Como cão e gato

A minha cadela aceitou partilhar casa com um gato. Eu não tive nada a ver com o assunto, nem fui consultada, o que me pareceu normal porque a Rita já é uma cadela menopáusica, com idade suficiente para saber o que quer. O gato é novinho, suponho que um dos muitos órfãos que vagueiam pelo bairro, e começou a rondar o pátio com passinhos furtivos, olhos vivos de pequeno reguila, e aquele ar de desamparo que os gatos podem ter mas só quando querem. Começou por roubar pedacinhos de comida, foi ganhando coragem, aproximou-se dela e, como ela permanecesse refastelada, a fazer de conta que não o via, ele fez-se atrevido e não só comeu tudo o que estava no prato dela, como lhe foi dando pancadinhas leves com as patas, esfregando o dorso na sua barriga, roçando a cabecita no focinho indolente dela. [Read more…]

Moscas da época

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Tenho uma colónia de moscas da fruta na cozinha. Chegaram com o verão logo a seguir às formigas, estabeleceram-se ao contrário do formigueiro que não suportou o anunciado mais fresco estio (ou será estilo?) de sempre, já são da casa.

Obrigam a algum cuidado, tratando-se de açucares à solta, sacodem-se e cá vamos convivendo fraternalmente, o meu franciscanismo sempre foi muito dado aos insectos.

Quero crer que se trata de familiares Drosophilidae. Não por convicção zoológica mas porque sempre que as vejo, em bando experimentando uma bravo-esmolfe (aliás bravo, que esmolfe desapareceu das frutarias) sorrio pelo menos um bocadinho: ah Sarah Palin, que saudades. Muito gosta a extrema-direita da ignorância.

Paulo Portas:

“Na quinta-feira, na conferência de imprensa, não me referi ao corte das pensões de sobrevivências porque a medida não estava completamente desenhada”.

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S. João da Madeira com produção de escravos

Está tudo a preparar-se para que os Chineses não precisem de pagar mão-de-obra Portuguesa. Viva o futuro!

“O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo,

um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? Para mim, escrever é compromisso.” O brasileiro Luiz Ruffato, na abertura da Feira de Frankfurt.

Espero que não tenha falhado

Machete queixa-se de “tentativa de assassinato político”.

Confissão

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Nuno Melo declarou que os governos de Sócrates eram os piores desde o final da 1ª Répública.

Para não haver dúvidas: Nuno Melo, dirigente e deputado do CDS no Parlamento Europeu, manifestou a sua preferência por Salazar e Marcelo Caetano quando comparados com José Sócrates. Está no seu direito, embora vá ter dificuldades em levar o seu amor até às últimas consequências, uma vez que as organizações fascistas são proibidas pela Constituição da República.

Mas o que importa isso a Nuno Melo e aos seus amigos actuais e a haver? Há uma vantagem nestes políticos cujo narcisismo desata a incontinência verbal: ficamos a saber com que contar e o que podemos esperar dos seus planos futuros. E a poder exigir às borboletas mui democráticas, que batem as asinhas em louvor ao governo, uma clarificação inequívoca: já chegaram ao ponto de pensar que “isto só lá vai” com um regime autocrático? Aspiram a um neossalazarismo? É que se é assim, nós, pessoas decentes, temos coisas a preparar.

De quem é a ponte?

Uma das pontes sobre o Tejo nasceu Salazar e foi baptizada 25 de Abril.

A canalha salazarista andou anos a chorar que era uma injustiça, foi o Salazar que a construiu, snif snif, sacando do lenço para limpar o focinho ranhoso, o Salazar no tempo dele é que era bom.

Nem sequer é verdade: a ponte foi construída por operários (alguns lá morreram) e desenhada por engenheiros, mãos, cérebros, quem trabalha (esse exercício diário e quotidiano a que Salazar nem nas vindimas de S. Comba se dedicou: os meliantes não trabalham, roubam, trafulham  ou assassinam).

O que um ministro (enquanto pessoa um tipo sensato, mas o poder desfaz os homens) agora tem nas mãos é muito simples: ou manda às urtigas um parecer canalhita, ou compra a guerra que nunca ninguém tentou: reprimir uma manifestação nacional da CGTP é um filme que, indeciso pelo meio Portugal, me fará trocar o Porto por Lisboa. E já agora, com resultados muitos óbvios nos mercados.

Em qualquer dos casos, e definitivamente, a ponte ficará de vez crismada de 25 de Abril. Espero que se evite o sangue, mas voltando atrás, dos operários ali já o houve semeado.

A velha ordem de Machete

Ouvi o advogado Rui Machete esta tarde no Parlamento de Portugal a defender-se dos ataques da Oposição. Ouvi na TSF: a sua voz, a sua prosódia, as coisas próprias da retórica, as palavras (que escusavam de fazer dele um réu e daquela comissão de inquérito um tribunal, disse todo indignado), e depois o ataque: que aquilo era combate político, e apenas isso, destinado a fazer dele uma vítima. Sei quem é Rui Machete: representa uma geração de senhores, uma maneira de fazer, um modo de estar na vida pública, na política, e sobretudo no poder. Rui Machete representa tudo isso. Só que isso acabou. Algo novo cresce, posso senti-lo. E ouvi-lo nas palavras de Machete – como nas de muitos mais.

A boa prática das aspas e o *busão de Higgs

Expresso8102013

O manual de boas práticas do jornal A Bola parece estar a fazer escola. O próximo passo será o de pôr entre aspas todas as palavras escritas em AO90, não se limitando essa boa prática àquelas que se encontram no título.

O passo seguinte? É fácil: abandonar as aspas e, como Daniel do Rosário (e não só), cumprir o disposto quer no Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, quer no Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro.

Post scriptum: Ao contrário daquilo que por aí se escreve, não é *busão. Não, não é: é bosão. Escrito isto, parabéns a Peter Higgs e a François Englert e uma merecida homenagem a Robert Brout. Para terminar, o New York Times explica o bosão (sim, bosão).

Ainda as pontes

Ninguém pensou no risco para as pessoas quando a Vasco da Gama foi inaugurada com uma feijoada. Os gases nos dias seguintes foram insuportáveis.

Como usar o Tribunal Constitucional

A estratégia do governo é propor medidas inconstitucionais umas atrás das outras até acabar o ano para justificar o défice de 7%. É brilhante. (@VascoCardoso) Roubado ao João Roque Dias.

Os donos da língua

Pinda Simão, que se reuniu hoje em Lisboa com o ministro da Educação português, Nuno Crato, afirmou que Angola quer “fazer incidir esforços” na qualidade do ensino, referindo que em três províncias, Namibe, Benguela e Cabinda, há professores portugueses que estão envolvidos na formação de professores, em Língua Portuguesa, Matemática e Educação Física.

nac3a7c3b5es-da-lusofonia1O texto é da Lusa, escrito, portanto, segundo o chamado acordo ortográfico. Por acaso, foi publicado no jornal i, que não adopta o chamado acordo ortográfico. Os professores portugueses, em Portugal, são forçados a aplicar, nas escolas portuguesas, o chamado acordo ortográfico.

Alguns professores portugueses estão em Angola, participando na formação de professores angolanos. Angola não aplica o chamado acordo ortográfico, continuando a utilizar a ortografia de 1945. Deduzo, portanto, que os professores portugueses não possam utilizar, em Angola, o chamado acordo ortográfico que são obrigados a utilizar em Portugal, pela simples razão de que não seria aceitável esses mesmos professores imporem uma ortografia portuguesa a uma escrita que é angolana. [Read more…]

O Especialista

Rainbow FrogEspecialista em rapacidade disserta em modo gagá sobre delinquência.

Para Atravessar 2014 com Passos

PassosDeixem Pedro Passos Coelho em paz e esperem dele coragem para enfrentar os interesses mesquinhos da EDP e de outras mordomias de Regime, Estado Matrioska grátis dentro do Estado Exorbitante que pagamos. Vão insultar outros e outras, de preferência estrangeiros ou ninguém, o que seria ainda mais são. Sejam patriotas. Não sejam malignos. Evitem o maniqueísmo ideológico e passem a ver pessoas, dilemas, desafios, complexidades lá, onde vêem maldades, ladrões, bandidos e coisa similares. Alarguem o campo de visão aos constrangimentos reais do País. Se os outros são sempre maus, incorreremos permanentemente no erro da nossa iliteracia de carácter. Reconheçam os rapaces. Reconheçam os que se imolam e enfrentam todas as incompreensões na tentativa de salvar Portugal, bem maior.

Ignorem o que o Governo pretenda ou não fazer, em obediência à Troyka, no sentido de a tais medidas não dar o pior sentido nem esperar o pior efeito possível engravidando as psiques e as vontades nacionais com o vírus do Medo. Não aterrorizem ninguém nem se deixem aterrorizar por ninguém. Fujam da lamechice de Seguro, da choraminguice comiserativa de Seguro a cada corte, a cada medida dura, fujam da demagogia bonzinha e reversora de Seguro e notem o nascimento de um António Costa de Estado, muito mais ponderado e com mais calado que Seguro, repleto de bom-senso e ciente da necessidade de pactos de Regime e da não demonização do adversário político, dou o braço a torcer à mais-valia pelo menos retórica deste Costa. [Read more…]

A ponte é uma barragem

A direita mais reaccionária sempre teve um problema com a Ponte 25 de Abril. Foi assim em 1994 e é assim em 2013. Não é de estranhar, uma vez que, de cara lavada com as mãos igualmente sujas, os rostos do poder são os mesmos. [Read more…]

Machete vai hoje a S. Bento.

Melhor seria se fosse às compras.

Equívocos de sobrevivência

A justa indignação geral a propósito das pensões de sobrevivência tem trazido consigo um equívoco que urge clarificar, tanto mais que, se a maioria das pessoas nele labora sem qualquer malícia, já o governo e a corte de canalhas que o parasita aprecia imenso este tipo de confusões, uma vez que um eixo fundamental da sua estratégia de esbulho é o de criar divisões no tecido social, procurando que, ao atacar um sector em particular, os outros se sintam – com alívio ou torpe entusiasmo – livres do problema.

Ora, a tentativa de assalto às pensões de sobrevivência que agora corre insere-se – pensam os distraídos – no castigo ao grupo que o sector fascistóide dos apoiantes governamentais chama “peste grisalha”, logo, procura-se associar a pensão de sobrevivência à ideia de idoso. Nada mais errado. Não que, na maioria dos casos, não seja assim. Mas a situação de viuvez pode ocorrer em qualquer momento da vida.

Claro que, em jovens, não pensamos nisso. Lá diz um verso do Mahabharata: “a maior maravilha do mundo é os homens, apesar de rodeados de morte, viverem como se fossem imortais”. Mas é a pensão de sobrevivência que acode aos jovens viúvos e viúvas quando a tragédia sobre eles se abate, sendo que o cálculo dessa pensão é feito independentemente da idade. É ainda esse bem social que garante um suporte financeiro a cada órfão, prolongável até ao final da sua escolaridade, que será a que o beneficiário quiser. E permite ainda que uma criança deficiente órfã dele beneficie por tempo indeterminado.

Penso que bastam estes pontos para que se perceba o alcance do que os criminosos que nos governam estão a perpetrar e desmistificar o equívoco de que é mais uma medida (só) para os idosos. E para que se perceba que os comportamentos de alguns destes governantes em particular – pelas habilidades de retórica excrementícia com que embrulham estas medidas – merecem, muito para além de uma oposição política, uma reacção de puro asco. Somos governados por más pessoas.

Sobre as pensões

Prefiro contratar um seguro de vida, que pode ser capitalizado ao longo dos anos, mas sempre de forma voluntária, com regras claras e montantes definidos, ao poder discricionário do Estado, que obriga os clientes cidadãos a contribuir para um sistema de segurança social, construído em pirâmide, onde as receitas podem ser manipuladas ao sabor do governo de turno. O problema mais uma vez é o excessivo poder do Estado, que dá e tira quando lhe convém.

Tirar às viúvas para dar aos privados

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Quando se ultrapassa a meta da mais elementar decência, ou seja quando,  por exemplo, se assaltam as pensões de sobrevivência, é natural que os defensores do governo venha o último argumento: acabava-se com a RTP e já não havia necessidade de roubar quem mais precisa.  Eu compreendo a obsessão com a RTP, televisão fora do controle directo de um capitalista é sempre um perigo para a propaganda do regime (eles dizem que vivemos num regime socialista, mas não vou agora discutir o consumo de drogas pesadas).

Assim como assim, e se falamos de 200 milhões de euros, podiam ter-se lembrado dos contratos de associação com colégios privados, que nos custam essa quantia anual. Também podíamos ir à saúde, e fazer umas continhas sobre o que nos custam as PPP no ramo, já para não falar dos subsídios à medicina privada, tipo ADSE, ou indo mesmo mais longe os que se sustentam em seguros de saúde porque o estado não cumpre o seu dever.

Desse a RTP lucro a um qualquer grupo GPS e deixavam-na na paz do senhor. Ámen.

CTT

Há vários países interessados em nacionalizar os CTT. Portugal não se inclui nesse grupo.

Difícil de entender…

A ver se percebo.

O anunciado corte nas pensões de viuvez dificilmente será aprovado pelo Tribunal constitucional. Certo? Assim sendo, quem é o autor da ideia? Mais, a poupança em causa nem o será. É mais um corte com efeitos de tal forma negativos na economia que em vez de ajudar na receita vai aumentar a despesa a médio prazo. Certo? Pelo que li (e vale o que vale) estamos a falar de 100 milhões de euros. Uma gota no oceano, como bem explicou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sinceramente, não consigo perceber. Nem o alcance nem a frieza.

Ronaldo Herbalife

ronado-get-a-lifeGet-a-Life by Cristiano Ronaldo,  Bucareste – Roménia, 2013.

Roubar dinheiro aos mais pobres

Serve exactamente para quê?

Para poupar?

Vejamos – alguém que ganhe 1000 euros ou menos, no nosso país, tem dois destinos para o seu dinheiro: a economia, por via do consumo e uma ou outra aplicação bancária, quase sempre um pequeno depósito a prazo.

Percebo tanto de economia como o Major de timing para homenagens, mas parece-me que o nosso país precisa de ambos como de pão para a boca: de dinheiro na economia e de poupanças.

Assim, o motinhas e o aldrabão, só conseguem uma coisa quando tiram dinheiro aos titulares de pensões de sobrevivência: afundar ainda mais o país. É verdade que poupam uns tostões (milhões), mas como a economia vai piorar o resultado será, como se tem visto nos últimos dois anos, sempre um desastre.

Em jeito de conclusão: mais portugueses ficarão abaixo do limiar da pobreza e o país cada vez pior. E estes imbecis que não conseguem parar de escavar.

Um não, dois!

Bem atravessados!

 

Estacionamento ilegal para autocarros de Lisboa duas horas e meia por dia

Parece, à primeira vista, bastante peregrina a possibilidade de o estacionamento dos autocarros lisboetas ser considerado ilegal durante duas horas e meia por dia. Contudo, será mesmo disso que se trata:

Estacionamento ilegal para autocarros de Lisboa duas horas e meia por dia.

Não? Não, nem por isso.

Felizmente, como o Público não foi atrás do mito da “unidade essencial“, a mensagem não sofreu os danos colaterais causados pela base IX do Acordo Ortográfico de 1990.

Sim, há esperança.

pára autocarros

Eureka

César das Neves descobriu o capitalismo de compadres. Só lhe falta perceber o capitalismo.

Danos colaterais

Ah pois é, Banksy anda por Nova Iorque, em residência artística, Ontem saiu este video de combate.

Viva o Rei! Abaixo a Intolerância!

Sou simpatizante da causa monárquica. Não gosto do tom provocador do meu amigo João José Cardoso. Mas gosto mais do João José Cardoso do que estou disponível para me escandalizar com o que pense. Não sou comunista nem posso ser anti-comunista.

Ao JJC é preciso respeitá-lo, amá-lo, compreendê-lo e opor-se-lhe com génio e inteligência, especialmente num âmbito muito dado às lógicas branco/preto, maus/bons, quente/frio por que certa cultura de pensar fez o seu trajecto secular.

É preciso também que tenhamos aquela tolerância editorial e aquela paciência benevolente por que se pautou a Monarquia Constitucional na maior parte do tempo e a República inicial destruiu, forjada em sangue, em jacobinice, caos, balbúrdia, acotovelamento ávido do mando, pensamento único, a baixeza indigna dos assassínios, das purgas, sangue e mais sangue, até ao cansaço-acalmia de uma Ditadura da qual alguns depois se queixaram, quando precisamente abriram caminho a ela pela morte estéril e equivocada de um Chefe de Estado. Digam-me um só exemplo de utilidade e benefício humanitário ou democrático de um tal tipo de assassínio.

Notoriamente o País pagou caro o regicídio, a desgraça desse assassínio covarde e inútil. Não será, porém, a revolução, mas a aclamação que mudará as lógicas pervertidas do actual Regime em Portugal com as suas elites viciosas. Não será talvez uma tarefa para esta geração, mas para cem ou mais anos de persuasão, comportamento exemplar, argumentos racionais e de bom senso.

Insaciabilidade

Diz-me quem te apoia… De que está à espera Machete para sair do Governo e ir gozar à vontadinha da sua reforma milionária e a sua insaciabilidade prebendística?!

Relações SM

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Foto: Jens Wolf

Merkel representa uma mulher que sobrevive e predomina nas actuais sociedades: a mamã castigadora (os alemães chamam-lhe Mutti – reparem como há tantas na imagem) que transfere para os filhos, regra geral na mais inacreditável inconsciência, as culpas que carrega – as dela, e as dos pais e avós. «Mas pensar em Merkel como essa mãe é totalmente desadequado à descrição de uma personalidade política», escreve-se hoje  no Der Tagesspiegel. «A distância entre a mãe que cuida e a castradora de homens corresponde mais coisa menos coisa ao que separa uma santa de uma meretriz. Mas até mesmo a imagem da castradora é desadequada para compreender quem é Merkel. Trata-se tão simplesmente do fruto da imaginação masculina… Pois se nos dispuséssemos de uma vez por todas a fazer uma leitura de Merkel na sua qualidade de política e não de mulher (entenda-se do estereótipo feminino), poderíamos enfim ocupar-nos da sua política – com benefício para a Alemanha e para a Europa.»

Nós, portugueses e restantes povos do Sul (a que se acrescentam os irlandeses), somos os seus enteados: burros que nem portas, que aceitam todas essas culpas e culpabilizações, enquanto os alemães e os franceses nos censuram, acusando-nos de sermos esbanjadores, preguiçosos, irresponsáveis, como crianças que se recusassem a crescer, e muito embora o dinheiro que hoje falta para financiar a nossa soberania e independência se tenha essencialmente perdido na corrupção mais abjecta. Uma sorte para os alemães e para os franceses, como bem explicou Harald Schumann.

E no entanto, e como sempre (é um padrão humano, que diz muito sobre o subdesenvolvimento da consciência humana) há uma relação de amor entre o carrasco (o sádico) e a vítima (o masoquista). E não saímos das relações de poder. Manda quem pode, obedece quem quer (Salazar dizia que obedecia quem devia, lá está).