A guerra continua um negócio sujo

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FIB- Felicidade Interna Bruta

Parece que só agora os economistas e os políticos se lembraram da Felicidade. Os políticos portugueses são mais lentos, daí que tão cedo (ou nunca) ouvirão a palavra sair das suas bocas. Vitor Gaspar, que é lentíssimo, soletraria a palavra, Fe-li-ci-da-de. Felicidade seria mais um lapso… nos seus discursos.

A Economia integra muito tarde o novo vocábulo e o valor em si. Depois de muita asneira feita. Á custa de muita infelicidade e de inúmeras vidas.

Eis uma história real que já contei no DN:

Era uma vez um rei que se preocupava com a felicidade do seu povo… [Read more…]

Uns pedem pão, outros compram IPad

  

Dois mundos completamente diferentes coexistindo, no nosso tempo.

Enquanto que a Etiópia procura que todas as suas crianças tenham acesso ao ensino primário; enquanto muitas mulheres do Senegal anseiam pelo curso de alfabetização (querem somente aprender a ler e a escrever), agora que mais libertas de tarefas como moer milho (constato surpreendida que ainda há mulheres que moem milho); enquanto Moçambique luta por diminuir a taxa de mortalidade infantil e a Tunísia reduzir a de mortalidade materna; enquanto na África do Sul ainda não é possível garantir a todos o acesso a água potável;

os americanos ou nós, países mais desenvolvidos e ricos, esperámos exibir o último brinquedo tecnológico e, de preferência, ser o primeiro a comprá-lo para aparecer numa foto de jornal, na internet, no mural do facebook, etc. [Read more…]

A Morte em Atenas

Lagarde sobre a crise da dívida grega

Há dias, Christine Lagarde, DG do FMI, concedeu uma entrevista à estação televisiva CBS, centrada no tema da dívida grega. Sumariamente, afirmou:

  • A solução correcta, neste momento, é que os responsáveis implementem as políticas “correctas e sólidas”;
  • É o momento em que os partidos políticos “responsáveis” têm de dizer ao povo a verdade;
  • Esses partidos têm de distanciar-se dos partidos populistas, marginais na vida democrática e que rejeitam o caminho correcto;
  • Em democracia, os líderes políticos devem dizer a verdade ao povo;
  • Qual é a alternativa? Mais débito?

No final, ao que se sabe pela comunicação social portuguesa, SIC em especial, Lagarde admitiu a bancarrota e a saída da Grécia do Euro.

Um farmacêutico grego, de 77 anos, suicidou-se na Praça Syntagma em Atenas. Na derradeira carta, deixou clara a razão da opção pela morte: ter sido privado de meios para a sobrevivência. O FMI, de Lagarde, lamentou. Hipocritamente.

Esta morte de Dimitris Chrisoula teve origem na pandemia das medidas do FMI. Efeito, de facto, pandémico que, surda e perfidamente, está a matar silenciosamente muitos europeus do Sul – em Portugal, em 2010, registaram-se 1195 suicídios, acima, das 1135 mortes nas  estradas. São indicadores de reflexão obrigatória. [Read more…]

Mercenários Americanos no Iraque

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Essa estranha guerra das Malvinas

Uma guerra ainda mais estúpida que todas as outras. De um lado uma ditadura agonizante, do outro o traque final de um império que já não o é, conduzido pela sua pior líder de sempre. De um lado a razão dos que habitam a ilha, do outro a justiça histórica contra uma ocupação ilegítima, tudo somado igual a razão nenhuma.

Talvez por isso ficará para a História como a guerra que o império ganhou no campo de batalha e Maradona derrotou com a mão de deus e o golo do século. Nunca tive, e duvido que venha a ter, tanto prazer a assistir em directo a um jogo de futebol, mesmo que o melhor jogador de todos os tempos venha a perder esse título.

No final, empate técnico, embora infelizmente com mortes numa das batalhas, a carne para canhão do costume.

29M: aprender a greve com quem sabe

A greve geral que hoje paralisa o estado espanhol tem muito para nos ensinar. Sabiam que foi inicialmente convocada por sindicatos alternativos e independentes das centrais sindicais do costume que tiveram de correr atrás do prejuízo? É ler no Público.es (que arranjou uma deliciosa forma de assinalar que hoje está em greve, tapando os títulos).

E não é só uma greve ao trabalho mas também ao consumo (como deveriam ser todas as greves gerais). E tem uma sesta colectiva, genial forma de luta que destaca o sagrado direito à preguiça.

Portugueses, aprendei com quem sabe (sendo verdade que nós soubemos correr com o feudalismo castelhano mas dormimos à sombra dessa bananeira desde o séc. XIV).

Stay Classy Israel!

Contra inquérito à construção de novos colonatos – Israel corta relações com o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Mais imagens do Chiado

Vê-se bem que as ordens são claras: tudo o que fotografa ou filma é para atacar. A PSP no seu melhor.

Marchais, esse precursor de Le Pen


Sabe-se o que aconteceu quando da reforma eleitoral promovida por Mitterrand. Visando enfraquecer a direita “clássica”, introduziu o sistema proporcional, aliás mais justo que esta ridícula ficção das duas voltas. O PCF, até então incontestado dono dos banlieu, caiu dos 20% para uns residuais 5%, passando-se o seu eleitorado com armas e bagagens para as hostes da Frente Nacional que atingiria perto de 15% dos votos.
O discurso de Le Pen, nada mais é senão a continuidade do posicionamento político do precursor PCF. Entretanto, o conhecido “barão” de Lavos já terá iniciado o processo de canonização da indefesa criança Mohamed.
* A pedido de um leitor, aqui segue uma tradução mais que imperfeita:
“Há que pôr fim à imigração oficial e clandestina. É inadmissível fazer entrar novos trabalhadores imigrados em França quando o nosso país conta com quase 2 milhões de desempregados franceses e imigrantes” (palmas seguidas da voz da locutora que informa ser o PCF contra a construção de um centro cultural islâmico). O porta-voz do PCF em Rennes, diz o seguinte:
“Verificamos que não se trata de um centro cultural que está em construção, mas de facto é uma mesquita e uma escola corânica. Nesse sentido o senhor Maire de Rennes (um socialista) apoiou a ideia (não estou a entender todo o discurso, lamento). “Nós não mudámos de opinião, somos pela separação da Igreja e do Estado e de forma alguma o dinheiro público deverá servir para construir”… (aqui também não consigo entender o que o homem diz, uma vez mais lamento).
E regressa Marchais, desta vez de dedo em riste pela moral:
“Colocamos o problema da imigração. Será para utilizar e favorecer o racismo. Procuraríamos acarinhar os mais baixos instintos. Assumimos a luta contra a droga e isto porque não queremos combater o alcoolismo que é apreciado e corrente na nossa clientela. Para a juventude, eu escolho, sim, eu escolho o estudo, o desporto, a luta e não a droga” (salva de palmas).
E Marchais passa então a atacar os socialistas, irmanando-os à direita nas questões relativas ao respeito pelos trabalhadores, etc, etc. O discurso parece um bocado desconexo, sem seguimento (há partes certamente recortadas do todo, claro). Enfim, uma espécie de Jerónimo de Sousa avant la lettre.

Hoje dá na net: Conto de Primavera

Curta-metragem de animação em homenagem aos revolucionários sírios.

Um filme de Dani Abo Louh e Mohamad Omran

Que inveja

Este tipo faz tudo bem? Que inveja! Quanto for grande, quero ser como ele!

Os quatro malfeitores

Faz hoje 9 anos que quatro malfeitores se reuniram na Base das Lajes para justificar o injustificável. Neste momento, os EUA já retiraram as suas forças do Iraque, substituídas largamente por mercenários. Os iraquianos continuam a sofrer. E quanto aos malfeitores, foram todos devidamente recompensados.

Recorde aqui a Cimeira das Lajes

Ganhar os corações e as mentes dos palestinianos – Ao estilo de Israel

Israel está a planear destruir os painéis solares “ilegais” que os palestinianos utilizam nas suas casas na Cisjordânia (ou melhor, nos 62% da Cisjordânia ocupados por Israel).

Leia a história no The Guardian, em inglês.

La Palice

Será que é familiar do sr. Jacques? Jacques de La Palice?

Alargamento é o ovo de colombo

Ufa! Estou mais tranquilo agora. Afinal Portugal e a Grécia se descerem de divisão… Ufa… Está resolvido!

Sarkozy pede perdão e ameaça imigrantes

O jornais portugueses de referência, salvo o ‘Expresso’ em notícias espaçadas, omitem informação de aspectos centrais da vida política europeia. Exceptuam-se temas do chamado interesse mediático para destacar, no bem ou no mal, a acção de políticos portugueses no estrangeiro. Uma forma, quanto a mim, bisonha, superficial e provinciana de fazer jornalismo, nesta era da comunicação, marcada, diga-se, pela perda de independência e falta de qualidade de profissionais.

A França é um país nuclear para Portugal, por, entre outras, duas razões substantivas:

  • Como país fundador da CECA, a seguir CEE e finalmente UE, e pátria de Jean Monnet, os seus políticos, de esquerda ou direita, têm desde sempre um papel de muita influência na vida europeia; na crise como na euforia, na guerra como na paz.
  • Trata-se de um país que, segundo o Observatório da Emigração, acolhia em 2010 uma comunidade de 1.132.048 portugueses, número, de resto, atingido de forma sempre crescente – em 2008 eram 1.031.082.

Mas, para além destes aspectos estruturais, existem outros, de natureza conjuntural, cuja relevância para Portugal e portugueses é inegável. É o caso do momento pré-eleitoral que a França está a viver. Com a particularidade de, segundo diversas sondagens, Sarkozy estar seriamente ameaçado pelo socialista François Holland e acossado à direita pela extremista Marine Le Pen.

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Que diferença faz uma vagina?

Nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, pode parecer que vou cometer a heresia de criticar algumas mulheres ou uma certa visão sobre as mulheres, mas, na realidade, vou escrever sobre o medo que temos de confirmar o lado negro da nossa História.

O politicamente correcto é mais uma importação dos Estados Unidos que nos chegou juntamente com os hambúrgueres e muitas outras coisas prejudiciais à saúde e o mesmo país que dizimou os índios chama-lhes nativos-americanos, numa espécie de expiação tardia, pagando em moeda linguística o que roubou em vidas impagáveis.

A preocupação com a susceptibilidade alheia ou o medo de descobrirmos que dentro de nós está algum monstro inesperado leva-nos a tentar calar a História que está marcada nas cicatrizes da língua e da linguagem que somos porque fomos. Quando a História não se cala ou é mal entendida, há quem tente reescrevê-la, retorcê-la, fazendo de conta que a interpreta.

É verdade que a História é brutal e violentamente masculina e todas as mulheres que sofreram e sofrem com isso nunca poderão ser compensadas das violações de toda a espécie a que foram sujeitas, restando-nos a possibilidade de sermos todos melhores e mulheres no futuro.

Dilma Roussef, Presidente do Brasil, passou pelo Porto e aproveitou para comer bacalhau, o que é, evidentemente, notícia. Também é, infelizmente, notícia o servilismo de alguma comunicação social que reproduz o “Presidenta” com que a Chefe de Estado brasileiro exige ser tratada, agredindo, ao mesmo tempo, a língua portuguesa que nos é comum.

Esta ânsia de encontrar um feminino que não existe revela, afinal, um estranho machismo ao contrário, ou, para ser considerado completamente preconceituoso, um machismo de saias. Há uns meses, Pilar del Rio considerou “néscio” qualquer um que não lhe chamasse Presidenta da Fundação José Saramago. A todos os que queiram merecer conscientemente esse epíteto aconselho a leitura deste texto do Francisco Miguel Valada.

François Hollande, o inimigo a abater por Merkel & Cia.

A notícia foi divulgada a partir do semanário alemão Der Spiegel:

François Hollande estaria prestes a ser boicotado por Angela Merkel e os parceiros italiano, espanhol e o Partido Conservador britânico.
Angela Merkel, Mario Monti, Mariano Rajoy e David Cameron estariam então “cometidos verbalmente” a não receber o socialista em caso de eleição, enquanto este último segue na frente das sondagens (58% das intenções de votos na segunda volta em relação a Sarkozy, conforme uma pesquisa mais recente LH2-Yahoo!).
De acordo com o semanário alemão, os líderes conservadores estão “indignados” com a vontade manifestada pelo candidato socialista para renegociar o Pacto Fiscal, uma peça central de resgate da zona do euro. A motivação de David Cameron, cujo país não assinou o Pacto Fiscal, seria mais de carácter ideológico.

Fonte: Le Huffginton Post

Angel Merkel, queira-se ou não, reedita o despotismo germânico, reiterando a tentação da hegemonia sobre a Europa. Nem sequer é, portanto, novidade histórica vinda daquelas bandas. Volta à actividade, em alguns políticos alemães, com a Sra. Merkel em destaque, o maldito e genético vírus do elitismo germânico.

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El caso Urdangarin.

La monarquía en España, como cualquier otra ideología, es un problema de nacionalismos. Sin monarquía, España no existe y eso, por supuesto, atrae a una gran mayoría que quiere dividir para gobernar. El caso Urdangarin es un excelente ejemplo de chivo expiatorio. No tiene implicaciones directas para el rey que es el jefe de Estado y que representa el país, pero este fue el fusible para quien en la actualidad prepara el asalto a la corona.
Varios cientos de manifestantes, según los medios de comunicación, se indignaron ante el tribunal donde el duque de Palma fué escuchado. Los manifestantes «foran convocados por la Organización de independencia Maulets, los Joves d’Esquerra Unida, Unidad Cívica Por la República (UCxR) y la Asamblea de Estudiantes de La UIB». ¿Es justo, todos los países tienen contristas – en una república son los monárquicos, en monarquía los republicanos. Pero es curioso que muchos de los carteles filmados por la televisión muestran frases que iban más allá de la simple manifestación: los protestantes son más que republicanos, son antimonárquicos. Esto demuestra claramente la incapacidad de estos grupos para el diálogo con la mainstream política y ideológica. Dudo que, para ellos, la propia idea de sistema republicano les sirva.
Y no hay ninguna cuestión si el yerno del rey es culpable o no. Si la esposa o la hija de un presidente de una republica está envuelta en negocios ilegales debería, por eso, terminarse el régimen?
Después de las acampadas, que eran particularmente expresivas y de la moda en España, se creó la ilusión de que a partir de ahora es más fácil para derrocar personas y regímenes. ¿Es coincidencia que esto ocurra en el país que ensayó la devastación de Europa en los años 30 y 40 del siglo pasado?

Creo que no.

BPN: Lá vai Barão

A frase “Lá vai Barão…” foi uma expressão de uso corrente no Brasil, nos anos 80 do século passado. Em Portugal,  Jô Soares popularizou-a através de um ‘sketch’ televisivo. O significado quantitativo-monetário era materializado através desta nota:

lá vai barao

Valia, pois, 1.000 cruzeiros, moeda entretanto substituída pelo ‘real’. A frase, ou o bordão humorístico se quiserem, era utilizado para caracterizar o desaparecimento súbito de avultadas somas de dinheiro.

A injecção de um empréstimo de mais 300 milhões de euros, depois dos 600 milhões investidos no aumento de capital do BNP, oferecido ao BIC por 40 milhões é, de facto, mais uma das atrevidas obscenidades típicas do actual governo.

O empréstimo será titulado pela CGD, a mando da governação. Trata-se, pois, de dinheiros de contribuintes, muitos dos quais exauridos por direitos de retribuição arbitrariamente eliminados; ou por impostos, sobretudo os directos, os indirectos e o confisco, que lhes esvaziam os escassos recursos, nos casos em que estes existem – muitos, na miséria, estão despojados de meios.

De facto, Coelho e Portas, com grande despudor, estão a privilegiar Américo Amorim, Isabel dos Santos e o também despudorado Mira Amaral.

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PCP, sexo e prazer

Segundo o Público o tema está quente (aqui daria para um trocadilho fácil!) nos States.

Um potencial asterisco a candidato dos Republicanos teme que

“o sexo seja desconstruído ao ponto de se tornar simplesmente prazer”.

Ainda estou a ver o PCP a votar favoravelmente esta questão.

Povo GREGO vai votar na TROIKA

Somos todos gregos (galo de Barcelos com as cores da Grécia)O povo português é por natureza solidário. Apareceu por aí um manifesto de apoio ao povo grego e sucedem-se as manifestações de meia dúzia de pessoas com as mesmas intenções. Até eu, mudei no meu perfil do Face a localidade para ATENAS! SOMOS todos gregos.

Mas, estou curioso com uma coisa – a Democracia. Essa chatice!

Por cá, quando se perguntou ao povo “Troika” ou Não Troika, a resposta foi esmagadora: TROIKA!

Na Grécia? Como é que vai ser?

É que a malta até pode ser solidária, mas dá jeito que eles façam a parte deles!

O preço da verdade na Alemanha

é diferente do preço da verdade em Espanha!

Gregos e Portugueses

(Foto: blog Defender o Quadrado)

Rui Tavares escreveu “somos como os gregos. E nós e os gregos somos tão europeus como os alemães” (PÚBLICO,15/2).
Nos últimos dias a Grécia é notícia: novas vagas de austeridade sem precedentes; violência dos protestos; incêndios (48 edifícios destruídos pelas chamas); noites de destruição; «clima de guerra urbana»; dezenas de feridos;  polícia alvo de cocktails molotov de manifestantes; remodelação do governo; eleições legislativas antecipadas; bancarrota…
 
Um jornalista grego disse hoje, contestando com razão: “Somos pessoas como outras quaisquer, não somos a ovelha negra no rebanho das ovelhas brancas. Os gregos não são os pecadores entre os inocentes alemães, finlandeses, australianos e holandeses. Os mediterrânicos não são os maus, os preguiçosos entre os muito bons”.

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Manolis Glezos continua a lutar contra a ocupação alemã

O senhor que está a ser agarrado pelo colarinho tem 89 anos. O polícia que o está a agarrar terá idade para ser seu filho ou seu neto. O senhor chama-se Manolis Glezos e, em 1941, durante a ocupação alemã, retirou a bandeira nazi da Acrópole, tendo, posteriormente, passado por um calvário de prisões e torturas, entre alemães, italianos e colaboracionistas gregos (que, também naquele tempo, já existiam). Setenta anos depois, ei-lo, ainda, a lutar contra um país manhoso, disfarçado de Europa. A Europa tem de ser outra coisa. Se é para ser a mesma, mais vale hastear outra vez a suástica.

O tratamento anterior não funcionou

Praça Syntagma (2012-02-12)

O tratamento anterior aplicado à Grécia não funcionou. Por isso, vamos repetir a dose e vamos esperar que funcione. Este será o terceiro pacote de austeridade. É de doidos, é óbvio que não vai funcionar.

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E as pessoas?

austeridade

(latim austeritas, -atis)

 s. f.

1. Qualidade de austero.

2. Cuidado escrupuloso em não se deixar dominar pelo que agrada aos sentidos ou deleita a concupiscência.

3. Severidade, rigor.

austero |é|

(latim austerus, -a, -um)

adj.

1. Que é muito rigoroso nos seus princípios.

2. Rígido, severo.

3. Sério e grave.

4. Penoso.

5. Ríspido.

6. Sombrio, escuro.

Um homem austero é sério e rígido, de uma honestidade inflexível. Nos últimos tempos, austeridade tem sido uma palavra impropriamente usada: se é certo que entre aqueles que impõem medidas duras à Europa há inflexibilidade, a seriedade é-lhes estranha, porque não pode ser honesto resolver problemas de contabilidades privadas ou mesmo secretas, criando mais empobrecimento e mais insegurança aos cidadãos europeus.

A sociedade em que quero viver é filha de ideais muito antigos, nem sempre cumpridos e muitas vezes verbalizados. Sou um filho dos ideais da Revolução Francesa, sem a parte da guilhotina. Sou um filho dos ideais da Revolução Americana, sem a parte do extermínio dos índios. Sou filho de boas ideias e de ideais generosos, mesmo quando a sua prática foi, tantas vezes, pervertida. Há poucos dias em que não me sinta como um católico envergonhado com o Vaticano ou um comunista que sempre odiou o Muro de Berlim.

Esta Europa em que vivo não é o farol civilizacional em que me julguei razoavelmente seguro. É uma parte do mundo dominada por uma gente perigosa, gente sem alma, gente anti-social, porque este marialvismo que chama pieguice às queixas de quem é diariamente roubado é próprio de quem é anti-social.

Na Grécia, o parlamento submete-se às ordens de Berlim, prometendo mais austeridade, mais dificuldade, mais pobreza. Aquilo que foi aprovado ontem no parlamento alemão de Atenas prevê, entre outras coisas, a obrigatoriedade de despedir funcionários públicos, sempre por razões contabilísticas.

A direita limitar-se-á a dizer que é natural que assim seja, que tem de ser, que não há direitos adquiridos, que o mal está todo naquilo que é público. E as pessoas? Meros grãos de areia numa engrenagem em que banqueiros, empresários e políticos se governam. O resto é brincar ao Monopólio e ir à missa aos Domingos, deixando uma esmola ao mendigo providencial que existe para que o esmoler se sinta bondoso.

Entretanto, enquanto a direita engole uma hóstia devota, não perde tempo a pensar no funcionário público ou no operário gregos que irão ser despedidos e que voltarão para casa carregados de revolta ou de pieguice. A direita, ao sair da missa, limitar-se-á a trocar palavras graves e descontraídas como inevitabilidade ou emitirá um conselho sisudo sobre a necessidade de trabalhar mais. Perder tempo a pensar nas pessoas, nos seus problemas? Isso seria uma fraqueza.

Merkel tem razão, então não tem?

(Foto: blogue “cantigueiro”)

A chanceler alemã tem toda a razão: a Madeira é um mau exemplo e Merkel utilizou-o muito bem para mostrar como se pode aplicar muito mal os fundos estruturais europeus (Público). As verbas recebidas não aumentaram a competividade, antes foram empregues na construção de túneis e autoestradas. Este dinheiro, sr. A. João Jardim, deveria ter sido canalizado para apoiar as pequenas e médias empresas, promovendo o crescimento económico e evitando, deste modo, a austeridade que agora os madeirenses são obrigados a aguentar.

Mas não foi só Jardim… (este Carnaval não vai ser diferentes dos anos anteriores nem os gastos…). Temos assistido ao mesmo, aqui no continente: autoestradas a mais, paralelas umas às outras a pouca distância (algumas por concluir), e outras infra-estruturas que nos endividaram e agora corta-se nos apoios e subsídios , etc. Por outro lado, não se tratou de criar emprego. Pelo contrário, nunca o desemprego foi tão elevado.

Mas temos o que merecemos: eles continuam lá, sempre os mesmos, a fazer palhaçada e a gozar com o Zé Povinho.

Os eleitores são teimosos e masoquistas: aguentam-nos durante décadas!

Mudança de Regime

O João Cardoso, em dia de lua cheia, anda muito entretido com as atrocidades cometidas pela ditadura de Elizabeth II. Ditadura é lá, a senhora não foi a votos e isso é ditadura, claro. Então que seja isso a ditadura. Mas não te esqueças, JJC, no dia que fores botar o voto na urna, do tipo de regime vais estar a eleger. Democraticamente, claro.