Cortamos o que escolhemos cortar

Os cofres estão cheios mas preparam-se novos cortes em pensões.

Noruegueses, esses comunas

O que faz com que a Noruega surja sempre no topo dos índices de desenvolvimento?

Vivemos em contacto com a natureza e beneficiamos da força do trabalho de homens e mulheres. Tomamos decisões políticas para dividir a riqueza gerada por toda a população. Assim, temos muito poucos ricos e muito poucos pobres, todos estão no meio. Penso também que encontrámos um bom equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Quando tudo isto se soma explicam-se os nossos resultados elevados nos índices. 

Ove Thorsheim, embaixador da Noruega em Lisboa, em entrevista ao jornal I.

Abundância pré-eleitoral

Ministro da Defesa anuncia 6.088 promoções nas Forças Armadas (DE)

First they took Barcelona, then they almost took Madrid

15M

Foto: P3/Público

Em Espanha, mesmo aqui ao lado, acontecem coisas. Visto com determinado tipo de óculos, poderá parecer uma loucura utópica, um oportunismo ou mesmo uma qualquer experiência conspirativa bolivariana. Na realidade são pessoas normais. Os primeiros a abrir brechas no antigo regime. Em Barcelona, o bloco central espanhol ficou-se por um modesto terço. Em Madrid, foi fraco e à tangente. E agora Espanha?

Trottoir

O Marinho acaba de declarar que fará aliança com qualquer (sublinhou: qualquer) partido, aceitando como termos de tal acordo, exclusivamente, a honestidade e a seriedade (estou a tentar manter-me sério enquanto escrevo isto).

Não sei o que te diga, Marinho. Ou, bem vistas as coisas, não precisas que te diga nada: sabe-la toda, oh lá se sabes!…

Mais uma vez, Manuel Buiça, eles demonstram a tua razão

professor manuel buiça

É rotineiro, caro Manuel Buiça, de volta e meia voltam a insultar a tua memória sem se aperceberem que te estão a glorificar. Os do costume, herdeiros da vil aristocracia, esse gente medíocre e preguiçosa que durante séculos sugou a pátria pela qual morreste.

Nem se apercebem do ridículo, choramingam agora porque um jornalista invocou o pai que foste, e até nisso te sacrificaste. Querem retirar-te o estatuto de humano, tu que amaste, defendendo eles uma das muitas famílias artificiais como sempre foi da natureza dos matrimónios régios, gente que casava por razões diplomáticas, obrigada a viver com quem lhe encomendaram, com a consequência óbvia de se multiplicarem os bastardos e o gosto natural das rainhas pelos tectos elevados, que sempre lhes poupavam as testas.

Invocam que executaste um chefe de estado, sem cuidar da nula legitimidade de quem ocupa um cargo por herança, da sua responsabilidade na ditadura de João Franco, mas esquecendo que quem nasce com direitos superiores ao do comum dos mortais pode bem morrer para se igualar com eles, omitindo que o regicídio é um vulgar acidente de trabalho na vida de um monarca. [Read more…]

Concordo.

Passos defende que se deixe “para trás das costas os fatalismos” [P]

Comecemos pela coligação. Não há fatalismo se não for reeleita.

O problema é que se sabe o que esperar da coligação

“Nós temos, portanto, de dizer às pessoas quais são as nossas prioridades, o que é que queremos fazer; com o resto, não se preocupem, as pessoas sabem com o que contam do PSD. Por isso é que nós não temos pressa de apresentar programas, nem medidas, nem ideias, porque temo-las apresentado consistentemente ao longo destes anos, e as pessoas sabem com o que é que contam da nossa parte“, afirmou Pedro Passos Coelho.

E o que se pode contar da parte desta gente é austeridade eterna.

Mais cortes nas pensões e mais cortes nos salários. Quanto às pensões, o governo ainda não explicou,  e nem vai explicar, como se constata pelas declarações de Passos Coelho, de onde vêem os 600 milhões que a ministra das finanças disse serem precisos. É o programa escondido,  para ser revelado depois das eleições. Quanto a salários, Cartoga, o ideólogo do programa deste governo, afirmou na passada semana, em duas ocasiões,  que se devia ter cortado mais nos salários. Se é isso que devia ter sido feito e não o foi, está claro o que é que a coligação vai fazer se voltar a ser governo. Novamente, o programa escondido, esse mesmo que Passos Coelho diz que não precisa de apresentar, porque os portugueses sabem o que esperar.
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Os tele-psicossociólogos (ou, como diz a Júlia, os especialistas)

Sabemos todos da prudência que nos deve acompanhar quando usamos armas pesadas e de pontaria duvidosa como as Ciências Sociais. Porém, ai de nós, elas parecem contagiar muita gente com a convicção de que tais saberes se podem usar sem que deles se tenha grande conhecimento, isto é, não faltam os “especialistas” que, tendo lido um digest de tretas sobre, por exemplo, Psicologia e Direito, desatem a disparar sentenças que, à falta de verdadeira ciência, se sustentam em dogmas e no senso comum do mais rasteiro. E se sujeitos que tais forem pagos para isso, vale tudo, a coisa transforma-se em espectáculo, numa espécie de feira de freeks muito praticada pelas estações de televisão nos programas da manhã.

Mas és cliente de tais programas, perguntareis vós? Na verdade, não. Mas, infelizmente, não me têm faltado oportunidades para os ver sempre que tenho de passar ocasionais férias nos HUC. A simpatia com que alguns serviços instalam televisões nos quartos tem este preço – tendo a vantagem inopinada de nos testar e consolidar o sistema imunitário. Também em zaps caseiros páro, por vezes espantado, ao ouvir as peremptórias ”análises” supostamente psicossociológicas, dos enérgicos comentadores residentes. A irresponsabilidade, a indigência científica, a falta do mais elementar sentido ético, andam à solta. E não me venham com eventuais currículos lustrosos ou argumentos de autoridade. Quem se sujeita – a troco de uma boa remuneração, claro – a transformar a sua ciência em instrumento de predação pública de verdadeiros problemas humanos – sobretudo se a tais problemas puder ser dado aquele tom berrante que tão bem acompanha as indignações de papelão – não merece a menor consideração. E a entusiástica gritaria com que os pivôs de serviço acompanham estas sessões de banha-da-cobra jurídico-psicossociológica não ajuda nada. Mas, parece, vende bem.

José Sócrates e a agenda do Observador

Pulseira Electrónica

A orientação politico-ideológica do “jornal” Observador só será novidade para quem não sabe o que é o Observador. Com uma linha editorial claramente de direita, um painel repleto de colunistas de direita e extrema-direita – aguarda-se com expectativa a indignação de Rui Ramos contra mais este episódio de facciosismo só ao nível do lobby dos humoristas de esquerda – e uma estreia logo a mostrar ao que vinha, na qual recorrendo a meias verdades levou a cabo um exercício de beatificação do destacado criminoso neo-nazi Mário Machado, este órgão que congrega a fina flor dos neoliberais fanáticos pela submissão total do Estado ao sector privado e dos saudosistas do Estado Novo, entre outros, nunca tentou esconder ao que vinha. Nem precisa. Eles são o que escolhem ser.

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Brexitleaks

O Banco central britânico está a fazer uma avaliação ao impacto da saída da UE para o país, e os riscos que isso acarreta. Mas os Planos Brexit foram parar ao e-mail do The Guardian.” (Diário Económico)

Finanças penhora conta bancária por 24 cêntimos

Aqui está a prova que me chegou às mãos, à qual retirei dados de identificação.

Finanças penhora conta-ordenado por 24 cêntimos

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A história é simples. Houve um erro quanto a juros de mora e as finanças penhoraram a conta da pessoa em causa, na totalidade, por causa de 24 cêntimos.

Quem vai ser responsabilizado por uma pessoa ter sido impedida de aceder à sua conta durante 6 dias? Quem a vai indemnizar pelos danos causados? Pagamentos recusados, cheques devolvidos, lista negra dos cheques, não ter dinheiro para o dia-a-dia. Haverá responsabilidades técnicas mas há, sem dúvida, responsabilidade política por parte de quem decretou estes automatismos. E esses responsáveis são Paulo Núncio, Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho (também conhecido por “Aquele Que Se Esquece Das Suas Obrigações Fiscais Mas Ao Qual Nenhuma Consequência Aconteceu”).

O erro foi das finanças mas isso nem sequer é relevante, já que em causa está uma insignificância que nunca deveria dar origem a uma penhora. Mesmo que o erro fosse do contribuinte, não é admissível usar um canhão para matar uma mosca. O Estado não pode ser pessoa de mal!

Eis o país onde não falta dinheiro para prémios de produtividade em função das cobranças coercivas no fisco, para perdões fiscais ao ex-BES e para os buracos da banca.  Mas é o país, também, onde falta seriedade e esta não se saca com uma penhora a quem não a tem.

 

O projeto e a acção

acção socialista

O Partido Socialista tem um projeto (sic) de programa eleitoral e um jornal que se chama Acção Socialista. Anteontem, foi apresentada a versão para debate público do Projeto (sic) de Programa Eleitoral. Como o Projeto (sic) é para debate público, convinha que se discutisse publicamente aquilo que o PS “procurará dinamizar”. Por exemplo, convém debater

A implementação das ações [sic] necessárias à harmonização ortográfica da língua portuguesa e da terminologia técnica e científica, nos termos dos acordos estabelecidos.

Harmonização gráfica da língua portuguesa” é exactamente a mesma expressão adoptada na página 59 do documento estratégico orientador Agenda para a Década (ou Agenda pára a Década? — a dúvida mantém-se) e é algo que nem sequer o aspirante a dinamizador das “ações (sic) necessárias à harmonização ortográfica da língua portuguesa” consegue fazer na sua própria estrutura, pois apresenta-nos um Projeto (sic) e tem um jornal que se chama Acção Socialista.

Aliás, o Acção Socialista presta um esclarecimento («O “Acção Socialista” já adotou [sic] as normas do novo Acordo Ortográfico») ortograficamente desarmonioso e que encerra em si mesmo uma contradição, uma incorrecção e uma inexactidão.

Quanto à contradição, das duas, uma:

1) «O “Acção Socialista” não adoptou as normas do novo Acordo Ortográfico»

ou

2) «O “Ação Socialista” adotou as normas do novo Acordo Ortográfico».

Tertium — ou seja, «O “Acção Socialista” já adotou as normas do novo Acordo Ortográfico» — non datur.

No que diz respeito à incorrecção, efectivamente, o número 1396 do Acção Socialista, além de ter ‘diretora’ (sic), ‘reacionárias’ (sic), ‘dececionadas’ (sic), ‘deceção’ (sic), ‘rutura’ (sic) e ‘ótica’ (sic), contém ‘perspectiva’, ‘actual’, ‘objectos’, ‘actividade’, ‘activismo’, ‘abstracto’ e ‘aspectos’.

Por fim, a inexactidão: “novo acordo ortográfico”. Como escrevi há uns tempos, “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990” é o nome da coisa.

Aproveitando a coincidência de encontrarmos esta matéria extremamente controversa no projecto de programa eleitoral do Partido Socialista e de António Costa ter admitido “proceder a partir de agora a uma discussão mais focada sobre as matérias mais controversas constantes no projeto [sic] de programa eleitoral“, ficamos então à espera dessa “discussão mais focada”.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Existe petróleo em Palmira?

Palmira

Foto@Expresso

A escumalha do Estado Islâmico continua a deixar um rasto de destruição por onde quer que passe. Depois de Hatra, Nimrud ou da destruição das estátuas em Mossul, os radicais que empunham armas ocidentais amavelmente cedidas para combater o demónio Al-Assad controlam agora as ruínas da cidade de Palmira, património da UNESCO e um dos registos históricos mais antigos da humanidade. Pelo caminho, pilhas de cadáveres acumulam-se nas bermas das estradas e mulheres que nunca chegaram a conhecer o significado da palavra liberdade são agora escravas sexuais destes vermes sunitas.

Não consigo, por muito que me esforce, encontrar uma justificação para a passividade dos polícias do mundo. Invadiram o Afeganistão com o pretexto de apanhar Bin Laden, invadiram o Iraque usando pretextos absurdos quando o seu único intuito era controlar os recursos do país e substituir o outrora amigo Saddam por novas marionetas, armaram terroristas para derrubar Al-Assad e agora que este lixo humano mata e destrói tudo a sua volta é vê-los quietos e calados, entre ocasionais ataques aéreos que não parecem sequer beliscar a rolo compressor que oprime a Síria e o Iraque. Será que as jazidas secaram por aqueles lados?

Desvendado o mistério da “longevidade” de Dias Loureiro

DL

Creio ter desvendado o mistério da longevidade de Dias Loureiro. Não me refiro, claro, aos 63 anos bem vividos, parte deles a mamar na teta do Estado, outra parte no banco fraudulento do cavaquismo. Refiro-me a forma com vem fintando a “extinção”. Até porque trafulhas políticos é o que não falta neste país. Dias Loureiros são mais raros. E o segredo parece estar nos amigos e aconselhados. E nessa massa una que é o bloco central.

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O fosso da austeridade

Segundo estudo da OCDE, o fosso entre ricos e pobres nos 34 países que integram a organização é o maior dos últimos 30 anos e constituiu um obstáculo ao crescimento económico no longo prazo.

E rir de nós próprios?

André Serpa Soares

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Levamo-nos demasiadamente a sério em quase tudo o que dizemos ou fazemos. As nossas opiniões parecem ter sempre aquele tom profético de “verdade óbvia” que ninguém parece ainda ter visto, apesar de tão evidente.
Dependendo de nós, o mundo seria muito melhor, o problema são os outros.

Passeamos um pouco pelas redes sociais ou pela blogosfera, perdemos uns minutos a ver ou ouvir a insanidade que uiva em cada “fórum” da rádio ou TV e eis que encontramos milhões de detentores da verdade revelada e da solução para todos os males.

Pudéssemos nós mandar, e outro galo cantaria. Somos verdadeiros D. Quixotes da opinião e, bastas vezes, da solução.

Mas depois… Os defeitos e os vícios são privados. Públicas, só as supostas virtudes. [Read more…]

A história que não abriu os telejornais de hoje

Aconteceu saber que hoje, dia 21 de Maio de 2015, um homem da Brandoa foi presente num certo tribunal da Grande Lisboa para 1º interrogatório judicial porque, depois de ter perdido o trabalho, perdeu também a casa e foi despejado. Ao ver-se na rua, fez três assaltos, armado com uma faca que trouxera da casa onde já não habita e, de seguida, entregou-se à polícia. Tendo confessado os crimes, pediu para ser preso, pois não tinha que comer nem onde dormir.

Esta é a história que não abriu os telejornais de hoje, porque o país está melhor e os cofres estão cheios.

O cerco ao imperador

MAC sorrii

Foto@Jornal de Negócios

Passaram nove anos entre a primeira denúncia do Caso Freeport (2005) e a detenção de José Sócrates no ano passado. Durante todo esse tempo, o agora prisioneiro nº 44 do estabelecimento prisional de Évora conseguiu aguentar com os inúmeros casos em que foi sendo implicado até que uma decisão judicial envolta em polémica o colocou atrás das grades. Desde então, e entre autocarros de apoiantes e hinos de agradecimento, tem havido uma autêntica romaria das mais destacadas personalidades socialistas até ao cárcere onde o menino de ouro” de Dias Loureiro se encontra detido. O futuro é incerto, mas suspeito que não há-de demorar muito até estar cá fora e, quem sabe, vir ainda um dia a exercer funções em Belém. Se Cavaco Silva lá passou dois mandatos, não vejo motivo para que Sócrates não o possa fazer também.

Vem isto a propósito de um seu par com nome de imperador, Marco António Costa (MAC), enfrentar por estes dias uma denúncia que vai assumindo contornos de caso de polícia com potencial para adaptação cinematográfica. Após a denúncia pública de Paulo Vieira da Silva (PVS) sobre uma alegada e complexa rede de tráfico de influências comandada por MAC – Marco António Costa – O Alpinista Político, os SHM (Seus Homens de Mão) e a sua rede – que seguiu para a PJ e para a PGR, o cerco vem-se apertando em torno deste que é um dos homens fortes (SHM?) de Pedro Passos Coelho e a quem é atribuída a célebre frase “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Acabou por haver eleições no país, Passos Coelho subiu ao poder e levou consigo MAC, a quem entregou uma secretaria de Estado onde viria a ser substituído por Agostinho Branquinho, um dos alegados “homens de mão” de MAC e personagem envolta numa imensa neblina que começa na Webrand, passa pela Ongoing e pela loja maçónica Mozart e termina num hospital privado em Valongo, autarquia onde MAC começou a sua escalada. Voltarei ao discreto Agostinho Branquinho numa outra ocasião. Há ali matéria para escrever um livro.

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Chegaram os bombeiros

Do Facebook da Areal Editores:

Hoje, dia 21 de maio, surgiram nas redes sociais considerações menos positivas sobre um exercício de Física que envolvia um gato que era largado de uma varanda, num caderno de atividades por nós produzido.
Temos de reconhecer que concordamos convosco, no que respeita à infelicidade do exemplo apresentado: é um exemplo infeliz, que em nada se coaduna com a nossa postura, e que passou despercebido às várias pessoas que produziram e reviram o texto.
O ser humano, por melhor que possa ser, também erra. Importante é que o erro cometido possa contribuir para melhorar tudo o que fazemos. As nossas desculpas são extensíveis a todos.
Podemos garantir que tal exemplo já não constará da versão que será disponibilizada aos alunos.
Obrigado pelo vosso contributo para a melhoria do nosso trabalho.

Publico isto porque escrevi isto. Lá vieram as relações públicas despejar o extintor sobre as chamas provocadas pela ausência de revisão científica e pedagógica dos manuais, feita por quem a deveria fazer. [Read more…]

Carta a Julieta

Querida Julieta

Soube que ganhaste o Prémio Mulher Flash Lifestyle. Tentarei, durante uns breves instantes, fazer de conta que não estou orgulhoso disso e vou fingir que não votei em ti. Mais: terei, até, o desplante de declarar alto e bom som que só te deram este prémio para te compensar do facto de o teu Futebol Clube do Porto não ter ganho nada pelo segundo ano consecutivo (sei bem as dores físicas que esta provocação me vai valer, no nosso próximo reencontro). Como se isso não bastasse, considero-me discriminado por não ter sido, pelo menos, nomeado, porque num tempo em que se fala tanto da igualdade de géneros seria justo que um homem pudesse concorrer ao Prémio Mulher.

Na minha qualidade de pseudo-intelectual peneirento, é claro que nunca admitirei que leio a Flash nem mesmo nas salas de espera dos consultórios médicos (se alguém me apanhar com uma na mão, aberta numa página em que se veja uma rapariga em trajes menores, saiba que o meu interesse é puramente etnográfico ou coiso ou eventualmente) . Para além disso, revolta-me que dêem a uma mulher tão portuguesa e tão portuense um prémio cheio de inglesices, mas a verdade é que vivemos num tempo em que os hotéis são sempre Qualquer Coisa Spa, Wellness, Business and Golf Center. Se aquela gente em Lisboa te conhecesse verdadeiramente, terias ganho o Prémio Mulher Estilo de Bida, carago! (e “carago!” faria parte do nome do prémio)

Ser professor num tempo em que a Educação é um dos maiores desinvestimentos do país é muito difícil. Pior do que isso só trabalhar na direcção de uma escola, tendo em conta que ser criança ou adolescente é estar sempre em crise, o que é ainda pior em tempos de crise, para não falar das constantes reviravoltas impostas por um ministério que parece apostado em desorganizar a vida dos estabelecimentos de ensino. [Read more…]

Sobre as propostas do PS

Programas eleitorais não são para levar totalmente a sério, uma vez que a experiência demonstra que os partidos avançam com promessas em tempo de campanha e posteriormente, quando eleitos apresentam um rol de desculpas, que a situação é pior do que esperavam, etc, pretextos para desculpabilizar o não cumprimento das propostas apresentadas ao eleitorado. Em matéria de vigarice ninguém leva a palma ao PSD, partido em que deixei de votar quando o cherne de má memória deixou cair o choque fiscal. Mas o passado do PS nesta matéria também não é brilhante.

Olhando para as medidas que o PS lança para discussão pública, verdade que ainda não é um programa eleitoral fechado, a questão da TSU é disso exemplo, avanços e recuos fazem lembrar os tempos da picareta falante, quando se prometia tudo para todos. Há no entanto algumas aspectos muito positivos que quero aqui realçar, o mais importante será a necessidade de 2/3 para adjudicar grandes obras públicas. Ninguém de bom senso poderá discordar, excepto talvez alguns políticos, construtoras e escritórios de advogados. Difícil será cumprir, pois terá muito provavelmente que ser matéria de revisão constitucional. Concordo também com o princípio do imposto negativo, mas não compreendo a sua implementação mantendo a existência do salário mínimo. Vou esperar para ver em detalhe essa medida. O bizarro parece ser a ideia da reabilitação urbana à custa da Segurança Social. Discordo totalmente do aumento da progressividade no IRS, que provavelmente complicará o sistema introduzindo mais escalões e alterará as deduções. Quanto mais simples, menos escalões, deduções e alterações melhor funcionará e fica compreensível ao cidadão. Mas a cada governo eleito, correspondem alterações e mesmo durante uma legislatura as mudanças são constantes…

Globalmente não me parece assim tão mau, pior é mesmo é ver alguns figurões junto do candidato a primeiro-ministro, quanto à credibilidade, direi que estará próxima da que elegeu Passos Coelho em 2011. Esperava pior do PS, mas veremos a prática, sem expectativas que Portugal possa mudar de vida, qualquer que seja o resultado eleitoral…

Rui Ramos transformado em anedota

Por Ricardo Araújo Pereira, na Visão. Quem diria que os “argumentos” do historiador eram tão fraquinhos?

Não descola nas sondagens

mas quer uma maioria de 2/3 do Parlamento. Até o Seguro se riu!

Os russos andam aí

e desta vez vieram com os nossos proprietários. Será por isso que ainda ninguém se insurgiu?

Pela mão de Mário Draghi

PSD barretes

Propaganda@Facebook PSD

Uma vez mais, o PSD aproveitou uma situação para a qual a sua contribuição foi nula para fazer propaganda eleitoralista. O insuspeito Diário Económico cita Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa, que nos explica que “este movimento é, acima de tudo, o resultado do plano de compras de activos do BCE“. Ou seja, lá andamos nós de mão dada com o papá Mario Draghi. Ser um protectorado tem destas coisas. Podia ser pior.

Aviso à navegção…

Por via do contencioso envolvendo o governo regional dos Açores, liderado pelo PS aos estaleiros navais de Viana do Castelo, que terminaria com a falência da empresa pública então tutelada pelo governo de José Sócrates, a construção do navio Atlântida virou uma verdadeira novela. Pelo meio alguns capítulos bizarros, como a delirante venda ao governo bolivariano de Chavez, mas nunca concretizada. Prova mais que evidente da falta de vocação do  Estado para construtor naval, ou qualquer outra actividade económica. Não fossem as regras apertadas de Bruxelas, lá teríamos o bolso do contribuinte a viabilizar mais uma empresa deficitária. Este filme não é assim tão diferente da TAP e outros sorvedouros de impostos…

Os novos monstros

Compreendemos o processo: quanto mais um governo esmaga, com as suas políticas, as aspirações de um povo, mais necessita de, através de medidas mais ou menos caricatas, mais ou menos repugnantes no seu cinismo, fingir que se preocupa muito com a felicidade das populações. Como aquele ladrão que nos rouba uma carteira com mil euros e nos dá uma nota de cinco para que tomemos o táxi para casa, vangloriando-se da sua generosidade. Os exemplos multiplicam-se (lembremos, pelo seu ridículo, o momento em que a ministra Cristas nos quis proteger a saúde proibindo-nos o convívio caseiro com mais de três animais domésticos). Alguns, aparecem na área da saúde que, dada a sua sensibilidade, se presta muito a estas habilidades para hipnotizar patos. Uma das preocupações que os governos gostam de ostentar é a dos malefícios do tabaco. Longe de mim contrariar este desiderato. Porém, não é difícil detectar, nesta como noutras questões, as contradições e hipocrisias que as parasitam. Mas, pensávamos muitos de nós, este tipo de circo tem limites. Haverá um momento em que as pessoas acharão que as estão a tratar como imbecis. Haverá mesmo? As novas disposições sobre as fotos a publicar nos maços de cigarros não deixarão de por à prova este ponto. Quando li num oráculo de um telejornal que tais fotos incluiriam, a cores e em grande evidência, imagens de caixões de crianças, não liguei muito. Sabemos bem o nível de disparate a que estas “bandas passantes” podem chegar. Mas fiquei a remoer a coisa; que diabo, é o governo do Passos. Capaz das idiotices mais broncas. Agora que vejo tudo confirmado; agora que tomei conhecimento das quarenta e duas (http://www.publico.pt/n1695273 ) fotos em causa; agora que sei que isto é mesmo a sério, penso na distância que vai entre um tonto e um psicopata e sei que esta vai ser uma noite mal dormida. Temam: os (novos) monstros andam aí. E dizem que vos amam extremosamente – como a aranha dizia à mosca.

Quando os animais escrevem manuais

António José Silva e Cláudia Simões escreveram o novo manual de Físico-Química para o 9º ano intitulado Zoom, publicado pela Areal Editores. Feito um zoom ao caderno de exercícios, encontra-se isto:
zoom areal editores

Na impossibilidade de largar o António José Silva da varanda, eventualmente cruzando-se com a Cláudia Simões empurrada de uma janela 2 metros abaixo, e de calcular os estragos que ambos causariam ao piso da calçada, tendo em conta a densidade de calhau rolado que ambos demonstram possuir, limito-me a sugerir que ninguém adopte este manual. É o mínimo, e manuais escritos por animais têm um bom destino: o zoológico.

Imagem roubada no Facebook a Luísa Coelho.

Adenda: a jornalista Clara Viana, com o seu habitual rigor quando se refere a assuntos denunciados no Aventar, descobriu que o exercício após a sua publicação numa página pessoal do Facebook, anónima, “foi replicado depois por uma série de blogues” e escreveu no Público sobre o assunto. A editora já pediu desculpa, o exercício será retirado, mas aos teocratas da Física (fisiocratas é outra coisa) que agora aqui vêm defender o indefensável aproveito para deixar uma citação do Carlos Fiolhais, e discutam lá a vossa ciência com ele, que por mim, assunto resolvido, acabou a pachorra, e já me falta muito pouco para começar a defender o Crato e a  Maria de Lurdes Rodrigues

Em declarações ao PÚBLICO, o físico Carlos Fiolhais, que também é autor de manuais escolares, considera que o exercício “é, por razões éticas, inadmissível do ponto de vista didáctico”. “Não se devem fazer experiências desse tipo com animais, uma vez que estes têm direitos”, especifica.
Fiolhais explica que o enunciado proposto nada tem a ver com o que é descrito no problema do “gato que cai”, um clássico da física onde se tenta perceber “por que razão os gatos caem normalmente com os pés para baixo depois de darem várias voltas”. “Para a disciplina em causa e para o nível etário em causa, qualquer objecto pode servir para exemplo. Dar um exemplo de ‘lançamento de um gato’ é inteiramente inaceitável”, conclui.

Carta do Canadá: Pelos valores é que vamos

Há dias, uma entrevista encheu-me de alegria: aquela que deu à RTP a actriz Maria Rueff. A talentosa moçambicana afirmou que educa a sua filha em valores como a gratidão e a bondade. Se juntarmos a esta decisão a coragem e a modéstia da mãe, temos que aquela menina tem para cumprir um belo programa de vida. De sublinhar que, apesar de ter chegado a Portugal com três anos de idade, com os pais e cinco irmãos, portanto todos “ultramados”, que devia ser o nome exacto em vez de retornados, Maria Rueff cresceu sem ódio e sem ganância. Bem ao contrário doutros que, nem sequer tendo nascido em África, foram desde a descolonização (nada exemplar) postos a cozer em despeito e ressabiamento, no lento lume da vingança futura, como todos hoje sabemos e sentimos na pele porque, finalmente, o vilão teve a vara na mão. Maria Rueff saíu da prova sem aleijões de carácter. E transmite à sua filha essa nobreza. [Read more…]