Discurso de Alexis Tsipras

A tradução deste discurso foi feita por Isabel Atalaia a partir da tradução não oficial para inglês de Stathis Kouvelakis. Em ambos os casos, as traduções foram feitas com grande urgência, por se entender prioritário difundir um discurso de importância fundamental. Por esse motivo, este texto será actualizado caso se verifique a necessidade de fazer qualquer alteração que salvaguarde a sua fidelidade ao original.

Compatriotas,
Durante estes seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado, a 25 de Janeiro, por vós.

O mandato que negociávamos com os nossos parceiros visava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.
Era um mandato com vista um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia, quer as regras europeias comuns e que conduzisse à saída definitiva da crise.

Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.

Apesar disso, nem por um momento pensámos em render-nos. Isso seria trair a vossa confiança. [Read more…]

A caminho da nova ordem mundial

NWO

Doutrinar e “reeducar” as massas para um novo paradigma político e social pode revelar-se uma tarefa árdua, um processo demorado que não será concluído no espaço de poucos anos. As declarações do eurodeputado social-democrata Paulo Rangel na Grande Conferência do JN “Por Portugal” são ilustrativas de um processo em curso que consiste em libertar faseada e delicadamente informação que permita a gradual interiorização de um futuro decidido no passado.

A expressão “Nova Ordem Mundial” costuma criar muitos anticorpos. Por um lado temos aqueles que defendem que a simples junção destas três palavras configura uma incursão pelo mundo fantástico das teorias da conspiração, por outro temos aqueles que ao tema adicionam cultos demoníacos e sacrifícios de seres humanos acabando por contribuir para descredibilizar a discussão. Contudo, algumas das mais famosas teorias da conspiração acabaram por se revelar verdades amargas. Bons exemplos disso são o naufrágio “inesperado” do Lusitania, o incidente da Baía de Tonkin e, mais recentemente, o inside job de Petro Poroshenko, informador norte-americano convertido em presidente da Ucrânia.

[Read more…]

Sobre o milagre do emprego

O último trimestre de 2014 foi fantástico e a fartura é tanta que as famílias começam a sentir o desafogo. Obrigado por olhares por nós austeridade!

Admissão de culpa

6.egas[1]

 Foto (http://cativarparaaprender.blogspot.pt/2012/05/uma-questao-de-honra.html)

Tenho consciência, não estou esquecido, conheço a Lei, fui notificado várias vezes. Infelizmente, devido à política seguida pelo Governo nos últimos 4 anos, não tenho é dinheiro!

Versão integral publicada originalmente em: http://wp.me/p29WGc-AU

Então cala-te e continua a remar

Portugal, Fevereiro de 2015. A vida cá dentro (des)corre como de costume. “Nós andamos do jeito que Deus quer, entre os dias que passam menos mal, lá vem um que nos dá mais que fazer”. Naquele, que é 25, vais testar outra vez o que resta do nosso Serviço Nacional de Saúde. Tão bom, ainda. Tão maltratado, porém. O Hospital chama os doentes um dia antes das intervenções cirúrgicas. Não há, à partida, uma razão plausível. Talvez tenha a ver com o facto de haver cada vez menos gente a trabalhar nos diversos serviços, e o tempo, implacável, não chegar para tudo, nem para cinco minutos de questionário aos que chegam para remover do corpo o que não está bom. Cinco minutos, seguidos de outros cinco, que os enfermeiros gerem o melhor que conseguem para o tal “acolhimento”, para te fazerem sentir tão melhor quanto conseguem. Na sala de espera almoças, lanchas e jantas. Matas o tempo o melhor que consegues, em frente ao país que passa na Tv a horas certas, entre o saudosismo que o Herman exibe e o melodrama que passa de canal em canal. Um país pode medir-se por aí, pelos seus programas de televisão, feitos a pensar num público que não pense muito. E ali ao lado, ao teu lado, hás-de cruzar-te com cada fatia desse Portugal que agoniza, sob o olhar displicente dos que insistem em acreditar isso da crise foi tudo inventado por meia dúzia de malandros que não querem trabalhar. Desse bolo faz parte aquela senhora de meia idade com quem hás-de partilhar mais tarde a enfermaria. A reforma chega para o bife, aprendeu a lidar com as novas tecnologias, tem um telemóvel moderno e até conta de Facebook. Do lado de lá, vai lendo em voz alta as notícias que lhe aparecem no feed.

– “Jovens até aos 18 anos vão deixar de pagar taxas moderadoras”! Sim senhora, uma boa coisa. Está aqui, na página do Partido Social Democrata!

Na cama do lado, outra fatia. Mais nova, velha demais para o serviço, a senhora de olhar triste diz que já não era sem tempo. [Read more…]

Economista britânico diz que Europa está na iminência de um ‘IV Reich’ | iOnline

2012-08-03-il-giornale

 

Lusa . 4 Mar 2015 – 15:22

O economista britânico Stuart Holland disse hoje em Lisboa que a Europa está “na iminência de um IV Reich”, referindo-se à situação na Grécia e à “hegemonia de Berlim” na União Europeia. 

“Temos uma hegemonia alemã que (os antigos chanceleres) Willy Brandt e Helmut Kohl não queriam. Eles não queriam uma Europa alemã, mas Angela Merkel que não tem as referências da Europa Ocidental não aceita conceitos como a solidariedade”, disse à Lusa o economista britânico, à margem da conferência “Grécia e Agora?”, que decorre na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Texto integral em http://wp.me/p29WGc-Ak

Esta porra triste

Aos que emigraram e nos pedem notícias, acabamos a dizer: “Eu não vivo em Portugal, eu sobrevivo-lhe.” Levamos a nossa rajada diária de tiros sob a forma de notícias do caos – na saúde, na justiça, na educação, na máquina estatal. Cada jornal que lemos, cada bloco de notícias a que ainda temos estômago para assistir arrancam-nos o mesmo rosnado e impotente “Filhos da puta”. Fomos rebaixados de cidadão a contribuinte enquanto o diabo esfregava um olho. A grande máquina olha-nos com desconfiança, rotula-nos de prevaricadores, trata-nos com soberba e desprezo, cospe ordens de penhora, multas gordas de juros, exige-nos mais. O discurso oficial, a narrativa, ensina-nos a desconfiar de quem pede e a não duvidar da palavra de quem rouba. Ser forte com os fracos e fraco com os fortes é o credo que vigora. [Read more…]

Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC

swiss

Ouvimos José Rodrigues dos Santos a fazer eco das vozes que apontam como principal problema da crise grega exemplos como o dos falsos paralíticos. O argumento cola bem quando se quer atiçar pobres contra pobres, mas a verdade é que o subsídio atribuído aos falsos paralíticos que enganavam fisco grego não se compara nem de perto nem de longe com o roubo gigantesco das “donas de casa” da HSBC. Dona de casa era uma das profissões virtuais declaradas por clientes do HSBC que na verdade eram industriais, artistas, jornalistas, princesas, traficantes de armas ou de droga. É esta diferença de campeonatos entre os paralíticos e as donas de casa que ajuda a compreender melhor a crise grega. As contas “especiais” (contas artilhadas para fugir ao fisco) do HSBC relacionadas com a Grécia ascendem a mais de 2,3 mil milhões de euros (~2,6 mil milhões de dólares). Por exemplo, um dos apanhados, o grego Lavrentis Lavrentiadis tinha sete contas no HSBC com ligações a outras contas bancárias (paraísos fiscais) onde detinha 4,6 milhões de dólares. O senhor Lavrentiadis não era paralítico, mas em 2012 foi acusado de fraude, lavagem de dinheiro, participação em associação criminosa e de emprestar a si próprio, cerca de 600 milhões de euros, através de um banco do seu próprio grupo. Esteve 18 meses em prisão preventiva e vai ser julgado em março deste ano.

[Read more…]

O ABC da dívida

A armadilha da dívida esmiuçada como deve ser. Uma análise muito completa que aborda inclusivamente a exploração do daquele sentimento de culpa muito católico com reminiscências no pecado original. Mais um excelente exercício de serviço público do canal ARTE.

Com Bernard Maris, um dos economistas aterrados, assassinado na sede do Charlie Hebdo.

Prontos para o apocalipse

A história de uma “ilha utopia de inspiração pirata”, preparada para a grande crise.

Portugal 2014 | Uma maioria, um governo, um presidente

Social_011net

Iluminação de Natal em Campolide

Cabaz_002

Na memória de muitos de nós, 2014 ficará marcado como um ano de escassez. Dos que têm sorte, claro, pois outros há que têm a miséria deste ano marcada na carne. Ou nos olhos que se fizeram sombrios à custa de tanta pobreza. O País está mais pobre. Os jovens não têm emprego, os trabalhadores viram os seus direitos subtraídos e os idosos estão cada vez mais desamparados. [Read more…]

Novos tempos

Quando, há anos, se começou a agudizar esta crise e apareceram as comparações com a de 1929, logo nos garantiram que tal tragédia jamais se repetiria, pois os Estados tinham, entretanto, criado novos mecanismos prudenciais e novas soluções para os problemas. Entendo agora. Dantes (bons tempos…), os banqueiros e os especuladores falidos atiravam-se das janelas. Agora, atiram-nos a nós.

O pântano, sempre o pântano

É uma das nossas tradições, esta dos governos terminarem manchados não apenas pela incompetência governativa, traduzida na incapacidade de sanar aquilo que eles mesmos começaram por definir como sendo os males do país”, mas igualmente pela suspeita de corrupção, tráfico de influências, abuso de poder, peculato. É o pântano e dele não saímos.

Os nossos governantes têm sido moralistas grasnantes, do alto dos seus pés de barro mal cozido, aparelhados com um discurso inchado de presunções de ética irrepreensível e integridade. As flagrantes traições às promessas eleitorais são sempre justificadas pelos números até aí debaixo dos panos, as conjunturas imprevistas. E já nem os preocupa a necessidade de camuflar a mentira, tal a fé na fraqueza de memória dos eleitores. No melhor dos casos, terminam os seus mandatos tingidos pela suspeita de serem coniventes com a corrupção instalada. Acabam invariavelmente apanhados pela contradição entre o seu discurso e as suspeitas nunca inteiramente provadas do que foi a sua prática. São criaturas formadas pelos partidos, pequenos “golem” amassados no barro do carreirismo nas juventudes partidárias, da vida profissional à sombra do partido, do parlamentarismo guiado pela obediência servil e pelo cálculo. [Read more…]

A infame Lagarde

Lagarde

Só a Espanha??? Então e Portugal Lagarde? Já viste bem a competitividade que para aqui vai? Andas feita com os com os gajos da esquerda, só pode. Vê lá se queres que chame o Poiares Maduro para ele te dizer das boas

Cereja no topo do bolo da novela Espirito Santo?

O Estado venezuelano tornar-se accionista “relevante” do GES. Avante camaradas!

Não há dinheiro

Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital.

A culpa da crise?

É dos políticos. Cuida-te Passos, ele vem atrás de ti…

Quando a realidade chateia a ficção

castelo de cartas

Lá se vai resvalando para a verdade: uma entrevista ao Público atesta o óbvio e desde sempre sabido papel dos bancos na crise, que é sobretudo deles e que estamos a pagar por eles, sejam portugueses, franceses ou alemães.  O caso nacional é alvo do recente livro Jogos de Poder onde o jornalista Paulo Pena nos arrepia com uma descrição minuciosa dos bastidores financeiros da cedência aos interesses dos bancos, num país com leis bastaria uma citação que por ali anda para Carlos governador do Banco dito de Portugal dar com os costados numa cela.

Estas coisas incomodam os pacientes: quem vive na fantasia de uma crise provocada pelo socialismo sofre com o trauma de se desvendar que a crise é do capitalismo financeiro. João Miranda diz que tudo não passa da nossa mania de culpar os alemães (esse povo indómito, esse nação valente, esse império imortal). É o chamado nazi-complexo de perseguição, digno de quem acha muito bem que se tenha perdoado a dívida de guerra à pátria que esteve quase quase a derrotar os malvados dos comunas. Helena Matos não gosta do título e inventa com quatro pontos de exclamação que o conteúdo o desmente (a negação, ah, neguemos, neguemos até ao fim, para quem não leu resulta sempre).

O problema disto é que falamos de uma ficção todos os dias martelada de tal forma que, segundo as sondagens, 30% dos que se dispõem a votar ainda acreditam nela. Temo profundamente pela choque que esta gente vai sofrer no dia em que lhes caía mais um pedaço de verdade em cima.

A crise, a banca e a emissão de moeda

É o banco, em função da sua avaliação do risco, que ao conceder um crédito cria depósitos, quer dizer, dinheiro efectivo a partir do nada. [Rui Hebron no DO]

Saída à irlandesa

Philippe Legrain, antigo conselheiro da Comissão Europeia, acusa a UE: “Os irlandeses foram intimidados e tratados de forma ultrajante durante a crise.” (link em inglês)

é uma casa inglesa, com certeza…

tenda nos arbustos do separador da circular interna em Wolverhampton 2

… é com certeza uma casa inglesa!

Paredes de nylon azul,
um jardim de relva cortada
uma porta virada a sul
e mesmo à borda da estrada!

ler

Sobre a crise

Vale a pena ver este documentário, que explica as razões da actual crise, explicando como a solução encontrada para a combater, mais não foi que procurar apagar um fogo atirando-lhe gasolina. A próxima será inevitável…

 

Rostos de quem passa fome para que a banca lucre

banca

Em Dezembro passado, a revista Visão trouxe a reportagem “Os rostos reais da fome em Portugal“. Oito testemunhos, que poderia ser nossos, do país onde se salvam os bancos primeiro e se olha para as pessoas depois – mas apenas para ver que cortes adicionais se podem fazer.

O país está melhor

As pessoas é que se lixaram (era para escrever com f…)

Greve à crise

greve-a-crise

Coimbra, 2014

O PSD está melhor, mas o país está pior

“Sabes Pai, o Miguel fez anos hoje. O bolo dele era fixe. Mas ele estava triste”, diz o miúdo no banco de trás.

Ocupado por outras conversas mais telefónicas, questiono:

– “Porquê? Ele não é do BENFICA?”

– “Não é isso. Ele até chegou a chorar depois do almoço. O pai dele foi para outro país trabalhar e foi embora mesmo hoje. Nem sequer ficou para os anos dele. Ele está muito triste. Eu também chorei porque não queria perder o meu pai.”

Sem palavras, só pedi a Deus que me colocasse à frente do carro o Luís Montenegro e até podia ser na passadeira…

Remendos

Um dos sinais da crise é o regresso dos sapateiros. Não sei que fizeram durante aqueles 10 ou 15 anos em que nem quisemos ouvir falar de semelhante coisa, pôr meias-solas, que miserabilismo, mas aí estão eles de novo. Nunca deixei de ir aos sapateiros, sobretudo por causa daquele prodigioso alicate de estrela que abre furos nos cintos, mas nem sempre foi fácil encontrá-los na cidade.

Custa a crer que, na minha infância, o sapateiro mais importante da zona tivesse uns quantos ajudantes, que não eram mais que futuros profissionais que os pais entregavam nas mãos do sapateiro experiente para que ele os formasse ao longo dos anos. A oficina do Faria, o tal sapateiro, parecia saída de um romance de Dickens. Os clientes não entravam na oficina, assomavam-se ao balcão, e daí via-se todo o espaço. No centro, estava o Faria, ocupadíssimo, sem nunca se permitir uma brincadeira, segurando com os lábios finos os pregos que ia cravando num tacão, e com olhos inquietos, controlando tudo o que acontecia na oficina, sem nunca poder tranquilizar-se. Vestia uma bata que eu recordo azulada e cheia de remendos, usava óculos de lentes grossas e tinha um cabelo ralo e triste, muito pegado à cabeça. [Read more…]

São flores aos milhões entre ruínas

Não sei se gostei de 2013. Há anos que se fazem difíceis de gostar, é preciso peneirá-los bem para descobrir-lhes o brilho que a areia e a lama tentam encobrir. Não, não foi um ano fácil. Houve quem, de entre os meus mais próximos, tivesse a vida por um fio e eu nada podia fazer. Perdi coisas muito importantes, coisas que foram durante anos pilares na minha vida e sem as quais pensava que não podia viver. E afinal posso. Passei muitos dias de angústia, dois ou três de desespero. Também tive dias luminosos, horas felizes, por vezes arrancadas da lama. Fiz umas quantas asneiras, passos em falso, opções erradas, podia fazer um mea culpa de muitas coisas mas deixemo-lo para outro lugar. Vivi uma sucessão de acidentes, azares, moléstias, que me pareceu interminável e ainda não chegou ao fim. Quando pensei que nada poderia correr pior, correu mesmo. Aprendi que se pode viver com a tristeza, deixá-la ocupar um quarto permanentemente, mas nunca toda a casa. [Read more…]

A crise acabou

a crise acabou

by Alex Gozblau