A grande feira

Quando à descrença se junta a indignação, dificilmente se reserva o devido lugar, o devido espaço, à lucidez. O actual momento político e social que se vive é um claro exemplo disso.

Tem-se feito muita confusão sobre coisas distintas, a começar pelo papel e legitimidade de instituições da República e dos órgãos de comunicação social, passando pela substância política e partidária do momento.

As suspeitas que se estão a lançar sobre o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), não têm qualquer fundamento: as escutas a José Sócrates foram consideradas ilegais e bem, ao abrigo da Lei Processual Penal vigente. E, também, correcta a ordem de as destruir, pois o que é ilegal não deve produzir efeitos. Outra coisa, são todas as demais escutas, que têm vindo a ser publicadas, nomeadamente pelo semanário “Sol”, e de cuja análise se pode concluir a existência de um plano para controlo da comunicação social em benefício da governação de José Sócrates. Destas escutas, sim, deveria já o Procurador-Geral da República (PGR), no caso de concordar com tal concepção do alegado plano, agir e abrir o respectivo inquérito criminal. Se não concorda, deverá explicar porquê. Tal não cumpre ao Presidente do STJ, que fez o que deveria fazer, no estrito cumprimento da Lei. É ao PGR que cabe esclarecer quem representa, ou seja a sociedade.

Por seu turno, o semanário “Sol” depende, e muito, de capitais angolanos. Espero que tal não esteja a ser, também, um dos fundamentos desta actuação do jornal que, ao invés de pôr tudo, definitivamente, às claras, vai publicando aos poucos. E fazendo “edições extras” em que cobra o mesmo preço a que vende normalmente o jornal com “dvd” e revista. Se as “revelações” continuarem neste ritmo e nesta lógica, acho que começa a cheirar já a despudorado mercantilismo. E espero que as páginas relativas a Joaquim Oliveira sejam publicadas na próxima edição em papel do “Sol” em Angola.

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Sócrates regressa em forca, Mário Lino é o último a saber

Mário Lino que tutelava a PT diz que essa coisa de a PT comprar a TVI é uma patranha. Depois de Granadeiro se sentir corno, Mário Lino assume o papel do esposo traído que só acredita se vir os amantes na cama,e confirmar que não se encontram apenas a dormir.

Sócrates mandou dizer que o Carnaval acabou, convocou os órgãos do partido (dizem que por sms, mas parece má língua), e vai aparecer.

Mas tinha desaparecido? E eu a pensar que o homem ainda andava por aí.

Não sei em que livro de citações decorou ele que a sorte protege os audazes, depois perceberá que as fugas em frente aumentam a dimensão do tombo na hora em que ocorre. Ainda tem tempo. A Quaresma começa na 4ª feira.

Mais um golpe, mais um roubo

No Aventar os xutos na bola, com a rúbrica FUTaventar entrou tarde e ainda há quem resista à discussão, talvez com algum sentimento elitista considerando que a bola é coisa de pobre! É sim senhor! E ainda bem que existe porque tudo o resto é muito mais vergonhoso.
Atente-se:
Gaia: a Escola António Sérgio fica no centro da cidade, bem juntinho ao hospital, ao novo hotel; A Secundária de Canidelo, junto ao nó do fojo a meio caminho entre a VCI e a praia…
Gondomar: a Secundária é absolutamente central na sua localização…
No Porto… Em Lisboa…
Temos estas localizações todas nas mãos de uma coisa a que chamam Parque Escolar. Esta coisa, se calhar uma sucateira ou uma PT ou… vai ficar com todas estas escolas secundárias na mão. Não tarda nada, temos as escolas com poucos alunos, os terrenos fora das mãos do estado e algum boy a lucrar milhões.

Por estas e por outros é que prefiro falar e escrever sobre o Simão.

Está tudo em aberto….

A saga de Sócrates prossegue.
A direita não desarma .Ele defende-se dizendo que só sai ,se houver eleições democráticas.Desafiada, a oposição recusa uma moção de censura,sob o pretexto de que não seria bom para a imagem do país . Querem assar o Governo em fogo lento .

O país está dividido.Para uns há uma enorme manipulação.Para outros há uma insuportável verdade.
Em qualquer dos casos,creio, há uma derrapagem democrática.
Na Madeira a intervenção nos media nunca levantou protestos nacionais deste género.
Nem nenhum dos governos do pós 25 de Abril tem a este respeito as mãos limpas.
A imprensa, de contra poder que devia ser ,foi passando , paulatinamente a ser um “quarto poder”, nas mãos de yes men,ou de boys, graças às intervenções do Poder .

Agora, o “Sol”,que aqui clama que não há liberdade de imprensa, teve de retirar duas páginas da reportagem da edição desta semana, na edição que vai para Angola-”modelo” de democracia- ,porque um dos envolvidos no caso da “Face Oculta” é sócio da filha do Presidente da República ,que não se quer sujar com isto, e é sócia também do semanário.
Por outro lado ,neste assunto das escutas ilegais, Sócrates não tem sido assertivo. Tem falado a destempo, sem dizer o que devia.
Parece-nos que era altura de despedir alguns “amigos” ,e definitivamente,se é esse o caso, desautoriza-los por terem falado em seu nome,sem sua autorização.
Tem-se a impressão que há (ir)responsáveis que ocupam lugares no topo de empresas do Estado,simplesmente por causa da côr do cartão partidário, e constata-se que nestas situações mais agudas, em que é preciso,sangue frio e maturidade,não estão à altura .Só tentam salvar-se, e aos ordenados chorudamente desmedidos que auferem ,sem pensarem nas empresas que representam,na oportunidade das suas intervenções, no Estado que os colocou lá, e no país em que vivem E na Justiça assistimos ao mesmo desacerto .Causam muito desgaste e descrédito ao regime .
É nessária e urgente uma intervenção clara , e forte .
O Governo tem de agir aqui rápida e definitivamente ,e mostrar que está a trabalhar nas outras áreas que tanto preocupam os portugueses, vitimas de uma crise para a qual o Governo não os preparou, minimamente,não falando toda a verdade quando era tempo. Basta de erros!
António Costa fez muito bem em recusar passar da CML para o Governo,pois há quem fale já na substituição de Sócrates no próprio PS, lembrando que tinha um compromisso de quatro anos com Lisboa. O país e os lisboetas não esquecerão esta garantia da sua palavra. Manter a palavra nos políticos já é tão raro,que ele só terá a ganhar com isso.
ASerzedelo

O youtube censor em nome dos maus costumes

http://www.dailymotion.com/swf/x5udbj

Este vídeo,o excelente Gobbledigook dos Sigur Rós, foi retirado do youtube por pressão daqueles tarados sexuais que se excitam só de verem pessoas nuas nomeadamente as do seu próprio sexo e têm vergonha.

Está mal, e é o youtube no seu pior.

O sr. Lopes e o sucateiro generoso

As faces quando se ocultam ocultam-se para todos: parece que o sucateiro bigodinho também passou cheques a Paulo e Pedro Santana Lopes.

Não vejo o espanto. Politicamente Pedro Santana Lopes tem sido um grande produtor de sucata. É natural que a venda. Mau seria se a tivesse despejado numa lixeira qualquer.

Mas alguém pensava que o verdadeiro homem de negócios só subsidia uma parte do Bloco Central? Se ele já estava no ramo quando PSD e PP foram governo estavam à espera de quê?

O Carnaval de Ovar


O carnaval de Ovar é hoje a maior manifestação cultural da cidade e um dos mais importantes certames do género do país. Realiza-se todos os anos com a presença de milhares de espectadores, vindos de todo o país para assistir «in loco» a um cortejo marcado pela alegria e vivacidade, pela cor e movimento.
Apesar de toda a organização que revela hoje em dia, podendo ser considerado um verdadeiro produto turístico que traz enormes benefícios para o concelho, o carnaval de Ovar começou por ser algo de espontâneo que se realizava todos os anos por vontade da população, que «se lembrava» de sair à rua para se divertir, esquecer as agruras do dia-a-dia e, por uma vez no ano, fingir que era alguém completamente diferente.
«Nesses tempos, diz-que os vareiros – «eles» e «elas» – perdiam alguma vergonha no carnaval. De certo modo assim era, porque até onde a memória nos leva, vemos o carnaval em Ovar como a válvula de escape da loucura que os vareiros domavam dentro de si, durante muito mais de trezentos dias e outras tantas noites – o que é, ainda, mais difícil -, com uma paciência que só a planura do chão- e não a dos costumes – pode justificar… E durante os três dias e as três noites, longas quanto baste, que antecedem a quarta-feira de «cinzas», «eles» e «elas» trocavam entre si as momices que a quadra exigia… e que a moral só permitia nessa quadra.» (A. Hugo Colares Pinto) [Read more…]

Pink Floyd, Astronomy Domine ao vivo em 1968

O youtube também é um campo arqueológico a tender para o infinito. A primeira grande composição pynkfloydiana, numa actuação dominada por Syd Barret, o criador.

Noites Brancas (Memória descritiva)

Já aqui contei que traduzi o livro «Noites Brancas», de Feodor Dostoievski. Fiz a tradução a partir da edição francesa, pois de russo apenas sei aquela meia-dúzia de palavras que toda a gente conhece. Traduzi a partir da tradução francesa de Pierre Pascal e Boris Schloezer – essa, sim, feita directamente do russo. Havia já as excelentes traduções de Maria Franco e de José Marinho (que fiz questão de não consultar durante o meu trabalho). Houve posteriormente a de Luiz Pacheco para a sua artesanal editora – a Contraponto. Mas não contei os motivos por que fiz a tradução e num tempo recorde, em muito poucos dias. Bem sei que o livro não é grande, mas, mesmo assim, foi uma maratona e tanto. Por que tive de traduzir o livro tão à pressa?

Estávamos na primeira metade dos anos 70, eu trabalhava numa editora internacional e íamos lançar uma «História da Arte» em muitos volumes. Era uma obra preparada com cuidado, com a versão portuguesa dirigida por um grande especialista na matéria, José António Ferreira de Almeida (1913-1981), professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde viria a ser presidente do Conselho Científico.

Lembro com saudade o professor, as reuniões que fazíamos na editora ou na sua casa do Restelo – pois, com aulas também na Faculdade de Letras de Lisboa, de onde, aliás, era natural, dividia o tempo e a vida entre as duas cidades. Numa moradia não muito grande, acumulava mais de 40 mil livros. Salas e corredores, tudo estava forrado de estantes até ao tecto -. um espectáculo impressionante. Era uma pessoa alegre, bem disposta, e com uma cultura vasta que não se restringia à sua área de especialização. [Read more…]

Ouvi dizer – Ornatos Violeta


Ouvi dizer que o nosso amor acabou.
Pois eu não tive a noção do seu fim!
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim:
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.
E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi!
E eu fiquei com tanto para dar!
E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!
E pudesse eu pagar de outra forma! [Read more…]

É a privatização do ensino, pois é

O Público desvenda hoje o fascinante mundo da privatização dos edifícios escolares.

No que parecia ser uma medida correcta do governo em termos de investimento público, renovar as instalações escolares, já sabíamos pelo Tiago Mota Saraiva e pelo Paulo Guinote que nem tudo ia bem: obras mal inspeccionadas, contratação de gabinetes de arquitectura e das grandes empresas de construção civil em moldes no mínimo suspeitos.

Agora descobre-se que a Parque Escolar ficará proprietária dos edifícios onde interveio, e que assim poderá vender os terrenos “excedentários”, normalmente localizados em locais bem apetecíveis para a especulação imobiliária.

Melhor ainda: o aluguer dos espaços escolares, uma das poucas fontes de auto-financiamento das escolas, reverterá em 50% para a Parque Escolar.

Sobre a qualidade das intervenções, quando

Na D. Pedro V pagaram, em Dezembro, seis vezes mais do que em igual período do ano passado. De 600 euros a factura de electricidade passou para mais de três mil.

pergunta-se como, já que a ideia era precisamente a inversa, isolar os edifícios de molde a baixar os custos de aquecimento.

É a privatização do ensino em marcha, no que toca aos edifícios, que quanto ao resto Maria de Lurdes Rodrigues lançou o tratamento de choque que o irá justificar politicamente.

No mesmo Público Rui Tavares escreve que Sócrates é do centro-esquerda. Boa piada.

Sou Trendy com um toque vintage

Aí em cima, no título, está o “estilo” de um gajo que responde a uma série de perguntas de uma revista “Pública”.
E o que veste? Camisola Burberry, calças h&M, sapatos Fly London, casaco vintage. E…
E depois, porra? O que é que isso tem a ver com a felicidade das pessoas, a começar pelo próprio? Eu calço (deixa ver…) Rockport, calças Armani (mentira…) e camisa H&M (não consigo ver a etiqueta no pescoço, deve ser mentira.). Visto-me assim todos os dias? Sei lá, visto o que está mais à mão, os sapatos mais confortáveis, conforme está frio ou calor.

Se vou a um jantar visto um casaco e uma gravata (por acaso sou doido por gravatas tenho uma legião delas compradas em sítios muito diferentes) que é sempre a mesma, isto é, uma para as alegres outra para as tristes, mas isso não concorre em nada para o meu estilo.
Andei anos seguidos de fato e gravata, no inverno e no verão (profissão oblige…) chegava à loja e trocava um dos fatos por outro igual, por acaso todos muito caros, mas era porque eu não aguento a “fazenda” junto ao corpo, tinha que ser do melhor, nem assim me safava estava sempre com vontade de urinar o que só me passava quando vestia umas jeanes.

Será que nem trendy consigo ser? E vintage? Quem não aguenta andar muito direitinho para não amarrotar os casacos “armani” tem que, forçosamente, andar mal vestido?
Eu ando bem vestido! Mas a verdade é que ninguem me pergunta nada sobre o assunto, ao contrário de um amigo meu jornalista que me telefona e pergunta-me uma coisa qualquer sobre economia, ou Gestão de Empresas, e só na semana passada descobri que apareço no jornal a dar doutas sentenças!
Um gajo quando é pobre…

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO 2010 Fev #12:

Desta vez trago mais três novos lançamentos, sendo um deles um caso muito especial.

Assim, temos os Midland (The Courage of The Others) e Hot Chip (One Life Stand). Não posso deixar de sublinhar o regresso dos grandiosos Tindersticks (Falling Down a Mountain) com direito a concertos em Portugal. Há uns anos assisti a um concerto de Stuart Stample e sua banda no Coliseu, uma coisa de outro mundo. Memorável.

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Apontamentos do campo (13)

(Parque Natural Baixa Limia, Serra do Xurés, Galiza)

GNR – Sangue Oculto


Parece que vem aí o novo album de originais dos GNR…

Ídolos do passado que nunca perdem o seu valor

Ídolos, o vídeo da vitória. Filipe ganhou os ídolos.

Filipe  ganhou os ídolos e cantou novamente “Ouvi dizer” dos Ornatos Violeta. Diana perdeu mas sente-se também vencedora, durante o programa reuniu uma imensa legião de fãs. Havia gente que chorava e gente que ria, como sempre, nestas coisas. Há quem ache injusto e proteste. Entretanto, já está um espectáculo preparado para correr o país. E eu já posso sair e ir carnavalear… ou, caso contrário, pudesse eu pagar de outra forma…

O resultado dos ídolos

O resultado dos ídolos já está definido e nós já o conhecemos. As nossas fontes priveligiadas contaram-nos timtim-por-timtim todos os segredos de bastidores, os números de votos, o nome do vencedor, a reacção do outro, etc. Portugal já elegeu o novo ídolo.

Mas é carnaval e não dizemos. Só quando o carnaval passar. O vídeo pode aparecer entretanto, ou não, depende de acabar de me mascarar mais, ou menos, depressa.

Ok, pronto, não custa nada. Perdeu a Diana. Logo…

A liberdade na comunicação social a xutos e pontapés

Esta canção não passa nas rádios portuguesas. Só no youtube tem 600 000 visualizações.

Finalmente as rádios portuguesas abandonaram a ditadura das audiências e decidiram ensinar o povo a ouvir (sim, que o povo é surdo e a música popular nunca existiu).

No top nacional de vendas (e sim, quem faz o top é quem vende não é quem compra) deve estar agora isto:

O que faz de Portugal um exemplo para o mundo. Das Honduras ao Irão, todos têm aqui muito que aprender.

Diana ganhou os Ídolos


Por causa de uma brincadeira interna no Aventar, gastei algum tempo, na última semana, a observar este fenómeno dos «Idolos», de algum modo muito semelhante ao finado «Chuva de Estrelas».
E agora que acabo de saber que Diana, uma das finalistas, venceu por uma margem folgada, questiono-me que ídolos são estes que a televisão «mastiga e deita fora» à medida das suas necessidades. Ídolos com pés de barro, que vencem os concursos porque as respectivas famílias ligam milhares de vezes para o número de valor acrescentado que a televisão disponibiliza. O Facebook, onde o grupo de Diana conseguiu ter mais de 90 mil seguidores, é elucidativo quanto à forma como estas vitórias são fabricadas.
A rapariga até tem uma boa voz, a questão não é essa. O problema é que, quando chegar à vida real, a luta vai ser a sério. E dessa vez, não vai haver família e amigos a comprar todos os discos que estiverem à venda.

ADENDA: Afinal não ganhou, o que vai dar ao mesmo. O que escrevi acima também encaixa perfeitamente no Filipe.

Os golos do Braga 2 – Marítimo 1

Desfalcado de jogadores fundamentais por via do 1º jogador do SLB, vulgo CD da Liga, o Sporting de Braga derrotou uma daquelas equipas madeirenses que todos pagamos. Basta-lhe um empate no Dragão, na próxima jornada, para continuar no 1º lugar que nunca perdeu neste campeonato.

Basta continuar assim para ser o que já merece: campeão.

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/55SlHP4zJ9cPdf8v6ojQ/mov/1

Também se pode amar uma cidade

Sim, acreditem, a gente pode amar uma cidade, amá-la como se ama uma cidade, com enlevo e ataques de fúria em doses desiguais e alternadas, e chegar da rua assim, a praguejar contra a merda de cão que trazemos nas solas dos sapatos.

E podemos insultar quem condenou à ruína as ruas que amamos desde a infância, chorar esses destroços fantasmagóricos de onde se soltam os azulejos, cansados de esperar uma nova vida que nunca mais chega.

A gente pode amar uma cidade e enfastiar-se da derrota, dos ombros descaídos, do casaco puído de burocrata em passeio de domingo, do cãozinho de pedigree comprado a prestações. E virar a cara para o lado para não ver a nossa pobre gente, condenada a uma velhice de quadro pitoresco para os turistas, a remoer uma côdea de pão na boca desdentada. [Read more…]

Rapidinha – Disfunção eréctil no dia dos namorados?

Só neste país à beira mar humilhado é que alguem teria a suprema idiotice em escolher o dia dos namorados para “Dia da disfunção eréctil” !!!

Já estou a ver, ó querida, meu amor, pega lá este ramo de rosas como prova do meu amor, e ela a olhar para ele, ainda te armas? tu que nem sequer és capaz de o levantar, andas a armar aos cucos? não tens vergonha, meu desgraçado, e se em vez de gastares dinheiro em rosas o gastasses em viagra…já mostrastes as rosas ao bairro todo? porque não vais “á disfunção”? porque não te tratas do “érectil? ainda agora passou na televisão que isso tem cura, tu é que não me amas, desgraçado, tudo podia ser com antes, disse na televisão…

De regresso ao ‘Aventar’

Saravá Carla, saravá Ricardo, saravá Luís, saravá José de Freitas, saravá a todos os outros, anteriores e novos companheiros do ‘Aventar’, sem excluir antigos e recentes comentadores, sejam estes cordatos ou contestantes. Saudações, pois, a tantos quanto as queiram aceitar, neste momento de regresso ao ‘Aventar’; a minha retirada, agora demonstrada claramente como temporária, fundou-se em motivos de ordem pessoal que, em devido tempo, explicitarei ao Ricardo – devo-lhe um almoço, a pagar em Março, em qualquer restaurante do Porto, Matosinhos, Maia, outro lugar à sua escolha; um almoço para breves cinco minutos de esclarecimentos, ficando o tempo remanescente para tudo quanto o improviso e a conversa suscitarem.

Volto, pois, a abrir no quotidiano mais uma frente de luta com a inspiração, essa substância gasosa, intangível, que tantas vezes me desampara nas horas de reflexão; assim fico reduzido a pensamentos por caminhadas sem rumo e sem nexo. De tal desencontro, mais se agrava o meu lado controverso. Mas cá estou, de novo, para o desafio de exprimir ideias e opiniões, umas vezes melhor, outras pior.

Deixo, por ora, os desabafos e as lamúrias, e para provar que nem sempre são desejados os regressos a felicidades passadas, reproduzo um soneto semi-anónimo, obra única atribuída a um tal Octávio Rocha, intitulada ‘Romance’:

“Venha me ver sem falta… Estou velhinha.
Iremos recordar nosso passado;
a sua mão quero apertar na minha
quero sonhar ternuras ao seu lado…”

Respondi, pressuroso, numa linha:
“Perdoe-me não ir… ando ocupado.
Ameia-a tanto quanto foi mocinha
e de tal modo também fui amado.

Passou a mocidade num relance…
Hoje estou velho, velha está… Suponho
que perdeu da beleza os vivos traços.

Não quero ver morrer nosso romance…
Prefiro tê-la, jovem no meu sonho,
do que, velha, apertá-la, nos meus braços!

Mesmo no ‘Dia dos Namorados’, quando podemos escolher, é muitas das vezes preferível optar pela saudade em detrimento da revivescência. Não é o caso do meu regresso ao ‘Aventar’.

Pale Blue Dot – Faz hoje 20 anos

Os abraços em dia de S. Valentim

Nos US há o costume de as pessoas se abraçarem, mesmo as que não se conhecem, em plena rua as pessoas cruzam-se e abraçam-se. É dia de S. Valentim!

É um costume bizarro, num país onde as pessoas nem tempo têm de olhar para si mesmas, quanto mais para os outros, onde não há o costume tão português de nos tocarmos quando falamos uns com os outros, esse calor de confiança e amizade que tanto precisamos de mostar. Pois S. Valentim, faz esse milagre, as pessoas tocam-se, abraçam-se e seguem caminho com um largo sorriso, não percebi bem se é de alegria se de terem tido a coragem de transpor uma barreira.

E o homem lá estava na esquina a abraçar tudo e todos, jovens e velhos, mulheres e homens, era o típico Nova Yorquino, nunca saiu dali mas já viu tudo, gente de todo o mundo, ouviu notícias de terras de que não faz ideia nenhuma e, para ele, abraços de um homem da sua cidade, onde nasceu, onde vive e onde há-de morrer é o supremo gesto da tolerância, da paz e da comunhão.

Passei por perto uma e outra vez, mas havia sempre gente que se antecipava e para mim, abraçar alguém não era assim tão excepcional, mas caramba, adorava saber se era a falta de calor humano o que levava àquele gesto tão banal para quem vive aqui deste lado do Atlântico. Junto ao Mediterrâneo…

E o tipo olhou para mim, nem acreditou, eu percebi logo que não lhe podia dizer que aquilo era banal noutras partes do mundo, apertei mais para o tipo não ver a minha cara algo envergonhada e ele ao meu ouvido : Já viste o sorriso desta gente ? A maioria nunca foi abraçada na vida!

Qual dia de S. Valentim, qual carapuça

Nos últimos 20 anos os professores de inglês, os autores dos programas de inglês e a complacência nacional fizeram um lindo serviço no nosso calendário de festividades de origem pagã.

Onde tínhamos o Dia da Espiga copiaram esta americanice valentiniana, onde tínhamos a tradição dos bolinhos e bolinhós enfiaram o halloween.

Os comerciantes agradeceram. Eu não.

Ainda se copiassem o Tom Waits…

Resumo resumidíssimo do que me ficou de Dawkins

 (Texto enviado por uma amigo, colega oftalmologista, José Maria Soares)

 

Qual a maior ambição de um ser humano?

A vida eterna. Ao concluir ser essa aspiração impossível, de que se serviu para a manter? Das diferentes religiões que duma ou doutra forma lha prometem.

 Porque ambiciona o homem uma vida eterna’

Porque tem memória e uma vida afectiva. Quer encontrar e perpetuar os seus afectos terrenos numa outra vida já que nesta tem de se submeter ao nasce, cresce, reproduz e morre. A única maneira que tem o homem para justificar a morte é a existência de uma outra vida, a extra-terrena.

 Como nasceram as religiões?

Alguém a par daquelas e de outras ambições, de acordo com os interesses da comunidade, do estado civilizacional dos seus comparsas e da sua capacidade de digerir ficções, criou-as com mais ou menos sofisticações. Nasce assim uma religião, uma profissão e uma classe social : o clero.  [Read more…]

Breve história do Carnaval


O termo Entrudo serve para designar o período que antecede a Quaresma e provém da palavra latina introitu – início. Quanto a Carnaval, está relacionado com o abuso da carne (em todos os sentidos) na mesma época do ano.
A comemoração do Entrudo perde-se na poeira dos tempos. Antes ainda do nascimento de Cristo, estava relacionada com os cultos da fertilidade, no início da Primavera. Era o regresso da luz e da abundância que então se comemorava. Os egípcios dedicavam a festa a Isis e a Apis, os atenienses dedicavam as suas «festas de Bacanais» a Dionísio, os Romanos a Saturno, protector da agricultura e das sementeiras.
Em 340, o Papa Júlio I autorizou que, em Milão, os cristãos pudessem despedir-se em grande dos prazeres da carne antes da Quaresma. Daí os excessos que se começaram a cometer no Carnaval a partir daí em países de forte tradição católica. Foi a forma encontrada pela Igreja, segundo algumas versões, de se apropriar de todo o simbolismo popular.
«Segundo uma lenda popular recolhida no concelho de Torres Vedras, existia no tempo de Cristo um santo que gostava muito de carne, chamado de Santo Entrudo, fazendo grandes festas com muitos convidados, onde só se comia carne. Quem não estava contente com essa situação eram os pescadores, que não vendiam o seu peixe e foram queixar-se a Jesus Cristo, que então definiu os dias em que se podia comer carne, dançar e fazer festas, e marcou a época para os pescadores, a quaresma, durante a qual não se podia comer carne, nem dançar ou fazer festas.» (Jornal Área, 4 de Março de 1980, in Venerando de Matos, «Carnaval de Torres: Uma História com Tradição»)
A moda das máscaras e dos cortejos de rua iniciou-se durante o Renascimento, na Itália dos séculos XV e XVI. Incomparável, em relação a todos os outros, era o Carnaval de Veneza. Um Carnaval que é hoje sinónimo de charme e de classe, mas que na época significava libertinagem sem limites. No resto da Europa, a quadra também se comemorava, mas de forma mais pobre e mais espontânea. [Read more…]

O meu dia de S. Valentim

Até fazia anos neste dia. Ela, talentosa, caprichosa, namoradeira, linda e eu tinha perdido a minha vida, deixado para trás os meus amigos, as minhas leituras, a minha vida profissional, um completo desvario que me fazia infeliz, como um vício que a que não conseguia escapar.

Naquele dia de S. Valentim, fui a uma “romeira” e comprei um belo ramo de rosas, juntei-lhe um poema e uma prenda que nenhuma mulher como ela esquece, paguei o serviço de tudo entregarem na sua morada, corri à TMN para mudar o número do telemóvel, abri a porta ao apartamento que, há um mês, tinha alugado em morada pouco provável e apanhei um avião e fui passar o fim de semana a Barcelona.

Quando voltei, tinha recuperado a minha vida, S. Valentim segredara-me que eu não conseguia transformar em amor aquela paixão destruidora.

Tornei a ve-la dois anos depois, apanhou-me com um telefonema para um telefone fixo que me esquecera de mudar numa casa de praia onde poucas vezes vou. Jantamos, fizemos sexo como loucos, mas S. Valentim há muito que tinha decidido.

Vivemos perto um do outro, mas passam anos sem nos vermos. Espero que faça muitos anos e seja feliz, hoje seu dia de aniversário, dia bem apropriado para uma criatura como ela.

S. Valentim é sábio e bondoso.