Hoje dá na net: Era uma vez a vida – os músculos

Esta série de desenhos animados foi criada por Albert Barillé em 1986 e é constituída por 26 episódios.
É um apoio muito interessante a qualquer aluno do 1ºciclo (estudo do meio, terceiro ano) e do 6º ano (Ciências da Natureza).
Parte 1/3:
O episódio está dividido em 3 partes – continue a ler para conhecer as duas últimas.

O empréstimo de compressas ao Garcia da Orta

O hospital de Almada, por dívida de 260 mil euros ao fornecedor, está a recorrer ao empréstimo de compressas para cirurgia, nomeadamente junto do Amadora-Sinta, que costumo e devo designar por Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca.

O ministro Macedo, bancário de profissão, entende que os hospitais devem funcionar na lógica dos fluxos de caixa e do saldo zero de tesouraria; nunca em função do interesse e necessidades dos doentes.

Ontem a Roche, hoje os fornecedores de compressas, e sem vontade de negociar e apenas impor, o actual Ministério de Saúde está a negar a prestação de cuidados médicos, nalguns casos em estado de necessidade extrema: cirurgias no Garcia da Orta, assim como tratamentos com medicamentos únicos de oncologia, nos IPO’s e outras unidades de saúde com esta especialidade.

Tudo isto é o resultado tecnocracia, que com este governo atingiu o pico mais elevado, sem ponta de humanismo na prestação de serviços de saúde aos cidadãos.

Temos um governo, de falácia e aldrabice, composto por gente que não presta. Não presta mesmo!

Ministério da Saúde: guerra aos bombeiros!

Guerra contra bombeiros e taxistas, em favor de transportadores anónimos

O Ministério de Saúde (MS), dirigido pelo bancário Macedo e pejado de protegidos ‘laranjas’ que há anos têm a garantia do “tacho” pelo “tacho”, está a comprar uma guerra contra os bombeiros, metendo-os, inclusivamente, no mesmo saco dos taxistas; e juntando à festa uns outros, cujo perfil não é nítido, mas que, diz o governo, estarão habilitados a transportar doentes não urgentes.

O MS está, pois, a criar mais um imbróglio na saúde em nome do economicismo. Mas, ponderadas as contas, poderá causar graves prejuízos – até o mais grave de todos, a morte – a gente idosa e sujeita a elevadas prevalências de doenças crónicas no interior do país. Que é o caso da maioria da população do interior.

Um pergunta óbvia urge ser formulada:

Como é que os tais outros, alternativos aos bombeiros, estão em condições de se garantirem que os doentes que transportam não têm carácter de urgência?

Um esclarecimento simples: até bombeiros socorristas, por vezes, enfrentam dificuldades em súbitos agravamentos do estado do doente tido por não urgente à partida. Não devendo esquecer-se de muitas situações de sucesso  – atente-se ao número de partos que realizam em plena estrada.

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Todos Contra Todos

Não Fui Eu Quem Propôs? Sou Contra!
Somos Um Povo de Rezingões
Ao longo dos dias, das semanas e dos meses, variadíssimas pessoas do governo, da oposição, das sociedades civis, anónimos cidadãos e outros menos anónimos, foram fazendo propostas para que eventualmente se melhore este ou aquele aspecto da nossa vida.
Por cada um que o faça, milhares de outros se manifestam contra.
Por cada medida que se implemente, milhares de pessoas, agrupadas ou sozinhas, dizem que não concordam, que é uma estupidez, que tudo vai ficar pior, que não pode ser feito assim, e as mais diversas opiniões e conselhos e exigências e ameaças são feitas por causa disso.
Por cada medida que se anuncie, uma greve é proposta. Por cada greve que se efective no actual estado económico do País, o País empobrece. [Read more…]

Vou expurgar o Centro de Saúde do Lumiar

msOs sábios quadros do Ministério da Saúde, a começar pelo titular da pasta e ex-bancário Macedo, têm uma imaginação prodigiosa e um apurado sentido de melhoria da produtividade na função pública. Segundo se depreende do divulgado na imprensa, em cada ‘centro de saúde’, diariamente, um funcionário passará a pente fino a lista informática dos doentes inscritos e quem não tenha recorrido ao centro há 3 anos será eliminado.

Os serviços contarão com a ajuda do sistema ‘SINUS’ que com o ‘SONHO’ são duas históricas obras de arte informática do Ministério da Saúde, pelo ex-IGIF e agora ACSS-Administração Central do Sistema de Saúde.

Se a finalidade principal da medida é “expurgar” das listas os falecidos, porque não criam um sistema integrado com as Conservatórios de Registo Civil relativamente a óbitos registados, procedendo, automaticamente, à eliminação, por telecomunicação entre sistemas? A interacção poderia ser feita até através do SINUS. Claro que também o ‘sistema de registo de doentes’ teria de ser implementado a nível nacional, com outras vantagens – processo clínico electrónico, por exemplo – de produtividade e economias na prestação de serviços do SNS e no atendimento de doentes.

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SNS: A reforma à Macedo (IV)

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A equipa nomeada pelo ministro Macedo, para a reforma da saúde, propõe uma solução de ‘lista de espera’ hermeticamente fechada e eterna. O doente, depois de registado, nunca mais será esquecido. Vivo ou morto, não interessa.

Avanços nas ciências médicas, recuos nas políticas de saúde

Mortalidade das Doenças Cardiovasculares

Em Portugal, à semelhança da Europa em geral, as doenças cardiovasculares (Enfartes do Miocárdio e Acidentes Cardiovasculares Cerebrais-AVC’s) constituem a primeira causa de morte – cerca de 40% do total de óbitos é o número estimado pelo Ministério da Saúde. Os factores determinantes para esse tipo de doenças estão relacionados com hábitos de vida, tendências patológicas  e seus efeitos, nomeadamente:

  • Tabagismo;
  • Sedentarismo;
  • Diabetes Mellitus obesidade;
  • Maus hábitos alimentares;
  • Hipercolesterolemia;
  • Hipertensão Arterial;
  • Stress’ excessivo;

Sublinhe-se que o contributo dos ACV’s para os óbitos, com percentagens entre 65 e 68%, supera a incidência dos Enfartes de Miocárdio.

Progresso científico anunciado pela Lancet

O ‘Público’ divulgou o estudo revelado pela conceituada publicação científica Lancet de uma experiência de regeneração de células cardíacas alvo de necrose após episódios de enfarte.

O trabalho de investigação e estudo, realizado por uma equipa do Cesars-Sinai Heart Institute, de Los Angeles, incidiu sobre 17 doentes. Teve como resultado a regeneração de cerca de 50% das células afectadas por lesão cardíaca, lesão até então irreversível – experiências anteriores de regeneração com células da medula óssea tinham sido muito insatisfatórias quanto a resultados.

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SNS: A reforma à Macedo (III)

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A equipa de Paulo Macedo incumbida da reforma decidiu que os exames de ‘Raio X’ têm que ser pagos no momento do acto médico. A imaginação para cobrar dinheiro aos doentes é ilimitada – sejam pobres, remediados ou ricos. Os equipamentos de imagiologia passaram a dispor de ranhura para a introdução da moeda. O doente inspira e paga em simultâneo, evitando trabalho burocrático. De resto, já foi solicitado à SIBS para instalar também um sistema de pagamentos com cartões de débito (multibanco). É o progresso. Nada de lamúrias, seus piegas.

SNS: A reforma à Macedo (II)

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A equipa do Ministro Paulo Macedo é constituída por génios. Prova de que estão atentos à necessidade de racionar, é o recurso a um sistema de sorteio na distribuição dos medicamentos. O que há é pouco e o medicamento como prémio é dado a quem a sorte aleatoriamente contemplar. E os outros? Sofrem e possivelmente alguns morrem. Sem remédios, não há outro remédio.

SNS: A reforma à Macedo (I)

reforma do SNS

A equipa do Ministro Paulo Macedo está a desenvolver soluções muito inovadoras. A colaboração entre doentes e profissionais de saúde é um dos pilares essenciais, como a imagem comprova. Há partilha do trabalho, mas não da doença.

A saúde privada

E

stou numa urgência no Hospital da Luz, um desses novos núcleos empresariais da saúde, no caso disponibilizado pelo BES, a acompanhar pessoa amiga. Aguardo que um dos dois únicos médicos que estão de serviço às urgências nesta especialidade terminem uma operação que havia sido agendada previamente. Isto é,  há urgências mas não há médicos alocados ao serviço de urgências, as quais terão que aguardar por uma pausa no serviço programado.

Em contrapartida, três jovens recepcionistas atendem todas as  necessidades que três belos sorrisos possam atender, duas assistentes de médico vão-me informando que os doutores continuam a operar – e ainda bem para o paciente – e uma empregada de limpeza passeia continuamente o seu carrinho numa impecável azáfama higiénica. Já da enfermeira de serviço não se sabe o paradeiro mas, possivelmente, estará a dar pinças no bloco operatório.

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Desperdício

 Buenos Aires gera muito desperdício Buenos Aires gera muito desperdício

 O desperdício.

Ele é a faixa mais larga de todo o acontecer no universo.

E na vida.

Que mundo incrível se perdeu com as pessoas que se não cumpriram, que fração enorme do cérebro ficou sem aplicação.

E numa simples vida, que gasto enorme no comer e no dormir.

(…) nessa desproporção alucinante entre o que se desperdiça e o que se aproveita, o homem cria o espaço para ser maior que o universo.

                                                      (Vergílio Ferreira, Pensar)

Os benefícios do tabaco

Fátima Reis, uma investigadora dos malefícios do tabaco, constatou em restaurantes que “havia pessoas a fumar a cerca de um metro de distância da porta e foi observada entrada de fumo no estabelecimento.” Fátima Reis suponho que também deve ter visto automóveis a um metro de distância de algumas dessas portas mas não nos conta se observou o fumo dos escapes a caminho da cozinha.

Emília Nunes, da Direcção-Geral de Saúde, tem um ideal: “que as pessoas não fumassem em casa ou quando vão no carro com terceiros, mas isso são questões que não podemos legislar”.

Podia argumentar contra a nova lei do tabaco que se avizinha. Podia demonstrar que o verdadeiro sonho de Francisco George é proibir o tabaco e provavelmente todos os vícios. Quer ele que eu viva mais anos, não tenho a pretensão de lhe explicar que um ano da minha de fumador me pode ter dado mais pequenos prazeres que dez da sua ocupados a preocupar-se com a minha saúde. Podia escrever os insultos que me inspiram, e merecem, estes purificadores da existência humana,

Não vale a pena, neste caso confio em dois ministros, o das Finanças e o da Saúde. Ambos sabem que os impostos pagos pelos fumadores pagam os tratamentos de todos os cancros pulmonares e mais uns tantos, e acreditam na poupança que a estatística que nos dá menos anos de vida provoca na Segurança Social.

Quando aterramos no reino da imbecilidade nada como invocar o vil metal: resulta quase sempre.

na fotografia Oscar Niemeyer, nascido em 1907, fumador, retirada do excelente Volúpia na Tabacaria onde podem apreciar centenas de imagens de fumadores muito pouco anónimos

Manuela Ferreira Leite:

Da próxima vez que abrir a boca, não se esqueça do que vai dizer e também: o Serviço Nacional de Saúde não é “gratuito”, como insinua – é pago com o dinheiro dos contribuintes portugueses, mesmo por aqueles que, aos 70 anos, possam não conseguir pagar a vital hemodiálise

Pessoas a quem desejo que precisem de hemodiálise e não tenham dinheiro para a pagar

Manuela Ferreira Leite, Helena MatosElisabete Joaquim e A.A.A. (estes últimos com uma vaga atenuante pelo pudor demonstrado, que fiquem só falidos quando chegarem aos 70 anos).

Esta praga que aqui rogo é um nojo? é. Mas, além de as pragas não surtirem efeito, repelente é haver gente que ataca o princípio de todos termos direito à saúde independentemente da conta bancária. Porque quem o faz, do alto do seu seguro e imaginando que nunca ficará sem ele, vendo o mundo da mesma forma como sempre o encarou a aristocracia (a bem dizer nem a burguesia clássica desce tão baixo) e achando que por alguém ser pobre tem menos direito à vida porque ninguém o mandou ser pobre, não tem um mínimo de humanidade, não passa de um crápula abjecto, uma imitação grotesca de um ser humano. Para mais fazem-no em nome da mentira, aceitando a fuga aos impostos e a acumulação de capital à pala do estado, que é o país onde vivemos e que desta forma efectivamente será incapaz de sustentar o SNS.

Além disso de boas maneiras e tratos de cavalheirismo estaria o inferno cheio se existisse. Para esse peditório, enquanto não acabarmos de vez com os pobres, nunca darei.

imagem da gui

Errata: parece que me tinha enganado num nome. Que horror. Fica a abreviatura. Desconfio que trará boas memórias ao destinatário.

Deja-vu

Cresce aqui todos os dias a preocupação pelas consequências do implante de próteses mamárias de baixa qualidade : No Reino Unido são já cerca de 50.000 as mulheres que vão ter de arranjar meios para as remover e estima-se que no resto do mundo sejam mais de 300.000.

Começa compreensivelmente na Imprensa o clamor para que o fabrico desses implantes   passe a ser severamente regulado : Prova-se mais uma vez que confiar em que os escrúpulos morais se sobreponham à ganância pelo lucro  pode ter efeitos dramáticos para tantas vidas.

A empresa fabricante desses implantes , a francesa PIP , é um novo Lehman Brothers ,   mas agora num campo que se julgava ainda sagrado : Um roubou as carteiras , esta sem qualquer pejo arriscou a saúde de tantas mulheres para no final do ano apresentar cada vez melhores resultados financeiros .

E se a miragem do crédito fácil arruinou povos e estados , vê-se agora que a procura a qualquer preço da beleza física pode ter efeitos não menos devastadores mas , quer num caso quer noutro , é na falta de valores da Sociedade que devemos procurar a última responsabilidade.

A medicina estética tornou-se uma poderosa industria e muitos médicos a servem  e dela se servem  . Retocar , cortar ou aumentar o corpo , tornou-se mais do que uma moda , tornou-se uma mania colectiva . Em certos círculos o não ter feito várias plásticas é para as mulheres um motivo de embaraço . Eu conheço algumas que mudam de visual de tal maneira e com tal rapidez que , se não fosse a minha idade me  desculpar pela falta de memória , passaria pelo constrangimento de não  as reconhecer . [Read more…]

A Opinião de Manuela Ferreira Leite sobre a hemodiálise

Quem tem mais de setenta anos tem direito a fazer hemodiálise, se pagar

Disse Manuela Ferreira Leite num debate de (pasmem) “senadores”, na SIC Notícias. Veja e ouça o leitor com os seus olhos e ouvidos porque até parece que eu estou a mentir:

Saúde está de baixa: troika que os pariu!

Já ouvi falar num Portugal democrático e civilizado e gostaria muito que me avisassem quando o descobrirem, porque deve ser um país em dá gosto viver. Nesse Portugal democrático e civilizado, não poderia haver um único reumatologista no Algarve e nenhum nos distritos de Beja e de Portalegre. Nesse Portugal utópico, as decisões acerca dos horários dos centros de saúde não poderiam estar dependentes de contabilistas para quem os doentes são números e para quem a Saúde é uma área que deve dar, necessariamente, lucro e não um direito ao alcance de todos os cidadãos, porque isso faz lembrar socialismos e outras coisas igualmente pútridas e porque é importante que o Estado deixe de cumprir os seus deveres, para que os privados possam tratar da saúde aos portugueses que tiverem dinheiro para isso.

Neste Portugal em que vivemos, o doente tem de ser, no mínimo, um nómada, e estar disposto a, corajosamente, enfrentar viagens constantes, o que é o ideal para um reumático. Em Guimarães, o doente, se não quiser pagar o dobro por uma consulta de hospital, deverá adoecer, disciplinado, dentro do horário do centro de saúde. Devemos todas estas benesses aos filhos da troika que continuam a imolar os portugueses no altar do combate ao défice. Ao governo nada devemos, porque governo não é certamente quem decide assim.

Quer-se Tratar?

Pergunte-lhe Como.

Epilépticos: aldrabões que têm ataques e espumam pela boca

Prosseguindo a senda justiceira contra os desonestos, o governo continua a perseguir todos aqueles que se aproveitam da ingenuidade do Estado. O leitor poderá estar a pensar que, finalmente, serão responsabilizados todos aqueles que participaram e participam em Parcerias Público-Privadas ruinosas, por exemplo. Muito pior: o governo ataca todos aqueles que, devido a problemas neurológicos, perdem a consciência ou, na melhor das hipóteses, têm momentos de ausência. Deve estar para breve a obrigatoriedade de os tetraplégicos terem de se mexer para provar que não se conseguem mexer.

Conclusão: queres ser epiléptico? Paga!

Prendas de Natal de Coelho e de Portas

A política de saúde de Coelho, a despeito do simulacro de consulta pública da ‘Reforma Hospitalar’, tem estado activa através de obscenos aumentos de taxas moderadoras. Contudo, o ministro-contabilista Macedo ainda se atreve a declarar:

Gostaria que em 2012 todos os portugueses tivessem acesso a um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e com qualidade.

Discurso hipócrita, falso. Eu e muitos doentes crónicos, de cardiologia, não tivemos possibilidades de aceder a consultas em S.Francisco de Xavier, Lisboa, desde Junho  até final deste ano. Naturalmente, que as palavras de Macedo ainda mais revoltados nos deixam.

Mas há mais. Curioso que, graças a Joaquim de Oliveira, da Olivedesportos, os hospitais públicos vão ter o serviço da SPORT TV gratuito. Ou seja, faltam consultas e cuidados de saúde, mas temos futebol e Paulo Macedo, desta feita eufórico, afirmou:

[A Sport TV] Vai tornar melhor a estadia dos doentes nos hospitais, proporcionando-lhes momentos lúdicos e até de distracção.

Eu, experiente em internamentos, estou a imaginar um doente entubado, com a agulha do soro no braço e de algália, a saltar na cama e gritar de alegria com o golo do Benfica, do F.C.Porto ou do Sporting. Assim, já vale a pena pagar taxas mais altas. E a produtividade de enfermeiros e assistentes operacionais vai disparar. [Read more…]

O que vale é que só houve aumento de preços na Saúde!

Depois de anos a pagar impostos e a fazer descontos que foram gastos, entre outras coisas, numa Exposição Mundial ou em estádios de futebol, é vergonhoso que, agora, se queira sujeitar muitos cidadãos ao pagamento acrescido de serviços para os quais foram obrigados a contribuir.

A propósito do aumento das taxas moderadoras, acompanhadas, ainda, pelo encarecimento dos preços das consultas, o Primeiro-Ministro tem o descaramento de dizer que estamos “muito longe de esgotar o plafond de crescimento dessas taxas moderadoras”, como se, nos últimos tempos, não tivesse havido cortes salariais, aumentos de impostos e novas cobranças que provocaram o empobrecimento da classe média, aquela acerca da qual o mesmo Passos Coelho disse que não poderia continuar a ser massacrada.

A destruição de pórticos não me merece elogios, mas não será de admirar que a revolta face a tanta injustiça venha a originar actos semelhantes.

O governo como agitador social

Todos os que não puderam fugir às várias contribuições, como é o caso dos funcionários públicos, estão, agora, a ser castigados, o que é justo, porque dos mansos será o reino dos céus.

Assim, depois de anos a contribuir para a construção de hospitais, escolas e estradas, depois de, por várias vezes, terem sido aumentados abaixo do valor da inflação, depois dos cortes salariais, depois de um corte no subsídio de Natal deste ano, depois de ficar dois anos (na menos pior das hipóteses) sem dois subsídios (ou seja, com mais um corte salarial), os mansos sabem hoje que todos os seus contributos foram desbaratados por corruptos e incompetentes e assistem ao triste espectáculo de um Primeiro-ministro que se limita a receber ordens de uma dupla chauvinista sem sequer tentar negociar a defesa das condições de vida dos portugueses.

Como se isso não bastasse, não há preço que não aumente, incluindo, por exemplo, o das taxas moderadoras, o que constitui, na realidade, uma sobrecarga contributiva para todos os mansos que andaram anos a descontar para um sistema de saúde que, por isso mesmo, nunca seria gratuito.

Para que o quadro fique completo, os mesmos mansos têm sido considerados uns privilegiados que têm vivido acima das suas possibilidades, responsabilizados pela dívida, confundidos com as gorduras que, afinal, ninguém corta, e têm sido aconselhados a ficarem calados, a não fazerem ondas, em nome de um desígnio que poderá ser financeiro, mas não é nacional.

É bom que se perceba, então, donde parte a agitação social. Falta saber aonde chegará.

Gestão hospitais: a dança dos ‘boys’

A história do Ministério da Saúde é das mais marcadas pelo emprego partidário. Escrita, de resto, com letra bem vincada pelos dois partidos do centrão, PS e PSD, com a participação do apêndice, CDS.

Na continuidade da tradição, a dupla PSD+CDS está a nomear ‘boys’ para os hospitais, afastando os ‘boys’ do círculo rosa. Trata-se de, uma vez mais, repetir a vergonha do favorecimento dos amigos em detrimento dos competentes. Neste caso, segundo o Público, desrespeitando o ‘memorando da troika’ que estabelece a realização de concursos. A luta desenfreada a nível das distritais partidárias é intensa.

Nesta, como em outras guerras, vale tudo. Há anos, numa secção da Margem Sul ‘laranja’, valeu ameaças de tiro entre militantes. Agora, o processo também não está a ser pacífico, havendo manifestações condenatórias.  O deputado do CDS, Helder Amaral, foi peremptório ao garantir:

[não estar] “disponível para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado”.

em reacção à nomeação de militantes laranja par o Hospital de Viseu.

No fundo, é assim: em determinados casos, aumento das taxas moderadoras, o cumprimento da ‘memorando da troika’ é dever sagrado. Na escolha de amigos para lugares bem remunerados por dinheiros públicos, Paulo Macedo repete o método da tão ignominiosa e tradicional ‘cunha à portuguesa’, descartando-se da troika e do memorando. Há seriedade nisto?

Relatório da Reforma Hospitalar: consulta pública

O Ministério da Saúde submeteu a consulta pública o relatório do Grupo Técnico da Reforma Hospitalar.

Segundo as primeiras informações que obtive, manifestei aqui reservas, a meu ver fundadas, sobre aspectos de segurança para os doentes, falta de condições estruturais e de horários dos Centros de Saúde para atender, em 12 horas, Sábados e Domingos incluídos, doentes, triados como “não urgentes” pelos serviços de emergência hospitalar.

No ‘site’ do Ministério da Saúde, pode ler-se que o trabalho se integra no compromisso assumido com a ‘troika’ para os serviços de saúde do Estado. Os objectivos da ‘troika’ são predominantemente economicistas, como se pode ler no ponto 3.49 e seguintes da parte do memorando dedicada àqueles serviços:

Revisão substancial das categorias isentas de pagamento com o Ministério da Segurança Social, aumento das taxas moderadoras, indexação destas taxas à inflacção, reduções de 30% em 2012 e 20% em 2013 nos orçamentos dos subsistemas da ADSE, Serviços de Saúde Militares e da Administração Interna (Polícias), controlo de preços de medicamentos e prevalência da prescrição de genéricos, prescrição electrónica de medicamentos e de meios de diagnóstico, regulamentação do mercado de farmácias, implementar medidas para reduzir em 200 milhões de euros os gastos dos hospitais de 2011 a 2012.

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O ‘Amadora-Sintra’ e o logro das PPP’s na saúde

“O Estado espera há oito anos fim do processo que vale 60 milhões”, título do jornal Público na edição de hoje, Domingo. O Estado Português, dócil e modelado por um sistema judicial moroso e de frequentes desconexões e ineficácias, o Estado Português, dizia, bem pode esperar sentado. A título de imagem, chame-se-lhe “O Estado Sentado” – houve aqui uma oportuna inspiração cuja origem, todavia, omito.

O processo é complexo e envolve mais de 20 quadros e altos responsáveis pela gestão do sector de saúde. Das diversas figuras envolvidas, consta Margarida Bentes. Desenvolveu trabalhos de grande mérito na área da gestão pública da saúde, assumindo particular relevância a comparticipação no estudo e concepção dos GDH’s (Grupo de Diagnósticos Homogéneos), para efeito de determinação de critérios de custeio do sistema de financiamento dos hospitais públicos.

De toda esta longa e absurda novela, de Margarida Bentes, entretanto falecida, transferiram para os herdeiros as obrigações decorrentes da chamada responsabilidade reintegratória, ou seja, o dever dos herdeiros devolverem o dinheiro ao Estado. De resto, na súmula possível de um documento jurídico complexo e confuso, o Tribunal de Contas, no número 1.9, números 7 e 8, pode destacar-se: [Read more…]

Reforma hospitalar: ideias sem nexo

saudeLembro-me da falecida e insuspeita Maria José Nogueira Pinto, há uns anos, em conferência na Universidade Lusófona, ter afirmado: “O sector da saúde é muito atractivo para negócios e há muitos pretendentes a abocanhar as iguarias do SNS, esquecendo os direitos dos cidadãos”.  É justamente pela concepção inerente a esta frase que alinho o presente ‘post’. Nas reviravoltas governamentais para a saúde,  foi cometida a incumbência de um estudo, mais um, a um chamado ‘Grupo de Reforma Hospitalar’ ou coisa parecida, nomeado pelo ministro Paulo Macedo.

Do relatório de José Mendes Ribeiro, e de mais 8 companheiros, suponho, constam diversas imprecisões e falsas soluções. Mas, acima de todas, uma das recomendações é pura e simplesmente irracional: preconiza, então, o documento que os ‘serviços hospitalares de urgência’ reencaminhem, no pressuposto de atendimento no prazo de 12 horas,  todos os doentes classificados como “não urgentes” para os Centros de Saúde, ou seja, quem receba a senha azul na triagem de Manchester. Segundo os dados do relatório em causa, em 2010 situou-se à volta de 40% a percentagem de doentes “não urgentes”, significando que 2.560.000 doentes seriam referenciados a Centros de Saúde, para o tal atendimento em 12 horas. 

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Das finanças à saúde, somos presas do BPN

A saúde não é negócio; o negócio è a doença…

Joshua Ruah, médico

Esta afirmação, a despeito de proferida a título de humor há cerca de 10 anos, reflecte uma verdade inquestionável: há acentuado mercantilismo no sector da saúde, sob diferentes formatos. Em geral, o favorecimento de grupos de pressão é coadjuvado por políticos do arco do poder, com propósitos duvidosos.

Há exemplos de diversos tipos. Nos últimos dias, a detenção de Duarte Lima, do filho e as investigações judiciais de um outro ex-deputado do PSD, Vítor Raposo, constituem nova prova de como o sector da saúde atrai interesses financeiros poderosos, incluindo a especulação imobiliária e imoral exploração de gente desinformada e ingénua.

No citado caso, é curioso referir-se a um projecto de transferência do IPO de Lisboa para Oeiras, por acaso concelho presidido pelo indomável Isaltino Morais. Também é interessante saber que a operação de avultado financiamento bancário foi executada pelo BPN, sob o aval Oliveira e Costa, o comediante conhecido do cidadão comum pelo mediático inquérito parlamentar, mas, acerca de quem, o sistema de justiça ainda não sabe o suficiente para o levar a tribunal, na companhia de outros famosos suspeitos. [Read more…]

Um país doente e ignorante

Depois de, durante mais de trinta anos, os recursos do país terem sido ora mal geridos ora subaproveitados, o governo assumiu-se como mera comissão liquidatária do Estado, chegando ao ponto de usar o argumento de que devolver hospitais às misericórdias constitui um acto de justiça para com as instituições que foram prejudicadas pelas nacionalizações resultantes do 25 de Abril. É claro que Passos Coelho só quer acabar com o Estado e entregar aos privados negócios chorudos, como é o caso da Saúde, contribuindo para criar um país em que só os ricos poderão ter direito a bens que qualquer homem civilizado considera essenciais. É claro que Passos Coelho está a contribuir para que regressemos ao dia 24 de Abril.

No entanto, para manter aqui alguma abertura, proponho o seguinte: se se chegar à conclusão de que faz algum sentido devolver algo aos privados que tenham sido prejudicados pelas nacionalizações, que tal recuar mais um bocadinho e indemnizar as famílias de todos aqueles que o salazarismo privou de educação, de saúde, de dignidade, de pão, entre outras privações?

No Público de ontem, é possível ler um trabalho magnífico da Graça Barbosa Ribeiro (disponível em papel) em que ficamos a conhecer quatro casos de professores entre os 30 e os 41 anos, vivendo entre o desemprego e a incerteza, quatro casos de recursos desperdiçados, quatro vidas obrigadas a passar por dificuldades graças à incompetência de quem governa. Rita Vilas trabalha a 300 km do filho de seis anos, Cláudio Vieira está em casa, desempregado, com a mulher e um filho recém-nascido, Sandra Teixeira diz que está a adiar a grande desilusão da sua vida e Ana Teresa Morão declara que se sente traída pelo Estado. [Read more…]

Cromo do Dia: Ministério da Saúde e Hospitais

O cromo de hoje é triste e não adianta estar com trocadilhos humorísticos ou apontamentos caricatos. Seja porque houve desinvestimento nos transplantes (Paulo Macedo, ministro da saúde), seja porque os hospitais se consideram insuficientemente pagos, a lista de pacientes à espera de transplante de orgãos não pára de aumentar e estes não cessam de diminuir, com um número indeterminado de mortos por conta desta situação.transplantes.

Já não se trata de empobrecer o país em nome da “economia futura”, de emagrecer o nível de vida da população, ou de cortar no Natal e nas férias. Aqui a diferença é entre a vida e a morte. E isso povo nenhum devia tolerar.