Inutilidades

Hoje, ao ler o Aventar, lembrei-me de Caeiro e de Pratt.

A utilidade, a empregabilidade, em determinadas áreas é uma questão que não faz sentido: qual é a utilidade da Música, da Matemática pura, dos Estudos Clássicos que destruíram em Portugal, e da Filosofia, que quiseram destruir mas não conseguiram? São coisas que têm a ver com o exercício da liberdade humana. Para mim, a ideia do livro nunca foi a ideia do útil, mas sim a do imprescindível, do amigo. Perguntar para que serve a Filosofia é o mesmo que perguntar para que serve um amigo: para tudo e para nada.

            – António de Castro Caeiro

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Pioneiros no Turismo

O Turismo do Porto e Norte de Portugal foi pioneiro no conceito de Lojas Interactivas de turismo. Uma forma dos turistas terem informação permanente, 24h e 365 dias por ano. A primeira loja do género abriu no Aeroporto Internacional do Porto (já abriram em Santiago de Compostela, Amarante e S.J. da Madeira). Quando o projecto estiver todo concluído, o Norte de Portugal terá várias dezenas de lojas em rede neste sistema.

Um primeiro passo rumo ao futuro. Por isso mesmo, não admira que este projecto seja candidato a um dos prémios da Publituris na BTL 2013 que arranca esta semana em Lisboa. Aqui fica uma breve explicação:

Lojas Interativas TPNP from Nextpower Norte on Vimeo.

Guerra civil

Os búlgaros tomaram a rua com vassouras nas mãos e o Governo caiu. Preços da electricidade privatizada (entregue a grupos estrangeiros) despoletaram a subida de tom. Propostas cidadãs de alteração à Constituição e de escrutínio activo do sistema representativo estão agora em cima da mesa do povo búlgaro. “Nós temos dignidade e honra. Foi o povo que nos deu o poder” disse o primeiro-ministro búlgaro, acrescentando que não participará “num Governo quando a polícia bate no povo e as ameaças de protestos substituem o debate político”. Um clima de guerra civil (olhado com altaneira indiferença pela generalidade dos actuais governantes) espalha-se pela Europa das desigualdades. [Read more…]

Serviços essenciais: mudaram as regras

Banda sonora

Não há dúvidas que a canção é uma arma. Acho, assim, muito bem, que se cante em protesto. Apenas sugiro que se diversifique mais um pouco as escolhas. Com todo o respeito pela “Grândola, Vila Morena” e pelo Zeca Afonso, com todo o respeito pela máxima “O povo é quem mais ordena” e pela herança revolucionária, acho que seria, também, de cantar bem alto outras canções que fazem, outra vez, todo o sentido, como por exemplo:

Entram empresários moralistas. Entram frustrações. Entram antiquários e fadistas. E contradições. E entra muito dólar, muita gente. Que dá lucro aos milhões.

Isso mesmo, cante-se também a “Tourada” de Ary dos Santos e Fernando Tordo:

Aceitam-se mais sugestões.

Filhas, o vosso avô morreu…

Hoje, dia 11 de Fevereiro, a vossa mãe ficou órfã de pai. Isto quer dizer que vós, minhas queridas filhas, acabais de perder o primeiro dos vossos avós. O vosso avô materno. O vosso avô Zé.
É véspera de Carnaval. Todo o dia esteve estranho, alternando entre algum sol e muita chuva miudinha. Como o pai não trabalha e não vos levámos para o infantário, decidimos ir convosco a Esmoriz, para brincarem numa sala meio ATL, meio parque de diversões fechado, que adorais.
Almoçámos lá e, quando chegámos ao tal sítio, estava fechado. Pelo que nos disseram até é possível que tenha fechado de vez, como todos os negócios têm fechado neste país.
A tarde ficou horrível, chuvosa e muito ventosa e fria, mas o vosso pai lá arranjou maneira de andar a brincar convosco. Eu vi o mar de Inverno que adoro.
Está um tempo horrível. Sinto-me chateada, aborrecida, farta. Regressamos a casa pela Estrada Nacional. É bem mais agradável do que a Auto-Estrada. Passamos a Feira de Espinho. Ao ver aquela confusão, perguntas o que é, Leonor, e lá te dizemos que é uma feira muito grande. Vais reparando em tudo o que vês pelo caminho e vais comentando tudo. Tu, Carolina, segues o exemplo da tua irmã e lá vais também falando do que vês pela janela do carro novo.
Como ainda é cedo, e entretanto estais as duas a dormir, o pai pára em frente à praia de Salgueiros, para eu poder, mais uma vez, ver aquele mar que adoro. Saio do carro, apanho aquele vento forte e frio na cara, tiro umas fotos. Não me apetece vir embora, mas são horas. Sinto-me apaziguada, como sempre, depois de ver o mar Invernoso.
Quase a chegar ao Periscópio, no cruzamento da rua por onde passa o metro no empreendimento Cidade Jovem, o meu telemóvel toca. É a vossa avó. Estranho… Ela sabe que vou trabalhar a essa hora. Comento com o vosso pai: «a minha mãe… Será alguma coisa com o meu pai?» Faço esta pergunta sem sequer imaginar a gravidade, a profundidade do que já aconteceu e eu não sei. Imagino mais uma ida para o hospital.
«Nena, o pai acaba de falecer», anuncia a voz embargada da minha mãe. Reajo: «Mamã, estou a caminho do Periscópio, vou já para aí». Desligo o telefone. Anuncio ao vosso pai: «O meu pai acaba de morrer. Vamos já para lá.»
As duas já tinham acordado. Tu, Leonor, sempre atenta, percebes que se passa alguma coisa. Perguntas o que aconteceu. O que é que a avó me disse. [Read more…]

Carrega Aqui…

boobstagramVá lá, é por uma boa causa.

Os pró-Koala em defesa de Relvas

ursoSolidários e militantes activos, os ‘jotas laranjinhas’ estão no terreno em  campanha de defesa de Relvas.

Apoiados pela associação pró-Koala, e  com recurso de alegoria apropriada, estão a promover a distribuição de um autocolante, onde se lê:

Eu tenho as necessárias ‘koalaficações’

Quem andou pelo ISCTE a cantar “Grândola, Vila Morena’, a negar a liberdade de expressão do ministro e, sobretudo, a fazer juízos injustos da licenciatura e da equivalência em 32 cadeiras na ‘Lusófona’, desengane-se! O homem é mesmo “koalaficado”.

(Nota pessoal: lamento que, ao contrário do simpático Koala, não seja este tipo de ministro que esteja em vias de extinção).

“A corrupção abolirá todas as fronteiras…”

Se o mundo é global
Não pode a corrupção
Cingir-se ao local
Como se em contramão…

 Tem de se projectar
Galgar   fronteiras
Tem de se universalizar
Avassalar eiras e beiras

Mas o combate local
Associado aos mais
É superior, bem superior
À mera soma dos iguais

E é localmente,
Sem se questionar
Que se tem de principiar
Principalmente…

Como ponto fulcral
A atingir, a alvejar
Prá moral social
Se almejar!

“Até quando você vai levar

 

2marco

 

e ficar sem fazer nada?”

«De repente, uma sombra de medo

começou a pairar sobre as cabeças de muitos dos nossos políticos de tribuna e comentadores de cátedra. (…)» Rui Bebiano, atento. n´A terceira noite

“Não é por aí. Não é por aí…”

Olho para a fila das 28 caixas de pagamento do hipermercado e percebo que só duas estão a funcionar. Escolho a que menos gente tem e aguardo com dois artigos na mão. Um funcionário solícito aborda-me para que eu use as máquinas de pagamento “self-service”. Declino o convite, dizendo que preferia esperar numa caixa, pois estaria a defender o posto de trabalho de quem nela trabalha. Tive como resposta uma frase que me fez soar uma espécie de alarme: ” Pronto… Opiniões não se discutem“. Reflecti de modo relâmpago em semelhante afirmação. “Opiniões não se discutem“?! Gostos, sim, agora opiniões?! Optei por lhe explicar o que eu pensava ser óbvio: “Um dia que os funcionários das caixas sejam todos substituídos por máquinas, mais desemprego vamos ter, e já basta como ele está. É por isso que prefiro esperar aqui“. Contava que a coisa ficasse por aí, mas foi muito breve a minha ingenuidade, pois recebi de volta uma frase lapidar: “Não é por aí. Não é por aí…“. Tal fez-me recolher ao silêncio, com a ajuda de algumas vozes de concórdia de quem me acompanhava na fila. Não que não tivesse resposta, mas tinha de tão pronta quanto brusca e, provavelmente, mais ainda de inócua face ao meu interlocutor. O que pensei, para mim guardo. E cada um que agora pense que lhe aprouver do que ora acabo de contar.

Ficções à hora errada, no comboio errado, no país errado

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Haverá sempre duas leituras para o mesmo facto. Para o mesmo acontecimento. Para a mesma situação.

Por mais viral que se torne uma conjuntura nas redes sociais, haverá sempre as duas faces da moeda.

Sobre a vaga de indignação que se abateu contra a GNR no caso da cadela sem bilhete, também as opiniões divergem.

A primeira é esta.

De seguida, os jornais dão eco e obrigam as autoridades a responder.

Finalmente, na blogosfera, sob o título “Os meus amigos carneiros que comem tudo”, as concepções destoam.

Ah! Esta dicotomia do nosso (des)contentamento!

Que bom é viver em Portugal, nesta democracia musculada, com esta realidade tão genuína…

Sai uma dose de estrangeirismos para a mesa do canto!

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Sabe-se lá porquê, a minha prima Lita tem de apelido Mendonsa. Assim mesmo, com “s”, que lhe adveio do marido, ele também emigrado nos States até se passar, já lá vão muitos anos.

Viviam numa cela, como dizia, no que para nós, portugueses de Portugal, era uma cave, e tinham por vizinho um airicho (de irish, está-se mesmo a ver), consumidor inveterado de bias, que partilhava com Komrij, um docha, seu único parceiro habitual, agora que Jonim Mendonsa partira para o outro lado da vida, na versão daqueles que – ainda – acreditam no Além. Os outros terão dito que entregou a alma ao Criador, se são crentes, ou, caso contrário, terão afirmado, ainda que incorrectamente, que foi para debaixo da terra. É que, de facto, foi para cima da água: Lita mandou-o cremar e espalhou as cinzas no mar, do exacto local em que foi concebida a filha mais nova numa madrugada de luar e apetites, daqueles a que não conseguimos negar a evidência e a vontade. [Read more…]

Como contratar um iraniano em Portugal

Em tempos, que me conste a legislação tão inspirada em Paulo Portas não mudou, conheci o estranho mundo da contratação por uma entidade privada portuguesa de um cidadão estrangeiro absolutamente especializado naquilo de que precisávamos.

No caso uma companhia de teatro e um argentino, actor, encenador, e sobretudo praticante de teatro acrobático, na altura inexistente em Portugal.

O processo é simples: pede-se ao IEFP o que pretendemos, o pedido é espalhado pela pátria, não havendo ao fim de x tempo ninguém que corresponda podemos passar à papelada seguinte até à autorização de trabalho para cidadão estrangeiro, etc, essas coisas simples que distinguem um emigrante em situação legal de um clandestino.

Tivemos azar: o IEFP local ligou e perguntou-me na cara se aquilo não era um perfil muito especializado só para legalizar um estrangeiro. Descaí-me, acabei a perguntar-lhe como é que os clubes de futebol da zona contratavam os seus especialistas em bolas paradas ou remates de cabeça ao fundo da baliza, não apreciaram a comparação, correu mal. Passei depois uma manhã a ligar para o Ministério da Cultura acabando na secção de Dança, só sabiam de casos em importação de coreógrafos, mas nem com essa simpática cooperação encontrámos outra forma de satisfazer o SEF. Sim, o SEF, de quem neste caso o IEFP foi amigo. O SEF é que exige a declaração do IEFP em como ninguém respondeu à oferta de emprego que obviamente exagerámos. [Read more…]

Crato Gang

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E Tudo Isto por 485 Euros!

Funções de intérprete em negócios com outros países (nomeadamente o irão) e relações publicas. Disponibilidade para longas viagens internacionais (periódicas) em representação da empresa. Trabalho de secretariado (gestão de encomendas). Trabalho de desalfandegamento de bens importados. Tradução de documentos para outras línguas. Atualização de informação diretamente em base de dados e paginas web. Tarefas contabilísticas. Facilidade de trabalho em ambientes linux, redes de comunicação, base de dados e web. Outras funções e tarefas:- nativo persa/farsi. Fluente em inglês, português. Conhecimentos avançados de alemão, espanhol, italiano e mandarim;- fácil acesso ao irão. Com habitação em teerão; – disponibilidade para viajar internacionalmente periodicamente;- contatos comprovados com empresas de peles, especiarias, material electrónico e informático;- conhecimentos de programação de aplicações (java, c, c#, vb), conhecimentos de base de dados (oracle, mysql, h2, monetdb, mongo), conhecimentos de design web (html, css3, ajax, jquery, php, photoshop, ai, fw), conhecimentos de redes de comunicação (tcp/ip, udp, voip, ipv4, ipv6);- conhecimentos de normas iso9000, iso9001 e sua implementação dentro da organização;- conhecimentos de linux (bash);- conhecimentos avançados de contabilidade a nível internacional.”

Salário: 485 euros. Menos era crime…

Mulher e estendal

Como outros passeiam os cães de companhia, ela traz à rua o seu estendal. É preciso que vos diga que não é capricho nem bizarria, não há nela nenhuma excentricidade. É que há casas que são tão pequenas que nem o sol lá consegue entrar. E secar a roupa nesta cidade é um problema de que não se fala. Há casas baixinhas, sombrias, infiltrações de água, paredes corroídas, azulejos que se desprendem das paredes, senhorios que vivem longe e não assistem à lenta agonia das casas que arrendaram, há miséria, miséria, tantas formas de contar a miséria nesta cidade. Até a água a conta, no seu percurso sinuoso pelas paredes de casa, a tinta a estalar em crateras amareladas, a mancha negra a alastrar no tecto, “qualquer dia caem-nos os vizinhos em cima”.

Num cantinho da sala ficava o estendal e era preciso afastá-lo para passar. E a roupa não secava. Lavava-se ao sábado e os dias passavam, a roupa ganhava cheiro a humidade, a janelas fechadas, à comida que se cozinhou, e não havia forma de ficar seca. E a roupa húmida no corpo, não há pior, esse frio que vai atravessando a pele, fica-se gelada até à alma. Então lembrou-se de ir ela atrás do sol. [Read more…]

Valha-nos S. José

Zita Seabra vai proferir na paróquia de S. José, em Coimbra (na minha rua…), uma comunicação integrada no ciclo de Conferências Quaresmais cá do sítio.

Temei, ó crentes da minha Freguesia! É que o discurso da ilustre oradora intitula-se “De Marx a Cristo”. E tendo a Zita formado o seu marxismo na leitura ligeira de um básico catecismo estalinista (ler Marx dá uma trabalheira…), tudo leva a crer que constituiu a sua representação de Cristo a partir de um daqueles catecismos que tiravam o sono às crianças e imbecilizavam os adultos na primeira metade do século passado (dá uma trabalheira ler os evangelhos e aqueles teólogos complicados…). Assim, movido por um sentimento de misericórdia para convosco exorto-vos, caros paroquianos meus vizinhos, a que, depois de ouvirdes a oradora, lhe rezeis pela alma. Se lha encontrardes, claro.

Coca Cola nas veias

Nos dias que correm tenho-me lembrado de uma alta patente militar, da oposição ao regime de Salazar, com quem tive uma conversa antes de 1974. Tinham ocorrido manifestações de estudantes que, pela primeira vez, partiram à pedrada montras de bancos para os lados da Escola Politécnica. O militar estava contra e achava incivilizado. Eu, subscrevendo Gondi quando afirmou que “quando os que mandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”, respondi enxutamente que preferia ver as pedras atiradas à cara dos governantes e que me nauseava uma oposição de opereta que não passava de cartas clandestinas e abaixo assinados que a Pide valorizava prendendo os seus signatários. Ele achou, escandalizado, que eu sugeria um desconchavo. Ficámos desentendidos. Mas não havia nada a fazer com um homem que acreditava no Pai Natal e na amantíssima esposa, uma que lhe fazia inenarráveis cenas de ciúmes e o deixou cego e paralítico com umas doses de arsénico quando se apaixonou por outro mais novo. Voltei a encontrá-lo depois do 25 de Abril, muito eufórico e a querer saber se a coisa tinha sido a meu gosto. Ficou fulo quando lhe respondi que tinha preferido uma revolução com grande fartura de pancadaria e contas ajustadas, mais me parecendo aquilo um golpe de floristas a prometer muita cobardia e confusão. Infelizmente, não me enganei. Aquilo que mais abominei no regime de Salazar foi a hipocrisia e a perfídia com que castrou o povo. Quando dali a pouco se cometiam as maiores tratantadas, vi com desgosto que ninguém tinha estaleca para pegar em democratas do 26 de Abril pelos fundilhos e atirá-los de janelas altas, pondo tudo na conta da “justiça revolucionária” propagandeada pelos arautos dos amanhãs que afinal não cantaram. Com isso tinham-se evitados grandes crimes sobre o corpo martirizado da Pátria, porque há uma gentinha neste mundo que só percebe e acorda à estalada. É uma perda de tempo a gentileza e as boas maneiras com tal gentinha.

Na minha geração houve muitos adeptos do politicamente correcto que é como quem diz, muitos com coca cola nas veias, sendo que a coca cola é a água suja do capitalismo. Que a terra lhes seja leve. Felizmente, quase 40 anos depois, há uma geração que se borrifa no politicamente correcto e trata os políticos desavergonhados como eles merecem ser tratados.

Afinal, há motivos para esperança. Bendita juventude!

SNS e Exploração Capitalista da Saúde (ECS)

A destruição do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um facto e pode considerar-se um crime de traição, um crime de lesa-Pátria que ficará na História deste Portugal de quase mil anos.

Tudo isto pela força-fraqueza de políticas de direita, muitas vezes ditas socialistas, ignorantes, insensíveis, medíocres, incompetentes e tantas vezes corruptas, e com a falta de moral e desprezo social indispensáveis ao dobrar de joelhos perante os poderes diabólicos que as comandam.

O embrião do SNS começou a gerar-se há meio século, quando Miller Guerra era Bastonário da Ordem dos Médicos. Posteriormente, o Relatório das Carreiras Médicas foi um passo gigante no caminho do que, uma década depois, se haveria de tornar num dos mais modernos serviços de saúde pública. Apresentado por António Arnaut, o diploma criador do SNS foi aprovado no parlamento. Em trinta anos, o SNS transformou a saúde em Portugal, conseguindo aproximar este país dos países mais avançados do mundo em termos de saúde pública. [Read more…]

Por que ri a vaca que ri?

Piada «sacada» do Facebook.

A nota de Relvas

a nota de relvas

Os portugueses   repudiam

quem não os deixa comer, trabalhar ou ter um tecto, continuar a viver em Portugal, contar com o Estado social para que contribuíram, existir com dignidade. Repudiam quem não os respeita nem aos seus protestos.

Um condenado presumivelmente inocente armado em virgem impoluta

aacA maior vergonha da história da Associação Académica de Coimbra chama-se José Eduardo Simões, presidente do seu Organismo Autónomo de Futebol.

Manchando o nome de uma instituição centenária, que não é um clube de futebol mas aceitou ter no seu seio um clube de futebol profissional, acumulou esse cargo como a direcção autárquica das obras e urbanismo. Junte-se o fogo com a estopa (responsabilidade política de Carlos Encarnação) e temos licenciamentos de obras a troco de dádivas para o clube.

Vem isto a propósito da sua última tirada: uma queixa na ERC contra o blogue O Sexo e a Cidade, onde habitualmente é referido como José Condenado Simões, que se registou como publicação periódica precisamente porque o dito cujo o impedia de aceder às actividades do clube reservadas à imprensa, coisa que nem a Câmara nem os tribunais fazem, baseando-se nesta espantosa argumentação: [Read more…]

Miguel Sousa Tavares ‘online’

Confesso ser leitor assíduo da coluna de Miguel Sousa Tavares no ‘Expresso’, o que, todavia, não significa estar incondicionalmente de acordo com tudo o que escreve. Em diversos artigos, e embora se exiba como detentor absoluto da verdade, comete erros, como outros. Atreve-se de volta e meia a julgamentos inexactos e reveladores de desconhecimento da matéria por si abordada.

Estou a lembrar-me de, há algum tempo, ter publicado no ‘Expresso’ uma opinião sobre as reformas. Invocou uma conversa com uma idosa que se lhe dirigiu, a queixar-se de viver com dificuldades.

Sousa Tavares, assumido sábio e polivalente em conhecimentos científicos – evite-se o epíteto de ‘tudólogo’ – fez de imediato as contas aos 11% de quotização de décadas que a senhora pagou à Segurança Social e sentenciou: “como se comprova, com este nível de descontos, é impossível ao Estado pagar-lhe um valor mais alto de reforma”.

O conhecido escritor, jornalista, comentador, seja lá o que for, esqueceu-se ou ignorou que aos 11% de quotização teria de incrementar 23,75%  correspondente à agora designada Taxa Social Única dos trabalhadores dependentes, que os empregadores entregam mensalmente ao Ministério da Segura Social, para financiar prestações sociais, como as próprias reformas, os subsídios de desemprego e outras prestações – seria útil que Tavares lesse o LBSS – Livro Branco da Segurança Social ou ‘Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza’ de Carlos Farinha Rodrigues que, na última edição do ‘Expresso’, página 33, publicou o artigo ‘Segurança Social: quinze anos passados’. Teria, então, a oportunidade de concluir que a aritmética de que se serviu é uma base científica errada e elementar, demasiado elementar, para analisar e extrair conclusões rigorosas sobre a sustentabilidade da Segurança Social, assim como os níveis de reforma daqueles que não tiveram a sorte de passar cinco anos pelo Banco de Portugal, dezoito meses pela CGD ou uma dúzia de anos pela AR.

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Próxima eliminatória do Festival da Canção de Grândola

relvas portas
Dizem que Paulo Portas vai actuar com orquestra e capote alentejano.

SNS 2013

Na linha de montagem do hospital público espero que o tempo, a indiferença e a desumanidade passem, espero com filosofia, com dúvida, com esperança, tentando ver para além do medo nos olhos dos aflitos que esperam comigo. No hospital público cheira mal, está demasiado calor, demasiado desespero, demasiada solidão, demasiada morte para cada um no final da linha de montagem, demasiado sistema informático, demasiados graus de prioridades relativas, e insuficientes médicos, enfermeiras, compaixão, capacidade humana. No hospital público europeu que parece um de campanha em África mas com computadores, cheira aos miasmas do Inferno, há mulheres aterrorizadas que gemem na língua dos crentes “ai Jesus acode-me”, “Pai, onde Estás?”, e o segurança dorme sentado numa cadeira de rodas.

Tribunal incompetente

Jardim Gonçalves vai manter reforma mensal de 167 mil euros. (de quantos anos de trabalho precisas para ganhar 167 mil euros?) Tribunal assumiu-se incompetente para apreciar a pretensão do BCP.

Sim, podemos

Apesar da carga policial, os vizinhos de Aurelia Rey, de 86 anos, conseguiram, pela segunda vez, impedir a execução da sua ordem de despejo. Foi hoje, na Galiza.