Deus: dentro ou fora?

 

Já aqui disse que havia comprado o Diário de Etty Hillesum, a judia que morreu em Auschwitz em Novembro de 1943.

Apetece-me partilhar o que ela escreveu a 26 de Agosto de 1941. Pode servir para discussão!

Dentro de mim há um poço muito fundo. E lá dentro está Deus. Às vezes consigo lá chegar. Mas acontece mais frequentemente haver pedras e cascalho no poço, e aí Deus está soterrado. Então é preciso desenterrá-lo.

Imagino que há pessoas que rezam com os olhos apontados ao céu. Esses procuram Deus fora de si. Há igualmente pessoas que curvam profundamente a cabeça e a escondem nas mãos, penso que essas procuram Deus dentro de si.

Quanto custa a propaganda do mercado social de arrendamento?

Como me diziam há dias, a demagogia destes pindéricos que nos governam dá-me cá uns engulhos que nem imagina, leitor. E isto agora propósito da nova e tão propalada iniciativa do mercado social de arrendamento. Dê-se ao trabalho de entrar no site e tente fazer uma simulação com um ordenado de 1000 ou 900 euros e sem encargos.

Com mil euros diz-nos que “Valor de renda mensal admissível com o seu rendimento: entre 100 € e 300 €”. Com 900 diz que o “Valor de renda mensal admissível com o seu rendimento: entre 90 € e 270 €”.  Com 485€ o “Valor de renda mensal admissível com o seu rendimento: entre 48,5 € e 145,5 €”.

Poderá então pensar que são valores razoáveis. Bastaria, portanto, escolher uma casa que se enquadre nestes valores. Mas pesquise  casas em Sintra e diga-me o que encontra. Nada!  Nem um T0 numa cave com o chão da divisão em cimento.

A questão é, claro, para que serve isto? Serviu para empregar uns quantos boys que especificaram isto, para dar trabalho à empresa que implementou o software e o serviço e para uma notícia no parlamento TDT das 20 horas, em sinal digitalmente estragado.

Quanto custa esta propaganda? Isto não é uma pergunta retórica. Agora que passa a ser obrigatório mais umas facturas até para um café, o estado tem  ainda maior obrigação de informar quem paga.

Estado vende ao estado. O contribuinte paga.

A venda por parte da CML dos terrenos do aeroporto, do CCB e de mais uns anéis ao estado central é uma miserável vergonha. Vejam bem, algo que já é do estado, nós, passa para outra secção do estado, nós, numa operação que envolve a transferência de vários milhões de euros do estado, nós, para outra parte do estado, nós.

Estaremos perante um milagre como o das rosas mas no qual se gerou dinheiro? Naturalmente que não.

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oops!… cumpri eu a promessa

Dúvida liberal

Quanto ganhava o artista José Hermano Saraiva por programa de televisão, no seu  stand up fora os livros, vídeos e outros amendoins que vendia por conta, usando uma popularidade conquistada com os favores do estado?

Sempre na televisão pública, eternamente paga por todos nós.

O Incrível Exército de Brancaleone

No ano 1.000 D.C., um bravo cavaleiro parte da França para tomar posse de suas terras. No caminho, ele é assaltado e assassinado por um bando de foras-da-lei que, de posse da escritura, decidem pegar por si o terreno. Um retrato divertido do Feudalismo que pode ser utilizado em algumas passagens.

ficha IMdB


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Da série Filmes completos para o 7.º ano de História
Tema 3 do Programa: A formação da Cristandade Ocidental e a Expansão Islâmica
Unidade 3.2. – A sociedade europeia nos sécs. IX a XII.

O que nos fez falta

Tratando documentação para o tribunal de Nuremberg

Relvas, precoce

A minha vida sexual com José Hermano Saraiva (com vídeo)

Na primeira vez que fui aos Dias Medievais de Castro MarimJosé Hermano Saraiva constava do programa. Ainda lhe escutei parte de uma oração na capelinha do castelo, irritei-me e saí. Como qualquer ex-aluno da FLUC, com formação em História ou Literatura, via pela primeira vez ao vivo aquela fantástica capacidade de transmitir, e aquela total ignorância no saber.

Ignorância que hoje se designa revisionismo histórico, coisa que ingenuamente e ignorando a existência de um tal Rui Ramos me parecia na altura definitivamente arrumada a um canto.

Ora na manhã seguinte, descíamos a encosta para a manhã no século presente, com chuveiro, pequeno-almoço e tudo, ia respondendo a alguém que não considerava um jurista de seu nome José Hermano Saraiva com habilitações para historiador, quando choco com o destinatário a meio metro (quem conhece o cotovelo que defende o castelo percebe). Acontece. Olhámos um para o outro, e cada um seguiu o seu caminho, tendo ficado claro que o convidado a orador não estava habituado a ouvir de voz viva uma evidência repetida em qualquer corredor de universidade a sério. O problema da historiografia portuguesa é esse. [Read more…]

Humanista

Defino-me como um humanista. Sinto a vida como um valor supremo e por isso sinto muito orgulho na história de Portugal e nos vários episódios que se foram resolvendo “da melhor maneira”.

Vem isto a propósito do José Hermano Saraiva. Ou antes, da sua morte.

Não fiquei contente com a sua morte apesar de o ver mais como o JJC do que como o viu a Céu.

Entendo a Céu – somos da mesma geração e o JHS fez parte da nossa aprendizagem. Por sorte (ou azar) sempre adorei história, apesar de ser mais dado aos números e muito cedo dei de caras com a fragilidade científica do JHS. A sua ligação à Ditadura chegou-me ainda mais tarde. Não tenho, por isso, qualquer respeito intelectual pelo senhor.

Mas isso não me impede de ter ficado triste por ter lido “Menos um” no título do post.

Nem pelo facto dele ter sido o responsável directo pela morte de muitos portugueses lhe desejaria a morte. A ele como a outros imbecis.

O Melhor Festival de Verão

Além de melhor festival de verão, o Milhões de Festa é o único que põe tudo na piscina. Viva Barcelos…

José Hermano Saraiva

Morreu o historiador. Uma oportunidade de o conhecer melhor, não obstante os «baldes de àgua fria» que às vezes apanhamos por sermos novos e não sabermos «da missa metade».

Aqui fica um exemplo de como sabemos muito pouco da nossa História (admito, mas quero aprender, com humildade).

Foi também advogado, professor do ensino liceal e ministro da Educação. É sobre este cargo que fui à procura de informação na História do Ensino em Portugal de Rómulo de Carvalho (António Gedeão), editada pela F.C.G., obra de referência: J. H. Saraiva esteve no poder enquanto ministro da Educação durante ano e meio, sucedendo a Galvão Teles.  Segundo Carvalho, Saraiva viu-se envolvido numa luta incómoda com a Academia de Coimbra:”É uma história quase anedótica mas que merece ser citada, pois teve papel preponderante no processo de renovação do ensino que então se pretendia executar.”

Um episódio triste, uma vez que foram feitas detenções a estudantes (Alberto Martins – ex-Ministro da Justiça entre 2009 e 2011-, o estudante que contestou publicamente o Governo de que José Hermano Saraiva fazia parte), violências foram praticadas, proibições aos estudantes de continuarem a estudar na Universidade, etc.

Por aquilo que me deu conhecer, J.H.S. terá, em Abril de 1969, reorganizado o Instituto de Meios Audiovisuais, de que fazia parte a Telescola. Não me consta nada mais de significativo, a partir da leitura daquela obra.

Apesar do episódio que Rómulo de Carvalho refere, não deixo de admirar o comunicador e o amante da nossa História, que foi José Hermano Saraiva. Isso ainda não vi em mais ninguém…Teremos outro?

Um homem não é só o seu passado!

Não o esquecerei facilmente

Soube da morte do professor pelo JJC no post Menos Um. Tinha a TV desligada.

Morreu hoje de manhã…

Uma figura muito querida. Tenho por ele uma grande admiração.

Um dos portugueses que mais amou o seu país, através do conhecimento que tinha da História de Portugal. Contava-a com tal paixão na RTP 2.

Sim, JJC, ele é «menos um» dos grandes.

Não esquecerei as suas mãos, o seu movimento, a sua alegria ao comunicar a História das cidades, dos reis e rainhas portugueses. As coisas que ele sabia… As coisas que ele descobriu e partilhou. Estudou Portugal até ao fim. É essa a lição que aprendo com ele.

Merecia mais reconhecimento em vida. Muita porcaria ofuscou a qualidade dos seus programas. Merecia apresentar o seu programa «A Alma e a Gente» no horário nobre. Nem todos os jovens o conheceram. Uma pena.

Os meus sentimentos à família.

Menos um


José Hermano Saraiva (1919-2012).

Fotografia de Abril de 1969

A Letónia vai com 3 anos de avanço

Com a aplicação do programa da troika, um terço dos jovens emigrou, o PIB caiu 23%, os serviços públicos estão destruídos. A ler.

Contas de cabecinha pensadora

O João Miranda acha que um professor do básico recebe 2000 euros por mês. Deve ser isso que lhe pagam na Lusófona, esse antro maçónico.

Corrupção Freeport e o Futuro

É impossível não sentir alguma simpatia e benevolência por pessoas como Charles Smith e Manuel Pedro. Foi porque Charles Smith revelou que a promotora do Freeport tinha pago luvas a um político num alto cargo governamental que tudo isto começou e tudo isto vai terminar ao lado do que realmente está em causa e interessa. Basta pensar que, nesse Governo demissionário, havia um relatório de impacto ambiental desfavorável ao empreendimento que só um certo pagamento poderia resolver. Havia até um destinatário para o mesmo dinheiro, o Ministro do Ambiente à data dos eventos, que mais tarde acusou Charles Smith de ter usado o seu nome para extorquir o suposto dinheiro de luvas ao promotor do empreendimento, mas o certo é que Charles Smith a ficar com o dinheiro, nunca poderia ter revertido o estudo de impacto ambiental transformando-o de desfavorável em favorável. Quem vai encalacrar-se sob uma acusação estapafúrdia de extorsão? [Read more…]

E que tal umas vacaciones em Portugal?

Com metade dos que ontem se manifestaram resolvia-se uma chatice adiada em Portugal, chamada desgoverno.

Solidariedade ibérica precisa-se, que o meu povo continua por acordar.

Foto Sergio Perez

Como Conquistar a Felicidade

Como Conquistar a Felicidade – Livro escrito em 1989 por dois psicoterapeutas americanos. Um best-seller mundial editado em português pela Impala. Não sei se ainda disponível. Mas devia. Custou-me mil e duzentos escudos!

Eles contam histórias de pacientes, propoêm exercícios e fazem muitas perguntas. Bem que eu gostava de poder transcrever as mais de trezentas páginas do livro. Mas como não é possível, partilho algumas partes curiosas:

(…) Por favor, escreva o seu nome neste espaço:   ___       Depois, escreva – ISMO a seguir ao seu nome. Se alguém lhe pedir que diga o nome do seu sistema de crenças, da sua religião, da psicologia ou da filosofia que norteia a sua vida, apresente-lhe o nome que tiver escrito. É a sua própria via.    

(…) Partida: «Actuar como se» (agindo como se fosse a pessoa que se deseja ser).

(…) O que é o êxito? Quem mede aquilo que você vale? – você ou a sua audiência?

(…) As ideias são drogas. (…) As palavras são a moeda do comércio mental. (…) o uso repetido de algumas palavras-chave revela aquilo em que as pessoas acreditam.

(…) na verdade a mais importante parte da liberdade, consiste em sermos livres de ter as imperfeições e dores de que os seres humanos padecem.

(…) Quem é você? Sabe? (…) Interiormente, os seres humanos estão longe de ser indivíduos. São multidões e «eus» parciais.

(…) A minha vida está a ir para onde quero?

(…) Não estrangule a voz que, dentro de si, o informa de que poderá fazer quase tudo o que quiser.

P.S. Não percebo porque não andam estes livros nas mochilas dos estudantes do ensino Secundário, como fazendo parte de uma disciplina criada por alguém com visão no ME, tão importante como as outras.

Não é em função ou com o objectivo da Felicidade que estudamos?

Já imaginou uma disciplina no horário dos nossos filhos chamada Felicidade? E por que não? Este mundo é muito maluco…

A Maria nunca mais apareceu

 (porm. de quadro de adão cruz)

Os olhos, vindos do outro lado do mundo, fundos de ausência, casavam o branco e o negro para dizerem o que a boca não conseguia. O nariz afilava de um só traço o rosto magro, e os cabelos errantes fugiam da testa, cada pedaço para seu lado. A pele transluzia uma imagem por detrás dos vidros, imagem baça do avesso da vida.

Uma dor subtil desenhava os lábios maduros, finamente trémulos, como se estivessem prestes a chorar. Nunca alguma lágrima por eles correu ou voou algum beijo. Apenas o cigarro acendia e consumia a sua virgindade. [Read more…]

O Islamismo

A origem e a difusão do Islamismo através de um documentário excelente narrado em português.

Da série Filmes completos para o 7.º ano de HistóriaTema 3 do Programa: A formação da Cristandade Ocidental e a Expansão Islâmica
Unidade 3.2. – O Mundo Muçulmano em Expansão

Exigimos respeito

Liberta-o Passos Coelho

Vamos continuar a apertar porque está a resultar

Que ninguém tenha dúvidas, porque a realidade está aí para o mostrar: o Governo em geral e o Nuno Crato em particular já perceberam que o Monstro está a acordar.

Os Professores estão a começar a levantar-se – foi a Manif da semana passada, as vigílias desta semana, serão as concentrações regionais da próxima semana e tudo o que for preciso, porque está a resultar.

Durante meses, o homem desapareceu. Ninguém o via!

Numa semana apareceu mais do que o animal atrás do Pinto da Costa. Após a Manifestação de Lisboa, ainda tentou continuar escondido, mas em cima da marcação das Vigílias fez uma conferência de imprensa e divulgou um comunicado.

É também por isto que não entendo o Paulo, que continua a ter um Umbigo do tamanho do mundo: se é dos sindicatos é porque é do PCP, se é dos professores é porque é do bloco. Posso deixar um desafio – será que queres sugerir alguma forma de luta? O que fazer a seguir? [Read more…]

Uma Cultura de Anonimato e Prostituição

Já aqui se escreveu milhares de vezes que o único blogue a nível nacional que pronuncia e defende o nome de baptismo do Filho da Puta é também o único a prostituir-se baixamente, através da baixaria da respectiva defesa de reputação. Sai mês entra mês, entra dia, sai dia, e a estratégia é sempre a mesma: o inocentar grunho de um percurso abaixo de tosco, mais abaixo ainda de danoso a Portugal, estratégia própria da naviarra dos loucos ou do lupanar dos putas. Gasto e batido por milhares de horas de exposição mediática, ninguém pronuncia nem se refere ao Filho da Puta pelo nome civil, mas por metáforas e analogias como A Nódoa, O Encalacranço do País, a Deriva Ensandecida da Dívida, o Amiguismo como Único Fito e Desígnio, a Suprema Falácia, o Rosto do Comprometimento do Estado para largas décadas.

Ora, o Filho da Puta na verdade não saiu de cena há mais de um ano. Fugiu há mais de um ano. Também não se ausentou para fora do reino de modo a que nem a sua sombra incomode os transeuntes. Deixou a sua sombra nefanda a pairar sobre cada buraco, sobre cada dívida oculta, sobre cada PPP, sobre a Parque Chular, sobre cada engenharia impotente em pagar hoje o que nos faltará indubitavelmente amanhã. [Read more…]

Portugal, uma horta americana

Exmos Senhores
Presidente da República,
Primeiro-ministro de Portugal,
Vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros
C/c
Ministra da Justiça; Provedor de Justiça

Lisboa, 2012-07-18

Lemos, com espanto, no semanário Expresso, declarações de representantes dos EUA numa comissão que pretende contrariar a decisão de não extradição do cidadão português José Luís Jorge Santos (anteriormente Georges Wright) para os Estados Unidos.

Essas declarações são desrespeitosas das autoridades judiciais portuguesas, do ordenamento jurídico português e, mesmo, da soberania nacional. (Para além de serem também desrespeitosas da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no entanto promovida com o alto patrocínio dos EUA.)

Como cidadãos portugueses, reclamamos dos representantes do Estado português um protesto veemente por essas declarações e pelas ameaças nelas contidas, e a reafirmação, junto das autoridades norte-americanas, dos princípios de separação de poderes e de respeito pelos Direitos Humanos que enformam a ordem constitucional portuguesa.

Dado o consenso nacional em torno da decisão de não extradição de José Luís Jorge Santos, manifestado quando da apreciação do caso pelas instâncias judiciais portuguesas, aguardamos de V.Exas uma tomada de posição que assegure aos portugueses que a soberania e a segurança do país não estão em risco e que Portugal não se vergará às ameaças e às pressões norte-americanas, nem permitirá que elas se concretizem na pessoa do cidadão português José Luís Jorge Santos ou seus familiares.

Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento (ACED)
Associação Portuguesa para a Prevenção da Tortura (APPT)
Grupo de Intervenção nas Prisões (GIP)

A saga das goleadas continua. Meninas lusas ainda verdes

Armindo de Vasconcelos

Portugal atingiu, hoje, perante Chipre, um “score” histórico, 11-0, e mais uma vez alertou a concorrência para o seu grande desiderato: o título.

Chipre, pelos resultados anteriores, já dera mostras de grande fragilidade. Daí que, ao intervalo e sem surpresa, os jovens “linces” já venciam por três golos sem resposta. E, uma vez mais, o segundo tempo foi determinante para as cores nacionais, com nove golos sem resposta.

David Franco (3), Rodrigo Seara (3), João Penetra (2), Ricardo Teixeira, Mário Correia e Luís Tavares foram os intérpretes de um marcador exemplarmente desnivelado, mas justo.

No campeonato feminino, que hoje teve início, Portugal não resistiu e foi goleado pelo Azerbaijão (6-2). Concretizam-se, de certa forma, os condicionalismos adiantados pelo seleccionador José Martins, quando apontava a extrema juventude da equipa portuguesa como o grande óbice a uma grande participação das meninas lusas.

No outro jogo, as seleccionadas da Irlanda despacharam a Turquia por um concludente e inapelável 4-0.

A UNESCO e o Tua

José Manuel Pavão,
Mirandela, 17-7-2012


Bem pode o laureado Souto Moura, arquitecto muito apreciado e distinguido nos Foruns internacionais, puxar pela cabeça, esmerar-se e caprichar no seu projecto de tentar ocultar a gigantesca parede de betão que a poderosa EDP, contra ventos e marés sob os protestos de esclarecidos resistentes dos Movimentos Cívicos e insuspeitos órgãos de informação (…), decidiu construir na foz do rio Tua em arriscada e porventura negligente colisão com o estatuto do Douro Património Mundial.
Ainda que a sua obra possa ser aplaudida, cujo preço os portugueses por enquanto desconhecem mas que por certo não contemplará nenhum desconto ao dono da encomenda, ela será sempre um bonito penso de proteção em cima duma cicatriz testemunha de má e insensata intervenção do seu executor!
Chegados ao epílogo deste tempestuoso romance configurado na construção apressada duma barragem hidro-eléctrica no ponto onde o sofrido rio Tua se entrega extenuado no portentoso Douro, já não vale a pena argumentar com a destruição dum vale único pela sua singular beleza, nem da sua linha ferroviária orgulho da Engenharia portuguesa e que com alguma imaginação poderia ser a alavanca para o tão necessário quanto vital desenvolvimento sustentado da região empobrecida que parece não causar preocupação aos sucessivos governos da República. Como também não vale a pena trazer de novo à baila os poderosos argumentos fruto de cuidados estudos universitários que demonstram ser dispensável a intervenção no rio Tua como fonte de aumento de produção energética. [Read more…]

Vigília pela Educação: um copo meio cheio ou meio vazio?

Não sou um entusiasta de ajuntamentos, assumam eles a forma que assumirem. É por isso que não sou militante de partidos ou sócio de clubes e confesso que sou sindicalizado mais por inércia do que por convicção. Não encaro esta minha característica como uma virtude ou como um defeito e, portanto, não é por isso que me julgo superior ou inferior a ninguém, o que não aconteceria se estivéssemos a falar de matraquilhos, área em que me considero um especialista de nível internacional. Foi consciente disso que participei, com muito gosto, na vigília pela Educação, ontem, no Porto. [Read more…]

O coração

Ontem escrevi sobre o umbigo como a mais bela e simbólica cicatriz do nosso corpo.

Hoje apetece-me dedicar umas palavras ao orgão central, o orgão da vida por excelência.

Vai Aonde Te Leva o Coração, escreveu Susanna Tamaro em 1994 (“desconfie de tudo excepto daquilo que o coração lhe disser”);

Saber algo de cor (do coração), como o Paulo Gonzo sabe de cor cada traço do rosto e do olhar dela, como um pianista toca de cor uma obra ao fim de tantas horas a estudar, repetindo;

Sobre isto de aprender de cor, George Steiner escreveu inúmeras vezes, como em No Castelo do Barba Azul: “Aprendia-se em grande medida de cor (do coração) – termo que se adequa magnificamente à presença íntima, orgânica, da palavra e do sentido no espírito individual. A decadência catastrófica da memorização no ensino contemporâneo e na bagagem do adulto (…)”.

Depois há as diversas expressões: «não tens coração»; «coração de oiro»; «coração de passarinho»; «falar com o coração»; «aperto no coração»; etc.

Você deve conhecer muitas! Queira acrescentar!

Obrigada.