Banco Alimentar – ‘Cor-de-Rosa’ versus Negro

Olho para as bancas dos jornais e lá estão elas e eles, os colunáveis. Com os seus dramas, euforias, ciúmes,  incestos e  trocas de namorados – mesmo com 60 ou mais anos são sempre namorados. Há casos de homens de 70 e tais, “apaixonados’ por namoradinhas de 20 e poucos anos.

Os estilos de vida dessa gente constituem matéria cujos pormenores desprezo. No entanto, confesso que as chamadas ‘revistas cor-de-rosa’ são exibidas com visibilidade tal que não se resiste à tentação de um olhar, curioso e furtivo, sobre títulos e fotografias de primeira página.

A verdade é que, no mero olhar mecânico e intuitivo, apercebo-me de serem publicações duplamente provocatórias. Primeiro, uma provocação superficial e de capa, justificadas por eficiente marketing, mas, ainda assim, de relativa importância social. Outra provocação maior, mais subtil e de indiferença social, é a ofensa à vida de outros cidadãos, em especial pobres e esfomeados, cuja existência é vivida de dramas, esses sim sérios, causados por penosa exclusão social. Trata-se, pois, de um contraste abstruso com a ‘bela vida’ de algumas personagens populares da política, do futebol, do teatro, da rádio, das telenovelas televisivas, e já agora da ‘cassete pirata’, frequentemente copulados com “tias e tios” de quem o juízo e a insensatez há muito se ausentaram. Esta ‘bela vida’ tem ainda outro efeito social perverso, semelhante ao fenómeno do cão de Pavlov, sobre algumas fracções da juventude. Ao mais ligeiro convite de ‘casting’ lá vão eles, às centenas, salivando por todos os lados mediante o estímulo de um dia se deliciarem também com morangos com açúcar, com chantilly ou mesmo morangos sem aditivo especial.

Para bem da comunidade, diga-se que há mais publicações para além dessas desprezáveis revistas. Trata-se de jornais e outras revistas que, pelo menos, relatam casos sociais graves. Ao ler a última edição do ‘Expresso’ fiquei a saber que, segundo a Dr.ª Isabel Jonet, beneficiaram dos auxílios do Banco Alimentar em 2009 mais 37.592 pessoas do que em 2008. Uma expansão da pobreza, cujos números relativos à última década reproduzo no quadro seguinte:

Pessoas assistidas pelo BACF – evolução anual

Ano Pessoas Índice
1 2000 171405 100
2 2001 183270 107
3 2002 191935 112
4 2003 200407 117
5 2004 203075 118
6 2005 216409 126
7 2006 209445 122
8 2007 232754 136
9 2008 249593 146
10 2009 287185 168

 

Fonte: Banco Alimentar Contra a Fome

 

 O incremento de 68% em 10 anos, para quem se interessa seriamente por problemas de iniquidades da distribuição de rendimento e da pobreza (estimada em mais de 1.800.000 cidadãos em Portugal), converte-se em inqualificável dimensão de desumanidade. Que pensam os nossos políticos, do poder e da oposição, da eloquência dramática deste crescimento? Não sei. Estou certo de que, a fazer fé no relato da principal responsável, Isabel Jonet, o BACF já está perto da rotura – de 79 IPSS candidatas, em Lisboa, em 2009 apenas foram aceites 4. O fenómeno é perturbador, dado o generalizado sofrimento humano que lhe está associado.

O SAP de Valença -2

O meu texto de ontem ” O SAP de Valença” despertou muita curiosidade e muitos comentários que agradeço. Respondi a alguns, mas valerá a pena voltar ao problema de fundo. Há a possibilidade de termos cuidados médicos próximos? Qual é a melhor forma de o fazer já que é impossível existirem em todos os lugares onde viva gente?

Hoje as comunicações via telefone, fax, telemedicina permitem que muitas das situações possam ser diagnosticadas e tratadas à distância, ou prestar os primeiros socorros , estabilizar o doente e seguir para o lugar certo. O lugar certo é o lugar indicado para onde o doente deve ser encaminhado segundo a sua doença. O lugar onde estão reunidos os meios humanos e ténicos para prestar a melhor assistência. Ora, não é certo ( e não estou contente por ser assim) que o lugar certo seja o lugar mais perto.

Por exemplo, estudos revelam que num acidente, se os socorros chegarem nos primeiros 15 minutos, é possível salvar 80% dos acidentados. E este socorro, por exemplo nas estradas, deve ser prestado por ambulâncias e hélios devidamente equipados que estabilizam o doente e que o canalizam para o hospital mais capaz de lhe prestar assistência adequada que, na mais das vezes, não é o que está mais perto.

A existência de um SAP pode significar uma grande segurança psicológica mas não garante a assistência necessária. Não, porque não é possível ter em todos os lugares pessoal médico , de enfermagem e equipamento que garantam a assistência adequada. É muito mais realista ter transportes com apoio à vida e com pessoal devidamente formado que rapidamente presta os primeiros socorros e acede ao hospital, do que estar a pensar que tem ali à mão um serviço com todos esses meios. Não tem e não é posssível tê-los!

Compreendo que as pessoas se revoltem por ver uma e outra vez os serviços saírem da sua terra, sublinhando a desertificação que se acentua, mas não se deixem enganar por promessas que não são realizáveis.

Proximidade ou qualidade? Ter as duas seria óptimo mas não é possível!

Ovos da Páscoa

O Dr. Silva Lopes, tem 77 anos, saiu com uma gorda indemnização do Montepio, é reformado pelo Banco de Portugal e já foi nomeado administrador da EDP Renováveis.

Fernando Gomes, recebeu no ano  de 2008, como administrador da Galp mais de 4 milhões de euros e um PPR de 90 000 euros anuais.

José Sócrates,  na Assembleia da República, apontando Louça, atirou: “Você não tem idade nem curriculum” Ora Louçã é apenas 10 meses mais novo que Sócrates e quanto a curriculum, além de ter sido dos melhores alunos de sempre do ISEG e ser douturado , foi professor na Universidade de Utrech e apresentou conferências em todo o mundo. Publicou 7 livros sobre economia traduzidos para 8 línguas.

Lurdes Rodrigues,   foi nomeada para a Presidência da Fundação Lusa- Americana para o desenvolvimento.

Ferreira do Amaral, enquanto ministro das obras públicas, negociou com a LusoPonte o exclusivo de todas as pontes a jusante de Vila fraca de Xira. Agora é Presidente da empresa a quem deu o exclusivo.

E as vacinas da gripe? Quem ganhou com as 8 milhões de doses que jazem sem utilidade num qualquer armazem “a frio”?

E sabem por onde andam, Fernando Nogueira, actual Presidente do BCP em Angola; Celeste Cardona, vogal da administração da CGD; António Vitorino, vice-presidente da PT internacional e Presidente da Assembleia-Geral do Santander Totta,  é só escolher..

E sabem que há impostos que só nós portugueses é que pagamos? IA (imposto automóvel) e respectivo IVA.

Há Ovos para todos, isto é uma democracia decente!

A violência do patrão

Os trabalhadores dos Hotéis Tivoli estão em greve.  O patronato (vulgo a administração) contratou ilegalmente desempregados sem habilitações para os substituir. Resultado: confrontos, cenas de violência e agressões dos capangas (vulgo seguranças) aos trabalhadores.

A isto acrescente-se a lata de criticar uma greve por ocorrer numa altura em que os hotéis estão cheios.

No caso peculiar da hotelaria, as greves não deviam ser só aos domingos e feriados, mas sim na época baixa, ou de preferência durante as férias… dos grevistas.

Habituem-se, como dizia um outro: as greves vão aumentar, os conflitos também. E esperem pelo dia em que os desempregados desesperarem. Quem comprou esta guerra? Quem é directamente responsável por esta crise?

Mandem-lhes a factura. Comeram a carne, agora que roam os ossos.

As contrapartidas dos submarinos

Nós compramos dois submarinos e vocês compram-nos azeite, laranjas, sapatos. Constroiem cá uma fábrica de apoio à manutenção dos submarinos, ou juntam-se aos nossos estaleiros. Isto são hipóteses mensuráveis, há ou não fábrica? Há ou não exportações? Mas como a imaginação de quem compra e vende submarinos é prodigiosa, as contrapartidas passaram a ser coisas “leves como a espuma”. Transferência de tecnologia. O que é isso? Nos tempos em que os homens andavam em cima de dois pés, era trazer para cá uma fábrica e/ou produtos que exigiam uma tecnologia que não dominavamos. A fileira dos automóveis é um bom exemplo!

Agora a transferência de tecnologia é coisa nenhuma, se calhar uns livros teóricos, uns engenheiros que vão lá fora às fábricas e estão lá um mês em estágio. Chegados cá, fazem um relatório que ninguem lê e a transferência de tecnologia está cumprida. Nem fábrica, nem associação de empresas, nem novos produtos…

Ontem, em conversa com amigos disseram-me que há empresários que assinaram declarações a dizerem que fizeram muitas transferências de tecnologia, as contrapartidas vão de vento favorável, o Henrique Neto, que é empresário há 50 anos e exportou toda a vida, conhece os meandros, é que não está pelos ajustes e  diz que é tudo mentira, um escândalo! Não há contrapartidas nenhumas!

Como nasce uma calúnia

O cantigueiro Samuel publicou um texto sobre a Comissão de Trabalhadores da Auto-Europa. Melhor dizendo: após um comentário absolutamente lateral sobre António Chora transcreveu parte de um trabalho “académico” (desconheço a filhadaputice enquanto ciência) onde o autor narra os esforços da administração da empresa para controlar essa CT, isto em 1994.

Depois de o visado ter esclarecido que nesse ano fez parte da lista contrária à tal lista manobrada pelos patrões, na versão directores de recursos humanos, vulgo neo-capatazes, esforça-se agora Samuel por garantir que em lado algum insinuou ter António Chora alguma coisa que ver com o assunto.

Bom esforço.

O mail que me foi reencaminhado no dia seguinte e que transcreve o que Samuel escreveu não sei se tem origem no autor do Cantigueiro, se é serviço de um sectário do PCP mais zeloso, ou se foi mesmo a CIA quem o inventou para dividir a esquerda portuguesa.  Aliás este mail deve ser produto da minha imaginação prodigiosa. Estas coisas não existem, o sectário sou eu. Ah, reparo agora, é um mail do 1ºde Abril.

Aposto é que continua a circular.

Nota: a minha simpatia por António Chora é muito pouca. Faz parte da parte do Bloco de Esquerda que me vai afastando do Bloco de Esquerda. Mas há mínimos.

Como perder a barriga

– Como se beija

– Como engravidar

– Como emagrecer

– Como criar um site

– Como fazer um portfolio

– Como criar um blog

– Como conquistar um rapaz

Esta é a lista que nos aparece quando, ao fazermos uma pesquisa, introduzimos a palavra “como” no Google. Achei estranho que a primeira referência fosse a como perder a barriga e decidi ver se, noutros países, as preocupações são idênticas. Mudei para o Google.es, seleccionei o idioma castelhano e fiz a experiência. Quanto a perder a barriga, nada, e emagrecer é apenas a sexta preocupação dos castelhanos. Quais são as outras? Ora vejam, pela ordem que o google as lista: Como se hace el amor, como descargar videos de youtube, como llegar, como piratear la wii, como ligar, como adelgazar, como hacer un curriculum vitae, como formatear un ordenador.

Intrigado, mudei para Google.br. Começando por como fazer um MSN, passando por como “raquear” um Orkut, fazer um Twitter, baixar vídeos, fazer sites, todas as respostas têm a ver com tecnologia e internet.

Não vos quero maçar com demasiados detalhes, mas o Google.fr começa com comment ça marche, passa por como fazer amor, depois como fazer amor com um homem e termina com um como se maquilhar. Já em Itália principia-se com come si fa l’amore e termina com como se beija. Em Inglaterra inicia-se por como se beija, pelo meio pergunta-se como se faz panquecas, como funciona isso e quanto vale o nosso carro. Na Alemanha a primeira questão é, qual é o meu endereço IP, e termina-se perguntando qual é a minha velocidade internet. Beijinhos, barrigas e fazer amor, em alemão, nem uma palavrinha.

Conclusões? Cada um que tire as suas. Eu digo apenas que é curiosa a forma como, em cada país, as questões podem ser tão diferentes.

Parque Escolar

Temos referido o Caso Parque Escolar no Aventar, embora este não seja um blogue especializado em casos de polícia.

O excelente trabalho do Tiago Mota Saraiva no 5 Dias conseguiu colocar na agenda da comunicação social mais esta passeata do governo rumo à privatização do ensino.

Assim não posso deixar sem resposta o seu apelo para que divulguemos a petição sobre o tema que corre na Rede. Leia. E se concordar assine. O costume.

Para que serve o PEC ?

O PEC  – Programa de Empobrecimento Comum, vai apertar o garrote, aumentando os impostos, congelando salários e carreiras,  cortando no investimento e privatizar o que resta para privatizar. Isto nos próximos 3 anos. Vamos todos viver pior e os mais pobres são os que levam por tabela .

O resultado imediato é que estas medidas impedem a economia de crescer, e como não cresce, não há riqueza para distribuir, não há criação de emprego e a receita fiscal não aumenta por via do alargamento da base. Vai ter que se aumentar mais impostos. Chegados a 2013 espera-nos uma prenda. É que é precisamente nesse ano que a maior fatia dos custos das parcerias público/privadas, começam a pesar, e o peso é tão grande que ninguem sabe bem quanto é. Há quem diga que voltamos a ficar numa situação muito semelhante à que temos hoje. Isto é, os sacrifícios que nos pedem não servem para nada.

A economia não cresce, o desemprego mantêm-se e os impostos das famílias e das empresas vão permanecer altos, não competitivos com as outras economias, e como a nossa produtividade é baixíssima, metade da Alemã, vamos cair numa situação de incumprimento da monstruosa dívida que acumulamos. E não vamos conseguir exportar quando as economias mais fortes recuperarem e essa, é a única saída que o PEC, supostamente, nos deixaria aberta. Mas não, vai estar fechada!

A má notícia é que podemos cair numa situação de deflacção e empobrecimento que leva décadas a sair dela, e a boa notícia é que talvez ainda alguem vá a tempo de tirar o país das mãos destes incompetentes!

Beja – O Bom Gigante

O blog nasceu em 2006, é de Beja e luso-espanhol, o que só lhe fica bem e é uma enorme mais-valia. O seu autor é o Ricardo Cataluna, o mesmo do blog com o nome mais cool da blogosfera “Eu é mais bolos”, uma das minhas expressões favoritas.

É um dos bons blogues alentejanos e merece uma visita.

Apontamentos de Óbidos (23)

(Lagoa de Óbidos)

Saudades de Carvalhal (os 5 golos do Sporting)

Ainda hão-de ter saudades do Carvalhal. Nunca no tempo de Paulo Bento o Sporting jogou tão bem.
http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/WeKHL6fu2K2ghNe8FKJZ/mov/1

As 400 empresas do grupo BES a ajudar o PIB

No outro dia o Dr. Ricardo Salgado dizia que o Grupo BES era constituído por cerca de 400 empresas e que representavam 1,5% do PIB. A ESCOM, que está envolvida na compra dos submarinos, é uma delas. Diz que fez “consultoria”!. Mas vale a pena perguntar. O que percebe a Escom de submarinos? Há uma empresa que os fabrica (Alemã), outra que os vende, (do mesmo grupo alemão) e o governo português que os compra com a consultoria técnica da marinha. A que título, a ESCOM está envolvida? Já há uns quantos quadros da empresa constituídos arguidos!

Perceberam bem como o Grupo BES contribui para o PIB?

Os golos do Braga – Guimarães

Um jogo com cinco grandes penalidades, uma das quais anulada pelo árbitro que soube assumir um erro a tempo e horas, vitória do Braga contra um Guimarães que acabou com sete jogadores em campo. Um derby minhoto para não esquecer. No meio de tudo isto um único golo, e que golo, em jogo jogado.

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http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/R0YGZuqfC0NpEjyY5J4S/mov/1
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Quando as crianças autistas podem ir tranquilas ao cinema

Para a maior parte das crianças, ir ao cinema é um acto banal. Seja com familiares ou através de iniciativas das escolas, volta e meia sentam-se no escuro e desfrutam de um filme. Este acto social e cultural é difícil ou improvável para uma criança autista. Pelo menos em total tranquilidade.

No dia 10 de Abril, alguns milhares de pequenos portadores desta deficiência vão ao cinema em 47 cidades dos EUA. Vão ver “Como treinares o teu dragão” graças a 93 ecrãs ‘sensoriais’. As luzes não vão apagar-se, apenas reduzido o seu brilho. O som será também mais reduzido que numa sessão normal. Não haverá publicidade nem trailers. Apenas o filme.

É uma iniciativa do “Sensory Friendly Film”, uma iniciativa da AMC Entertainment e da Autism Society. Acontece uma vez por mês, ao sábado de manhã. Em grande parte por causa de Marianne Ross.

Em 2007, Marianne levou a filha, Meaghan, de 7 anos, ao cinema para ver “Hairspray”. Escolheu uma sessão do início da tarde, por norma menos concorrida. Mas Meaghan, ao ver o seu ídolo, Zac Efron, não resistiu. Feliz, saltou da cadeira, dançou, pulou, bateu palmas. Marianne e Meaghan foram convidadas a sair da sala, devido a queixas de outros espectadores.

Frustrada e zangada por ter visto a felicidade da filha interrompida assim, como contou à revista Time, Marianne contactou o representante local da AMC, pedindo uma projecção especial. Dan Harris interessou-se. Conversou com a mãe da criança e sugeriu algumas adaptações para tornar os ecrãs mais amigáveis dos sentidos para crianças autistas.

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Vou receber o Compasso…

mas como é melhor prevenir do que remediar, já escondi a minha filhinha no quarto lá de cima.

Um Novo Aventador

O Carlos Osório é um bom amigo que conheço há mais de uma dezena de anos. Homem de direita, Portista e advogado. Com ele aprendi que o “Porto Sentido” de Rui Veloso é o hino nacional, ehehehe. Frontal mas bastante humilde. Corajoso mas coração mole. Polémico mas bastante assertivo. Já não o via há muito tempo quando, no ano passado, me telefonou para tomar um café. Lançou-me um desafio. Por vir dele aceitei logo mas, confesso, não estava muito confiante. Nos últimos meses começamos a trabalhar a sério e o resultado foi excelente. O Carlos fez um trabalho excelente.

Por isso mesmo, convidei-o a colaborar com o Aventar.  Basta ele fazer no blog metade do que fez nos últimos meses e, estou certo, todos me vão agradecer por me ter lembrado do Carlos. É uma enorme mais-valia e maior prazer contar com ele aqui no Aventar. A vinda do Carlos e o regresso para breve do Ricardo Almeida são as novidades mais recentes aqui na casa.

Agora, venham de lá essas postas, ó Carlos.

Pedro e o lobo

O compositor russo Sergei Prokofiev, decidiu, em 1936, compor um tema musical que permitisse explicar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos musicais que compõem uma orquestra. Pedagogicamente, cada personagem é representado por um instrumento.

No entanto, o mesmo título tem sido usado para identificar uma das fábulas atribuídas a Esopo (autor grego do Séc. VI A.C., cuja existência vagueia entre a lenda e a realidade), – embora também surja em algumas publicações como “Pastorinho e o lobo” – cujo enredo consubstancia, como é normal nas fábulas, uma mensagem também ela pedagógica, para crianças e adultos, e que ainda hoje, usualmente, é invocada.

“Pedro e o lobo” é, pois, mais conhecido como a fábula do pequeno pastor que de tanto brincar às falsas ameaças da presença de um lobo, resulta que quando o lobo efectivamente surge, já ninguém o leva a sério e ela acaba por perder as suas ovelhas.

Todavia, ambas têm inegável mérito: a composição musical de Sergei Prokofiev visa cativar e instruir a criança pelos caminhos das sonoridades e da música; a fábula, no seu natural pendor metafórico e alegórico, ensina que não devemos enganar os outros, cuidando do crédito das nossas palavras.

Aproximar as crianças à música, guiá-las nos caminhos dos sons, faz parte integrante de um saudável processo de crescimento. Mas, também, os adultos só têm a ganhar se se propuserem a essa mesma descoberta, educando e apurando os sentidos e a percepção.

O mesmo se diga de incutir responsabilidade e cuidados nos mais novos, ensinado-os a não enganar os outros, dando-lhes referências de cuidados a ter quanto ao que valem as suas afirmações. Um sentido de responsabilidade no que se diz, no que se afirma, na interacção com os outros. O mesmo valendo – de modo ainda mais vincado, porque a maturidade por isso demanda – para os adultos: para nos levarem a sério no que dizemos, temos de o dizer com seriedade. Sob pena de, tal como o Pedro – ou o Pastorinho – de Esopo, de tanta ameaça falsa, ninguém acreditar quando ela for verdadeira.

O SAP de Valença

Como se lembram foi por seguir uma política de concentração de meios e correspondente aumento de qualidade na prestação de serviços às populações, que um dos homens que mais sabe de política de saúde no país, foi despedido.

Maria Jorge, apesar de tudo fazer para não mexer em nada, ou no menos possível, não pode deixar de seguir essa política.

Os que manipulam a população vêm com os argumentos dos costume, ter cuidados médicos ali à porta, dá segurança e comodidade. É mentira, como ficou completamnete demonstrado no caso das maternidades. Uma parturiente, sem problemas até pode ter a criança em casa, mas se tiver problemas, se precisar mesmo de cuidados médicos, vai mesmo para um hospital onde estejam reunidos os meios, técnicos e humanos necessários. E esse meios não podem estar em todos os serviços, por muito que se minta.

Aqui em Valença o problema é o mesmo, as pessoas estão convencidas que se tiverem um SAP à porta, encontram lá os meios técnicos e humanos para serem tratados. Isto é falso! Há uma componente psicológica importante, não nego isso, mas dizer mais do que isso é uma falsidade.

Ter meios rápidos de transporte, pessoal capaz de prestar os primeiros socorros, estar em ligação 24/24 horas com a unidade hospitalar mais próxima, isso é uma boa medida. Mais do que isto é andar a vender fantasias.

Hijab, Niqab e Burqa

O uso da Burqa e do Niqab é um tema que ultimamente está na ordem do dia, com alguns países europeus a legislar sobre a sua proibição.

Apesar de o debate ser desejável, a forma como o problema é apresentado revela uma total ignorância, para não dizer racismo e xenofobia, já que pretende conotar o uso do véu integral com propaganda político-religiosa e não como um problema social que afecta sobretudo as mulheres muçulmanas.

Apesar de não aceite no ocidente, o uso da Burqa e do Niqab desperta naqueles que estão “por fora”, principalmente nos homens, uma certa curiosidade e fascínio pelo fruto proibido, apresenta uma imagem de uma mulher submissa e recatada, provoca até uma exacerbação da sensualidade feminina, patente nos gestos da mulher velada, no seu olhar e voz.

Para as mulheres que usam a Burqa e o Niqab, invariavelmente por imposição da sociedade e dos maridos, o facto constitui uma humilhação, um desconforto e um atentado ao seu direito à identidade pessoal.

Mas mesmo sob a Burqa, que pretende tornar a mulher num ser desprovido de sensualidade, a mulher sente-se feminina e é feminina. [Read more…]

Woodynose

Galandum Galundaina

Galandum Galundaina, Vidigueira, 2010

[audio:http://aventadores.wpcomstaging.com/wp-content/uploads/2010/04/endrominus070.mp3|titles=endrominus070]

Como endrominar podcasts faz parte dos meus ócios (saudades da rádio…) misturei três faixas do novo álbum dos Galandum Galundaina, Senhor Galandum, que aqui vos deixo.

Sou suspeito para falar da música dos Galanduns, que a amizade se mete de permeio, e na primeira destas músicas está uma cantiga de embalar que muito me diz e um dia eles me souberam ensinar, num momento muito especial da minha vida que para sempre lhes devo e nunca esquecerei.

Ouçam, e digam de vossa justiça. O disco anda aí pelas lojas, e vale muito a pena.

Submarino ao fundo, batalha naval dos pequeninos

Umas vezes são as autoridades inglesas, outras as alemãs, a verdade é que ninguém liga patavina. Quando a importância que nos dão é esta, acaba-se assim, sem honra, sem poder de decisão e sem voz própria.

Uma coisa é aquilo que nós pensamos que somos no mundo, outra é a forma como o mundo nos vê.

Habituem-se. A propaganda interna é isso mesmo. Interna.

Be of good cheer

Estava eu, ontem à noite, sossegadinha na minha cama a ler o Peter Ackroyd que interrompi durante meses em prol de um bem superior quando de repente me deparo com uma passagem excelente. Contava eu à meia noite e meia, o número de hereges cuja morte tinha sido da directa responsabilidade de Thomas More, (foram 7, embora o John Petyt tenha morrido na prisão por isso não sei bem se conta), quando o Ackroyd escreve isto:

“The central theme of Confuntation [with Tyndale] is that there is only one true Church, the visible and orthodox communion of Catholics. Throughout its history its members have been frail or weak, but that in no way affects its authority as Christ´s mystical body upon the Earth. It is the permament and living sign of Christ´s presence, sustained by inherited custom and maintained by traditional knowledge. It is a visible, extensive and palpable community (…). Just as parliament was considering plans for the reformation of abuses among the clergy, More was insisting that the sinfulness or folly of individuals – even the wickedness of a bad Pope – in no way affected the divinely instituted sanctitas of the Catholic Church.”

Ah Thomas é curioso como mesmo no fim do mundo medieval as preocupações eram as mesmas. Sim, vocês viam o Lutero como um anti-cristo e o Tyndale era uma “beste” com uma ” brutyshe bestely mouth” mas não deixa de ser curioso como as coisas funcionam. More era católico e defendia uma fé antiga. Lutero era um homem novo como se chamavam. Tudo apontava para que quem morresse pela fé fosse Lutero e não More.

E enquanto eu reflectia na questão dos padres e Igreja e tudo, aparece-me isto. O novo destrói sempre o velho, já dizia o Beresford no “Felizmente há luar”. Mas nem por isso o velho é esquecido ou diminuído. Ou pelo menos, não o deve ser. E Sir Thomas é o melhor exemplo disso.

Saudades de S. Paulo

Sampa é o cheiro a álcool dos tubos de escape. Sampa é a baiana arrependida de ter deixado a Baía e que vende água de cana na rua.  Sampa é a avenida Paulista a vibrar sob os nossos pés.

Sampa tem cheiro a suor, a amêndoa frita, a etanol. Sampa é negra, índia, alemã, japonesa, lusitana. Sampa é a filha de índios que vive na favela e a quem nunca fizeram uma foto. Sampa é o casal de namorados, branco e negra, sob as árvores do centro cultural, lá na rua Vergueiro.

Sampa é a vertigem da vista do alto do Banespa, onde a imensidão da cidade nos devora. Sampa é pão-de-queijo, é padaria de português de Trás-os-Montes. [Read more…]

Símbolos, soberania e a espuma dos dias

Muito se tem falado de bandeiras a propósito da ostentação da bandeira monárquica, primeiro na CML, depois no alto do Parque Eduardo VII.

Segundo o Público “A Comissão de Utentes do Centro de Saúde de Valença está a mobilizar a população, através de SMS, para colocar, na próxima terça-feira, em todas as janelas da cidade uma bandeira espanhola.”.

O artigo em questão conta, à hora a que escrevo, com cerca de 170 comentários. Há-os de todas as sensibilidades e tendências. Mais do que o texto, os comentários reflectem a forma como franjas representativas  da população olham o estado actual do país, os seus símbolos, os seus representantes e a sua soberania. “Se o Dantas é português eu quero ser espanhol”, dizia Almada de Negreiros no seu Manifesto Anti-Dantas. Se me derem mais qualquer coisinha eu quero ser espanhol, dizem hoje muitos portugueses. Retrato de um país estilhaçado e de um povo à deriva.

Referência também no Tvi24.

O Mexia dá à luz

O que este homem ganha e a sua equipa é um escândalo , a todos os títulos. Está  numa empresa que opera no mercado interno, sem concorrência, não exporta, não tem que competir com outras empresas em mercados abertos, pagamos a electicidade 60% mais cara que a média europeia!

Onde está o mérito?

Com esta facilidade em acumular dinheiro, em vez de melhorar a distribuição que é péssima, anda a investir em moinhos de vento nos USA e no Mar do Norte, enquanto o Presidente Obama dá luz verde para os investimentos duplicarem na extracção de petróleo no Golfo do México. Quer dizer o nosso brilhante Mexia, sagaz, vendo longe, anda a investir onde os americanos não investem. Deve ter razão, principalmente porque o dinheiro não é dele!

Este “super homem” e “super gestor” sem o qual a EDP não daria à luz, ganhou em 2009, 1,3 milhões de euros! Mas como tal importância não está ao nível da sua extraordinária inteligência, poderá vir a ganhar até 2014, 4,2 milhões de euros, tudo isto proposto pela comissão de vencimentos que foi assessorada por consultores estrangeiros, principescamente pagos, para  lhe fixarem os vencimentos. Eu pago-te milhões para tu me fixares um esquema para eu ganhar muitos milhões!

Perceberam ou é preciso aumentar a voltagem’

TUTELA DO CONSUMIDOR E RESISTÊNCIA DOS MONOPÓLIOS DE FACTO

As leis que tutelam a posição jurídica do consumidor são imperativas. Não consentem eventual derrogação.
É o que resulta da Lei de Defesa do Consumidor e dos mais diplomas avulsos.
A periodicidade da facturação dos serviços públicos essenciais passou, com a Lei 12/2008, de 26 de Fevereiro, a ser mensal.
Por razões que se intuem.
Porque os orçamentos domésticos têm uma dimensão mensal. E com que dificuldades na generalidade das situações se consegue solver os regulares compromissos indispensáveis à subsistência de cada um e todos!
Tanto a entidade reguladora, que – em lugar de se mostrar pendular- parece vir sufragando as posições das empresas reguladas, como as estruturas do sector energético, reagiram às normas da Lei Nova.
A EDP, fazendo depender a periodicidade de expressa declaração de vontade do consumidor, conforme comunicado infra:

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Apontamentos de Óbidos (22)

(Lagoa de Óbidos)

Como Se Fora Um Conto – A Srª D. Anésia, O Sr. Dr. Antunes e o Primeiro de Abril

Convivi com eles muitos anos, perto de vinte, para mais que não para menos. Viviam no primeiro andar do meu prédio. Foi para esse andar que, nos idos de 78, eu fui viver, separando-me da casa de meus pais.

Ela, muito católica, oriunda do norte Valenciano, de lábios finos e nariz adunco, ele, economista, ex-funcionário da alfândega, coleccionador de selos. Ambos de uma bondade extrema, de uma educação esmeradíssima, de idade avançada, silenciosos, reformados, amigos.

Sem filhos, mas com uma sobrinha que a cada passo aparecia e que era a luz dos olhos deles, não lhes conheci amigos ou outros familiares. Viviam sós, um para o outro, a maior parte do tempo na sala virada ao sol, de onde viam o arvoredo do Consulado e o quintal que numa parte também lhes pertencia.

Davam-se muito bem connosco, em especial com a minha mãe, por quem tinham uma consideração especial.

O Sr. Dr. Antunes, era um velhinho muito culto, a quem eu achava muita graça ouvir falar. Utilizava com frequência termos que já nessa altura pareciam fora de moda. Com frequência o ouvia tratar as pessoas por excelência e pedir coisas por obséquio. Tinha uma voz agradável, um tanto ou quanto cantarolada e em momentos, aguda. A sua forma de falar lembrava-me a do Presidente do Conselho de Ministros da altura. [Read more…]