As gravuras ainda não sabem nadar?

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No início, de modo simplista, havia isto: a barragem ou as gravuras.
Optou-se, bem, pelas gravuras.
Como sempre, parte da substância foi reduzida a discussões de economês básico: qual a solução que geraria mais dinheiro? A barragem, disseram muitos em coro, começando por boa parte da população local.
Paradoxalmente, a defesa das gravuras do Coa foi, talvez, uma das últimas causas capazes de gerar movimentos engajados e participativos em Portugal, integrando vozes e manifestações activas norte a sul, levando a discussões que envolviam modelos de desenvolvimento e salvaguarda de património cultural.
Ora, um paradoxo gera outros, e grande parte dos defensores nunca visitou o local e os percursos postos ao serviço do público, contribuindo, também assim, para a aparente estagnação actual.
E é pena. Pena, porque, de novo, é a gestão do património comum que está em causa, e pena porque se trata de um programa inesquecível para quem nele participa.
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Mecânica do Contato e Lubrificação

Do contato e lubrificação? Exactamente: do contato e lubrificação.

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Onde? No sítio do costume. Quando? HojeEstrangulamentos? Constrangimentos?

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Nótula pessoal: Anteontem, algures em Bruxelas, tive o privilégio de assistir a uma conferência proferida pelo excelente Andrew Delbanco, com o Melville: His World and Work a desempenhar o papel de força motriz para três excelentes quartos de hora sobre o Moby Dick. Este excerto do programa do Stephen Colbert abriu as hostilidades:

Orçamento aprovado.

E não se fala de inconstitucionalidades. Minudências, diz a direita. Respeito pelas fundações do estado democrático (e não é daquele respeito hipócrita de aplaudir discursos porque fica bem, note-se), dirão os outros.

A Visão dos

Mistérios de Gaia.

Se legislar, não beba

Copos menstruais: Parlamento aprova medida que já existia

CTT: quando o fanatismo da direita gera prejuízo para o Estado

CTT

Uma das críticas mais comuns da direita radical é aquela em que acusam a esquerda de falta de visão estratégica, de não pensar ou planear a longo prazo. A história da privatização dos CTT é um daqueles exemplos que demonstra factualmente que essa mesma direita é, também ela, incapaz de o fazer. [Read more…]

O resgate de Lula da Silva

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Quando um político suspeito de envolvimento em crimes de corrupção vem a terreiro afirmar “estou vivo e sou mais honesto que vocês“, a tendência que tenho é para desconfiar. Quando esse político, em vias de ser detido, é resgatado pelo governo do seu partido e transformado em ministro, tornando-se assim imune à investigação do gigantesco caso de corrupção que o poderia levar para a prisão, então a margem para dúvidas torna-se praticamente nula. Bem sei que Lula da Silva tirou milhões de brasileiros da pobreza e das garras da exploração de um país que tem tanto de rico como de desigual. Mas isso não pode justificar tudo. E se Lula é mesmo inocente, gritar que é honesto para de seguida ser blindado dos avanços da justiça por uma jogada política desta natureza não abona rigorosamente nada em favor da sua pretensão. As ruas cheias de protestos são o espelho disso mesmo.

Foto: Reuters@DN

Regime angolano elogia Paulo Portas

o louvor que faltava desse bastião da democracia e do jornalismo independente que é o Jornal de Angola. Será que a Isabelinha lhe arranja um tacho por aí?

Terroristas reuniram-se há 13 anos

Na base das Lajes. Será que Durão Barroso continua convencido que o Iraque tinha armas químicas? – Poderá ele mostrar essas provas ao mundo?

Retrato fiel dos novos valores europeus

Adeptos do PSV Eindhoven atiram moedas numa praça de Madrid só pelo prazer de ver os mendigos a correr para apanhá-las.

Os povos do Norte, pródigos em frugalidade, mestres da finança, gente de labuta e de progresso, acreditam que o calão do Sul da Europa é um ser malandro, incorrigível que gosta de viver à custa dos outros, acreditando piamente na ideia de que os povos do Sul não podem gastar à grande e à francesa para depois virem pedir batatinhas aos países do Norte.  [Read more…]

Provavelmente, Caldeira Cabral lê o Diário da República

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Efectivamente, Caldeira Cabral constatou fatos.

Também eu.

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Exactamente: hoje, no sítio do costume. Prefiro ‘verificar’ a ‘constatar’, mas é uma questão de estilo — como diriam Saule & Winston: «moi j’avais mon style, toi t’avais ton style».

Existe-t-il un autre style ?

Continuação de uma óptima semana.

Amor com amor se paga

Seixas da Costa vai para administrador de uma das empresas do grupo EDP.

Depois do que fez pela construção da barragem do Tua bem merece!

O fim da geringonça

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O plano era para quatro anos e a sintonia era absoluta. Não havia caras nos cartazes e Portugal estava à frente. A simbiose era tal que os dois partidos pareciam fundir-se num só e em Belém morava uma espécie de anjo da guarda movido a bolo-rei. Tudo era belo e a maioria absoluta estava ao virar da esquina.

Poucos meses após as Legislativas, assistimos hoje aos dias do fim da geringonça. A de direita, claro, que ela também existe. Perdão: existia. Triturada pela democracia representativa e órfã de Cavaco, a geringonça de Passos e Portas assiste, acantonada à direita e ainda refém do discurso do golpe de Estado, ao desmoronar de parte da imprensa colaboracionista e ao fim da era Paulo Portas à frente do CDS-PP. Em Gondomar fala-se de democracia-cristã e disparam-se tiros de fogo amigo contra o mesmo Carlos Costa que Passos Coelho tanto se esforça por defender. Na São Caetano limpa-se o pó da social-democracia, que em breve voltará para a gaveta, e nas jornadas parlamentares do PSD ouvem-se profecias apocalípticas dos amanhãs bancarrotistas que cantam. [Read more…]

Irlanda a crescer 7.8% em 2015

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Dublin, Irlanda

Em 2015 calcula-se que economia irlandesa tenha crescido 7.8%, ultrapassando até mesmo a China. Isto é visto como um caso de sucesso de recuperação da crise de 2008-2009 [sic].

Mas será mesmo?
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Carta do Canadá – A morte que dói

Acabo de saber da morte súbita de Nicolau Breyner. Dói-me a alma. Não é fácil ver desaparecer os artistas que amamos como se fossem do nosso sangue.

Vem-me à memória aquele rapaz que, mudo e emocionado, levantava um cartaz num recital dos Três Tenores em Buenos Aires. “Não morras Pavaroti”, dizia o cartaz. Quando amamos o teatro, o cinema, as artes plásticas, a música, a literatura, é o que apetece implorar aos que se distinguem. Daí a considerá-los imortais vai um passo. E garantido enorme desgosto quando eles partem. Foi assim que me senti tantas vezes: Rommy Schneider, Yves Montand, Edith Piaf, Jaques Brel, Ingrid Bergman, Chagal, José Régio, Jorge Barradas, Almada-Negreiros, tantos e tantos mais. Mas também por eles estou grata à TV e ao cinema que perduram a sua obra e a lembram de vez em quando.

Agora, o Nicolau. O actor que dominava a profissão sem ser enfadonho, agarrando o público. O humorista que sentia prazer em fazer rir, em aliviar o fardo da vida ao próximo, sem precisar, para ter graça, de ser ordinário, vulgar, insultuoso da religião e opções dos demais. Era um senhor e popular por isso de ser amado pelo povo que se revia nele. Porque, para além do palco, era um homem generoso, leal, escorreito de carácter. Um alentejano puro sangue.

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Só mesmo a propósito da calçada

calcadaA calçada à portuguesa, tal como o nome indica, é originária de Portugal, tendo surgido tal como a conhecemos em meados do século XIX. Apesar de os pavimentos calcetados terem surgido no reino por volta de 1500, a calçada à portuguesa, tal como a entendemos hoje, foi iniciada em meados do séc. XIX. A chamada “calçada à portuguesa”, em calcário branco e negro, caracteriza-se pela forma irregular de aplicação das pedras. Todavia, o tipo de aplicação mais utilizado hoje, desde meados do séc. XX, designado por “calçada portuguesa”, é aplicado com cubos, e tem um enquadramento diagonal.”

Para além de ser um pavimento, a calçada tem um valor cultural e simbólico profundo. E não é preciso dizer isto aos lisboetas, porque é um sentimento, e não admira que as reacções ao seu retiro sejam emocionais. Mas, depois, é como se a catarse da indignação fosse suficiente, pronto, como já disse que sou contra, já fiz o que estava ao meu alcance. Ora como isso nada adianta, é bom saber o que o Plano de Acessibilidade Pedonal da Câmara Municipal de Lisboa (CML) entende por “orientar o uso da calçada portuguesa na cidade nos próximos anos e não removê-la”. [Read more…]

O mal

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Ilustração: Matt Kenyon / The Guardian

Cresce a olhos vistos o mal no mundo e na Europa, em particular. São sinais de um passado que se julgava ultrapassado. O “não há alternativa”, o “rigor” e a “austeridade” aplicados às pessoas (a novilíngua do Orwell tomou conta da política), quando para o sector financeiro e para as multinacionais há sempre um “resgate” pronto a sair, está a trazer o pior das pessoas à superfície.

Na semana passada foi a Siemens a anunciar o despedimento de 2500 pessoas. Terá o negócio desaparecido? Certamente que não, mas há onde produzir mais barato a riqueza da empresa, apesar disso se traduzir  na pobreza dos que a fizeram.

É um exemplo entre imensos. Os medos levantam-se e os oportunistas políticos usam-nos como estratégia.

A extrema-direita deverá entrar nos parlamentos dos três estados, tendo largamente superado a barreira necessária dos 5% dos votos. Este partido, que nasceu apenas há três anos, passa assim a estar representado nos parlamentos de oito das 16 regiões da Alemanha, a 18 meses das eleições legislativas, e quando ainda são esperadas até lá mais eleições [PÚBLICO, 13/03/2016]

Aproximam-se tempos ainda mais difíceis.

Marcelo Rebelo de Sousa patrocinado pelo Expresso

MRS

Sim, já sabíamos que a imprensa adora Marcelo e que o carregou em ombros das instalações do Grupo Prisa até ao Palácio de Belém. O que talvez muitos não soubessem é que, apesar de já eleito, alguns jornais ainda se dão ao trabalho de continuar com o processo de beatificação. Marcelo, o Afectuoso, foi a pé de sua casa para a sua investidura com presidente. O Expresso acompanhou o percurso, publicou a peça e ainda decidiu pagar ao Zuckerberg para patrocinar este importante acontecimento no Facebook. E porquê? Não sei. Fica a dúvida que partilho com a página Os truques da imprensa portuguesa.

Imagem@Os truques da imprensa portuguesa

«Vai ao supermercado, para para ver o peixe fresco do dia, mete o que compra num saco plástico que leva na mão»?

construir

Via Contruir (http://bit.ly/1QSfpOm)

Não!

«Vai ao supermercado, pára para ver o peixe fresco do dia, mete o que compra num saco plástico que leva na mão».

Exactamente.

***

Nótula: Ontem, ao saber do falecimento de Hilary Putnam, lembrei-me quer da (rara, muito, muito rara e, além de rara, extremamente bonita) homenagem à inteligência da vítima no momento do ataque em artigo científico  (até o jornal The Guardian deu por ela: «When one reads Chomsky, one is struck by a sense of great intellectual power; one knows one is encountering an extraordinary mind»), quer da entrevista em que a Prospect conseguiu a um excelente título (A philosopher in the age of science) acrescentar um magnífico mote («Hilary Putnam is not well known outside philosophy. He should be»), quer obviamente do mais importante: a obra.

If intelligent non-terrestrial life – say, Martians – exists, and if the ‘Martians’ speak a language whose grammar does not belong to the subclass Σ of the class of all transformational grammars, then, I have heard Chomsky maintain, humans (except possibly for a few geniuses or linguistic experts) would be unable to learn Martian; a human child brought up by Martians would fail to acquire language; and Martians would, conversely, experience similar difficulties with human tongues. (Possible difficulties in pronunciation are not at issue here, and may be assumed not to exist for the purposes of this argument.)

— Hilary Putnam (1926-2016)

A geringonça jornalística

BF

Sempre atenta, a equipa da página Os truques da imprensa portuguesa chamou a atenção para a forma como alguns jornalistas, como foi o caso de Bernardo Ferrão do Expresso, se referem ao governo em funções como “a geringonça”, um termo cunhado por Paulo Portas. Não me choca o uso do termo, como não me choca a utilização de “irrevogável” quando o tema é anterior líder do CDS-PP. Mas uma coisa é serem usados por uma pessoa como eu ou o caro leitor. Outra muito diferente é ser um jornalista de um dos maiores grupos da imprensa nacional, um jornalista que, imagino, deve observar princípios de ética, isenção e deontologia, que deve ser objectivo e informar de forma imparcial. Infelizmente, Bernardo Ferrão não é o único protagonista desta forma tendenciosa e destrutiva de fazer jornalismo. A geringonça jornalística.

Imagem@Os truques da imprensa portuguesa

Swap! Swap!

swaps swaps

Fim-de-Semana Lusitano

 

Vem o bom tempo e é todo um Portugal voyeurista que se desabroch-a em flor.
Do Eros Porto 2016 ao congresso do CDS sem esquecer Marcelo Presidente, um Portugal feliz explode de contente. Adoro Portugal e adoro portugueses felizes de tão contentes.
A Primavera aproxima-se e nada nos pode deter agora. Estamos imparáveis.
Força, Portugal!

Vila Franca de Xira

vila franca de xira

Carta do Canadá – As listas da KGB


Por estes dias são vistas à lupa as listas dos filiados do chamado estado islâmico e as dos colaboradores da KGB, a temível polícia política da defunta União Soviética. Parece que numas e noutras há portugueses, o que não surpreende porque há portugueses em toda a parte. Diz-se que é desta vez que se fica a saber por inteiro como foi aquilo dos ficheiros da PIDE terem ido parar a Moscovo.  Eu duvido mas, por outro lado, acredito em milagres.

Em 1975 havia agentes soviéticos, disfarçados, no aeroporto de Lisboa. E escutas com material fornecido pela Alemanha de Leste, segundo se dizia. Era notório que o PCP tinha grande apoio da União Soviética. Uma vez um comandante duma base aérea contou que, ao fazer voos rasantes no Alentejo, viu densos grupos em pânico, fugindo para trás de moitas, tendo apurado depois que eram revolucionários de vários países, incluindo russos. Por piada, esse comandante até sugeriu voltar aos voos rasantes com pessoas atrás munidas de vassouras. Ia-se varrendo, até eles chegarem a casa.

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Em ‘direção’ ao futuro?

direção futuro cds

Efectivamente, eis o futuro:

contato cds

A coerência de Paulo Portas

Ilustrada de forma eloquente no seguinte vídeo:

(Roubado do site da SIC Notícias, ver aqui).

A torcer o pepino

©BBC Asia

A 1 de Julho de 2015, entrou em vigor, em Inglaterra, uma lei, genericamente conhecida como “Prevent Duty” (Dever de Prevenção), que obriga directores, professores e funcionários das escolas dos diferentes graus de ensino a relatar às autoridades qualquer manifestação de uma possível radicalização das crianças e adolescentes. O objectivo é lutar contra o terrorismo desde a mais tenra infância e promover “os valores britânicos”. Na prática, qualquer membro da comunidade escolar está obrigado por lei a denunciar qualquer acto, frase, sinal, por dúbio que possa parecer-lhe, de que as crianças e adolescentes estão em contacto com terroristas.

O primeiro caso, largamente noticiado pela comunicação social, aconteceu com um rapaz de dez anos, muçulmano, de Lancashire, que, numa composição, escreveu que vivia numa “terrorist house”, quando pretendia escrever “terraced house”. O engano valeu-lhe a visita da polícia, no dia seguinte. Entraram-lhe em casa, fizeram-lhe perguntas e inspeccionaram-lhe o computador. De nada valeu à família indignar-se contra o professor, que apenas tinha feito aquilo a que a lei o obrigava. “Ele não tem medo de escrever, de usar a sua imaginação”, ainda frisou a família. Bem, veremos se isso se mantém a partir daqui. O caso não foi mais além, já que apenas se conseguiu provar que o miúdo não relia os textos antes de entregá-los ao professor. [Read more…]

PSD e PS: as fraudes eleitorais que os unem

Fraude Eleitoral

Partidos políticos como PS e PSD são autênticas máquinas de poder, influências e dinheiro. Muito dinheiro. Vai daí, o controlo das suas estruturas, do nível concelhio ao nacional, é alvo de apetites insaciáveis e motivo de ferozes disputas internas. Controlar estas estruturas significa desempenhar o papel principal no que toca a escolher quem é autarca, deputado, secretário de Estado ou ministro o que, por conseguinte, confere aos homens e mulheres no poder a capacidade de influenciar nomeações, ajustes directos, obras públicas ou aqueles pequenos tachos com que se compram peões que abanam bandeiras, disseminam propaganda nas redes sociais, convencem familiares e amigos a votar em A ou B e se predispõem a fazer todo o tipo de trabalho sujo. E existe todo um universo de boys, trepadores e ovelhinhas para explorar. [Read more…]

Correio da Manhã não actualiza template há quatro dias


A newsletter tem como default falar do Sócrates e já nem se dão ao trabalho de mudar o título. Havendo ou não noticia, há que mencionar o filão de vendas.

Fecho dos mercados: Juros caem a pique

juros

Imagem: Matt Harrison Clough (via)

É notícia hoje, excepto nos blogs da direita, alguns até aparentando serem OCS. Nesses, só há notícia quando sobem. Pois bem, se o governo é imputável quando os juros sobem, então tão o será quando estes descem. Portanto, a acção do governo fez os juros cair.