A presente resolução do Conselho de Ministros determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano lectivo de 2011 -2012 e, a partir de 1 de Janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na dependência do Governo, bem como à publicação do Diário da República.
Efectivamente: hoje, no sítio do costume
O Egito e o Egipto?
Sim, o Egito e o Egipto. Efectivamente: o Egito e o Egipto. Exactamente.
Sempre em contato

© Christian Witkin/VF (http://vnty.fr/1EdNq4s)
I try to deny myself any illusions or delusions, and I think that this perhaps entitles me to try and deny the same to others, at least as long as they refuse to keep their fantasies to themselves.
[W]hen the truth becomes inconvenient, the person takes a flight from facts.
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Efectivamente, com o Acordo Ortográfico de 1990, há quem fuja de factos e aproveite o embalo para evitar contactos e secções — e há quem julgue (e divulgue) que “as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior“. Houve mesmo, in illo tempore, referências a matérias muito relevantes para a ortografia portuguesa europeia, como cortes de cabelo e barba.
No entanto, em suma, aquilo que actualmente temos é isto:
O candidato da coligação Mudança, Victor Freitas, esteve em contato com a população de Santa Cruz e do Caniço.
O candidato da coligação Mudança esteve hoje na freguesia de Santo António para contatar a população local.
O candidato da coligação Mudança esteve hoje no bairro da Ajuda para contatar a população local.
A coligação Mudança esteve hoje em Gaula contatando a população.
No âmbito das “Presidências Abertas” no concelho de Machico, o PS-M visitou hoje a freguesia do Porto da Cruz para contatar com a população.
Portugiesisch für Anfänger

via Catarina Martins @catarina_mar http://bit.ly/1Aoy4ZH
Um cartaz do Bloco de Esquerda com “erros de alemão“, und dann brach die Hölle los.
É verdade que falta uma vírgula antes do pronome relativo. É verdade que os adjectivos não são grafados com maiúscula inicial. É verdade que só comete erros destes quem não sabe alemão e se esquece de pedir a alguém que saiba para escrever (ou rever) a frase. Tudo isto é verdade.
A ironia é “erros de alemão” serem notícia num jornal português que escreve “temos de enfrentar o fato“, “contatado pelo Expresso”, “o Expresso tentou contatar“, “Seguro desdobra-se em contatos“.
A ironia é “erros de alemão” serem notícia num jornal português que escreve *eletric (sim, é inglês).
Como dizia o meu amigo Rainer Euler, wer im Glashaus sitzt soll nicht mit Steinen werfen.
«Comprei cinco bilhetes a uma pessoa
afeta ao Super Dragões». Não percebo: “uma pessoa afeta“? E o ‹s› de ‘aos’ não é pronunciado? Sendo pronunciado, quem é o Super Dragões? A Bola procurou uma reação? Uma [ʀjɐˈsɐ̃ũ̯]? Que grande confusão.
Confessaram os fatos em Ponta Delgada
Sim. Confessaram os fatos. Em Ponta Delgada. Em 2012, havia exceto. Em 2015, há exceção. Contudo, os fatos mantêm-se. Tudo como dantes. Siga.
Are you following this, America?
Óptica! Óptica. Sim, exactamente: ó-p-t-i-c-a.
Como diria o John Cleese: The clue is in the title.
Se ‘foot’+’ball’ = ‘football’, então ‘ó’ + ‘p’ + ‘t’ + ‘i’ + ‘c’ + ‘a’ = ‘óptica’.
Sim, é extremamente simples.
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990?
Ou seja, “para no próximo sinal amarelo” e “em risco para o clássico”? Ah! “pára no próximo sinal amarelo” e “em risco para o clássico“. OK. Siga.
Vamos falar de sexo?
1) «Susana brinca na cama com o marido a nomear figuras públicas durante o ato sexual».
2) «Este é um projecto Expresso/SIC que seria impossível de levar a cabo há vinte anos – até mesmo há dez -, sinal dos tempos e das mudanças que vão acontecendo na sociedade portuguesa».
3) Está tudo dito.
Erros de transcrição? Exactamente

© AFP via Nouvel Observateur (http://bit.ly/16ujO5z)
Acabo de ler, no Expresso, uma notícia sobre “erros de transcrição” nas “escutas telefónicas para o processo dos submarinos”. O Expresso distingue “aquilo” em vez de “a Kiel”, “Monte Canal” em vez de “famoso canal”, “Canalis” em vez de “canal”. Contudo, por motivos que me escapam, o Expresso não se debruça sobre outros óbvios (e gravíssimos) erros na transcrição:
- “impercetível” em vez de “imperceptível”,
- “exato” em vez de “exacto”,
- “exatamente” em vez de “exactamente”.
De facto, ouvindo a transcrição, além de não detectar qualquer ocorrência de *[izɐtɐˈmẽtɨ], verifico que aquele *’exato’ é incorrecto (uma vez que, é sabido, ‘exactamente’ = ‘exacta’ + ‘mente’) e reparo na ocorrência de *’impercetível’, palavra sem qualquer significado em português europeu, pois a pronunciação corresponde a [ĩpɨɾsɛˈtivɛɫ] e não a *[ĩpɨɾsɨˈtivɛɫ]. Sendo [ĩpɨɾsɛˈtivɛɫ], logo, ‘imperceptível’: QED (este e não o outro).
Quem não detecta tais falhas (mais óbvias e mais graves) não é detective: quando muito, será *detetive — palavra com padrão grafémico semelhante ao da primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo ‘deter’ (‘detive’) e, no mínimo, homógrafa da correspondente flexão do verbo *deteter: *detetenho, *deteténs, *detetém, *detetemos, *detetendes, *detetêm; *detetive, *detetiveste, *deteteve, *detetivemos, *detetivestes, *detetiveram; etc.
P.P. – Então? Já cheguei. Aterrei agora.
A.P. – Aterraste onde?
P.P. – Aterrei da Alemanha.
A.P. – Ainda foste à Alemanha?
P.P. – Ainda fui, ainda fui, aquilo!
A.P. – Fizeste muito bem. Ao (impercetível).
P.P. – Ao Canalis, exato.
A.P. – O Monte Canal é a promessa do Bismark.
P.P. – Exatamente, exatamente…
Uma escola sem contactos
O Agrupamento de Escolas Pioneiros da Aviação Portuguesa, na Amadora, não tem contactos. Tem contatos. De acordo com as últimas notícias, e segundo o chamado acordo ortográfico (AO90), consoante que se pronuncia é consoante que se escreve, para pôr a coisa em termos simples, ainda que simplistas.
Partindo do princípio de que a maioria dos portugueses pronuncia o C que antecede o T, deveríamos, então, continuar a escrever “contacto”.
Antes do AO90, já éramos um país ortograficamente desleixado e/ou inseguro? Éramos. Com o AO90, os problemas aumentaram, não só por causa do dito mas também. [Read more…]
Uma ideia para melhorar a Universidade do Porto?
Está bem, só uma: não (tentar) adoptar o AO90.
Ronaldo pede desculpas
pela adopção de ‘ato’ e de ‘irrefletido’: «Peço desculpas pelo meu ‘ato irrefletido’».
“A tática do medo já não funciona na Grécia”
Ferreira Fernandes propõe: “Na frase, mude-se ‘revolução’ por ‘guerra'”
Eu proponho que, na segunda frase, se escreva ‘confecção’.
Não é verdade
aquilo que Fernanda Câncio escreve: “As pessoas provocam e há reações“. Em português europeu, quando as pessoas provocam, há reacções. Efectivamente: reacções.
O Expresso insiste, insiste, insiste
A insegurança ortográfica
Fernando Venâncio*
Eu não devia, nós não devíamos, publicar estas listas. A própria visão duma grafia errada vai criar, pouco que seja, uma habituação. Os nossos neurónios não são parvos.
Mas silenciar também não é opção. Há uma justificada esperança de que a acumulação de destemperos gere algum susto. Não, definitivamente, os nossos neurónios não são parvos.
Entretanto, da parte dos responsáveis, sim, objectiva ou subjectivamente responsáveis, nem um pio. Onde está o comunicado do ILTEC, onde a nota da Academia, onde o sussurro de João Malaca Casteleiro e colegas, fazendo saber o mínimo dos mínimos: que «não foi isto o que quisemos»?
Senhores e amigos: tem de haver uma maneira de tirar estes cidadãos da zona de conforto em que, desde há anos, se acoitam. Aceitam-se sugestões com tino. Dispensam-se brados d’alma. [Read more…]
Zeinal Bava e a irrelevância

© Mário Proença/Bloomberg (http://bloom.bg/14NfApG)
Apesar de continuar sem conhecer – e sem querer conhecer – a resposta à pergunta “Quem tramou Zeinal Bava?”, o meu interesse na tese da irrelevância mantém-se. Gostei de ler as notícias de ontem, acerca dos esclarecimentos que a Oi vai pedir a Zeinal Bava, pois estes podem ser extremamente importantes para dissipar algumas dúvidas que possa ainda haver nas cabeças daqueles que nos governam.
Por exemplo, quando é feita a transcrição de excertos de um texto escrito em português do Brasil, [Read more…]
O fato em conta

© António Cotrim/Lusa (http://bit.ly/1tZqizf)
Segundo o Record, Marcelo Rebelo de Sousa, “adepto do Sp. Braga”, reagiu “às manifestações de alegria na redação da TVI”. Acontece que a TVI não tem *redação. Se ouvirmos atentamente a reacção de Rebelo de Sousa, percebemos que “o adepto do Sp. Braga” diz «pelo eco aqui da redacção». Efectivamente: [ʀɨdaˈsɐ̃ũ]. Rebelo de Sousa não referiu qualquer *redação [ʀɨdɐˈsɐ̃ũ̯]. Porquê? Porque a TVI não tem *redação. A vida (como determinadas regências) é extremamente simples. Tomai esse *fato em conta. Fato? Hoje? No sítio do costume? Exactamente.
ATRACÃO FATAL
Claro, ATRACÕES. O cê não se pronuncia. Era o outro cê? Ah! «O Pego do Inferno continua a ser uma das principais atracões [sic] turísticas do concelho de Tavira».
As minhas reais preocupações sobre o fato

© Alain Rossignol / Jorge Cunha (http://bit.ly/1Denk24)
That no good. Ugh.
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Segundo Elisabete Jacinto, o “problema reside no fato de desconhecermos onde está esse limite“. Por seu turno, Ricardo Leal dos Santos considerou importante “o fato de tudo ter corrido sem qualquer tipo de percalço“. Efectivamente, já em Novembro de 2014, de acordo com a mesma fonte, o piloto Nico Hulkenberg revelara estar “muito contente pelo fato do calendário da Fórmula 1“. Há poucas horas, surgiu “o fato de na véspera“. Através deste pequeno périplo, isolámos um exemplo muito concreto de geração de estrangulamentos e de constrangimentos. Estrangulamentos e constrangimentos? Exactamente.
Igualmente respeitador daquele princípio extremamente conhecido (“Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”), Rui Caldeira, director do Observatório Oceânico da Madeira, escreve o seguinte:
Estes acontecimentos serviram também para despertar as minhas reais preocupações sobre o fato de que na condição de ilha no meio do Atlântico estarmos [sic] desprovidos de um sistema de monitorização permanente do oceano circundante.
Além das “preocupações sobre o fato”, poderíamos perguntar o porquê de ‘trajeto’, ‘boias’, ‘direção’ e até ‘efetuamos’, quando ‘Dezembro’, ‘afectam’ e ‘detectados‘ abriam boas (para não dizer óptimas) perspectivas.
Admito que o «’orgulhosamente’ sós», escrito por Caldeira, isolando o orgulhosamente e deixando o sós à solta, me levou às aspas do Tarski. Não, não são do Tarski do Searle: são do Alfred.
Contudo, como o problema que hoje apreciamos “reside no fato“, terminemos com chave de ouro e debrucemo-nos sobre o assunto.
O final do Verão, a Primavera e depois de Outubro
Efectivamente, com o Acordo Ortográfico de 1990, o Verão deixa de existir. Contudo, há quem adopte o AO90 e simultaneamente ignore aquilo que ele determina.
Depois de ter assinado o Acordo Ortográfico de 1990 e de ter escrito “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”, Santana Lopes traz-nos Outubro e Primavera.
Exactamente.
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 aplicado às três pancadas
C’est le tango de la pluie sur la cour
Le miroir d’une flaque sans amour
Qui m’a fait comprendre un beau jour
Que je ne serais pas Vasco de Gama– Brel
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VERSÃO I
Num serviço de atendimento da Segurança Social, algures, no distrito de Lisboa.
– … então e ‘acção’?
– ‘Acção’ perde o cê.
– Perde?
– Sim, perde.
– Mas o cê não faz falta?
– Claro que faz. Agora, se não se importa, vá tirá-lo, sff.
– OK.
– Desculpe, não bastá ‘tirá-lo’. Tem que chegar aquele “ÇÃO SOCIAL” para a esquerda.
– Isso dá muito trabalho. Ia chegar o ‘A’ para a direita, mas depois ficava desalinhado com o “INFORMATIVO”, o “TESOURARIA” e o “(mediante marcação)”. Seja como for, fica lá o espaço. Nunca se sabe. Pode ser que o AO90 vá ao ar e assim é muito mais simples, pinta-se o cê: “basta uma meia hora” ou “não mais que 15 minutos” (a doutrina divide-se).
– Ah! Está bem.
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VERSÃO II
Exactamente no mesmo serviço de atendimento da Segurança Social da versão I, algures, no distrito de Lisboa. [Read more…]
Coimbra não é uma lição
Imagem roubada ao João Roque Dias
Quem tiver a oportunidade de consultar, por exemplo, documentação medieval, deparará com grandes oscilações ortográficas, visíveis no facto de as mesmas palavras surgirem grafadas de maneira diversa muitas vezes no mesmo documento escrito pela mão de um único escriba. Entretanto, passaram alguns séculos e houve milhares de pessoas a pensar sobre as questões linguísticas, pedagógicas ou didácticas, o que inclui reflexões sobre a escrita e conclusões sobre as relações complexas entre a fala e a escrita e entre ambas e a aprendizagem da língua, do conhecimento e do mundo. [Read more…]


























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