Marcelo, um novo presidente para um tempo novo

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É publico que fui, desde a primeira hora, um apoiante de uma eventual candidatura de Pedro Santana Lopes à presidência da República. Aliás, também como foi público, cheguei mesmo a administrar a página no Facebook – Pedro Santana Lopes 2016 – de apoio a uma sua candidatura.

O actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tomou, em devido tempo, a decisão pessoal de não avançar com a sua candidatura facto que respeitei pela amizade e estima pessoal que tenho pelo ex-primeiro-ministro e antigo presidente do PSD.

Agora estamos a três dias das eleições. A campanha está no seu final. Esta é a altura de fazer opções. Eu já fiz a minha. No próximo Domingo votarei Marcelo Rebelo de Sousa para presidente da República.

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José Mourinho faz frete a Marcelo Rebelo de Sousa

E porquê? Porque Portugal precisa de um vencedor e de alguém com carisma. O carisma até dou de barato agora vencedor? Será que Mourinho se referia ao percurso triunfante de MRS à frente do PSD, ao nível de António José Seguro no PS?

Caro eleitor, tem a certeza que quer mais do mesmo?

Marcelo e Cavaco

Então pense bem quando for votar no próximo Domingo e não se deixe enganar. Ou será que não lhe chegaram 10 anos de Cavaco Silva?

Marcelo, sempre do lado certo da história

1969

Em 1969, quando os estudantes de Coimbra se levantaram contra Américo Tomás, onde estava Marcelo Rebelo de Sousa? Não estava do lado dos estudantes, mas do lado de Américo Tomás. Uns lutaram pela liberdade e pela democracia; há outro que tudo fez para prolongar a tortura, a censura e a guerra colonial.

As palavras são de João Semedo, no comício de Marisa Matias em Coimbra, na passada Quinta-feira, e retratam um homem que sempre soube estar do lado certo da história. [Read more…]

Carta de Marcelo Rebelo de Sousa a Marcelo Caetano, um ano antes da revolução

Excelentíssimo Senhor Presidente (do Conselho),

Excelência,

Pedindo desculpa do tempo que tomo a Vossa Excelência, vinha solicitar alguns minutos de audiência (…). Seria possível, Senhor Presidente, conceder-me os escassos minutos que solicito? (…) Acompanhei de perto (como Vossa Excelência calcula), as vicissitudes relacionadas com o Congresso de Aveiro, e pude, de facto, tomar conhecimento de características de estrutura, funcionamento e ligações, que marcam nitidamente um controle (inesperado antes da efectuação) pelo PCP. Aliás, ao que parece, a actividade iniciada em Aveiro tem-se prolongado com deslocações no país e para fora dele, e com reuniões com meios mais jovens. [Read more…]

O grau zero da política

MRS

Quando se ouve no noticiário nacional da TSF a descrição do dia de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, o principal candidato à vitória, e o mais relevante do relato é a entrada do candidato numa farmácia onde compara o preço de dois medicamentos e escolhe o mais barato porque “35 cêntimos é dinheiro”, podemos concluir que não estamos longe do grau zero da política. Enquanto alguns candidatos se esgotam em banalidades e “afectos”, e outros repetem os chavões do partido ou falam como se pretendessem governar, Marcelo — o que mais obrigações tem de conhecer os poderes presidenciais e a importância da função — investe tudo na tentativa de tirar qualquer importância à campanha, afadigando-se a servir imperiais ou bolos atrás dos balcões de cafés, a jogar dominó na rua com os passantes e a esforçar-se encarniçadamente por dar de si a imagem de um Presidente Zé Povinho. Que ele julga ser a versão presidencial que o povo melhor compreende, mais aprecia, mais popularidade lhe traz e, seguramente, menor risco lhe acarreta.

Miguel Sousa Tavares@Expresso

Foto: Orlando Almeida/Global Imagens@DN

Marcelo Rebelo de Sousa – ontem, hoje e amanhã

PSD

Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Marcelo Rebelo de Sousa. Ontem, hoje e amanhã, Marcelo é a direita, representa a direita e será mais um presidente da e para a direita. E não há mal nenhum nisso: é uma opção legítima que a democracia lhe permite. Mau seria se lhe descobríssemos um rabo-de-palha como os vários que têm os restantes convivas citados. Até ver só más companhias, fascistas e corruptas, mas ter familiares e amigos de fraca índole ainda não é crime. Nem, tanto quanto sabemos, prejudica o erário público. Ser amigo de Ricardo Salgado não é a mesma coisa que andar a fazer negócios suspeitos com os fraudulentos do BPN ou orientar amigos com fundos europeus numa Tecnoforma perto de si. Mas não nos venha o senhor vender paleio de saco pré-eleitoral. Não nos tente negar que representa a direita com palavras vazias e comícios na Voz do Operário. Marcelo é a direita, representa a direita e será mais um presidente da e para a direita. Ontem hoje e amanhã.

Será que Marcelo também não se engana e raramente tem dúvidas?

Marcelo diz que ninguém altera o seu sentido de voto a dez dias das eleições. Estudos dizem que não é bem assim!

I’m

“I’ m Bond; James Bond”. (007)
“I’ m Batman”. (Batman)
“I’m your worst nightmare”. (Rambo)
“Eu sou a mesma, eu sou a mesma” (canção pré-pimba)
“Eu é que sou… o per’d’esidente da Junta”. (Presidente da Junta)
“Eu sou a esquerda da direita”. (Marcelo Rebelo de Sousa)

O que teme Marcelo?

MRS RS

Marcelo Rebelo de Sousa é tido como predestinado vencedor das Presidenciais. As sondagens apontam para uma vitória à primeira volta e o próprio sentenciou o seu destino há um mês atrás: “Daqui a semanas sou Presidente da República”.

Não contente com o resultado das sondagens, que chegam mesmo a afirmar que Marcelo vai buscar votos ao PCP e ao Bloco, o catavento tem feito das tripas coração para conquistar a esquerda. Num dia visita a Festa do Avante, no outro faz comícios na Voz do Operário, não perde uma oportunidade para piscar o olho ao governo de António Costa e chega mesmo a afirmar que é “a esquerda da direita”. Poético. Quase tão poético e emotivo como quando capitulou perante Pedro Passos Coelho no congresso do PSD em Fevereiro de 2014. [Read more…]

Marcelo desmentido, mais uma vez

Marcelo Rebelo de Sousa está a ter uma pré-campanha difícil, o que é natural, porque está afastado do debate político há muito tempo, tendo-se limitado, no últimos anos, a desempenhar papéis em revistas à portuguesa, acolitado por compères compreensivos. Hoje, foi, mais uma vez, desmentido, depois de, no debate com Maria de Belém, ter citado o deputado comunista João Ferreira, que, na sua página de facebook, explica:

No debate com Maria de Belém, ontem na RTP1, disse Marcelo Rebelo de Sousa: “como disse o deputado comunista João Ferreira, Maria de Belém é ziguezagueante, tem duas caras, faz um discurso à esquerda enquanto procura charmar à direita”. Presumindo que o candidato se referia a este que vos escreve, já que outro João Ferreira deputado do PCP não conheço, cumpre-me humildemente advertir que:
1. Não disse nem o que está acima nem rigorosamente mais nada, publicamente e até à data, sobre a citada candidata;
2. Se o tivesse feito, se alguma coisa tivesse dito publicamente sobre Maria de Belém, certamente não seria que ela “faz um discurso à esquerda”, optaria antes por destacar e criticar aspectos reais do seu posicionamento político.
3. Juro que não sei o que é “charmar”, pelo que dificilmente usaria essa palavra para dizer o que quer que fosse;
4. Não sendo propriamente novidade, mais uma vez se confirma que o candidato do PSD e do CDS alia à sua conhecida (e reconhecida pelos pares) qualidade de cata-vento uma notável capacidade de invenção ou uma delirante imaginação. Ou ambas, melhor dizendo.

 

São João da Madeira vai a votos. Más notícias para Marcelo.

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O município mais pequeno do país em termos de área,  São João da Madeira, vai a votos no dia 24 de Janeiro de 2016.  O presidente da câmara, Ricardo Figueiredo, revelando-se incapaz de respeitar o mandato que os eleitores lhe emprestaram, anunciou a renúncia de todos os elementos da lista do PSD. É mais um daqueles políticos que não só precisa da ditadura de uma maioria, como ainda aproveitou o momento de indefinição governativa para mostrar serviço ao partido, ao procurar dar substância à tese de ser impossível governar sem maioria.

Essencialmente, um caso que era menor até ontem, quando Marcelo Rebelo de Sousa o usou para justificar a não participação de Passos Coelho e de Paulo Portas na sua campanha eleitoral. Disse o comentador, agora candidato, que seria para não se misturem os planos autárquico e presidencial. Para evitar, se seguirmos essa mesma lógica, o que o  comentador Marcelo Rebelo de Sousa fizera meses antes ao tranquilizar os depositantes do BES quanto à estabilidade do banco.

É uma justificação válida ou trata-se de mais um facto político inventado pelo catavento mediático,  como lhe chamara Pedro Passos Coelho num congresso do PSD? Não ter os líderes dos partidos que o apoiam na sua campanha é uma má notícia para Marcelo ou um suspiro de alívio?
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Tesourinhos Presidenciais 2 – Primeiro Debate TVI24

O candidato de Fação

Marcelo Nóvoa

Segundo o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa ter-se-á dirigido a António Sampaio da Nóvoa, durante o debate de ontem, nos seguintes termos: “O senhor é um candidato de fação”. Lembrei-me do episódio ocorrido há uns anos, com órgãos de comunicação social a insinuarem que João Semedo teria acusado Cavaco Silva de fazer um “discurso de fação”.

Como acontecera com Semedo, [faˈsɐ̃ũ̯] foi aquilo que Rebelo de Sousa efectivamente pronunciou e, por isso, teremos «não pode ser de facção» (4:41) e «de uma facção contra outra facção» (18:14), em vez de «não pode ser de fação [?]» ou «de uma fação [?] contra outra fação [?]». Aliás, para se perceber aquilo que aconteceu, basta consultar jornais de referência:

Ele alinha com uma parte do país contra a outra parte do País. O Presidente não pode ser de facção.

Durante o debate, não ouvi aquilo que o Expresso diz que Rebelo de Sousa disse: «O senhor é um candidato de fação [?]». Talvez nos bastidores, mas não me chegou qualquer registo dessa ocorrência: por isso, para já, ficamos sem saber se Rebelo de Sousa insinuou que Sampaio da Nóvoa era um candidato de Fação. Como sabemos, há quem seja acusado de contra Fação. Exactamente: contra Fação.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

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«Marcelo Rebelo de Sousa mentiu»

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via The Telegraph (http://bit.ly/1n2nrIR)

É esta a acusação (entretanto divulgada pelo Público) que pode ser lida no Esquerda Net, relativamente à «questão da inconstitucionalidade do OE2012»:

No debate desta segunda-feira, na Sic Notícias, Marcelo Rebelo de Sousa mentiu quando confrontado por Marisa Matias, que recordou as declarações críticas do então comentador televisivo sobre o pedido de fiscalização sucessiva do OE2012 entregue pelo Bloco e alguns deputados do PS.

O OE2012?

Lembro-me muito bem do OE2012 e fico feliz por este tema entrar na pré-campanha para as eleições presidenciais. Efectivamente, o Orçamento do Estado para 2012 foi um autêntico precursor do permanente caos orçamental em que vivemos há praticamente um lustro, como se perceberá através de leitura atenta dos sucessores OE2013, OE2014 e OE2015. Quanto ao OE2016, aguardemos com serenidade.

Recordemos que o OE2012 foi um Orçamento do Estado com “caráter acomodatício” e com “carácter universal”, com “setor bancário” e com “sector dos transportes ferroviários”, com “excepto receita de privatizações”, com “exceto ações” e com “acções e outras participações”, com “activos financeiros” e com “ativos e passivos financeiros”, com “interacção dos seguintes factores” e com “interação dos seguintes fatores“, com “despesa efectiva” e com “despesa efetiva“, com “serviços colectivos” e com “serviços coletivos“, com “protecção do meio ambiente” e com “proteção do meio ambiente”, com “contratos efetivamente celebrados” e com “efectivamente paga”, com “duas ópticas” e com “numa ótica“.

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Pierre Boulez (1925-2016)

A beatificação de Marcelo Caetano, por Marcelo Rebelo de Sousa

MRS MC

Se Cavaco Silva era um cidadão perfeitamente “integrado” no Estado Novo – e se dúvidas restassem, a contradição entre rejeição da atribuição de uma pensão a Salgueiro Maia e a atribuição de uma pensão por serviços “excepcionais e relevantes” a dois ex-inspectores da PIDE/DGS fala por si – um fascista praticante portanto, Marcelo Rebelo de Sousa não lhe fica muito atrás e será, no sentido facho da coisa, o candidato ideal para suceder a Cavaco.

Regressemos a Fevereiro de 2009. No colóquio “Tempos de transição”, dedicado à vida íntima de Marcelo Caetano, da qual Rebelo de Sousa fez parte, tendo o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, amigo de Caetano e destacado fascista, desempenhado inúmeras funções na estrutura dirigente da ditadura, da Mocidade Portuguesa ao Parlamento-fantoche do Estado Novo, passando pelos ministérios da Educação, das Colónias, Saúde e Assistência, Corporações e Previdência Social, o agora candidato à presidência da República não poupou nos elogios a uma das figuras maiores do regime opressor que impôs ao país um reino de ignorância, manipulação e terror durante quatro décadas. [Read more…]

A zona cinzenta de Maria de Belém

MdB

Não tenho acompanhado os debates presidenciais. O entusiasmo que me colou à TV por altura de todos os debates televisivos que colocaram frente-a-frente os líderes dos partidos em disputa pela vitória nas Legislativas é agora substituído pelo tédio de assistir a uma campanha para uma presidência da República na qual um candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, leva uma vantagem absolutamente desigual sobre todos os seus opositores e, como se tal não bastasse, ainda é levado ao colo pela imprensa. Não admira que já se autoproclame sucessor de Cavaco Silva. [Read more…]

O debate presidencial surreal

mrs.tinoOntem tivemos o esperado debate do ano na TVI 24 que reuniu Marcelo Rebelo de Sousa, Tino de Rans e mais duas personagens, provavelmente muito respeitáveis, mas que não percebi ao que vêm nestas eleições presidenciais.

Um candidato supersónico que abriu as hostilidades lendo uma declaração escrita e à velocidade que entrou no debate saiu do mesmo. Tivemos Tino de Rans a discutir o tamanho dos sapatos e a altura de Marcelo. Por sua vez Marcelo a dizer-nos que Tino é um calceteiro de excelência. O professor dos óculos redondinhos roxos a contar-nos que não tem um salário, mas sim um ” secalhário “. Tino de Rans a dizer-nos que tinha um perfil muito parecido com o de Marcelo e que, por isso, a segunda volta das eleições iria ser disputada entre ambos. O professor dos óculos roxos redondinhos a dar-nos conhecimento que era o homem certo para o lugar incerto, daí que muito provavelmente tenha dito que caso não consiga sequer obter um voto será eleito Presidente da República.

Por outro lado tivemos Tino a dar-nos conhecimento que iria devolver o Palácio de São Bento ao povo porque o seu gabinete iria ser na rua. Tivemos Marcelo a dar-nos uma pequena lição de Direito explicando aos portugueses que uma coisa é ser cliente outra é ser proprietário. Tivemos ainda Tino de Rans, com um ar de grande felicidade, a dizer-nos que com ele teremos uma primeira dama com apenas 24 anos. E claro Marcelo Rebelo de Sousa a ver o jogo da bancada elogiando o candidato supersónico, o outro Professor e Tino de Rans. E o entrevistador, Paulo Magalhães, a fazer um esforço brutal para tentar passar a imagem que estávamos perante um debate presidencial sério.

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Piratas e Marcelos, Velhos e Novos: a sustentabilidade que nos vendem e o mundo real

RS MRS

Corria o ano da graça de 2013. Em Setembro, o Jornal de Negócios noticiava a entrada do BES no índice mundial de sustentabilidade do Dow Jones, integrando assim um restrito grupo de 23 instituições bancárias de topo. A classificação obtida pelo banco liderado por Ricardo Salgado, 85 pontos, suplantava a média (58 pontos) e fixava-se pouco abaixo da classificação líder mundial, com 93 pontos. Cinco meses depois, em Fevereiro de 2014, o BES apresentava prejuízos na ordem dos 518 milhões de euros. Em Julho do mesmo ano, o prejuízo encontrava-se já na casa dos 3570 milhões de euros*. Em Agosto passado, segundo o Expresso, os prejuízos do banco ascendiam já a 9 mil milhões de euros e a factura continua a aumentar. Mas isso não será novidade para o caro leitor. Até porque a factura está a sair do seu bolso. Por muito que lhe tentem vender o embuste da intervenção lucrativa ou o tentem fazer de otário. Resta saber quem são os piratas que elaboram estes índices. Valem tanto como a palavra do ex-primeiro-ministro. [Read more…]

O debate do século

Vitorino Silva a.k.a. Tino de Rans VS Marcelo Rebelo de Sousa. Imperdível.

Imperativo

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Paul Moakley for TIME [http://ti.me/1IK15Wa]

I’m addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I’m obsessed by Time Magazine.

— Allen Ginsberg, America

Levez-vous vite, orages désirés, qui devez emporter l’âme de René dans les espaces d’une autre vie !

— Chateaubriand, René

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Já aqui vimos que foi “o risco de ser considerado hiperativo [?]”. Ora, como é sabido, “ser acusado de hiperatividade [??]” e “ser considerado hiperativo [?]” não correspondem exactamente à mesma coisa, ainda por cima, entre aspas. Se não ouviram bem a entrevista (seja por terem problemas em identificar palavras “no meio de uma torrente”, seja por outro motivo qualquer), leiam o Aventar.

Sim, leiam o Aventar.

Efectivamente: hiperactivo

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Confirma-se: Marcelo Rebelo de Sousa não disse nada daquilo que a grafia por aí (TSF, SIC) adoptada poderá sugerir. Rebelo de Sousa é claro: [ativɐˈmẽtɨ] e [ipɛɾaˈtivu] e não [ɐtivɐˈmẽtɨ] e [ipɨɾɐˈtivu].

Ou seja, «activamente – corro o risco de ser considerado hiperactivo», em vez do profundamente enganador «ativamente [?] – corro o risco de ser considerado hiperativo [??]». Em ortografia portuguesa europeia, sff.

Continuação de uma óptima semana.

Um Presidente diferente

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Que enorme diferença. Ver Marcelo Rebelo de Sousa a ser entrevistado enquanto candidato a Presidente da República na SIC e tentar comparar com a esmagadora maioria dos nossos políticos em situações do género.

O que costumam fazer os nossos políticos quando são entrevistados em televisão? Simples, responder com a máxima ambiguidade possível e até impossível. O que fez Marcelo? Respondeu a tudo de forma clara, directa e sem “rodriguinhos”. Sem procurar agradar a Deus e ao Diabo. Sem fugir a nenhuma pergunta. Sem atacar ninguém. Limitou-se a dizer o que pensa e com bom senso. De forma séria e ao mesmo tempo descontraída. Dominando perfeitamente o meio e sabendo utilizar o modo certo. Sem artificialismos.

E arriscando. Muito. Afirmar que não vai fazer uma campanha tradicional – não aceita donativos de nenhuma espécie, só vai ter uma sede de campanha (em Lisboa), não vai colocar cartazes nem outdoors nem nada é, mesmo nestes tempos e mesmo com a notoriedade que se lhe reconhece, um enorme risco.

É um candidato diferente. Estou convencido que se vencer, como espero, será um Presidente diferente. E como Portugal precisa de um PR diferente…

“Vou ser um Presidente imperativo”, diz Marcelo à SIC

Peço desculpa, enganei-me: “Vou ser um Presidente hiperativo“, diz Marcelo à SIC.

Exclusivo

Ai ele é tão simpático, o senhor professor Marcelo – exclamava, embevecida, a dona Vicência. Há dias estava lá nas ilhas a falar às pessoas e falava tão bem que era um consolo; vi na televisão. Até andava com uns velhinhos, tratava-os muito bem, e deu um beijinho numa velha. Vi tudo na televisão. Ontem estava a jogar ao dominó e a falar com pessoas do povo, tão simpático, tão bonzinho. Aquele taberneiro é que foi um bruto e cobrou-lhe as cervejas! Não se faz ao senhor professor, que até pagou de boa mente, que eu bem vi na televisão. Já quando ele falava aos domingos na televisão era um regalo ouvir um homem daqueles. Eu não percebia muito, mas ele falava bem, lá isso falava. Vai ser um presidente muito bom.
– Ora essa – atalhou o Tonho – então e os outros?
– Os outros quê ? – espantou-se a tia Vicência.

Marcelo lança a confusão entre as hostes do PàF

MRS

Por esta é que eles não esperavam. Deviam mas não esperavam. Passos Coelho bem alertou o partido, em Janeiro de 2014, quando afirmou que o candidato presidencial do PSD não podia ser um “protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político” que buscasse “popularidade fácil“. Mas Marcelo, para o bem e para o mal, é tudo isso e muito mais e a possibilidade de causar estragos num partido nervoso e em risco de desintegração é elevada. [Read more…]

Marcelo Rebelo de Sousa

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Chegou com 20 minutos de antecedência, entrou no auditório da “sua” biblioteca sozinho e de forma perfeitamente descontraída. Sem a costumeira parafernália de bandeiras, panfletos, “pins” ou hinos. Sem os partidos. Nada. E às 18h em ponto ali estava, no palanque, pronto para começar a sua intervenção, ao arrepio da tradição portuguesa de chegar atrasado e começar bem depois da hora marcada. Nada disso. Pelo contrário, ainda teve de esperar que os jornalistas tivessem tudo pronto.

Um discurso simples, de fácil compreensão para todos, provando que sabe bem o que quer e conhece bem a audiência. O oposto da tradição política nestas coisas. Uma enorme diferença.

Em suma, a TVI perde o seu principal activo e Portugal ganha o melhor candidato à Presidência da República.

Estamos cobertos

Custa à brava, mas lá vou aguentando o prof. Marcelo chafurdando na sua própria matéria fecal informativa. Nunca se foi tão longe neste jogo sujo e arrepia pensar que esta criatura manipulativa e amoral pode vir a ser presidente da República. É que há quem goste deste estilo entre o calinas intelectualizado e o vendedor de banha da cobra. Ontem a cloaca foi reforçada pelas informações vaidosas de Sérgio Figueiredo, director de “informação” da TVI. Descreveu-nos – orgulhoso, vá-se lá saber porquê – como vão decorrer os debates nos vários canais e como a corja televisiva se entendeu como um cartel; fiquei a perceber que a sua satisfação decorre do bom serviço feito aos patrões, tal como fui informado – por um jornalista com responsabilidades de direcção! – do facto de só haver dois candidatos a 1º ministro (então não são deputados o que vamos eleger?)! De resto, mantendo estes “comentadores”, o modo de cobertura da campanha é relativamente indiferente. A batota está montada à partida. Gostava de falar neste tema noutro tom, mas não há condições. É que me lembro de quando as eleições eram cobertas por um só e obediente canal; agora, é o mesmo. Só os distraídos pensam o contrário.

O marau

Ganhar 10.000 por mês para fazer na tv a sua própria campanha eleitoral e a da direita, rezar pela bipolarização – a bem ou a mal, se necessário – do país, queimar em lume brando adversários políticos, promover a proliferação de candidatos – da esquerda e da direita – à presidência da República para que o seu nome vá inchando, é obra só ao alcance de um marau espertalhão. Tem impacto popular? Tem. Como os programas da tarde, os anúncios de calcitrim, as telenovelas, a música pimba (não estou a fazer juízos de valor, estou a comparar estatísticas). Marcelo, repimpado e bem pago, vai fazendo pela vida. Cada vez mais rasteiro, é verdade, cada vez mais demagogo, é verdade, mas fazendo o seu caminho – movido a combustível caro – para Belém com a diligência de uma formiguinha e a elevação moral de uma minhoca.

Tem toda a razão senhor professor

“O único momento em que os jornais das oito abrem com Cultura é quando alguém morre“