Devo andar muito distraída. Hoje dei-me conta que temos um PR…
Devo andar mesmo muito distraída porque não vejo notícias relacionadas ou em que o PR é o assunto principal, quanto mais capa de jornal, como hoje no Público.
Penso que o PR devia ser um chato. E não é. Chato no sentido de interventivo, crítico, pertinente, que se importa, que tenha resposta na ponta da língua para tudo e que não foge às questões dos jornalistas nem a estes.
Vem agora pronunciar-se sobre a troika: aponta-lhe falhas. E pede ponderação do caso RTP.
Dei-me ao trabalho de ler a primeira página do Público no último mês. Nada. Cavaco não aparece. Excepto uma referência no dia 2 de Agosto a propósito da morte de Eurico de Melo.
Durante este mês muita coisa aconteceu: teve alguma palavra sobre o cenário de desastre para os docentes contratados? Disse algo sobre o fogo do Algrave (o seu Algrave), o segundo maior de sempre em Portugal? Pronunciou-se relativamente aos 465 mil desempregados que não recebem protecção social há quase um ano? Passou-me despercebida a sua reacção quanto ao escandaloso desfecho do concurso de colocação de professores e do desemprego em massa neste sector? Ele, que foi professor tantos anos, importa-se connosco? Lamentou o massacre dos mineiros na Àfrica do Sul? E quanto ao desemprego que chegou aos 15,7% em Portugal?
Cavaco Silva não chega às primeiras páginas de jornal nem pelos bons nem pelos piores motivos…
Os portugueses não precisam de um PR que se deixa ficar esquecido e à margem dos problemas.

















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