Talvez a malta de direita
Falhanço total
Nada sobrou do que fora planeado. Défice sem controlo, estado por reformar, desemprego galopante, crescimento económico em queda, acentuada perda de competitividade, necessidade de um segundo empréstimo, sociedade muito mais desigual e agora juros proibitivos. Esta governação é um completo falhanço.
A questão dos juros e do acesso aos agiotas, perdão, aos mercados, era a razão apontada para Cavaco não demitir este governo que, claramente, procura operar na ilegalidade, que não está a cumprir o programa eleitoral e que é manifestamente incompetente – o mais incompetente dos governos que já tivemos.
Já nem esta desculpa sobra. Só uma múmia permanecerá inactiva, sem demitir esta cabeça oca, adequada à boa ressonância de um tenor mas inútil para governar. Só a incapacidade de decidir e o medo do que a História dele relatará o impedirão passar ao acto.
E no entanto, a questão é mesmo esta. Dimitir estes que nos enterram para dar lugar aos anteriores que abriram a cova? O meu país está num beco sem saída e ocorre-me que é altura daqueles que têm vivido de costas para a política tomarem as rédeas do seu próprio destino.
A crise portuguesa da actualidade
O seu a seu dono: a autoria da actual crise é da direita
Bem se empenham os arautos tendenciosos, desonestos e vesgos por conveniência para engrupir a opinião pública com a desresponsabilização da direita pela crise política em que atolou o país nos últimos 15 dias.
A defesa inconsistente e estrambólica da inocência do governo de Passos e Portas, e até do presidente Cavaco, emporcalha-se por ímprobos ataques desferidos sobre quem, de área política divergente ou neutralmente, dignifica a verdade e tece legítimas críticas às ridículas peripécias da vil tríade do presidente, da maioria e do governo a que estamos submetidos.
Para reposição da verdade – e já agora para memória futura – grave-se com letras de indestrutível relevo, por ordem cronológica, quem, quando e como a crise se despoletou e desenvolveu:
A 1 de Julho de 2013
Vítor Gaspar demite-se. Insinua falta de perfil de Passos Coelho para liderar a actividade governativa, confessando responsabilidades próprias na falha dos défices de 2012 e 2013, na expansão da dívida pública, na depressão na procura interna e desvios desfavoráveis nas receitas fiscais; e, em acto de comovente penitência, Gaspar rematou: “a repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto Ministro das Finanças.”
A Rã que queria ser um Boi (nova release)
17 amigos juntaram-se e acordaram entre si que futuramente dariam preferência, sobretudo, às transacções entre eles. Alguns poucos, e um em especial, tinham mais coisas e, sobretudo, incorporavam mais know how nos bens e serviços que vendiam e prestavam, que os restantes, a maioria.
Decidiram até criar mesmo uma unidade monetária comum para facilitar as transacções entre si, por mero acaso desenhada à medida dos interesses dos mais fortes.
Nesta “economia fechada” dos 17, as relações foram evoluindo de acordo com as regras de mercado e seguiram o seu curso natural e previsível. Os mais fortes foram acumulando riqueza, que emprestavam aos mais fracos para estes lhes comprarem mais bens e serviços, e os mais fracos acumularam dívidas, resultantes das aquisições acrescidas dos respectivos juros.
A Balança dos primeiros foi ficando cada vez mais Superavitária e a dos outros cada vez mais Deficitária, uma vez que nunca tinham liquidez para investir nas áreas adequadas ao equilíbrio das contas.
A certa altura os primeiros ficam preocupados com as dívidas e tentam obrigar os restantes, à força e de forma violenta, de repente, a equilibrar as respectivas Balanças, até anularem o deficit e pagarem as dívidas. Para isso forçam os países mais fracos a reduzir dramaticamente as suas despesas, através da redução dos consumos, de modo a encaminharem esse remanescente das receitas para o pagamento das dívidas. [Read more…]
A bravata
Santana Castilho *
1. Em livro que escrevi em 1999, em plena euforia dos milhões diários que nos entravam porta dentro, afirmei ser pouco sério confundir essas imediatas vantagens financeiras com vantagens económicas de futuro. Admiti então, qual velho do Restelo, que subjacente a tanta prata fácil estava uma bem escondida estratégia hegemónica. E adiantei, contra-corrente, que se víssemos as coisas por esse ângulo não cairíamos na esparrela que se desenhava: ao longo dos anos fomos financiados para deixar de produzir e destruir a agricultura e a indústria. Ora se somos responsáveis pelo caminho que aceitámos, também a União Europeia o é, por nos ter induzido a trilhá-lo. Chegados onde estamos, é penoso ver que a bravata tapa a realidade. Podermos continuar a endividar-nos a um juro superior ao que agora pagamos à troika (4,891 versus 3,4 por cento) justifica a bravata? Se em Abril de 2011 fomos “expulsos” dos mercados, por que razão nos receberiam agora, quando a dívida, em lugar de diminuir, cresceu 25 mil milhões de euros e a economia se afunda a cada dia que passa? [Read more…]
O Ministério dos Juros

A ideia de encolher as pastas governamentais tinha uma explicação; temos dois ministérios sombra: o das privatizações e este, o dos juros da dívida, o verdadeiro pai da crise, gerido por essa entidade mítica chamada mercados e pela troika e o bom dinheiro de que nos vai espoliando.
É um ministério zoológico, abutre, e bíblico, usurário, a especulação financeira com toda a sua ganância desmesurada custando-nos mais do que a educação e pouco menos que a saúde.
Uns dirão, com fé e ideologia, que os tais mercados, coitadinhos, na sua pureza angélica só emprestam com juros assim porque havia um risco elevado de não pagarmos; a esses respondo que assim é que não pagamos.
fonte: Público
Vampiros
Mais do que os juros a pagar à troika pelo financiamento externo, é o injusto custo social suportado por todo um povo. Todo? Não. Tal como os habitantes da aldeia de Astérix, há um irredutível pequeno grupo de gente dita trabalhadora que irá ganhar com isto. Como há sempre alguém a ganhar com a miséria alheia.
Nos últimos tempos, tanto se falou que o endividamento privado para consumo pagava taxas de juros incomportáveis. Face ao que Portugal vai agora pagar com pobreza, é caso para perguntar: onde está a diferença?
Não está. Não existe. A agiotagem persiste, multiplica-se e transmuta-se. Não vive só de juros. Vive da riqueza que se obtém com a miséria, com mais trabalho e menos salário, com as demandas de produtividade para acompanhar a China, com menos assistência social e a privatização de recursos e de bens essenciais, com mais impostos. Vive do lucro ganancioso, pago por quem terá de se esfarrapar para ser produtivo. E a subserviência propaga-se. Agora segue rumo a mais economias latinas, que para as latrinas, do capitalismo sem freio nos dentes, serão mandadas.
Os vendilhões já não trabalham no Templo: tomaram conta dele. A alegada influência cristã da Europa Ocidental, apenas servirá para a caridade a uma pobreza cada vez mais alastrada. A caridade tomará o lugar da solidariedade, e os tostões aliviarão algumas consciências, de modo muito mais barato do que custa um Estado Social. [Read more…]
O presente, essa grande mentira social. III- A mais-valia

Capítulo Terceiro
AMais-Valia
Para se manter dentro da História, todo ser humano precisa de consumir bens, sejam estes de agasalho, de abrigo, ou de alimentação. Para poder consumir, é necessário produzir esses bens de diversa qualidade e em diversas quantidades. Todo o ser humano sabe, especialmente os economistas ou os cientistas sociais.
Os amigos europeus
Vejam só quanto são nossos amigos os parceiros europeus.
Os 78 mil milhões da ajuda externa estão divididos em duas parcelas: uma assegurada pelo FMI (26 mil milhões) e outra garantida pelos países europeus (52 mil milhões). Acontece que os juros do empréstimo do FMI serão de 3.25% nos primeiros 3 anos e de 4.25% no quarto ano. Já a taxa de juro média dos empréstimos garantidos pelos países europeus será “claramente abaixo dos 6.0% e deverá ficar nos 5.5%” (afirmou Olli Rehn, citado pelo i).
Isto porque «as regras europeias prevêem que a taxa de juro aplicada aos programas de assistência financeira seguem a regra aplicada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mais um “pequeno prémio” de risco (no Público.)»
Portanto, este “pequeno” prémio de 2.25% é quanto vale a ajuda dos nossos parceiros. Ainda bem que não são nossos adversários…
Agora, vejam lá quem é o papão. Andou-se meses a falar que o FMI nos ia engolir vivos e, afinal, são aqueles que ficam para lá de Vilar Formoso que nos vão às canelas. Acresce ainda que o nosso iluminado engenheiro andou a tentar não pedir ajuda externa (leia-se FMI) à espera de uma eventual flexibilização do tal Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Se tal tivesse acontecido vê-se agora quão bom teria sido. Não valia mais ter pedido ajuda ao FMI (leia-se FMI e não FMI+BCE+CE) em vez de se ter colocado a estratégia eleitoral à frente de tudo o mais? Valer mais, valia. Mas não era a mesma coisa.
a usura dos membros da confissão católica

Usura-pintura a óleo de Van Dyck, Século XVI.
É bem conhecido o texto de Max Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864 — Munique, 14 de Junho de 1920) sobre A ética protestante e o Espírito do capitalismo, de 1905, resultante do trabalho de campo que Weber fez entre os católicos no sul do rio Elba (Alemanha). Embora de fé agnóstica, toda a sua obra está dedicada à religião. Estimando que a dedicação ao credo e à fé enriquece os protestantes, isto é, os cristãos separados da Igreja Católica Romana no Século XVI.
A sua curiosidade científica levou-o, em 1888, a morar entre católicos alemães, para entender a sua pobreza e comparar essa condição com a dos protestantes, que eram ricos ou tinham uma ética da riqueza.
Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (I)

Onde o nosso herói decide fugir quando colocado sob os holofotes da iminente necessidade de recorrer ao FMI. O filme de uma legislatura incapaz de controlar a despesa pública.
Ficha técnica:
- 11 de Abril está à porta, com 4.532 mil milhões de financiamento a conseguir

- Isto está descontrolado mas alguém há-de levar com as culpas

Juros em 7,5% – António Borges vem aí
Continuamos à espera que o pior Ministro das Finanças da União Europeia cumpra o que disse há uns meses atrás – que era altura de chamar o FMI quando os juros chegassem aos 7%.
Aviso que escrevo este post às 16 horas do dia 12 de Nobembro de 2011. Ou seja, é um post claramente datado. Quando o lerem, os juros já estarão a 8… 9… 10%. É uma questão de tempo. António Borges vem aí.
E é uma injustiça muito grande o novo Governador do Banco de Portugal vir dizer que os mercados têm razões para duvidar do país. É uma grande injustiça, depois de todos os esforços do Governo para credibilizar o país e acabar com as dúvidas dos mercados. Com Vítor Constâncio, isto não aconteceria. Quem mandou substituí-lo?
Pedir ao BCE ou ao Credibom?
O Estado pediu hoje emprestado 1.242 milhões de euros a uma taxa média de 6,8 por cento. Mais um pouco e parece o crédito obtido junto das credibons e afins.
E para que serve este dinheiro? Para pagar, por exemplo, 33 milhões de euros estoirados em brinquedos eleitorais. E para manter o rol de boys, como estes antigos e outros mais recentes. E ainda para as empresas do regime. E ainda… e ainda para muita coisa que para nada nos servirá, já que os serviços que o Estado nos presta (educação, saúde, segurança, etc.) são cada vez mais escassos. Ou inexistentes. (Estou a lembrar-me, por exemplo, do facto de eu não ter médico de família e, querendo consulta, só gastando um dia de trabalho para a fila no posto médico ou pagando 70 a 100 euros no privado.)
Dizem que é sacanice dos mercados. Será? Como diz o povo, quem não deve, não teme! O que os apologistas deste assobiar para o lado (a culpa é sempre "deles") parecem procurar disfarçar é que só estamos como estamos porque o Estado gastou muito, mas mesmo muito, mais do que tem.
Chegados aqui, vamos apontar dedos a quem caros leitores? Aos políticos? Ora pensem lá em que programas eleitorais votaram nos últimos 30 anos. Pois é, as promessas eleitorais têm preço. Houve rebuçados e agora há vinagre. Como dizia o outro, é a vida…
Sugestões a Passos Coelho – as privatizações
Para onde vai o dinheiro das privatizações? Para manter os erros, os vícios, as mordomias, os desperdícios? Se é, as privatizações são um péssimo negócio, vendemos os anéis e ficamos com os problemas todos, nem um resolvemos.
Mas o dinheiro das privatizações pode ser bem aplicado, e assim, a saída do Estado da economia já pode ser uma coisa boa. Por exemplo, utilizar o dinheiro para baixar a dívida, os juros vão subir, o serviço da dívida é monstruoso
, está ao nível do que gastamos no SNS em relação ao PIB, é como ter dezenas de hospitais, pagar vencimentos a milhares de profissionais , ter a despesa de tratar milhões de pessoas, é isso o serviço da dívida anual.
Se esse dinheiro não for sujeito a uma discussão e a uma decisão na Assembleia da República, vai-se evaporar no desperdício, nos mega projectos sem retorno, no TGV, nas autoestradas em duplicado, nas parcerias público.privadas, nos vencimentos milionários…e ficaremos sem empresas e sem dinheiro!
Utilizar esse dinheiro para sanear empresas com potencialidades e fechar as que têm que ser fechadas, pagar indemnizações a quem quizer sair para trabalhar por conta própria, modernizar e apoiar as empresas exportadoras e com tecnologia de ponta. Estão inscritos no Orçamento para o TGV 900 milhões de euros enquanto se vai dizendo que o projecto é para adiar.
Fazer um levantamento sério dos serviços que estão em duplicado, que não têm razão de existir, e terminar com eles. Sem esse trabalho prévio, as privatizações ( com as quais eu concordo) vão servir exclusivamente , para manter os erros que há muito existem.
Juros da dívida duplicam
Todos sabiam mesmo os que andaram a dizer a Sócrates o contrário, mas os juros constituem uma ameaça séria para o desenvolvimento da nossa economia.
É dinheiro que sai e que se subtrai ao PIB que não cresce, o que representa o rendimento nacional cortado de uma fatia cada vez maior.
A UE já não está com meias e aponta-nos como um grave problema e enrola-nos com a Grécia, a Irlanda, a Espanha , e a Itália, estas duas últimas com capacidade de sair do problema muito maior do que nós.
É este país, na bancarrota, que tem um primeiro ministro que nos andou a vender, como saída para a crise e para o desenvolvimento, os megaprojectos que se pagam com empréstimos cujos juros duplicaram e que vão continuar a subir, basta ouvir o “ganir” das empresas de “rating”, as mesmas que falharam estes anos todos e que não perceberam nada de nada do que iria acontecer.
De “business as usual” está aí de volta como se nada tivesse acontecido, uns enriqueceram loucamente, outros (a esmagadora maioria) além de mais pobres vão pagar tudo, e tarda que os governos apresentem firmes políticas prudenciais.
Bancos mais pequenos e separados em comerciais e em investimento, penas pesadas para quem rouba e defrauda quem o seu dinheiro lhes confia.
Cá no país, como se vai vendo, não acontece nada. O que vemos é os banqueiros a queixarem-se que vão pagar mais impostos, a ameaçar que se vão embora. As medidas a tomar para controlar a ganância têm que ser a nível global tal qual as falcatruas!
Eu pago para que políticos, banqueiros e gestores das empresas públicas se vão embora!
Os custos das contas, o Conselho de Estado e o cantando e rindo
Depois das eleições e das manobras do Orçamento do Estado, começam a aparecer as facturas de sucessivas incompetências e mentiras: a bolsa portuguesa caiu a pique por reacção às contas públicas.
Por cá há quem esqueça que se pode enganar muita gente ao mesmo tempo, mas não se engana toda a gente. E enganar os de fora é mais complicado, e os custos sobem, tal como os juros, e nem os parceiros perdoam.
Por cá temos teatro institucional, representado em nobres palcos, como o do Conselho de Estado. A preocupação da elite da República não está na dívida pública e nos seus asfixiantes custos, nas quedas de encomendas ou nos perigosos sinais de asfixia da liberdade de expressão. Nada disso. É antes com uma crise de ameaças provocada por quem não parece querer governar aquilo que ajudou a criar.
Podiam, já agora, debater o estado do tempo, que, também, merece cuidados, a pôr o país em alerta.
Certo é que o melodrama vai continuar, por outros palcos, qual trupe itinerante, porque é necessário reforçar o circo quando escasseia o pão. Ainda que se dê ares que dinheiro não é problema.
Taxas Multibanco – ganhar a dobrar
Há uma enorme tentação para cobrar taxas pela utilização das caixas do multibanco.
Grande parte dos serviços que hoje podemos obter a partir do Multibanco, obrigavam-nos a deslocarmo-nos aos balcões dos bancos onde trabalhavam uma multidão de bancários para prestarem, pessoalmente, esses serviços.
Hoje, o que vimos, é que as agências bancárias têm 2 ou 3 pessoas ao balcão porque os clientes raramente recorrem aos serviços da agência .Esta mudança na prestação dos serviços constituiu uma enorme poupança nos custos dos bancos, desde logo no pessoal das agências, na utilização de cheques e outros documentos de apoio às movimentações bancárias, e ainda no pessoal dos serviços centrais de controlo de contas e clientes.
A informática presta hoje todos esses serviços, contribuindo de uma forma muito poderosa para os lucros fabulosos dos bancos. O cliente deixou de ter uma assistência personalizada para ter uma máquina que utiliza quando necessário, contribuindo assim, para a enorme redução de custos das entidades bancárias.
O cliente continua, como não pode deixar de ser, a pagar as margens de comercialização e de intermediação bancárias, o que não pode nem deve pagar é uma sobretaxa de um serviço que se não fosse prestado através do Multibanco, seria prestado pelas agências.
Com os custos de pessoal e administrativos inerentes.
Tal taxa a ser cobrada, seria mais ums injustiça, porque os bancos já recuperaram os investimentos feitos em informática e na exploração diária, com a redução dos custos de pessoal e administrativos. Passaria a ser o pagamento de um serviço que os bancos sempre prestaram nas agências.
E quem ganha um milhão de contos por dia…







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