Uma Junta de Freguesia Que Tende Para a Ilegalidade

No dia 05 de Junho do corrente requeri à Junta de Freguesia de Tadim, e em carta registada com aviso de recepção, o processo relativo à legalização da câmara de videovigilância que se encontra no parque de merendas; como referi anteriormente, mercê a pergunta que levantei na anterior Assembleia de Freguesia, não obtive uma resposta una ou capaz pelo que persisto ainda na dúvida quanto à legalidade daquela câmara.

Igualmente, apresentei denúncia na GNR local relativamente àquele equipamento; a GNR não me informou ainda do resultado da solicitação que a mesma apresentou à Junta de Freguesia.
Como competia, a Junta de Freguesia deveria ter-me dado uma resposta (qualquer que fosse) no prazo de 10 dias após a minha solicitação por escrito. Já decorreram cinco semanas. Posso apenas concluir que esta Junta tem uma propensão forte para a ilegalidade… democraticamente!

Nesta mesma data de 05 de Junho, e numa outra carta registada, solicitei à Assembleia de Freguesia, a disponibilização das actas pós-Junho de 2011 (dado que as anteriores se encontram, como elogiei, no site oficial da Junta e republicadas neste site).

Não deixa de ser vergonhoso um atraso de mais de meio ano relativamente à disponibilização franca daquelas actas. No entanto, teço aqui um elogio ao facto de a Junta de Freguesia, e no melhor interesse dos cidadãos, se ter já prestado a divulgar a “noite memorável” do “Tadim a Cantar”.
Parabéns pela prontidão.

Portugal inspira

Como disse noutro post, é um prazer encontrar referências ao nosso país nos livros de escritores estrangeiros. Neste caso, num escritor premiado com o Nobel, o poeta sueco Tomas Tranströmer, que dedica poema à capital e à ilha do Funchal.

Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.

Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”

Tomas Tranströmer (Nobel da Literatura 2011)
Tradução de Vasco Graça Moura

Funchal

O restaurante do peixe na praia, uma simples barraca, construída por náufragos.

Muitos, chegados à porta, voltam para trás, mas não assim as rajadas de vento do mar. Uma sombra encontra-se num cubículo fumarento e assa dois peixes, segundo uma antiga receita da Atlântida, pequenas explosões de alho.

O óleo flui sobre as rodelas do tomate. Cada dentada diz que o oceano nos quer bem, um zunido das profundezas.

Ela e eu: olhamos um para o outro. Assim como se trepássemos as agrestes colinas floridas, sem qualquer cansaço. Encontramo-nos do lado dos animais, bem-vindos, não envelhecemos. Mas já suportámos tantas coisas juntos, lembramo-nos disso, horas em que também de pouco ou nada servíamos ( por exemplo, quando esperávamos na bicha para doar o sangue saudável – ele tinha prescrito uma transfusão). Acontecimentos, que nos podiam ter separado, se não nos tivéssemos unido, e acontecimentos que, lado a lado, esquecemos – mas eles não nos esqueceram!

Eles tornaram-se pedras, pedras claras e escuras, pedras de um mosaico desordenado.

E agora aconteceu: os cacos voam todos na mesma direcção, o mosaico nasce.

Ele espera por nós. Do cimo da parede, ele ilumina o quarto de hotel, um design, violento e doce, talvez um rosto, não nos é possível compreender tudo, mesmo quando tiramos as roupas.

Ao entardecer, saímos. A poderosa pata, azul escura, da meia ilha jaz, expelida sobre o mar. Embrenhamo-nos na multidão, somos empurrados amigavelmente, suaves controlos, todos falam, fervorosos, na língua estranha. “ um homem não é uma ilha.“ Por meio deles fortalecemo-nos, mas também por meio de nós mesmos. Por meio daquilo que existe em nós e que os outros não conseguem ver. Aquela coisa que só se consegue encontrar a ela própria. O paradoxo interior, a flor da garagem, a válvula contra a boa escuridão.
Uma bebida que borbulha nos copos vazios. Um altifalante que propaga o silêncio.

Um atalho que, por detrás de cada passo, cresce e cresce. Um livro que só no escuro se consegue ler.

Tomas Tranströmer
(Traducão do sueco para alemão por Hans Grössel)
Traducão do alemão para português por Luís Costa

Esquerda – destinada a perder?

No Público de hoje, Maria de Fátima Bonifácio assina um texto, a Impotência da Esquerda Radical, que longe de ser integralmente subscrito por mim, levanta uma questão essencial: se nós, eleitores de esquerda, defendemos uma sociedade que é mais justa, mais solidária, mais equilibrada, etc, etc, etc, como é que estamos sempre a perder? Porque é que os eleitores não votam à esquerda?

Serão, como diz MFB, as propostas de igualdade algo que o eleitor não quer? Será que cada um dos potenciais decisores, no momento do voto, prefere o seu IPAD ao sistema nacional de saúde para todos? Será que o LCD é, na urna, mais valioso que o sistema educativo para todos?

Será que podemos também ganhar?

Ou será que vamos perder sempre?

Agricultura Biológica

A escorrer para a rua.

Incompleto, meu caro Eça

“Uma nação vale pelos seus sábios, pelas suas escolas, pelos seus génios, pela sua literatura, pelos seus exploradores científicos, pelos seus artistas” Eça de Queirós (1845-1900), escritor

Rui Ramos lava mais branco

A desmontagem da “História” de Portugal em fascículos pelo historiador Manuel Loff, parte II

Maya preocupada com a concorrência de Passos Coelho

Maya confessou em círculos mais próximos que está preocupada com a concorrência de Pedro Passos Coelho.

Na realidade, o primeiro-ministro, tal como a taróloga/relações públicas, também esteve na televisão a usar uma linguagem ambígua e contraditória, afirmando que estava a prever o futuro, ao mesmo tempo que mostrava que não tinha bem a certeza de que as suas previsões iriam dar certas. Basta lembrar que o primeiro-ministro/vidente disse que em 2013 não haverá recessão e será, ao mesmo tempo, o ano da “preparação da recuperação”. [Read more…]

Reis de Portugal – D. João I

Documentário português sobre os reis portugueses. Neste episódio, D. João I, o Mestre de Avis que chegou ao poder após a morte do meio-irmão, D. Fernando. Primeiro rei da segunda dinastia, foi o responsável pelo início do movimento expansionista. Aos seus descendentes, Camões chamou a Inclita Geração. O ideal para terminar esta unidade e para começar a matéria do 8.º ano propriamente dita. 

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Unidade 4.3. – Crises e Revolução no séc. XIV

Foi por amor

 

Em pleno estádio, Luisão apaixonou-se. O árbitro ficou literalmente siderado.

Com uma pré-temporada assim (somemos à ave que se pirou no primeiro jogo), o campeonato promete.

Imagem via Bitri

Assange

Reino Unido ameaça tomar de assalto a embaixada do Equador para prender Assange [na BBC]. Edição, siga esta história no twitter: aqui e aqui.

Luta de classes

Uma andaluza expedição à Robin dos Bosques, expropriar pequenas e simbólicas quantidades de comida para distribuir por quem passa fome, é um crime de lesa majestade. A propriedade é sagrada.

Já fugir aos impostos e ser apanhado, faz do detentor de uma grande fortuna uma infeliz vítima do estado. O capital é deus.

É esta a burguesia que temos, sempre disponível para uma, aliás justíssima, recuperação de Karl Marx.

Azulejos portugueses em Buenos Aires

Como chego a um livro?

Neste caso, foi através do Ípsilon (suplemento do Público, 3/8). Últimas Notícias do Sul é o mais recente livro de um dos meus escritores preferidos, o chileno Luis Sepúlveda.

O que tem isto a ver com azulejos portugueses?

Um só livro leva-nos a muitos lugares… Embora Sepúlveda e o seu amigo argentino, o fotógrafo Daniel Mordzinski, tenham feito uma viagem ao Sul do mundo, a partir do paralelo 42º, a verdade é que na Argentina, mais concretamente em Buenos Aires, podemos encontrar algo português, como é o caso dos azulejos!

No segundo capítulo, retrata essa cidade “a mais vital da América Latina” e também o “lugar onde se encontram os irmãos”.

A páginas tantas, Sepúlveda vai à estação do Retiro, onde os

delicados azulejos da nave central falavam de longas viagens (…) os emigrantes chegados de todos os confins para construir uma obra monumental chamada Argentina. (…) Nos painéis, exibiam-se mapas ferroviários, uma reprodução do catálogo da firma inglesa que forneceu as loiças de Málaga e os azulejos portugueses.

A estação do Retiro está prestes a comemorar os 100 anos e há algo nela que é nosso. É uma alegria e um prazer enorme encontrar Portugal no estrangeiro e nos livros de autores estrangeiros!

Quem quer ser milionário

Afinal, basta recolher donativos em festas e jantares do partido.

Em apenas quatro dias foram feitos 105 depósitos, todos em notas, de montantes sempre inferiores a 12.500 euros, quantia a partir da qual era obrigatória a comunicação às autoridades de combate à corrupção.

O engraçado nisto é haver quem pretenda acreditar que é por se fazerem leis que as coisas mudam.

Secretário de Estado ou escriturário de Estado?

Santana Castilho*

1. A 19 de Julho, as escolas ficaram a conhecer um conjunto de orientações do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar para, ao abrigo de 11 medidas indicativas, atribuírem carga lectiva aos cerca de 15 mil professores dos quadros, que a não tinham. Particularmente por declarações públicas de Nuno Crato, que repetiu e voltou a repetir que todos os professores eram necessários ao sistema de ensino, as apreensões dos visados diminuíram. Mas as coisas revelaram-se diferentes daquilo que passou para a opinião pública. Com efeito, dias volvidos, os directores receberam a “interpretação” que as direcções regionais de educação fizeram das orientações do governante. E onde, nas orientações, estava que a atribuição da componente lectiva devia simplesmente ser comunicada às direcções regionais, as ditas interpretaram, e como tal instruíram, que a atribuição da componente lectiva estava sujeita a prévia autorização daquelas. As facilidades badaladas em público foram semeadas de constrangimentos em privado. O que começou por ser decisão dos directores, afinal carecia do visto dos burocratas regionais. Secretário de Estado, afinal, é escriturário de Estado. Boa malha para santificar Crato e diabolizar os directores. O discurso da autonomia segue dentro de momentos. [Read more…]

A grave doença de estar sempre a pensar

Este é o nome de um dos capítulos de O Papalagui (1920), um livro que resume os discursos de um chefe de tribo numa ilha nos mares do Sul (Samoa).

Tenho esta «jóia» há 21 anos e «achei-a» na Rua de Cedofeita, 355, Porto (livraria S. Paulo) por mil e duzentos escudos! Hoje é muito fácil encontrá-lo. Penso que não há ano nenhum em que não abra este «documento». O Papalagui é o Branco, o Senhor, o homem europeu. Tuiavii faz-nos duras críticas depois do que viu numa viagem pela Europa. Vira-nos um «espelho» onde vemos reflectidos vícios e hábitos difíceis de largar, onde nos vemos como gente que desfruta pouco a vida. Para pensar, embora ele diga que seja uma doença grave!!

Transcrevo algumas passagens curiosas:

(…) O Papalagui não pára de pensar: «A minha cabana é mais pequena do que a palmeira; a palmeira verga-se por causa da tempestade; (…) Mas também ele próprio é objecto dos seus pensamentos: «Eu sou pequeno; o meu coração alegra-se sempre à vista de uma rapariga (…)». Mas o Papalagui pensa tanto, que o acto de pensar se tornou um hábito, uma necessidade, e até mesmo uma coacção. Vê-se obrigado a pensar continuamente. (…) Na maior parte do tempo vive apenas com a cabeça, enquanto os sentidos dormem um profundo sono. Muito embora isso não o impeça de andar normalmente, de falar e de rir (…).

Quando brilha um belo sol, logo ele pensa: «Que belo sol que está agora!» (…) é uma aberração. Qualquer Samoano sensato irá estender e aquecer o seu corpo ao sol, sem mais reflexões. E goza do sol não só com a cabeça, mas também com as mãos, com os pés, com as coxas, com o ventre, em resumo, com o corpo todo. Deixa a sua pele e os seus membros pensarem por si próprios (…).

Quando se pergunta a um Papalagui porque é que pensas assim tanto, ele responde: «Para não ficar estúpido!» (…) na verdade, se devia ter como sinal de inteligência encontrar alguém o seu caminho sem ter necessidade de pensar.

Enfio a carapuça…o que é que eu hei-de fazer??

Depois de terminar esta cópia, talvez vá aproveitar «este belo sol» com o corpo todo e imaginar aquela praia paradisíaca. Ups, lá estou eu a pensar outra vez…

Público e privado

Vai longa a discussão sobre a manifestação junto de políticos em férias ou, num sentido mais amplo, a confusão entre o cidadão e o político.

E se acho irónico que a direita procure colocar em causa a liberdade de um cidadão se manifestar e de mobilizar outros só porque pertence a um partido ou a um sindicato, concordo com os que criticam o ataque à dimensão privada de um político.

Digo, por brincadeira, que as manifestações são o meu desporto favorito, mas nunca o faria junto de uma pessoa no plano pessoal, tal como sempre me recusei a participar em manifestações junto de momentos partidários, fossem elas no PS de Sócrates ou no PSD de Passos Coelho.

Entendo no entanto, que o actual governo está a brincar com o fogo e por isso será cada vez mais complicado gerir estas margens de cidadania.

O alvo de uma luta deve e tem que ser o poder executivo e, ou o poder legislativo. O cidadão Passos Coelho ou o partido PSD não devem ser o alvo. Mas isto tem que valer para um lado e para o outro – não podem querer ser cidadãos e depois ignorar as lutas e os  protestos quando estes respeitam “as regras.”

Quando temos Ministros que se recusam a receber organizações, sindicatos e movimentos, estão mesmo a pedi-las…

Belver


Foi assim.

Portugueses sonham (com o Euromilhões)

A glória só chega àqueles que com ela sonharam.

Charles De Gaulle (1890-1970), general e estadista francês.

Mais uma da Madame Blavastky

Garante hoje o DN ter sido descoberta mais uma “pirâmide”, desta vez tão colossal que é três vezes maior que aquela que um dia foi erguida por ordem do faraó Queops. Fantástico, pois ainda por cima, esta novidade tem apenas três lados! Cá está mais uma para o Canal de Estória, vamos a ver se aproveitam a coisa para mais um a dose de programas. Pirâmides há muitas, mas a que hoje se notícia e a outra que um dia como tal se designou na Bósnia, são mesmo únicas. Aliás, as obras da mãe natureza são todinhas extraterrestres…

A Bicicleta Vermelha

No Ramal de Braga.

Mosteiro da Batalha

Para comemorar Aljubarrota, o rei D. João I decidiu construir, a cerca de 3 km do local da batalha, um mosteiro consagrado a Nossa Senhora da Vitória – a vitória contra os castelhanos. Mosteiro da Batalha acabou por ser a designação mais conhecida, ao ponto de dar o nome à vila onde se implantou.
Para além do breve documentário apresentado, é possível fazer uma Visita Virtual ao Mosteiro e a todas as suas salas. Excepcional e muito funcional para sala de aula.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Unidade 4.3. – Crises e Revolução no séc. XIV

Diálogos na Manta Rota

Querida, encolhi o PIB

Mas aumentei o desemprego.

Novidades no Pontal

O PSD convidou o primeiro-ministro doutro país para discursar.

Parabéns

A mulher com quem partilhei os últimos 20 anos está de parabéns.

Tenho usado muito do tempo, que deveria ser dela, no Aventar.

Hoje vou retribuir, usando o Aventar, por uns minutos, só para ela.

É favor sair por uns momentos. Obrigado.

Assange no Equador

Rafael Correa (na imagem), Presidente do Equador, decidiu dar asilo político a Julian Assange.

Lutador dos sete ofícios

Portugal é um país muito pequeno, uma espécie de aldeia à escala planetária. Não me surpreende a presença duma pessoa em vários momentos da vida cívica até porque a cidadania lusa já teve melhores dias. A experiência vai-me mostrando que as pessoas que fazem as associações recreativas são as mesmas que estão no folclore, nas associações de pais, na igreja, nos clubes, nos partidos, nos sindicatos…

Alguma direita tem procurado apontar o dedo a quem aparece na rua a protestar contra algo, nomeadamente quando se trata de pessoas ligadas ao PCP e ao BE. Desta feita trata-se da luta contra as portagens no Algarve e o BE é o bombo da festa. Parece-me excessivo que um partido ou uma organização tenham que mandar nos seus membros, quando estes actuam numa outra condição. Parece-me estranho que alguma direita, sempre tão liberal, ache que o presidente do meu partido tenha que ter opinião sobre o que eu faço no clube de futebol da minha terra ou naquilo que faço na minha comunidade, por exemplo, como elemento de uma associação de pais.

Esta transparência e divisão de “tarefas” não é uma condição da democracia? O que sugere Helena Matos?

Que cada um dos cidadãos só possa ter um papel na sociedade? Ou que, no caso de ter mais do que um, tenha de fazer uma declaração de interesses? É isso que sugere? Que traga na lapela um pin de cada uma das suas funções?

Será que teremos este tipo de considerações para os cargos de chefias de empresas, na promiscuidade entre as empresas e o estado, entre os partidos e a comunicação social? Os de confiança

Fica a sugestão para o Blasfémias.

É favor marcar aí na agenda

o fim da crise.

Ainda a caça à multas

De acordo com os dados cedidos ao CM pela GNR, no primeiro semestre deste ano foram detectados 15 757 automóveis a circular sem o respectivo visto válido da inspecção. (…) Segundo as autoridades policiais, a falta de seguro e de inspecção dos veículos estão no topo das infracções detectadas. [CM]

Esta notícia é um bom exemplo de manipulação. Quem a ler poderá pensar que os veículos são sujeitos de forma igual a acções de fiscalização e que, dos autos levantados, a maioria das infracções consiste em falta de seguro e de inspecção. Acontece que os veículos não são seleccionados aleatoriamente.

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Um estar português – Histórias de viagens on the road (EN 109 e EN 1)

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© Sandra Bernardo | Direitos reservados

O Portugalito dos anões

Nunca senti vergonha de ser portuguesa. Mas algumas vezes, neste regime e no anterior, tenho sentido desgosto pelo excesso de passividade e de espírito acomodatício do nosso povo– como se ele não tivesse sangue nas veias. Várias vezes, também, tenho sentido impaciência, e até desespero, pelo tempo que nos fizeram perder governantes que, à falta de cultura e de civismo, entenderam nivelar-nos todos por baixo. Porque quem tem dado um triste retrato do país ao mundo são esses governantes a martelo, como o uísque de Sacavém.

A notícia, fartamente badalada nos jornais, de que teria sido chumbada a Fundação Casa das Histórias, dedicada à obra da pintora Paula Rego, por um grupo de trabalho (mais um) nomeado pelo governo para avaliar as fundações, com vista a fechar o maior número possível neste tempo de política rapa-panelas, estremeceu-me e fez-me lembrar um outro ataque à cultura no consulado salazarista. Ia eu a caminho da faculdade quando li num jornal pendurado num quiosque: PRIMEIRO PRÉMIO DA BIENAL DE SÃO PAULO – MARIA HELENA VIEIRA DA SLVA (França). Que vem a ser isto?, pensei. Ao fim da manhã já sabia a história toda: o governo da ditadura tinha recusado dar a nacionalidade portuguesa ao marido da pintora, o também pintor Arpad Szenes, judeu húngaro exilado em França devido ao genocídio levado a cabo por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Sendo casado com uma portuguesa, nada de mais natural do que desejar ter a mesma nacionalidade da mulher. Perante a recusa, afrontosa e mesquinha, Maria Helena Vieira da Silva reagiu em conformidade: pediu a nacionalidade francesa para ambos. Bateu com a porta na cara dos anões da (in)cultura oficial. Ficou a França a ganhar e o mundo a pensar que Portugal era um sítio de labregos. Foi preciso haver uma revolução que corresse com essa direita estúpida e ignorante (porque há uma outra direita civilizada e com mundo, mas que não aparece, não se mistura), para que a Pátria recebesse com as devidas honras esta pintora representada nos maiores museus do mundo. [Read more…]