25 de Abril: a luta continua. Sempre!

Num tempo em que o ódio, o racismo e a maldade saem à rua sem vergonha, celebrar Abril torna-se ainda mais importante.
Existencial.

Na rua, em casa ou nas redes sociais, manter viva a memória da revolução, as suas conquistas e a brutalidade de que nos libertou é, parece-me, uma obrigação de todos os democratas. Para travar os que tentam reescrever a história e convencer-nos de que no tempo da guerra, da miséria, do analfabetismo, da censura e da corrupção salazarista é que era bom. Não era. E não admira que os defensores desta ideia estapafúrdia sejam os mesmos que hoje têm sonhos molhados com Putins e Trumps. Não tenhas ilusões: no dia em que lhes for permitido, entregam tudo aos oligarcas e atiram-te pela janela do 17.º andar.

A luta continua, não porque este seja um slogan bonito, mas porque a democracia é um projecto sempre em construção, sempre inacabado e sempre alerta para resistir aos novos fascistas. E por muito que guinchem e estrebuchem, são e continuarão a ser a minoria. É por isso que desejam a ditadura. Porque só assim conseguem impor a miséria ignorante à maioria.

Resistiremos!

25 de Abril SEMPRE, fascismo NUNCA mais!

Agora e na hora da morte do Papa, amém

André Ventura, sempre a postos para instrumentalizar a fé em proveito próprio, agradeceu hoje ao Papa Francisco “por tudo”.

O mesmo André Ventura que, não há muito tempo, acusou Francisco de prestar “um mau serviço ao Cristianismo” e de contribuir “para destruir as bases do que é a Igreja Católica na Europa”.

Haver tanta gente que confia neste cata-vento, capaz de afirmar tudo e o seu contrário, é algo que nunca vou compreender. Como nunca vou compreender como é possível alguém achar que Ventura ou outro extremista de direita representa os valores do Cristianismo, como se Jesus tivesse pregado o ódio aos imigrantes e a vassalagem aos oligarcas. Alguém saltou Mateus 25:35 e encontro com os vendilhões do templo.

Francisco era a antítese de políticos como Ventura e de toda a propaganda de ódio e divisão da extrema-direita. Nunca o perdoarão. Perdoar seria demasiado cristão para eles.

Descansa em paz, Francisco

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Partiu o Papa que tentou e conseguiu reaproximar a Igreja das pessoas.
Vai deixar saudades.
Eu terei saudades dele.
Descansa em paz, Francisco 🤍

 

Confrontem André Ventura com isto

Framing a Trump-Putin Meeting: A Short Guide to US-Russia Summits Past -  Atlantic Council

“Não se começa uma guerra contra alguém 20 vezes maior e depois se espera que as pessoas lhe deem mísseis”

A frase é de Trump e acompanha mais uma regurgitação populista do Fascist-in-Chief americano, que voltou a acusar Zelensky de ser o responsável pela invasão decidida por Putin.

É um novo capítulo da novela russa, que começou um concurso de misses em Moscovo, poderá ou não incluir uma filmagem de uma orgia com prostitutas e trocas de urina, seguiu para a interferência de Moscovo em favor de Trump nas eleições de 2016 e conhece agora novos episódios, marcados por beijos do Donald na zona traseira do Vladimir, a quem dá tudo sem pedir nada em troca, incluindo manter o regime russo a salvo das tresloucadas tarifas pensadas por um tipo que as justifica citando um académico que não existe, e cujo nome é um anagrama do seu. [Read more…]

O roast de RAP & Joana Marques a Gustavo Santos (e Miguel Milhão)

Chega a dar pena. O nível de alucinação é cinematográfico.

O Triunfo dos Idiotas

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A democracia foi uma ilusão necessária. Uma ferramenta de propaganda e expansionismo que permitiu aos EUA conquistar ideologicamente a Europa e vencer a Guerra Fria. O seu propósito era claro: consolidar a hegemonia mundial norte-americana. Se a democracia fosse uma prioridade, que na realidade nunca foi, Allende não teria morrido em La Moneda e o Irão poderia muito bem ser hoje um estado secular.

A ilusão da democracia foi, maquiavelicamente, um meio para atingir um fim. Na Europa, claro. No Vietname, Indonésia, Iraque e nos vários golpes de estado patrocinados na América Latina foi imperialismo puro e duro. E o imperialismo é inimigo da democracia.

Não será por isso descabido dizer que foi o soft power, não o poder militar, aquele que deu a vitória aos EUA na Guerra Fria. Foi ele que seduziu a Europa com o Plano Marshall, África com ajuda humanitária e a Ásia com comércio internacional. E que permitiu aos EUA passar incólumes na Sérvia, na Líbia e no Afeganistão. Entre outras exportações de democracia, com os magníficos resultados que se conhecem. [Read more…]

Marine Le Pen é uma criminosa. Lidem com isso

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A condenação de Marine Le Pen deixou a nu a hipocrisia da extrema-direita, que se diz contra a corrupção e outros crimes aparentados, excepto quando os visados são os seus pares.

Aliás, basta ver quem foram os mais vocais em sua defesa: Putin, o ditador que a financiou, Orbán, o primeiro-ministro mais corrupto da Europa, Salvini, o fascista que enverga indumentária putinista, e Elon Musk, o nazi que comprou as últimas eleições americanas. A fina flor da autocracia moderna.

Le Pen desviou dinheiro comunitário para financiar actividades do seu partido. Um partido que se confunde com a própria, como se da sua pequena monarquia se tratasse. Herdou-o do pai, vai entregá-lo um dia ao ex-marido da sobrinha. Nada nepotista. Agora, deve pagar pelos seus crimes. Não está acima da lei. [Read more…]

Pare de insultar a inteligência dos portugueses, senhor primeiro-ministro

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Faço parte da maioria absoluta que não queria eleições. Não por ser entusiasta deste governo, mas porque compreendo e aceito que a democracia é feita de alternância. E a menos que algo muito grave suceda, os governos devem governar até ao fim dos seus mandatos.

E se é verdade que há gravidade nos casos, casinhos e casões que envolvem Luís Montenegro, eles afectam sobretudo a sua pessoa, não a governação propriamente dita (que se saiba). Num mundo ideal, Montenegro demitia-se, era substituído e a governação seguia o seu curso.

O que sucede?

Sucede que Montenegro escolheu fazer cair o seu governo por sua própria iniciativa.

Tinha o orçamento aprovado, sobreviveu a duas moções de censura e estava mais que legitimado para continuar.

Mas optou por mergulhar o país em mais uma crise política e empurrá-lo para eleições. Digo eu e dizem 46% dos inquiridos da mais recente sondagem da Pitagórica para a TSF, DN e JN.

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Montenegro derrubou o seu governo

Montenegro impôs a sua moção de confiança ao país. Após ter sobrevivido a duas moções de censura. Não precisava de o ter feito e poderia ter continuado a governar como até aqui. Fê-lo sabendo que seria chumbada. Sem surpresas. Objectivamente, é o único (ir)responsável pela queda do governo e por empurrar o país para a instabilidade e para novas eleições.

Antes isso que cair da janela

Trump escolheu e empossou David Lebryk como seu Secretário do Tesouro.

Durou 11 dias no cargo.

Por ser incompetente?

Não sei. Mas o percurso enquanto nº 2 do Tesouro Americano, que sobreviveu a Obama, Trump, Biden e novamente a Trump, leva-me a crer que a incompetência não terá sido a razão do seu afastamento.

Já o embate com o grupo de jovens hackers ao serviço do DOGE de Elon Musk, na vã esperança de lhes vedar o acesso à informação contida nos sistemas do Departamento do Tesouro, terminou com Lebryk a meter baixa, a que se seguiu, dias depois, o pedido de demissão. Vá lá que ainda não caem de janelas. Por agora, as exportações russas para a nação trumpista ficam-se pelo bullying a nações mais pequenas, troll farms e filosofia duginiana. [Read more…]

Trumpus inter pares

No dia em que se assinalam 3 anos da invasão da Ucrânia pela Federação russa, a 24 de Fevereiro de 2022, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que exige o fim da agressão e reitera o compromisso com a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia.

Sem surpresas, apenas a Hungria se distanciou dos parceiros europeus, votando contra a resolução apresentada conjuntamente pela Ucrânia e União Europeia. Orbán é um autocrata alinhado com Moscovo, uma espécie de cavalo de Troia do Kremlin no Conselho Europeu, e as suas intenções são conhecidas, como é conhecido o seu total desprezo pela democracia liberal.

Ao lado da Hungria votaram 18 países. Federação Russa, Bielorrússia, Burkina Faso, Burundi, República Centro Africana, Coreia do Norte, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Israel, Mali, Ilhas Marshall, Nicarágua, Níger, Palau, Sudão e… guess what?

Exactamente: os Estados Unidos da América. [Read more…]

Negócios de Paz

Na Arábia Saudita, uma ditadura tão ou mais violenta que a russa, Washington e Moscovo discutiram a paz para a Ucrânia. Sem a presença da Ucrânia ou de qualquer dirigente europeu. Será, tudo parece indicar, a paz que se previa desde o início: a paz que beneficia o agressor e que oficializará a ocupação de parte do território ucraniano. Ucranianos – e europeus – aprenderão uma importante lição, recentemente aprendida, da pior maneira, por afegãos e curdos: os EUA usam e deitam fora os seus proxys. E não, não é de agora.

Marco Rubio, que liderou a comitiva americana, deixou um aviso à UE: “terá que estar à mesa em algum momento, porque também tem sanções que foram impostas”, acrescentando que todas as partes devem fazer concessões, incluindo a parte que não foi tida nem achada nas negociações. Ou seja, o que Rubio nos está a dizer é que devemos deixar cair as sanções para garantir um acordo que não nos diz respeito.

Abanaremos o rabo, como Putin antecipou?

Tudo indica que sim. [Read more…]

Soft Power

A nova América iliberal, que despreza ignorantemente o papel do soft power para o seu estatuto de potência hegemónica, decidiu humilhar e hostilizar os mais antigos e importantes aliados dos EUA: os estados europeus.

A China, que não é estúpida como o exército de memes de Musk e Trump, está atenta. E vai lucrar com isso.

Imortal por direito

Foi a 30 de Novembro de 2009. Lembro-me como se fosse hoje. O Porto de Bruno Alves, Falcão, Hulk e Meireles, orientado por Jesualdo, enfrentava o Atlético de Paulo Assunção, Forlán, Aguero e Simão Sabrosa. Era o jogo grande do grupo D da Champions. E eu tinha um convite para ver o jogo no camarote.

Cheguei em cima da hora, estacionei o meu velho VW Polo entre Bentleys e Porsches, e apressei o passo. Localizado o elevador, corri para apanhar a porta que se fechava. O jogo estava prestes a começar. Entro esbaforido, capaz de ficar entalado na porta, e dou de frente com Jorge Nuno Pinto da Costa. Ofegante e star-strucked, não consegui dizer uma palavra. Disse ele: [Read more…]

Marcelo, o anticapitalista

Ora, salvo melhor prova em contrário, que ainda não encontrei, essa corrida liberal e ultraliberal, além de ser injusta a nível local, regional e nacional, é injusta a nível global, e cria problemas muito complicados em termos de reversibilidade.

O sistema capitalista é um sistema inigualitário, mas assumidamente inigualitário. O liberalismo assumiu-se como tal. Não nos textos, mas depois na prática social, económica e social. Foi uma construção da burguesia.

Eu comecei por dizer que o capitalismo era uma raiz das desigualdades da pobreza. Mas hoje acho que isto já se globalizou. Isto é, já não é, como diziam alguns, o capitalismo de Estado, é o capitalismo globalizado.

Não é possível. As desigualdades inevitavelmente travam quer o crescimento, quer, por maioria de razão, o desenvolvimento. E, portanto, resolver o problema das desigualdades e em particular o combate à pobreza é crucial.

Fragmentos da intervenção de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa.

Paulo Raimundo que fique atento…

Gaz-a-Lago

Trump teve uma ideia para a Faixa de Gaza. Não é uma ideia nova, Putin teve a mesma em relação à Ucrânia. E Xi Jinping tem uma parecida para Taiwan. Trata-se de ocupar e colonizar aquela área. E, no caso americanos, de expulsar os residentes que, seguramente, não terão capacidade financeira para se manter no projecto imobiliário que ali irá nascer. A Riviera de Gaza. Ou, como li por aí, Gaz-a-Lago.

Agora imaginem que Trump, Putin e Xi decidem dividir o resto do mundo em “zonas de influência”.

[Not so] Fun fact: nós ficaríamos na “zona de influência” russa.

Mas pelo menos teremos um novo destino turístico super instagramável.

Camaradas artificiais

A pergunta óbvia, que Sam Altman não antecipou que se colocasse, quando escreveu no Washignton Post há mais de seis meses, mas que se coloca agora, depois da eleição de Trump, da proximidade das grandes tecnológicas americanas com o novo presidente, do que Elon Musk tem feito, mas também do que outras grandes tecnológicas têm feito, é óbvia e trágica para a América e o Ocidente: entre uma Inteligência Artificial que nos oferece as verdades de Xi Jinping e do Partido Comunista Chinês e outra que não sabemos se um dia não nos oferecerá a verdade de Elon Musk, Trump ou companhia, a escolha democrática é assim tão óbvia? Obviamente que não.

Henrique Burnay, Expresso

Deepfucked

Os chineses criaram o seu próprio ChatGPT. Chama-se Deepseek. A ferramenta é de tal forma eficaz que o sector tecnológico norte-americano caiu desamparado na bolsa de Wall Street e perdeu mais de 600 mil milhões de euros. Afinal, o poder das tecnológicas não é assim tão grande.

O que se passou ontem ajuda a explicar a deriva autoritária do capitalismo, sobretudo nos EUA. É que, para o grande capital, para usar a expressão do PCP, os lucros tendem a sobrepor-se à democracia e aos direitos humanos.

Foi assim quando os grandes empresários alemães se aliaram a Hitler, é assim quando bilionários como Elon Musk atacam sindicatos e políticas sociais, e usam os seus recursos quase infinitos para financiar e promover forças de extrema-direita. [Read more…]

Vladimir Trump e a separação de poderes

Trump mandou despedir os procuradores que o investigaram. A oficialização da natureza autoritária dos EUA segue imparável.

O padrão Musk

Ninguém votou em Elon Musk.

No entanto, il consigliere tem neste momento mais poder e exposição mediática que JD Vance. E ombreia com Trump.

Aliás, a saudação nazi – sim, foi uma saudação nazi, e foi intencional, mas já lá vamos – roubou claramente o protagonismo a Donald Trump. No dia seguinte ao mais importante da vida do outra vez presidente dos EUA, o maior comeback da história da política americana, o tema não foi Trump. Foi a actuação do Adolfo de Pretoria. E Trump, dono do mais pedante ego à face da Terra, não deve ter ficado nada contente. A Soberba é pecado mortal, mas Donald é muito cristão. Enviado por Deus.

Esta é uma das minhas esperanças: que os gigantescos egos de Trump e Musk colidam. Sem retorno. A seguir abasteço-me de pipocas e vou assistir ao combate entre nativistas e broligharcs no octógono, com Joe Rogan a comentar e Trump a tirar selfies com Dana White na fila da frente. Se tivesse que apostar, apostava nos segundos. In America, cash rules. Ou como muito oportunamente o colocaram os Wu-Tang Clan: C.R.E.A.M. Dolla dolla bill, y’all.

Adiante.

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TrumpTok

Trump em 2020: Vamos banir o Tiktok. Esta aplicação é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

Trump em 2025: O Tiktok não pode ser banido. Vou reverter a lei para proteger a segurança nacional dos EUA.

Anschluss?

Parabéns a todos os americanos que elegeram este Adolfo, e também a todos os fascistas por essa Europa fora, que rejubilaram com a sua vitória. Estou em pulgas para ouvir as balelas nacionalistas de Ventura e respectiva entourage, no dia em que vierem pelas Lajes.

Parece que fazem de propósito

Em 2022, Fernando Medina gizou um despacho ministerial para garantir que Miguel Martín, à data na calha para suceder à Cristina Cavalinhos no IGCP, mantinha o salário que auferia na Ascendi: 15 mil euros.

À direita, muitos não perderam tempo. Acusaram – e bem – o governo de favorecer o gestor com legislação feito à medida dos seus interesses. No reino digital, a opinião era unânime: estávamos perante mais um caso de “socialismo”.

Dois anos e uns trocos depois, eis que o “socialismo” tomou conta do governo Montenegro/Melo. Hélder Rosalino, um dos nomes incontornáveis dos tempos da austeridade, era o preferido do primeiro-ministro para ocupar o recém-criado cargo de secretário-geral do governo. [Read more…]

Jimmy Carter (1924-2024)

Jimmy Carter foi, de todos os presidentes americanos, aquele que mais vezes esteve do lado certo da história. O mais decente, a meu ver, dos inquilinos da Casa Branca. E se a sua morte era expectável, pelos 100 anos e pelo estado muito debilitado da sua saúde, não deixa de ser significativo que a sua partida coincida com o momento mais frágil da história da democracia americana. Que descanse em paz.

O jantar dos No Name Boys e a percepção de (in)segurança

No final da passada semana, a claque No Name Boys reuniu cerca de 500 elementos para um jantar de Natal, num restaurante em Sintra.

Sem surpresa, alguns membros da claque causaram distúrbios no interior do restaurante, acendendo tochas e causando diversos estragos.

Chamada ao local, a PSP foi recebida com violência, sendo alvo de arremesso de garrafas e outros objectos. Um dos agentes ficou ferido. [Read more…]

Olhe que não, senhor arcebispo, olhe que não

O arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, agradeceu a resistência ucraniana contra as “ondas avassaladoras do comunismo ateu”, pese embora a Federação Russa seja hoje o típico regime ultraconservador e nacionalista de extrema-direita, apoiado pela cúpula de igreja ortodoxa russa, com a qual o Kremlin mantém laços tão fortes e estreitos como aqueles que uniam a igreja católica e o Estado Novo.

Se o objectivo do senhor arcebispo era picar os comunistas, faria mais sentido atirar-lhes a China à cara. A central de financiamento da extrema-direita populista está mais próxima do pensamento político da ICAR do que do PCP. A Rússia de 2024 não é a URSS da Guerra Fria. Ou o senhor arcebispo julga que Putin financiou católicos militantes como Le Pen e Salvini por caridade?

Como o Hamas derrubou Al-Assad

Ironicamente, o atentado terrorista do Hamas contra civis israelitas, a 7 de Outubro do ano passado, foi o último prego no caixão do regime de Bashar al-Assad.

Como?

Assim: Israel reagiu com a brutalidade genocida que é conhecida, o que levou o Irão a ordenar que o seu proxy Hezbollah explorasse as (alegadas) fragilidades do exército israelita a norte.

Como essas fragilidades não existiam, Israel respondeu com a aniquilação total do topo da cadeia de comando e destruiu a infraestrutura dos fundamentalistas libaneses, deixando o Hezbollah a soro. [Read more…]

Almada Contreiras (1941-2024)

Ontem, perdemos mais um dos heróis da democracia.

Almada Contreiras foi o Capitão de Abril que teve a brilhante ideia de sugerir a eterna Grândola Vila Morena como senha que colocaria os militares em marcha, rumo à revolução que libertou Portugal da longa noite fascista.

Que descanse em paz, como merece.

Muito obrigado, comandante.

O governo caiu, mas os alemães têm memória

O governo alemão caiu. Especialistas instantâneos em política interna alemã apressaram-se a garantir que vem aí a extrema-direita, porque Trump ganhou nos EUA e porque Le Pen está na linha da frente para suceder a Macron.

Sucede que na Alemanha, ao contrário de França e sobretudo dos EUA, vigora um sistema político cujo poder reside no Parlamento e no governo que dele resulta. E, ao contrário daquilo que acontece com a direita liberal e conservadora em países como Portugal, Espanha ou França, na Alemanha não há registo de cedências à extrema-direita. [Read more…]

PREC laranja em Boticas

Se a ocupação de terrenos privados para prospecção de lítio, em Boticas, tivesse ocorrido durante o governo Costa, a direita radical – uma pequena parte acampada no PSD, maior fornecedor de quadros do CH, é preciso dizê-lo – diria que estamos perante um novo PREC. Falaria em URSS e totalitarismo. Talvez Venezuela e, quiçá, Coreia do Norte. Mas não se lhe ouve um pio.