco: Claudio Bravo Goleiro, Real Sociedad; Miguel Pinto Goleiro, Universidad de Chile; Ismael Fuentes Zagueiro, Universidad Católica; Waldo Ponce Zagueiro Vélez Sársfield ; Arturo Vidal Zagueiro Bayern Leverkusen; Gary Medel Zagueiro, Boca Juniors; Gonzalo Jara Zagueiro, West Bromwich Albino; Osvaldo González Zagueiro, Universidad de Chile ; Mauricio Isla Zagueiro Udinese ; Roberto Cereceda, Meio Campo, Colo-Colo; Rodrigo Millar, Meio Campo, Colo-Colo; Claudio Maldonado, Meio Campo, Flamengo; Gonzalo Fierro, Meio Campo, Flamengo;Jorge Valdivia, Meio Campo, Al Ain; Rodrigo Tello, Meio Campo, Besiktas; Manuel Iturra, Meio Campo, Universidad de Chile; Carlos Carmona, Meio Campo, Reggina; Matías Fernández, Meio Campo, Sporting; Alexis Sánchez, Atacante, Udinese; Humberto Suazo, Atacante, Monterrey; Esteban Paredes, Atacante, Colo-Colo; Héctor Mancilla, Atacante, Toluca; Jean Beausejour, Atacante, América.
…para Sérgio Aurélio da PCmedic que me ajudou com as imagens…
…e Fernando Pessoa que colaborou com ideias…
Viva a Selecção Portuguesa do Mundial de 2010, que hoje goleou sem respeito nem piedade e se nenhum dó, a selecção da Korea do Norte, que correu imenso para salvar a sua honra, e o impiedosos, descobridores do mundo como se pensam, esquecem que há países que não podem ser atacados de forma vil, como foi no Japão, nos anos 500 do Século I, ou os Indianos, anos mais tarde. Nem se lembraram que havia Estados livres na África, e a atacaram, como à Korea. Coitados de nós, os denominados países do Terceiro Mundo, olhados pelos Senhores da Europa, com imensa tristeza. Não é em vão que no meu texto sobre o auto exiliado Saramago, que foi maltratado no Portugal que amava e que nem a nossa Soberania louvou ao nosso poeta por estupidezes, não em vão, digo: silêncio, o poeta descansa para escrever o seu próximo texto que nos deve enviar a todo minuto desde a casa de Pessoa ou dos Bicos. Portugal tem esse terrível defeito, de gritar, festejar, beber até o alcoolismo, quando são outros os que fazem o trabalho. Antes, guardam silêncio pela sua inata insegurança que levara ao Zé a nem ter honras fúnebres no seu enterro.
É assim também que pensam dos coitados sul-americanos, que nem se importam em proferir a notícia que a seguir ao jogo de hoje às 12.30, havia um Chile a combater pela sua mais valia, lucro de honra e ser aceite como os portugueses têm a manha de se aceitarem a si próprios como os melhores. Ai! do que não será se vencer o Mundial! Ai! do que será se o não o conquistar! Se vencer, duvido, não termos festa de meses completos; se perder, rápidas desculpas sobre de quem é a falta, porque nunca assumem as suas próprias derrotas.
Sou hispano,anglo, chileno e luso, mas doí-me este comportamento pouco arrogante do meu povo descobridor de outros.
Será o Chile assim?
Não é comigo, hoje, falar dos jogadores da Selecção do Chile do Campeonato Mundial de Futebol de 2010. Os comentaristas, as notícias, os jornais comentam, analisam, sabem do que tratam. Apenas queria dizer que vi o desempenho da selecção e como a nossa anterior Presidenta da República, Michelle Bachelet,
estava presente, prestigiando, com a sua linda presença de Senhora, o desempenho elegante, a forma de atacar e o golo marcado à República das Honduras – país da América Central, com Tegucigalpa, como capital é limitado a norte pelo Golfo das Honduras, a norte e a leste pelo Mar das Caraíbas (por onde possui fronteira marítima com o território colombiano de San Andrés e Providencia), a sul pela Nicarágua, pelo Golfo de Fonseca e por El Salvador e a oeste pela Guatemala.
chile!

história do Chile
Selecção Chilena do Campeonato Mundial do 2010, na África do Sul. Elenco: Claudio Bravo Goleiro, Real Sociedad; Miguel Pinto Goleiro, Universidade de Chile; Ismael Fuentes Zagueiro , Universidad Católica ; Waldo Ponce Zagueiro Vélez Sársfield ; Arturo Vidal Zagueiro Bayer Leverkusen; Gary Medel Zagueiro, Boca Juniors ; Gonzalo Jara Zagueiro, West Bromwich Albino; Osvaldo González Zagueiro, Universidad de Chile ; Mauricio Isla Zagueiro Udinese ; Roberto Cereceda, Meio Campo, Colo-Colo; Rodrigo Millar, Meio Campo, Colo-Colo; Claudio Maldonado, Meio Campo, Flamengo; Gonzalo Fierro, Meio Campo, Flamengo;Jorge Valdivia, Meio Campo, Al Ain; Rodrigo Tello, Meio Campo, Besiktas; Manuel Iturra, Meio Campo, Universidad de Chile; Carlos Carmona, Meio Campo, Reggina; Matías Fernández, Meio Campo, Sporting; Alexis Sánchez, Atacante, Udinese; Humberto Suazo, Atacante, Monterrey; Esteban Paredes, Atacante, Colo-Colo; Héctor Mancilla, Atacante, Toluca; Jean Beausejour, Atacante, America.
….para Sérgio Aurélio da PCmedic, quem me ayudara nas imagens…
Não é comigo, hoje, falar dos jogadores da Selecção do Chile do Campeonato Mundial de Futebol de 2010. Os comentaristas, as notícias, os jornais comentam, analisam, sabem do que tratam. Apenas queria dizer que vi o desempenho da selecção e como a nossa anterior Presidenta da República, Michelle Bachelet, estava presente, prestigiando, com a sua linda presença de Senhora, o desempenho elegante, a
Os nossos ancestrais amavam no Chile?

Promaucaes ou clã Picunche do povo Mapuche, vestidos como antes
Queira o leitor lembrar, que ando a tentar entender o contexto da produção das crianças que cresceram. E que essa produção, não é o resultado de apenas a transferência de saber entre adultos e filhos de uma casa. Para entender esta pergunta, estudei as vidas de três raparigas de diversos continentes, nos anos 90 do Século XX: Victoria, do clã Picunche do povo Mapuche do Chile, Pilar, de Lodeitón, Paroquia de Vilatuxe, Pontevedra, Galiza, e Anabela, da aldeia de Vila Ruiva, Concelho de Nelas, Portugal. Analisei os seus pensamentos e os da sua família. De Pilar tenho já falado. De Victoria, apenas mencionado em outro ensaio, como é o caso de Anabela. Hoje vou introduzir Victoria, do clã Picunche do concelho ou municipalidade de Pencahue, que limita com a cidade de Talca, capital da Província denominada Maule.
Os Picunche eram denominados Promaucaes pelos conquistadores, no século XVI. Na altura que os Castelhanos foram ao país frio, o chile dos Quechua, esse habitantes da hoje República do Peru, esse inimigos imbatíveis, impossíveis de conquistar nas guerras índias (Villalobos,Sergio e tal. 1974; Lizana, 1909; Ovalle, 1646 Pedro de Valdivia, 1545-1542). Os purum auca, os inimigos imbatíveis para os habitantes do norte do sul do hoje Continente americano. Os que dançam, para os Castelhanos, os que se divertem, para quem fez uma enganada tradução mapudungun das palavras. Puru, feliz para os Mapuche e para os que Mapuche têm querido entender. Para os Mapuche, Picunche, as pessoas do Norte, donde che é pessoa, e Picun, Norte. Habitantes do Norte. Do Norte do rio Choapa, que separa os lugares nos quais viviam (ver mapa das etnias). Até Valdivia entregar as terras dos nativos, aos invasores, como relata ao Imperador Carlos V, nas suas cartas citadas. Eram sessenta as famílias invasoras. Terras asaltadas, beliscadas de volta, com raiva, com lanças, com flecha e arco, perdidas e tornadas a recuperar pela compra, séculos mais tarde. Picunche que teciam, teciam a lã dos guanacos locais da Cordilheira de Los Andes, das lamas e vicunhas importadas pelos prévios invasores Inca. Tinham uma horta em cada grupo consanguíneo de lares contíguos, ou rucas, feitas de madeira e barro. Madeira não elaborada, fibra de madeira, ramas de uma árvore, plantas de junco ou coligue entretecido e enchido com lama ou barro, a quincha, como o material é ainda denominado e usado por grande parte da população do país. Antigamente, pelos Pehuenche, os Huilliche, os Picunche, os Mapuche, as várias famílias dos Rauco. Os habitantes não parentes, as vezes inimigos outras aliados, conforme for a continência dos tempos. Por engano, eram denominados Araucanos pelos Castelhanos (SilvaPereira,1998;Bengoa,1985;Villalobos,1974). Cultivavam que hoje ainda cultivam: milho, feijão verde, cabaços ou pencas, donde Pencahue, ají, a quente guinda ou piri-piri; a batata que salvou a Europa e a fez crescer demograficamente e em proteínas, e mani ou amendoim. E outras plantas não conhecidas entre nos, nos verdes vales regados pelos canais de aguas tiradas aos rios circundantes, o branco Claro, e o navegável Maule. Espantados os Castelhanos de ver um homem com tanta mulher, até seis ou sete, e tanto filho. Varias Crónicas sobre o Chile, relatam a fertilidade das terras, a fertilidade das pessoas, a fertilidade do imaginário que adjudica um deus ou espírito a cada fenómeno natural, a cada animal, a cada pessoa. Até hoje, com nomes mortos na memória, mas vivos na dos Mapuche (ver Silva Pereira, 1998). Mapuche e Picunche compartiam os mesmos deuses, a mesma cosmogonia. Que os Castelhanos apagaram rapidamente nas Doutrinas ou Reduções para as quais transferiram esses habitantes. Habitantes que, em breve, se misturaram com os Castelhanos e outros da Espanha, que aí chegaram.
el combate naval de Iquique

Monumento a los héroes navales de la Guerra Del Pacífico,1879-1886, Perú y Bol+ivia contra Chile
Me es casi imposible, como se dice en el Castellano de Chile, no escribir algunas palabras de honra a los que supieron defender la honra de la República de Chile que durante los finales del Siglo XIX, vivía en paz y harmonía. Excepto, como tengo relatado en otros textos, los desacuerdos entre partidos políticos, desde el día de la Independencia de Chile, que se conmemora el 18 de Septiembre, desde el año 1810. Ese fue el día en que la independencia de la corona de España comenzó, cuan el Rey Borbón Fernando VII fue substituido por el hermano de Napoleón Bonaparte, José, que no sabía gobernar. Como sabemos ya por otros ensayos míos, el representante de la Corona convocó a una reunión de notables, dijo: en España no hay Rey, no tengo a quién representar: os entrego el bastón y el mando. Los notables eligieron al ya muy anciano Conde de la Conquista, Mateo de Toro y Zambrano, como Gobernador de un Chile libre. Las escaramuzas por el poder comenzaron, la familia Carrera organizó el primer golpe de estado, derrocaron al Conde, que se fue a su casa a morir. [Read more…]
mi 18 de septiembre es el 25 de abril

mi fiesta de la independência es el 25 de Anril
Estoy cierto que todos saben que el 18 de septiembre de 1810, la colonia de la corona de España, llamada Chile, auto proclamaba su Independencia de los Reyes Borbón. Napoleón había entrado en todos los países de Europa, derrocando reyes y príncipes y colocando en los sitios de las jerarquías de poder, a miembros de su familia.
En el caso del Estado español, la suerte la había cabido a su hermano más joven, José Bonaparte. Chile estaba descontento de ser colonia de un Estado extranjero, pero iban soportando esa permanente invasión, por haber ganado el título del Reyno de Chile – no es falta mía, en esos tiempos reino se escribía así.
El representante de la corona española era Don Mateo de Toro y Zambrano proclamado Conde de la Conquista por el Rey de España, un distante pariente nuestro, muy muerto ya en éstos 200 años de libertad, con sus caídas a veces dentro de dictaduras, hasta afianzarse como República estable en 1999 del Siglo XX. Don Mateo no reconocía al rey invasor, llamó a una reunión de los notables de de la Capitanía General del Reyno de Chile, de entre ellos los más importantes, la familia Larraín, vascos que habían llegado a la colonia cuando el gobierno estaba estable en el Siglo XVIII. Como todos los apellidos con dos r! Iban a hacer sus negocios, se apoderaban de los nativos, los Mapuche de Chile y sus clanes diseminados por todo el territorio, los esclavizaban, tomaban sus tierras como si fueran de ellos, de los vascos, y pasaban a comprar los títulos aristocráticos de Condes y Mayorazgos. [Read more…]
O melhor do mundo são as crianças
Sempre me meteu dó a tendência dos adultos para desprezaram a sabedoria infantil. Confundem miúdos com cotas em miniatura, e não ligam pevide à sua avisada voz.
O que sucedeu após o terramoto que tantos estragos fez no Chile, mais precisamente na ilha de Robinson Crusoe devia servir de lição e ser ensinado em todas as escolinhas para velhos do mundo:
pouco antes das 4:00 de sábado, Martinna Maturana ouviu a mãe a falar ao telefone. O sismo violento tinha acabado de acontecer e o avô, que vive em Valparaíso, ligou para avisar. «Aqui está tudo bem», respondeu-lhe a mãe da menina. Mas Martinna avisou a mãe que tinha ouvido ruídos estranhos. Como esta não lhe ligou, foi avisar o pai, que é cabo em Robinson Crusoe. Também ele lhe disse que não havia problema nenhum.
A Martina não desistiu, e do alto dos seus 12 anos dirigiu-se ao alarme da ilha, fazendo-a accionar como pôde.
Salvou a vida a 700 humanos, adultos incluídos, que saltaram da cama e assim evitaram o tsunami, substituindo as autoridades chilenas que se esqueceram de lançar o alerta.
Boa Martina. Agora prepara-te para aturar os adultos. Fizeste o que toda a gente faria no teu lugar, se fossem adultos com 12 anos, claro.
Chile, um país em recuperação

destas casas cresceram outras
É-me impossível parar a escrita sobre a tragédia do Chile. Examinar a imagem, mostra-nos de imediato como um prédio em construção (em tijolo e zinco), ruiu no meio de outros prédios pintados de branco e direitos. A casa estava já ocupada pelos proprietários ou construtores, porque um dos maiores castigos do Chile, é a falta de habitação. A maior parte da população vive, como explico em ensaios anteriores, em casas cujos materiais de construção se resumem a zinco, papelão e cartão. O desenvolvimento económico do país nos últimos vinte anos, permitiu aos mais pobres saírem das suas casas de «brinquedos» para casas mais sólidas. Sólidas até um certo ponto, porque são feitas pelos moradores desconhecedores das técnicas de construção. Desde o nascimento do Chile, como narra Isabel Allende no seu livro de 2006: Inês del Alma Mia, Arreté, Barcelona – versão portuguesa do mesmo ano, Difel, Lisboa, intitulado Inês da Minha Alma, que existem os alarifes ou mestre-de-obras, arquitectos aprendidos com a prática e com estudos matemáticos nas Universidades do seu tempo. O seu primeiro trabalho é dividir a terra em palmos, medida que equivale a 8 polegadas ou 22 centímetros, medida, tomada com a mão aberta, que vai da extremidade do dedo polegar à ponta do dedo mínimo.
Largos palmos de terra eram adjudicados aos colonizadores, os que, com a ajuda do alarifes, desenhavam as casas de apenas um piso (térreas), sem mais construções por cima, por causa da necessidade de usar pedra trabalhada por canteiros, e coladas para construir um prédio com cimento e gemas de ovo. Pedras canteadas usadas na construção de prédios certos e duradouros, de vários andares, como as igrejas, os paços ou a sede do governo.
Os terramotos do Chile. Memórias apagadas

Vulcão Villarica do Chile, sempre em erupção
Primeiro um silêncio profundo. A seguir os cães ladram, antes, tinham cantado os galos, as galinhas gorgolejavam. As pessoas calam sem saber porquê. Um segundo de silêncio. Um segundo apenas, como se estivesse medido por um cronómetro. E a hecatombe aparece com um ruído ensurdecedor. Agarra-se a uma árvore, foge-se de um buraco que abre, não sabemos como, na terra ao pé de nós. Os gritos começam. Das pessoas. Os ateus rezam, as beatas falam em palavrões, todos tentam agarrar-se a todos, todos fogem de todos. Tenta-se andar, e gatinhamos, tenta-se correr e bate-se com a cabeça contra as pedras. Correr, mas para onde? Ai há outro buraco, um fogo aparece do fundo da terra, e foge não sabemos para onde. Prende-se a um prédio. Era a nossa casa, fica em cinzas, as pedras dos prédios abatem-se sobre nós, o céu fica obscuro se for de dia, vermelho se for de noite. Os nossos já não estão, procuramos e não os encontramos. Os carros, pesados, suavemente deslizam pelo asfalto até desaparecerem num buraco aberto na estrada. Há outros atrapalhados debaixo das marquises dos prédios que servem de garagem. Guardados para sempre. Sem utilidade, insubstituíveis.
A terra salta para cima, a terra mexe para a direita, a terra mexe para a esquerda. No meio, nós. Se a terra vai para a direita, tentamos balançar o nosso corpo para a esquerda num equilíbrio impossível. A senhora gorda corre como gazela nos seus sessenta anos, agarramo-nos ao seu traseiro, esbofeteia; o velho recupera a sua agilidade e salta entre passeio e passeio para não se afundar nas fendas da estrada. Os pássaros grasnam no ar em bandos, como se se quisessem esconder dentro das nuvens para não ver o horror de Dante que aparece na terra. Os mais amorosos acodem aos mais desvalidos. Queremos tornar a casa e refugiar-nos debaixo da cama. Casa não há, apenas um buraco que arde e nos engole se não formos resgatados pelos mais calmos que, em quatro patas, sim patas, começam a resgatar os eminentes desaparecidos, esses que nunca mais são encontrados. Centenas de pessoas morrem, as camas do hospital que ruiu, são levadas a correr para os buracos do que era uma rua. Os dos prédios do décimo quinto andar, atiram-se, em desespero ao ar, caída que mata, como mata ficar dentro do andar que cai sobre os seres humanos com outros seres humanos dentro. Pessoas que desistem da vida e se deixam estar no sítio em que não deviam. A gritada é impossível, não tem destino. Apenas um: o silêncio que aparece após os saltos da terra, essa que um minuto depois, tem uma réplica, os sons subterrâneos reaparecem e já não queremos mais. Ficamos deitados. Não falamos, não reagimos, não acudimos. A adrenalina paralisa o corpo. Olhamos par a natureza e geografia conhecidas, nada existe nunca mais. O meu vizinho vai-se embora em sangue, nada há para o ajudar que não seja a o sangue dos outros que o fogo consome e ardem. Como as casas. Como as estradas. Como os parques subterrâneos. Como a minha mãe, como o meu filho. O ânimo come o valor da vida.
Um minuto. Apenas um minuto. Quase um minuto se tanto. E a terra muda de lugar.
Faltam 427 dias para o Fim do Mundo:
No dia em que o Aventar recebeu o visitante número 300 mil e quando faltam poucos dias para celebrar o primeiro aniversário do Aventar, joga-se mais um clássico da Liga enquanto Mourinho soma e segue.
Entretanto, aqui para os meus lados, o eterno rio Douro fez das suas e galgou as margens, dando continuidade a estes dias de mau tempo (não sei se sabem mas ainda estamos no Inverno…). Até as cegonhas são desalojadas por estes dias. No Chile afirma-se uma grande liderança e faz-se a análise de um terremoto assustador e na vizinha Espanha a luta contra a ETA soma mais uma vitória.
Uma pausa no clássico para dizer adeus a Marcelo ou será antes: até já, no congresso??? Os Estados, em especial os políticos, querem controlar as televisões. Amanhã vão querer colocar os dedos nos blogues e semear “Abrantes” por tudo quanto é sítio…
Por fim, a entrevista de Passos Coelho ao DN onde afirma algo que é tão óbvio que nem precisa de grandes discussões:”Só com novo PGR se recupera a credibilidade da justiça“. Ora nem mais.
Faltam 428 dias para o Fim do Mundo
Sobre a horrenda tragédia do Chile deixo para o aventador Prof. Raul Iturra, ninguém melhor do que ele para falar no tema. Tudo no dia em que a nossa Protecção Civil alternou entre o amarelo, laranja e vermelho. Como sou um cidadão cumpridor, estou enfiado em casa. Não sei se aproveite para exercitar os músculos (banhas) na Wii ou se espere novas da bola.
No fundo, ficar em casa sempre significa colocar a leitura em dia e ver como andam as modas laranja (e não estou a falar do temporal de hoje mas de outro que se avizinha).
Uma calamidade por semana, no mínimo
Primeiro foi o Haiti, a semana passada a nossa Madeira e hoje, mal desperto do sono, acedo à Internet e deparo com a calamidade do Chile – um terramoto que, no momento em que escrevo e segundo notícias actualizadas, já conta com 122 vítimas mortais. Certa e infelizmente, este número tende a crescer e bastante; serão muitos mais. Basta atentar no grau de devastação que atingiu a pátria chilena, terra onde tenho amigos, na capital Santiago, de quem nada sei. Já tentei colher informações deles através do facebook, mas as mensagens do chat passam a tal velocidade que torna impossível a leitura, mesmo ao mais célere dos leitores. Através das mensagens, consigo apenas aperceber-me de que há apelos dramáticos de chilenos, localizados em vários pontos do globo, procurando desesperadamente familiares e amigos com quem não conseguem contactar.
O povo chileno não merece isto, ou mais correctamente, a estrondosa maioria dos seres terrenos, seja onde for, não merece tão severos e desvatadores castigos das forças naturais. Porém, a Natureza reage com eloquência e discricionário poder de revolta aos desmandos dos humanos. Para infortúnio dos mais humildes e indiferença dos mais poderosos, entre os quais os principais líderes políticos que, em Copenhaga e como agora usa dizer-se, continuaram a assobiar para o lado e a proporcionar substanciais reforços de contas em bancos de ‘offshore’. Até quando? Não sei e duvido que alguém tenha resposta convincente.
Para os interessados em acompanhar em directo o que está a suceder no Chile, sugiro que acedam ao sítio tv-de-chile.
Sismo no Chile: "Parece o fim do mundo"
Um sismo de magnitude 8,8 ocorreu por volta das 3h30 da madrugada ( hora local ) com epicentro a 90 quilómetros de Conceição, segunda maior cidade chilena. O abalo fez-se sentir em todo o país, sendo, neste momento, impossível conhecer as suas consequências. Sabe-se, para já, que grande parte das comunicações não funcionam, que o número de vítimas não pára de subir e que, até agora, já foram sentidas mais de vinte réplicas, algumas de magnitude superior a 6.0.
O japão lançou o alerta de tsunami para todo o Pacífico, estando várias operações de retirada de pessoas a ocorrer em diversas ilhas, nomeadamente na Ilha de Páscoa e no Havai.
Sobre sismos, medidas a tomar e precauções consulte o nosso dossier no Aventar.
TRABALHO DE CAMPO EM ANTROPOLOGIA.

Como diz Alba Saluar, da Santa Catarina no Brasil, o trabalho de campo em Antropologia é transformarmo-nos em nativos de nós próprios. A frase é dela de um texto retirado do organizado por Cláudia Maria Almeida de Carvalho: Teoria e Prática do Trabalho de Campo. Bem como de vários textos meus e experiências de trabalho entre os meus analisados. Por ter escrito e ensinado muito sobre trabalho de campo, parece-me mais importante contar como ele se faz sem muitas citações.
O meu primeiro trabalho de campo foi aos meus vinte anos nos bairros de lata de Valparaíso, Chile. Praticava a minha profissão entre os mais pobres dos pobres, o proletariado sem trabalho que ocasionalmente trabalhava no Porto mencionado. Mas mais que trabalhar, os habitantes do Bairro Rocuant, no cerro do mesmo nome, dedicavam o seu tempo à pilhagem, a pedir esmolas e a viver da caridade de Caritas. Eram mais de trezentos habitantes. [Read more…]
Independência do Chile e República em Portugal
Durante este ano de 2010, por acaso e coincidência, Chile e Portugal comemoram dois importantes aniversários: a liberdade do Reyno do Chile, não é gralha, é e forma da escrita do Século XIX, e a implantação da República em Portugal.
As duas Nações eram reinos, pertenciam a uma monarquia, com pouca simpatia e renitência. As duas nações queriam ver-se livres das monarquias que as dominavam. A do Chile, era avassaladora, com um Rei longe da Pátria como a denominavam os crioulos, é dizer, filhos de espanhóis nascidos no Chile, proprietários de fazendas e e possuidores de um título nobiliário, normalmente de Duque ou Conde. Em Portugal o leque era mais amplo: os Monarcas residiam dentro do Estado, eram os proprietários de terras e Paços e tinham uma cumprida genealogia de serem aristocratas desde a época do primeiro Rei Afonso Henriques, até o dia em que a Monarquia foi derrubada, em 5 de Outubro de 1910. [Read more…]
Lautaro
Parece uma lenda mas é uma verdade que não se duvida. Duvidar da existência de Lautaro, seria duvidar da forma heróica em que se defenderam os Mapuche do Chile da sua habitual liberdade. Bem sabemos que o Chile foi a derradeira colónia organizada pelos conquistadores hispânicos, na hoje denominada América Latina.
Como tenho referido foi fundada por Pedro de Valdivia apesar de ter ser descoberta antes por Diego de Almagro em 1535. Mas achou o país pobre e perigoso e não tinha as riquezas em ouro que ele pensava encontrar. Bem se sabe que estes espanhóis não eram soldados andavam a pilhar. Valdívia não, era de profissão soldado do Rei da Monarquia Espanhola. Sabia o que fazia. [Read more…]
Reis e chefes no Peru e no Chile
As formas de governo entre as actuais Repúblicas do Peru e do Chile, não eram similares. Conforme o que dizem os historiadores, arqueólogos, geólogos e antropólogos, as formas superiores de governo estavam no que hoje é a República do Peru. Existiam classes sociais e lugares geográficos diferentes para cada actividade. As classes mais baixas habitavam perto do mar e o seu dever era servir a divindade com peixe fresco, como tributo de parte da pesca no território da propriedade do Inca, ou monarquia governante. A divindade Inca era o sol e o seu representante era o governante designado Inca antes do nome pessoal. Ele e a sua família habitavam nas partes mais altas da cordilheira, na montanha nomeada por Machu Picchu.
O Machu Picchu ou montanha alta em língua quechua, por eles falada, não era apenas um sítio geográfico situado a 80 quilómetros ao noroeste da actual cidade do Cuzco e a três mil metros de altitude, era também um emblema de alta hierarquia social das pessoas que a habitavam. Todo o Rei ou Inca tinha direito a dois factos surpreendentes para o pensamento ocidental: podia casar ou unir-se a várias mulheres, todas elas chefiadas pela primeira mulher: a rainha. Os descendentes estavam também hierarquizados. Os da primeira mulher eram herdeiros e o mais velho ou o mais inteligente, devia ser escolhido pelo Rei Inca, como seu sucessor. No entanto, nem sempre a sucessão era pacífica por existirem os preferidos do Rei e os da Rainha e, às vezes, o Inca casava com uma mulher bem mais jovem que todas as outras, estimando-se que o seu filho seria um Rei que saberia governar pois estava em condições de exercer o cargo por um período maior do que qualquer outro. O filho da primeira mulher poderia morrer antes de seu pai. É preciso dizer que os príncipes, futuros Inca, casavam na puberdade dele e da sua mulher. É esta a outra ideia não consonante para ouvidos ocidentais. O Inca apenas podia casar com as suas irmãs como acontecia no Egipto. Forma de manter a linhagem pura e a divindade unificada e não espalhada entre várias pessoas. O Inca não exercia apenas as funções de monarca, era também um Sumo Sacerdote que geria a religião entre a sua família e o seu povo, pelo que, para além de ser reverenciado, era adorado. À passagem do Inca pelas ruas calcetadas, todas as pessoas, mesmo as da família, estavam obrigadas a curvarem-se: ninguém podia vê-lo nem olhá-lo, a não observância destas regras era delito punido com pena de garrote, assim, nenhum quechua conhecia o seu Rei e qualquer tentativa em contrário podia custar- lhe a vida! [Read more…]
Os núcleos de famílias
Nativos da etnia Picunche, segundo uma gravura do século XVI.
A minha intenção, ao longo dos próximos dias, é explicar as relações de família de nativos de várias Repúblicas na América Latina. Por me parecer mais simples, começarei pelas analisadas por mim e pela minha equipa. Há tantas surpresas, à medida que vamos conhecendo a vida dos nativos!
A primeira com que me deparei, antigamente conhecida por mim, e depois esquecida ao longo dos anos, foi a do matrimónio poligâmico dos Picunche do Chile e da Argentina.
Os Picunche não têm memória da sua aparição na terra. Não liam nem escreviam e eram, durante a época colonial quando o Chile era um Reyno (palavra que não é gralha, mas a forma como era escrita), escravos dos espanhóis que se apoderaram das suas terras. Como não conheciam o cultivo da batata, do milho e o cuidado das ovelhas, agrilhoavam os nativos para não fugirem. Forma de terem sempre, ao pé de si, um livro aberto que não falava e trabalhava em silêncio desde a manhã cedo até a luz do dia acabar. Os que morriam, eram retirados da fileira de índios agrilhoados e lançados a uma fossa construída por baixo de uma capela no sítio de huenchulami. Horror que deu nascimento a outro hábito, de que falarei mais em frente. [Read more…]
América Latina
Nunca esqueço a frase de um amigo que dizia: «porque é que o teu continente é denominado América Latina se os romanos nunca andaram por ai?» Questão enganosa. Os romanos, eles próprios, nunca passaram pelo continente que foi descoberto, conquistado e colonizado pelos seus descendentes, todos os que falavam línguas românicas ocuparam a maior parte do Continente. A restante, por países de língua saxónica e até germânicas.
A questão pareceu-me importante e investiguei-a. Fiquei surpreendido com a minha pequena pesquisa histórica. Filho como sou de espanhóis, reparei que os primeiros habitantes não eram descendentes de romanos. Havia muitos mais grupos sociais. De momento, por falta de espaço e de tempo para detalhes, darei apenas pequenos apontamentos. O que hoje corresponde ao Uruguay, Paraguay, Bolívia e Argentina, durante a conquista formavam as províncias do Rio da Prata. Os outros eram governados pelo Vice-Reinado sediado em Lima, hoje Peru. Com a descoberta, os nativos do continente passaram a ter outros nomes. Os originais ficaram reduzidos a pouco número de habitantes. Apenas no México, os Reinos dos Aztecas, Mayas, Tolteclas, Miztecas, Zapotecas e Olmecas, tributários do Império Azteca governado, à chegada dos espanhóis, pelo Imperador Moctezuma, que foi traído, roubado e executado pelos avarentos invasores. A legislação, a justiça, a gestão das propriedades estavam sujeitas a leis escritas em papiros, com juiz, cortes de apelo e uma boa arquitectura inscrita no nome do proprietário, se fosse privada, ou no nome da comunidade do reino ou etnia, como entre os Amatenango, hoje camponeses do País Panamá. Todos os monumentos públicos eram propriedade do imperador. A arquitectura azteca era tão grande, imponente e melhor que a dos Egípcios; subsistem e são cuidadas, pirâmides e monumentos, pelos cidadãos dos Estados Unidos do México, sejam antigos nativos súbditos (hoje cidadãos mexicanos, de dupla nacionalidade), sejam por membros da própria etnia do antigo império ou reino. México, sem invasores, seria, actualmente, o Império e reinos antes designados. A invasão fez deles escravos, até à sua independência em 1821. [Read more…]
Um país de curta memória…

Eduardo Frei Ruíz-Tagle.
A segunda volta para as eleições para a Presidência da Republica do Chile, foram realizadas este passado Domingo 17 de Janeiro. Era uma segunda volta, o candidato mais votado na primeira volta, o industrial Sebastian Piñera, enriquecido pela mão do antigo e já falecido ditador, não apenas teve a maioria dos sufrágios, bem como um programa muito semelhante ao do seu rival, Eduardo Frei Ruíz-Tagle, filho de Presidente e Presidente ele próprio no segundo período presidencial, com a Democracia restabelecida no Chile.
Dois problemas aparecem no meu pensamento: o industrial enriquecido, recebe um imenso tesouro do Estado que, de certeza vai gastar em Obras Publicas e melhorar a arquitectura do Chile, para converter o país numa Nação de turistas, baseada nas suas empresas. Esse candidato que tem carisma, virtude que falta a Frei que parece ter esquecido as maneiras de falar e esse sorriso que conquista multidões. O Presidente Eleito sabe rir e cantar e dançar esse Berlusconi do Chile…enquanto Frei apenas pode falar palavras “huasas”, personagem folclórico do Chile, definido por mim noutros debates. Nem é capaz de seduzir a sua mulher….Conheço-o desde a infância: sabe ler, estudar e e excelente advogado, mas não conhece a realidade chilena.
Especialmente após o brilhante governo de Michelle Bachelet e o seu eterno sorriso e entusiasmo.. Nunca haverá outra Presidente com o seu carisma…um louvor para ela…um imenso beneficio para todos nós. [Read more…]
Memória descritiva: Chile – a direita novamente no poder
Já aqui tenho dito por diversas vezes que a direita se move dentro dos chamados sistemas de democracia representativa como peixe na água. Os golpes militares deixaram de fazer sentido – carros de combate nas ruas, jactos bombardeando palácios presidenciais, fuzilamentos, tortura? É caro e é feio – dá mau aspecto. Para quê tanto espalhafato – com a Amnistia Internacional à perna e os jornalistas a especularem? Em vez de tiros, votos; em vez de tanques, aviões e fuzilamentos, promessas demagógicas que toda a gente sabe que não vão ser cumpridas. E nem vou dizer que estou surpreendido com o que aconteceu ontem no Chile, pois já o esperava.
As sondagens conduziam a um empate técnico entre Frei e Piñera. Quando se soube os resultados e se conheceu a vitória de Sebastián Piñera, milhares de pessoas nas ruas festejaram a vitória do candidato da Aliança para a Mudança. Na segunda volta das eleições presidenciais, com 99% dos votos contados, Sebastián Piñera, da Aliança para a Mudança, sagrou-se presidente do Chile, com 51,61% contra 43,38% de Eduardo Frei, candidato da Concertação e ex-presidente. Quem é Sebastián Piñera?
As conchas de Neruda
Pablo Neruda, o grande poeta chileno, coleccionava conchas e búzios. Fê-lo ao longo de décadas, recolhendo exemplares um pouco por todo o mundo. Doou a sua colecção à Universidade do Chile, mas durante décadas, e por dificuldades várias, essa colecção ficou semi-oculta, estando apenas uma pequena parte em exibição. Recentemente, e com a colaboração de instituições espanholas, a colecção foi reorganizada, e mostra-se agora em Madrid, na sede do Instituto Cervantes, sob o título “Amor al mar”.
São perto de quatro centenas de exemplares, que Neruda recolheu e preservou ao longo de vários anos, desde os seus quinze anos, quando viu pela primeira vez o mar, até cerca de 35 anos depois, quando decidiu oferecer a sua colecção à Universidade, em conjunto com a sua vastíssima biblioteca, dizendo:
“El esplendor de estos libros, la gloria oceánica de estas caracolas, cuanto conseguí a lo largo de la vida, a pesar de la pobreza y en el ejercicio constante del trabajo, lo entrego a la Universidad, es decir, la doy a todos.” [Read more…]
A máquina do tempo: Víctor Jara
A música para este poema de Pablo Neruda – «Poema 15», «Me gustas cuando callas» – foi escrita por Víctor Jara, que interpreta também a composição. Todos ouviram já falar do cantautor Víctor Jara. Até existe em Portugal um agrupamento chamado Brigada Víctor Jara. Alguns até devem saber que era chileno. Outros, indo um pouco mais longe no conhecimento sobre este grande cantor, saberão que foi assassinado nos primeiros dias da feroz repressão que se seguiu ao golpe de estado de Pinochet. Vou hoje falar sobre esse homem que se transformou num dos símbolos da heróica resistência chilena à ditadura militar. Sábado passado, dia 5, foi realizada uma cerimónia, um segundo funeral do grande músico, já que o primeiro se fez clandestinamente. Desta vez, uma multidão acompanhou Jara – sobreviventes da ditadura e do exilio. O cantor catalão Joan Manuel Serrat escreveu um texto de homenagem. Trinta e seis anos depois, Víctor Jara teve um funeral condigno. [Read more…]



















Recent Comments