Que fazer com esta vitória, François?

François Hollande conseguiu hoje o mais fácil: derrotar Nicolas Sarkozy.

Sem ter obtido uma vitória retumbante (cerca volta de 4% a separá-los à hora a que escrevo), Hollande fez-se eleger como segundo presidente socialista da França. Sarkozy, por seu turno, tornou-se o primeiro presidente não reeleito.

Agora Hollande vai descer à terra e confrontar-se com questões fundamentais. Romperá ou continuará o caminho que têm levado os socialistas europeus, a chamada terceira via? Manterá a promessa de taxação das grandes fortunas? E as outras promessas de campanha? Aumentará a solidariedade europeia? Dará passos no sentido de maior integração europeia? Conseguirá concretizar os eurobonds? Será capaz de ter voz política face ao primado actual da economia? Como se relacionará com Merkel? Terá peso, perante ela, para influenciar e conseguir mudanças que não sejam apenas cosméticas? E como lidará com os fantasmas franceses, em particular a emigração e o avanço da extrema-direita?

Estas são algumas das questões cuja resposta fará toda a diferença ou quase nenhuma. Que vais fazer com esta vitória, François?

PSD e CDS perdem as eleições em França

A derrota de Sarkozy não é suficiente para acreditar que a Europa se vai transformar num bloco solidário, deixando de ser uma multidão que marcha ao ritmo dos tambores alemães, tenha ou não pernas para isso. Hollande oferece-me tanta confiança como António José Seguro e, portanto, ficarei à espera de saber que promessas irá deixar de cumprir e se se irá desculpar com os erros do antecessor ou com as combinações prévias com o vizinho germânico.

Uma coisa é, para mim, iniludível: mesmo tendo escolhido Hollande como mal menor, houve uma multidão de franceses a votar contra a austeridade cega, contra a macroeconomia distante, ou seja, contra as políticas seguidas pelo governo português.

É oficial: Merkolland ou Hollandmerkl, eis a questão

O Partido Socialista Francês volta ao poder. Não será a esquerda, mas já não é a direita.

Vive la France!

Para seguir a contagem de votos da Grécia…

… que em França o assunto parece arrumado, use o Vias de Facto. Entre outras vantagens ali não se metem nazis e esquerda no mesmo saco.

Eleições na Grécia e na França: troicaram-lhes as voltas?

Pelas primeiras sondagens a noite promete: a Europa passa a ser governada por Merkholland (o que não é bem a mesma coisa), e os partidos da troica podem não ter maioria no parlamento grego (onde convém não esquecer que uma muito peculiar noção de democracia oferece 40 deputados ao partido mais votado). Syriza, o BE grego, pode mesmo ter ganho as eleições na Atica. E a Atica, é Atenas…

Eu vi o debate Hollande/Sarkozy

Eu vi o debate Hollande/Sarkozy. Eu vi Hollande seguro de si, em pose presidencial, encostar Sarkozy a um canto. Eu vi Sarkozy perder a compostura e chamar pequeno caluniador a Hollande. Vi chamar-lhe Pôncio Pilatos. Vi Hollande quase hirto, de braços cruzados sobre o peito, avançar argumento atrás de argumento enquanto Sarkozy se desmanchava na cadeira em sofrida incomodidade. Eu vi os olhos de Sarkozy buscando compreensão e socorro. Vi aquela série fulminante de estocadas “Moi, président de la république,…”. Vi a surpresa e admiração no rosto dos jornalistas face a Hollande. Eu vi que, para a Europa, não é indiferente a eleição de um ou de outro. Vi aquele a quem chamavam frouxo tornar-se forte e o dito forte afrouxar. Vi que ambos se passeiam com antigos cadáveres no armário. Eu vi.

E vi que, até para Portugal, é mais importante esta eleição do que uma qualquer eleição presidencial entre portas, mesmo que os portugueses possam pensar o contrário.  O senhor que se sentar no Eliseu vai determinar mais as nossas vidas do que quem quer que se sente em Belém. Eu vi o debate Hollande/Sarkozy e gostei mais da Europa a que Hollande se refere. Domingo, os franceses escolherão.


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Bandex foram à caça

de Juan Carlos.

May Day

(Photo by Lee Lockwood//Time Life Pictures/Getty Images)

The effectiveness of the state-corporate propaganda system is illustrated by the fate of May Day, a workers’ holiday throughout the world that originated in response to the judicial murder of several anarchists after the Haymarket affair of May 1886, in a campaign of international solidarity with U.S. workers struggling for an eight-hour day. In the United States, all has been forgotten. May Day has become “Law Day,” a jingoist celebration of our “200-year-old partnership between law and liberty” as Ronald Reagan declared while designating May 1 as Law Day 1984, adding that without law there can be only “chaos and disorder.”

Noam Chomsky. Necessary Illusions: Thought Control in Democratic Societies.Boston: South End Press, 1989, p. 29.

A cantiga da rua, hoje na Noruega

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Milhares de noruegueses saíram à rua para cantar a canção que Breivik odeia

O multiculturalismo (vejam lá: uma canção norueguesa inspirada noutra do comuna Pete Seeger) juntou 40 000 cidadãos na rua, só porque Anders Behring Breivik declarou em tribunal que a cantiga lhe provoca os suores frios que nossa querida extrema-direita sente nos passos de uma Grândola Vila Morena.

Aguardemos até a blasfema insurgência nacional descobrir aqui a perdição da raça e o princípio do fim da superioridade da civilização cristã ocidental.

Indignai-vos!

Indignai-vos!, uma palavra escrita sobre fundo vermelho na capa do livro de Stéphane Hessel (1917). Um livro publicado em 2011 e que andou nas «mãos dos cidadãos mais indiferenciados» em todos os locais públicos em França.

Deve ter muito para dizer um homem que conheceu praticamente todo o século XX, que privou com Sartre, que se juntou a De Gaulle, que recebeu a influência de Walter Benjamin, Marcel Duchamp ou Picasso, e que ainda redigiu, com poucos, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adoptada pela ONU em 1948.

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Israel legaliza três colonatos na Cisjordânia

Como podem legalizar alguma coisa se ocupam ilegalmente grande parte da Cisjordânia?

O Breivik de Pyongyang

O Querido Sucessor, pela voz de uma bastante iracunda leitora de telejornais, anunciou que a Coreia do Norte vai desenvolver “acções especiais” contra o Chefe de Estado da Coreia do Sul. Mais acrescenta o pormenor da duração das ditas acções que não deverão ultrapassar os “três ou quatro minutos, obedecendo a métodos peculiares ao estilo zuche“. Ficamos na incógnita. O que quererá dizer o camarada Kim? Talvez fosse melhor questionarmos o admirador Bernardino Soares, perito na matéria.

Calcula-se…

Crespo na RTP Washington!, manda o Relvas

Só mudam as moscas, a merda continua a mesma

Frase de Brito Camacho

Manuel de Brito Camacho, alentejano de Aljustrel, médico, militar e político célebre da 1.ª República, deixou um legado de declarações intemporais, à semelhança de Eça de Queiroz em ‘Os Maias’ com a sentença: “Isto não é um país, é um local sujo e mal frequentado”.

Crespo, um impoluto e acérrimo defensor da justiça e da liberdade, em Portugal

Tem cumprido aos políticos, a maioria gente de ralé oportunista e tecnocrática, promovida nas últimas décadas a personagens influentes e com poderes de decisão, a formatação e o conteúdo do modelo de organização política, económica e social da Nação – conceito em crescente consolidação na Europa, como demonstraram os votantes em Marine Le Pen.

Na hora actual, e em resultado da miopia de centrarem em Sócrates todas as responsabilidades dos nossos males, a técnica de escolher um inimigo comum – e fui sempre crítico duro de José Sócrates – não passa de um discurso retórico doentio, estafado, redutor e sectário, porque se é verdade que endividou o país em quase 50% do PIB, também é inegável que, antes dele, já havia outra fatia de 50% de endividamento público da responsabilidade de terceiros.

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Pimenta no anal dos outros para ele é vaselina

Rajoy: “Entregar el petróleo a extranjeros es de un país de quinta“.

Ah, ça ira…(?)

O homem é escandalosamente rasca. Ordinário a fazer justiça ao péssimo porte, língua viperina para a graçola de beco de doca e um espectacular baú de sempre esperadas vulgaridades, este perfeito bon à rien foi um poço de promessas e de todos os arrivismos, tudo fazendo para chegar a este resultado. Vencido à tangente por um molusco, tem a Sra. Le Pen a morder-lhe as canelas. Quanto ao resto, já se confirma aquilo que todos desconfiávamos: o fulano que tanto podia ser candidato pela extrema-direita como pela extrema-esquerda, a coqueluche do luso Bloco, ficou perto daquele residualismo que pouco conta, apenas sobressaindo entre outras ninharias presentes no cortejo.

O que a França tem visto nestes últimos 40 anos, roça a risota em pleno teatro do guignol: o Giscard dos negócios vergonhosos e do petit commerce africain, o Mitterrand das escutas, silenciamento de opositores, mortes misteriosas e semeador de sedíciais, o Chirac semi-presidiário militante e agora isto que ainda está e aquilo que talvez venha, são  um panorama desolador. Ao pé disto e , por incrível que vos possa parecer, quase tudo o que temos visto em Belém, mais se assemelha a uma plêiade de arquiduques da Casa de Áustria, príncipes florentinos e grãos-duques do Sacro Império, Cavaco Silva incluído.

A ideia de um país que teve Luís IX, Henrique IV, Luís XIV, os dois Bonapartes e até De Gaulle como Chefes do Estado, ver-se reduzido a uma vitrina do bordel cor de rosa da dupla Sarkozy-Bruni, é sintomático. Enfim, c’est ça, la république.

Em França

é hora de mudar? E a Europa?

Vive la Farce et le Farceur!

Como Berlusconi, em Itália, e Sócrates, em Portugal, cada qual no seu papel desastroso, Sarkozy tornou-se gradualmente odioso e desconfortável à crítica política interna e externa, apenas pela lógica que cultivou da sua inevitabilidade, coisa inoculada na opinião pública local, pela demasiada e perversa afeição ao Poder, pelo jogo sujo da batalha política e pela demarcação do Estado Francês, através de comparações oportunistas, de Espanha, Portugal, Itália, tudo para capitalizar dividendos eleitorais a par da tentativa de colagem a Merkel com o cuspo da lisonja. É como se a encalacrada republique française não tivesse senão que acomodar o neo-bonapartismo sarkozyano e dar-se por muito bem zelada e servida. Acontece que, ao contrário do tarado Berlusconi e do larápio Sócrates, Sarkozy é manifestamente mais competente e mais patriota. E, na verdade, não há mais ninguém que valha aos franceses e sinalize ao exterior o que urge sinalizar. Farsa por farsa, é preferível escolher uma apesar de tudo um tudo nada virtuosa.

A Argentina explicada aos mentirosos

pelo João Rodrigues. Sim, mentirosos, não tenho a mínima dúvida de que esta gente sabe mas mente. E é paga para isso.

Fotografias dos soldados americanos

Mais uma vez as imagens da nossa civilização no LA Times. E não admito o debate publique-se ou não se publique. O debate é: a guerra serve para isto? É esta a FORÇA da Democracia?

Pediram-lhe desculpas? Quando?

O Rei de Espanha feriu a sensibilidade dos espanhóis. Partiu de férias quando não devia e em Monarquia, o dever é tudo. Pela primeira vez na história do país vizinho, um titular de um cargo político escusa-se por um erro. O Rei foi o primeiro a fazê-lo. É natural, por isso mesmo é o Rei.

Mas sendo nós portugueses, convém termos a consciência disto: já alguém, alguma vez lhe pediu desculpa? [Read more…]

E se te calasses Juan Carlos?

Rei de Espanha pede desculpa.

Um plebiscito diário: a Monarquia

Sem sequer recorrermos às elaboradas teses velhas de séculos que consolidaram ou pelo contrário procuraram minar o poder real, parece-nos certo atalhar e colocar como padrão esta verdade insuspeita e indesmentível: o edifício monárquico do Estado é o mais justo, mais estável e aquele que propicia a melhor harmonia social.

O Rei João Carlos I cometeu um erro crasso, dando o gosto ao dedo no gatilho. Desde sempre a caça me pareceu uma coisa detestável e ainda criança, vivendo no paraíso cinegético que era Moçambique, sempre me recusei a esse tipo de “cretinismo escopeteiro”. No caso em questão, um disparate imperdoável, uma indecência.

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PPP e o Petróleo Argentino, um combustível original

Uma PPP, sabe-se, é  suportada por contratos legais, fortemente blindados. Independentemente dos serviços abrangidos, vias de comunicação, transporte, unidades de saúde ou outros, é objectivo dominante o sector público garantir resultados lucrativos aos privados, sob esquemas e condições pré-estabelecidos na blindagem contratual.

Portugal, infelizmente, tornou-se um ávido e insaciável utilizador do modelo, desde os tempos de Cavaco Silva, apontado como excelente aluno de Margaret Thatcher, a fundadora e catedrática na matéria, na Europa e no Mundo.

Sabemos, pois, o que é de facto uma PPP e que esta não tem a mínima analogia com processos de nacionalização ou de privatização. Apenas por desconhecimento ou má-fé, se pode afirmar que renegociar PPP é equivalente à deliberação da Presidente Argentina nacionalizar 51% de capital da YTF, propriedade da Repsol. Mas a manifestação de falta de bom senso ainda se torna mais acentuada, quando o autor reincide num raciocínio idêntico em relação à Venezuela. A mistura de PPP com Petróleo Argentino já seria um combustível original, para fazer arder a paciência a alguém ajuizado. [Read more…]

O sol, e também a lua, nascerá para todos nós

Sendo que duas coisas perdi pela mesma idade, a virgindade e a ilusão de que um país pode ser o farol do mundo, e ganhei outras, como a de aprender que a  história pode andar muito depressa quando pensamos viver muito devagar, a certeza de que vamos dar a volta a isto, via-a ontem, quando o mundo se deitou assim:


E viva a Argentina. O que se privatiza também se nacionaliza. Um dias destes é  a vossa vez de terem medo.

fotografia de Juan Cruz Ordóñez

Também há ministros à rasca

Esperamos que esto no sea el principio de una escalada”, disse Juan Manuel Soria, ministro do governo empossado pelo assassino de elefantes perante a nacionalização do saque da Repsol à Argentina.

Afinal parece que há alternativas

E o caminho não é vender tudo aos privados.

Viva o Rei

O Rei vai nu!

Da Guiné

“Apelo dramático à comunidade internacional”
Na Guiné prendem-se os de opinião diferente. Cá não, que isto aqui é uma democracia.

O Twitter suspendeu misteriosamente contas de apoio a Saif Al Islam Gaddafi

The Ongoing Killing Of Saif al Islam Al Gaddafi It’s a Reality also on Twitter!

PS.: This List Will Be UPDATE – We Listed 17 accounts But More than 35 were reported To Us. We Also Inform that almost of the accounts Supporting Saif al Islam al Gaddafi and Green Resistance are Banned From Public Timline. It’s Notorious The Twitter Support to Libyan Rebels Given Them Visibility in Search, and the Phenomenon of Hundreds of Fake accounts spreading Strategic News about Saif is a Banality.

PS.: Is This People who are claiming Justice: Check. [Read more…]

Morram mais cedo, a bem ou a mal

Imagine que escrevia aqui que um organismo internacional, ligado à ONU, sugeriu aos governos deste mundo que baixem as pensões de reforma dado o risco de as pessoas viverem mais tempo do que aquele que está previsto, dando cabo da economia, recomendando mesmo que a idade de reforma se aproxime da esperança média de vida.

Claro que me chamariam tolinho, no mínimo, e seria mais uma vez acusado de esquerdista paranóico ou coisa que o valha.

Passa pela cabeça de alguém que em pleno séc. XXI alguém queira combater o prolongamento da vida das pessoas reduzindo-as à miséria e obrigando-as a trabalhar até caírem para o lado?

Claro que não. Só passou pela cabeça do FMI, que não é composto por pessoas, nem publica análises escritas por humanos. Sejamos rigorosos: o FMI é composto por filhosdaputa e vai parindo umas coisas escritas por animais irracionais. Não, não estou a delirar, está no El País.

E já agora acrescento: a economia começa a estar para a ciência como a medicina esteve para a mesma há uns 100 e tal anos, no tempo da eugenia que descambou no nazismo. Eles andam aí.

obrigado pela dica,Carla Romualdo.