Caminharmos pelo nosso próprio pé…boto

É no mínimo macabro o projecto do governo para cortar, de uma penada e com consequências trágicas para os cidadãos do País, os 4 mil milhões de despesas públicas. O alvo principal é o Estado Social – reduzir o SNS a ínfima expressão, limitar o ensino público a serviços mínimos, dificultando o acesso a alunos de meios carenciados, através do encerramento de escolas e o despedimento de professores; processo este que, menos ambicioso na maldade, o PSD e CDS tanto criticaram à governação de Sócrates.

Sem ponta de coerência com as promessas feitas aos eleitores, sustentado por Portas, o ‘santo protector dos contribuintes’, Coelho, obediente ao financeiro Gaspar, banalizou a falta de ética, seguindo e excedendo os caminhos da ‘troika’; em especial, as prescrições assassinas do FMI que, em muitos outros países, curou milhões de doentes através da terapia da morte.

Em Aveiro, voltou a ser vaiado. Já se habituou e dificilmente a falta de vergonha lhe sairá da pele, do empedernido cérebro recheado de neoliberalismo e, portanto, do comportamento imoral que cultiva.

Conquanto desmascarado à exaustão por falsas e incumpridas promessas, declarou:

Não estamos a pensar a tornar permanentes os cortes [anunciados como provisórios]

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Pela hora da morte

É verdade, morrer está pela hora da morte. Pelo menos neste país.

Faz precisamente hoje uma semana, vi-me confrontada com aquilo que todos sabemos que vai acontecer, mas tentamos nem sequer pensar que vai realmente acontecer: a morte dos nossos progenitores.

O meu pai morreu há uma semana. Se eu não me atrasar na redacção, fará exactamente uma semana no momento em que este post for publicado. Será mais uma das pequenas e simbólicas homenagens que lhe posso fazer. [Read more…]

À Minha Tia-Avó Amélia

Um telefonema. A notícia. Foi esta madrugada, agonizando entre as 06:30 e as 08:30 da manhã, que a minha querida tia-avó Amélia soltou amarras. Sabendo-a em doença terminal há semanas, uma daquelas gravíssimas situações dormentes e insuspeitas as quais, mal se manifestam, em menos que nada aniquilam a vítima, tive, na passada Quarta-Feira de Cinzas, um impulso interior poderoso para visitá-la. E fui. Foi como se todos os meus amados mortos do lado materno — o meu Avó Joaquim, a minha Avó Ana, os brasileiros meu querido Tio-Avô Manoel e a minha Tia-Avó Madalena, a minha querida tia-Avó Madrinha Emília, gente que amei e me amou [a Tia Madalena partiu em Agosto do ano em que nasci] —, gerassem no meu coração um ímpeto de despedida e de consolação. Ai de mim se não obedecesse ao que me gritava o íntimo.

Ao influxo das suas vozes vivas, meu coração-vela panda foi ajoelhar-se ao pé daquela lucidez bruxuleante, tomar-lhe a mão, beijá-la, beijá-lá muito, muitas vezes, e à sua fronte, beijá-la muito, muitas vezes, dizer-lhe que me era querida, dizer-lhe que tudo correria bem, invocar numa prece Jesus, o Deus Vivo, Espírito Consolador da Estirpe Humana, ser, enfim, abençoado pela irmã da minha querida Avó Ana, no Seio de Deus há vinte anos.

Logo me reconheceste. [Read more…]

Razões para acreditar

Porque o que não nos mata, …

A abdicação de Bento XVI explicada

Bento XVI abdica

Um mau padrão de comunicação:

Expresso } Economia } 16 de Fevereiro de 2013

(texto escrito no Forte Apache)

Imaginem um blogger que escreve um artigo crítico sobre um banco português. O seu blogue, pessoal, conta com poucos mas bons leitores. O director de comunicação (???) do banco em causa, fica irritado com o texto e resolve telefonar ao blogger, ameaçando-o. Como não fez o trabalho de casa, não sabia que o blogger em causa escrevia, igualmente, num outro blogue. Um blogue de forte audiência nacional (juntamente com o Educação no meu Umbigo e o Arrastão, lidera a blogosfera política nacional). Comprou uma guerra desnecessária e estúpida.

Esta breve história aconteceu, recentemente, em Portugal. Da blogosferapassou para as páginas dos jornais (e só não passou de forma mais intensa porque o blogger em causa não está para isso). Do nada, o director de comunicação do BES, criou uma tempestade. Foi de um amadorismo inacreditável.

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Miguel Relvas no Clube dos Pensadores

Confesso que estou surpreendido – o Relvas, em público, a responder a questões de quem aparecer!

Joaquim Jorge continua a surpreender e amanhã, pelas 21h30, há mais um bom motivo para aparecer em Vila Nova de Gaia.

Queria continuar o post com uma pergunta ao Relvas, mas não consigo. Gostaria de lhe conseguir tirar a máscara de homem falso que ele aparenta, queria questionar a trapalhada à volta das equivalências, mas a urgência das nossas vidas exige antes uma reflexão:

Estas receitas de austeridade a todo o custo, não são apenas um ajuste de contas com as conquistas que os pobres, isto é, quem vive apenas do seu trabalho, tiveram depois de Abril?

Que outras perguntas podemos fazer a Miguel Relvas?

Dentro de ti, ó cidade

A orquestra Solfónica, do movimento 15M, toca “Grândola Vila Morena” na Plaza del Sol. Foi ontem à noite, no coração de Madrid.

via Que se lixe a troika!

O sociopata

16300_403710699722323_1767365129_nsociopata é um animal bípede, da espécie humana, mamífero porque se alimenta de leite nos primeiros tempos da sua existência, omnívoro depois, consumindo, inclusivamente, seres da sua própria espécie. Caracteriza-se por um comportamento afectado e impulsivo, apresentando uma total ausência de empatia para com humanos e animais em geral, desprezo pelos valores morais e sociais bem como pelos direitos e sentimentos dos outros, cujo bem-estar despreza, provocando, pelo contrário, sérios prejuízos e desgostos a quem com ele convive. Interesseiro, manipulativo e egoísta, refina, com o crescimento, o desprezo pelas obrigações sociais afastando-se, cada vez mais e conforme os anos vão passando, das normas sociais, mostrando baixa tolerância às frustrações e baixo limiar de descarga de agressividade. Nem punições nem experiências adversas o corrigem.  Incapaz de qualquer afecto duradouro, especialista em racionalizar e culpar os outros consegue, com perversidade – a psicanálise classifica este transtorno de personalidade como uma perversão -, mostrar a capacidade de sedução que lhe permite encontrar explicações plausíveis para todos os seus actos, mesmo os mais torpes. Não hesita em usar a mentira, a calúnia, a omissão, a distorção dos factos para atingir os seus objectivos. Patologicamente egocêntrico, é incapaz de lealdade, sentimentos de afeição ou solidariedade. Mentiroso compulsivo, consegue dolosamente, contudo, fingir episodicamente tudo isto, se tal servir os seus propósitos; sem remorso de ferir, maltratar, vigarizar, roubar familiares, amigos, concidadãos. [Read more…]

Grândola universal

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A canção da nossa Libertação em 20 versões diferentes, cantada por finlandeses, suecos, brasileiros, chilenos, italianos, norte-americanos, alemães, holandeses, e portugueses, claro. Para todos os gostos e em todas as línguas e músicas. Aqui, para ir recordando a letra e a música.

Tomar no cu: o esplendor da lusofonia

tumblr_lqpykqnRXN1qhrgdxFrancisco José Viegas (FJV) tornou pública a ameaça de mandar tomar no cu qualquer fiscal que queira confirmar se o ex-secretário de Estado pediu a factura das despesas realizadas. Especifica, ainda, que tal ameaça poderá ser concretizada “à saída de uma loja, um café, um restaurante ou um bordel (quando forem legalizados)”.

Em termos formais, é importante começar por notar que há alguma desregulação ortográfica no texto de FJV: enquanto secretário de Estado defendeu a aplicação do chamado acordo ortográfico; o blogger, embora, aparentemente, siga as regras que constam da reforma de 1945, prefere escrever má-criação sem hífen, o que é, no fundo, uma maneira de tratar a ortografia como se fosse um fiscal das Finanças. [Read more…]

Ao encontro da memória

Eu sei que, por aqui no Aventar, andamos todos atentos ao que se escreve e que pode ter interesse para desmistificar a elite política de gestores que a troika comanda para nos empobrecer, para nos tirar o que de menos mau ainda temos.

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Mas não resisti, em nome e para memória futura, a publicar neste espaço o excelente momento de Teresa Beleza, dedicado à mãe.

Teresa Pizarro Beleza é irmã de Leonor Beleza e Miguel Beleza, e, além de professora de Direito Penal, é directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

Esta carta foi publicada no jornal Público de 5.ª feira, 10 de Janeiro de 2013, e, como só pode ler lida online por assinantes do jornal, ou por quem o adquiriu nas bancas, aqui fica a transcrição, sob o título:

Carta a minha mãe sobre o SNS e outras coisas em Portugal[Read more…]

O profético e preclaro Miguel Relvas

A maior parte dos portugueses estão conscientes de que os insucessos provocam no governo ataques generalizados de crendice e profecia. A situação não é inédita. Em Agosto de 2012, teve o ponto alto – origem do nome PONTAL, por efeitos de contracção – com a declaração célebre e premonitória de Passos Coelho de que 2013 seria o ano da recuperação.  Estamos a notar.

A propósito da queda superior do PIB em 2012, além do Álvaro amargurado com a Europa, tivemos o notável Miguel Relvas, a profetizar:

[…] Todos os dados apontam para que a partir de 2014 começaremos a ver indicadores nesse sentido [a recuperação]

Esclarecedor e convincente não é?  Também, em miúdo, tive um vizinho que garantia ter dados e o privilégio de, sozinho, ver OVNIS às três da madrugada. Com estas loucuras, a mulher, os dois filhos e o próprio acabaram internados no manicómio. Olha o que nos espera, a nós e ao Relvas.

Às mulheres do matadouro

Num trabalho muuiiito precário que tive há anos, tocou-me, certo dia, ir em serviço a um matadouro.  Por essa época, eu fazia parte de uma equipa que executava (termo apropriado) no terreno aquilo que os piores criativos publicitários de todos os tempos haviam concebido nos seus cubículos bafientos de humidade e fumo de tabaco. Eram campanhas portentosas, originalíssimas, como a que se fez para certa marca de palitos, cujo slogan era “X, o palito de design europeu”. Abstenho-me de dizer a marca porque, para meu espanto, ainda existe.

As criaturas criativas tinham varrido o Portugal esquecido, aquele ao qual jamais chegavam propostas de publicidade televisiva, e tinham arrebanhado contratos a dar com um pau. Pelas encostas da Alcongosta, no Fundão, em Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Vila de Rei, até nas terreolas que tanto nos custava descobrir no mapa, não faltava quem quisesse anunciar o seu negócio, levantado do chão com mãos calejadas de trabalho ou alavancado às pressas por um fundo comunitário. Vai daí, toca a contratar (é uma forma de dizer) uns quantos imberbes desempregados e a fazê-los correr as terras da Beira Baixa, munidos de esboços de guião e câmara de vídeo, muita paciência e ainda mais ingenuidade. O salário era curto, mas no fim de cada semana não me faltavam as histórias para contar aos amigos. [Read more…]

Nada Será Como Antes

luto-ferroviarioSobre este assunto.

O flagelo do desemprego e as contas à FMI e à Gaspar

gráfico da Eurostat (2)

Tive de rasurar o gráfico com os dados do Eurostat, publicado apenas há doze dias (01-Fev-2013), relativos ao desemprego em Portugal. A taxa de 16,5% em Dezembro de 2012 agravou-se para os 16,9%, o que, segundo o ‘Público’, corresponde a mais de 923.000 desempregados. O INE, de forma mais analítica, precisa que a taxa hoje divulgada reflecte um aumento homólogo (Dez-2011) de 19,7% (+ 151.939 desempregados); aumento este que não reflecte as várias dezenas de milhar que, em 2012, resolveram emigrar e evitar a Vítor Gaspar uma dimensão maior dos erros que comete – em Junho de 2012 dizia a sábia figura que, em 2013, a taxa ficaria pelos 16%, tendo posteriormente o ajudante Pedro Martins,  entretanto afastado do Ministério da Economia e do (Des)Emprego, que o pressuposto do governo para o OGE deste ano ficaria pelos 16,4%.

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É carnaval…

O Carnaval deixou de ser feriado. O Turismo ficou a perder. A realidade é outra: hoje, dia de carnaval, as escolas não trabalham, parte das câmaras municipais não trabalham e o país fica parado ou a meio gás. Ou seja, o carnaval deixar de ser feriado é uma treta! Todos ficam prejudicados com esta medida: os que trabalham e os que não trabalham.

Bom senso é o que falta….

A distância entre o bem invididual e o bem comum

A Constituição da República Portuguesa diz, no seu artigo 1: Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

A fonte deste texto é a revisão constitucional de 1989. A redação originária era, após a Primeira Constituição nascida em 1976, a seguir à alegria e a bebedeira da liberdade da Revolução dos Cravos: Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação numa sociedade sem classe. A revisão constitucional de 1989 mudou o artigo, retirando a frase sociedade sem classes. O artigo 1 permanece como cito no começo do texto, após a revisão constitucional de 2005, para Portugal ser igual as outras Repúblicas da então denominada Comunidade europeia, hoje União Europeia. Como Doutor em Direito, especializado em Direito Criminal e em Constitucionalismo, interessa-me saber a história da nossa constituição.

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Independentes, a nova caderneta de cromos

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As desavenças entre os cromos de topo dos partidos políticos, recorrentemente os do arco de poder, aparecem sempre em vésperas de eleições, que se constituem assim como feira de vaidades para os egos esdrúxulos de muitos políticos que medram nas máquinas partidárias ao sabor de ambições pessoais e, quando o partido os pretere, não têm pejo em se hastearem como independentes, permitindo-se morder a mão de quem os ajudou a alcandorarem-se social e politicamente. Tantas vezes com o único mérito de serem o que são: arrivistas.

A lógica partidária tem ciclos de influência, e todos os militantes deveriam saber que, em determinado momento, as eminências serão outras, há que respeitar a alternância, virtude que todos reclamam para os outros como mandamento democrático, mas de que esquecem quando a “desgraça” lhes bate á porta.

Matosinhos está mais uma vez no topo desta lógica independentista de políticos outrora nas boas graças dos aparelhos partidários. [Read more…]

Bento XVI

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Afastei-me gradualmente da Igreja Católica e do próprio cristianismo no início do pontificado de João Paulo II, apesar de ser um confesso admirador do homem, afinal o nome Karol Wojtyla não pode ser dissociado do fim do império vermelho a Leste.

Além de ter perdido a fé, algumas tomadas de posição na Igreja Católica, com o dedo do então Cardeal responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, figura que nunca me inspirou qualquer simpatia, contribuíram decisivamente para aumentar o fosso que me separa da ICAR. Curiosamente estive em Roma poucos dias após a sua eleição pelo colégio dos cardeais, pude então constatar que não era o único, mesmo entre fervorosos católicos, existia grande admiração pelo recém falecido Papa e grande cepticismo sobre Bento XVI.
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As novas regras de despejo nos bairros do Porto

Há dias soube-se que a Câmara Municipal do Porto havia dado ordem de despejo a duas idosas por não terem respondido a um inquérito realizado pela autarquia, e apesar de terem as rendas em dia. Quando li a notícia sabia muito pouco (agora sei apenas um pouco mais) sobre as regras impostas aos inquilinos dos bairros camarários do Porto e nem imaginava que tinha entrado em vigor recentemente um  “Regulamento de Gestão do Parque Habitacional do Município do Porto”, documento para  qual teria o maior gosto em remeter-vos através de hiperligação, mas que parece não estar disponível online.  O cumprimento deste regulamento cabe à DomusSocial – Empresa de Habitação e Manutenção do Município do Porto, E.E.M., mas lamentavelmente não consegui encontrá-lo no site desta entidade.

Estou agora em condições de assumir que a minha desconfiança acerca da veracidade da notícia não foi, afinal, mais do que uma manifestação de ignorância acerca da política de arrendamento da habitação camarária da cidade onde vivo. A notícia estava correcta e, pior do que isso, a medida era legal, porque o Regulamento que citei anteriormente permite que o morador numa casa camarária seja despejado por não ter respondido a um inquérito no qual se pretende saber, entre outros dados, quais os rendimentos auferidos pelo agregado familiar para efeitos de actualização da renda. Se o inquilino for analfabeto, iliterato, etc,  se a sua idade, ausência de habilitações literárias, etc, o impedirem de responder ao inquérito, poderá bem ver-se despejado, como essas duas senhoras, ainda que conserve em seu poder todos os recibos de renda.

Em busca de informação sobre este despejo, descobri que, em Dezembro passado, a um ano das eleições autárquicas, a coligação PSD/CDS aprovou o citado Regulamento, que veio introduzir uma série de justificações legais para o despejo um inquilino de um bairro social, na cidade do Porto.  [Read more…]

E Tu, Já Fantasiaste Suicidar-te?

Querer morrer às próprias mão pode, em muitos casos, ter dentro também qualquer coisa de misteriosamente vaidoso e imaturo, golpe dado na passiva a quem pelo menos algum amor e zelo nutriu por nós e não ficará indiferente ao como acabamos. Não podemos julgar. Só compreender.

Algures na minha pré-adolescência, entre os meus intensos e apaixonados treinos de Ginástica Desportiva e de Karaté-Do, ficava-me um vazio social, uma anómala solidão: na escola e nos treinos separava-me deliberadamente dos meus colegas. Ficava metido comigo mesmo, convencido da excelência dos meus desempenhos, zelando pelo imaculado perfeccionismo da minha entrega física, para não falar no facto de a minha linguagem nada ter de chula como a da maior parte deles, no meu intolerante juízo. Não podia permitir que me contaminassem de prosaico e baixas expectativas. Tinha o exclusivo dos duplos mortais. Com dez, onze, doze anos, vivia na ilusão de atingir a perfeição moral e atlética através de uma feroz auto-disciplina. [Read more…]

Complexos sociais

Segundo o The New York Times (NYT), e a propósito do plágio da Ministra alemã que pediu ontem mesmo a demissão, a Alemanha é o país da UE com mais doutorados/ano: 25.000, o que diz do valor atribuído aos títulos académicos, pelos quais os alemães têm, diz o NYT, verdadeira obsessão. Se os alemães são obcecados, o  que são os portugueses?

Cabritismo de Luxo na Sonangol

Rafael Marques | MAKA ANGOLA

Francisco_Lemos-150x150Para a aquisição de prendas de natal para os membros do seu Conselho de Administração, a Sonangol disponibilizou, na quadra festiva, US $2.2 milhões.
Os sete membros executivos e quatro não-executivos da Sonangol usaram a milionária verba para comprar artigos de luxo para se ofertarem entre si e, também, para contemplarem alguns membros do governo. Entre os artigos eleitos achavam-se relógios, malas e outros acessórios de luxo de marca Cartier, Hermés, Louis Vuitton, Gucci, entre outras.
Além de Francisco de Lemos José Maria, que o preside, os restantes membros executivos do Conselho de Administração da Sonangol são Anabela de Brito Fonseca, Baptista Sumbe, Fernando Roberto, Sebastião Gaspar Martins, Mateus Morais de Brito e Raquel David Vunge. São administradores não-executivos Albina Assis Africano, André Lello, José Gime e José Paiva.

Feitas as contas, cada administrador dispôs de US $250,000 para gastar em artigos de luxo. [Read more…]

Moedas, o mensageiro

Carlos MoedasComo se depreendia, e ao contrário do afirmado previamente por Passos Coelho no estilo de torpeza que lhe é próprio, a reunião deste Sábado do Conselho de Ministros teve, como principal ponto da ordem de trabalhos, ‘o corte dos 4 mil milhões de euros para efectivação da ‘reforma do Estado’.

No final, e desta vez sem o auxílio da censora Galvão, lá apareceu o Moedas na função de ‘mensageiro’. O jovem engenheiro-financeiro, a quem até nem ficaria desajustada a designação de ‘moço de recados’, traz-me à memória ‘O Mensageiro’, de Oren Moverman.

No filme, dois oficiais estão incumbidos de anunciar às famílias a morte de soldados em combate. A Carlos Moedas também foi cometida pelos chefes, Gaspar e Coelho, a tarefa de anunciar desgraças às famílias portuguesas. Haverá apenas uma ínfima coincidência sinóptica. Moedas não foi autorizado a divulgar pormenores do ‘dossier’. –Assuste-os apenas! – ter-lhe-ão ordenado os chefes.

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Quando a cobardia é padrão

O meu amigo Carlos Fonseca, que seria sempre aventador, mesmo que não quisesse voltar a escrever neste seu nosso Aventar, recebeu um telefonema ameaçador de uma figura tão sinistra como cobarde, a começar no modo insidioso como conseguiu obter o número de telemóvel.

O Carlos, com a frontalidade que lhe conhecemos, tinha escrito dois textos no seu Solos sem ensaio: O sagrado sal do Espírito Santo (BES) e A anedota do Banco de Portugal sobre Salgado (BES). Se o ameaçador telefónico fosse qualquer coisa parecida com um ser civilizado, teria aproveitado os comentários ou outros púlpitos para discordar, criticar, emendar. Infelizmente, optou por se comportar como o típico capanga, habituado que deve estar a lidar com subordinados precários ou com outros do submundo engravatado em que se movimenta.

O rapaz está com azar, coitado. Basta ler as palavras que o Carlos escreveu posteriormente acerca da sua espécie: “garotagem bem instalada na vida e que, detentores de estatuto profissional do lado dos dominadores, pensam poder amedrontar com ajustes de contas pessoais, no sentido físico da expressão, quem critica interesses e faltas de ética dos poderosos a quem estão ligados.” Como se isso não bastasse,  ainda ajudou o Carlos a confirmar a ideia de que, a partir dos 50, também a língua se solta.

Talvez, num assomo de civismo, queira aproveitar para corrigir o seu comportamento e, assim, ficar mais próximo da humanidade, mas é pouco provável: depois de se passar muito tempo numa sarjeta, o cheiro nunca mais desaparece.

Por outro lado, confirma-se que revela extrema competência como director de comunicação e o Aventar agradece-lhe: foi graças a ele que o Carlos Fonseca sentiu renovada energia para voltar a escrever também nesta sua casa.

Os verdadeiros problemas da nação

a teia legislativa dos últimos seis anos de governação, destruidora dos pilares estruturantes da Sociedade

A reforma da Sociedade não deve ser realizada apenas na área económica e fiscal. Carece de uma intervenção mais profunda, designadamente no que diz respeito à Dignidade da Pessoa, em todas as etapas da sua vida, desde a concepção até à morte natural, à cultura da Responsabilidade, do compromisso no Casamento e na Família

Estas medidas são também instrumentos indispensáveis para saldar o défice e a dívida, assegurar a sustentabilidade do Estado Social e sair da crise em que o Governo anterior nos deixou e assim DEFENDER O FUTURO

A estupidez da extrema-direita é um abismo infinito.

Areia para os olhos dos parvos

Impossibilidade de recorrer depois da sentença em primeira instância manda acusados do processo Casa Pia de volta à cadeia. Para fingir que a Justiça afinal funciona. E tentar apagar o carácter político de uma construção perversa que abalou o PS – mas também uma sociedade na qual a pedofilia se inscrevia com naturalidade nos costumes.

Caça ilegal na Serra da Estrela – carta aberta

“Muitas vezes a forma como se tratam os “pequenos assuntos” indicia a maneira como são tratados os “grandes assuntos”

Mário Martins

Exmºs. Srs.:

Presidente da República;
Primeiro Ministro,
Ministro da Agricultura,
Ministro da Administração Interna,
Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana,
Comando Operacional do SEPNA,
Comandante da Guarda Nacional Republicana-Guarda,

Assunto:Exposição/requerimento

No dia 03 de Fevereiro de 2013, pelas 07h20,encontravam-se vários indivíduos a caçar irregularmente nas zonas de protecção de Aldeia Viçosa, Lar, praia fluvial, Colégio do Mondego, Centro de Formação de Relvas, etc, etc, etc…
Comunicado à linha SOS Ambiente, deslocou-se aqui ao Vale do Mondego uma equipa de fiscalização. Parecia não conhecer a zona pois, em vez de se dirigir aos infractores, dirigiu-se para as imediações de minha casa. Por aqui foi andando.
Não presenciámos qualquer acção tendente a acabar com as irregularidades. [Read more…]

Liberdade vandalizada

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© AFP (Fonte: Público)