Medo

 

Não é só a comparação que assusta. É ver o porta-voz do governo mais poderoso do mundo agir como um pirómano amador, engasgado na sua própria ignorância, perante o olhar incrédulo dos jornalistas e do mundo. É perceber que nos governam tipos como Donald Trump, coadjuvados por personagens como a senhora dos factos alternativos, e que a paz podre que reina na quase totalidade do mundo poderá em breve ser substituída por sabe-se lá o quê. É o mundo que é hoje um lugar mais perigoso, e a procissão não passou sequer o adro da igreja. São muros no México, porta-aviões na Coreia do Norte, misseis na Síria, que o gajo confunde com o Iraque, e o planeta em suspenso enquanto o lunático se entretém a fazer disto o seu próprio reality show, com os botões nucleares mesmo ali à mão. E somos nós que parecemos pouco preocupados com tudo isto. E isto não está para brincadeiras.

video via Uma Página Numa Rede Social

Universidade Católica ocupada por radicais de esquerda

A Universidade Católica, home of the brave, poderá ter sido ocupada, com a violência que tal acarreta, por radicais de esquerda ao serviço da Geringonça. Só isso explica a apresentação de tais dados, aritmeticamente impossíveis, sobre o crescimento do PIB português no ano corrente. As estimativas da universidade apontam para um crescimento de 2,4% em 2017, algo que não pode ser verdade, pelo menos a julgar pelas profecias apocalípticas do culto de Belzebu, sempre rigorosas. Nem o governo consegue ser tão optimista, pelo que não podemos estar perante outra coisa que não seja um grande embuste, fabricado no lodo soviético-venezuelano em que o país se encontra aprisionado, refém de comunistas e bloquistas, onde investidor algum porá o seu dinheiro. A claustrofobia democrática é assustadora. Não demorará muito até que estejamos a lutar por sacos de arroz no corredor de um supermercado vazio. O horror.

Gráfico: INE e UCatólica via Jornal de Negócios

Deputado Leitão Amaro acusa “um governo socialista” por causa dos swaps. Fala verdade ou mentira?

O Deputado Leitão Amaro, do PSD, sacudiu a água do capote. A acusou “um governo socialista” e afirmou que os swaps “foram assinados no tempo do governo de José Sócrates”.

O governo em funções é o responsável máximo, isso é claro. Mas há muita gente com responsabilidade pelo caminho. É o PSD assim tão inocente como afirma o deputado Leitão?

É o que vamos ver neste post.

Metro do Porto (Foto: Jcornelius)

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Isso foi durante a sobremesa – acabámos de disparar 59 mísseis

Que coisa grotesca.

“Estava sentado à mesa, tínhamos acabado de jantar, e estávamos na sobremesa”, conta. “Tínhamos o melhor pedaço de bolo de chocolate que alguma vez vi. O Presidente Xi estava a apreciar. E eu recebi as mensagens dos generais que os navios estavam carregados e preparados, o que quer fazer?”.

“E decidimos avançar”, continua Trump. “E eu disse, Sr. Presidente – isto foi durante a sobremesa – acabámos de disparar 59 mísseis (…) a caminho do Iraque”.

“A caminho da Síria?”, diz a jornalista. Trump pára por segundos e depois corrige: “Sim, a caminho da Síria”. [RTP

A ligeireza, a burrice, o ar de parvo. Tudo em Trump é asqueroso. E perigoso. Até o recursos aos mísseis para tapar a ausência de popularidade.

Obrigado Passos. Obrigado Maria Luís Swaps. A vossa contribuição para o Diabo é preciosa.

Falemos então de governos que tomaram medidas extraordinárias para maquilhar o défice.

Governo dá por perdida batalha dos swaps contra Santander Totta
Entendimento põe fim aos litígios judiciais. Empresas públicas de transportes devem mais de 500 milhões em juros por pagar.

O processo durava há alguns anos, tendo o conflito com o Santander tido início em 2013. Nesse ano, o Governo de Pedro Passos Coelho chegou a acordo com várias instituições financeiras que tinham estabelecido este tipo de contratos de swaps com as empresas públicas, mas o Santander Totta acabou por ficar de fora. A decisão de interromper o pagamento das perdas sofridas nesses contratos foi tomada pela ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque. [Luís Villalobos, Público, 12/04/2017]

E quanto à Miss Swaps de Arrows:

No centro das críticas a que tem sido sujeita, está a sua passagem pela Refer, entre 2001 e 2007. Na qualidade de director do departamento de gestão financeira da empresa pública, contratou vários produtos de cobertura de risco, para proteger a dívida da empresa das oscilações das taxas de juro. Dois dos produtos que contratou foram classificados pelo IGCP e pela consultora StormHarbour – entidades que assumiram a análise deste tipo de contratos após instrução da própria secretária de Estado – como complexos e arriscados. [Pedro Ferreira Esteves, Negócios, 01/07/2013]

Arranjai uma corda, atem-na acidentalmente ao pescoço e experimentem saltar de uma árvore.

Revisão em alta do ressabiamento à direita

após revisão em baixa do valor do défice de 2016. Façam barulho para a aritmética da Dra. Maria Luís!

Mistérios

“Perro semihundido” (detalhe), de Francisco de Goya y Lucientes

 

O cão passa os dias e as noites na loja do dono. Pela manhã, ainda antes da abertura da loja, costumo vê-lo deitado ao sol, muitas vezes ainda a dormir, patas comicamente viradas para cima, uma imagem que faz sorrir quem passa e fez dele o favorito da rua. Outras vezes, segue-nos com uns pequeninos olhos negros que parecem de urso de peluche.

Hoje, porém, estava sentado e olhava a parede de granito iluminada pelo sol. Era bela a parede, de sombras rugosas suavemente esbatidas, e belo o cão. Imóvel, de perfil para nós, os que passamos na rua, que desta vez não conseguimos chamar-lhe a atenção, e atento ao percurso do sol na parede até aqui sempre fria. [Read more…]

Eles comem tudo e não deixam nada

Segundo o Expresso, “Fisco e Segurança Social levam 41,5% do salário médio dos portugueses“. A menos que, claro, tenha os recursos necessários para praticar a santíssima evasão fiscal, grito do Ipiranga da minoria multimilionária oprimida. Caso pertença a esta sofredora minoria, enclausurada neste país esquerdalho de confiscos mil, poderá ainda acumular a fuga aos impostos com financiamentos variados, custeados pelos palermas sem acesso ao liberalismo das Ilhas Caimão, bem como beneficiar de uma das muitas amnistias fiscais que os governantes do arco têm para lhe oferecer. Tudo isto à distância de um par de luvas, de uma simpática contribuição para a próxima campanha eleitoral ou de um lugar num conselho de administração perto de si. Não perca esta oportunidade e empreenda já!

Psttttt….

“Precisas de uma ajudinha para arrancar isso da lapela?”

Enfim

Fala-se tanto na defesa da língua portuguesa como sendo uma das dez mais faladas em todo o mundo, na importância de valorizar a CPLP, na alma lusa, em Camões e Pessoa, usam-se cachecóis com as cores nacionais, canta-se o hino, grita-se “Portugal” e apregoa-se o fado e a saudade.

Mas, no fim de contas, lá temos o Primeiro-ministro português a falar em castelhano numa entrevista a um jornal espanhol.

Não fosse ser tão triste, seria de rir.

Paulo Borges, do vazio ao cais absoluto

 

Paulo Borges segundo as suas próprias palavras:

“Procura seguir a via do Buda desde 1983 segundo a tradição Nyingma do budismo tibetano, integrando a partir de 2012 os ensinamentos de Thich Nhat Hanh e pertencendo por esta via desde 2015 à escola Linji (Rinzai) do budismo Ch’an / Zen. Professor de meditação e filosofia budista desde 1999, tem orientado centenas de aulas, cursos, workshops e retiros em todo o país. Professor de Filosofia da Religião, Pensamento Oriental e Filosofia e Meditação na Universidade de Lisboa. Cofundador e ex-presidente da União Budista Portuguesa (2002-2014). Ex-presidente (2005-2013) e membro da Direcção da Associação Agostinho da Silva. Cofundador e presidente do Círculo do Entre-Ser. Tradutor de livros budistas, como Estágios da Meditação, de Sua Santidade o Dalai Lama (2001), o Livro Tibetano dos Mortos (2006) (com Rui Lopo), A Via do Bodhisattva, de Shantideva (2007), O Caminho da Grande Perfeição, de Patrul Rinpoche (2007) e O que não faz de ti um budista, de Dzongsar Jamyang Khyentse (2009). Autor e organizador de 45 livros, entre os quais O Budismo e a Natureza da Mente (2006, com Carlos João Correia e Matthieu Ricard), O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (organizador, com Duarte Braga) (2007), Descobrir Buda (2010), Quem é o Meu Próximo? (2014) e O Coração da Vida. Visão, meditação, transformação integral (guia prático de meditação) (2015). “

Os Vândalos

Nenhum vandalismo é admissível. Mas há graus.
Um bando de ex-estudantes da London School of Economics, vestidos com fatos de três mil euros e transportando pastas de pele de crocodilo, deslocaram-se a Portugal para um período de férias de três anos. Há quem diga que ainda cá estão. Ao longo da sua estada no nosso soalheiro país, que os recebeu de joelhos e braços abertos, destruíram mais de trezentos mil empregos, dizimaram a economia, expulsaram centenas de milhares de portugueses da sua própria terra, pilharam o sistema financeiro e os recursos públicos, arruinaram a vida a milhões de famílias, fizeram regressar a fome ao país, demoliram o Serviço Nacional de Saúde, desmantelaram a Segurança Social e destruíram a Escola Pública.
Verdade seja dita, não consta que tivessem posto uma televisão na banheira.

Passos Coelho e a estratégia de não levar Portugal a sério

Passos Coelho quer uma “estratégia verdadeiramente nacional que não oculte os problemas”. Saúde-se o empenho do líder do PSD, agora que o seu percurso à frente do partido se encaminha trágica e penosamente para o precipício, mas não deixemos que façam de nós parvos. Ou será que alguém se recorda de alguma “estratégia verdadeiramente nacional” do anterior governo? Seria aquela treta de reforma do Estado de Paulo Portas? Calma, não se cansem a pesquisar. Essa estratégia nunca existiu. [Read more…]

O futebol ama a dor: apontamentos humorísticos e solidários

[André Camandro]

Fala-se tão pouco do futebol amador. Quanto a mim, é injusto que mereça tão pouca atenção de todos nós, como dos média, que persistem em ignorá-lo, quase como se de certas modalidades profissionais, como o atletismo ou o hóquei em patins se tratasse. Como disse, não é justo. Todos nós, os futebolistas amadores, mereceríamos certamente mais. Se não podemos competir com os profissionais no talento, ou no ordenado (no fundo, em quase nada), resta sempre algo em que, vou imodestamente assumi-lo, somos iguais: as lesões.

É verdade. Falo de lesões tão graves que nos mantêm longos meses afastados dos relvados. É o único plano, geralmente horizontal, em que podemos competir com Maradona. Claro que é uma vantagem, quando isto acontece, não termos um contrato ou um ordenado a perder. Mas não chega. Os danos morais são enormes, e atingem famílias inteiras. É para vos falar de uma dessas lesões, e do drama que se lhe seguiu, que escrevi estas linhas. No fundo, é uma homenagem. Ao amadorismo, à falta de talento, à inépcia pura, mas também à paixão, que poderia comparar à de um qualquer Garrincha. [Read more…]

Offshore

Subsídio para uma arqueologia do paraíso fiscal:

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Os miúdos da rede não gostam de colchões. 

É a geração da rede, sempre ligada, no WhatsApp, Twitter, Facebook, Snapchat, com os seus feitos heróicos amplificados  com álcool e  views. Santinhos é em Fátima e colchões é oldskull, por isso, piscina com eles.

Dois tweets de um dos alunos envolvidos na tal viagem de finalistas – descaracterizados e sem link, dado o envolvido ser menor.

Não se pode tomar a parte pelo todo. Da mesma forma que não se pode enveredar por teses desculpabilizadoras quanto ao que se passou. Na televisão ouvi um responsável da CONFAP falar da necessidade de fazer alguma coisa e que, talvez até, fosse preciso mudar a lei. Uau. Outro que resolve problemas pela via legislativa. Há muitos assim. [Read more…]

Tadinho

PS: DJ B., não vás a Torremolinos. Nem ao Red Light District da tua Amesterdão.

Rodolfo tem razão

Não há contacto

– Rodolfo Reis, 2/4/2017

Sai do meu sangue, sanguessuga que só sabe sugar.

Caetano

***

Efectivamente, não há.

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Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

[André Rodrigues]

O meu primeiro ano da Faculdade foi uma espécie de pesadelo, apenas no segundo viria o gosto de estudar e aprender e, ocasionalmente, algumas notas boas, que são o menos importante, ou deveriam ser.

Nesse primeiro ano, no meio da prosa “barbaramente académica” em que nos afogávamos, havia dois livros (“Estudos de História da Cultura Clássica”, vols. I e II, da FCG), escritos numa linguagem que era, ao mesmo tempo, clara e rigorosa, simples e de uma riqueza profunda. Dava-me a entender uma relação privilegiada com a língua portuguesa, própria daqueles quem lhe conhecem a ossatura.

Maria Helena da Rocha Pereira (MHRP) levava-nos pela mão para aprendermos o que diz um vaso grego sobre a vida daqueles que o fizeram, falava do escudo de Aquiles como um passaporte para uma outra civilização. Falava para todos, alunos do primeiro ano e especialistas, com a mesma clareza cristalina. [Read more…]

Só vejo uma equipa capaz de derrotar o Benfica

Atendendo ao jogo que o Benfica tem colocado em campo, só vejo uma equipa capaz de o bater – o Canelas! E, mesmo assim, dependeria muito do árbitro.

Legendas

A legendagem de filmes – primeiro – e das emissões televisivas – depois- foi uma das raríssimas heranças positivas dos tempos “da outra senhora”. Não que a ditadura tivesse preocupações com a integridade da criação artística, como acontece hoje connosco. Longe disso. A verdade é que a legendagem funcionava – independentemente da sua qualidade – como uma última barreira de censura.

A primeira era a proibição pura e simples, a segunda os cortes – por vezes brutais – e, finalmente, a legendagem. A dois níveis: um primeiro, a adulteração das falas, um segundo decorrente da simples dificuldade, ou impossibilidade, da sua leitura dada a baixíssima literacia da maioria da população. As coisas melhoraram muito depois da queda da ditadura e chegaram a elevados níveis na qualidade de tradução. [Read more…]

Diga lá outra vez, Dr. Montenegro

Um mês depois de ter afirmado que “a bancada do PSD não está ressabiada com nada“, o partido a cuja bancada parlamentar preside o Dr. Montenegro, vem comunicar ao país que ainda não ultrapassou o trauma de viver em democracia. Luís Montenegro acusa o governo de reescrever a história, mas é precisamente o seu partido que a quer reescrever. Uma história em que a democracia representativa, esse capricho da extrema-esquerda, perde a sua legitimidade. Infelizmente, para os alegadamente não-ressabiados da direita, reescrever a história não vai chegar. Vai ser preciso reescrever a Constituição da República Portuguesa. Acontece que, pelo andar da carruagem, PSD e respectivos amiguinhos do Caldas estão cada vez mais afastados dos dois terços de parlamentares necessários para conseguir abolir a democracia representativa. Algo que, é sabido, só pode ser obra do Diabo. O drama, a tragédia e o horror do costume.

imagem via Uma Página Numa Rede Social

Faleceu e precisa de um médico?

Então não perca mais tempo e contacte já a Unidade de Saúde Familiar Lusitânia, em Évora. O custo fica a cargo do SNS.

Mais uma para o dossier “quem é que põe dinheiro num país dirigido por comunistas e bloquistas?”

Lidl vai investir 70 milhões de euros em Portugal até ao final do ano.

João Vieira Pereira, um socrático inflitrado?

 

João Vieira Pereira, e julgo não haver grandes dúvidas quanto a isto, será um dos comentadores mais insuspeitos de nutrir qualquer tipo de simpatia pelos ideais de esquerda, pelos partidos de esquerda ou pelo acordo à esquerda que legitimou o governo de António Costa. De igual forma, não se lhe conhece qualquer ligação a José Sócrates, Armando Vara ou Carlos Santos Silva. Antes pelo contrário. Paulada na esquerda é coisa que o quadro do grupo Impresa tem feito com frequência e vigor.

Posto isto, e tratando-se apenas e só da opinião do comentador, altamente valorizada e respeitada pelos partidos de direita, pelos políticos de direita, pelos comentadores e blogues de direita, as declarações de João Vieira Pereira, contidas no vídeo em cima, poderão chocar os liberais e conservadores mais sensíveis. O resgate era inevitável? Pelos vistos não, e para isso bastaria o PSD ter abdicado do seu jogo político. À altura, importa relembrar, até Angela Merkel criticou a postura da direita parlamentar portuguesa, classificando-a de “lamentável”. E, por muito que o afundamento das contas púbicas possa ter sido obra dos socialistas, a inevitabilidade do resgate, segundo Vieira Pereira, foi consequência directa de uma decisão de Pedro Passos Coelho e restantes correlegionários. Uma decisão fundada nas ambições do PSD e do seu líder, não no superior interesse nacional. Era isso ou eleições dentro do partido. Passos não hesitou. E o resultado foi o que foi.

via Uma Página Numa Rede Social

O dinheiro que não se evapora

13 mil milhões de euros dariam para 20 hospitais (um por distrito e região autónoma), 4 submarinos, 2 campeonatos do Euro (futebol), 1 ano de RSI e 1 ano de Educação – tudo junto.

 

13 mil milhões desapareceram do bolso dos portugueses ao longo de 9 anos, desde que a moda pegou com o BPN. 7% do PIB. Temos consciência de estarmos perante muito dinheiro. Mas vemos estes números na comunicação social e o que é que eles significam mesmo? É preciso encontrar termos de referência para percebermos.

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António Costa e a natalidade

A chegada de António Costa à função de Primeiro-Ministro teve reflexo na Natalidade. Este é um feito extraordinário. Muito mais do que o défice.

Os entrevistados da semana e as Autárquicas

[Rui Naldinho]

O actual e o ex primeiro-ministros foram ambos entrevistados esta semana. Registo o facto de a SIC já ter entrevistado Passos Coelho três vezes no espaço de um ano, ABR16
, OUT16 e ABR17, enquanto António Costa, chefe do governo ter sido entrevistado pela estação de Carnaxide uma única vez. Coincidências ou não, a SIC cada vez parece mais a estação de televisão do “Diabo”. Que tal pôr o “mafarrico” como a sigla do canal de Francisco Balsemão?


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​AI !


Vejam como ele se comove! Vejam como ele lamenta “aquelas lindas criancinhas”, enquanto, rastejando, os amigos, lá atrás, fazem contas aos lucros emergentes. Vejam como se esforça por produzir uma piedosa lágrima, como se esforça por criar um esgar de dó, como não consegue evitar uma pequena e jubilosa libertação de urina. Ai que pena que ele tem dos infelizes, ai que sacrifício que representou ter de atacar a Síria por quem seu coração extremoso sofre. Ai como ele lamenta subir na popularidade entre os seus concidadãos, por ter, por eles, atacado um país soberano e derramado o sangue dos humanos alvos. Ai como ele chama, fraternal e desinteressadamente, os seus aliados para o seu lado, exortando-os à cruzada contra os infiéis, juntando as forças às benfasejas e agora abençoadas e perdoadas hostes da AlQaeda e do Daesh que, afinal, não são assim tão maus rapazes. Ai como é bonito ver esta chamada às armas a caminho do supremo prémio do petró…, perdão, do céu! Ai como é comovente, após milhões de anos de evolução e dezenas de milhares anos de história, ver o pináculo do poder da maior potência militar mundial ser ocupado, graças à esclarecida escolha do seu dotado povo, por tão elevada personagem! Ai, como é possível que haja por aí quem não consiga ver a luz que emana deste rosto alaranjado, deste vingador ungido pelo alto!
Numa palavra: AI !!!

A Rota da Sede

A Rota das Patacas, Lisboa-Macau, continua a levar ao Oriente “charters” cheios de jovens alfacinhas de aspecto muito saudável, doutores em leis e cheios de bons princípios, que mal põem o pé fora do avião já têm emprego bem pago, ali, perto do Senado, no Pátio da Dissimulação.
Trânsito em que um bom jornalista daria como bem empregue o seu tempo, para que se perceba, ao menos, como está a ser preparada a nossa elite política dos amanhãs que não cantam, pois a voz já dói. Mas assobiam. Para o lado.