Terrorismo supremacista volta a matar nos EUA

Nos EUA, um terrorista de 18 anos entrou no supermercado de um bairro de população maioritariamente negra, matou 10 pessoas, feriu três e transmitiu tudo em directo na Twitch.

Os EUA têm um problema de terrorismo, com origem em organizações e propaganda de extrema-direita, que tomaram o Partido Republicano de assalto desde Trump, onde, de resto, a invasão de Putin colhe inúmeros apoios, do Congresso ao Senado, passando pela Fox News.

Estranhamente, a imprensa do mundo livre insiste em abordar esta realidade como uma sequência de casos isolados, levados a cabo por maluquinhos, como se não fosse possível encontrar um padrão e uma série de responsáveis, com o anterior presidente americano à cabeça, coadjuvado por personagens sinistras como Steve Bannon, Tucker Carlson ou Marjorie Taylor Green.

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Ícaro Rendeiro Epstein

João Rendeiro foi encontrado morto na cela que partilhava com 50 reclusos, em Westville, na cidade sul-africana de Durban.

Voou alto, mas, como Ícaro, a ambição levou-o a aproximar-se em demasia do sol, e as asas de cera acabaram por derreter.

Das capas de jornais e revistas, sempre apresentado como um génio da banca, Rendeiro caiu a pique e acabou pendurado numa cela de um país de terceiro mundo. Um fim inesperado, para quem ainda “ontem” se passeava pelo mundo em jactos privados.

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Ainda sobre o comportamento da escumalha israelita no funeral de Shireen Abu Akleh

Ver estes merdas do IDF à bastonada contra os bravos que tudo fazem para que o caixão de Shireen Abu Akleh não se desfaça no chão, ilustra na perfeição aquilo que é o regime canalha instalado em Telavive: uma cambada de Putins branqueados nas lavandarias da propaganda ocidental.

Matar e profanar o funeral: bem vindos ao apartheid israelita

No funeral de Shireen Abu Akleh, militares do IDF irromperam por entre a multidão que se despedia da jornalista e distribuíram porrada a torto e a direito, incluindo àqueles que carregavam o caixão.

Só a pior da escumalha vai para um funeral à procura de confusão. Mesmo nas barbas da imprensa internacional, para que todos vejam que o regime israelita, sempre autoritário, fez o que bem lhe apetece e atropela quem tiver que atropelar.

O que distingue esta gente do regime russo?

30 anos de prisão por um aborto espontâneo

Entretanto, em El Salvador, terra governada por aquele deus neoliberacho das bitcoins, que dá pelo nome de Nayib Bukele, uma mulher foi condenada a 30 anos de prisão por um aborto espontâneo. Mas hey, pelo menos os mercados são livres.

Shireen Abu Akleh e o Kremlin de Telavive

Durante mais de duas décadas, Shireen Abu Akleh foi mais do que uma jornalista. Foi uma pedra no sapato do apartheid israelita na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Foi a voz que denunciou inúmeros abusos de direitos humanos e do direito internacional, tão em voga desde o início da invasão da Ucrânia, grotescamente ignorados quando o Kremlin que dá as ordens se situa em Telavive.

Não sei quem disparou o tiro que matou Shireen. Talvez nunca venha a saber. Mas sei onde é que ela era persona non grata.

E quem se sentia incomodado pelo seu trabalho.

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Europa Salazar

Na semana passada, Federação Russa levou a cabo exercícios militares com mísseis balísticos Iskander, no enclave de Kaliningrado, o posto avançado do Kremlin no nordeste da União.

Segundo o Ministério da Defesa russo, o exercício consistiu numa série ataques contra posições que simulavam sistemas de lançamento de mísseis, infra-estruturas estratégicas e outras alvos militares. O exercício simulou também operações em contexto de radiação e contaminação química.

Moscovo está em alerta nuclear desde o início da invasão. Para evitar o envolvimento directo dos EUA e garantir que o espectro do medo continua a assombrar a Europa.

Existem inclusive relatos que dão conta de uma tentativa de normalização do uso de armas nucleares, através da imprensa russa, toda ela controlada pelo Kremlin.

Este clima de intimidação permanente não é tolerável. E por muito que a NATO tenha provocado a Federação Russa – e isso não é apenas factual, é uma constante, desde a desintegração da URSS – existe uma diferença abismal entre os jogos de xadrez da NATO, que a Federação e os seus aliados também praticam, e a destruição em curso da Ucrânia, com a ameaça objectiva de um ataque nuclear.

Pagaremos cara, muito cara, a cobardia de não abdicar do conforto que o gás barato da oligarquia russa nos proporciona. Queremos armar a Ucrânia a todo o custo, mas somos incapazes de parar o fluxo de euros para as contas bancárias do Kremlin, que Putin usa para massacrar ucranianos. Esta Europa é como Salazar, a apoiar os Aliados e a vender volfrâmio aos nazis.

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Joe Berardo, o reflexo da nossa mansa submissão

A lata deste indivíduo é infinita, mas há um je ne sais quoi de justiça divina na canalhice de Joe Berardo.

Porque ele é a imagem perfeita da nossa mansidão, da nossa submissão aos fatos, às gravatas, aos brasões e a um conjunto de outras parolices que colectivamente veneramos.

Por ele é produto acabado do oportunismo que floresce entre os conformados, abertos a todo o tipo de exploração e abuso, desde que não falte pão, circo e bola a rolar ao fim-de-semana.

É sad mas é a verdade esfregada na nossa cara. A puta da verdade que dói. Se bem que, no fundo, mais não temos que os Berardos que merecemos.

Marine Le Nine

Alguém avise o André Coisinho que a amiga dele bebeu demais e está a precisar de um exorcista. Ele que traga o veterinário da Opus Dei, que em princípio resolve-se tudo de uma vez.

Se vamos investigar o PCP, investigue-se o PSD também

Essa ideia de se investigar um partido, por ter uma posição com a qual não se concorda, parece-me uma ideia pouco democrática. Mas se é para ser, então que seja retroactiva. Porque se vamos investigar as ligações do PCP ao Kremlin, talvez fizesse igualmente sentido investigar o PSD, porque a ascensão meteórica de Durão Barroso, da Cimeira das Lajes para a presidência da CE, e daí para a do Goldman Sachs, para ainda ir parar à Aliança Global para as Vacinas, também dava uma bela de uma investigação.

Movimentos pró-vida

Não andamos muito longe disto.

Viktor Orbán, o ponta-de-lança de Putin para destruir o projecto europeu

True love…

Vyacheslav Volodin, presidente da Duma, fez eco do velho coro fascista do colapso iminente da UE, objectivo que o regime do qual é vassalo tem financiado ao longo dos últimos 20 anos, e encorajou os estados-membros a abandonarem o projecto europeu.

Chamem-me putinista, mas há uma certa sensatez nestas palavras. De facto, países como a Hungria enquadram-se mais numa lógica de República Popular autoproclamada à sombra do Kremlin. Não partilha dos valores fundamentais da União, não-respeita a separação de poderes e não é um regime democrático. Mas não é o único. A Polónia pode ir pelo mesmo caminho.

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Papa Francisco, agente do Kremlin

A direita não morre de amores por Francisco. Alguma odeia-o abertamente. E só não odeia mais, e mais vocalmente, porque a máscara cristã pode cair, o que é sempre chato.

As declarações feitas pelo papa ao Corriere della Sierra, sobre a invasão russa da Ucrânia, têm tudo para o transformar num perigoso neofascista a soldo de Putin, ou num comunista, que, segundo o Ministério da Verdade, é uma e a mesma coisa.

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Liberdade iliberal

Nos EUA, a liberdade é um conceito que apenas encontra a plenitude na selvajaria económico-especulativa. Ou nas áreas controladas por lobbies poderosos, como a venda e porte de arma, que, como sabemos, nada tem a ver com o abundância de tiroteios mas ruas, escolas ou eventos públicos.

Liberdade, na perspectiva do neoliberalismo ultraconservador norte-americano, é mais ou menos isto: és livre para criar empresas, para pagar poucos impostos e para andares na rua armado em cowboy com perturbações mentais. É uma nação de tal forma livre, que pode livremente invadir outras nações, destruí-las irremediavelmente, com múltiplas violações do direito internacional e crimes de guerra, e de seguida tomar conta dos seus recursos, perante uma calorosa standing ovation dos mesmos que agora rasgam as vestes pela Ucrânia, e que muito provavelmente me acusarão de putinismo por esta referência, que espírito pulha-pidesco vive dias de glória. Podem ir directos para o caralho que os foda, sem passar na casa partida e sem receber dois mil escudos.

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O IV Reich passa por Estocolmo

O regime russo deu mais um passo em direcção a demência colectiva, lançando uma campanha de demonização da Suécia e do seu povo, que classifica, sem surpresas, de nazi.

Este grau de imbecilidade não surpreende, ou não vivesse eu num país onde alguma esquerda acusa toda a direita de filiação fascista, tal como um significativo sector da direita acusa toda a esquerda de estalinista, para não falar no anedótico PSD, que por estes dias acusou Costa de liderar um regime totalitário. Tolinhos ou aldrabões manipuladores, são todos a mesma merda, cagada no mesmo esgoto propagandístico.

A diferença, claro, é que as declarações russas tendem a preceder “operações militares especiais”, também conhecidas por “desculpa esfarrapada para justificar invasões motivadas pelo controle geopolítico e de recursos naturais”. Depois temos que aturar os líricos a falar sobre a paz, como se fosse possível negociar coisa que se parecesse com um fascista, financiador de outros fascistas, que acusa tudo o que mexe à sua volta de nazi. E ainda há quem se admire com a intenção da Suécia e da Finlândia de abandonar a neutralidade e aderir à NATO. Contra um pulha como Putin, mais vale prevenir – com armamento até aos dentes – do que remediar.

As gasolineiras e o socialismo

Volta e meia somos iluminados pelos especialistas em preços de combustíveis, com aquele argumentário sempre sólido e factual, que se resume bem nas duas traves mestas da retórica destes doutos académicos, a saber: “a culpa de ___________ (inserir a maleita que mais vos aprouver) é do socialismo”, porque o PS, garantem os especialistas, é mesmo socialista, e “os impostos são __________ (inserir a dose de anarco-capitalismo desejada)”, porque as nações mais prósperas do planeta nem cobram os impostos mais altos nem nada. Toda a gente sabe que a Escandinávia, repleta de fome e miseráveis, ombreia com russos, sauditas e chineses em matéria de totalitarismo.

Dito isto, olhemos para o pensamento académico dominante entre os especialistas em preços de combustíveis. Quando os combustíveis sobem por decisão das gasolineiras, os especialistas em preços de combustíveis garantem que a culpa é do governo. Quando o preço do barril de Brent sobe, seja por uma alteração na relação entre oferta e procura, seja por mera especulação, os especialistas em preços de combustíveis também garantem que a culpa é do governo. Esta semana, contudo, os especialistas em preços de combustíveis deram um salto de gigante em direcção à excelência. O governo desceu o ISP, as gasolineiras não reflectiram essa descida, apropriando-se de parte do corte, e os especialistas em preços de combustíveis, sempre geniais, rapidamente concluíram que a culpa foi do governo. Confesso que não sei o que seria de nós sem os especialistas em preços de combustíveis. E sem as gasolineiras, que lutam como ninguém contra a tirânica opressão do governo, quais Robin dos Bosques fiscais, roubando aos pobres para dar os ricos. E sem a ERSE, que nos protege a todos dos aumentos e confiscos impostos pelo governo, de pistola sempre apontada às cabeças da GALP, BP e Repsol, condenando-as a brutais aumentos de lucros. Parafraseando Amália, estranha forma de socialismo.

A União Soviética nunca existiu

Tal como certos e determinados camaradas do Partido Comunista da União Soviética foram desaparecendo “misteriosamente”, das fotos e da face da Terra, também Putin, experiente na arte de fazer desaparecer opositores políticos, pretende que a Ucrânia desapareça sem deixar rasto. As acções do Adolfo de São Petersburgo falam por si.

Azar o dele, a prática da lavagem cerebral torna-se menos eficiente do lado de lá das fronteiras russas, pese embora a adesão de vastas regiões do globo à propaganda, que a arrogância eurocêntrica, cheia de si, não consegue vislumbrar ou combater. Uma das traves mestras da sebenta fascista de Putin, é a ideia de que a Ucrânia não existe enquanto país, por resultar do colapso da URSS. Ora, por essa ordem de ideias, também a URSS nunca existiu como país, por resultar do colapso do império czarista. No limite, nenhum país existe, porque as fronteiras estão há séculos em constante mutação. Itália e Espanha seguramente não existem. Alemanha idem. Portugal também não tem grande esperança de existir, na medida em que resultou de um condado atribuído pela coroa de León a Henrique de Borgonha.

O mais triste nesta narrativa da não-existência da Ucrânia nem é a propaganda russa. Propaganda é propaganda, não é para levar a sério. O mais triste é mesmo haver quem viva numa democracia, com acesso livre a fontes informação sem censura, e acredite numa estupidez desta magnitude.

Viktor Orbán, o Salazar de leste a precisar de cair da cadeira

Retirado do About Hungary, um site de propaganda do regime, onde o culto da personalidade de Orbán ultrapassa todos os limites do lambe-cuzismo, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Péter Szijjártó:

At the same time, he continued, the security of Hungary and the Hungarian people is more important to us than anything else. “This is not our war, so we want to stay out of it and we will stay out of it” he wrote, adding that the government is not willing to risk the peace and security of the Hungarian people, “so we will not deliver weapons and we will not vote for energy sanctions” Minister Szijjártó said that on all these issues, the Hungarian people on Sunday expressed a clear opinion and made a clear decision.

No fundo estamos perante uma espécie de salazarismo igualmente servil, que ao invés de se dizer do lado dos Aliados enquanto colabora com os opressores do Eixo, se diz do lado das democracias liberais, apesar de não passar de um emissário de Putin no seio da UE e da NATO. Espero que, tal como Salazar, tenha em breve a oportunidade de declarar luto nacional pela morte de Putin. Podendo também cair de uma cadeira, não se perde nada.

Sindicalismo escandinavo

Celebrou-se hoje o 1° de Maio, Dia do Trabalhador, mas o sindicalismo, ameaçado à escala global, continua em trajectória descendente, de desmobilização. Ainda assim, sobrevivem boas excepções, como os inevitáveis nórdicos, onde a percentagem de trabalhadores sindicalizados, face ao total da população empregada do país, é mais alta. Ainda que enfrentando a mesma tendência de queda.

50,4% na Noruega, em 2019. Em 2000 estava nos 53,6%.

58,8% na Finlândia, em 2019. Em 2000 estava nos 74,2%.

65,2% na Suécia, em 2019. Em 2000 estava nos 81%.

67% na Dinamarca, em 2019. Em 2000 estava nos 74,5%.

92,2% na Islândia, em 2020. Em 2000 estava nos 89,1%.

Em 2019, a média da OCDE – onde fui buscar estes valores – era 15,8%. Em 2000 era 20,9%.

Em 2016 – os números mais recentes no site da OCDE – a média em Portugal era 15,3%. Em 2002 – também não tem 2000. Ou 2001 – era 20,5%. Em linha com a média.

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PSD, PS e CDS na rota da espionagem russa

Depois do escândalo em Setúbal, que ocupou o espaço mediático e os feeds das redes sociais durante todo o dia de ontem, pouco se falou sobre as exactas mesmas suspeitas em torno das autarquias de Albufeira, Aveiro e Gondomar. O facto de serem governadas por PSD, PSD/CDS e PS, respectivamente, não terá sido motivo de interesse, como se verificou no caso de Setúbal. E isto diz-nos muito sobre a agenda que norteia este debate, que parece ter mais a ver com a necessidade de manter o cerco ao PCP do que com o apuramento daquilo que realmente se passou ou com o perigo que tal representa para os refugiados ucranianos. Business as usual.

Boris Becker foi preso

por fraude e evasão fiscal.

Igor Khashin, a ponta de um imenso icebergue de espionagem russa

Ainda não se sabe tudo, mas já se sabe o suficiente para fazer soar todos os alarmes. Aliás, já se sabia há um par de semanas, após uma entrevista de Inna Ohnivets à CNN, que passou algo despercebida: Igor Khashin, o homem do momento, ainda que pelas piores razões, controla a associação EDINSTVO, que está a participar no acolhimento de refugiados ucranianos em Portugal, apesar de ligação directa ao Kremlin, através da embaixada russa em Lisboa.

A serem verdadeiras, as alegações do Expresso – que, até ao momento, não foram desmentidas – Khashin e a esposa, Yulia Khashina, estão a receber famílias ucranianas que pretendem refugiar-se em Portugal, no gabinete da Linha Municipal de Apoio aos Refugiados, pertencente à CM de Setúbal. Acontece que Igor não é funcionário da autarquia, pelo que não se compreende a sua presença no local.

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Elon Musk a viver acima das suas possibilidades

Para adquirir o Twitter, pela astronómica soma de 40 e tal mil milhões de euros, Elon Musk teve que se endividar, pese embora o seu net worth seja suficiente para cobrir as suas despesas. Estará o sr. Tesla a viver acima das suas possibilidades? Se não está, parece.

A escolha fácil entre Macron e Marine Le Putin

A vitória de Macron era expectável, mas não estávamos livres de uma desagradável surpresa. Felizmente, a extrema-direita fez aquilo que sabe fazer melhor: não passar. E não passou.

Se Macron seria o meu candidato, fosse eu francês? Seguramente que não.
Se eu votaria nele na segunda volta?
Sem pestanejar.
Quando as escolhas são todas más, opta-se sempre pelo mal menor. E Macron, na pior das hipóteses, era o mal menor. Infinitamente menor que a emissária de Putin no centro da Europa.

No Kremlin, as garrafas de champanhe voltaram para o frigorífico. Havia esperança, proporcional ao medo do lado de cá, mas Putin acabou por ser o grande derrotado da noite. Putin, Salvini, Orbán, Farage, Gauland, Wilders, Abascal, o coiso e todos os novos fascistas que sonham com uma Europa dividida, à mercê do Kremlin. Como diria o grande Diego Armando Maradona, “que la chupen y sigan chupando”.

P.S: Para aqueles que continuam a normalizar o CH, a começar pelo PSD de Rui Rio, notem que Ventura e Putin estiveram no mesmo coro de apoio a Le Pen. Porque, no fundo, jogam todos na mesma equipa, diga o CH o que disser no Parlamento. Querem sentir o pulso à extrema-direita portuguesa? Ide ler a carta de amor de Maria Vieira ao regime russo.

Mithá vai com as outras

Gabriel Mithá Ribeiro, o deputado do CH que anda há anos a jurar a pés juntos que não existe racismo em Portugal, apesar de há dias ter garantido ao país ter sido vítima de racismo, por não ter sido eleito vice-presidente da AR, deu esta semana o ar da sua graça ao assumir todo o interesse do CH em integrar uma comissão que o CH tentou extinguir. Quando não estão a perdigotar ódio ou a aldrabar a nação com “factos alternativos” a la Trump, os deputados da extrema-direita fazem bons sketches de humor. Está ali um excelente elenco para um remake dos Batanetes.

Rádio Renascença, 25 de Abril de 1974, 00H21

Já não havia volta a dar. E ainda bem.

Marine Le Pen e o terramoto que poderá virar o jogo a favor de Putin

Mentiria se dissesse que não estou preocupado. É claro que estou preocupado. Como deve estar preocupado qualquer um que acredita no nosso modo de vida, no projecto europeu e na democracia liberal. E na nossa segurança colectiva. A possibilidade de Marine Le Pen chegar ao Eliseu equivale a escancarar os corredores mais restritos da UE e da NATO a Vladimir Putin, altera a balança de poder no conselho de segurança da ONU e coloca um dos exércitos mais poderosos do mundo, com capacidade nuclear, sob tutela de alguém que moderou a linguagem para ganhar as eleições, mas que foi a mesma pessoa que, a propósito de Putin, afirmou o seguinte:

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Não te enterres mais, PCP

Acho piada, mesmo muita piada, àquela malta do PCP que fica muito indignada por ver o seu partido debaixo de fogo, devido às posições ambíguas e altamente duvidosas sobre a invasão da Ucrânia, quais caixas de ressonância da propaganda do Kremlin, a dizer que o Zelensky é um facho e um nazi e mais não-sei-o-quê, e que o PCP fez muito bem e não estar ontem na Assembleia da República a ouvi-lo, porque ele baniu partidos e até levou um peido nazi da escumalha Azov ao parlamento grego. Sim, tudo isso é verdade. Imagino que Estaline também não terá morrido de amores quando teve que dar as mãos aos capitalistas para derrubar Hitler. Mas permitam-me um “foda-se” introdutório para vos dizer isto: quantos partidos existem mesmo no parlamento daquele regime que todos os anos é convidado para a Festa do Avante, chamado Coreia do Norte? E quem é que anda mesmo a financiar tudo o que é facho por essa Europa fora?

Exactamente.

Vá, deixem-se lá de merdas e não se enterrem mais.

Zelensky e o delírio do PCP

A justificação apresentada pelo PCP, para não participar na sessão parlamentar onde hoje discursou Zelenskyy foi, para mim, um completo absurdo. Dizer que a sessão parlamentar foi “concebida para dar palco à instigação da escalada da guerra” não faz qualquer sentido, não só porque não existe uma guerra, mas uma potência agressora que invadiu um Estado soberano, e um povo que resiste como pode, mas também porque dar a palavra a um líder democraticamente eleito, gostemos ou não dele, não instiga coisa nenhuma, porque não é a vinda de Zelensky à Assembleia da República que fará aumentar a intensidade do conflito. Quem o iniciou e decide se a sua intensidade aumenta ou diminui é Moscovo, não Kiev.

De igual forma, a sessão parlamentar onde Zelensky marcou presença não é “contrária à construção do caminho para a paz”. Contrário à construção da paz é a invasão russa, o massacre de civis, as cidades arrasadas e a recusa de Putin em recuar e parar a carnificina. Não sei como pretende o PCP que se construa a paz, quando estamos perante uma invasão deste grau de brutalidade, dirigida por um carniceiro que pretende esmagar e anexar um Estado soberano, mas a única saída possível para esta agressão é a retirada completa das tropas russas, Donbass e Crimeia incluídas. O que pretende o PCP? Que a Ucrânia se renda e entregue as chaves de Kiev a Putin? Se não é, parece, porque é exactamente isso que acontecerá caso os ucranianos deixem de se poder defender. E sim, eles precisam mesmo de armas. Putin não quer saber de palavras ou diplomacia.

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Elon Musk, o Twitter e os outros

A tentativa “hostil” de Elon Musk tomar conta do Twitter tem sido tópico de discussões acesas. Podemos confiar tão poderoso instrumento de geração e partilha de informação a um homem só, ainda por cima tresloucado? Que ameaça poderá representar este homem, tão poderoso, com ainda mais poder?

É interessante assistir a esta discussão, quando o próprio Twitter tem, entre os seus accionistas, um príncipe Saudita e vários fundos abutres. Quando Bezos é dono do Washington Post e a grande maioria da imprensa mundial está nas mãos de oligarcas do bem. E mesmo que Musk tomasse conta do Twitter, que é uma empresa privada como outra qualquer, ainda ficaria a anos-luz de Mark Zuckerberg.

Qual será, então, a nova ameaça que o dono da Tesla representa?

Suspeito que nenhuma. Suspeito, aliás, que terá incomodado alguém com poder, para estar agora debaixo de fogo. Ou então é circo para entreter o povo, que se vai esquecendo que o essencial não é quem manda nas redes, mas a ausência de regulação sobre o imenso poder das tecnológicas.