Diane Keaton e a coligação IL-Chega

Woody Allen, numa homenagem a Diane Keaton, explicou ao público que a cidade natal da actriz é tão reaccionária que ajudar um cego a atravessar a rua é considerado socialismo. Parece uma piada, é uma piada, mas, como geralmente acontece com as piadas, não é absurdo. Entenda-se, aqui, “absurdo” como algo necessariamente inexistente. O curioso do absurdo é ser real. A realidade, aliás, é sempre mais improvável do que a ficção (e do que o humor, uma das suas manifestações).

Ontem, na Assembleia da República, António Costa destacou a importância dos valores democratas e cristãos, na esteira do papa Francisco, considerando que este não era socialista, o que provocou uma reacção de discordância de João Cotrim de Figueiredo e de André Ventura (este com mais entusiasmo, é verdade) – o papa, para estas duas luminárias, não anda longe do socialismo, o que, nestas bocas, não é um elogio. O amor anda no ar – Cotrim e Ventura já acabam as frases um do outro.

A direita, que, em Portugal, assume, frequentemente, uma essência católica, é, com a mesma frequência, pouco cristã, especialmente se seguir a cartilha liberal. Para esta gente, não há desfavorecidos, há preguiçosos e parasitas. Do mesmo modo, não há privilégios, apenas mérito. O ideal (também cristão) de que uma sociedade justa seja um sistema solidário e redistributivo causa-lhes alergia e tudo aquilo que lhes cause alergia, incluindo ácaros, é socialismo – no fundo, são como os conterrâneos de Diane Keaton: o cego que se desenrasque. E o papa que se deixe de cristianismos.

Costa segura Cabrita

(autoria do Aventador Rui Correia)

Faz o que eu digo, não o que eu faço

Com que então, pactos de silêncio? Se os donos da virtude descobrem ist… Afinal não. São os mesmos. Vindo de onde vem, isto é o cúmulo da hipocrisia.

P.S.: Isto não é sobre o caso, mas sim sobre a conduta do Partido. Não confundir.

Breve nota a sobre guerra ideológica em curso

Trouxe esta imagem do Facebook do Ricardo Paes Mamede, que nos propõe um exercício em que a sondagem da Universidade Católica para o Público/RTP surge como um espelho dos vários combates ideológicos em curso, pese embora a ausência de critérios ideológicos no centrão das negociatas, bem espelhada na legenda.

Destaque positivo para a queda do Chega, deixando claro que a extrema-direita começou finalmente a perder terreno, apesar do desfecho da Operação Marquês e da existência de Eduardo Cabrita, que Ventura já não consegue cavalgar com a destreza populista de outros tempos. A máscara anti-sistema caiu e já não há muito que a propaganda possa fazer por ele. Com tanta cabritice, haja uma boa notícia para animar a democracia.

Bidonville-sur-Odemira

Em Odemira, Portugal olhou-se ao espelho e contemplou um dos resultados de anos de abandono e negligência a que o país profundo foi condenado pelo eucalipto centralista, comandado por um centrão incompetente que se está nas tintas para aquilo que se passa para lá da sua bolha, com uma ou outra excepção pontual.

Poderíamos falar sobre os danos profundos que alguma daquela agricultura intensiva causa nos solos, esgotados e envenenados por fertilizantes cancerígenos, ou na quantidade absurda de água que algumas daquelas culturas consomem, que aprofundou a sua escassez, num distrito onde sempre falta água e pouco ou nada chove.

Poderíamos falar sobre o abandono e o esquecimento a que está entregue o Alentejo, seja Beja ou o monte mais recôndito, com uma população envelhecida, empobrecida e que se sente invadida – e é manipulada a senti-lo – por imigrantes mais novos, diferentes, com uma língua e uma religião diferente, e tudo isto no quadro de uma estrutura social incapaz de absorver o impacto da nova realidade populacional, sem forças de segurança, cobertura de serviços de saúde ou infraestruturas básicas adequadas. [Read more…]

Sporting-19, ou mais uma Terça-feira normal no escritório de Eduardo Cabrita

Foto: Miguel A. Lopes/Lusa@Sapo Desporto

Em primeiro lugar, parabéns a todos os sportinguistas, em especial aos cá da casa, pela merecida conquista do campeonato, sem espinhas ou discussões: quem perde zero vezes durante todo o campeonato, em princípio não ergueu o troféu por obra do acaso.

Em segundo lugar, a pergunta que se impõe? Eduardo Cabrita tem nudes de António Costa? É que, a cada dia que passa, restam cada vez menos justificações plausíveis para que continue no cargo, se é que ainda existe alguma, pelo que a teoria da conspiração, neste caso, poderá não estar assim tão afastada da realidade. Alguma coisa o homem há-de ter, para que um político sabido e experiente como António Costa continue a colocar em causa a sua própria credibilidade e a do governo que chefia, como de resto se viu hoje no Parlamento, com um ministro-desastre como Eduardo Cabrita. [Read more…]

I was busy thinking about BOYS

Good boy! Dá a patinha!

Tradução do texto do líder da Juventude (pouco) Socialista:

«A Juventude Socialista irá hastear na sua sede a bandeira palestiniana, porque sabemos que há alguns esquerdistas no nosso partido e queremos continuar a dizer que somos de Esquerda. No entanto, defendemos o Estado de Israel, pois é o que a União Europeia e os Estados Unidos da América nos dizem para fazer. Mas, para além de sermos uns paus-mandados e cata-ventos da comunidade Internacional, não podemos ficar indiferentes aos coitados dos palestinianos. Ps. Queremos o seu voto, não se esqueça!» [Read more…]

Não são só eles que sabem porque não ficam em casa

“Daqui a 15 dias, quero ver. Por mim, nem tinham direito a ventilador!”

Para começar, são 14 dias. Duas semanas são 14 dias, não 15. Sete mais sete. Mas mais relevante ainda é que, quando a poeira da insanidade assentar, o chavão dos 15 dias irá figurar no nosso anedotário. É um prazo de validade intimidante, um macabro vaticínio de morte e, portanto, perfeitamente enquadrado na narrativa apocalíptica. Carece, no entanto, de qualquer validação factual.

Não é a genuína preocupação com a saúde pública que os mobiliza a apregoar a condenação de gente que só quis usufruir do merecido festejo. É, isso sim, um impulso onanístico e inquisitório. Observar aquilo que aos nossos olhos são condenáveis meliantes representa para muitos a oportunidade perfeita para se distanciarem da sua malvadeza. Faz sentido que o queiram fazer: como reivindicam punições e musculada intervenção policial e militar, é importante deixar claro que não é a eles que devem ser dadas as cacetadas, é naturalmente aos outros. Arrogando-se o papel de protetor de vidas e ciência, quando contribuem diariamente para destruir ambas, fazem da menina d’A Lista de Schindler que vocifera “Goodbye, Jews!” sem saber o que são judeus, só porque toda a gente à volta a ensinou a odiar.

Seria expectável que, perante a sucessão de situações em que este prognóstico da catástrofe iminente em 15 dias não se verificou, o medo em que nos afogaram começasse a dar lugar à dúvida. É dela que nasce a ciência, e não do dogma.

Mas há uma pedra pesada no caminho da lógica: o orgulho. Custa demasiado engolir o amargo   paladar do reconhecimento de um erro. Desconfiamos das nossas informações, embaraçam-nos as nossas próprias palavras e abalam os alicerces das nossas convicções. E, com a dimensão deste assunto e com a convicção emocional por trás das tomadas de posição, vemo-nos sujeitos a vexame alheio. Transformaram isto numa guerra de dois lados e qualquer cedência intelectual é encarada como humilhante derrota. A este preço, vai ser muito difícil que as pessoas, mesmo vendo a hipocondria desvanecendo-se nos ventos curandeiros da racionalidade, venham a admitir que foram enganadas. É essa resistência egotística – aliada a uma perversa inclinação autoritária e alergia a felicidade alheia – que prende a opinião pública a uma posição que neste momento não passa de um delírio coletivo.

A semana inesquecível

A semana em que a intervenção muito boa de João Cotrim Figueiredo, ainda que ultrapassado pela Cecília Meireles e pela Mariana Mortágua, é o centro da discussão. Os liberais são mesmo irrelevantes na política portuguesa.

Parabéns presidente Frederico Varandas

Fui dos que pedi que antecipasses eleições, porque duvidei que tivesses competência para nos devolveres à glória. Torci o nariz quando apostaste na contratação de Ruben Amorim por 10 milhões de euros, uma exorbitância, que classifiquei como um all-in.
Contra tudo e quase todos, venceste. Vencemos! Porque o Sporting C.P. somos todos os que sentem a verde e branca ostentando o leão rampante no peito.
A primeira grande vitória da época foi recuperar o entusiasmo, a confiança dos adeptos, de que a época nos poderia trazer algo. E nem começámos bem, eliminados na pré-eliminatória da Liga Europa. A precoce eliminação na taça de Portugal também não ajudou, mas jogo a jogo, fomos somando pontos no campeonato e hoje somos Campeões Nacionais.
Obrigado presidente, por não teres desistido, quando muitos te pedimos que o fizesses. Mas não ganhaste sozinho, ninguém ganha sem uma equipa, obrigado a todos os profissionais que compõem a estrutura da equipa de futebol profissional. Permito-me destacar o mister Ruben Amorim, confesso adepto de clube rival, mas um profissional competente, que conquistou o nosso respeito e admiração e seguramente ocupará um lugar na História centenária deste clube que amamos e pelo qual sofremos.
Há muito trabalho pela frente, mas sobre o futuro, voltaremos a falar brevemente, mas não agora, hoje é tempo de celebrar esta importante conquista. Ninguém verga um leão, onde foi um, fomos todos e juntos, chegámos ao título. Força Sporting!!!

Francisco J. Marques caladinho….

…. era um Poeta. Vamos lá ver, além de não ter razão na questão da carga policial (aconteceu o mesmo em Alvalade), esta é a hora de se dar os parabéns a quem ganhou. Não custa nada: Parabéns Sporting. O FJM não é mais portista que eu. Quando muito será tanto. E sabe perfeitamente que se o FC Porto estivesse outra vez 19 anos sem ganhar nada e fosse campeão este ano, nem a pandemia nem as cargas policiais evitariam festejos de arromba. Sabe o FJM e sabe, certamente, aquela coisa que está de Ministro da Administração Interna, o tipo que segundo o último “PodAventar – Esquerda, Direita, Volver” só ainda está ministro porque deve ter uns “nudes” do Costa. Este último e a Dona Graça não prepararam o momento. Como costume. Era assim tão difícil abrir as portas de Alvalade, de forma controlado e deixar os adeptos festejar com a equipa em segurança?

 

Querido!…

Sugiro a substituição do programa “Sexta às 9”, por um “spin-off” de um conhecido “reality show”, mas agora apresentado por João Galamba, chamado “Querido, apaguei o tweet”.

 

Há ambiguidades e ambiguidades

As que podem ser evitadas («Bloqueio nos fundos da UE para proje[c]to de milhões na área do regadio») e aquelas que não («Gonçalo Ramos e Darwin viram jogo na Choupana»).

É tudo muito liberal, mas…

… quando o assunto é o capital, a coisa muda de figura.

A prestação do deputado João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, durante a sessão de inquérito de ontem, em que foi ouvido Luís Filipe Vieira, para mim não foi uma desilusão. Porquanto, só se desilude quem iludido está.

Antes, foi uma confirmação do que eu penso da Iniciativa Liberal: “vinho novo em odres velhos”.

Por isso, quanto ao que aconteceu ontem na audição parlamentar de Luís Filipe Vieira a instâncias de João Cotrim Figueiredo, eu até poderei ser suspeito para falar do deputado da Iniciativa Liberal.

Mas, o nosso Fernando Moreira de Sá, não

Aquela tentativa, a que o nosso Francisco Salvador Figueiredo chama de momento de humor, por parte de João Cotrim Figueiredo, ao dizer “Nesta segunda ronda vou aproveitar para fazer a segunda pergunta que os portugueses mais querem saber, sendo que obviamente a primeira é saber como é que se gasta 100 milhões numa época e se fica em terceiro“, foi infeliz, mas propositada.

Enquanto português, por mim, o Benfica até pode gastar 500 milhões e ficar em último: desde que nenhum desse dinheiro saia do meu bolso ou do Orçamento do Estado, é-me totalmente indiferente.

Falo por mim, sabendo que falo, também, o que muitos outros portugueses pensam. Incluindo liberais, que defendem que tal matéria diz respeito aos privados e não ao Estado.

A questão é que com essa espécie de humor, João Cotrim Figueiredo acabou por brincar numa audição de uma comissão de inquérito, que visa, também, apurar quem e como enriqueceu à custa do empobrecimento de um povo. E, quando a Iniciativa Liberal, tanto apregoa moralismo sobre como se gasta ou deve gastar o dinheiro público.

Então, qual foi o propósito de  João Cotrim Figueiredo, ao brincar com um assunto grave e num momento sério, e que deveria ser caro à Iniciativa Liberal?

Não tenhamos ilusões: para conseguir mais um “soundbite”.

Porque, no fim de contas, é a isso que a Iniciativa Liberal se resume: cartazes e “soundbites”.

Mas, não pode brincar com coisas sérias? [Read more…]

Da hiper-simplificação da realidade

 

@florencejimenezotto

Parece-me mais ou menos claro de que vivemos, actualmente, numa era de obscurantismo. Algo que a pandemia da covid-19 apenas veio agudizar. Esse obscurantismo nasce da forma como recebemos, tratamos e processamos a informação que nos chega sobre o mundo. Ou seja, esse obscurantismo nasce daquilo que é ser humano. A experiência do humano. Não sendo eu filósofo, antropólogo ou sociólogo, em princípio sou um humano, o que me permite dizer uma ou duas coisas sobre o assunto.

A experiência do ser (verbo) humano mudou radicalmente nos últimos anos com a introdução e massificação do mundo digital, nomeadamente das redes sociais. Como o próprio nome indica, a experiência social entre as pessoas alterou-se. Uma das diferenças que me parece mais clara foi o imediatismo que se gerou. Nasci em 1996. Se eu já achava que a minha geração e as suas “irmãs” eram pessoas de gratificações instantâneas, de pouco tempo de espera para alcançar um objectivo, o advento das redes sociais apenas veio intensificar essa situação.

[Read more…]

Preguicite esquerdista

Nada contra quem escolhe fazer carreira na política, mas é engraçada a revolta com o currículo espetacular do João Cotrim Figueiredo. Pelos vistos, mostrar trabalho é negativo. Resumo de grande parte da mentalidade portuguesa.

Polivalente Liberal

Na sequência disto, que deu origem a isto e culminou nisto, apresento o Curriculum Vitae do agora CEO do Iniciativa Liberal, um homem polivalente, plurivalente e versátil (pode não parecer mas são sinónimos):

[João Cotrim Figueiredo, CEO do IL esteve] Na PH, na Compal, [Read more…]

O melhor de João Galamba (nisto ele é muito bom)

 

 

Afinal é mentira, aldrabice, inveja, preguiça; ou leve 4 pague 1?

Há quem ache que quantidade é sinónimo de qualidade. E não estranha, não viesse tal devaneio de alguém que defende a acumulação de capital. Logo, quanto mais, melhor.

Mas vejamos: 3 anos nos cafés, 6 anos nos sumos de polpa, 6 meses a deter o BPP, 1 ano e meio na TVI, 2 anos no Turismo de Portugal e mais uns pares de anos em empresas de investimento e recursos humanos. Ou estamos a falar de alguém extremamente competente (e eu não duvido) em variadas áreas que nada têm a ver umas com as outras, ou de um saltimbanco.

Podemos dizer que a personagem em causa é um precário dos empregos de alto gabarito. Depois da “discriminação contra investidores bolsistas”, a precariedade dos nascidos em berço de ouro.

Comovente.

inserir arco-íris, gambuzinos e unicórnios liberais

Mas em que ficamos? Trata-se de mentira, aldrabice, inveja ou preguiça? Ou tudo isto e mais alguma coisa?!

A verdade da mentira – e variações em sol maior

Paródia liberal (imagem retirada dos confins da internet)

Antes de acusações de mentira, desonestidade e argumentos cheios de nada, vale mais cingir aos factos.

Aparentemente, ontem menti, num texto dirigido ao deputado único do Iniciativa Liberal, depois da sua triste figura na Comissão de Inquérito Parlamentar, enquanto questionava o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Só que tenho de deixar escapar uma inconfidência: não menti.

De facto, João Cotrim Figueiredo foi CEO da PH (Privado Holding) durante 6 meses, em 2009. De facto, em 2008, o banco pediu 750 milhões de euros ao Estado, tendo recebido 450 milhões (sim, foi antes da entrada do CEO do IL, mas não vejo no que é que isso muda todos os outros os factos). De facto, João Cotrim Figueiredo era CEO do banco durante o processo de reestruturação. [Read more…]

Vai-te a eles, Cotrim!

Passa mais um dia e a parece que não há esquerda competente a refutar liberais. Começa a ser cansativo precisarmos apenas de desfazer as mentiras e não debater propriamente assuntos. Mas compreendo, fica difícil argumentar contra as ideias que maiores benefícios trazem para as pessoas, deixando de alimentar os vícios do Estado e dos seus minions.

 

Ontem, o João L. Maio teve de recorrer a um tweet de 2019 para tentar encontrar alguma incoerência no discurso do deputado único liberal, o João Cotrim Figueiredo. Mais: é sobre uma notícia de 2008. O João diz que o João Cotrim Figueiredo, “em 2008, na qualidade de administrador da PH (Privado Holding), detentora, na altura, do BPP (Banco Privado Português), pediu ao Estado 750 milhões de euros (tendo recebido 450 milhões)”. Mesmo 12/13 anos depois, é necessário espalhar mentiras? João Cotrim Figueiredo foi nomeado administrador da PH em Janeiro de 2009 e esteve apenas meses. Se ao menos as datas batessem certo, podíamos estar aqui a discutir a situação, mas nem isso.

 

Não sei ao que leva à esquerda precisar destas mentiras e aldrabices de pensamento. Talvez se deva à sua inveja por pessoas bem sucedidas revestida por uma luta pela igualdade social. Em relação a ontem, quase de certeza que se deve à coerência liberal. Aqueles que defendem lucros privados e prejuízos privados. Que não escolhem amigos, quando está em causa o dinheiro dos contribuintes. Já o Tiago Mayan tinha enfrentado André Ventura, em pleno debate, sobre o Vieira. Desta vez, foi a vez do JCF brilhar e bem. Até teve um bom momento de humor e tudo.

 

Cotrim, vai-te a eles. E sempre que a cabeça deles inchar, sugere-lhes desenhos animados. Ouvi dizer que nunca acaba mal.

 

Agora vou fingir que esta época de futebol não existe e celebrar o oitavo aniversário do golo do Kelvin.

 

ÚLTIMA HORA: Uma Revelação CHOCANTE, VEJA AQUI

Elon Musk, CEO da Tesla, foi ao Saturday Night Live revelar que tem Síndrome de Asperger.

Por uns segundos, achei que iria aproveitar o balanço e revelar, em primeira mão, que tenciona pagar mais impostos. Afinal não, é só Asperger… menos mal.

Ps. Entre Elon Musk e Jeff Bezos, um deles é o mais rico do mundo. Ainda bem que podem brincar aos plebeus, também.

COPYRIGHT: YOUTUBE/POWERFULJRE

Cotrim lava mais branco?

Portanto, na audição a Luís Filipe Vieira, o deputado da IL (Iniciativa Liberal) foi para lá de fofinho. Se Cotrim fosse advogado de carreira (penso que não o é) eu diria estar perante mais um caso em que advogado, cliente e testemunhas preparam a audiência e em que as perguntas, fofinhas, lavam a situação. Alegadamente, claro. A intervenção do único deputado da IL nem chega a ser uma desilusão. Uma coisa garantiu: o meu voto nunca mais o levam.

What a Wonderful World

João Cotrim Figueiredo, deputado do IL (Iniciativa Liberal), que em 2008, na qualidade de administrador da PH (Privado Holding), detentora, na altura, do BPP (Banco Privado Português), pediu ao Estado 750 milhões de euros (tendo recebido 450 milhões) e que uns anos depois, na qualidade de deputado, afirmou que “o Estado não pode salvar bancos”, está a questionar Luís Filipe Vieira acerca das suas dívidas ao Novo Banco.

«The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands, saying “How do you do?” They’re really saying “I, I love you”»

Imagem retirada da página “Uma página numa rede social”, no Facebook.

Suruba

Luís Filipe Vieira, na comissão de inquérito parlamentar: “Há quem ande aí de iate e avião…”

Felizmente, ele não. É um pobretanas que só tem uma casa com palheiro.

O Vito Corleone de Alverca pensa, fala e mexe-se como mais um DDT. Só assim se justifica que alguém que diz ter “vários rendimentos” não tenha pago um cêntimo das dívidas que tem.

As comissões de inquérito parlamentares são uma suruba em que o povo português é o único alvo da sodomização.

A inveja entre calimeros

“Outros andam aí a passear com iates e aviões privados”. Isto dito por alguém que para ir ao Brasil buscar treinadores freta um jacto privado….

Luis Filipe Vieira, Promovalor e BES entram num bar….

Resumo dos primeiros minutos da ida de Luis Filipe Vieira (dono da Promovalor e presidente do Benfica) à Assembleia da República (caso devedores do BES):

“Foi o BES. Não me lembro. Foi a pandemia. Não sei. Foi o BES. Foi a crise de 2011. Não me lembro. Do Brasil é com o meu sócio. Não conheço. O meu sócio é que os conhece. Não temos conhecimento de nada disso. Se quiserem enviem as perguntas por escrito”. É isto. A culpa vai ser do motorista.

A União Europeia e o privilégio de aqui estar

Foi há 71 anos que Robert Schuman proferiu o seu famoso discurso, eternizado como Declaração Schuman, que marcou o início do processo de construção europeia, colocando, assim, um definitivo ponto final em anos de guerras sangrentas e instabilidade política e social no continente europeu. De lá para cá, a hoje União Europeia transformou-se na capital mundial da democracia e da liberdade, onde o esforço conjunto resultou em mais direitos, mais liberdades, mais garantias, mais igualdade, mais fraternidade, mais respeito pela diferença e maior acesso a oportunidades do que em qualquer outro local do mundo. O caminho é sinuoso, e muito há ainda para construir, para reformar, para melhorar e ajustar. Na balança, contudo, os ganhos colectivos ultrapassam largamente as consequências nefastas que deste projecto resultaram. E nós, portugueses, que nem sempre sabemos usar ou executar o investimento que chega de Bruxelas, somos dos que menos se podem queixar. Seríamos um país muito mais atrasado, muito mais pobre, caso tivéssemos optado por qualquer uma das propostas “orgulhosamente sós”, na periferia e ultraperiferia da União. Sempre tive e – suspeito – sempre terei dúvidas quanto ao funcionamento e estrutura da União Europeia. Mas nunca deixarei de acreditar no melhor projecto civilizacional construído até à data. E não vejo propostas alternativas que nos conduzam a mais prosperidade. Só retrocesso e barbárie. Celebremos, pois, esta Europa a 27 e tudo o que conquistamos. Se não for por mais, que seja pelo privilégio de aqui estar.

Odemiração

Um dos meus melhores amigos vive na minha memória. Tinha idade para ser meu pai e foi, durante vários anos, companheiro de tantas conversas. O Manuel Dias, velho jornalista prestigiado, andou pelo mundo inteiro. Contou-me que esteve na Cidade do México, em trabalho. Perdido na metrópole, a caminho de uma sessão com gente fina, deu por si, bem vestido, a entrar num tasco muito pobrezinho, para beber uma cerveja. Não me lembro das palavras exactas, mas o Manuel fez-me ver que tudo ali era miséria, pobreza, fome, os mais pobres dos pobres. Acrescentou: “Nestes momentos, um tipo é obrigado a pensar na sua camisa, na sua gravatinha, nas desigualdades.”

Nem sempre pensamos nas desigualdades. A maior parte das vezes, não pensamos nisso, por um egoísmo que, em parte, é saudável – com tanta miséria e tanta exploração que há pelo mundo, não teríamos tempo para sermos felizes ou, no mínimo, inconscientes ou ignorantes (condições necessárias para se ser feliz). Não teríamos tempo nem descaramento para apreciar a gravata, as jantaradas, os inúmeros privilégios com que somos cumulados, porque a vida que temos não resulta só do mérito, mas sobretudo de uma série de acasos, por muito que os portadores de certezas absolutas, sectários religiosos e políticos, acreditem no merecimento.

O triste espectáculo da escravatura em Odemira não é novidade. Há quem fique admirado por se saber. Fico espantado (até comigo) por não se pensar nisso, por acreditarmos que não é possível no nosso mundo, na civilização europeia. A exploração é tão antiga como a humanidade ou é a maneira de exercermos a nossa selvajaria essencial, lobos uns dos outros. É uma pulsão, é o poder a corromper-nos. [Read more…]

Pois é

No estilo e na substância, Joao Galamba é a cara escarrada de José Sócrates, de quem foi próximo e fiel (enquanto rendeu). Este homem vai sair-nos muito caro. E porque conhecemos o outro, não podemos dizer que não fomos avisados.”