Postcards from Romania (6)

Elisabete Figueiredo

 The Dracula’s Castel is the fucking castel of the fucking sleeping beauty

Sou a única turista no autocarro. Os homens têm bigodes farfalhudos e bonés de lã. Pergunto-me como é que aguentam. As mulheres são as mulheres. Têm sempre, quase sempre, um ar mais delicado onde quer que nos encontremos.
Entra um casal de velhotes. Juro que estava em Portugal há 20 anos. Ou ontem. A senhora veste-se toda de preto, lenço e meias. O senhor tem um chapéu como usava o meu avô Alberto. Sim, de repente lembro-me do meu avô Alberto e de como punha um laço na minha trança, quando eu era pequena, ou já nem tanto. Para o meu avô Alberto, que tinha os olhos verdes, como os meus, uma trança havia de ser com laço na ponta, de preferência branco.
O autocarro arranca e na janela passam cavalos e vacas e rebanhos de ovelhas, casas em construção, ruínas, e entram mais pessoas. Chegamos a Bran. Depressa percebo a Walt Disneylização de tudo aquilo. Suponho que o Vlad Tepes, o empalador que originou, ao que consta, a lenda do conde Dracula, se revolva na tumba indignado. De certa maneira, penso em inglês, sei lá porquê, the Dracula’s Castle is the fucking Castle of the fucking Sleeping Beauty.

(Bran, 8 de Agosto de 2012)

Monstro em cela de luxo

Breivik teve a pena máxima que a Noruega permite: 21 anos de cadeia. Alguém se deu ao trabalho de contabilizar o tempo que é condenado por cada vítima: 3 meses…

Breivik matou 77 pessoas, cidadãos inocentes, gente muito jovem.

A democracia da Noruega dá a Breivik uma cela confortável de três divisões. Uma para exercício, com aparelhos de musculação e outra com computador, onde poderá escrever livros… (talvez manifestos racistas como se leu no Editorial do Público de ontem).

Há gente que não cometeu nenhum crime na sua vida e vive muuito pior que aquele monstro.

Recordo uma notícia do ano passado, que saiu na altura em que o monstro norueguês comete o massacre «inqualificável». No Paquistão, “operários das fábricas de tijolo são tão explorados que têm de vender os rins  para pagar as dívidas”. Trabalham de sol a sol para receber menos de 1 euro. Enquanto isto, o Paquistão “é o povo que, em todo o mundo, mais donativos faz para obras de caridade”. Hipocrisia.

A vida daquela gente é uma prisão. Vivem com a corda na garganta, condenados a passar os seus dias a pagar dívidas e empréstimos atrás de empréstimos.

Isto é justiça?

Postcards from Romania (5)

Elisabete Figueiredo

Brasov (Piata Sfatului)

Não se deixem enganar pelo ar encantador desta praça. Quero dizer, a praça é realmente encantadora. Vou daqui para a estação dos autocarros. Dizer que caí num filme do equivalente romeno do Emir Kusturica é, apesar da repetição, o mínimo. A estação é indiscritível. Na bilheteira a senhora (simpática) faz o melhor.

Na sala de espera um bêbado ressona. É a única pessoa na sala, além de mim. Deve estar ali desde o dia anterior. Desde sempre. A avaliar pela sujidade e pelas garrafas no chão. À volta dele quatrocentas moscas que, quando eu me sento (sim, eu sento-me nas estações de autocarros ao pé dos bêbados), se atiram furiosamente a mim. Picam-me. Desistem. Voltam ao bêbado. Suponho que esteja mais apetitoso que eu, dado que acabo de tomar banho.

Cá fora um calor sufocante. Entro no autocarro e gostava de ser uma espécie de turista que filma tudo. Gostava. Mas não sou, para o bem e para o mal tenho uma máquina fotográfica com cerca de 100 anos. Os mesmos que parece ter o autocarro.

(Brasov, 8  de Agosto de 2012)

A Viagem da Descoberta de Vasco da Gama

Para quem tiver conhecimentos e paciência para fazer a tradução deste documentário, aqui está um excelente contributo sobre a viagem de Vasco da Gama à India.
Sobre esta matéria, não pode deixar de ser feita uma referência, apesar de não ser um filme, ao projecto denominado «A Viagem de Vasco da Gama», da autoria do Centro de Competência NONIO da ESE de Santarém. Aí se apresenta a narração da viagem por etapas em banda desenhada, com jogos em cada uma dessas etapas. Brilhante.

Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

erretêpê

RTP: privatizar ou não privatizar, eis as questões

Pode o Estado renunciar à prestação de um serviço público de media?

Não. A Constituição incumbe o Estado de assegurar a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão (art.º 38.º, n.º 5).

O serviço público de rádio e de televisão (SPRTV) pode ser “privatizado”?

Em Portugal, o SPRTV não pode ser assumido, ainda que em regime de concessão, por entidades cujo capital seja maioritariamente privado. Isto é assim porque a lei fundamental prevê a existência de um sector público da comunicação social (art.º 38.º, n.º 6). Esta garantia institucional da liberdade de comunicação, último bastião na defesa do funcionamento de um sistema de media independente dos interesses políticos ou económicos, desapareceria com a opção de exploração ou gestão do SPRTV pelo sector privado. Constitucionalistas das mais diversas áreas políticas, como J.J Gomes Canotilho, Vital Moreira, Vieira de Andrade, Jónatas Machado ou Jorge Miranda, partilham a ideia de que o SPRTV não pode ser explorado senão por uma empresa pública. E a CRP é clara quando afasta qualquer modelo de gestão privada do sector público: “o sector público é constituído pelos meios de produção cujas propriedade e gestão pertencem ao Estado ou a outras entidades públicas” (art.º 82.º, n.º 2). Consciente do facto, o projeto de revisão constitucional 1/XI, publicado na 2.ª série A do DAR de 17 de Setembro de 2010, n.º 2/XI/2, supl., apresentado pelo PSD em 2010, tinha precisamente como objetivo permitir a abolição do sector público da comunicação social, propondo que “a estrutura e o funcionamento dos meios de comunicação social do sector público, quando exista, devem salvaguardar a sua independência perante o Governo, a Administração e os demais poderes públicos (…)”. [Read more…]

Manuais escolares usados

Esta é, desde sempre, uma época do ano complicada para as famílias, tendo em conta a necessidade de adquirir manuais escolares. Se juntarmos a isso o facto de que, devido à crise económica, as dificuldades financeiras das famílias aumentaram exponencialmente, é fácil perceber que aumentou, também, a probabilidade de muitos encarregados de educação não poderem comprar os manuais escolares ou outro manual necessário.

Existem várias iniciativas que permitem a troca ou a aquisição de manuais e livros a preços mais baixos. Fica aqui a indicação de algumas ligações úteis:

Manuais Escolares em 2ª Mão

 Banco do Livro Escolar – troca gratuita de livros escolares

 Manuais Escolares Usados – Trocas

A todos os que queiram divulgar iniciativas similares basta usar o contacto do Aventar.

Morreu “O” homem da lua

Neil Armstrong morreu. Tenho na memória televisiva aquele homem que cumpriu o sonho da Humanidade. Ele era O homem da lua, muito mais do que apenas o 1º homem na lua.  Parece até que ficou à espera da chegada do Homem a Marte, ainda que numa versão robotica.

Quem consegue dizer mais nomes de Homens que colocaram os pés na Lua? Eu não, mas também o que é que isso interessa? Nada. Mas como o post é meu eu é que mando e se eu digo é porque é, pelo menos antes do primeiro comentário deste post que corre sérios riscos de se tornar o mais estúpido por mim escrito, mas é mesmo assim – detesto ver gente morrer. Detesto.

Neil Armstrong

Faleceu aos 82 anos de idade (em inglês).

Postcards from Romania (4)

Elisabete Figueiredo

Os dedos da mão como se fossem ruas

O hotel tem um pátio. A miúda da receção quer que lhe fale em inglês e assim faço. No pátio um velhote pergunta-me em italiano se sou italiana. Digo que não, mas que falo um pouco e começo a falar pelos cotovelos, o que parece agradar-lhe, dado que faz o mesmo.

Ponho as coisas no quarto. Saio e peço orientações para chegar à praça. O senhor explica-me muito bem usando os dedos da mão como se fossem ruas. Intervala as explicações com ‘amore mio’, com a mesma entoação com que os ingleses dizem ‘darling’. Parece-me um bom lugar. Saio. Encontro a praça. Está fresco e as pessoas sentam-se nos bancos. Estão calmas e parecem estar contentes. Também me sinto contente.

Não é preciso dizer mais nada, quando se escrevem postais.

(Brasov, 7 de Agosto de 2012)

O negócio dos Manuais Escolares

As editoras fazem todas o mesmo!
As mães ou os papãs encomendam os respectivos manuais das principais disciplinas do 5ºano, por exemplo (dispensa-se os facultativos, é menos essa despesa) e, sendo de 17,50 € o preço médio de cada um, o valor total da conta a pagar será cerca de 90 €.
Mas a «coisa» está muito bem feita: a ASA, a Santillana, a Porto Editora e a Texto, neste caso, têm preparada uma folhinha com uma «Recomendação Pedágógica» que vem embrulhada num plástico, hermeticamente fechado, juntamente com o Manual mais dois produtos que o pai e a mãe não estavam à espera (na lista que a escola fornece não são referidos): Cd-Rom e Caderno de Actividades.
Pois é, o problema é que não são oferecidos com o Manual. Estes dois produtos custam quase tanto como o manual. Assim, a conta que seria de menos de 90€ é, para quem estiver distraído, quase 160 €.
Ah! A folhinha diz o seguinte:
Recomendamos a utilização conjunta destes produtos como forma de facilitar a aprendizagem dos alunos e contribuir para o sucesso escolar. Trata-se apenas de uma recomendação, pelo que os produtos podem ser sempre vendidos separadamente por simples opção, sem que acresça qualquer encargo ao adquirente.
 
Pois esta «recomendação» das editoras, tão preocupadas com o sucesso e a aprendizagem dos alunos, custa aos pais cerca de 70 € a mais do que é o essencial.
Claro que na papelaria /livraria/ hipermecado não vão chamar a atenção para isto…
Esteja atento quando fôr comprar os livros / material escolar dos seus filhos. É o «gastem, gastem, comprem, comprem»!
 
P.S. Não ficava bem comigo mesmo se não desabafasse…Desculpem.
 
  

Cantar em Português, antes ou depois do AO

Vitorino, numa entrevista ao Jornal de Leiria refere que “Quando um português canta em inglês fica tristemente ridículo”.

O Miguel Guedes, dos Blind Zero, no seu perfil do Facebook não deixou o velho alentejano sem resposta, cujo conteúdo subscrevo totalmente:

“Toda a gente tem direito a frases mais ou menos infelizes puxadas para títulos de jornal. O problema é que o Sr. Vitorino, lê-se na entrevista, pensa mesmo assim. Ele e mais uns quantos que no passado proferiram semelhantes dislates. Tenho respeito pelo Sr. Vitorino e sempre o vi como um homem de liberdade, daí que fique admirado por esta raiz que lhe tolha o pensamento. Não lhe perdi o respeito por isto. Só chego à conclusão de que lhe falta liberdade de espírito. E liberdade estética.

Há muitos anos que, ciclicamente, defendo a liberdade de criação seja em que língua for, seja como for. Contra estas tretas, contra este tipo de discurso, contra esta pacóvia e atávica forma de ver a arte e o trabalho dos outros. Imagine um carro, Sr. Vitorino. O volante é a direcção, a vontade e a paixão são o motor, a língua meras rodas do veículo. O que conta verdadeiramente é o que se diz pela boca e pelo pensamento das pessoas que vão lá entro. Que amam e odeiam em português mas que o podem dizer e expressar de qualquer forma, em qualquer língua.
O que é ridículo para si são só as rodas. Fazem andar e podem deslizar, mas são só as rodas, Sr. Vitorino. E olhe que deslizam em qualquer língua… O que conta verdadeiramente são as pessoas. Nem todos os que cantam em inglês ficam tristemente ridículos. Nem todos os que cantam em português ficam tristemente ridículos. Ficam tristemente ridículos os que ficam tristemente ridículos. Mesmo que por piada paga.”
Miguel Guedes acrescentou, ainda, um vídeo ao seu texto: [Read more…]

Chile e a escola pública

Desta vez são os estudantes chilenos que parecem apontar o caminho e dia 28 há mais gente para se juntar ao protesto.

E ninguém está a falar ou exigir vantagens pessoais ou profissionais, ninguém exige nada de individual. Apenas a Escola Pública.

de Não há assim tantas diferenças entre o que eles exigem e aquilo que deveriam ser as nossas lutas. Vamos seguir com mais atenção a inspiração chilena.

Postcards from Romania (3)

Elisabete Figueiredo

 Entre Bucareste e Brasov

A estação de Bucareste Norte parece-se vagamente com um filme do Kusturica. uma confusão brutal. O intercity entre Bucareste e Budapeste é lento, mas confortável. Escrevo umas coisas no meu caderno novo, lilás. Leio umas páginas de ‘Uma Manhã Perdida’ da escritora romena Gabriela Adamesteanu.

Entramos na Transilvânia e as montanhas cortam-me o folego. Ao longo da janela desfilam carroças redondas, coloridas, lindas, dos ciganos.

Em Brasov a estação parece-se ainda mais com um filme do Kusturica. Mulheres de lenços na cabeça, rodeadas de crianças.

O taxista, desta vez, fala francês e não me rouba no preço. É até muito simpático. Oferece-se para me levar amanhã a Bran por 30 euros. Digo-lhe que quero ir de autocarro. Ele entende que um autocarro cheio de mochileiros não é sítio para uma mulher ‘elegante’ (?) como eu. Rio-me e digo-lhe que nãos e preocupe, que estou habituada a andar de autocarro. Insiste e dá-me um cartão. Digo-lhe que sexta-feira o chamo de certeza para me levar de volta à estação. desfilam carroças redondas, coloridas, lindas, dos ciganos. Em Brasov a estação parece-se ainda mais com um filme do Kusturica. Mulheres de lenços na cabeça rodeadas de crianças. O taxista desta vez fala francês e não me rouba no preço. É até muito simpático. Oferece-se para me levar amanhã a Bran por 30 euros. Digo-lhe que quero ir de autocarro. Ele entende que um autocarro cheio de mochileiros não é sítio para uma mulher ‘elegante’ (?) como eu. Rio-me e digo-lhe que não se preocupe, que estou habituada a andar de autocarro. insiste dá-me um cartão. digo-lhe que sexta-feira o chamo de certeza para me levar de volta à estação.

(Brasov, 7 de Agosto de 2012)

Bicicletas em Barcelos

Corre uma petição que promove um melhor convívio entre o comboio e a bicicleta. Favor assinar.

Caminho marítimo para a India: A Viagem

Pequeno filme com infografia da viagem de Vasco da Gama. Muito bom.

Caminho Marítimo para a Índia: a Viagem from Daniela Fonseca on Vimeo.

Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

Postcards from Romania (2)

Elisabete Figueiredo

Para a Roménia viajam apenas os romenos

Sou a única portuguesa no avião. Suponho que para a Roménia, de Lisboa, viajem apenas os romenos. Não sei. Em Bucareste, 40 graus às 16h40. Apanho um táxi, depois de perguntar o preço (150 lei) para a estação central. O taxista fala em italiano, assumindo primeiro que eu sou italiana e depois que, não sendo, falo a língua.

Pergunta-me para onde vou de comboio. Brasov, respondo. Insiste que me leva por 700 lei. Respondo-lhe que não. Várias vezes. ‘Voglio andare a Brasov com il treno’ repito. Insiste, uma e outra e ainda outra vez. Repito: ‘voglio andare com il treno, mi piace viaggare sul treno’. Argumenta que o comboio é muito perigoso. Que vou ser assaltada na estação. Que o bilhete de comboio é muito caro. Digo-lhe que não vou nada ser assaltada, pergunto-lhe porque há-de dizer tais coisas sobre o seu país.

Deposita-me, com maus modos, na estação. Em vez de 150 cobra-me 200 lei. Entro na estação. Compro o bilhete. Um puto pede-me dinheiro, dou-lhe 1 leu. Peço ajuda a um casal de romenos sobre a linha do comboio.

Fumo um cigarro. Penso que não fui assaltada. Reconsidero. Fui, em 50 lei, mas pelo taxista.

(Bucareste, 7 de Agosto de 2012)

Já Acabou a Vaselina?

Em Espanha há gente chateada. Um dia fico chateado.

Postcards from Romania (1)

Elisabete Figueiredo

  A importância de falar italiano menos mal

Depois de muitas horas cheguei ao meu destino. Brasov à noite parece bonito. Ainda bem que falo italiano menos mal.

La revedere.

(Bucareste, 7 de Agosto de 2012)

Não há pachorra para idiotas

como os que gabam o corte orçamental “na despesa”. Foi o meu subsídio de férias, ó filhodaputa.

Dar de comer a quem tem fome

A ideia de descentralizar a gestão dos museus regionais foi sensata. Os museus nacionais continuarão a depender de umas gentes que em Lisboa lêem uns dossiers e que em muitos casos nunca os visitaram, mas isso é Portugal no seu normal, e o problema nem sequer está na centralização administrativa mas na falta de vontade em levantar o rabinho da capital do nosso provincianismo.

Aqui pelos meus lados acaba a Direcção Regional de Cultura do Centro, novamente entregue à mesma senhora esposa de um senhor presidente de câmara, de remodelar direcções. Parece que a ideia foi diminuir o número de directores atribuindo vários museus a cada um, nada contra dada a sua dimensão, reconduzindo quem estava com uma excepção. A excepção chama-se Zulmira Gonçalves, que será a nova responsável directa pelo Museu de Santa Joana em Aveiro e por Santa Clara-a-Velha (que é só um dos melhores espaços museológicos portugueses, e verdade se diga depois de uns séculos debaixo de água está preparado para tudo). E quem é Zulmira Gonçalves? [Read more…]

Não se poupa em «poupar»

Nestes tempos de crise, a palavra mais rodada que um táxi em Nova Iorque não é «amor» (como escreveu alguém), mas antes a palavra «poupar».

Todos os dias a palavra se pronuncia. Se não é dita, é pensada a cada acto que o português realiza. Até as crianças já perceberam que é preciso amealhar.

Pensa-se duas, três vezes, antes de escolher isto ou aquilo; entrar ou não entrar no restaurante x ou y, ou não entrar de todo; comprar na loja x ou y; opta-se pelas marcas brancas há muito e cada vez mais em produtos que antes eram de marca; as férias nunca foram tão estudadas (ainda bem que temos a internet!) nas suas diversas modalidades; etc.

Tudo se planeia sob este ponto de vista. Não é mau. Mas devia ter-se começado a fazer antes para não chegar a ser obsessivo como se está a tornar.

As voltas que se dá para poupar uns trocos.

É que já «dói» quando vemos que houve desperdício.

Pensei na vida particular de cada um, mas, claro, pense-se na vida deste país, que não poupou mais cedo.

No regresso de férias, optei pela A8: 3 faixas. Os carros contava-os pelos dedos se tivesse paciência para o fazer. Para quê tantas vias rápidas e auto-estradas?

Talvez um dia, um satélite qualquer nos forneça uma foto deste Portugal que, visto do espaço, é um emaranhado de estradas… Era melhor que fosse uma concentração de estufas de tulipas como na Holanda…

Desistir de lutar não pode ser a saída

Confesso que não esperava a desistência do Lance.

Foram muitas as horas que passei em frente à televisão a ver este mágico no Tour. Tudo o que se tinha como certo em relação ao ciclismo e ao Tour era alterado por Lance Armstrong. Queria aqui encontrar um termo de comparação, mas no desporto, não estou a ver ninguém que tenha sido tão esmagador.

Eu quero continuar a acreditar que foi ele que venceu as 7 voltas a França, sem batotice, mas o texto por ele publicado no site oficial deixa-me muitas dúvidas.

RTP

Façam-me o favor de ir foder longe.

Softocaracy. A democracia é um perigo

 José-Manuel Diogo

A democracia é realmente um mau sistema.
Os jornais de hoje contam que o assassino norueguês, confesso, mentalmente são e não arrependido, foi condenado a 21 anos de prisão e pode pedir liberdade condicional a partir do décimo.
A 22 de Julho do ano passado ele matou 77 seres humanos. Fez rebentar uma bomba num edifício e depois alvejou mortalmente 69 pessoas, mutilando muitas outras. Sempre disse porque o fazia. Consciente e de forma deliberada. Para “prevenir a islamização da Noruega”.
Os números podem ser usados de muitas maneiras. São a melhor forma de mentir. Mas esta conta é indesmentível, dividindo 21 (anos) por 77 (mortes), o preço são 99 dias (por pessoa). São pouco mais de três meses por cada tragédia, por cada luto, por cada drama familiar.
Os estados socialmente mais avançados são, paradoxalmente, os mais expostos e mais frágeis perante ruturas civilizacionais. São a porta de entradas para extremismos e xenofobias. Transportam a semente do sem próprio fim. E os tempos que vivemos são isso mesmo: de rutura.
Ele tem 31 anos, daqui a 10 ou 15, quando puder sair é ainda um homem novo. Como lidará a sociedade com a sua liberdade. Como é que a nossa sofisticada civilização se vai olhar ao espelho? [Read more…]

O cano de uma pistola pelo cu

Juan José Millás

Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado parvos-, a economia financeira está para a economia real como o senhor feudal para o servo, o amo e o escravo, a metrópole para a colónia, o capitalista de Manchester para o operário sobre-explorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com o corpo de uma criança num bordel asiático. Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes a teres semeado. Na verdade, e sem que tu saibas da operação, pode comprar-te uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer. Se baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas – e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Estamos a falar, exemplificando, da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspectiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o carácter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país, este, vai dar ao mesmo, e diz “compro” ou  diz “vendo” com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vendem propriedades imobiliárias a fingir. [Read more…]

RTP 2 fechada

O Governo dá um tiro à RTP 2 e talvez o faça também com a Antena 3.

António Borges disse: “É um serviço que custa extraordinariamente caro para uma audiência muitíssimo limitada.”

Lembrei-me agora do fim do Acontece com o Carlos Pinto Coelho em 2003… Morais Sarmento disse algo semelhante. O programa Acontece “chegou a ser o mais antigo jornal cultural da Europa e acabou depois de uma polémica com o ministro Morais Sarmento que afirmou que seria mais compensador oferecer uma volta ao Mundo a cada espectador”. Que coisa estúpida e triste de se dizer. A mim não me foi dada nenhuma viagem!

É mais um tiro que se dá na Cultura em Portugal. Já estamos sem ministério e agora mais esta machadada.

Aquela «audiência muitíssimo limitada» torna-se cada vez mais reduzida à medida que se vão tomando decisões políticas como esta.

O Governo terá com certeza outras alternativas mais «atraentes» e com qualidade…

Privatizar é o que está a dar.

Reis de Portugal – D. Manuel I

Durante o reinado de D. Manuel I, Vasco da Gama chegou à India e Pedro Alvares Cabral ao Brasil. Um trabalho qe, em grande parte, vinha do reinado de D. João II.
Pode ver o filme aqui.
Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

Restauros


Ecce Homo depois de uma intervenção do FMI.

ElrichEl Pais

 

Tapar os olhos ao povo

Os números conhecidos não enganam ninguém – o Governo está a falhar em toda a linha e apesar da miséria imposta a quem vive do trabalho, o país está cada vez pior. Como sempre escrevi, este não podia ser o caminho.

Admiram-se agora que o IRS tenha baixado? Claro, sem os descontos dos subsídios de férias dos funcionários públicos estavam à espera de milagres? O IVA e o IRC estão como se sabe…

Mas, o governo do licenciado Relva, não satisfeito, ainda tenta lançar umas cortinas de fumo para tapar os olhos ao povo – por um lado Pedrinho e o RSI e por outro a magia da RTP, que afinal, quem sabe ainda vai encher os bolsos de alguém.

Este triunvirato que nos governa, entre o Pedro-Gaspar-Paulo poderia ter o mesmo destino do Romano, mas com uma solução tipo António alargada a todos – seria o milagre da TROIKA!

E a salvação do povo!