Juventude Popular: ignorância ou manipulação da opinião pública?

JP

A fotomontagem é da autoria da Juventude Popular e, a meu ver, tem apenas duas justificações possíveis: ou foi elaborada por gente mesmo muito ignorante que não conhece a história do seu país ou, mais grave ainda, foi elaborada com o propósito de enganar e manipular a opinião pública.

A manipulação dos factos que levaram as intervenções externas em 77 e 83 é um clássico da propaganda da direita nacional, que procura lavar as mãos das suas responsabilidades nos dois primeiros resgates. O resgate de 1983 tem a particularidade de acontecer poucas semanas após a tomada de posse de um governo composto por PS e PSD, precedido de três anos e meio de governos de direita que incluíam o PSD, o CDS-PP e o PPM. E ainda que o governo eleito a 9 de Junho de 1983 fosse integralmente PS, seria estúpido ser-lhe atribuída a responsabilidade de um resgate que começou a ser negociado um mês e nove dias depois. Nem Sócrates conseguia arruinar um país em tão pouco tempo. Infelizmente, há quem ainda se preste a este papel. Vale tudo para subir a escada do partido e ser jota tem destas coisas.

Fotomontagem@Facebook Juventude Popular

Cantora pop humilha Donald Trump

DT

Um idiota será sempre um idiota.

Carta do Canadá – Pega de Caras

exit

Que podemos fazer se estivermos dentro duma arena para onde largaram um touro? Ou fugimos ou o pegamos de caras.

Tal é o caso com a situação criada pela União Europeia, que levou ao referendo de Inglaterra. Porque, de facto, a UE anda, desde há dez anos, pelo menos, a esticar a corda da desigualdade de tratamentos, da política da ameaça e da punição, da imposição (quadrada) dos métodos económico-financeiros alemães que desaguaram no desemprego massivo, na falta de horizontes para a juventude, nos cortes cruéis dos direitos dos trabalhadores, do completo desleixo no que se refere à maneira como os governos seus apaniguados aproveitam alegremente da corrupção, do irrealismo duma moeda (o euro) que não se flexibilizou para facilitar o comércio livre, da falta de controlo de fronteiras e last but not least o espectáculo degradante que está a oferecer ao mundo com a questão dos refugiados. [Read more…]

Uma comissão de inquérito como arma de jogo político

Ontem, ao fim do dia, os dois partidos anunciaram que retiravam, para já, do objecto do inquérito, a questão das negociações, em curso, entre o Governo Português e as autoridades europeias. [TSF]

Outras comissões de inquérito que poderiam ter existido:
– negociação da venda da TAP;
– negociação do salvamento do BES;
– negociação da venda da REN.

Três exemplos apenas para ilustrar a ideia. Se negociações em curso é matéria para comissões de inquérito, então muitas deviam ter sido constituídas até agora. Isso não aconteceu e nem faz sentido que tivesse acontecido. Reclamá-la agora para a CGD demonstra que o objectivo não é o apuramento da verdade, mas sim o jogo político.

Brexit – Um sopro de Liberdade…

Os dinamarqueses rejeitaram em referendo Maastricht, mas foram obrigados a repetir votação. Os irlandeses rejeitaram Lisboa e tiveram o mesmo destino. Pelo meio os franceses rejeitaram uma Constituição europeia e entre outras chapeladas até os irrelevantes portugueses nunca viram concretizada a promessa de realização de referendo. [Read more…]

BREXIT

brexit

Entre outras, uma coisa é certa: a arrogância de Bruxelas foi castigada. Sem defender que isto foi bom – tanto menos pelas tendências subjacentes – também não deixo de achar que foi uma paulada para saberem que quando se anda a impor aos cidadãos europeus ditames a bel-prazer, mais cedo ou mais tarde se recebe a factura. Democracia, transparência e justiça social meus senhores, tinham-se esquecido dessas condições. Lembrem-se disso em relação ao CETA e TTIP, se não querem partir mais loiça.

Brexit

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A direita e  a extrema-direita podem voltar a acreditar.

Como desligar o aviso de que se está a ligar para um número de outro operador

É fácil. Veja as instruções aqui.

Viva Cristiano Ronaldo! Abaixo Cristiano Ronaldo!

Real Madrid's Cristiano Ronaldo celebrates after scoring a goal during a Spanish La Liga soccer match between Real Madrid and Real Sociedad at the Santiago Bernabeu stadium in Madrid, Spain, Wednesday, Dec. 30, 2015. (AP Photo/Daniel Ochoa de Olza)

(AP Photo/Daniel Ochoa de Olza)

Há muitos anos, um amigo meu soube que um dos seus escritores preferidos iria estar em casa de um outro amigo e pediu-lhe que os pusesse em contacto, porque quem gosta de livros tem, quase sempre, o estranho desejo de apertar a mão que os escreve. Esse pedido foi-lhe terminantemente recusado, com o argumento de que o referido escritor era uma pessoa tão desagradável que estar na sua presença iria destruir a imagem de um dos heróis desse meu amigo.

Nos últimos dias, tem havido uma espécie de debate sobre as virtudes e os defeitos de Cristiano Ronaldo. Pode parecer um assunto fútil e também é, e ainda bem, porque não há coisa mais saudável que uma futilidadezinha controlada. De qualquer modo, o futebol,  com os territórios contíguos, goste-se ou não, é um fenómeno social importantíssimo. [Read more…]

Resultados do Brexit

Em termo real, no site da BBC.

Correio da Manhã queixa-se de ser alvo de “boatos”

Não, não é invenção do Inimigo Público, nem do Portugalex. O campeão dos boatos e da não notícia, cujo expoente máximo é a CMTV, canal que enche chouriços com horas a fio de perseguição televisiva, escreveu um comunicado em quatro línguas (acordês, inglês, francês e espanhol) a ameaçar que “serão processadas nos tribunais todas as pessoas que afirmarem e propagarem tais falsidades.” Tiveram azar. É que não traduziram para alemão, a língua de quem manda na Europa, pelo que vão ser ignorados.

Aguentem-se.

Wow, David Dinis, a nova turbo-estrela

Observador, TSF e agora Público. A endireitar tudo por onde passa.

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Boa sorte para o novo director e que traga muitas noticias amarelas.

Ainda vamos a tempo de despachar o Nuno?

#andaMarco

Duas ou três coisas sobre a CGD e sobre o BANIF

1. CGD

carlos costa
Carlos Costa

O momento escolhido para a apresentação do plano quanto à CGD foi típico de quem o quer fazer sem levantar ondas. Não é a primeira vez que governos apresentam medidas impopulares em situações semelhantes e não há-de ser a última. Neste caso, houve uma feliz coincidência quanto à escolha do momento para o anúncio. Juntaram-se dois flops e só se estragou um dia.
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Deputada Cristas na sessão plenária do Parlamento

cristas no euro

Agenda do Parlamento: “Dia 22 Quarta-feira Reunião Plenária 14:30 Horas“. Será que faltou ao trabalho para ir à bola?

Os contornos enviesados e opacos da “Transparência possível”

AR vazia

“Atualmente, as atividades da União Europeia têm repercussões na vida de milhões de cidadãos europeus, pelo que as decisões que os afetam devem ser tomadas da forma mais transparente possível.”  São estas as lindas e embaladoras palavras com que a Comissão Europeia se apresenta no seu site.

Ora a forma mais transparente possível (note-se, não necessariamente mais democrática) da Comissão Europeia é espessa e opaca, nomeadamente quando se trata de impor Tratados de “Comércio Livre”. Sendo que é também serpenteante e sibilina. Quando se antevê que alguma matéria não passará a eito, adia-se a decisão, procura-se outras vias, pressiona-se um pouco mais. [Read more…]

Urge higienizar a Selecção Nacional

rony
A tarefa mais importante e mais urgente do futuro Seleccionador Nacional é a higienização da Selecção. A única forma de consegui-lo é o afastamento definitivo de Cristiano Ronaldo.
Não está em causa o valor da diva, daí escrever propositadamente antes do jogo decisivo do Euro/2016. Preparando-me para os insultos ao longo do dia e sobretudo se ele conseguir espetar 2 ou 3 golos à Hungria. As ronaldetes simplesmente não perdoarão.
A verdade é que nem sempre o valor intrínseco de um jogador é suficiente para que se justifique a sua permanência no seio de um grupo. Muitas vezes, as perdas são superiores aos ganhos.
Ronaldo é indubitavelmente o melhor e mais influente jogador português de todos os tempos, mas nem por isso a Selecção ganhou mais do que antes. Ao invés, a presença de alguém que seca tudo à sua volta, que manda e desmanda dentro dos estágios, como se de uma coutada se tratasse – sua e do seu parceiro Jorge Mendes, pode ser mais prejudicial do que benéfica. [Read more…]

Leituras – Dez reflexões sobre o referendo

Pedro Correia traz-nos dez reflexões sobre o referendo britânico “brexit vs. remain”.

Vai haver um referendo amanhã no Reino Unido, vital para o destino europeu. Ninguém diria, vendo a televisão portuguesa – com destaque para o chamado “serviço público”. A avaliar pelos vários canais que confundem notícias com futebol, e confundem futebol com as mais ocas futilidades, o que importa é o penteado de Ronaldo, o sorriso de Ronaldo, a mãe de Ronaldo, o filho de Ronaldo, o penálti falhado de Ronaldo ao poste. [Pedro Correia]

A ler no Delito de Opinião.

«Ronaldo atira micro da CMTV para um lago»

Correio da Manhã, por qualquer razão que me escapa, refere-se a Cristiano Ronaldo como capitão da selecção brasileira: “capitão da seleção nacional“. Como sabemos, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

A máfia bancária e o fim do verde – código – verde – ACTUALIZAÇÃO

terminal MB

Imagem: SIBS

O post “A máfia bancária e o fim do verde – código – verde“, saído há dias, causou algum burburinho. Houve, até, quem reprovasse o tom panfletário. Terão as suas razões. Contudo, por coincidência ou não, a SIBS acabou por emitir um comunicado a esclarecer o contexto dos novos terminais de pagamento, algo que deveria ter feito antes destes chegarem ao mercado. Ou talvez o tenha feito, mas algo tenha falhado na comunicação.

O interessante deste comunicado é que procura deixar claro que o “cliente pode continuar a fazer o pagamento através do ‘verde, código, verde’ a que está habituado, não havendo qualquer implicação no seu pagamento.” Acontece que a questão nunca foi quanto aos custos para o cliente, mas sim para o comerciante. É pena que não tenha aproveitado para esclarecer quanto a este aspecto. [Read more…]

Muito @ctual

picasso

© succession Picasso 2014 La Guerre (http://bit.ly/28KrnqB) & La Paix http://bit.ly/28JCm5j)

Peut-être sais-je jusqu’où je peux aller trop loin. Mais c’est un sens de la mesure. Je le possède peu fort.

— Jean Cocteau, “La difficulté d’être

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Diário @tual. Exactamente: @tual. Se fizermos uma analogia com ‘actual‘ → ‘atual‘, então, segundo a base IV do AO90, a grafia ‘@ctual‘ será efectivamente substituída por ‘@tual‘. Sem cê, obviamente. O cê, esse obstáculo, esse empecilho. Uma chatice, diria o Ary. “That no good. Ugh”, na versão do Ginsberg. Pois. E ‘contactar’? E ‘contacto’?  [Read more…]

Braga, uma cidade sem árvores

 

braga_cidade_sem_arvoresNão há memória na cabeça das pessoas, nem registo na movimentadíssima página do vereador do Ambiente de Braga – Altino Bessa, – que em Braga se plantem ou tenham plantado árvores nos últimos anos. Nem uma, reza a lenda. Nada que se veja, pelo menos.

Na cidade betonada, alcatroada e impermeabilizada que Braga é não se constrói um jardim desde pelo menos os anos 70. Obviamente, nesta conta não entram os metros quadrados de relva dentro das múltiplas e fantásticas rotundas rodoviárias. Espectacular.
Portanto, árvores são cada vez menos.
E por estes dias foram cortadas mais duas para dar lugar a um painel publicitário.
Querem lá ver que o painel até está legal?

Adenda: Ricardo Rio, presidente da CM Braga, esclarece-me que:
– as árvores em causa estavam a rebentar com os passeios e a gerar inúmeras queixas;
– em Setembro/Outubro serão colocadas novas árvores sem este problema, numa linha mais interior;
– as obras de reparação dos passeios foram suportadas pelas operadoras de publicidade, para além das taxas inerentes.

Foto daqui, via Fórum Cidadania Braga.

 

Eléctrico de Sintra

eléctrico

© C.M. Sintra (http://bit.ly/28M7IMT)

Hoje, ficámos a saber que o «novo horário de verão do eléctrico de Sintra entra vigor [sic] a 22 de junho e estará em funcionamento até 4 de setembro».

Exactamente: o eléctrico. Acordo Ortográfico de quê e de quando? Efectivamente.

eléctrico2

O esgoto jornalístico e a hipocrisia do velho regime

OP

A “liberdade de expressão e de imprensa”, na concepção da Direita e dos jornais que apoiam as causas de Direita, funciona assim:
– Se vários jornais, incluindo jornais de referência, como o Público, mentem nos artigos, manipulam os números nos artigos, ou usam subterfúgios semânticos desonestos nos artigos para corroborar a tese que eles próprios subscrevem, trata-se de um saudável exercício de liberdade de expressão e de imprensa.

– Se cidadãos, com ou sem filiação política, exigem a correcção dos erros e mentiras dos artigos e reivindicam a objectividade e isenção que deontologicamente deveriam pautar a actividade jornalística, já não se trata de liberdade de expressão e de imprensa, já passa para o campo dos safados da Esquerda que, alegadamente, lidam mal com a liberdade de imprensa.

É curioso, mas, objectivamente, chegámos mesmo ao distópico e paradoxal momento da história em que exigir rigor e isenção jornalística é classificado como censura e opressão aos jornais.
Vivemos num momento em que a desinformação do esgoto jornalístico, que é o Correio da Manhã, consegue ser o projecto jornalístico com maior exposição do país e em que o folhetim da extrema-Direita, o Observador, habitualmente troca de directores, jornalistas e opinadores com estações públicas e privadas de notícias. E, no entanto, se alguém de Esquerda ousa questionar esta esmagadora predominância da Direita na comunicação social, os spin doctors do costume invertem o problema e dizem que a Esquerda tem um problema com a liberdade de expressão e de imprensa. E há malta que cai mesmo nesta nova caça às bruxas, numa espécie de Macartismo renascido.
Irónico, não é?

Irónico e simples de perceber, não é?

Via Uma Página Numa Rede Social.

Pela Escola Pública

manifesto pela escola pública

Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação, temos opiniões livres e diversificadas. Porém a Escola Pública sendo um pilar social, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública.

Constituição da República Portuguesa explicita o quadro de princípios em que o Estado, como detentor do poder que advém dos cidadãos, tem de actuar em matéria educativa. O desinvestimento verificado nos últimos anos, bem como a deriva de políticas educativas, em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcionamento das escolas e agrupamentos, tem ameaçado seriamente a qualidade de resposta da Escola Pública.

Importa por isso centrar o debate público nos seus fundamentos: [Read more…]

O Público caiu na ratoeira dos números

2016-06-21 editorial público

A reportagem do Público sobre a manifestação de apoio à escola pública é um exemplo de jornalismo errado por vários motivos. Alguns já foram apontados aqui no Aventar. Um outro, o facto de os líderes do BE e do PCP não terem estado em palco a discursar, conforme notificado, foi corrigido na reportagem.

Entretanto, a Direcção Editorial do Público fez sair um artigo em defesa da referida reportagem, mas já lá iremos. Primeiro, vamos ver como foi a primeira versão da notícia em causa: [Read more…]

Muito bem, Bruno de Carvalho

«Começo por fazer notar que o texto […] não se rege pelo acordo ortográfico». Excelente.

E se fosse apenas uma intenção normal?

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Não houve provas nem especial intenção relativamente aos crimes de que os 11 arguidos do caso vinham sendo acusados, considerou o tribunal. Por isso, decidiu absolvê-los a todos. (Público)

Como sabemos, de boas intenções está o inferno cheio. Agora ficamos a saber de que é que está vazio. De intenções especiais.

Já vazia, pelo que consta, não ficou a conta do CDS, que viu lá cair um milhão de euros, quiçá do céu. Perdão, afinal deve ter tido uma origem muito terrena, já que Jacinto Capelo Leite Rego não deve ser nome de anjo.

Agora é perguntar à Portas v2.0 se tão distinto benfeitor andou em colégio amarelo para sabermos se ela se poderia juntar ao cavalheiro. Com gente arruada por esquisitos já sabemos que não se mistura. Agora, gente bem, sei lá.

Pergunta ao Prof. Marcelo

Quanto tempo necessita um presidente da República de aparecer e falar (quase) ininterruptamente para que se deixe de fazer-lhe caso?

O Mito do Português em Marrocos

Ponte Afoullous

Ponte de Afoullous, Khemisset. foto Mustapha El Qadery

O tema da influência portuguesa em Marrocos ultrapassa em muito os simples testemunhos edificados, assumindo aspectos pouco esclarecidos, por vezes mesmo desconcertantes, mas sobretudo pouco estudados.

Existe uma conotação do português com o inexplicável, com diversos mitos que fazem parte do imaginário marroquino, por razões mais ou menos compreensíveis, às quais não serão alheios os factos de se encontrarem enraizados em comunidades rurais, com base em histórias com origem suficientemente remota para darem largas à imaginação popular, mas de memória suficientemente recente para que os mais idosos as transmitam de geração em geração.

Podemos dizer que o mito do português “L-Bartqiz”, com surpreendentes referências a habitantes portugueses de grutas nos confins do deserto ou nas montanhas mais inacessíveis, a autores de pinturas rupestres em tempos imemoriais, a pontes construídas em locais longínquos que os portugueses nunca ocuparam, a prisões de cativos portugueses e até a uma condessa sedutora com pés de camelo, é tão fascinante para o senso comum marroquino, como o mito das mouras encantadas, dos piratas ou dos tapetes voadores é para o senso comum português. [Read more…]