Políticas de esquerda, salários de direita

meme

Se o critério que norteia o enquadramento dos salários dos gestores da CGD não permite reduzir a factura – ou pelo menos não a aumentar – do custo que o seu conselho de administração tem para o erário público, existe, a meu ver, uma solução: alterar o critério. Existem, inclusive, propostas do PCP e do BE para limitar os salários dos gestores públicos ao salário do primeiro-ministro ou do presidente da República. Se existem, aqui vai uma lapalissada: é porque pode ser mudado. [Read more…]

Transcrição completa do terceiro debate presidencial Clinton-Trump

Depois de o Armindo de Vasconcelos ter trazido os dois primeiros debates, eis o terceiro.

Os novos lesados bancários do rectângulo

db

O Deutsche Bank, alemão que é, tem que ser, nem podia ser de outra maneira, magistralmente gerido. Se ultimamente tem dado problemas, tal encontra explicação nos focos de sovietização que se acendem um pouco por toda a Europa, e que, como se sabe, são nocivos para a saúde financeira de bancos responsáveis e plenos de valores éticos como o Deutsche, que ainda por cima é deutsche. Brincar aos especuladores não teve nada que ver com este assunto. É desígnio divino e não merece castigo. [Read more…]

Le Tour de France

Rui Naldinho
Le Tour 2017

Le Tour 2017

Um evento digno de uma peregrinação!

Declaração de interesses: Sou um maluco pelo ciclismo. Se vejo na televisão como a maioria dos aficionados, por vezes adormeço. Mas aquilo é como as telenovelas. Dez minutos de sesta e toca a ver o resto da prova. Se estou na disposição de ir ver ao vivo, faço como todos os crentes. Torno-me numa espécie de peregrino, mochila às costas, e espero pacientemente que desfilem as minhas divindades.

No passado dia 18 de Outubro foi apresentado em Paris, no Palácio dos Congressos, o “LE TOUR 2017.” A Volta a França é o maior evento desportivo anual do mundo em termos de impacto mediático. Note-se que outras grandes competições como o Mundial de Futebol e os Jogos Olímpicos, não são anuais, mas sim quadrienais. Logo, não são comparáveis.
[Read more…]

Prémio blogs do ano – Aventar

nomeado_categorias_politica

Terminou a votação | Conhecer o Aventar

Os resultados serão anunciados a 27/10/2016. Ver também: todos os posts sobre o concurso.

Manuais escolares: o populismo decide, a sensatez paga

Santana Castilho*

O Governo escreveu e os jornais repetiram: a despesa com a Educação sobe 3,1% em 2017. Mas, não é assim. O que o Governo acaba de apresentar é o que estima vir a gastar em 2017, que comparou com o que previu gastar em 2016. Ora o Governo sabe que vai fechar as contas de 2016 com uma despesa bem superior à que estimou. Termos em que, com o que já se conhece, a afirmação é falsa.

Apesar deste expediente e dos artifícios que recheiam o OE 2017, fica desde já claro que prefiro a lógica que o informa à lógica dos que o antecederam. Posto isto, permitam-me que formule a pergunta de partida para abordar um desses artifícios: quais são as consequências da imposição de um modelo de gratuidade e reutilização dos manuais escolares? Como se pretende abordar uma indústria que, estima-se, move anualmente 100 milhões de euros, dá emprego a 2.000 pessoas e interessa a 1.600 livrarias? Poderemos ter, numa primeira fase, sob um pretexto político discutível mas que é bem acolhido pelo mainstream, uma iniciativa que poderá destruir, numa segunda fase, uma cultura que demorou décadas a desenvolver-se? Tratar-se-á de uma actuação movida por simples preconceito, que acaba abalroando, de modo centralista, interesses de editores, de autores e dos que trabalham na indústria da produção de livros? [Read more…]

Histórias reais – Uma proposta irrecusável

É pouco provável que algum de vós tenha conhecido o Mocambo. Fechou portas em 1958, depois de década e meia de glória no esplendoroso Sunset Boulevard, onde os argumentistas fracassados acabam a boiar nas piscinas. Com a sua decoração carregada de estereótipos de uma América do Sul de caricatura, e as paredes cobertas de jaulas de vidro com papagaios, catatuas, e pombos, devia ser um desses lugares em que tudo é genuinamente postiço. Ver e ser visto no Mocambo era um imperativo para as estrelas da época e nenhuma falhava. E actuar no Mocambo era o empurrão necessário para qualquer carreira musical. Poucos eram, porém, os artistas negros que conseguiam um contrato, numa época em que a segregação racial ainda era a norma.

Impunha-se, portanto, jogar uma carta alta para que uma cantora negra pudesse actuar no Mocambo. Foi necessário que a sua amiga e admiradora fizesse ao dono do clube uma proposta irrecusável. Se ele contratasse certa cantora, a quem apenas a mais preconceituosa burrice poderia cerrar portas, ela, a sua amiga e admiradora, estaria todas as noites na fila da frente do Mocambo, sorriria para as câmaras dos fotógrafos que não deixariam de seguir-lhe os passos e com isso faria ao clube uma publicidade tão esplendorosa que nem o Mocambo poderia desdenhar. [Read more…]

A ironia do geringoncismo

g

A confirmarem-se as previsões, é possível que o ano de 2016 termine com uma grande ironia: o défice mais baixo das últimas décadas será conseguido por um governo socialista apoiado pelo PCP e BE. Na novilíngua do radicalismo neoliberal, um Processo Revolucionário Em Curso com vista à estalinização do país. Uma perigosa e infame Geringonça, preparada para instalar um totalitarismo soviético que espanta investidores, aumenta brutalmente os impostos e persegue impiedosamente o ensino privado. O precipício. [Read more…]

Parem as rotativas

A malta da direita, agora que as contas têm o inconveniente de estarem a correr bem, está à procura de inspiração além fronteiras. Veja-se bem, que até já são especialistas em grego e análise política da Grécia.

Não é que descobriram um escândalo? Só falta saber se é tão credível quanto a fotomontagem do pobre grego que não era grego ou das filas do multibanco, que não eram filas.

manipulação imprensa grécia

Astérix contra o CETA

image-wallonia

A VALÓNIA DIZ NÃO AO CETA

Era hoje que os ministros europeus queriam dar o ok ao CETA, passando por cima das significativas e comprovadas razões invocadas pelos cidadãos europeus contra o acordo com o Canadá. Mas eis senão quando, tal aldeia gaulesa, o parlamento de uma das três regiões da Bélgica, a Valónia, resiste à gigantesca pressão de todos os outros estados. Ao contrário do austríaco Kern, que já tombou para o sim, Paul Magnette resiste. Se assim se aguentar, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que já anda sem paciência para os parceiros europeus, bem pode ter de desmarcar a viagem para Bruxelas na próxima semana, onde pretendia assinar o acordo juntamente com os outros líderes europeus.

Que não lhe falte da poção mágica, Magnette!

Blogs do ano

image

Termina amanhã a votação do público na primeira edição do concurso “Blogs do ano”, pelo que é uma boa altura para se fazer um balanço, antes de serem conhecidos os respectivos resultados.

[Read more…]

«Segundo o JN apurou, a rutura é recente»

Se o JN lesse aquilo que se escreve, quer aqui, quer no Público, saberia que a ruptura é excelente e que a rutura, além de supérflua, não é recente.

Ninguém comparece ao meu rendez-vous

Assim de repente, lembro-me de quatro ou cinco malucos que desapareceram da cidade. Demoramos tempo a dar pela falta deles, só os vemos quando calha, mas sabemos quem são, que tipo de maluqueira é a sua, qual a melhor forma de tratá-los. Por exemplo, há dois que andam sempre a correr. Um com aspecto de corredor (perdão: runner) profissional, roupa desportiva, todo apetrechado, mas quando se olha mais de perto vê-se que a roupa está gasta de tanto vento e chuva que apanha, a faixa fluorescente à volta da cabeça é claramente excessiva, e a expressão dos seus olhos é de quem está para lá de Marraquexe. O outro, um velhote que suspeito sofrer de Tourette, sempre muito inquieto, o rosto convulso, sempre a correr como quem vai salvar os bens de uma casa em chamas, dá aflição vê-lo. Não sei que será feito deles. [Read more…]

Pedro e o embuste

ppc

A propósito da sobretaxa do IRS, Pedro Passos Coelho usou a palavra “embuste” para rotular o Orçamento de Estado. Podia aqui discorrer sobre vários embustes com a marca do ex-primeiro-ministro, das cambalhotas fiscais até aos célebres embustes da saída limpa, do défice de 2015 que ia ficar abaixo de 3%que mais do que uma promessa, era uma questão de honra – ou do Novo Banco que não ia ter impacto directo no bolso dos contribuintes, mas hoje fico-me pelo embuste da sobretaxa. [Read more…]

O fim do Bloco e outras “zandinguices” de João Marques de Almeida

be

Para um tipo que tem uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento em Relações Internacionais, para além de ter leccionado e investigado na mesma área, João Marques de Almeida aparenta ter sérias lacunas analíticas. Pelo menos neste caso. Ou então é um daqueles que vende a honestidade intelectual por meia-dúzia de patacos. Talvez seja do ar que se respira na redacção do Observador ou, quem sabe, o facto de ter estado tempo demais exposto a Durão Barroso, de quem foi assessor.  [Read more…]

Jornalismo no Festival Utopia 2016

14717057_695211760630228_1226828883434477353_nSem a Utopia o que é o homem mais do que besta sadia, cadáver adiado que procria? Não foi bem isto que o Sebastião pessoano disse nessa sessão de espiritismo chamada Mensagem, mas serve, como veremos.

Tendo em conta a tentação ditatorial do predador que teimamos em ser, a democracia está sempre em perigo. Um dos maiores sintomas actuais desse perigo reside na desvalorização do jornalismo e dos jornalistas, espécie permanentemente ameaçada e um dos pilares da mesma democracia. Assim, aquilo que era um valor aparentemente seguro até há pouco tempo está perigosamente perto de voltar a ser uma utopia, esse não-lugar em que a palavra do jornalista não está a esforçar-se por permanecer à tona de uma enxurrada de infotainment, de exploração de estagiários, de afastamento de gente experiente ou da sobrevalorização de espaços de opinião vendidos e comprados por partidos.

Como apaixonado dos jornais e como admirador e amigo de muitos jornalistas, congratulo-me com o facto de o Festival Utopia 2016 ter como tema, ou melhor, como causa, o jornalismo. Saúda-se, portanto, a parceria entre a Átomo – Cooperativa Cultural e Social, a Junta de Freguesia de Campolide e a Comissão Organizadora do IV Congresso dos Jornalistas.

Para os que usam o facebook e querem saber mais, é só seguir a página. Mais abaixo, é uma fartura de cartazes com o programa musical incluído, que é festa!, e outras informações úteis e agradáveis. Utopia é no Jardim da Amnistia, no combate contra o cadáver adiado que procria, pois. [Read more…]

Mas… mas… mas…

image

Querem ver que essas pessoas que fazem relatórios para a OCDE estão a fazer panelinha com a geringonça?

Segundo a organização sediada em Paris, o aumento da carga fiscal para os trabalhadores com baixos rendimentos cresceu perto de 1,5% em Portugal entre 2014 e 2015, liderando a tabela, enquanto na Áustria (a segunda maior subida) ficou perto de 1% e no Luxemburgo (terceira maior subida), que a OCDE também destaca, pouco acima de 0,5%

O aumento da carga fiscal sobre os trabalhadores com baixos rendimentos foi particularmente elevado em Portugal, onde o sistema de crédito fiscal foi tornado menos progressivo”, afirma a OCDE no relatório divulgado hoje [22/09/2016, lê-se no JN].

Ó sô dona Cristas, já que encenou o regresso do partido do contribuinte, apraz-lhe comentar a situação criada pelo seu governo?

Sobre as eleições regionais dos Açores

Rui Naldinho

Pedro Passos Coelho reconheceu no último domingo, dia de eleições nos Açores, que aquele não era dia de festa. Pudera! Com aquele resultado, só se festejassem a perda de um deputado do PS, que anda assim manteve uma maioria absoluta sólida.

Foto: PSD Açores

O PSD, ainda não percebeu que dificilmente voltará a ganhar um acto eleitoral enquanto não mudar o seu discurso, onde a narrativa do medo é constante. Parecem os tutores daqueles colégios internos na velha “Albion”. Mas isso não basta. Pedro Passos Coelho, cuja credibilidade está bem mais debilitada do que a da Geringonça tem de se afastar, levando alguns dos indefectíveis com ele, para que o partido se renove, e dê novas respostas aos anseios do seu eleitorado.

[Read more…]

A WikiLeaks incomoda

Julian Assange’s internet link has been intentionally severed by a state party. We have activated the appropriate contingency plans.

«La nouvelle orthographe figurera au cœur des discussions officielles»?

Não? Ah! OK: «les domaines de la formation et de la recherche», «les thèmes économiques et internationaux», «la politique européenne»… Oh!

As notícias da morte da Geringonça eram manifestamente exageradas

obs

Fazendo eco da propaganda reinante, há precisamente um ano, o Observador anunciava a morte da Geringonça por altura da negociação do OE17. Vinha aí uma nova crise política, apesar de, à data, não haver ainda registo de qualquer desavença digna do nome entre os partidos que davam e – pasmem-se – continuam a dar suporte parlamentar ao governo de António Costa.  [Read more…]

PSD em queda livre

ppc

As sondagens, é sabido, valem o que valem. Mas quando sucessivas análises revelam uma tendência comum, neste caso o afundamento do PSD nas intenções de voto dos inquiridos, torna-se difícil de ignorar os sinais. As eleições de ontem nos Açores foram apenas mais um desses sinais, que parecem demonstrar que os portugueses se afastam cada vez mais da letargia reinante no nº9 da São Caetano à Lapa.  [Read more…]

Pedro Passos Coelho, o contorcionista fiscal

Com tanta cambalhota, não admira que se tenha “esquecido” de pagar as dívidas à Segurança Social.

Video: Luís Vargas@Geringonça

Foi você que falou em perdão fiscal?

Governo revoga ‘perdão’ de €19 milhões a empresa do grupo Barraqueiro e à TST
Em causa estão compensações pelo passe social que terão sido pagas a mais e que o anterior Executivo abdicou de cobrar.

Agora é só esperar pelos indignados, a propósito de mais uma revogação por parte deste governo. Inaceitável.

De ASurf a ATudo…

peniche(foto tirada daqui)
O ministro da economia vai amanhã, por ocasião da etapa do campeonato mundial de surf em Peniche,  anunciar a alteração do nome da A8 para ASurf. Para que as outras regiões do país não se sintam discriminadas, venho por à consideração do sr. ministro as seguintes mudanças:
A1 (troço Lisboa-Alverca) – ABejecas
A1 (troço Coimbra-Mealhada) -ALeitão
A13 – ACoiratos
A17 – AOvosMoles
A2 – AVinho
A22 – AConquilhas (hoje, amanhã não sabemos)
A23 – ACereja
A25 – AMorcelaDaGuarda
A28 – AFrancesinhas
A29 -ATripas
A2 (troço Lisboa-Setubal) -AMoscatel
A4 – AEnchidos
A5 – ATias

Carta do Canadá – Estes dias inquetantes

Há uma menininha em Alepo, obrigada a viver no meio da guerra, que escreve um diário e conta como corre o seu tempo de martírio. Um dia destes, em pleno bombardeamento, pôs as mãozitas a tapar as orelhas e perguntou ansiosa: “Deus, estás a ouvir”? A imagem correu mundo e devia pôr de rastos os que fazem a guerra, dum lado e do outro da trincheira, se eles ainda tivessem um resquício de consciência, de pudor, de vergonha. Mas a guerra continua no desgraçado Médio Oriente e um pouco por onde recursos naturais são motivo de cobiça, um pouco por todo o lado onde se dá largas ao fanatismo mais criminoso.  Dolorosas as reportagens que mostram os milhões de refugiados desses países a encherem os caminhos do mundo, os acampamentos de acaso, as crianças violadas e raptadas, o abandono por parte dos países ricos, a intolerância e a raiva pregada por arautos ansiosos de ditadura. Apenas os países mais economicamente fragilizados, como Portugal, a Grécia e  Itália, os acolhem com o pouco de que dispõem.  A Europa, que se quis exemplo de democracia e civilização, ergue muros e dá largas à discriminação. Fora da Europa, também os Estados Unidos exibem um muro e ouvem promessas doutro por parte dum candidato a presidente da República, o Trump da ignorância, da estupidez, do descaramento, o membro dum partido que não se afligiu com isso e apenas se sobressaltou quando vieram a lume sórdidas aventuras sexuais. Este é o Partido Republicano e a sua bitola moral.

[Read more…]

A ruptura é excelente

Efectivamente, «a ruptura com uma prática do Partido Socialista». Exactamente: a ruptura.

Um plano para dominar todos

stop-dark-trade.org

Ataque generalizado dos orcs, seja na costa portuguesa ou na reunião dos ministros do comércio europeus já na próxima terça-feira, 18.10.16, em Bruxelas. O governo português diz que sim ao poder dos orcs. Faz falta cada um de nós para o contra-ataque.

Um desenho chega

orçamento de estado-2017

Poderia escrever-se alguma coisa sobre o assunto, mas dissertar sobre revisionismos é uma perda de tempo.

Bob, o bardo

Os zangados da literatura estão, na sua indignação, a promover Dylan a grande – ou mesmo genial! – músico, tentando, assim, diminuir-lhe a obra poética. “O que ele é é músico” – proclamam. Ora eu, que gosto de Dylan, não o considero um genial músico, um grande cantor e, muito menos um, sequer, razoável instrumentista. Na verdade, sendo um melodista de mérito, com algumas boas ideias musicais que se quedam na sua mais pura simplicidade, é um cantor de voz deveras limitada – para dizer o mínimo – e um ainda mais limitado instrumentista. Dylan é um bardo, um trovador, um poeta que canta as suas palavras. E é aí que se lhe vislumbra a grandeza. Tanta, que acabamos por lhe perdoar as limitações como interprete. E mais: fizemos da sua voz rouca e limitada, do seu estilo simples e básico, valores artístico por si mesmos. É pela palavra que Dylan se eleva aos grandes. E como a palavra é bela, todo o conjunto se ergue como excepcional.
Há muitos anos, encontrei entre os alfarrábios da loja do Ricardo, ali do Arco da Amedina, uma volumosa edição artesanal – e pirata…- das “lyrics” das canções do Bob Dylan. Estava a ler o meu achado na mesa do canto da Brasileira e não tardou a piada sobre se me ia pôr a cantar. Não ia. Mas confirmava esta evidência: há uma grande diferença entre um letrista e um poeta. E raramente se encontram na mesma pessoa. Dylan é uma das excepções. Por cá, José Afonso e Sérgio Godinho – entre os poetas-cantores – são bons exemplos, como Ary dos Santos, Alexandre O’Neill e David Mourão Ferreira o são entre os que têm o segredo de fazer poesia que (se) canta. O movimento que, nos últimos anos, tem trazido para a canção grandes poetas, deu belos resultados; e também disparates intragáveis.
Quem quiser que se entretenha na florentina discussão de saber se o que Dylan faz é literatura ou não. Se o seu nariz cabe no catálogo teutónico de judeus, se os seus genes lhe traem a origem russa. Quero lá saber. Como o Poeta, eu “canto o peito ilustre” Dylaniano.