Por que razão o “Expresso” dá guarida a um raposo. Nós já desistimos de perceber, sr. Embaixador.
A virtude da Teodora
Para quem tem dúvidas, lá está a etimologia para nos ajudar. O nome Teodora, compõe-se, providencialmente, de theo (deus) e doro (dom), isto é, Teodora quer dizer “dom de deus”. É por isso que ser Teodora é um elevar-se a alturas desconhecidas do comum dos mortais; é um aproximar-se da perfeição.
Assim, perante a perplexidade geral, uma particular Teodora (neste caso a Cardoso) exerceu o seu virtuoso poder trazendo aos seus ignaros concidadãos um caminho salvador. Como acontece frequentemente com estes espíritos superiores, não foi compreendida, outrossim vilipendiada, maltratada na praça pública e pescada nas redes sociais.
E, todavia, Teodora teceu uma hipótese perfeita. Acompanhem-me:
a) éramos obrigados a receber todos os nossos rendimentos em determinadas contas bancárias;
b) de cada levantamento seria feita uma retenção, sendo que o total das retenções constituiria a base do nosso IRS;
c) e tais retenções seriam geridas por quem? – pelos bancos, claro;
d) uma vez que os bancos se encarregariam das operações – com muito gosto, claro – era justo que, além das gordas vantagens que essas avultadas reservas lhes trariam, fossem devidamente remunerados pelo trabalho;
e) e quem lhes pagaria, quem? – o ministério das finanças, claro;
f) e quem paga o ministério das finanças? – nós, evidentemente.
E é aqui que nos abeiramos da perfeição, do créme a la créme da sofisticação financeira: uma PPP em que os protagonistas são as finanças e os bancos! A pureza absoluta! O lucro sem porcarias, sem obras, sem concursos, sem necessidade de ministros corruptos. Uma ideia que é, ela própria, um… theo doro.
Arrefinfem
A página Arrefinfa é do melhor que já se fez em humor suporte net nacional. Depois de aplicarem uns estalos no Primeiro não se esqueçam de clicar em +. O Aníbal perdido é do melhorio.
Hayek , Salazar e o resto
Um artigo de Francisco Louçã sobre o liberalismo pouco liberal a não perder.
Não conhece o Manifesto dos 70
Mas defende a reestruturação da dívida portuguesa. Insurjamo-nos contra este Nobel blasfemo!
O Banco de Portugal publicou as suas previsões
Quer dizer: o Banco de Portugal acaba de entrar na campanha eleitoral. Do lado do costume.
Rostos de quem passa fome para que a banca lucre
Em Dezembro passado, a revista Visão trouxe a reportagem “Os rostos reais da fome em Portugal“. Oito testemunhos, que poderia ser nossos, do país onde se salvam os bancos primeiro e se olha para as pessoas depois – mas apenas para ver que cortes adicionais se podem fazer.
Adivinhem quem é que se passou (novamente)…
Pois é, o Facebook comprou um produto que ainda não existe, os Oculus Rift (disponível apenas para desenvolvimento), pela módica quantia de dois mil milhões de dólares e não demorou até aparecer o clássico vídeo da reacção à compra, aqui contextualizado como se visto por estes óculos de realidade virtual.
Não era ainda conhecida esta apetência do Facebook pela realidade virtual, se bem que as sementes já lá estivessem, ou não fosse o Facebook lugar para se ter amigos que não se conhecem. Agora, uma coisa é certa, o Facebook com esta capacidade financeira aliada à apetência pelo virtual, se descobrem Portugal estamos safos. Senhor primeiro-ministro, por favor continue com o discurso do país estar melhor; se a mensagem chegar até ao senhor Zuckerberg, compra a sua realidade virtual, salva-nos a todos e deixa de precisar de ir ao lambe, perdão, beija-mão da senhora Merkel.
Paulo Bento é o novo seleccionador do Brasil
“Ajude Paulo Bento a escolher os 23 jogadores da seleção nacional”. Seleção? Sim: seleção.
A nossa doença é um luxo

Se há coisa que me desperta curiosidade é saber se aqueles que acham que o país está melhor passaram recentemente por algum hospital público. Ando, há pelo menos duas décadas, a acompanhar a doença crónica de quem me é muito próximo. São pelo menos 20 anos de consultas, exames, operações cirúrgicas e internamentos num hospital público. E durante este período nunca vi uma degradação tão evidente da qualidade do serviço prestado por esse hospital em concreto, um dos maiores do país, como a que se vive hoje.
Muitos dos médicos mais experientes e qualificados, entre eles muitos chefes de serviço, debandaram para o privado. E não foram só os cortes nas remunerações a pesar na decisão, foi também a atitude de desprezo e de falta de consideração por parte de quem manda, a não valorização de qualquer esforço para prestar um melhor serviço público. Ficaram médicos jovens, acredito que muito qualificados, mas inexperientes, numa área em que a tarimba faz toda a diferença. No recibo de vencimento de um destes médicos não se espantem se virem um salário líquido de pouco mais de mil euros por um horário de 40 horas semanais.
A experiência das pessoas que conheço é a de que os tempos de espera por consultas e exames aumentaram. Os exames que requerem anestesia continuam a ser um problema. Na sala de espera ouvi, há dias, uma conversa entre médico e paciente elucidativa a este respeito. Se o doente quisesse anestesia para realizar certo exame, esperaria à volta de três meses, sem anestesia poderia fazê-lo no dia seguinte. O doente hesitou mas acabou por abdicar da anestesia.
[Read more…]
As verdadeiras gorduras do Estado
Só em jacarandás e em carros é logo 3.2 milhões de euros. Percorrendo o restante país…
Entrevista a Alípio Dias
Entrevista, no jornal i, a Alípio Dias. Algumas passagens:
Fui alertado [do golpe militar do 25 de Abril] às quatro menos um quarto da manhã por dois tipos de pessoas.(…) Foi o meu correspondente de Santarém que me ligou a dizer: “Sôtor, os tanques estão a sair de Santarém e vai acontecer uma revolução.”
Eu nunca quis jotas. É o maior erro que os partidos estão a fazer. Mas já havia jotas com Sá Carneiro. Eu dizia sempre: Francisco, é um erro que se está a fazer. Ele achava que era o futuro. O futuro, Francisco, é estudar, é obrigá-los a conhecer as pessoas, a passar por algumas dificuldades. Mas em vez disso estamos a criar meninos e meninas que vão para os gabinetes, que metem cunhas, que querem ter carrinhos, que dormem com ministros, uma bagunçada, e daqui a uns anos vamos ter gente incompetente a governar-nos.
Ter saúde está acima das possibilidades
Joaquim Namorado
Faz cem anos, por estes tempos, o nosso poeta, amigo, mestre e camarada Joaquim Namorado. Pudesse eu escolher outro poema para o recordar; pudesse este poema ser datado e esquecido num tempo jubiloso. Mas não.
Ele ganha um novo sentido, mas volta a provocar o arrepio dos tempos em que era declamado nos encontros de lutadores contra a ditadura.
Port Wine
O Douro é um rio de vinho
que tem a foz em Liverpool e em Londres
e em Nova-York e no Rio e em Buenos Aires:
quando chega ao mar vai nos navios,
cria seus lodos em garrafeiras velhas,
desemboca nos clubes e nos bares.
Rui Feijó
Rui Feijó (1921-2008) foi o primeiro Delegado da Secretaria de Estado da Cultura do Norte.
Fazia ontem anos se fosse vivo. Foi homenageado na Casa das Artes, à Rua Ruben A, no Porto. Edifício este pelo qual lutou, entre outras coisas muito importantes e estruturantes, na área da Cultura e do Património. Deixou trabalho feito e é um exemplo do que deve ser um Director-Geral.
Na área cívica e política teve também intervenção, tendo no período anterior ao 25 de Abril ajudado muita gente (Manuel Alegre esteve refugiado na sua casa em Lousada, por exemplo).
O seu legado está por estudar, mas a homenagem foi merecida. A ele voltaremos.
Será possível o consenso?
Santana Castilho*
1. Poiares Maduro foi recentemente ouvido na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local. Entre outras coisas, falou de educação como se, digo eu, não existisse ministro dessa pasta. E que disse? Que pretende que, no próximo ano lectivo, dez municípios-piloto sejam responsáveis pela gestão da educação. Não clarificou, ele que invocou a transparência, o que é isso de “gestão da educação” que, assim deixada na nebulosidade, pode ser tudo e nada. Mas foi assertivo quando afirmou que iria descentralizar. Ora descentralizar, verbo transitivo que significa afastar do centro, distribuir pelas localidades ou corporações locais, pode nada resolver e tudo piorar. A gestão da educação nacional não precisa que substituamos o monolitismo do ministério por outros tantos monolitismos, um em cada câmara. Há coisas que devem continuar concentradas (concursos de professores, por exemplo, onde o experimentalismo descentralizador dos últimos anos gerou aberrações inomináveis) e outras que, ao invés de serem desconcentradas por câmaras, devem, outrossim, ser disseminadas pelas escolas e pelos professores (a gestão pedagógica, por exemplo). Ao ministro Maduro (e ao da Educação, se existisse) conviria reler a história da I República (a descentralização/municipalização da educação foi definida pela primeira vez em decreto de 29 de Março de 1911) para perceber que não é de descentralização municipalista mas de autonomia que as escolas e os professores necessitam.
Divergências insanáveis
Todos ficámos em estado de ansiedade quando o primeiro ministro Passos Coelho e o líder do PS (designado pelos comentadores de direita por “líder da oposição”) António José Seguro se encontraram para avaliar se era possível o tão cantado consenso (sobre quê e para quê é que ninguém para aqueles lados parece saber).
Ora, sempre preocupado em divulgar a informação importante que consigo apurar (como diria o quadrilheiro do Marques Mendes) e para esclarecimento das massas, aqui deixo o documento em que estão clara e detalhadamente redigidas as “insanáveis divergências” que, tonitruantemente, anunciou o dirigente do PS.
Einstein e o Coelho

Provando empiricamente, mais uma vez, que Einstein tinha razão, foi anunciada, esta segunda feira, a descoberta de ondas gravitacionais primordiais, vindas do início do nosso Universo. Esta descoberta, que é tecnicamente muito complexa, é uma das maiores descobertas das últimas décadas e de uma só vez resolve dois problemas.
Primeiro, mostra que o modelo inflacionário do Universo está correcto. O modelo prevê que, quando nasceu, o Universo sofreu uma fase de crescimento muito rápido e violento. Esta fase é chamada “expansão inflacionária” e é devida à existência de um campo escalar, chamado inflatão.” (CENTRA)
Instado a pronunciar-se sobre estas notícias, Passos Coelho foi categórico: não sabendo quem era esse tal Einstein, declarou contudo que, tratando-se certamente de mais um economista estrangeiro a meter-se nos assuntos que só ao governo português dizem respeito, repudiava terminantemente a visão expansionista implícita nesta teoria, para não falar na referência totalmente irresponsável e oportunista feita ao “crescimento rápido e violento”, chamando a atenção para a demagogia alarmista que consiste em brincar com temas como “expansão inflacionária”, ainda por cima postulando existência de algo chamado “inflatão” , termo importado, sem dúvida, da propaganda comunista. Sublinhou, ainda, que o importante era obter consensos, como ensinara o senhor presidente da República, pessoa muito mais digna de confiança que esse tal arrivista Albert Einstein. De resto, concluiu, a simples designação de “ondas gravitacionais primordiais” era, na sua opinião, sintomática, já que indiciava que era coisa de velhos ou, pior ainda, aposentados.
E cortes nos depósitos das contas salário e contas reforma?
Líder da bancada do PSD garante que não haverá mais cortes de salários e pensões. Gentinha sem palavra.
Bom trabalho
Alguém se lembrava do Sócrates comentador na RTP? agora todos se recordam.
Parabéns, José Manuel Portugal.
Sobre radicais idiotas
(na falta de foto do nosso conterrâneo idiota, deixo-vos uma outra, de um jovem igualmente idiota)
De toda uma panóplia de idiotas que anda por ai a pregar o evangelho de Adolf, de Kiev ao Funchal, passando por todos os Mários Machados desta vida, existe um idiota que se quer destacar dos outros idiotas. O seu nome é Luís da Silva Canedo e a idiotice que nos apresenta é de um nível de execução só possível aos mais exímios praticantes da idiotice.
Ora o senhor Luís é candidato da Frente Nacional nas autárquicas francesas. Este indivíduo, emigrado em França há 20 anos e sem ter requerido, até ao momento, nacionalidade francesa, assume-se como admirador de Marine Le Pen, a mulher que quer limpar o país dos infames emigrantes, grupo no qual se inclui o indivíduo que a admira. Um idiota masoquista portanto.
O rapaz esquecido
Lá fui para mais um dia de uma primavera que teima em se esconder atrás do cinzentismo coerente com os nossos governantes. Percorri, como sempre, os segundos que separam o mais novo de casa. “Até logo pai“, ouvi eu lá ao longe, depois de um beijo que não quero perder. Mas hoje, perdi. Perdi porque o Fernando Alves roubou-me o exercício da paternidade quando me levou para a noite, longa, de quase 40 anos, do esquecimento do José Alves Costa.
Ele que, bem vistas as coisas, FEZ o 25 de abril.
Em lágrimas pensei no meu Pai.
Também nunca mais voltou a Lisboa e nunca mais voltará. Temo, pois, o que irá sentir José Alves Costa quando voltar a Lisboa – olhar para o Tejo e perguntar: valeu a pena? Foi por isto? Para isto?
Para ler hoje no Público.
Teodora Cardoso, olhe, emigre!
A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, deixou aos deputados do PSD uma nova forma de cobrar impostos no pós-troika: taxar os levantamentos que são feitos nas contas bancárias onde são depositados os salários e as pensões. (…)
No final, Teodora Cardoso explicou aos jornalistas que a vantagem desta solução é que não incidiria directamente sobre os rendimentos auferidos, seja salários, seja pensões.
“Em vez de um imposto que desincentiva o rendimento, este incentiva a poupança”, afirmou a presidente do organismo independente, que faz o acompanhamento das contas públicas. [PÚBLICO]
Esta parva, que toma os portugueses pela sua medida, faz de conta não saber que poucos são aqueles a quem sobra dinheiro no fim do mês. Veste a pele de hipócrita afirmando que é um imposto virtuoso, que incentiva a poupança – como se houvesse algo a poupar. Consegue, ainda, ter o desplante de afirmar que um imposto sobre o dinheiro que se levante de contas de salários e de pensões não é um imposto sobre salários e pensões!
A irresistível atracção pelos números das pessoas que não gostam de pessoas
As pessoas que não gostam de pessoas outrora adoravam o deserto, compraziam-se com outros animais, eremitavam e alguns tinham a Deus e rezavam-lhe; hoje preferem os números, ajoelham-se no Excel e, gente dada à prestidigitação, divertem-se na acrobacia de uma tabela com mortal encarpado à retaguarda de um gráfico. Tenho por eles uma sedução próxima da que Herberto Helder manifestou pelos poliglotas tradutores de poesia, incapazes do parir de um verso mas infatigáveis no afã de o traduzir.
Se ando saudoso deles é certo e sabido que vou ao ermitério do costume, o Blasfémias, visitar o Vítor Cunha a quem aguarda nas hagiografias uma página próxima de um S. Antão. E que vejo desta vez? um quadro publicado pelo Paulo Guinote com dados sobre alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). E que visão teve e atormenta S. Cunha? a de que misteriosamente estes se reduzem entre o básico e o secundário, o que só pode. diz ele, ter duas explicações:
Faz sentido
As democracias ocidentais sancionarem déspotas, apertando o cerco ao fundamentalismo islâmico, procurando retirar do poder nos seus países governantes sem o mínimo respeito pelos Direitos humanos. Sem dúvida o Egipto é hoje uma terra de Justiça, capaz de julgar de forma célere 529 cidadãos apoiantes do criminoso presidente eleito, felizmente já deposto por uma junta militar. Por onde anda a Liberdade que justificou Tunísia, Líbia ou Síria, apregoada aos 4 ventos nos gabinetes de Washington ou Bruxelas, esta última verdadeira marioneta de Paris?














Recent Comments