A Grécia escuta a segunda trombeta do apocalipse

Depois o segundo anjo tocou a sua trombeta e uma grande montanha de fogo abrasador foi lançada ao mar. Uma terça parte do mar transformou-se em sangue, uma terça parte dos animais do mar morreu e uma terça parte dos navios naufragou.

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E ao final da segunda semana de governo de esquerda, radical, comunistas, vade retro tarrenego Tsipras belzebu, ainda há gregos, ainda comem e dormem, e o mundo não acabou.

Mas treme. Vítor Bento, esse acérrimo defensor da austeridade e um dos seus teórico-filósofos viu as trevas e cegou. Na senda de uma Ferreira Leite, mais sério que um Carlos Abreu Amorim.

A Áustria, pátria dos hayekes, dos mises e de seu pai Adolfo, critica a Alemanha e encontra lógica na proposta grega (por menos que isto já foram anexados uma vez, devem querer repetir a dose). Já não tinha chegado a recepção de um ministro do partido da Margaret  Pinochet ao Varoufakis, meu deus? [Read more…]

Admitem-se Deficientes com ausência de Braço ou Perna (m/f)

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“com capacidade de imitar monstros como zombies, psicopatas, fazer sons e feições assustadoras, etc…”

O homem que não queria ser eleito para dar emprego aos amigos

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Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

À imagem do proprietário, o Twitter de Pedro Passos Coelho é um hino à arte de aldrabar e iludir eleitores. Dos impostos que não iam ser aumentados aos anéis que não iam ser vendidos, há lá matéria para envergonhar uma pessoa de bem ao ponto de pré-depressão com tendências suicidas.

Hoje descobri este simpático lembrete n’Uma Página Numa Rede Social que costumo visitar e que aconselho vivamente a que consultem também. Dizia Passos que não queria “ser eleito para dar emprego aos amigos“. Que queria “libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários“. Mas como a palavra do primeiro-ministro vale tanto como as profecias de um qualquer messias de uma daquelas seitas ultra-radicais que antecipa o Apocalipse, os boys continuam a crescer e a multiplicar-seSegundo o Jornal de Negócios, a Segurança Social está “enxameada” deles. Há um ano e meio eram cerca de 4400, hoje já devem andar nos 6 ou 7 mil. Adorava conhecer os números do desemprego jovem nas direcções concelhias, distritais e nacional da JSD e JP. Devem estar ao nível da Alemanha. Não admira o papel servil e as figuras ridículas que vão fazendo para defender o indefensável.

A massificação da comunicação visual

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Humberto Almendra

Sinais dos tempos, ou como transformar o intransformável num produto não vendável. A fotografia acabou massificada de tal forma que é mais lucrativo organizar concursos pagos por submissão que dar destaque à condição intelectual do autor. O autor, é discurso pessoal e político. Para mim, fotografar sempre foi uma forma de auto-reclusão. de experiência artística. De expressão plástica. Não é nem nunca será uma profissão. Quando isso acontece é por acidente. Hoje, as pessoas focam-se muito na técnica esquecendo o discurso. Discurso esse que é o fundamento de qualquer actividade artística. Fotografar não é uma afirmação mas um desenvolvimento interior. É como meditar. É algo que se trabalha para dentro. Acontece o mesmo com desenhar, tocar, esculpir. Trabalhar a própria razão ou a questão artística é ir ao encontro da nossa própria essência. é encontrar-nos como companhia a meio do caminho. É um florescimento astral semeado dentro do próprio corpo. [Read more…]

Os portugueses da lista Falciani estão a ser investigados?

SwissLeaks

Desde ontem o CIJI (Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação) tem divulgado relevantes informações sobre uma gigantesca fraude fiscal ocorrida entre 2006 e 2008, relativa ao caso Falciani. Hervé Falciani ex-informático da filial suiça do banco HSBC, depois de uma evasão rocambolesca às autoridades suiças que procuravam proteger os interesses (mafiosos) do banco, conseguiu asilo em Espanha onde tem ajudado o fisco local a atuar contra variadíssimos casos de evasão fiscal – vale a pena ver o documentário (abaixo) que descreve a fuga de Falciani à fúria dos banqueiros suiços. As personalidades envolvidas na fuga fisco via HSBC vão desde artistas como David Bowie, John Malkovich até ao Rei da Jordânia ou o piloto Fernando Alonso. Em Portugal, estranhamente não se está a dar grande atenção ao caso, sobretudo quando é revelado que cerca de 850 milhões de euros estavam guardados em contas suspeitas da HSBC ligadas a negócios e clientes portugueses. Que negócios são esses? Que clientes são esses? Estão a ser investigados? Isto está ligado ao caso Monte Branco? Mais importante que divulgar nomes, é saber de que tipo de atividades e de que tipo de falhas na legislação estes esquemas beneficiaram.

É com pena que constato que não existe nenhuma entidade ou jornal português associado ao CIJI. Será miúfa de represálias dos grupos económicos que controlam os nosso principais órgãos de comunicação?.

Pinheiros e eucaliptos

Fonte: https://www.flickr.com/photos/fernandocomet/6078852709/sizes/l

Rui Manuel Vitorino

A minha formação acadêmica nada tem a ver com agricultura ou recursos florestais. Quando um leigo olha a floresta existe uma imagem normalmente associada a pinheiros e eucaliptos e essa imagem pode de alguma forma adaptar-se a perfis atribuídos ás empresas e empresários por todo esse mundo fora.
Vejamos uma empresa média com uma produção de bens necessários ao funcionamento da sociedade, trazendo mais valia para todos os envolvidos garantindo bem estar aos que nela trabalham e aos que dela beneficiam. Não sendo uma árvore nobre como um carvalho, uma nogueira, o pinheiro é uma árvore que necessita de tempo para crescer para dar os seus frutos.
Eis que chega o eucalipto, crescimento rápido, seca tudo à volta, sonega recursos e em caso de incêndio queima tudo à volta num fósforo.  [Read more…]

Entreguem a Santo António

Parece que a Assembleia da República não sabe onde meteu a petição em que mais de 10 mil pessoas exigem um inquérito parlamentar à compra dos famosos Tridente e Arpão, os submarinos alemães.

O documento foi submetido por via electrónica, quem o fez tem o comprovativo de que a submissão foi realizada com sucesso, mas, de acordo com o Jornal de Notícias, fonte da AR diz que ali “não entrou nada”.

Creio que neste caso “perder” é um verbo inadequado. Provavelmente houve uma arrumação inconseguida e a petição deve estar neste momento num sítio que não lembra a ninguém. Quem nunca encontrou os óculos no frigorífico ou a colher do iogurte no balde do lixo que atire a primeira pedra. E como a sabedoria popular, antiquíssima, nunca é de desdenhar, eu sugeria à Assembleia da República a oração a que recorriam as nossas avós e bisavós e que tem décadas de êxitos comprovadíssimos. [Read more…]

Vai uma passa, Paula?

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Paula Teixeira da Cruz, também conhecida – ai de nós…- por ministra da justiça, deu entrevista. Para lá do desinteressante desfiar de banalidades ácidas, resolveu dar uma de modernaça, a ver se consegue polir a baça imagem que dela nos vai ficando. Assim e para surpresa geral, decidiu proclamar a necessidade de liberalizar (depois tentou corrigir o verbo para “despenalizar”, mas era tarde; já lhe tinha fugido o pé para a chinela) as drogas ditas leves. Não nego a pertinência da questão e o interesse em a discutir. Mas não se tratou de nada disso, como se torna evidente pelos termos simplórios e boçais com que a ministra a abordou. Para ela, o argumento é o da despenalização da droga e sua venda permitir acabar com o crime em si e toda a criminalidade associada. Não deixa de ser um argumento com algum mérito – já o conhecemos há décadas -, mas atirado assim, a sêco, sem articulação com a teia de complexidade que, a muitos níveis, o problema convoca, não passa de uma miserável manifestação de oportunismo político e a prova de que não temos um governo – ouvido sobre o assunto, o Passos meteu os pés pelas mãos, obviamente tolhido pela surpresa – mas um conjunto de maganos que asneiram cada um para seu lado, sem princípios, sem tino, sem decência, tratando da sua própria chafarica e preparando o futuro que se afigura incerto. Nem que seja promovendo umas passas que possam atenuar a dor que não passa.

Diálogo esquisito

– “Durão Barroso vai ser professor universitário.”
– “Sim? Que sorte têm os estudantes de Coimbra!”
– “Mas o Durão não vai ser professor na Universidade de Coimbra!”
– “Precisamente. Que sorte têm os estudantes de Coimbra!”

Os homens não usam gravata

Fazer uma gravata a alguém consiste em ir pelas costas e apertar-lhe o pescoço com o braço. Uma boa definição do objecto mais ridículo que pode conter uma indumentária moderna.

Ter o pescoço amarrado com um trapo qualquer sem utilidade alguma seria puro masoquismo se a sua imposição não fosse sádica. Recorda-me sempre a lenda patética do Egas Moniz, da família amarrada pelo pescoço.

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Tendo sempre recusado tal nó (e não me venham com os protocolos, já tive de invocar o mesmo direito que os eclesiásticos a tapar o pescoço de outra forma, abençoadas camisolas de gola alta) e se não entendo o seu uso compreendo o gosto de alguns pelo penduricalho, tal como compreendo os homossexuais, gostos não se discutem e cada um é como cada qual, já a sua obrigatoriedade sempre me fez espécie.

Vem tudo isto a propósito da escandaleira e tolice, para moderar a linguagem, que aí anda porque a maioria dos novos governantes gregos não usam gravata. [Read more…]

Momento de humor: Luís Montenegro fala sobre dignidade

Luís Montenegro mostrou-se desagradado com a intervenção de José Carlos Saldanha na Comissão Parlamentar de Saúde, tendo declarado que esse episódio “não dignificou o trabalho parlamentar”.

Na minha opinião, no entanto, o que verdadeiramente não dignifica os trabalhos parlamentares é termos uma maioria de deputados, para não dizer a totalidade, que está na Assembleia da República para votar, dar a pata e rebolar, de acordo com as ordens das direcções dos partidos, quando foram eleitos para representar o povo.

O que verdadeiramente não dignifica os trabalhos parlamentares é termos deputados que conseguem afirmar que as pessoas não estão melhores, ao contrário do país, que, esse sim, está muito melhor, como se fosse possível um país ser o contrário dos cidadãos.

O que verdadeiramente não dignifica os trabalhos parlamentares é termos deputados que pensam que os problemas pessoais dos cidadãos podem condicionar o desempenho do trabalho parlamentar, porque, para estas gravatas amestradas, esse trabalho, já se sabe, não é resolver os problemas dos cidadãos.

O que verdadeiramente não dignifica os trabalhos parlamentares é haver um deputado que pensa que os dramas pessoais não devem ser levados para o “seio do debate político”, porque, para estes cabides de fatos caros, o debate político e parlamentar deve estar o mais afastado possível dos dramas pessoais, essas coisas que levam os doentes a gritar que não querem morrer e outras incomodidades.

O que verdadeiramente não dignifica o trabalho parlamentar é termos Luís Montenegro a chefiar uma das bancadas parlamentares.

Evidências

Se não mudarmos a Europa, a extrema-direita irá fazê-lo”. – Tsipras

AvançAR

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Ao contrário do que afirma Ana Drago nesta entrevista recente à SIC Notícias, a chamada plataforma cidadã Tempo de Avançar não é, infelizmente, uma coisa nova. E não é nova porque lhe falta massa cidadã, justamente, isto é, uma participação inequivocamente emanada dos cidadãos, e dos cidadãos indistintamente considerados, ou seja, cidadãos não-afectos ao Bloco de Esquerda, por exemplo sob a forma de simpatizantes (e basta consultar a lista de primeiros aderentes – entretanto organizados em Conselho de candidatos efectivos – para ver a que ponto ela está capturada por esses simpatizantes e amigos mais ou menos próximos do BE).

Não vejo nenhum problema em ser-se simpatizante ou amigo do BE, era o que mais faltava. Já votei no BE – ah pois foi. Mas já vejo um problema em verificar a que ponto se está disposto a lançar mão de exemplos bem sucedidos ocorridos noutros países (o Syriza, o Podemos) para tentar construir, com evidente artificialidade, o que em Portugal não há (ainda): a emergência de um movimento de cidadãos ou de uma coligação de pequenos partidos reunidos em torno de um programa anti-austeridade, de defesa dos interesses democráticos e nacionais, e aptos (i.e., prontos e preparados) para governar – o povo do País e junto da UE. E essa demagogia, enunciada ainda no adro, entristece quem, como eu, está atento à marcha da procissão dos aflitos e descontentes com os partidos, e muito especialmente os da Esquerda.

Levado pela mão de figuras todas elas emanadas do Bloco de Esquerda – dissidentes de dissidências várias, como são os casos de Rui Tavares, Ana Drago e Daniel Oliveira –, o movimento Tempo de Avançar não parece, assim, ser substantivamente diferente do que ainda há semanas foi tentado por uma outra dupla de também dissidentes do BE: Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida, fundadores do Juntos Podemos, ao que se sabe entretanto já dissolvido por novas (ou renovadas) dissidências. [Read more…]

Jornal de Notícias e AO90 prejudicam alunos nos exames nacionais

wp_20150206_08_53_59_pro (1)Esta semana, o destaque do Jornal de Notícias de 6 de Fevereiro foi aquele que se pode ver na imagem.

O JN é um dos jornais que, sem que se perceba porquê, decidiram adoptar o chamado acordo ortográfico (AO90).

Ora, o acento agudo de “pára”, segundo a Base IX, 9º, é para suprimir. No 5.4.1. da Nota Explicativa, os autores do AO90 tentam explicar por que motivo se tomou essa decisão, recorrendo, em parte, ao segundo mantra do acordismo.

A manchete do JN, dotada, eventualmente, de uma vontade própria, contraria, assim, a ortografia adoptada pelo prestigiado jornal. Embora defenda, no mínimo, a suspensão imediata do AO90, percebo que isso tenha de se fazer gradualmente: hoje, a manchete; a notícia local, amanhã. [Read more…]

Paula Teixeira da Cruz em reflexão depois do caso submarinos

“Não me pronuncio sobre Sócrates, mas temo pela separação de poderes se o PS ganhar as eleições.”

Hipótese

Nunca faltei a uma eleição, posso garantir-vos. Desde 1969, quando votei pela primeira vez. Nunca me abstive, anulei um voto ou votei nulo (isto não implica crítica a ninguém, cada um sabe de si). Achei sempre que há, entre as hipóteses oferecidas – nomeadamente nas presidenciais, já que nas outras eleições mantenho a escolha da estreia -, uma preferível.

Mas há dias, estando num café, da minha paz “gozando doce fruito”, fui surpreendido pelo habitual debate televisivo entre Santana Lopes e António Vitorino. Encolhi os ombros e voltei ao meu jornal. Mas uma voz surda, com um toque de raiva mal contida, fez-se ouvir: “ainda vamos ter de escolher entre estes dois **##~~&&**“»» na segunda volta das presidenciais”. A ideia foi-se-me agarrando aos ossos e comecei a sentir um vazio no eestômago.

É que a possibilidade, ridícula que pareça, cada vez se me afigurava mais possível. E, por uma vez – pela primeira vez! – ocorreu-me como seria agradável passar esse dia à beira-mar da manhã ao pôr do sol – quer dizer, do abrir ao fechar das urnas. Eu sei, não é bonito nem faz bem à saúde ter pensamentos tão sombrios com este frio. E sabe-se lá o que farei no próprio dia. Mas deixem-me gozar, por hora, esta pequena indulgência.

O Apeadeiro Feliz

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2000 famílias possuem 80% da riqueza da Grécia

Ouvir ao minuto 12, no canal 1 alemão, dito por Michalis Pantelouris, jornalista greco-germânico. Uma apropriação de riqueza desta grandeza não terá acontecido por via legal. Mas pode  resolver-se legalmente, basta o estado querer.

GREXIT

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Eis um neologismo para as conversas dos próximos dias. GReece + EXIT, que essencialmente se traduz em ou baixam a bola ou rua.

Entretanto, o colaboracionista Pires de Lima é citado pela Reuters sobre o assunto:

Economy Minister Antonio Pires de Lima told the Reuters Euro Zone Summit that Lisbon had chosen a route “which was not the easiest one” to recover credibility and return to growth, and “that is also our attitude to the situation in other countries”. [REUTERS]

Ah tal não somos a Grécia. E com efeito, nota-se. Eles trabalham para reconquistar a soberania e aqui baixam-se as calças. Quanto à cassete da austeridade, é de ver a reportagem – surpresa, surpresa! – do canal 1 alemão sobre os ganhos da Alemanha com a crise do euro.

Erros de transcrição? Exactamente

The Fourth Protocol / le 4eme protocole (1987) uk

© AFP via Nouvel Observateur (http://bit.ly/16ujO5z)

Acabo de ler, no Expresso, uma notícia sobre “erros de transcrição” nas “escutas telefónicas para o processo dos submarinos”. O Expresso distingue “aquilo” em vez de “a Kiel”, “Monte Canal” em vez de “famoso canal”, “Canalis” em vez de “canal”. Contudo, por motivos que me escapam, o Expresso não se debruça sobre outros óbvios (e gravíssimos) erros na transcrição:

  1. “impercetível” em vez de “imperceptível”,
  2. “exato” em vez de “exacto”,
  3. “exatamente” em vez de “exactamente”.

De facto, ouvindo a transcrição, além de não detectar qualquer ocorrência de *[izɐtɐˈmẽtɨ], verifico que aquele *’exato’ é incorrecto (uma vez que, é sabido, ‘exactamente’ = ‘exacta’ + ‘mente’) e reparo na ocorrência de *’impercetível’, palavra sem qualquer significado em português europeu, pois a pronunciação corresponde a [ĩpɨɾsɛˈtivɛɫ] e não a *[ĩpɨɾsɨˈtivɛɫ]. Sendo [ĩpɨɾsɛˈtivɛɫ], logo, ‘imperceptível’: QED (este e não o outro).

Quem não detecta tais falhas (mais óbvias e mais graves) não é detective: quando muito, será *detetive — palavra com padrão grafémico semelhante ao da primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo ‘deter’ (‘detive’) e, no mínimo, homógrafa da correspondente flexão do verbo *deteter: *detetenho, *deteténs, *detetém, *detetemos, *detetendes, *detetêm; *detetive, *detetiveste, *deteteve, *detetivemos, *detetivestes, *detetiveram; etc.

P.P. – Então? Já cheguei. Aterrei agora.
A.P. – Aterraste onde?
P.P. – Aterrei da Alemanha.
A.P. – Ainda foste à Alemanha?
P.P. – Ainda fui, ainda fui, aquilo!
A.P. – Fizeste muito bem. Ao (impercetível).
P.P. – Ao Canalis, exato.
A.P. – O Monte Canal é a promessa do Bismark.
P.P. – Exatamente, exatamente

 

Aperta-se o cerco à austeridade

Renzi rejeita lições orçamentais de Angela Merkel. O demónio Varoufakis não dá sossego à IURD liberal.

Dava uma bela presidente

Magdalena OgorekNão vou colocar em causa a competência de alguém que não conheço nem fazer julgamentos antecipados ao estilo da elite parola da extrema-direita obcecada por unicórnios. A menina Magdalena (sim, consta que ainda é solteira) pode ter tanto de competente com tem de atraente. Mas que a escolha de uma ex-apresentadora de TV e ex-consultora de comunicação do Banco Central da Polónia com 35 anos, cuja experiência política parece roçar o nada, para representar os sociais-democratas do SLD na corrida para as presidenciais lá do sítio causa alguma estranheza, isso causa. Agora que dava uma bela presidente, disso ninguém terá dúvidas. Entre esta jovem e o ser que habita o Palácio de Belém eu não pensava duas vezes. O pior que poderia acontecer seria a menina Magdalena mostrar-se tão inútil quanto Cavaco, com a diferença que a cara dela não causaria enjoo e vómitos a ninguém.

Em defesa da blasfémia

Francisco Teixeira

A questão da blasfémia é mais central do que pode parecer. Poder blasfemar e isso ser legal é assumir que os limites do real, aquilo que é divino e não pode ser tocado, afinal podem ser empurrados para trás e desse modo permitir ampliar os limites do que é ser humano. Temos, então, se queremos que o humano seja mais que uma cristalização logo no início, que nos define e definiu para todo o sempre, de insultar os deuses, as religiões e a sua pretensão de definição totalitária e absoluta. E sim senhor, a coisa não vai lá com proposições bem-educadas e trocas argumentativas de tipo académico. Sem uma ampla iconoclastia as religiões definem-nos para todo o sempre e não passaremos, para todo o sempre, de anjos de cera, a amarelecer no altar.

Basta uma relativamente simples análise histórica para perceber que a liberdade sempre se fez no confronto com o religioso, o divino e as igrejas. Foi esse confronto, ganho, pelo menos desde 1789, pelos democratas e liberais, que permitiu que as igrejas deixassem de ser a medida das consciências individuais e da própria ideia de religioso. Bem entendido, não há pensamento sem mediação e algum tipo de relação comunitária sempre terá que existir para que se possa pensar. Mas o fim do comunitarismo religioso obrigatório foi, é, uma condição necessária da liberdade. Se eu não puder imaginar outro Mundo, sem constrangimentos dogmáticos, nada é possível a que ainda se possa chamar humano. [Read more…]

Fisco, essa praga de SPAM

queridos leitores

O SPAM, a par com os trolls, é uma praga que assola quem se aventure na Internet. O fisco, desde há algum tempo, tornou-se numa entidade que passou a enviar SPAM aos portugueses, mais uns que passaram a usar os endereços de correio eléctrico para enviar correio não solicitado e, como se não fosse suficiente, pleno de verborreia inútil e propagandista.

Hoje foi um email com 644 palavras, metade das quais com uma treta legal, bilingue, mas não nas duas línguas oficiais em Portugal, como se poderia esperar, e o resto com uma ameaça velada sobre perda de benefícios caso não me torne bufo verificador de facturas. Infelizmente, não é por causa das facturas que tenho perdido benefícios mas sim porque o governo decidiu aumentar os impostos que me comem metade do salário, que passei a trabalhar mais 7 dias por ano porque esse mesmo governo apagou 4 feriados e me acabou com 3 dias de férias. Não foram as facturas que aumentaram as taxas moderadores nem fizeram crescer o tempo de espera nos serviços. Foi o governo que o fez, tal como me aumentou o tempo de trabalho até que um dia me possa reformar. É o governo, e não as facturas que não vou verificar, ou só me faltava trabalhar mais por causa do governo e ainda ir trabalhar de borla para o governo, quem me tem retirado direitos, deixando-me apenas com os deveres.

O fisco, ao contrário de muitos que também enviam SPAM, não indica como é se sai da lista de SPAM deles. Não sabendo se isso será legal, ético é que não será. Mas isso já é assunto que há muito deixou de preocupar as pessoas que tomam conta do estado.

Sempre na pandeireta

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Temos que lhe tirar o chapéu. Qual Sócrates qual quê? Paulo Portas é que é o verdadeiro animal político. Malhava forte em quem lhe apetecia nos tempos do Independente, Cavaco que o diga. Enxovalhava a “maçada” que eram os partidos políticos “burgueses“, constituídos essencialmente por quadros “muito medíocres, que não têm mais nada que fazer da vida ou que acham que aquela é a forma principal de subir na vida. Escola na JSD, ascensão meteórica no CDS, deputado, líder parlamentar, eurodeputado, ministro da Defesa e posteriormente de Estado em acumulação com outras pastas – com uns insignificantes 8,72% nas Legislativas de 2002 – regressa ao governo para os Negócios Estrangeiros com Passos Coelho, que coloca em cheque 2 anos depois com um episódio épico da história contemporânea portuguesa, a “demissão irrevogável”, e acaba como vice-primeiro ministro. Há quem acredite que terá mesmo mais poder que o próprio primeiro-ministro. Confesso que sou um deles. E bastaram 14,30% nas últimas Legislativas. Portas dá-lhe muito forte na pandeireta.

Pelo caminho soube contornar tudo o que lhe apareceu pela frente, do caso Moderna aos fatídicos submarinos, e não há Carlos Alexandre ou Jacinto Leite Capelo Rego que se intrometa no seu caminho. Portas é o expoente máximo do trepador político que, sem as armas dos amigos grandes do bloco central, já mandou mais do que a esmagadora maioria das suas fileiras. No meio dos “muito medíocres, que não têm mais nada que fazer da vida ou que acham que aquela é a forma principal de subir na vida” Portas desfila de pandeireta como o flautista entre os ratos. Desta vez, a maioria fica com o papel de vilão e Portas, sempre a dar-lhe, até está disposto a dar umas explicações aos deputados. Mas só lá mais para a frente. Em breve. Até lá não o chateiem que ele não está para aturar a maçada dos Vistos Gold e tem muita pandeireta para tocar.

Benetton, paga o que deves

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Soube recentemente, através da Avaaz, que, quase dois anos depois da tragédia de Rana Plaza, no Bangladesh, a Benetton continua sem dar um chavo de compensação às vítimas, duplamente vítimas, destes carrascos. Algumas empresas deram um contributo quase insignificante, ao que pude averiguar. Vergonhoso perante o que todos lucram, mas alguma coisa deram. A Benetton nem isso.

Como se não bastasse a exploração a que estes operários são sempre sujeitos para que empresas sem escrúpulos tenham cada vez maiores lucros, ainda lhes é negada uma soma compensatória e mais que devida, para que possam fazer face aos problemas de saúde com que ficaram ou à perda de salários.

Está agora a ser feita uma campanha, mais uma, para pressionar aquela empresa multimilionária a pagar o que é devido aos sobreviventes daquele malfadado dia.

A ideia é que se assine esta petição. Fica aqui o link, para quem quiser dar um empurrãozinho.

Eu, para além de ter assinado a petição, há muito que não entro em nenhuma loja desses exploradores sem consciência. Continuo na minha sempre que posso, o que é nacional é bom e ajuda a nossa economia. Evito dar a ganhar a ladrões, exploradores, assassinos.

Num altura em que em Portugal tanto se discute – e bem – o valor da vida, convém não esquecer aqueles cuja vida não tem qualquer valor para os empregadores, para o seu governo e para quem veste a moda que eles produzem sem querer saber de onde é que aquilo vem. É que o que está longe da vista não nos afecta…

Sobre armadilhas petrolíferas que se calhar vão dar merda

Angola quer renegociar. Alguém chame o FMI antes que o preço dos preservativos volte a subir na Venezuela. Alguém disse Goldman Sachs?

Já que se discute saúde e lucro

-Prefiro uma cínica indústria que inova movida pelo lucro ao imobilismo socialista que representa a estagnação. Ou dito de outra forma, trabalhar para aquecer ou para desenvolver a sociedade, colocaria mais um cobertor na cama e desligava o despertador. Se me levanto cedo e trabalho duro não é para desenvolver a sociedade, para a qual me estou nas tintas. É para viver confortavelmente, pagar as minhas contas e adquirir o que pretendo, necessário ou supérfluo. Como posso criticar a industria farmacêutica? Isto não inviabiliza de forma alguma práticas de responsabilidade social.

Quanto vale a vida de um canalha?

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Por exemplo, admitamos que um ano vida de uma pessoa normal vale 1 QALY, e que uma pessoa com hepatite C vê a qualidade de vida reduzida em 50%, ou seja, 0.5 QALYs. Se o tratamento para a hepatite C permitir recuperar esses 0.5 QALYs durante 30 anos, então o valor desse tratamento será de 0.5 vezes 30, 15 QALYs.

Mais uma vez tenho de agradecer ao Mário Amorim Lopes o imenso favor de demonstrar que o neoliberalismo mata, e  muito. Não tanto como os fascismos, dizem, porque não mata a eito e com milícias, assassina com folhas de cálculo e uma religião a que chamam economia. Como os mortos ficam mortos na mesma, e a lógica ditatorial (é óbvio que um regime neoliberal é insustentável em democracia) não varia tanto como isso, lá vai cumprindo o seu papel sucessório, arquitectado pelos hayekes e pelas randes deste mundo.

Quanto à pergunta: eu acho que a vida do Mário Amorim Lopes não tem preço. Mais que não seja, perder um idiota tão útil seria um desperdício.

Portugal – caos, memória e esperança

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Marco Faria

Será a crise da justiça um problema real, ou uma conclusão precipitada, instintiva e “sobremediatizada”?
Poderá o presidencialismo fortalecer a III República? Portugal é um país desigual?
A globalização é um monstro?
O que fazer à União Europeia institucionalmente aprisionada pelo eixo Berlim-Frankfurt?
E se Winston Churchill tivesse estado na Portela do Homem?
Qual o lugar da ética numa época de desesperança?
De um ponto de vista racional, o propósito deste ensaio é levar o leitor a pensar.
Num plano emocional, que os portugueses não deixem de amar a sua pátria e de acreditar em si próprios.