A tortura de um cidadão

Tortura é a imposição de dor física ou psicológica por crueldade, intimidação, punição, para obtenção de uma confissão, informação ou simplesmente por prazer da pessoa que tortura.

Parece-me que devia acrescentar que há dois tipos de tortura: a que as Nações Unidas condena e a que todo cidadão sofre no dia-a-dia e que denominamos burocracia. [Read more…]

“Curiosidade” para Marte

O próximo rover da NASA, chamado informalmente Curiosidade, foi há poucos dias definitivamente fixo ao escudo térmico que o vai proteger na sua descida até Marte (nome formal Laboratório Cientifico de Marte). Com lançamento previsto para o fim do ano, espera-se que este rover atinja o solo marciano por alturas de Agosto, depois de uma viagem de oito meses e meio.

Rover pronto para ser selado entre o escudo de calor e a concha exterior

(Clique nas imagens para aumentar)

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Ecce Homo

depressao-home deprimido

Qual de todos eles e porque? Alberto João Jardim, José Sócrates, Passos Coelho, o povo português, o Jesus de Nazaré? É a frase mais conhecida da vulgata latina, usadas pelas confissões cristãs, para expor ao público um homem em sofrimento ou um homem que está a sofrer. [Read more…]

Aniversário do nascimento de Salvador Allende. A Tencha o chora

Tencha chora morte marido

A conheci como Primeira-dama da República do Chile. Sempre bem penteada, bem vestida, magra, sorridente, amável e serena. Falava de forma cadenciada, com o seu sorriso sempre alegre, sem gargalhadas: uma Senhora. O seu marido, que era um pituco (betinho em Português Europeu), gostava de vê-la bem vestida [Read more…]

Ainda a propósito de máquinas de costura

Faleceu Steve Jobs. Aqui neste blogue, como é sabido, respeitamos igualmente todas as religiões e, como tal, queremos apresentar as nossas sinceras condolências aos membros da seita fundada por Jobs, conhecida por despertar reações religiosas no cérebro dos seus membros – quem o afirma são os neurocientistas.

Filipe Moura no Esquerda Republicana

É certo que o título Steve Jobs, o maior mentiroso de sempre é manifestamente exagerado e provocatório, a bem dizer as mentiras sobre as supostas grandes criações do ora defunto são também responsabilidade da comunicação social que os vende em anúncios gratuitos, mas tinha-me esquecido da religiosidade dos adoradores da maçã McIntoch. Tem sido uma romaria naquela caixa de comentários. Já agora aproveito para explicar que os computadores que uso têm todos dual-boot para as partições do Windows e do Ubuntu, a primeira porque sou obrigado profissionalmente a isso, a segunda porque gosto e acho que os sistemas operativos devem ser abertos, embora não necessariamente gratuitos. E obrigado Dario Silva pelo boneco.

Um, Dois, Três Jardins em Cada Freguesia

Alguém quer saber da treta das alterações climáticas? E das preocupações do resto do mundo?

A gente quer é barragens, auto-estradas, túneis e popós novinhos com montes de cilindrada. E, já agora, consumir aos montes para acabar com a crise, não é?

Falha Felipe? (ou o Rei que sabia que não o queria ser)

No âmbito de uma apresentação oral (que está marcada para o final do semestre) para história moderna fui obrigada a acelerar os meus estudos em relação a Felipe II de Espanha e deixei para trás o Thomas More, com grande pena minha porque o tempo não dá para tudo.

Descobri então que a pergunta “política” mais óbvia que se faz em relação a Felipe, e que a mim sinceramente não me tinha passado pela cabeça, é: “Felipe é um falhanço? Falha nos seus objectivos? Falha para com o Império Espanhol?” Para responder a isto é necessário ter em conta certos factores.

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Steve Jobs, o maior mentiroso de sempre

Steve Jobs: “O maior empresário da nossa era”.

Já chega.  Há um respeitoso silêncio no luto alheio, há a verdade e há a pachorra.

Steve Jobs foi o maior vígaro do digital, do bit que tal como a banha da cobra estica mas não dobra, tudo cura e resolve, ao alcance do preguiçoso mental que há em nós. Inventou a roda 3 ou 4 vezes, embora ela já rodasse antes de ele dizer que aquilo era uma i-roda.

Não, o sistema operativo sem linha de comandos não o inventou, foi a burra da Xerox. Steve Jobs criou o software que só se podia comprar a ele, de uma forma tão proprietária que nem Bill Gates, outro génio do mesmo ramo, foi capaz de tanto.

Não, o leitor de música portátil digital não o criou,  já existia o conceito walkman que era da burra da Sony, ainda a acreditar em K7´s e que nunca nos impôs termos de pagar duas ou três vezes a música que ouvimos.

Não, os telefones inteligentes já existiam, Steve Jobs apenas lhes deu outro nome e outra obrigação, o que é meu quando o uso a ti pago.

Não, os tablets já funcionavam, apenas lhes deu outro i,  e outra imposição: serei teu cliente para sempre. [Read more…]

Portugal, República em permanente transição. A Troika

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Em textos diferentes, tenho arguido que Portugal, como país, tem sido uma estrutura em permanente mudança. Mudanças que pretendo narrar en breves linhas desde o dia de hoje até à implantação da República. Para fazer do texto um ensaio leve, como as empresas de seguro, muito damos, pouco recebemos, digamos que é andar como o caranguejo, sempre para trás. [Read more…]

Morreu Steve Jobs

Morreu Steve Jobs, pai e padrinho de muita da mais bela tecnologia do mundo moderno.

Era uma vez um rei com uma grande barriguinha

«Os reis são feitos para comer
Para beber e dormir também.»


Viva a República!

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A República

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 É História bem conhecida que a República portuguesa não foi uma opção do povo bem como uma implantação por um grupo do Partido Republicano, pelos maçons e um largo número de apoiantes populares que estavam cansados de serem explorados no trabalho das terras dos Condes, Duques e Barões, que viviam uma rica vida, [Read more…]

Quatro canções da República

Fado do Zé Povo – por Carlos Santos, cerca de 1912. Uma cantiga muito actual, ao serviço de qualquer república.

Canção Popular Republicana – por Isabel Costa e Duarte Silva, cerca de 1919, apelando à mobilização contra a Monarquia do Norte.

Fado do 31 – de Pereira Coelho e Alves Coelho, cantado por Maria Litaly, cerca de 1913. Uma referência clássica ao 31 de janeiro de 1891

A Portuguesa – interpretada por Jorge Bastos, cerca de 1912, uma das primeiras gravações do Hino Nacional.

O Dom, um problema da historiografia portuguesa que tem o dom de me enervar

Consulte-se a Wikipédia em português, escolhendo o nosso primeiro rei: a entrada Afonso I de Portugal começa assim: “D. Afonso I de Portugal, mais conhecido por Dom Afonso Henriques”.

Façamos o mesmo exercício na  Wikipédia em francês, por exemplo procurando o Rei-Sol: o resultado será Louis XIV de France, referido no texto por “Louis XIV dit le Roi-Soleil ou Louis le Grand”. Continuemos pela Wikipédia de língua castelhana: Alfonso VII de León el Emperador, ou mesmo pela de língua inglesa: Elizabeth II é designada por Elizabeth II (Elizabeth Alexandra Mary, born 21 April 1926).

Utilizei a Wikipédia mas podia abrir qualquer livro de História numa destas línguas e o resultado seria o mesmo: só em Portugal uma ciência mantêm o tratamento reverencial de Dom aos seus monarcas. Pior do que isso, e embora haja alguma polémica entre os supostos herdeiros da aristocracia, tal tratamento estende-se muitas vezes à nobreza e ao defunto clero.

Segundo o dicionário mais à mão, DomTítulo honorífico que em Portugal se dava aos membros da família real e da antiga nobreza e a certas categorias religiosas. A Wikipédia insiste no “é um pronome de tratamento concedido a (…)” incorrendo num erro de conjugação verbal – isto é passado, onde está é deveria estar foi -, a República extinguiu, como lhe competia, os títulos nobiliárquicos, sendo de resto um perfeito abuso que alguém ainda seja tratado por conde do raio que o parta ou visconde da mãezinha que o deu à luz, assumindo uma distinção claramente inconstitucional. As formas de tratamento em Portugal são muito genuflectoras, e sendo verdade que aos velhos títulos sucedeu o prefixo Dr. colocado antes de qualquer licenciado, dizem muito sobre a natureza das relações sociais. Quanto a isso, paciência. Agora em escrita que se pretende científica é um erro crasso que urge corrigir (e não me venham com a tradição, que ela já não é o que era).

O fim da monarchia e a Republica Portuguêsa

Esta manhã, quando revejo provas das palavras que ahi deixo, chega a minha casa a notícia de ter sido proclamada a Republica Portuguêsa.

Há mais de um anno que este livro vive nos meus papeis, esperando a sua vez de ser publicado. Durante um anno esse desabar e esboroar contínuo da monarchia e da vida politica amorteceu e segui, como se os donos da casa, numa indolência de preguiça á beira do regato, se ficassem na somnolenta modorra de quem não dá um passo para salvar uma vida, no automático aborrecimento da propria vida. Durante um anno a politica portuguesa foi uma fuga constante do «salve-se quem poder». O partido republicano construiu serenamente o seu edifício ; e ninguem apareceu a reagir, opondo uma vontade a essa vontade, alimentando uma energia, erguendo um clarão de esperança. « Salve-se quem puder » ; « salve-se quem puder ». E nem quem podia se salvava.

Como um condemnado que se vê já a braços com a pena suprema e conhece que nada vale defender-se, os homens da monarchia abriam os alçapões e safavam-se por elles como diabos de mágica. [Read more…]

Uma boa notícia para as árvores

O lançamento pela Amazon de um Kindle (leitor de e-books, ou livros digitais, não confundir com tablets) é um salto na progressiva substituição do livro em papel pelo livro digital. Adeus Gutenberg, o suporte de leitura mudou, numa revolução só comparável à da impressão em papel substituindo a cópia manual em pergaminho.

Isto é possível (pese que o baratucho só está disponível nos States e inclui publicidade no screensaver) porque a Amazon vende livros, e quem adquirir este produto estará agarrado a comprá-los à Amazon. Quem quiser fornecer-se onde lhe apetece continuará a pagar mais, mas o preço vai rebentar com o mercado. E com os velhos livros em papel também.

Uma boa notícia para as árvores dos países produtores de papel. Se pensarmos no custo de produção de um livro digital, uma boa notícia para a leitura também.

Na mesma data o mundo dos tablets também mudou, mas sobre isso recomendo que leiam este artigo do José Freitas.

Festival de Observação de Aves em Sagres

birdwatching

Quem gosta de observação de aves tem, este fim de semana, oportunidade de localizar, identificar e conhecer muitas das aves que atravessam os céus europeus nas suas migrações anuais. Nesta época do ano, Sagres é o ultimo ponto de descanso antes das aves migratórias da Europa voarem para sul. Durante a migração outonal pode-se observar  mais de 190 espécies nesta zona.

E claro que, entre estas, contam-se muitas preciosidades, como a Águia-imperial, o Abutre-preto, a Cegonha-preta, o Falcão-da-rainha, a Águia de Bonelli, a Pardela-de-barrete, o Falaropo-de-bico-fino, a tarambola-carambola, etc.

Para além de andar de olhos postos no ar, terá ainda

saídas de campo para iniciantes, passeios de barco, acções de monitorização com especialistas, palestras temáticas, cursos, jogos, tertúlias, actividades de educação ambiental

entre outras iniciativas. Leve uns binóculos, uma boa máquina fotográfica e dedique-se à caça sem fazer vítimas. Eu, pessoalmente, já lá testemunhei reuniões enormes de aves preparando-se para rumar a sul e, em grandes bandos, desaparecendo no horizonte. Inesquecível!

Do no evil?

A Google faz 13 anos. Desde o motor de busca à computação em rede e sem esquecer as assim chamadas redes sociais, vimos em 13 anos uma empresa nascer e tomar-se omnipresente. Repare-se na evolução da computação e do tempo que cada fase levou:

  • 60’s e 70’s: a distinção entre aplicação e sistema operativo era dúbia;
  • 80’s: as aplicações foram-se tornando autónomas do sistema operativo;
  • 90’s e 2000’s: as aplicações passaram a ter o mesmo aspecto dentro do mesmo sistema operativo;
  • 2000’s ~ 2011: a computação mudou-se para a rede, saído do escritório para estar acessível em qualquer esquina de café.

Na actual tendência, as aplicações estão a fugir ao sistema operativo, ficando para este reservado o papel de gerir o equipamento. Como se o computador passasse a um telemóvel com mais capacidade de processamento. Nem tudo são rosas nesta abordagem. Se por um lado o utilizador deixa de se preocupar com instalar e manter software, por outro perde o controlo sobre as suas aplicações já que estas passam a ser disponibilizadas nos termos (e preços) que o fornecedor entenda. E que o legislador autorize, já agora. Exagero? Repare-se então na fome de controlo que têm os EUA e a UE relativamente aos conteúdos audiovisuais. Tudo tem um preço. Veremos até onde vai o slogan da Google «Do no evil» ou quanto tempo demora até se tornar em mais uma monopolista como o foram, no seu tempo, a IBM ou a Microsoft.

Os malandros dos neutrinos

Por causa dos malandros de uns neutrinos que, assim parece, andam mais depressa do que a luz e que já parecem os moços do IC19 que andam mais depressa na curva do Palácio de Queluz do que o seu veloz pensamento lhes permite, está a comunidade científica pasma. Sumidades nacionais e até, veja-se, mundiais, mal conseguem conter o espanto, que se traduz pelo suposto ruir dos pilares da física. Quando Einstein veio com a sua teoria da relatividade, deve ser sido assim algo que essa comunidade terá dito por causa das leis de Newton. E, afinal, a teoria da relatividade apenas expandiu a anterior. Quiçá se agora não se passará o mesmo?

Mas a comunidade científica, nacional ou não, não teria ficado assim tão surpresa se tivesse escutado João Magueijo. Recordo o que aqui se escreveu há uns tempos, que reutilizar também é preciso 🙂

Sábado

Hoje é sábado. Poderia ser outro dia se a luz viajasse com velocidade diferente. Que até viaja, já que nos tempos do Big Bang  a constante c era, afinal, uma variável.  E numa redoma de vidro, por não ser o vácuo, também a luz demora mais tempo a ir de um ponto a outro.

Portugal, dizem, está 25 anos atrasado relativamente à Europa. Parece que o tempo corre aqui a outro ritmo. Poderá assim ser por a luz no nosso rectângulo viajar a uma velocidade menor. O que faz sentido se atendermos a essa campânula vítrea que parece isolar os nossos governos do país que os rodeia.

Sobre a teoria da velocidade variável da luz e sobre João Magueijo, um dos seus autores, é de ouvir o programa Pessoal e Transmissível de 25 de Setembro de 2007

Mais rápido do que a velocidade da luz II

Já aqui escrevi dizendo que nada sabia escrever sobre este assunto. E, na verdade, não sei.

Mas sinto que não estou sozinho na ignorância e, apesar de não ser especialista, parece-me que até os mais sábios sobre o assunto estão em situação semelhante à minha (salvo seja, os seus conhecimentos são, pese a sua atual estupefação, maiores). Como tantos, apercebi-me num primeiro momento de que, se comprovada esta notícia, edifícios inteiros da Física Contemporânea, erigidos sobre o pressuposto de que nada no universo ultrapassa a velocidade da luz, ruiriam, seriam postos em causa ou, no mínimo, mostrar-se-iam clamorosamente incompletos.

Os cientistas, pelo que leio, mostram-se ainda relutantes ou aturdidos. Imagino que, como em ciência se exige, medições atrás de medições serão feitas até se confirmarem ou negarem os resultados, ainda que o porta voz da experiência Ópera, Antonio Ereditato, afirme

que os resultados agora do projecto OPERA para os neutrinos têm “baixa incerteza sistemática e elevada precisão estatística”

Imaginemos portanto, por um instante apenas, que a experiência se confirma.

Nesse caso não se terá necessariamente de afirmar que não restará pedra sobre pedra de um dos pilares da física moderna, como chega a afirmar um dos maiores físicos portugueses e pensamos, provavelmente, muitos de nós

Isto representaria, como diz Carlos Fiolhais, “derrubar uma coluna” essencial da física

Poderá, como diz Pierre Binetruy, director do Laboratório de Astropartículas e Cosmologia em Paris,

 significar que a teoria de Einstein “é válida em alguns domínios mas que existe uma teoria ainda mais global”

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O 18 de Agosto ou o 18 de Setembro

santigobebé

Para mi Weñe Javier Max Raúl Isley

Bem sabemos que no 18 de Setembro de 1810 o Reino do Chile ganhou a sua Independência da coroa da Espanha, como tenho explicado nos meus ensaios de Julho e Agosto deste ano. São 201 anos de autonomia, com um breve período de ditadura de 18 anos, que é melhor não lembrar.

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Mais rápido do que a velocidade da luz

Eu não sei falar sobre ISTO.

Apenas sei que nada sabemos.

*

Ler mais sobre o assunto, aqui

Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Máxima Culpa

Foi a sua persistência, a da sua mulher Jenny e a de Friedrich Engels, o amigo eterno, que Karl Heinrich Pembroke Marx foi capaz de descobrir a formação do capital e convertê-lo numa fórmula que todos deviam saber. Sem saber economia, como tenho referido entre outros dos meus livros:

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Provado suicídio do Presidente Salvador Allende

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Morávamos na 6ª Carlton Terrace, em frente a Holyrood Palace, a casa da Rainha Mary Stuart, mais tarde da Monarquia Britânica. Tinha, entre 200, ganho o terceiro lugar para acabar os meus estudos de pós graduação em Antropologia e Ciências da Educação. Éramos a minha mulher, a nossa única filha Paula, hoje psicanalista, e, por parto, os nossos amigos argentinos, a família Gaudio, Ricardo e Sida e o seu filho Santiago. [Read more…]

O 11 de setembro que mudou o mundo

Friedman e Pinochet

No dia 11 de setembro de 1973 um golpe militar chefiado por A. Pinochet derrubou o governo do Chile presidido por Salvador Allende, eleito socialista que governava recuperando a unidade dos primeiros governos de Frente Popular. Foi para a esquerda um acontecimento que fecundou na altura discussões eternas sobre via eleitoral e via revolucionária, já para não falar da denúncia da mãozinha do Kissinger, sua CIA e governo dos States. A nostalgia ainda hoje é essa.

Para o Portugal que poucos meses depois iniciou um Processo em Curso que a bem dizer nunca foi Revolucionário, o massacre da esquerda chilena (30 000 mortos, segundo a Amnistia Internacional, fora campos de concentração e tortura) pairava nas constantes ameaças de pinochetazo, abortadas num 11 de março precoce e desaparecidas com um 25 de novembro versão português suave.

Isto mudou o mundo?

aparentemente não, o mundo não é o Chile. O aparentemente serve para a versão politiqueira que os media e algumas ciências de ocasião vão fazendo.  Mas mudou, e muito.

Em 1958 a Pontificia Universidad Católica de Chile tinha estabelecido um acordo com a Universidade de Chicago através do qual vários dos seus alunos foram aprender com Milton Friedman aquilo que hoje chamamos de neo-liberalismo. Augusto Pinochet abriu-lhes a porta para governarem, assumindo o que ficou conhecido pela experiência dos Garotos de Chicago, feliz tradução na Wikipédia para Chicago Boys.

Sob uma repressão brutal e 20% de desempregados a mais torcionária das ditaduras sul-americana do fim do século passado, construiu isto: [Read more…]

A escola e a escola da vida

porta fechada

O governo proletariza os cidadãos

Sendo a escola um espaço obrigatório de passagem, que importância terá para aqueles que não foram obrigados a incluí-la no seu percurso de vida?

Sendo a escola local privilegiado de aprendizagem, como aprendem aqueles que não a frequentaram, que apenas o fizeram de uma forma rudimentar ou que a deixaram há muito?

Sendo a escola um espaço essencialmente frequentado por crianças e jovens, como relembrar os idosos o seu tempo de escola?

Sendo a escola um lugar público e obrigatório de aprendizagem, porquê colégios privados e caros? [Read more…]

Saber Aprender. Araucania e Europa

mapuche

Cidadãos Mapuche a cantar.

Para os meus filhos britânicos, o casal Camila e Felix Isley, que acabam de pôr no mundo Weñe Javier para acompanhar a sua irmã May Malen, nome Mapuche (Malen: menina linda). Não uma Elisa como eu pretendia… uma Elisa, como a de Beethoven… que sabem aprender ao estar sós à espera do… aparecimento do irmão, o Weñe Javier – sendo Weñe outra palavra mapudugum da Nação Mapuche que habita o Chile: rapaz lindo e inteligente. É assim como aprendemos… para saber

São dois verbos aparentemente contraditórios. O primeiro parece indicar a actividade de conhecer o que se faz; o segundo, a de colocar na mente de uma pessoa, ideias novas. Parecem contraditórios e, no entanto, são actividades que precisam de andar juntas. O aprender está normalmente associado a educação. No entanto, no meu entender, é um acto contínuo ao longo da vida. [Read more…]

Do brioche ao broche

É contra todos os meus princípios roubar nos redis sociais desta forma mas não resisto, por amor e devoção à história.

As crianças crescem

imagem noticias

(texto em quatro andamentos, escrito velozmente ao som de Tchaikowsky)

Para o meu primo consanguíneo Pablo Morales Redondo, falecido anteontem

Pequena introdução

Éramos 21 primos consanguíneos, filhos de cinco imãs e de um único irmão. As nossas férias ou eram na nossa quinta de Laguna Verde, sempre juntos, ou nas várias fazendas da família. Sempre juntos, agrupados apenas por grupos de idades. Pablo era o rei dos primos, o mais velho, o mais elegante, o mais sábio. Sabia partilhar a sua sã alegria com os seus pais e as suas irmãs. Ironias do destino: nasceu num primeiro de [Read more…]

Crianças, os senhores do mundo esmagam os fracos?

Salvador AllendeXanana

…meditação de docente perante discente…no começo do ano escolar… a uma pequena que nunca foi a escola antes deste dia

É com uma certa tristeza que vos digo isto. É com stress e melancolia. É a lamentar não poder ser poderoso perante vós. É a pensar que é bem possível que eu seja um senhor do mundo em frente dos pequeninos. É a reparar que, por vezes, a vida nos [Read more…]