Do ‘Último Tango em Paris’ ao ‘Último Concerto no Vaticano’

A música, como outras artes, tem momentos efémeros e decora argumentos de contos, filmes ou mesmo de eventos socialmente relevantes. Representa um cenário sonoro de diversificadas narrativas, diria José Sócrates.

Todavia, à efemeridade do espectáculo junta-se, às vezes, a condição de última execução de determinada exibição musical. Sirvo-me de dois exemplos: o ‘Ultimo Tango em Paris’ e o ‘Último Concerto no Vaticano’.

“Último Tango em Paris”

A película de Bertolucci é um drama erótico franco-italiano, em que Marlon Brando e Maria Schneider foram estrelas. A censura salazarista proibiu a exibição em cinemas portugueses. Assisti, no pós-25 de Abril, ao filme no S. Jorge na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Trabalhava, então, na referida artéria, diante daquela sala. O corrupio, na altura, era enorme. De depravados, acusavam os mais conservadores.

“Último Concerto no Vaticano”

No caso deste concerto, o argumento nuclear é constituído pela ausência do convidado de honra do evento, Papa Francisco, como a fotografia o demonstra:

Papa FranciscoCadeira vazia do Papa Francisco

O alto clero do Vaticano, outros prelados eminentes e uma vasta plateia de distintos crentes aristocráticos foram esclarecidos da ausência do Papa Francisco por um arcebispo, com a justificação:

um compromisso urgente que não podia ser adiado

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Eu próprio tenho vergonha de ser da mesma nacionalidade

Escondeu ter trabalhado com Relvas

Jovens folhas

Se a tivessem conhecido, a primeira pergunta que ela vos teria feito, aposto convosco, seria:

– Quantos anos me dá?

E enquanto vocês atiravam números errados – 70, 73, 77, 80 – ela ficaria a olhar-vos com olhinhos matreiros, antegozando a vossa surpresa quando ela vos dissesse a verdade.

– Pois tenho 86, feitos em Janeiro.

E percebendo a alegria que lhe davam, vocês haveriam de exagerar o vosso espanto, que, não sendo pequeno, porque ela sempre aparentou menos idade, podia bem ser aumentado para alegria e orgulho da D. Carmen.

Assim foi a primeira conversa com a nova vizinha, quando há anos mudei de casa. Passei as semanas seguintes a vê-la saltar pequenos muros, a passear-se pelo bairro com grandes passadas e o andar sacudido de um basquetebolista, um caminhar de rapaz reguila que contrastava de forma bizarra com as ondinhas brancas do seu cabelo e os travessões de menina. Via-a nua muitas vezes, ou não gostasse ela de saudar o sol pondo-se em pelota à janela a cada manhã, ou porque achava que ninguém a via ou porque tanto lhe dava. [Read more…]

CGD, um dos locais dos crimes do Governo

João Coutinho recebeu de 500 a 800 mil euros para sair da CGD em 2004. Alega não se lembrar exactamente do valor. Agora,  Passos Coelho, sem vergonha, convida-o a regressar à administração do banco público. Brasil? Convém também olhar e agir em Portugal.

Conselho de Ministros

conselho de ministros
Entraram na sala. Estavam todos. Os seus computadores, ligados em rede, esperavam pela palavra-passe que cabia ao primeiro ministro introduzir. Este, movimentou os dedos como quem os aquece e,fazendo o seu sorriso mais inteligente, digitou: ABRE-TE SÉSAMO.

Cavaco Silva, um nada em política

Com falta de chá.

(não sei o que se passa com este vídeo, mas podem tentá-lo ver no próprio youtube)

Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo

Esta fotografia (que está no 31 da Armada) seria uma fotografia gira, se não fosse uma montagem.

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É que ontem foi dia mundial de fotografar a lua, também brinquei mas a minha foto não é para aqui chamada, foi para quem não podia estar a ver a lua comigo, Coimbra & amores, e também brincou o Paulo Abrantes, que fez esta sequência:

Brincar ao postalinho falso é batota, e utilizando uma imagem velha da alcáçova universitária (a sua iluminação já não é, e ainda bem, esta), é foleirada.

Correcção:

Esclarecido através de um amigo comum o local onde a fotografia foi tirada, resta-me pedir publicamente desculpa ao visado: a imagem é autêntica, é tudo uma questão de ângulo.

Ouvi dizer

Que a coisa continua amanhã porque não havia dinheiro para pizzas.

O MEC quer manter a Mobilidade Especial ou requalificação, mais conhecida por despedimento – parece que será só para entrar em 2015, mas é a maior das divergências neste momento.

O horário de trabalho aumenta para 40h, mas as cinco a mais entrariam totalmente na componente não lectiva individual. Por outro lado o MEC mostrou abertura para regular o que é ou não componente lectiva.

Dito isto, será de realçar a ENORME GREVE que temos vindo a fazer – mais de duas semanas depois dos fim das aulas e as reuniões continuam a zero – e ter bem presente uma certeza: foi a GREVE que trouxe o MEC à negociação.

Da nossa parte, só podemos continuar a fazer uma coisa: GREVE TOTAL às reuniões de avaliação. A começar já esta terça-feira!

Negociações com o Ministério da Educação

Enquanto decorrem as negociações entre o Ministério da Educação e os Sindicatos, há algumas preocupações nas redes sociais.

Anda a circular a notícia de que os professores do quadro que venham a ser sujeitos à mobilidade especial não possam ser colocados a mais de 60 quilómetros da sua escola. Há quem pergunte por que razão os professores de quadro de zona pedagógica e os professores contratados não estão abrangidos pela mesma regra.

O alargamento do horário semanal de trabalho para 40 horas será considerado inaceitável, a não ser que recaia exclusivamente sobre o tempo individual de trabalho.

Para além disso, a promessa de que o referido alargamento não incidirá sobre a componente lectiva dos professores já está posta em causa a partir do momento em que o tempo reservado para a direcção de turma deixe de estar integrada nessa componente.

Uma outra preocupação mais ou menos silenciosa reside, no entanto, no facto de estarmos a lidar com um governo que está sempre disposto a cometer ilegalidades e a quebrar promessas.

Elogio do carreirismo

José Xavier Ezequiel

Há meses que ouço na rádio, logo pela manhã, o anúncio da exposição de Joana Vasconcelos no Palácio da Ajuda. Dela diz o texto do anúncio que é  “a mais prestigiada artista portuguesa da actualidade.”

Ora, na minha opinião, este tipo de afirmação roça a publicidade enganosa (cf. Código da Publicidade, art° 11°), por não ser facilmente mensurável essa coisa do prestígio. Até porque ninguém me convence que Paula Rego, que por cá parece ter agora caído em desgraça, não continua a ser a mais prestigiada portuguesa, viva, no domínio das artes plásticas. Pelo menos nas paredes que contam, bem entendido. [Read more…]

Viva a meritocracia!

Secretário de Estado demitido devido aos “swaps” volta à Metro do Porto. A culpa de o país estar como está é dos funcionários públicos, pá!

As aulas acabaram há 17 dias

E continua sem haver notas para ninguém…

Acordo Ortográfico de 1990: alto e para o baile!

Hänninen

Peter Spinney/ Lat Photographic Archive (http://bit.ly/19vk417)

Dizem-nos que “a comunicação social já está quase toda a usar a nova ortografia” e garantem-nos que “a adoção [sic] do AO está em curso acelerado“.

Convém refrear o entusiasmo.

Segundo nos informam,  “[e]sta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico”. Parece que esta também. No Correio da Manhã, escrevem ‘pára’ e assumem. Hoje, no Diário da República, mais três ocorrências de ‘fato’ em vez de ‘facto’. Na TVI, “Tino comenta o fato [sic] de não ter ficado nomeado” e a FERLAP pronuncia-se sobre “o fato [sic] de o Ministério da Educação…”. N’A Bolao “curso” da “adoção [sic]” da “nova ortografia” é tão acelerado que até se despistam nas traduções (sem a elegância de Hänninen).

Efectivamente, está na altura de o baile parar.

Expresso e Visao 762013

[Brasil] Assembleia dos povos

promete prosseguir a luta nas ruas. Movimentos organizam-se “para transformar a [sua] grande pátria sul-americana” numa nação socialmente justa, sem excluídos dos sistemas públicos de protecção – saúde, educação, direito à mobilidade e à participação na vida cívica e política.

Mostruário dos tiques anti-professor (3)

Os professores não são diferentes dos outros trabalhadores

A claque anti-professor e alérgica aos funcionários públicos, de uma maneira geral, parte deste princípio para criticar qualquer reivindicação. Para a referida claque, se a maioria das pessoas tem 40 horas no contrato de trabalho, a que propósito é que outros reclamam contra a inclusão do mesmo número de horas no seu contrato.

É claro que os decisores políticos pretendem passar a ideia de que estão a realizar uma reforma do Estado, espalhando a ideia de que é preciso acabar com as diferenças entre privado e público. Os professores, essa manada de privilegiados, têm de aceitar que terão de ser iguais a outros, embora se descubram excepções com demasiada frequência, pelo que os professores vão perdendo direitos, à medida que outros os vão mantendo.

Em princípio, ainda assim, não custa concordar com a frase: os professores não são diferentes dos outros trabalhadores, porque são trabalhadores como os outros. É certo que há muitos elementos da claque que, na realidade, pensam que os professores não são sequer trabalhadores, pela simples razão de que aquilo que fazem é tão pouco ou tão insignificante que não pode ser considerado trabalho.

Por outro lado, também é verdade que os professores são diferentes dos outros trabalhadores, até porque, continuando a explorar truísmos, é fácil descobrir especificidades que tornam as profissões incomparáveis, no sentido mais neutro de que não é possível compará-las. [Read more…]

Internet: em velocidade, Portugal é o 20.º

Os pormenores e a notícia (via João Roque Dias).

Brasil – ouvir, ver, ler e interpretar

De acções censuráveis do mandato de Lula da Silva, da tremenda corrupção a obras faraónicas do Mundial de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de 2016, creio ter expressado de forma transparente e sem tibiezas o meu pensamento, no que escrevi antes.

Do pesado legado deixado a Dilma Rousseff, dos desvios de políticas sociais, bem como do torvelinho de manifestações em que foi capturada, também exprimi opiniões claras.

Das motivações e legítimas reivindicações dos manifestantes do Movimento do Passe Social (MPT), não as crtiquei a não ser pelos objectivos limitados visados – outras causas, como a quebra da evolução económica, os juros em alta, a inflação, a fuga de capitais e a famigerada PEC 37,  ao estarem ausentes do discurso reivindicativo, fundamentaram a minha discordância explícita.

O que verdadeiramente me perturba – e a isso me leva assumido rancor contra a extrema direita – é o ignóbil aproveitamento e agressões perpetradas por ‘jovens neonazis’ a militantes de esquerda, nas manifestações em causa.

Para defesa da minha honra e do juízo formado, recorro a relatos credíveis de quem está no terreno e testemunha as ocorrências, como o conteúdo – não é opinião – da seguinte notícia:

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21/06 às 18h44 – Atualizada em 21/06 às 18h47

Com militantes feridos, PSTU acusa extrema direita de orquestrar agressões

A aversão de grande parte de manifestantes a partidos políticos gerou consequências mais graves no Rio de Janeiro. Dez integrantes do PSTU foram agredidos no protesto dessa quinta-feira, declarou o presidente regional do partido, Cyro Garcia. Segundo ele, as agressões foram orquestradas e executadas por grupos nazifascistas que estão sendo “pagos para reprimir a livre expressão dos partidos políticos”.

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Ontem, em Belo Horizonte,

manifestantes avançaram irados contra a polícia a cavalo.

A casa de Aristides de Sousa Mendes

casa do passal

foto daqui

Antes de mais, saúdo a decisão da Secretaria de Estado da Cultura. O não restauro da casa do cônsul de Bordéus que salvou mais de trinta mil pessoas, contra a vontade de Salazar, era um atestado de indiferença e desprezo pelos actos de um dos raros portugueses que, sozinho, se dispôs a pagar um elevado preço para fazer o que julgava estar certo.

Durante anos, quase nada se soube sobre Aristides de Sousa Mendes. Pouco a pouco, (especialmente após o lançamento da Lista de Schindler) fomos sabendo de como possibilitou a fuga de milhares de pessoas do pesadelo nazi, de como morreu na miséria, de como ele e a sua família foram penalizados e ostracizados pelos seus actos.

Há muito tempo que se falava na necessidade da recuperação da Casa do Passal sem que sucessivos governos, autoridades regionais ou mecenas privados mexessem uma palha para honrar esta página exemplar.

Foi necessário que descendentes dos fugitivos, radicados nos EUA, começassem pouco a pouco a organizar-se para que o cenário mudasse. Com as pesquisas facilitadas pela internet, a Sousa Mendes Foundation localizou cerca de três mil sobreviventes e seus descendentes, passando a palavra e recuperando a memória do cônsul português de Bordéus. Foi ainda necessário que um jovem arquitecto americano, igualmente descendente da “diáspora Sousa Mendes” decidisse montar frente às ruínas da Casa do Passal um “museu temporário” cuja iluminação contrastasse com o buraco negro da casa, para que a campainha soasse em Portugal e a decisão fosse anunciada. [Read more…]

As causas do povo [Brasil]

Saúde, Educação, “prisão de bandido corrupto”, respeito pelo povo, etc, etc.

Brasil 2013: a grandeza épica de um povo em protesto

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Um dos movimentos que se dedicou nos últimos dias a mobilizar os brasileiros para os protestos anunciou que iria deixar de convocar as pessoas – alegadamente por causa da violência que tem marcado a maioria dessas manifestações que têm acontecido no Brasil. Não sei com detalhe o que se passou, apenas compreendi que houve diálogo entre esse movimento e o Governo de Dilma Roussef, o que em si é uma boa notícia, pois nem sempre os governantes são capazes dessa negociação com o povo em protesto. No entanto, parece-me evidente que o discurso contra a violência é tão virtuoso como a generalidade dessas palavras que se dizem em política – arte difícil, de prática conforme inacessível à maioria dos que se abalançam a ela, por serem as mais das vezes movidos pelas piores razões. Pois a política é um exercício mais do que um discurso (mais do que uma narrativa, para replicar uma das palavras na ordem do dia político português). A política é uma prática, coisa que se faz com acções, tentando que sejam tanto quanto possível a tradução das necessidades e das expectativas daqueles em nome de quem se governa.

Vá, venham homens que apenas conhecem o pecado original e digam todos, e digam muitos, e digam alto e bom som [Read more…]

Krugman e o Speaker

A propósito deste texto de Krugman, convém recordar que ‘Speaker’ não significa ‘porta-voz’.

50 anos

A Ponte da Arrábida sobre o rio Douro no Porto foi inaugurada no dia 22 de Junho de 1963

Uma perguntinha

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Porque é que os funcionários públicos não podem ter o mesmo número de dias de férias e o mesmo número de horas de trabalho semanais que os outros trabalhadores?

Coimbra não é uma lição

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Mais emblemática e conhecida, a demolição de todo um bairro, incluindo diversos colégios universitários, para construir uma obra prima do mamarrachismo chamada universidade do Estado Novo, não é filha única de uma cidade cuja história se caracteriza por isso mesmo: demolir.

Tivemos uns séculos de presença árabe: não sobra um calhau. O espaço mais simbólico da fundação de Portugal, o Mosteiro de Santa Cruz, levou no século XVI com um camartelo que destruiu, por exemplo, o espaço onde o primeiro rei se quis sepultar. Outra torre, já no século XX, foi derrubada antes que caísse em cima de um passante.

Do castelo procuram-se vestígios entre o casario que levou em cima. Igrejas arrasadas, ou transformadas em mau gosto revivalista como S. Tiago, são ao pontapé.

A cidade que nasceu de uma ponte sobre o Mondego, e recebeu nome de um bispo foragido, é agora, em parte, património mundial, diz a Unesco. O nosso melhor edifício universitário, o Colégio da Sapiência, de S. Agostinho ou dos Órfãos não conta, o maneirismo deve ficar mal nas fotografias.*

A parte chama-se Universidade de Coimbra. Às vezes gosto de imaginar como seria um sossego a minha aldeia, sem a dita ter vindo para aqui de vez num dia em que João II se vingou sabe-se lá de quê.

Mas nada  iguala o Mondego, rio da minha aldeia, muito menos o Tejo, nem a aldeia chamada Coimbra. É a minha aldeia, e a partir de agora património mundial,  vai dar-lhes mais trabalho dar cabo dela. E sim, estou contente, parabéns a todos os que se esforçaram por isso, e vou fingir que não me lembro de todo o seu património destruído.


* Afinal dizem-me que está, embora não conste de um folheto distribuído à população.

Spam

«Governo passa a fazer ‘briefings’ diários à imprensa»: Governa igualmente mal mas com propaganda, eis a novidade.

Desci à cidade…

… e dei de caras com eles, os gigantones, em vésperas de São João.

ps

As consequências

São simples.

Não há reuniões de avaliação, não há notas e sem estas, as pautas não existem.

A primeira consequência é a inexistência de elementos que permitam tomar decisões sobre aprovações ou retenção, isto é, não vai ser possível saber quem passa ou não de ano. Sem esta informação não se poderão concretizar matrículas em novos anos ou até em novas escolas, tal como não será possível desenvolver o processo que levará à entrada na Faculdade.

Numa só expressão, se o ano lectivo 2012/2013 não termina, o que se segue não poderá começar e o arranque das aulas em Setembro começa a ficar realmente em causa.

O problema é sério, mas Nuno Crato e Passos Coelho parecem estar pouco preocupados com a situação que vai colocar em causa um sector vital da nossa economia – o turismo.

Pelo contrário, os Professores continuam muito preocupados e por isso estão disponíveis para continuar esta GREVE que já vai em 8 dias úteis. E as exigências são simples:

– a mobilidade especial (requalificação ou despedimento) não pode ser regulamentada;

– o aumento do horário de trabalho, a acontecer, deverá ser exclusivamente na componente individual (“trabalho de casa”);

– a direcção de turma tem que continuar a ser considerado serviço lectivo.

E, apesar dos números brutais da GREVE (sempre acima dos 90%), há ainda muitos professores que não fizeram qualquer dia de GREVE, ou seja, ainda temos muito caminho para andar. E, apesar da tradicional página em branco do Expresso ou dos posts de ocasião no Aventar, a gente vai continuar

Mostruário dos tiques anti-professor (2)

Greve sim mas e daí é melhor não

Fazendo jus à pluralidade do Aventar, já antes discordei do meu caríssimo Carlos Garcez Osório e volto agora a fazê-lo. Não será, muito provavelmente a última vez, o que será sempre bom sinal.

Parece-me que o Carlos revela um estranho conceito de democracia: é coisa boa, se servir para eleger os nossos, e é detestável por trazer agarrada a si excrescências como o direito à greve. O governo que o Carlos apoia tem, ainda, sonhos lúbricos em que o Tribunal Constitucional desaparece numa enxurrada, arrastando, na voragem, a Constituição, apontada como a única razão para a ingovernabilidade do país, em substituição do bode expiatório, com a vantagem de cheirar melhor.

Ora, tal como o Carlos, também eu tenho alguns problemas com a democracia. Chateia-me, por exemplo, que a maioria da população insista em votar nos partidos em que eu não voto, sabendo-se, para mais, que são os responsáveis pelos vários desmandos que colocaram o país nesta encosta perigosa, porque nem sequer temos dinheiro para comprar um abismo a sério. Tenho de confessar que, em sonhos enraivecidos, chego a pensar que, se fosse eu a mandar, só deixava votar os eleitores que elegessem deputados do mesmo partido em que voto.

O problema é que isso iria dar origem a um partido único na Assembleia, o que seria recuar aos tempos da União Nacional. Aos tempos, já agora, em que as greves eram proibidas. [Read more…]

Que péssimo serviço, Carlos Magno!

Sofia Galvão in blind date

Durante muito tempo ouvi Carlos Magno às sextas-feiras debater a actualidade política com os seus colegas de Contraditório (programa da Antena 1) – por entre as frequentes interrupções que ele fazia à Ana Sá Lopes, já agora. Quantas foram as vezes que ele usou o seu tempo de antena para criticar o jornalismo das parangonas, das fugas ao segredo de justiça e da falta de garra jornalística, no geral. [Read more…]