Horácio Antunes à presidência da FPF

Parece que Horácio Antunes, ex-presidente do município da Lousã e actual deputado do PS, pode vir a ser o sucessor de Gilberto Madaíl na Federação Portuguesa de Futebol. Para já é candidato único, numas eleições que podem nem ocorrer.
Às pessoas que votam nisto, se é que há pessoas a votar nisso, a FPF, recomendo a leitura do livro do meu amigo Casimiro Simões, ilustre lousanense, que em tempos aqui apresentei: “Com as botas do meu pai“. Entretanto o Casimiro já publicou outro mas este é pequenino e chega.

A quem não esteja para ler livros, mesmo pequeninos,  sempre sintetizo: comparando com Gilberto Madaíl é um progresso, numa certa continuidade. E viva o bloco central.

FMI, o orgasmo está a chegar

A pátria preparada para receber o FMI

A direita anda muito feliz com a ameaça de o FMI se instalar no Terreiro do Paço. Consulta todos os dias a meteorologia esperando neblinas e nevoeiros matinais, para uma encenação sebastiânica perfeita.
Compreende-se. A anterior passagem do FMI por estes lados abriu o caminho à Europa e seus fundos estruturalmente desviados para os bolsos das empresas, estendendo o tapete ao cavaquismo que iniciou a privatização do estado nas pontes sobre o Tejo. O FMI funciona para a nossa direita como o pai polícia que vai meter os meninos pobres e ranhosos na ordem com uns bons açoites no rabo.

Mais desemprego, salários mais baixos, mais lucros para uma minoria, mais bancos, mais capitalismo financeiro. Uma felicidade.

Só é pena que o FMI não use preservativo.

Fernando Nobre, um Homem Bom, um Candidato Sofrível

Se o mundo fosse perfeito, Fernando Nobre teria a voz e a dicção de Alegre, a altura (em centímetros) de Cavaco, a compleição física de Francisco Lopes, o à-vontade de José Manuel Coelho e a experiência polítiqueira de Defensor Moura.

Se o mundo fosse perfeito, Fernando Nobre não titubearia, não gaguejaria, não falaria para dentro e projetaria a sua voz de modo audível e convincente.

Se o mundo fosse perfeito, Fernando Nobre seria, no terreno, um bom candidato e ganharia as eleições.

Porque Fernando Nobre é o melhor homem entre todos os candidatos e o único com um currículo verdadeiramente ao serviço dos outros, sendo que os “seus outros”  são os mais desfavorecidos, os mais desprotegidos, os mais atingidos, os menos apoiados. Os outros de Fernando Nobre são as vítimas da política e dos maus políticos, as vítimas da economia e da corrupção, do desvio das riquezas, das guerras fraticidas, das catástrofes naturais, da sede, da fome, da ganância e da falta de ética. [Read more…]

Na Escola, os Pais fazem a diferença

O estudo divulgado pelo Diário de Notícias de ontem (descoberto aqui) surge em contraponto a outro anunciado com muito mais pompa e circunstância e que mereceu algum debate no Aventar. Mais uma vez, nesta análise, terei como base apenas a notícia.

A autora do estudo, Teresa Guimarães, é investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, dado que nos é facultado pela notícia. Em síntese, procedeu à comparação entre dois grupos de 12 famílias carenciadas no Vale do Ave: num grupo, os alunos têm bons resultados, enquanto no outro há insucesso escolar. A investigadora conclui que a diferença, não estando nos rendimentos das famílias, está na atitude dos encarregados de educação relativamente ao percurso escolar dos filhos. Mesmo correndo o risco de abusar da auto-citação e de parecer que estou a brincar ao “eu já tinha dito isso”, a verdade é que já opinei sobre este assunto aqui, com uma base absolutamente empírica e sem pretensão de originalidade, mas com conclusões semelhantes. [Read more…]

Psssst, Washington, Please, We Have a Problem

Pois parece que nada mais nos resta do que, a partir de quarta-feira, e caso a venda de dívida corra mal, chamarmos os senhores do FMI, apesar das afirmações do sr Teixeira dos Santos e da tentativa de enganar dos mercados  na apresentação dos números de 2010 para o défice previsto. Pelo seu lado o Primeiro Ministro de Portugal diz que o FMI não é preciso por .
Nesse pressuposto, o nosso amigo Drucas, que tem estado calado e quedo, já se movimenta, perfilando-se para umas eleições antecipadas.
Também o líder do CDS pede sem cessar novas eleições.
Todos à espera do óbito oficial do ainda nosso Primeiro, que em estertor, lá nos vai dizendo que não precisamos para nada dos senhores de Washington.
O comentador Marcelo lá vai mandando as suas bitaitadas, e a pressão dos mercados e em especial da  França e da Alemanha, faz-se sentir cada vez mais. [Read more…]

Bellevue

Hoje lembrei-me desta música, nem sei muito bem por que razão…

“leve levemente como quem chama por mim” [Read more…]

A Morte do Assessor de Imprensa:

Já está publicada toda a trilogia “A Morte do Assessor de Imprensa” no PiaR:

Da Comunicação de Massas à Comunicação das Massas;

Do Pombo-correio ao Twitter;

A Comunicação Integrada e o Consultor de Comunicação.

Era o que me faltava criticar essas bestas, esses animais, essa cambada!

 

Cavaco não comenta adversários ‘por mais loucos que eles sejam’

o conteúdo do processo educativo

Para os candidatos ao Mestrado em Antropologia da Educação do ISCTE. 1ª Edição, 2003. E para Graça Dias

conteúdos de aprendizagem, o regimento humano

A quantidade de opiniões teóricas, o facto de combinar as teorias políticas, religiosas, as conveniências democráticas e as mudanças de governo, não permitem manter apenas uma teoria. Como defini recentemente, educar é introduzir a criança e os púberes dentro da heterogeneidade do saberes, deveres adequados à organização social, a simpatia dessa organização e a paz e alegria de viver em sociedade, apesar das diferenças em saberes, posses e ocupações. O conteúdo do processo educativo tem por objectivo ensinar a igualdade possível entre pessoas diferentes. É esta a preocupação dos membros do Aventar ao longo dos tempos.

Definir processo educativo, parece ser uma palavra, ou ideia, comum. Parece-me no entanto, ser um labirinto de teorias, opiniões e factos. Dediquei o meu tempo na pesquisa desse conteúdo (temática do meu texto publicado na Revista Educação, Sociedade Culturas, Nº1, em 1994). No entanto, ficou por referir uma ideia importante que, por hábito, não associamos ao processo educativo: a análise da catequese, quer em Portugal, quer noutros países que usam a teoria cristã para orientar a sua vida. [Read more…]

O país da avestruz, ou o caso Carlos Castro versus Renato Seabra


Vejamos:

1. Um garoto minúsculo de seu nome Renato Seabra e com 1,90m de altura, decide defender-se de Carlos Castro, um ancião musculadíssimo e bastamente capaz de aparar todos os golpes, do alto do seu metro e meio. Durante uma hora, o miúdo consegue usar o dito oponente, como se um saco de boxe fosse. Após porfiado esforço, matou-o.
2. Como uma clara reminiscência do passado das lutas entre índios e cow-boys, o boy decide-se a rematar a sua vitória. Não retirou o escalpe ao “cara-pálida da morte”, mas cortou-lhe o órgão sexual, para isso se servindo do saca-rolhas, que por sinal, já usara para espetar no olho do vencido. Uma espécie de troféu espanta-espíritos.
3. O infantil vencedor da refrega, declarou à policia que se ligara o velhote, para dele se aproveitar monetariamente. Tudo bem e “nos conformes”, rege-se pela muito louvada lei da oferta e da procura. É uma profissão como outra qualquer.
4. A mãe do menino desloca-se a Nova Iorque e a sua obsessiva preocupação, é declarar que o rebento não é homossexual. Corroborando a certeza, a médica-irmã fala às televisões, tentando justificar o ocorrido, como qualquer coisa de “força maior” e que sobretudo, o rapaz não é, não é, não é de forma alguma, gay.
5. Apareceu de rompante, uma até agora desconhecida namorada.

Conclusão apressada e sem grande fundamento policial: aparentemente, os parentes e amigos, estão-se nas tintas para que o dito cujo seja acusado de assassínio ou de ser um modelo de rent-boy. O que os preocupa, é a questão das alegadas práticas sexuais do “miúdo” e convivas.

Tempos estranhos, estes… A coisa assim cozinhada, nem sequer servirá para um CSI New York.

Sexo, cebolas e gás lacrimogéneo

Lágrimas femininas diminuem apetite sexual dos homens

De acordo com esta notícia, a desculpa da dor de cabeça ou o recurso ao pontapé nas partes baixas para rejeitar os avanços sexuais está prestes a acabar. A partir de agora, bastará picar uma cebola ou atirar gás lacrimogéneo para si própria, para que o mais insaciável dos brutos seja alvo de amolecimento não só psicológico. Entretanto, a indústria pornográfica já manifestou a sua enorme preocupação face à possibilidade de se poder vir a comercializar lágrimas de mulher.

Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido

continuação daqui

Perante o enorme descontentamento do eleitorado socialista e em virtude da crescente contestação das bases, muitas das quais, pela primeira vez, começariam a tratar o seu secretário-geral com alguma hostilidade, Soares resolve tirar nova carta «da manga» para calar os contestatários, anunciando negociações para a entrada em bloco do pequeno grupo de ex-dirigentes do MES, conhecidos como Grupo de Intervenção Socialista. Para muitos, a determinação de Soares em fazer entrar este grupo no PS pela porta grande era revelador do seu enorme complexo de esquerda. Para o secretário-geral do PS a esquerda tinha que ser bem falante e engravatada e, de preferência, ter contestado o salazarismo duma posição de privilégio. O grupo do ex-MES era isso mesmo. Criado após o 25 de Abril como manifestação de repúdio pelo convite de Sottomayor Cardia a um pequeno grupo de amigos, liderado por Jorge Sampaio, para integrar a manifestação do PS e convencidos de que «o PS não ia longe», o MES apareceria pela primeira vez no dia 1 de Maio de 1974. E, sem nenhum relevo, aquele grupo abandonaria o Movimento da Esquerda Socialista ainda nesse ano, para se constituir em Grupo de Intervenção Socialista. Entre 1974 e 1978 funcionaria como uma espécie de grupo de apoio às teses mais radicais do MFA tendo mesmo defendido, em 1975, a tese de que votar em branco era votar no MFA. Em 1975, no IV Governo Provisório, Jorge Sampaio seria secretário de Estado da Cooperação e João Cravinho ministro da Indústria, tendo ficado ao lado de Vasco Gonçalves mais tempo do que seria democraticamente recomendável. Em 1978, quando Soares lhes dirige novo convite, o Grupo de Intervenção Socialista é praticamente desconhecido em Portugal. [Read more…]

Eis que descubro que Cavaco Silva andou à pancada e acha que é agricultor

Estou deslumbrado. E tudo em pouco mais de 24 horas.

Até ontem a pré-campanha eleitoral estava a ser uma perfeita chatice, feita de frases e ideias banais, em redor de questíunculas bancárias do BPN e do BPI, em jeito de rodriguinhos de jogadores da bola pouco habilidosos mas muito convencidos. Estava a ver que nada de novo iria surgir do sexteto, com excepção do assertivo Coelho, da Madeira.

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De repende, fez-se luz. Tudo mudou. Comecei a aprender. E sempre graças ao mesmo candidato. Num dia descubro que Cavaco Silva "era tão normal, que até andava à pancada com os outros miúdos". Numa penada, duas descobertas. Primeiro que é preciso andar ao estouro com outros putos para se ser normal. Depois que o pequeno Cavaco era rapaz para esfregar os nós dos dedos na cara de outros petizes. Vá lá, também deve ter despachado um ou outro pontapé.

Poucas horas depois, novo momento extraordinário.

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A minha amiga da onça (1)

(adão cruz – pormenor)

A conversa que deveria ser com a minha amiga da onça não o é. Desta vez não quero nada, directamente, com ela. Não é que esteja zangado, mas um tanto irritado. Não quero falar com ela mas quero falar dela, ainda que me digam que é má-língua. Ouçam-me, meus caros amigos. Ouçam-me com atenção, pois a vossa compreensão é fundamental para o nosso mútuo entendimento. É com os verdadeiros amigos, independentemente do prazer e da emoção, que a nossa dialógica tarefa se pode aproximar da psicologia cognitivista contemporânea.

Eu sei que nunca pensara apaixonar-me desta forma! Lá erótica é ela! Lança as feromonas no ar, hoje e através dos séculos, e depois nada promete, nada garante e tudo atraiçoa. Tantas foram as emboscadas com que me saiu ao caminho que eu, ainda hoje, vivo aterrorizado com a hipótese de ter sido, e de ser ainda, um monte de contradições. Uma análise mais profunda e uma autocrítica mais racional parecem, finalmente, começar a libertar-me desse pesadelo. Para isso muito contribuiram os meus encontros com filósofos como Jean Pierre Changeux, Umberto Eco, Wassily Kandinsky, Alain Prochiantz, Dino Formagio, Ernst Kris, Otto Kurz, Omar Calabrese, Ortega y Gasset, Vicente Jarque e Arthur Danto, entre outros, que me ajudaram a fugir dos campos de concentração do espírito e dos gigantescos congeladores de ideias

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A direita e a linguagem, ou a obsessão pela mentira

Como já têm uma lei que obriga os funcionários das escolas a impedir as criancinhas de terem brincadeiras que o governo acha  ”sexistas” – ou seja os clássicos rapazes a jogarem à bola versus as raparigAS a esnobarem deles

grunhe Helena Matos. Grunhir é um som emitido por alguns animais, entre os quais os humanos quando mentem. O que aconteceu em Outubro foi isto:

En concreto, la Comisión ha aprobado una Proposición no de Ley registrada por el Grupo Socialista y enmendada por CiU en la que se pide al Ejecutivo que “se elaboren e impulsen protocolos de juegos no sexistas para que se implanten y desarrollen en los espacios de juego reglado y no reglado en los colegios públicos y concertados de Educación Primaria”, en colaboración con las comunidades autónomas.
Además, se solicita que “en cualquier actividad lúdica desarrollada en los citados Colegios de Educación Primaria se eliminen estereotipos que mantengan los roles machistas y se introduzca el concepto de igualdad entre ambos sexos”. Ler o resto

E grunhe hoje porque Carlos M. Fernandes grunhiu esta: [Read more…]

No dia em que Vítor Alves vai a enterrar


No video: Vítor Alves e a sociedade de consumo.

Vítor Manuel Rodrigues Alves nasceu em 1935 em Mafra. Militar. Esteve 11 anos em África, durante a Guerra Colonial. Recebeu o Prémio Governador-Geral de Angola, em 1969, pelo trabalho desenvolvido em prol das populações. Integrou o movimento de protesto contra o Congresso dos Combatentes, em 1973, e no mesmo ano aderiu ao Movimento dos Capitães, a cuja primeira Comissão Coordenadora e Executiva pertenceu.
Tinha a seu cargo a ligação com os outros ramos das Forças Armadas e a coordenação da parte política do programa do MFA, negociando esse programa com Spínola e Costa Gomes. No dia 25 de Abril, foi o responsável pelo primeiro comunicado divulgado à população – «Daqui, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas» e substituiu Otelo Saraiva de Carvalho, a partir das 16 horas, no Quartel da Pontinha.
Nos meses que se seguiram, fez parte de 3 Governos Provisórios: no II e III, foi Ministro sem Pasta, com a tutela da Comunicação Social. Neste cargo, fez aprovar a primeira Lei de Imprensa, que esteve em vigor durante 15 anos; no VI Governo Provisório, foi Ministro da Educação e Investigação Científica durante 9 meses, fixando, entre muitas outras medidas, a escolaridade obrigatória e gratuita nos 6 anos de escolaridade.
Entre 1975 e 1982, integrou o Conselho da Revolução, sendo que no primeiro daqueles anos subscreveu o chamado «Documento dos Nove». Foi um dos fundadores, em 1982, da Associação 25 de Abril. Em 1983, foi indigitado para o Conselho de Estado e passados 2 anos aderiu ao PRD, pelo qual concorreu às eleições autárquicas de 1985.
Morreu no dia 8 de Janeiro de 2011, vítima de cancro. Vai hoje a enterrar.

Desculpem lá, Mas, Sou Só eu, ou Há por aí Mais Quem Não Entenda?

RENATO SEABRA CONFESSOU O CRIME
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Estava a fazer um esforço para não comentar a notícia da morte de Carlos Castro. Toda a gente e mais alguma entendeu ter alguma coisa a dizer sobre o assunto. Uns a falar da vida que Castro escolheu, outros a falar da vida que Renato abraçou, muitos a falar da violência e outros tantos a tentar branquear o que foi feito. Muitos também a dizer asneiras em cima de asneiras sem ter em conta os familiares dos envolvidos.
Mas acabei por não resistir ao ler que  a morte de Carlos Castro mais não era que um crime de violência doméstica e mais nada. Não percebi. Não deveriam estes senhores e senhoras levantarem-se e gritarem a uma só voz a sua revolta? Fiquei a saber que esta morte não abalou o mundo LGBT. Para o presidente da Opus Gay, António Serzedelo, “Carlos Castro terá sido unicamente vítima de violência doméstica”, algo que “infelizmente” também acontece entre casais “heterossexuais”. [Read more…]

Carlos Castro, Renato Seabra, o saca-rolhas e a capa do JN

Ah, quem não se lembra das fantásticas capas que O Independente nos proporcionou? Naquele tempo Paulo Portas tinha em Cavaco Silva o seu odiozinho de estimação, não havia governante que não tremesse à quinta-feira à tarde, com medo de uma chamada daquele jornal, e até o Expresso lançava manchetes que dominavam as agendas informativas durante alguns dias.

Hoje não temos nada disso. Mas, de vez em quando, temos o JN. Às vezes consegue surpreender. Hoje, por exemplo, à boleia do caso Carlos Castro / Renato Seabra oferece-nos uma capa de elevado humor negro. Ao nível do melhor humor britânico. Aposto que amanhã trazem um saca-rolhas.

facebookar ou não facebookar

eis a questão.

escritores chilenos – Eduardo Barrios

os livros de este autor ensinaram-me o que eu ainda não sabia

Eduardo Barrios na sua juventude de trinta anos, 1914

Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Mencionam-se Pablo Neruda, Gabriela Mistral e acabou, como se no Chile não houvesse mais escritores, pessoas dedicadas às letras para compensar essa distância entre as metrópoles da escrita. É um país tão longínquo, tão austral, que as dificuldades de sair são compensadas por romances a partir de leituras feitas em casa, com muita imaginação sobre o que acontece na terra, especialmente narrativas sobre as famílias, descritas com eloquência e [Read more…]

A decência


O general Ramalho Eanes, foi ontem instado por alguns repórteres, a pronunciar-se a respeito de “investimentos” em instituições financeiras. O assunto candente era o “caso BPN-BPP” e embora seja membro de honra da comissão – mandatário? – de apoio ao Sr. Cavaco Silva, não hesitou em responder como devia:

“Eu não sou um homem que tenha um grande aforro, mas tenho sido contactado ao longo da minha vida pelos bancos e quando eu digo ‘bom, eu não tenho dinheiro para aforrar” eles dizem “não, não, mas nós gostaríamos muito que você fosse nosso cliente, porque isso dá uma certa imagem ao banco (…) nunca fui contactado pelo BPN, mas tenho sido contactado por alguns bancos para ser cliente, e tenho dito sistematicamente que não”.

A única conclusão a tirar, consiste na certeza que essas instituições têm, acerca de quem vai, ou não, aceitar as generosidades prodigalizadas.

Melhor faria o Senhor General em não participar neste tipo de “comissões de honra”, remetendo-se para aquilo que ao Expresso declarou, quando do septuagésimo aniversário do rei de Espanha.

Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. O acordo com o CDS

continuação daqui

O primeiro-ministro Mário Soares nem acreditava que o general Ramalho Eanes tivesse «coragem» para lhe retirar o tapete, nem que houvesse alternativa ao seu Governo. Acreditava, sim, que Eanes lhe devia a ele o facto de ser Presidente da República e que o PSD e o PCP lhe deviam, embora por razões contrárias, a sua existência legal. Assim se explica o inacreditável «memorando» que enviaria aos partidos a 15 de Novembro, esclarecendo que «o PS não aceita entrar em nenhum Governo de coligação.
Por duas razões, fundamentalmente: — porque tal posição representa um compromisso tomado perante o eleitorado e… porque considera que um Governo de coligação, ainda que pudesse ajudar a vencer certas dificuldades no plano parlamentar, não teria operacionalidade e viria ainda agravar as tensões sociais e regionais já existentes». Alegava ainda que uma coligação não poderia resultar de uma decisão das cúpulas «devendo antes resultar de algo sentido e vivido pelas bases dos partidos interessados». Este «memorando aos partidos» continha uma proposta de plataforma que no fundo não passava da repetição da posição de arrogância em que o I Governo se colocara.
Era a repetição da tese do «PS sozinho», com a ameaça da moção de confiança pelo meio. [Read more…]

Guerra da Guiné (pequenas memórias)

O furriel Machado em primeiro plano

O furriel Machado pertencia à minha companhia de origem, a 1547. Esta companhia permaneceu algum tempo de intervenção, mais ou menos o tempo que eu estive em Canquelifá. Uma companhia de intervenção era uma espécie de bombeiro, acorrendo aos mais variados locais onde havia conflito. Findo este período de intervenção, a companhia fixou-se em Bigene, no norte, no sector de Farim. Algum tempo antes, uma Dornier fora buscar-me a Canquelifá para me depositar em Bigene, onde se encontrava a última companhia de farda branca, que estava prestes a acabar a comissão, e que seria substituída pela 1547. [Read more…]

Leilão de Quarta

Cassandra

Na próxima quarta-feira vamos pedinchar mais 1250 milhões de euros, se tivermos sorte.

Vai ser necessária sorte porque o juro que nos está a ser imposto já é quase insustentável, se aumentar muito não conseguiremos comprar todo o dinheiro que queremos.

Se não obtemos o dinheiro que queremos, ficamos impossibilitados de fazer mais estradas, aeroportos ou TGVs, as remodelações de interiores nos gabinetes ministeriais ficam limitadas às requisições de obras de arte aos museus nacionais, os motoristas deixam de puder estar “on-call” vinte e quatro horas por dia (quem irá levar os putos à escola!?), vai ficar complicado encomendar cinquenta estudos a empresas de amigos por cada decisão a tomar, os militares ficam sem brinquedos novos, a PSP deixa de puder comprar blindados para cenários de guerrilha, e por aí adiante até à náusea (para reforçar a ideia, não deixem de ler isto).

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O estado do Estado

DN  Sex. 7 de Jan. 2011DN Sáb. 8 de Jan. 2011 DN Dom. 9 de Jan. 2011

O Diário de Notícias, frequentemente referido em tom zombeteiro por "Diário do Governo", está a publicar uma sequência de artigos sobre o Estado português. A leitura destes textos resulta num misto de masoquismo e de fingida incredulidade, esta derivada da pergunta sobre porque raio se passou a última campanha eleitoral legislativa a discutir o casamento gay e as obras públicas em vez disto.

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Hoje no Diário de Notícias:

Entrevista Pedro Passos Coelho

“O eventual recurso ao FMI não pode deixar de ter consequências políticas”

Esta é a última entrevista de fundo que Pedro Passos Coelho concede até ao fim da campanha presidencial em curso. A partir de agora, só fará intervenções pontuais, e uma delas está marcada para Vila Real, ao lado de Cavaco Silva, num comício.

Ricardo Rodrigues afastado da comissão de Camarate

Ricardo Rodrigues, deputado do Partido Socialista, está impedido de presidir à IX comissão de inquérito ao caso Camarate, para a qual havia sido indigitado recentemente. Tal deve-se ao facto de a SUCIA (Sociedade Unificada de Carteiristas Ilegais e Assaltantes) ter conseguido uma ordem de restrição que impede que o referido deputado possa estar a menos de cinquenta metros de qualquer aparelho de gravação áudio, o que impossibilitará o socialista de entrar em São Bento e, eventualmente, na sua própria casa.  

Ricardo Rodrigues celebrizou-se, a 30 de Abril, por ter tomado “posse de dois equipamentos de gravação digital”, propriedade da Revista “Sábado”. A fim de explicar a iniciativa da SUCIA, o secretário-geral da associação declarou ao Aventar: “Isto é tudo uma questão de imagem: se começam a confundir-nos com deputados, é uma corporação inteira de criminosos sérios a ficar malvista.”

Porto – Marítimo: Nem Guarin sabe como marcou aquele golo…


Ao fim de 3 anos, o rapaz colombiano começa a mostrar alguma coisa. Já não era sem tempo…

Carlos Castro teve a morte que merecia


Ouvi no supermercado um homem dizer que Carlos Castro teve a morte que merecia, sendo que, na conversa com o amigo, nunca o tratou pelo nome mas antes pela «bicha louca».
Embora por razões diferentes, sou obrigado a concordar com aquela frase. Carlos Castro foi uma pessoa diferente das outras, não foi uma pessoa dita «normal», por isso não podia ter tido uma morte «normal», na cama de um hospital ou na passadeira de uma rua.
Num país mesquinho, cheio de preconceitos e invejas, Carlos Castro viveu como quis e como lhe apeteceu. Aproveitou bem a vida e, até ao fim, fez-se rodear do prazer. A ironia de ter sido precisamente esse prazer a conduzi-lo à morte não passa disso mesmo, de uma ironia.
A morte num quarto de hotel de luxo da cidade amada, Nova Iorque, às mãos do seu último amor – uma relação de «faca na liga» que foi notícia em Portugal, em Espanha, nos Estados Unidos, no Brasil. Um mito. Quantos não dariam a vida para ter uma morte assim?