Lettres de Paris #7

«le comptoir d’un café est le parlement du peuple»

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E se o povo francês tem coisas a dizer! Falam bastante os franceses e em geral são absolutamente amistosos. Bem sei que a maioria das pessoas que não são francesas acha este povo antipático e arrogante. Eu, exceção feita às meninas do RER no aeroporto Charles de Gaulle, no dia em que cheguei, ainda não tive – nem das outras vezes que aqui estive – qualquer razão de queixa. Até já arranquei um sorrisinho à velhota da padaria, que tem umas baguettes excelentes. Por outro lado, o alegado racismo dos franceses também ainda não o experimentei. Quando digo que sou portuguesa ninguém me ostraciza ou me olha com pena (embora, convenhamos, no que se refere a esta última parte, devessem, por muitas razões de que agora não vamos falar).
Hoje ao jantar ali na brasserie da esquina – a Brasserie Saint-André des Arts – o empregado reconheceu-me de ter lá ido beber um chocolate quente no dia em que cheguei de armas, mas sobretudo bagagens, à Rue Suger. Reconheceu-me e apesar de eu estar sozinha – ou talvez por isso, e estes gestos dizem muito acerca de um povo – sentou-me numa mesa boa, bem no centro do café. Deve ter intuído que a mim me agrada observar as pessoas. E ali havia imensas para observar. Não levei o telemóvel a jantar e por isso estava absolutamente preparada para o meu desporto preferido: peoplespotting.

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Lettres de Paris #6

‘How would you like to die and in what form would you chosen to come back?’

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é a questão final do chamado Proust Questionnaire que hoje me entretive a ler e a fazer na Shakespeare an Company, no café, não na livraria, quando fui lá almoçar um sumo de laranja e um bagel de salmão. A resposta a esta pergunta é simples, gostava de morrer de repente, sem sentir, nem sofrer senão o minuto antes da hora da morte e gostava de regressar como Parisiense. Humana e parisiense. E, mesmo sendo pormenores, com melhores pernas e bastante mais dinheiro.
 
Bem sei que ainda há menos de dois meses declarei que queria ser nova iorquina, mais exatamente west villager, e ter uma pequena livraria. Mas acontece que me adapto facilmente aos lugares (bastante mais que às pessoas e que às situações inesperadas), sobretudo quando os lugares são assim. Cinematográficos, e também por isso familiares. Portanto, como já disse tantas vezes e em tantos contextos, eu poderia ser bem de qualquer parte, ou de quase toda a parte. Basta um pouco de reconhecimento, familiariedade e cinema. Voilá.
 

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Lettres de Paris #5

La sociologie est un sport de combat*,

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estava escrito no chão mesmo em frente ao Collège de France, na Rue des Écoles. Ontem também passei lá mas não ia, talvez, de olhos no chão. Vi isto ao fim da tarde, quando regressava do Ladyss, onde não estava praticamente ninguém. Conheço muita gente que trabalha em casa. Eu não sou exatamente uma dessas pessoas. Quer dizer, corrijo testes, leio artigos e teses, mas escrever não consigo a partir de casa. Escrever com alguma substância, quero dizer. Desde pequena sempre separei um pouco o trabalho da casa. A casa é sobretudo para descansar e para realizar tarefas menos pesadas. Estudar e trabalhar a sério é uma coisa que sempre fiz fora de casa. Os meus colegas não parecem pensar o mesmo, de maneira, que tive o Ladyss praticamente por minha conta. Minha e do porteiro que fala muito depressa, mas hoje me disse que ia começar a falar comigo ‘plus doucement’. Agradeci-lhe. Fala depressa e para dentro e odeia aparentemente o trabalho que tem. Pelo menos queixa-se muito. Talvez gostasse de ir trabalhar para casa também.

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Lettres de Paris #4

Hollande: peut-il y aller? Ou la ‘jungle’ à Paris

Vejo na televisão (que só tem canais em francês) que se as eleições presidenciais em França fossem hoje, Marine Le Pen teria 28% dos votos. Alain Juppé a mesma percentagem. Aflige-me que Le Pen esteja em primeiro nas intenções de voto. Como me aflige, malgré tout, que apenas 9% dos franceses declarem que votariam em Hollande. Não é que tenha especial simpatia por ele, mas tenho seguramente menos por Le Pen e por Juppé. De facto anunciam agora mesmo na tv, enquanto em rodapé passa a notícia de um novo desmantelamento da ‘jungle’ de Calais*, a insatisfação dos franceses com Hollande. Não é à toa que a direita sobe nas intenções de voto, quando na televisão, nos canais de notícias, aparecem constantemente as imagens da dita ‘jungle’. Aliás, só o nome é já todo um programa ideológico.
Em Paris há muitos sem-abrigo e pedintes. Hoje, por exemplo, vi um homem deitado ao comprido no cruzamento da Rue Danton com o Boulevard Saint-Germain. Ali, estendido, descalço, enquanto à sua volta a cidade se movimentava indiferente. Olhei para o homem e baixei-me, mas parecia estar a dormir, talvez bêbedo, talvez apenas cansado da selva que podem ser as cidades. Sendo que Paris, apesar de toda a sua beleza, não é uma exceção. À saída do supermercado, um homem disse ‘Madame, vous n’avez pas un euro?’. Não lhe dei o euro, mas agora penso que talvez devesse ter-lho dado. Afinal o que é um euro, numa cidade onde um café, de qualidade muito duvidosa, custa, no mínimo, 2,5 euros ou uma água de 50 cl custa mais de 4? Não lhe dei o euro porque vinha carregada de sacos de compras, que com dificuldade transportei até casa. Podia ter-lhe dado uma maçã, mas talvez a não quisesse.

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Lettres de Paris #3

Le monde est tout petit

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Esta é uma carta curta, como ontem prometi que vão ser a maior parte das cartas de Paris. Fui hoje ao centro de investigação onde terei um lugar e uma secretária. A minha colega trabalha sobretudo a partir de casa, como a maior parte dos outros colegas, mas eu creio que preferirei trabalhar lá, mesmo porque a minha ligação vpn à universidade de Aveiro não quer funcionar no meu computador e, bem, a partir de lá tudo será – espero – mais fácil. Digo espero porque hoje apenas reuni com a Aline. Ideias há bastantes, não sei se haverá tempo para as concretizar. Mais tempo dela, quero dizer, que anda muito atarefada com o trabalho de campo.
Fui, então, à hora combinada à Rue Vallete. Fui devagar, chovia, eu tinha tempo. Parei no café ao fundo da rua – Le Metro – e comi un croque madame. Depois subi a rue des Carmes e a seguir, já na Rue Valette entrei no LADYSS. As pessoas parecem-me todas simpáticas. Parece-me que apreciam igualmente o meu esforço para falar francês, mesmo se falo com imensos erros, sobretudo dos tempos verbais. Acho que acabarei por melhorar isso. A reunião com a Aline foi toda em francês, mesmo porque ela deixou bem claro, desde o início que se recusava a submeter-se à ditadura do inglês. De facto, publica – como atualmente a maioria dos franceses – sobretudo em francês. Podia ter começado um debate com ela sobre a importância de haver uma língua comum, na qual possamos entender-nos, mas depressa compreendi que não valia a pena.

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Lettres de Paris #2

Mon coeur qui bat

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Vou passar a escrever cartas pequenas, sobretudo porque estou aqui para trabalhar, embora Paris tenha distrações para me entreter para o resto da vida. A própria cidade, com os seus recantos, cafés, esplanadas, fontes, pontes, monumentos e o Sena. Devia dizer A Sena, visto que em francês o Sena é feminino e compreende-se.
Saio da Maison Suger já passa bastante do meio dia. Dormi mal e pouco. Quando me levanto e abro a janela, vejo o sol e o céu azul e animo-me, apesar do cansaço. Percorro a Rue Suger até encontrar a Place Saint-André des Arts e logo depois a Place Saint-Michel. Fico um bocadinho a admirar este domingo nas duas praças e atravesso a estrada para a Pont Saint-Michel. Ali está A Sena e ali está a Catedral de Notre Dame e ali está esta paisagem tão familiar de quase todos, mesmo daqueles que nunca aqui vieram. Peço a uma rapariga loira que me tire uma fotografia. Ela tira mas aconselha-me (deve ter sido por causa da máquina) a ‘faire attention aux pickpockets’. Rio-me e digo-lhe que sim, farei. Não é que faça, na verdade, quero dizer, não ando na rua a pensar que vou ser assaltada. Até hoje só fui assaltada uma vez e foi na minha própria cidade, dentro de um supermercado.
Deixo a rapariga e os seus conselhos e atravesso a ponte. Percorro os poucos metros que me separam da Notre Dame e constato que não há muitos turistas. Quase nenhuns, o que me agrada. Volto a atravessar para o outro lado, na Petit Pont, mesmo em frente à belíssima livraria Shakespeare & Company. Entro um bocadinho e ponho-me a folhear A Moveable Feast (em português Paris é uma Festa) do Hemingway, numa versão supostamente revista. Talvez o compre e o releia na língua em que foi escrito. Mas hoje não comprei nada, a não ser comida e um bilhete de cinema. Da livraria vou pela Rue Saint-Julien Le Pauvre, passo a igrejinha onde se concentram, à entrada, as pessoas que saem da missa e aprecio a calma de Paris, neste domingo com sol e céu azul. Mais à frente bebo um café na esplanada do San Severin, mesmo diante da igreja com o mesmo nome, e tenho mesmo que tirar o casaco, por causa do sol que me bate em cheio.

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Lettres de Paris #1

I guess this is my lucky day

Esta carta começa antes de Paris. Em Amsterdão, onde dormi até quase às 10 da manhã, tranquilamente, junto ao Amstel e à Magere Brug. As senhoras da receção hoje parecem-me mais simpáticas, sobretudo depois do pequeno almoço, quando me dizem que arranjaram um homem forte para me carregar a mala. De facto, o rapaz era gigante e louro e carregou-me a mala pelas escadas abaixo sem um ai nem um ui. Deduzi, portanto, que as senhoras da receção teriam razão. Apanhei um táxi para a estação, mas afinal fui até ao aeroporto de Schiphol com ele. Fez-me um preço camarada, um pouco mais caro do que custaria o bilhete de comboio e a corrida até Amsterdam Centraal.
 
Cheguei ao aeroporto, apesar de ter já feito o check in online com bastante antecedência. O peso da mala preocupava-me. Efetivamente, os mesmos 25 quilos com que saí de Lisboa. A menina do drop off informou-me que teria de pagar uma exorbitância (nem vos digo quanto, por vergonha) pelos dois quilos a mais. Disse-me que fosse ao cashier da KLM pagar a exorbitância. A mala ficou com ela, para meu alívio. Quando cheguei ao balcão do cashier, ia danada comigo mesma e com os dois quilos a mais e com a exorbitância. O homem estende-me um novo cartão de embarque e diz que não tenho de pagar nada. Surpreendo-me. E ele diz que no ‘sistema’ (whatever that means) estão registados ‘apenas’ 23 quilos. Eu digo que não é possível, que a menina do drop off me mandou ir ali pagar. Ele insiste que está tudo em ordem. Eu repito que tenho de regressar à menina com o comprovativo do pagamento. O homem consulta uma senhora alta e loira que deve ser a chefe. Ela diz que não me preocupe, que o que está registado no ‘sistema’ é que conta. Acompanha-me à menina do drop off. Confirma-se que apenas registou 23 quilos. Diz que o erro foi dela. A chefe diz-me que vá para as portas de embarque e não me preocupe. Eu agradeço-lhe e digo ‘I guess it is my lucky day’. Ela ri-se e deseja-me boa viagem. Eu penso ‘bendito sistema’ que me fez poupar uma exorbitância.
 

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O que vai ser o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa

De Cavaco não sei se volto a falar. Tenho este péssimo hábito de não gostar de bater em mortos.
Acerca de Marcelo Rebelo de Sousa. Pela amostra – 10 de Junho em Paris – já se percebeu ao que vem o estacionador no lugar dos deficientes. Ou me engano muito ou vai passar mais tempo lá fora do que cá dentro. Tipo Mário Soares no primeiro mandato.
Esbanjando simpatia. Esbanjando afectos. Durante 5 anos, vai trabalhar para ser reeleito com uns 70%. E depois sim, num segundo mandato, tratará de bater no Governo que então estiver em funções, sobretudo se for de Esquerda. Tipo Mário Soares no segundo mandato, mas ao contrário.
Ainda assim, acredito que não fará pior do que Cavaco. Dificilmente um ser humano normal conseguiria tal feito.

Ne me quitte pas

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Foi ao som de “Ne me quitte pas” de Jacques Brel que Bono Vox, ajoelhado,  fez a homenagem dos U2 a Paris e encerrou a iNNOCENCE Tour.

Ver Bono ajoelhado fez-me pensar na política francesa e europeia. Está quase a fazer um ano que regressei a Paris e voltei a ver/sentir o que já tinha visto e sentido poucos anos antes. Desconforto.

Desconforto de muitos franceses, portugueses, africanos ou asiáticos que se sentiam (e sentem) “abandonados” por um conjunto de políticas internas descuidadas que os atiram para os braços da Frente Nacional, uma espécie de “lado negro” da política francesa. E as últimas eleições em França (tanto as europeias como agora as regionais) são disso testemunha.

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“Sitting ducks”

Entristece-me e revolta-me o patético espectáculo, que a televisão diariamente nos oferece, de Paris polvilhada de soldados na sua pose de alvos passivos, peões de uma estratégia absurda de políticos com necessidade de mostrar testosterona e afirmar a sua virilidade.
Na verdade, não é preciso ser especialista para se perceber que quadricular uma cidade desta envergadura e ocupá-la com forças militares cria mais riscos que os que evita, não dissuade terrorista nenhum – antes o avisa – e, sobretudo, é usar desadequadamente tropas que estão longe de ser apropriadas para tarefas de segurança e ordem pública, objectivos muito mais adequados às várias modalidades de policias, elas sim, preparadas para o efeito. Só no caso de uma operação especificamente militar deveriam ser as forças armadas activadas. [Read more…]

O tempo e os ódios

Santana Castilho*

Já se disse muito sobre o fanatismo religioso, que reduz a zero séculos de civilização. A barbaridade que Paris acaba de viver, mais uma, fez-nos retomar o tema, mantendo-se, na maior parte das análises, o foco apenas apontado ao fanatismo religioso: de um lado os “maus”, do outro os “bons”. Talvez devêssemos ampliar o campo das análises, para responder a perguntas que deveríamos estar a formular, com o intuito de intervirmos, de modo mais eficaz, nas nossas escolas e na nossa sociedade.

Comecemos por recordar algumas, apenas algumas, de tantas outras barbaridades recentes, cujos autores pertenciam às comunidades que atacaram:

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Guerra e paz? Educação! Mas, sem deixar de fazer a GUERRA

O silêncio das teclas tem monopolizado o meu teclado. Por mais que tente, não consigo encontrar coerência na reflexões sobre a problemática do terrorismo. Hoje, ao fazer um minuto de silêncio com os miúdos, dei por mim a desejar que eles possam ter direito a um futuro de liberdade e em segurança.

Procurei pensar no que poderia ser feito para resolver o problema. Pensei nas armas que Espanha e outras Espanhas vendem à Arábia Saudita, que depois as fornece ao DAESH.

Pensei nas vantagens estratégicas que Israel tira da instabilidade no médio oriente, algo que lhe permite manter a lógica da guerra permanente.

Pensei no petróleo necessário ao modo de vida ocidental que, dividido entre grupos de árabes, será sempre mais “controlado” do que num contexto de união de todos os povos árabes.

E até me lembrei das bestas quadradas que, nos Açores, avançaram para o ataque ao Iraque.

Mas, por agora penso que há duas coisas muito mais urgentes:

  • atacar o DAESH em FORÇA e com todas as bombas que cada um de nós conseguir suportar;
  • desenhar um projeto de propaganda à escala europeia que permita levar aos jovens árabes uma mensagem diferente, algo que lhes apresente um sentido para a vida, que consideram perdida. Mais escola?

E, mesmo correndo o risco deste post não ter servido para nada, pelo menos servirá para a manifestação de apoio aos Anonymous.

Será que o Bataclan foi escolhido por acaso?


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Será que o DAESH escolheu, por mero acaso, a sala de espectáculos francesa do Bataclan para perpetrar um dos mais bárbaros ataques terroristas da história?

Se tivermos em linha de conta que o A=1, B=2, C=3, e por ai fora, B+A+T+A+C+L+A+N corresponde a 2+1+20+1+3+12+1+14 que corresponde a 54 que, por sua vez, corresponde à idade com que morreu Osama Bin Laden.

Esta será a fórmula ( B+A+T+A+C+L+A+N = 2+1+20+1+3+12+1+14 = 54 ) que pode ter estado subjacente à escolha do local do atentado pelo DAESH para ” homenagear ” o antigo líder da Al-Qaeda.

Nota: Este post foi apagado por lapso. Verificado o erro foi republicado a partir da cache não tendo sido possível recuperar os comentários contudo estes poderão ser consultados aqui.

A ver se nos entendemos

Obrigado.

“Sympathy For The Devil”

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what’s puzzling you
Is the nature of my game

 

O Mundo a uma só voz contra o terrorismo

No passado Sábado, num momento comovente, a Metropolitan Ópera de Nova York dirigida por Plácido Domingo, tocou inesperadamente a Marselhesa, em homenagem aos 129 mortos e 352 feridos inocentes, resultado dos gratuitos ataques terroristas, de sexta-feira, dia 13 Novembro, perpetrados em Paris.

O Mundo, em uníssono a uma só voz, contra o terrorismo do Daesh e não de um estado islâmico que não existe.

O auto intitulado estado islâmico nunca vai passar de uma tentativa de criação frustrada de alguns radicais extremistas do respeitado mundo Muçulmano.

Culpem o Heavy Metal


A TVI 24 faz-nos saber que os prisioneiros de Guantanamo foram expostos a música em altos berros, música… H-e-a-v-y M-e-t-a-l. E como no Bataclan tocava ontem uma banda de heavy metal (o que nem é verdade), será que há relação entre a música e o banditagem a que assistimos ontem em directo?
“É só uma coincidência? É só um pormenor que nos ajudar a compreender o que se passou em Paris?”
E como sobreviveremos a este “novo tipo de terrorismo que, por acaso, repara, até já tem comunicações por satélite?”

A música que importa

“Imagina que não há países,
Não é difícil se tentares,
Nada por que matar ou morrer
E nada de religiões
Imagina todas as pessoas
A viver a sua vida em paz

Podes dizer que sou um sonhador
Mas não sou o único a sonhar
Espero que um dia te juntes a nós
E o mundo seja uno e apenas um”

John Lennon, Imagine, 1971
[adapt.]

O que responder?

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Voltaire, Dicionário Filosófico, excertos do artigo “Fanatismo”:

Resumindo, todos os horrores de quinze séculos podem ser renovados num só, desde as pessoas sem defesa chacinadas aos pés dos altares, dos reis esfaqueados ou envenenados, um vasto Estado reduzido a metade pelos seus próprios cidadãos, desde a nação mais belicosa até à mais pacífica dividida pela espada desembainhada entre o pai e o filho, os usurpadores, os tiranos, os executores, os parricidas e os sacrilégios violando todas as convenções divinas e humanas pelo espírito da religião: cá está a história do fanatismo e dos feitos.

Não há outro remédio a esta maldita epidemia que o espírito filosófico, que espalha, passo a passo, os costumes dos homens e que impede os acessos do mal. As leis e a religião não chegam para lutar contra a peste das almas. A religião, longe de ser um alimento salutar, torna-se um veneno nos cérebros infectados. Os miseráveis inspiram-se sem cessar no exemplo de Aod que assassinou o rei Églon; de Judith que cortou a cabeça de Holopherne enquanto dormia com ele; de Samuel que desfez o Rei Agag; do padre Joad que assassinou a sua rainha etc. etc. Eles não percebem que estes exemplos, que são respeitáveis na Antiguidade, são abomináveis no tempo presente: eles põem a sua loucura na própria religião que os condena.

O que podemos responder a um homem que te diz que prefere obedecer a Deus que aos homens e que em consequência disso ele está certo de merecer o céu por te matar?

Os líderes dos fanáticos, que colocam os punhais nas suas mãos, são uns velhacos maliciosos. Eles assemelham-se ao Velho da montanha que, diz-se, deu às pessoas fracas uma pequena amostra do paraíso, prometendo-lhes uma eternidade de tais prazeres, desde que eles matassem todos aqueles que ele lhes ordenasse. Em todo o mundo só uma religião não foi conspurcada pelo fanatismo, a dos literatos chineses. Quanto aos filósofos, em vez de serem infectados por essa pestilência, eles foram um remédio contra ela pois o efeito da filosofia é compor a alma e o fanatismo é incompatível com a tranquilidade. Relativamente à nossa santa religião ter sido tão corrompida por estes infernais impulsos, é a loucura dos homens que se deve culpar.

O autodenominado Estado Islâmico

acaba de reivindicar os ataques de ontem.

Tiroteio em Paris

Informações actualizadas, no Libé.

Paris é o destino final da troika

«O Grexit é usado para gerar o medo necessário para forçar Paris, Roma e Madrid a aceitar. O plano de Schaüble é pôr a troika em todo o lado, mas sobretudo em… Paris! Paris é o grande prémio.» Yanis Varoufakis [Fonte: Libération]

Paris a arder

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© Laurent Troude

Manifestação pró-Palestina em Paris (19 de Julho de 2014). Esta tarde, e embora interditada pelo Ministro do Interior, preocupado com o anti-semitismo, deverá haver outra. O Novo Partido Anti-Capitalista apela à mobilização dos parisienses

O Hollande é um krido

Depois de uma manifestação de apoio aos palestinianos ter acabado mal, andamos numa daquelas rotinas de o governo de Israel atacar a excessiva densidade populacional de Gaza diminuindo o número de vivos ali residentes, o governo do Partido Socialista Francês decidiu patrocinar a seguinte, proibindo-a.

Como não chegasse, estava tudo a decorrer ritualmente, quando a polícia de Hollande actuou:

[via reportagem do Le Monde]

Perfeito. A cruzada Helena Matos adorou, adorou, adorou.

É disto que falamos quando falamos do que sobra da Internacional Socialista. Acreditar que destes partidos pode vir decência, é um repetido logro. Quem ali ande e seja social-democrata está condenado a fugir, mais cedo que muito tarda. Valha-nos S. Pasok, e de uma forma ou outra estes partidos caminharem para seus seguidores.

Paris

a arder? Será?

Ricoré, a Gaiola Dourada e Pedro Abrunhosa

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Numa daquelas coincidências felizes, vi o filme “Gaiola Dourada” ao mesmo tempo que no iTunes ficava disponível o novo álbum de Pedro Abrunhosa.

Ao ouvir a fantástica “Para os Braços da Minha Mãe” (dueto entre Abrunhosa e Camané) e ao ver a “Gaiola Dourada” dei por mim a pensar nos milhões de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.

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We will always have Paris…

O presidente francês François Hollande resolveu responder à Comissão Europeia sobre a forma “abusada” com que a CE se intrometia nos assuntos internos do seu País e disse: “Bruxelas não tem nada que ditar o que Paris deve fazer”. Segundo a imprensa Francesa, Hollande encostou Bruxelas às cordas.

Eu cá que não sou de intrigas, nem tão pouco de esquerda mas, no entanto, fervorosa benfiquista, parece-me que posso dizer que por cá esta receita sempre seria mais bem vista do que qualquer pedido de simpatia. Não?

João, vai, por mim, ver a selecção!

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Hoje, não posso. Os governantes do meu país, de tanto entrarem no que me era devido, castraram este desejo de estar aí. Mas, este mês, de primeira comunhão do meu afilhado, de inspecção do carro, de selo do carro, do seguro do carro e de outras despesas que vêm sem a gente contar, não posso sair do meu pedaço, tenho de reger parcimoniosamente o que me é depositado pela Segurança Social. Eu sei que até me pagavas a viagem, mas a minha vida tem de ser vivida com o que me dá, não com o que me podem dar, mesmo um primo como tu.

Por isso, João, tens de me representar no estádio. Com bandeira e cachecol, a gritar como eu gritaria.

Eu, apenas vou dizer, a quem me lê, quem és. Porque quero que me representes. E, já agora, falar dos outros primos que por aí passaram. Por Paris. Abraço. [Read more…]

Paris à nossa espera

wlhoxkey parisA selecção nacional masculina de hóquei em campo parte este sábado para Paris, onde vai aterrar pelas 09h30 (voo TP452), a fim de disputar a segunda ronda da Liga Mundial. Se já foi um feito, um marco histórico, o apuramento para esta fase, ultrapassá-la seria um milagre. Todos sabemos, no entanto, como os milagres estão caros!

Mas vamos lá por partes: os 110 pontos que Portugal tem, correspondentes à 50.ª posição num ranking que contempla 73 países, vão ser postos em causa pelos 1 698 da Bélgica, 9.ª classificada, com quem se bate no dia 6 de Maio, pelas 13h00; no dia seguinte, será a vez de defrontarmos, pelas 18h00, a França, que, para além de jogar em casa, está em 17.º lugar, com 953 pontos; Portugal descansa na quarta-feira, voltando a jogo no dia 9 de Maio, pelas 13h00, com o Canadá, 1 139 pontos, 14.º lugar mundial. À laia de informação, diga-se que o 1.º classificado do ranking masculino, a Alemanha, tem 2 528 pontos. [Read more…]

Boa noite.