Pastilha elástica:

“Estamos a tomar o pequeno-almoço ao sol e de súbito o torso que antes víramos denso e liso antecipa a decadência da carne velha: urgem umas visitas à pedicura, o hálito ressuma ao jantar de ontem”, Fernanda Câncio, Notícias Magazine.

Segundo a revista Sábado, a Fernanda Câncio escreveu isto na NM sobre o fim de uma relação amorosa. A Sábado vai mais longe e numa espécie de puxão de orelhas escreve: “Fernanda Câncio não diz se está a falar de Sócrates, mas sabe que toda a gente está a pensar que sim”.

A bisbilhotice é um desporto nacional antigo a que muitos se dedicam com afinco. Recordo-me que nessa altura, julgo que no Aventar, escrevi que achava uma pulhice as notícias(????) publicadas sobre essa matéria e uma invasão de privacidade. Por ser a f. ou o Primeiro-ministro da altura? Não, por ser, nesse caso como noutros, uma invasão de privacidade. Ponto.

Por sinal, não li o artigo de opinião em causa. Não costumo ler a Notícias Magazine. Por isso vou arriscar, confesso, comentar aquele parágrafo sem conhecer o seu contexto e partindo de um pressuposto, arrisco, simples: a autora não está a falar de si. Pura ficção, portanto.

Então, o que me leva a escrever sobre isso? O que me fez olhar para aquele parágrafo e gelar? Simples, o que ele representa sobre as relações actuais. [Read more…]

Solidariedade Ferroviária

Fonte próxima.

 

Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões

A frase é de Mota Pinto e o cartaz, um dos primeiros do PPD, levava invariavelmente por cima com o comentário “A culpa é vossa, tomem a pílula“.

Trinta e tal anos depois vem a vingança: a pílula vai deixar de ser comparticipada. O governo encontrou uma solução para a crise demográfica e a longo prazo para a quebra do consumo interno.  É tipo: vamos aumentar a taxa de mortalidade mas compensamos com a natalidade. Palavras para quê? é um homem da Médis em todo o seu esplendor.

Ó George, não era em 1984, era para 2011

Em 1984, através deste anúncio, a Aplle’s Macintosh apresentava-se ao mundo. Em 2011 o governo de Portugal quer cruzar os dados do Ministério da Saúde com os do Ministério das Finanças.

Linda base de dados vem aí. Terá sem dúvida a vantagem de permitir um atendimento personalizado nos balcões das finanças – então sr. António, não o convido a sentar-se que ainda deve estar em convalescença daquela operaçãozinha à próstata -, e no SNS alguns médicos escusarão de perder tempo – ia-lhe dizer que na minha clínica o operava amanhã, mas já vi que não tem posses para isso – , é só vantagens, portanto.

Como estes ministérios não costumam usar servidores Macintosh e muito menos baseados em software open source, dada a necessidade de pagar o dízimo ao tio Bill, acresce que estarão também estes dados ao dispor de um hacker qualquer. Ou dos serviços de informação, que sempre podem descobrir umas coisas que não vêm nas facturas dos telemóveis…

Pois é George Orwell, falhaste as contas por uns 30 anos. No resto nem por isso.

O Comboio Faz Parte da Solução…

…na Indonésia, pelo menos

 

As juntas médicas

Serão as juntas médicas, a solução para o restauro financeiro da Segurança Social? Conheço variados casos de pessoas que infelizmente padecem de doenças graves como o cancro, e são enviadas para o trabalho, para que morram a produzir.

Este tipo de situações tem-se vindo a revelar com muitíssima frequência já que acompanho um parente próximo a frequentes juntas médicas e deparo-me com casos terminais às vezes de doentes que são obrigados a ir trabalhar, mesmo que não produzam nada e sejam as vezes até um entrave dada a sua condição de saúde, para os seus colegas de trabalho.

Tenho vindo a entrevistar muitíssimas pessoas, e a recolher exames médicos, e outra documentação para ir registando falhas médicas graves do nosso Sistema Nacional de Saúde. Este tipo de situações acontecem quase sempre em grande percentagem aos funcionários públicos, e ou empresas que têm contratados seguros médicos a grandes multinacionais. [Read more…]

Também na saúde o mercado funciona, e viva o empreendedorismo

Tenho de dar a mão à palmatória: qual Serviço Nacional de Saúde, o sistema de seguros de saúde é muito melhor, mais barato (dada a generosidade das seguradoras, essas grandes entidades filantrópicas) e eficaz. Aos que o criticam lançando atoardas sobre as pessoas que não conseguem pagar um seguro de saúde, deixo o exemplo de James Varone, desempregado, com uma hérnia a precisar de tratamento urgente, e sem seguro para isso. Demonstrando as vantagens da iniciativa privada e do empreendedorismo, James Varone dirigiu-se a um banco com uma folha onde escreveu: “isto é um assalto, dêem-me um dólar“, e o problema ficou resolvido com a chegada da polícia,  a sua detenção e envio para uma cadeia, onde os cuidados de saúde são poucos mais gratuitos.

Infelizmente um dólar é apenas um dolár, foi condenado por um pequeno delito e não passará tempo suficiente na choça para o tratamento prolongado de que necessita. Pois que para a próxima seja mais ambicioso, e peça mil dólares, já deve chegar.

Escherichia coli: “os atingidos comem esterco”

Mas o que é que leva a comunicação social a dar tanta importância a uma bactéria, que se lembrou, e muito bem, em adquirir novas características, provando que, afinal, a evolução existe? Quando surge algo de anormal (?) nada melhor de que obter dividendos financeiros ou, então, dar cabo da economia de uma qualquer região ou atividade. Coitados dos pepinos, coitados dos produtos vegetais, coitados dos contribuintes, e lá se foram para o esterco centenas de milhões de euros e o aparecimento de mais crises económicas. Mas há lucros? Claro! Quanto mais olhos, quanto mais ouvidos para estes assuntos, melhor.  (…)

Leia Olá escherichia coli. Tudo bem? de Massano Cardoso, num jornal da província agora perto de si. Em Coimbra costumávamos guardar a ciência na aldeia, mas depois do choque tecnológico já partilhamos.

Maria do Céu Machado para ministra da Saúde

Theme park saúde

Fala-se em Maria do Céu Machado para ministra da Saúde. Pouco sei sobre as competências da pessoa em causa, especialmente no que se refere às competências médicas. Mas estas não são chamadas para o cargo em causa. São as competências políticas que neste caso interessam. Neste aspecto, recordo-me de uma entrevista que deu à RTP2 em 2007 onde afirmava (25-07-2007, Jornal 2, após o minuto 22):

  • Há quem use e abuse do serviço nacional de saúde;
  • Os doentes estão inscritos em vários centros de saúde e vão ao médico aqui e ali. Não é assim tão raro, a população gosta às vezes de ouvir outra opinião;
  • A população pede análises em vários sítios;
  • Acho extremamente difícil definir o que são consultas a mais […] Os médicos hospitalares estão sempre a queixar-se que os doentes não largam o hospital […] O doente sente-se bem em lá voltar daí a 3 meses, daí a 6 meses […]

A confirmar-se, concluímos que teremos como ministra da saúde alguém que acha que os portugueses usam o SNS como um parque de diversões, onde vão em busca de recreação, fazendo-o sem necessidade.

O desmembrar do SNS

Portugal gasta cerca de 8,7 do PIB na saúde e o SNS abrange aproximadamente 98% da população. Em contrapartida os EUA gastam 11,7% e só 75% da população tem acesso a cuidados de saúde. A nível internacional o SNS é considerado o 11º melhor sistema de saúde pública sendo que os nossos indicadores de saúde, tais como a esperança de vida à nascença e mortalidade infantil, são melhores do que os americanos. Contudo, hoje, no fórum da TSF, debateu-se “o estado da saúde”, que é como quem diz na linguagem cifrada da comunicação social, alardear depoimentos para a propaganda justificativa do desmantelamento do SNS. Quase apostava, de alguns dos depoimentos que ouvi, serem de encomenda. No meio da “seriedade” dos mesmos, se a audição me não pregou uma grande partida – e, nesse caso, lá terei de recorrer também ao SNS – queixava-se um deles a seco e sem delongas aos microfones da TSF: “ó minha senhora, cortaram-me o pénis sem me avisarem e cegaram-me há três anos, só agora recuperei 10% da visão”. Deixando de lado o problema da visão – ver para crer, não é? – e ficando-me pelo pilar do depoimento, da próxima vez que este cavalheiro recorrer à urgência de um hospital queixando-se de uma dor de cabeça os clínicos não estarão de modas e… cortar-lhe-ão a cabeça. Terá graça ouvi-lo depois na TSF a relatar o sucedido.

Mais um a sair do armário

Depois dos anteriores a quem lhes bastou dois dias depois das eleições para descobrirem que, afinal, não vivíamos no idílio, eis que agora é o Observatório da Saúde que alerta para as ditas taxas moderadoras serem co-pagamentos e para os enormes tempos de espera por certas consultas. Vamos ver quem se lhes seguirá.

Recado da Comissão Europeia à Alemanha

A linguagem não é esta, mas o conteúdo é o seguinte:

Srs teutónicos,

Sabemos que sois um povo cerebral, amante das ciências precisas, terra de filósofos, falantes de uma língua que nomeia com exactidão, cultores da clareza, exigentes com os pormenores, buscadores de perfeição técnica, maníacos da higiene, demandadores de análise, inimigos da precipitação.

Sabemos que desprezais o improviso, abominais a imprecisão, detestais a desorganização, desvalorizais o desenrascanço, substimais mentalidades diversas, menorizais países pouco rigorosos.

Parai, portanto, de dizer asneiras, de fazer merda e de ser terceiro-mundistas.

A humanidade seria solidária, se…

solidariedade

 após  o terramoto, nasce a calma, como as legislativas de 2011 

A humanidade seria solidária, é dizer, sermos uns para outros, colaboradores em reciprocidade e simpatia, dar a mão sem reticências, devolver o beijo querido, tomar conta da parceira, não criticar o que não entendemos e outras qualidades quase rituais, como diz Durkheim em 1912, se, como Mauss criticou sistematicamente no seu jornal L´Humanité e nos seus textos políticos, recentemente aparecidos na PUF, 2002, não houver troca desigual entre países, grupos, castas, classes sociais, como demarcou Karl Marx e Friedrich Engels no seu texto de Paris de 1848: O manifesto comunista. Palavra que em francês é communitaire ou comunitária. Conceito que todos partilhamos para sermos solidários com os que amamos e com aqueles que nos tratam mal, conforme os nossos parâmetros.

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Afinal eram rebentos de soja…

…cultivados na Alemanha. Ninguém me tira da cabeça que os pepinos ibéricos foram vítimas do clássico racismo alemão, uma coisa quase genética. A E. coli e a probabilidade de se ter espalhado por falta de higiene nunca podia ter origem num país onde a arrogância não tem limites. Não, não precisam de um Hitler: quem tramou os países do Sul e agora aproveita para os chupar até ao tutano não tem emenda. Nem nas bactérias.

Ana Jorge, a ministra que desistiu de ser médica

Ana Jorge terá sido médica, em tempos. Agora, ministra, limita-se a macaquear a linguagem insensível de uma certa raça de gestores para quem os números são tudo, as pessoas menos que nada. Ora, mesmo não sendo completamente aceitável que um gestor seja um autómato feito de desumanidade, é compreensível que seja contaminado pela linguagem glacial das folhas de cálculo. De alguém que exerceu o ofício de Hipócrates esperar-se-ia mais alguma tendência para o humanismo, mas Ana Jorge já não é médica, é só mais uma figurante do circo socrático, sendo certo que não está sozinha no Ministério da Saúde, instituição muito frequentada por ex-médicos.

Assim, ouvir a senhora dizer que os portugueses recorrem a “demasiadas consultas médicas” é mais uma prova de insensibilidade, até porque, que se saiba, não há estudos que comprovem essa afirmação ou a contrária ou outra qualquer que fique a meio caminho. Deixar escapar esta afirmação é apenas insultar os portugueses. Nada de novo.

Programa do PSD para a saúde, privatiza filho, privatiza

Lá tenho de repôr aqui o vídeo onde com grande frontalidade esta senhora do BES explica em 25 segundos porque passa pela cabeça de um orangotango entregar a gestão dos centros de saúde a privados.

Curiosamente o FMI no memorando diz exactamente o contrário, no que toca aos hospitais:

Melhorar os critérios de selecção e adoptar medidas para garantir uma selecção mais transparente dos presidentes e membros dos conselhos executivos dos hospitais. Os membros serão obrigados por lei a ser pessoas de reconhecida competência na gestão da saúde e administração em saúde.

Quando li isto lembrei-me da inimputável Leonor Beleza, que transformou a gestão profissionalizada da saúde numa coutada para filiados. Recordo-me de um senhor que passou de merceeiro a gestor de um pequeno hospital, que assim se apoia o comércio local.

Com este programa o PSD consegue que Sócrates vire Lázaro, levanta-te e anda, e pelas sondagens acima ele caminha. Não há pachorra.

A doença

a doença

Há quem pense que estar doente é o sal da vida: não é preciso trabalhar, por baixa não prolongada, as entradas salariais não diminuem, as queixas de não se estar bem elevam a piedade dos outros, até ao dia em que, por ser prolongada, a piedade acaba dando lugar ao cansaço e é-se enterrado em vida. Fica-se só e sem albergue, sem pessoa que acuda, separado dos outros porque a perturbação mental ou corporal, não lhes é agradável, apesar de se querer ter amigos que acompanhem e aprendam a andar a passo lento, esse que a doença permite. A vida segue o seu curso, as pessoas passeiam e fica-se em casa à espera, à espera da mão que nos resgate da solidão das solidões: de se ser um ser à parte e ser uma perturbação para os outros. [Read more…]

Momento publicitário para gulosos:

Ouvi falar em resmas e paletes de Pão-de-Ló e Doces Tradicionais. Por isso, eu vou!

 

a saúde em Portugal

no nosso país todos os hospitais são velhos,estreitos e sem recusrsos

No meu entender, no nosso país temos, pelos menos, três problemas: a educação, a crise financeira e o atendimento da saúde pública.

A educação tem recebido pouca ajuda do Estado para organizar Bibliotecas, criar campos desportivos ou convidar pessoas sábias, fora do recinto estudantil, para suplementar o que sempre se ensina. Já estou farto, nos meus 50 anos de docência, de aceitar convites para falar em escolas, colégios secundários ou universidades. Mas, como o povo merece, nunca disse que não e sempre apareci. Apenas começava a falar, o cansaço desaparecia, passava a ser era para mim um grande prazer, apenas compensado pelos diálogos estabelecidos com estudantes e a minha pessoa. Costumava ir às escolas com menos alunos, até que a brilhante ideia de juntar sítios de estudos, apareceu, foi aprovado e os aglomerados escolares passaram a ser um sucesso, sobre o qual já tenho escrito e não vou repetir. [Read more…]

Um Imposto para a Saúde ou para a Doença?

Ana Jorge é pediatra. Substituiu Correia de Campos. Uma espécie de metamorfose para adoçar a comunicação de medidas injustas no sector da ‘Saúde’. No lugar do presumido e inconveniente Campos,  Ana Jorge, de voz e sorriso maviosos, é a interprete ideal para comunicar o nefasto.

A despeito da mudança, o cerne da política de saúde do governo continua determinado e inflexível: eliminar direitos, restringir serviços e cobrar mais aos doentes. Tudo indica, novas medidas anti-sociais estão a fermentar. Agora foi a vez de Ana Jorge  divulgar a possibilidade de criar um imposto para a Saúde, no programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença.

À parte de naturais dúvidas sobre a constitucionalidade e de outros aspectos de índole política contraditórias de um governo dito socialista, pergunto: a ser criado, deve designar-se Imposto para a Saúde ou para a Doença? A segunda hipótese é a mais rigorosa, uma vez que competirá, sobretudo, à população envelhecida e aos inúmeros doentes crónicos que a integram suportar grande fatia do imposto anunciado. Castigados por baixos rendimentos, excluídos de seguros de saúde por insuficiência de meios ou limites de idade, constituem, de facto, o segmento populacional mais exposto aos efeitos da penalização fiscal – aplicável predominantemente a doentes, sublinhe-se. [Read more…]

Aproveitar o caso A. Vara, para reflectir…

-Não concordo ou pactuo com falta de educação, pelo que sou forçado a condenar a atitude de Armando Vara, no Centro de Saúde de Lisboa a que se terá deslocado na passada 5ª feira. Aproveito no entanto a oportunidade para questionar a obrigatoriedade de qualquer doente se deslocar ao Centro de Saúde para obter a necessária baixa médica, que lhe permita justificar uma falta ao trabalho.
Nos últimos 20 anos, fui forçado a duas paragens que me obrigaram a visitar um médico de família, que apenas sabe que existo, sem praticar qualquer acto médico em ambas as visitas. Não que eu tenha qualquer atitude menos elegante ou falta de cortesia para com o médico, mas visito com regularidade uma médica de clínica geral que está ao serviço da seguradora com a qual contratei um plano de saúde. Mas um dia apanhei uma gripe, evoluiu para pneumonia, recorri à urgência do Hospital privado mais próximo, fui diagnosticado, tratado e medicado, mas o médico que de facto me tratou, passou uma carta para que um colega que nunca me tinha visto até então, passasse uma declaração de incapacidade temporária, que me permitiu justificar as faltas perante a entidade patronal e receber da segurança social o subsídio de doença. Passado algum tempo, planeei uma intervenção cirúrgica, consultas, exames complementares de diagnóstico, cirurgia e reabilitação, tudo feito em Hospital ou clínicas privadas, mas uma vez mais apareci sem problema algum à frente do médico de família no Centro de Saúde, apenas a carta do cirurgião, acompanhada de alguns exames, bastaram para sair novamente munido do necessário papelinho.
Fará sentido ocupar um médico com trabalho burocrático? Tempo também é dinheiro, o que gastei no Centro de Saúde já não faz parte de qualquer terapia ou reabilitação, foram mesmo algumas horas mais que desnecessariamente também não trabalhei, mas justifiquei. Apenas não fui mal-educado com os presentes, nem passei à frente de alguém, esperei a minha vez, diminuindo a minha produtividade.

Só meio milhão sem médico de família?!

buraco A ministra Ana Jorge diz que 500 mil portugueses estão sem médico de família.

Cerca de meio milhão de portugueses não tem actualmente médico de família, revelou hoje a ministra da Saúde, Ana Jorge.
Na Comissão Parlamentar de Saúde, a governante disse que, apesar do aumento do número de médicos de clínica geral e familiar, ainda há muitos utentes sem médico de família atribuído. [Público]

Ó senhora Jorge, será que não olhou por engano para a lista de espera de Massamá?! 500 mil sem médico de família? Não sei, mas parece-me que o desconhecimento dos números chegou às listas de espera. No que me respeita, posso dizer-lhe, sr.a Ministra da Saúde, que pagar os impostos e agora de forma mais intensificada (digamos assim, ok?), não me adianta nada. Fui há dias ao posto de saúde desse cogumelo urbanístico que é Monte Abraão e logo me foi dito que não tinha médico de família. Que havia uma lista de espera. Longa. Que se quisesse uma consulta , haveria distribuições de senhas às 9 e às 14 horas. E que teria que ir cedo porque as senhas esgotam. E não, não me seria possível marcar uma consulta para uma data futura porque isso era reservado para quem tivesse médico de família.

Demita-se, senhora Ana Jorge. Sempre melhorava o SNS, já que, sendo médica, passaria a ter tempo para atender doentes.

Crime organizado

O cérebro é uma esquina em que as leituras se encontram por acaso. Estando eu a respigar os jornais, houve duas notícias que foram uma contra a outra e ficaram agarradas, independentemente da minha vontade: “Criminalidade desce mas é mais organizada” e “Tribunal de Contas arrasa prémios injustificados nos SUCH”.

Assim como as leituras podem encontrar-se por acaso, o Código Penal e o senso comum podem viver desencontrados, a ponto de um acto considerado criminoso numa conversa de café não ser legalmente um crime.

As notícias recorrentes acerca do desperdício de dinheiros públicos podem levar as pessoas a pensar que estará aí uma das causas da crise económica que nos impuseram. O passo seguinte poderá ser o de descobrir que os cortes nos salários e nas prestações sociais ou o aumento do IVA ou a imposição de portagens nas SCUT servem para pagar os abusos como os apontados pelo Tribunal de Contas. Não será isso um roubo, um crime? Se sim, a verdade é que a criminalidade não desce, aumenta. E é, efectivamente, muito organizada.

Somos a Injustiça, Somos o Desperdício, Somos o Ministério da Saúde!

Hoje é a minha vez de secundar  o que o António Fernando Nabais disse aqui, a propósito dos gastos de 21 milhões de euros pelo Ministério da Saúde, via SUCH-Serviço de Utilização Comum dos Hospitais.

A minha intervenção é simples de justificar. Esta tarde acedi ao publicitado Relatório do Tribunal de Contas, exarado em 890 páginas. E mais: tive a paciência de ler mais de 150 dessas páginas. Recolhi, naturalmente, informação cuja divulgação no Aventar me parece oportuna.

No ano de 2007, ainda com Correia de Campos como ministro e mediante despacho favorável do seu gabinete, foram criados três Agrupamentos Complementares de Empresa (ACE), com as originais designações: Somos Compras (CapGemini), Somos Contas (Accenture) e Somos Pessoas (SGG-Serviços Gerais de Gestão). O capital social desses agrupamentos foi realizado na maioria, entre 86 e 95%, pelo SUCH. Os privados, indicados entre parêntesis, subscreveram 5% em cada ACE, com a particularidade de, no Somos Compras, a CapGemini ter alienado a participação a favor do SUCH. Uma das faltas que o TC assinala é a escolha dos citados parceiros ter sido realizada sem ‘procedimento concursal’ (ver pág. 99, por exemplo).

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Dantes já era mesmo a sério, mas agora é que vai ser mesmo mais a sério

Desde que criou a crise, o governo define a sua atitude mais ou menos assim: “nós sempre fomos muito rigorosos e justos e planeámos tudo muito cuidadosamente, mas agora é que vamos ser ainda mais rigorosos e justos e vamos planear tudo ainda mais muito cuidadosamente.”

Foi graças a uma capacidade de planeamento que atravessa todo o aparelho governativo que a Saúde conseguiu gastar 21 milhões em consultoria, em 2009, para exclusivo benefício de três empresas privadas de consultoria e gestão. Os estudos encomendados a estas três empresas, contratadas sem passar por concurso público, serviram apenas para o habitual: lucros privados e prejuízos públicos. [Read more…]

Os pobres que paguem a crise

A propósito das taxas moderadoras e não só, gostaria de começar por secundar o repto feito aqui pelo Carlos Fonseca.

Ora, os meninos que estão no governo, desde que decidiram fingir combater a crise, passaram, igualmente, a fingir que descobriram o rigor e a equidade, factores que, pelos vistos, não eram tidos em conta na governação que conduziram até aqui. A partir de 1 de Janeiro, decidiram cobrar taxas moderadoras a qualquer pensionista ou desempregado com rendimentos superiores a 485 euros. Sem se rir, Manuel Pizarro, secretário de Estado adjunto e da Saúde explicou a medida: “A razão para esta alteração não é estritamente financeira, é de equidade e justiça social. É estarmos convencidos que não faz sentido manter esse benefício a pessoas que em função dos seus rendimentos ou património não precisam desse benefício do Estado.” Finalmente, o governo tem a coragem de pôr na ordem todos esses ricaços que ganham à volta de 500 euros por mês. É o Estado Social no auge da sua glória!

Entretanto, o JN escolhe para esta mesma notícia o seguinte título: “Desempregados e pensionistas com mais rendimentos passam a pagar taxas na saúde” Com mais rendimentos? Lá está, gente privilegiada. É mais um exemplo do jornalista-velejador: sabe sempre de que lado sopra o vento.  

Eliminar taxas moderadoras – O que fazer a José Sócrates?

O governo “socialista” de José Sócrates acaba de consumar mais um acto de injustiça social, como é reconhecido por António Arnaut, co-fundador do Partido Socialista, em 1973, a quem é atribuída  a criação do SNS – Serviço Nacional de Saúde.

Através de portaria do Ministério da Saúde, a partir de 1 de Janeiro de 2011, os desempregados e pensionistas com rendimentos superiores a 485 euros, incluindo os rendimentos de juros de poupanças, elevadas ou limitadas, depositadas a prazo, perdem o direito ao benefício de taxas moderadoras. Portanto, terão aumentados os gastos em medicamentos e serviços médicos prestados no âmbito do SNS.

Segundo o jornal Público, cerca de 60 mil desempregados beneficiam de subsídio superior a 685 euros.  Todos estes serão, portanto, alvo da injusta medida. Todavia, o número de vítimas é significativamente ampliado por outros desempregados e, em especial, pela população de pensionistas. É conveniente lembrar que, entre estes últimos, existem inúmeros doentes crónicos com dificuldades financeiras que, a despeito das taxas moderadoras de que beneficiavam, já se confrontavam com avultadas despesas regulares em medicamentos. Segundo testemunho, ao alcance de qualquer cidadão,  é comum assistir em farmácias ao lamento de quem não dispõe de dinheiro para a totalidade da receita: “Uma vez que só tenho 20 euros, quais os medicamentos da receita que acha indispensáveis comprar?”. Enfim, histórias tristes de uma pobreza que, em vez de ser combatida, se expande.

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no meu corpo mando eu: nem governo, nem médicos, nem…

…para Catarina Almeida, interessada na minha saúde, fez um comentário que inspirou este texto…

Normalmente pensa-se que somos governados, quer pelas nossas células, quer pelas nossas vísceras, ou pelos cidadãos que gerem a nossa soberania.

O primeiro é o corpo. Somos seres humanos e pode criar-nos brincadeiras

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Um Google Earth para o corpo humano

google body browser

O Google Body Browser é um modelo explorável do corpo humano em 3D. Precisa de um browser que suporte WebGL, como por exemplo o Chrome beta ou o Firefox 4.0b1.

Quem quiser dar só uma espreita, para não ter que actualizar o browser, por exemplo, tem no vídeo seguinte uma demonstração do produto.

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Hospital de S. João: As enfermeiras eróticas


Vivemos tempos de crise e de austeridade no Orçamento do Sistema Nacional de Saúde, mas a Administração do Hospital de S. João não quer saber: acaba de encomendar ao estilista Nuno Gama novas fardas para os seus funcionários, num processo que deverá custar aos confres do Hospital mais de um milhão de euros.
O Aventar está em condições de apresentar em primeira mão, hoje, as novas fardas das enfermeiras do Hospital de S. João, desenhadas pelo genial lápis de Nuno Gama.
Devemos agradecer a Nuno Gama e, em última instância, à inteligente Administração do Hospital de S. João. Com estas novas fardas, não vai haver doente que não arribe de imediato, com as consequentes poupanças a nível de hospitalização. Ou não…
– Senhora enfermeira, senhora enfermeira, as minhas lentes de contacto cairam ao chão. Não se importa de apanhar por favor?(…)