Ora bem, se o acordo da FECTRANS inclui a tal cláusula 61”, com a qual o patronato paga apenas 2 horas de trabalho extra por dia (mesmo que trabalhem mais do que isso) e dado que o “conceito de dia” de trabalho é um “período de 24 horas, a contar do início da jornada de trabalho”, há aqui uma potencial poupança da entidade patronal quanto aos custos laborais. Resta saber se o aumento negociado será mais do que essa poupança.
Crónica de uma morte anunciada
Governo: “processo de mediação” chegou ao fim, Antram não negoceia com greve
Hipótese de mediação durou quatro horas. Governo confirmou que ficou por terra perante a posição da Antram de não negociar com a greve em curso. Sindicato independente de mercadorias reúne-se com Governo e tem a suspensão da sua greve em cima da mesa. [PÚBLICO]
Com o governo do lado do patronato, fornecendo motoristas e patrocinando um acordo com outra central sindical, a ANTRAM não tem um único motivo para aceitar negociações.
Entretanto, ANTRAM e SIMM estão reunidos. Se sair mais um acordo, fica o xeque-mate ao SNMMP a um passo.
E fica claro quem manda no país. Dica: não é o governo.
Adenda: Aí está: Sindicato de Mercadorias desconvoca greve. Governo lança apelo ao SNMMP. Agora só falta os 78% dos camionistas associados do SNMMP concordarem em ficar de mãos a abanar.
“A Fectrans escolheu a via negocial e consegui resultados, o SIMM decidiu-se pela via negocial e pretende também conseguir avanços, falta o SNMP”, disse Pedro Nuno Santos [DN].
Governo e patronato de mãos dadas na velhinha táctica de dividir para reinar.
Os telemóveis
Já Marx, nos Manuscritos, nos chama atenção para o trabalho como categoria ontológica e falava na “produção do homem pelo trabalho humano”. O velho Vinicius escreve: …”Mas ele desconhecia/ Este facto extraordinário/ Que o operário faz a coisa/ E a coisa faz o operário” (O Operário em Construção).
Então, a partir desta base filosófico- poética, pergunto:
Que raio andam a fazer de nós os telemóveis?!
“Com a espada sobre a cabeça”
Um repetido argumento da ANTRAM tem sido que não negocia com a espada sobre a cabeça, querendo dizer que exige que a greve seja cancelada antes de ir para negociações.
Mas repare-se na espada que a ANTRAM coloca sobre a cabeça dos grevistas.
Havendo acordo [entre a FECTRANS e a ANTRAM], este só se aplica a quem o negociou – vincou na noite de quarta-feira o representante da Antram. Dito de outra forma, os motoristas que estão nos sindicatos que optaram pela greve não terão direito às medidas entretanto acordadas com a Fectrans. [Expresso]
Ainda sobre este mesmo acordo, repare-se nesta parte da mesma notícia no Expresso:
A Fectrans confirmou que entre as matérias ontem acordadas inclui-se a polémica “cláusula 61”, aquela que no contrato coletivo permitiu às empresas deixarem de pagar remuneração pelo trabalho suplementar, recebendo duas horas de trabalho extra por dia (mesmo que trabalhassem mais do que isso). O problema é que nem todos os sindicatos assinaram este contrato coletivo, nem várias empresas o aplicam nesta cláusula. Porém, esta quarta-feira, nem Fectrans nem Antram explicaram em que sentido avançaram neste campo. [Expresso]
É uma cláusula fantástica e coloca dúvidas sobre a capacidade negocial da FECTRANS, especialmente se se atender a que, de acordo com o Contrato Colectivo de Trabalho celebrado entre a ANTRAM e a FECTRANS em 2018, o “conceito de dia” de trabalho é um “período de 24 horas, a contar do início da jornada de trabalho”.

Xeque

A meio da tarde, Pedro Pardal Henriques pegou no cavalo e moveu-o para a casa de desafio a André Matias de Almeida para que este participasse em negociações amanhã à tarde no Ministério. Nas notícias ouvia-se que os sindicatos estavam prontos para negociar. Xeque.
À noite, o porta-voz da ANTRAM puxa do bispo e contra-ataca, deixando um peão em posição sem defesa. Nas notícias fala-se em “Acordo histórico” entre Fectrans e patrões. “O tempo da greve terminou”, diz Pedro Nuno Santos. A jogada abriu caminho para a rainha fazer Xeque.
Pardal move o rei para fugir ao ataque mas a posição está pouco defendida. “O Governo patrocinou um acordo que foi assinado à revelia do que os motoristas pretendiam”, aponta, frisando que “motoristas têm reclamado condições que não são as que estão no acordo”.
A ANTRAM aproveita a fragilidade e faz novo xeque. ANTRAM recusou o desafio do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) para uma reunião na quinta-feira, alegando que não pode negociar com “a espada na cabeça”. A ANTRAM ter colocado a espada na cabeça do sindicato numa jogada anterior, quando afirmou que com greve não haverá aumentos, foi há demasiado tempo para que alguém se lembre.
Outros lances paralelos foram encurralado o rei, sendo o da credibilidade, que parece só se aplicar a um dos lados, um dos com maior alcance. PGR confirma que Pardal Henriques é alvo de inquérito.
Com a ajuda da rainha e do bispo, o jogo caminha rapidamente para xeque-mate, não se desse o caso de os 700 peões, de um total de 900, serem afiliados do sindicato que não foi chamado para as negociações e que convocou a greve.
O jogo continua amanhã. Teria graça se fosse engraçado.
Ponto de situação – os protagonistas e as reivindicações em cima da mesa
- André Matias de Almeida foi nomeado em Maio de 2017 para um tacho (presidente do Conselho Geral do Fundo Autónomo à Concentração e Consolidação de Empresas) e em Junho de 2017 para outro tacho (presidente do Conselho Geral do Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas). Duas presidências resultantes de nomeações efectuadas pelo então secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.
É irmão de Bruno Matias Almeida, adjunto do secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, desde Outubro de 2018.
Terminou uma pós-graduação em Setembro de 2013, altura em se presume que tenha terminado os estudos académicos.
Começou a trabalhar como advogado na firma Albuquerque & Associados em Março de 2014.
É porta-voz da ANTRAM, presumivelmente em acumulação com as duas presidências, com a advocacia e com mais alguns cargos que enumera no seu LinkedIn.
É, portanto, um fenómeno, dado que, com 5 anos de experiência profissional, e com o seu cartão de militante do PS, já é presidente de dois organismos estatais e porta-voz de um dos beligerantes nesta greve de contornos muito delicados.
Foi deputado municipal pelo PS na Assembleia Municipal de São Pedro do Sul no mandato anterior e tem uns rabos soltos em ajustes directos.
[Informações via Polígrafo e LinkedIn. Nota: procurei pela actividade destes dois Conselhos, para perceber o que fazem e que dedicação exigem do seu presidente. Deve ser deficiência minha não ter encontrado uma única referência – talvez por não me ter lançado pela dark web.]
Almiro
Naquele transe, Almiro estava disposto a tudo. A arriscar a vida se necessário. Por isso, mergulhou da borda do barco e nadou para a praia. Havia vagas e correntes, mas Almiro cortou as águas sem medo nem hesitação. O folgo começava a faltar, a espuma açoitava-lhe a cara, cegava-o. Mas ele prosseguiu, intrépido. Não podia faltar àquele encontro que o destino, providencial, pusera no seu caminho. Nadou, pois. Muito, quase até ao esgotamento. Chegado à praia – melhor se diria, atirado à praia pelas ondas – ainda havia um longo caminho na areia mole e pesada. Correu. Faltava-lhe a respiração, sentia-se desfalecer. O suor corria-lhe pelo corpo misturando-se com a água do mar. Ofegante, continuou. Já faltava pouco, o seu objectivo estava à vista, já lhe vislumbrava o sorriso. o longínquo brilho dos olhos azuis que tanto emocionavam Almiro. Corre, Almiro, corre. Mais se arrastando que correndo Almiro estava a chegar. Trôpego, caiu de joelhos e levantou o braço para que o alvo da sua demanda o visse. Mas era tarde. E, para desespero Almiro, que ali ficou, rastejante, com o braço no ar num gesto de derradeira súplica, já nada havia a fazer. O objecto do seu vão esforço partira no seu luxuoso carro .
Por isso, para seu lancinante desespero, ainda não seria daquela vez que Almiro conseguiria a almejada selfie com o professor Marcelo.
O esquema

Este recibo de vencimento circulou pelos facebooks e twitters da praxe até que acabou por ser usado numa reportagem da TVI. E conta uma história.
De um total de 2317,29€ de vencimento bruto, 845,00€ estão isentos de impostos (36% do vencimento bruto). Para o comum dos mortais, o valor não tributado corresponderá ao subsídio de refeição e pouco mais (se algo mais), havendo, no entanto, outras profissões onde este esquema é usado.
O esquema é simples.
E sai uma requisição civil para a mesa do canto.
Na tarde “informativa” das televisões foi dito e re-dito que a situação estava normal, apesar de aqui e ali faltar algum combustível. Pudera, com o pânico gerado durante a passada semana, devem ser poucos os que não não tenham o depósito cheio. Na televisão, um sujeito do governo justifica a requisição civil dizendo, entre outras coisas, que é para tranquilizar os portugueses. Fica bem, depois do estado de sítio montado pela comunicação social ao longo de um mês.
Adenda: São 20:25 e as “reportagens” televisivas continuam a bater no mesmo tema, com todo o jeito de assim continuar. Está montado o circo, mas deste não sairá palhaçada que faça rir.
A vez dos camionistas
Na falta de fogos, saiu a lotaria às televisões com esta greve dos camionistas. As “reportagens” do fim-de-semana foram mais um exemplo de preenchimento de tempo de antena sem existência de notícia. Nalguns casos, a “reporter” dizia que até havia menos afluência ao posto de abastecimento do que nos dias anteriores. Noutros, afirmava-se que o combustível ainda não tinha faltado – ou seja, constatava-se a normalidade e, consequentemente, a ausência de notícia.
Ana Sá Lopes diz no PÚBLICO o que há a dizer sobre este gigantesco spin em curso.
Quem passou o fim-de-semana a ver notícias assistiu provavelmente à mais acabada operação de agitação e propaganda de um Governo tendo como pano de fundo uma greve de camionistas. A programação milimétrica da operação de agit-prop – com vista à conquista do eleitorado da direita órfã e obtenção de um propulsor para a maioria absoluta – demonstra um tacticismo que pode funcionar em termos eleitorais mas que, de caminho, atira para o lixo bebés e água do banho. A ala esquerda do PS, protagonizada pelo ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, acabou de cometer suicídio e parece que não percebeu. Estas coisas pagam-se caro, com juros, mais tarde ou mais cedo.
Chega de moradas falsas

Fotografia via Chega de Moradas Falsas
Quando me deparei com esta tarja, achei estar perante um protesto contra aqueles indivíduos que, na condição de servidores públicos, que decidem sobre o destino da nação, declaram residência num concelho longínquo, do qual já nem se lembram e de onde apenas vão recebendo uma notícia, de longe a longe, nas cartas que lhes chegam dos caciques que ficaram na terrinha. [Read more…]
Fake news, Expresso?

via Expresso
“Bolsonaro surpreende com cocó e prisão para jornalistas“? Mas surpreende quem? E com o quê? Com o cocó não é de certeza, que se há coisa que Bolsonaro faz bem, é dizer e fazer merda. Com ameaças de prisão para jornalistas também não deve ser. Fascista que se preze não tolera a liberdade de imprensa e pune exemplarmente os prevaricadores. E o nazi paulista não se cansa de os avisar. Junte-se-lhe o fundamentalismo religioso, e não se admirem se um dia destes descobrirem que um jornalista brasileiro foi fatiado a mando do ayatollah do Whatsapp. As parecenças deste Brasil com a Arábia Saudita não se esgotam no nepotismo e no espírito totalitário.
Música para outro domingo de manhã
Novamente, o Quintetto Anedda, com “A Canção do Outono Japonês”, de Yasuo Kuwahara.
Política não, credo
“A emancipação dos trabalhadores será obra dos trabalhadores”- dizia Marx.
Se não forem capazes, contratem uma sociedade de advogados ambiciosos, digo eu.
E não, não estou a questionar a legalidade e a legitimidade da greve que se anuncia. Muito menos a subscrever a acção e medidas do governo – que raio de serviços mínimos são aqueles? – que parece ansioso por mostrar músculo político e agradar aos eleitores de direita. Estou apenas a lembrar que esta treta do “novo sindicalismo” – parece que já há 15sindicatos15 a querer contratar o dr. Pardal – não tem nada de novo. O ataque vai-se virando, durante estes eventos, contra o chamado sindicalismo “clássico”. Isto é, o sindicalismo forte e unido com uma forte componente política – não, não tem de ser partidária -, cuja acção não se resuma à reivindicação salarial e a concertações encenadas. É por isso que a direita exulta com este suposto vendaval de neo-sindicalismo. É que, para ela, uma sociedade de advogados a dirigir – generosa e graciosamente, claro – um sindicato, é modernaço e traz a vantagem de as organizações sindicais não se meterem em política que isso é coisa de senhores doutores. Já se um partido tiver forte presença num sindicato, “ai valha-me deus, ti batata, que isto é tudo uma data de comunistas”.
Nós compreendemos. [Read more…]
Não sei se terei percebido bem
Estando fora do país, chegam-me ecos de uma greve no sector dos transportes de mercadorias que não mereceu a bênção das centrais sindicais do PCP e do PS, tendo o governo estipulado serviços mínimos de 100%, sobre a qual Marcelo afirmou estarem em causa motivos justos mas que não a justificavam e sem que se tenham ouvido palavras de ordem do Bloco e dos Comunistas.
Terá o direito à greve sido abolido nas últimas semanas, numa revolução de direita, sem que disso me tenha apercebido?
As pessoas, as causas e vice-versa
Quando os professores fazem greve, há um coro de críticas a Mário Nogueira, considerado um inútil por não dar aulas há vários anos, sendo, para cúmulo, um homem tão poderoso que consegue “instrumentalizar” uma classe profissional inteira constituída por animais ruminantes que se limitam a seguir o líder, sempre sem razão para protestar. Estou à vontade, porque não faço parte do clube de fãs e fiquei ainda mais afastado depois da traição de 2018.
(A propósito, “instrumentalizar” é uma espécie de verbo-coisa com que os críticos de qualquer greve pretendem demonstrar que os grevistas são vítimas acéfalas do instinto gregário, coitadinhos!)
Diante dos defeitos – reais ou não – de um dirigente, as razões para a revolta das classes profissionais são frequentemente desvalorizadas, nem sempre por boas razões, porque há muito avençado à solta. [Read more…]
António Costa é Allende ou Pinochet?
Há quem ande a fazer paralelismos entre os camionistas chilenos de 1972 e os portugueses de 2019. Também quero exercer o meu direito ao simplismo.
“Não adianta mais fingir…
Por Ivan Martins*
Não há mais um regime democrático. Democracia tem regras constitucionais que são respeitadas. É a ditadura do capital financeiro.
“Não adianta mais fingir…
Não adianta ouvir Mozart no carro.
Não adianta ler “O mal-estar na civilização” com a gata no colo.
Não adianta receber os amigos, tomar vinho e ficar feliz na companhia deles.
Não adianta conversar com os filhos, jantar com os filhos, beijar os filhos.
Não adianta dormir com a mulher que a gente ama, dizer que a ama, ouvir que ela também nos ama.
Nem o Corinthians escalando a tabela do Brasileiro adianta.
De manhã, ao ligar o celular, você ficará sabendo que a polícia de São Paulo compareceu a uma reunião de mulheres do PSOL, exigindo saber quem havia organizado aquele encontro partidário.
Depois, saberá que Bolsonaro demitiu um cientista, o respeitado presidente do Inpe, que teve coragem de denunciar suas mentiras sobre o desmatamento na Amazônia.
Lerá, mais tarde, que a tropa de elite da polícia militar do Pará canta, diante do governador do Estado, uma música que fala em “arrancar cabeças” e praticar “pena de morte à brasileira”. [Read more…]
A realpolitik e o nepotismo favorecem o populismo
Santana Castilho*
- Um grupo de cidadãos pediu que se tomem medidas para impedir eventos neo-nazis no território português, designadamente uma conferência nacionalista promovida por organizações de extrema-direita, programada para 10 de Agosto, em Lisboa. Segundo o Expresso, é Mário Machado (cujo envolvimento no homicídio do malogrado Alcindo Monteiro e noutros crimes de discriminação racial não pode ser esquecido) o mentor da iniciativa, para a qual terá convidado Paul Golding, igualmente condenado no Reino Unido pelo crime de ódio racial. Segundo a Constituição da República Portuguesa (artº 46º, nº 4) não devem ser consentidas “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
A Tragédia de El Paso (20 pessoas desabridamente abatidas a tiro por um jovem de 21 anos), eventualmente justificada por um manifesto de supremacia rácica que a polícia texana encontrou, convoca-nos à reflexão. Intitulado “A Verdade Inconveniente”, o manifesto proclama a necessidade de os texanos se livrarem dos hispânicos para proteger o modo de vida dos americanos, colhe inspiração no discurso de ódio de Brenton Tarrant (o monstro que assassinou 51 muçulmanos na Nova Zelândia) e é indissociável da retórica xenófoba e anti-imigratória de Trump, que há bem pouco apodou os mexicanos de violadores e criminosos, apesar de as taxas de criminalidade dos imigrantes serem bem inferiores às taxas de criminalidade dos americanos. [Read more…]
Ó filho, já não estamos no tempo da ortografia!
Personagens: um rapaz suficientemente cauteloso para perguntar como se deve escrever uma palavra; uma mãe suficientemente informada para desconfiar que ninguém sabe.
Rapaz: Ó mãe, ó mãe, ó mãe!
Mãe: Ai, filho, uma vez chega, até me gastas a maternidade! Diz!
Rapaz: Ó mãe, ó mãe, olha esta fotografia aqui neste blogue tão espectacular! Afinal, como é que se escreve? É ‘veredito’’? É que já vi escrito ‘veredicto’.
Mãe: Isto deve ser um daqueles problemas do acordo ortográfico, anda tudo maluco. Se isto for assim no trânsito, as pessoas ainda podem começar a confundir sentido proibido com sentido obrigatório! [Read more…]
O califa de Mar-a-Lago

No espaço de uma semana, três atentados terroristas nos EUA ceifaram a vida a mais de 30 pessoas. Primeiro na cidade californiana de Gilroy, de seguida em El Paso, cidade fronteiriça de New Mexico, e, finalmente, em Dayton, Ohio. E se é certo que tiroteios são o prato do dia nos EUA, o elevado número de atentados em tão curto espaço de tempo é revelador destes tempos sombrios, ainda mais sombrios do que aqueles a que fomos habituados pelo Tio Sam. [Read more…]
Marcelo e as greves
O Presidente da República comentou a greve dos motoristas. É natural: ainda há pouco comentou o jogo da Supertaça entre Benfica e Sporting. Amanhã, comentará a actuação do nadador-salvador na Praia de Monte Gordo, aquele já mais próximo de Vila Real de Santo António.
Começou por afirmar que os fins são legítimos, considerando que isso não é suficiente. Se bem entendi, Marcelo reconheceu que os motoristas têm razões para protestar, o que quer dizer que estão a ser alvos de injustiças. Que isso não seja suficiente já me parece mais estranho, mas esperemos.
Depois, diz que o recurso à greve deve ser ponderado e não exagerado, deixando implícita a ideia de que os sindicatos que convocaram a greve podem não estar a ser sensatos, ao contrário, depreende-se, de quem não lhes quer dar aquilo a que têm direito, porque, relembre-se, as razões da greve são legítimas.
Finalmente, afirmou que exageros destes – que estão por provar – levarão a que os portugueses possam não se sentir solidários com os grevistas. Quem está convencido da justeza da sua luta não precisa da simpatia de ninguém. As sufragistas foram amplamente criticadas, mas, segundo a teoria marcelista, deveriam ter comido e calado, por serem tão impopulares.
Voltando ao princípio, há uma pergunta fundamental: as reivindicações são justas? Se sim, o Presidente da República e o governo deveriam fazer declarações públicas no sentido de obrigar a que tenham reposta. Em vez disso, como é costume, preferem criticar os injustiçados, tendo, muitas vezes, o apoio de democratas distraídos.
Querido páisinho
Bilhete encontrado na secretária do Senhor Presidente e ilustre Administrador desta Empresa, que lhe deve ter caído das mãos quando se sentiu mal ao lê-lo e que aqui se traz a despacho:
“Querido páisinho:
Estou muito felis a Dona Açunção Cristas dice que quem não tem nota para entrar na univercidade púbica pode entrar se pagar uma tacha com dinheiro que o páisinho tem muito e o meu quaze não xega para a gasolina do Proche a mâesinha já dise que está bem e queria muito ter um filho dôtôr e assim e tá dezerta para me ver de kapa e batina e essas coisas eu sei que o páisinho tabém porque era melhor eu entrar na empreza do páisihno com um cruso suprior e eu não tenho notas proque os porfeçores não gostão de mim e teem inveja do meu carro e das minhas rôpas e isso que eu bem sei e agora todos entram na univrecidade menus eu e eu até já dice a eles que eles podem ter notas na páuta mas tenho notas no bolço á á á já ovi dizer que o que a senhora dona Cristas axa é parecido com o PAN porque açim até um camelo pode ser dôtôr mas é tudo inveija o paizinho pagame aquele dinheiro para eu entrar na univrecidade não paga? obrigado paisinho agora é que eles vam ver que eu não sou buro nenhum ã ã ã. De certeza que hádes fazer isso com já fizestes doutras veses.
Beiginhos páisinho estou tam contente !!!
Benardo”
Temas da silly season – II
Ao que parece o BE pretende cancelar a visita do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a Portugal, por não o considerar bem vindo. Nada que surpreenda vindo de quem pratica o folclore político. Como se fosse possível ignorar os 500 anos de história comum, as centenas de milhares de portugueses que vivem no Brasil, os brasileiros que vivem em Portugal, a língua, tudo porque os meninos amuaram quando os brasileiros elegeram quem bem entenderam, como se nós não fizéssemos o mesmo, quer os outros países gostem ou não das nossas escolhas democráticas enquanto povo livre. A democracia tem destas coisas, claro que percebo a dificuldade dos que tentam impor uma agenda à sociedade em lidarem com a divergência.
Não vou gastar uma linha em defesa de Jair Bolsonaro, estou-me nas tintas para o político, interessa-me mais o que se passa cá no rectângulo, em matéria de relações entre estados, os políticos passam, os países ficam. Os meninos mimados da política portuguesa precisam crescer e aprender…
Descobre-se agora que uma lei de 1995 é absurda
Foi preciso esperar para que os negócios do filho de um secretário de Estado viessem para a ribalta para que se falasse da constitucionalidade da lei em causa.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, o caso do filho do secretário de Estado “é um caso típico que mostra bem o absurdo de uma interpretação literal da lei que esquecesse o princípio constitucional da proporcionalidade”. [Augusto Santos Silva, via RTP]
Só há uma interpretação da lei. Que o diga quem é apanhado com impostos em falta, por exemplo. Agora que se descobriu que a lei foi violada em outros ministérios, veio a tropa pesada do spin remendar o lençol destapado pelo desbocado ministro Cabrita.
Outro spin consiste em misturar o caso das golas com os descobertos em outros ministérios. Não são a mesma coisa. Neste caso, o filho do secretário de Estado fez negócios na área de responsabilidade tutelada pelo pai. A situação está tipificada na lei e dita a demissão do governante.
O que se deve perguntar ao senhor Santos Silva, tão preocupado com códigos de ética, é se compactua com ilegalidades. Inclusivamente quando a aplicação da lei não dá jeito para chegar à maioria absoluta.
Negar sempre, até ao fim
“Infiel, eu?! Jamais”, exclama o marido apanhado de calças na mão pela esposa. Negar, mesmo perante a evidência. Admitir é reconhecer que se errou. Negar sempre, até ao fim.

Imagem: Expresso
Competência, para quê?
“CDS quer que alunos que ficam de fora na universidade pública possam pagar para entrar.” Ou, eventualmente, apresentar o cartão do partido à entrada.
«Lembrai-vos disto e meditai, reflecti, ó prevaricadores» (Is 46, 8)
Arguments that teaching explicit pronunciation is a waste of time or does not fit into a communicative classroom thus do not hold, as the benefits to the students are tangible.
— Abby BajuniemiAnd then you cut
You cut it out
And everything
Goes back to the beginning
— Choir of Young BelieversMementote istud et confundamini; redite, praevaricatores, ad cor.
— Is 46, 8
***
Ontem, foi dia de reflexão.
Hoje, é dia de meditação («lembrai-vos disto e meditai»).
Efectivamente, vede, incréus, o que aconteceu hoje no Diário da República.
Houve fatos

sim, houve fatos

e, além destes fatos, houve contatos:

Citando Frei Bento Domingues, num texto muito justamente intitulado Meditar em qualquer lugar,
boas férias e até Setembro.
***
Rebaldaria Foxtrot e a burla do Governo
Uns tipos foram para a televisão mostrar as maravilhas que estavam a fazer quanto ao flagelo dos incêndios. Chamaram-lhe Aldeia Segura e para televisões consistiu mostrar um saco de brindes. Uma buzina de ar comprimido para chamar a atenção dos aldeões para o incêndio, não fosse eles não terem olhos, um colete daqueles que poucos vestem quando mudam o pneu furado, uns adesivos e pomadas para fazer de conta que trata das queimaduras enquanto não chegam os escassos primeiros socorros, uma lanterna a pilhas que há-de valer de grande coisa no meio do fumo e as tais golas anti-fumo que o desastrado ministro Cabrita trouxe para a ribalta à conta da sua arrogância.
O kit de propaganda custou centenas de milhares de euros e foi encomendado a certa boyada do partido socialista, que se manteve caladinha a ver se escapava, até tudo descambar devido ao desbocado ministro. As 70 mil golas anti-fumo custaram 328 mil euros, ou seja 4 euros e 60 cêntimos por uma meia larga feita na China dos negócios da China. Depois dos burlões que tentam sacar o ouro e o dinheiro aos idosos, só faltava mesmo terem sido burlados pelo Governo.
Agora dizem que vão alterar a lei para evitar a falta de vergonha. Parece que sem lei não há decência. O que neste caso é irrelevante, pois a lei já proibia estas negociatas. [Read more…]






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