Sempre.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
IL, Chega e CDS pedem inclusão do 25 de Novembro no programa dos 50 anos do 25 de Abril.

Foi um acaso, sim. Mas não é a História feita, também, de acasos? Um acaso que, quase 50 anos depois, é ainda um facto praticamente desconhecido: muitos dos cravos que marcaram as imagens do 25 de Abril de 1974 foram criados no Posto Agrário de Tavira.
Esta recente informação – também obtida por acaso, através de uma investigação sobre o Posto agrário de Tavira -, deu asas à ideia de recriar a viagem dos cravos que são o símbolo da liberdade de Abril. Aliás, também isso, por acaso. Segundo testemunho da Eng. Guilhermina Madeira, que à data trabalhava no Posto Agrário, os cravos seguiam de Tavira para Lisboa à consignação para um distribuidor, a firma Laranjeiras e irmãos, e era ao sr. Laranjeira que as senhoras que vendiam no Rossio e na Praça da Figueira compravam as flores. “Tanto quanto me apercebi, foram as mulheres que distribuíram os cravos, era o que tinham, se calhar se tivessem tulipas ou gladíolos em abundância, teriam dado também…”. [Read more…]
Pode ler-se num cartaz do município lisboeta que “Lisboa recorda o 25 de Novembro de 1975”. Parece-me muito bem que a capital do país tenha boa memória e que todas as datas sejam estudadas, analisadas e até festejadas por quem as quiser festejar. A fotografia escolhida para o cartaz revela, entretanto, falta de estudo.
As diferentes correntes ideológicas têm todas, em princípio, direito à vida, a não ser que ponham em risco a vida dos outros. Quando o país republicano comemora o 5 de Outubro de 1910, os monárquicos preferem celebrar o 5 de Outubro de 1143, porque terá correspondido a um momento fundacional.
Note-se que não faltam, aos monárquicos, datas para comemorar, até porque a República portuguesa, com os seus 113 anos, é uma criança à beira de uma monarquia que durou mais de 700 anos. Ele é a bula Manifestis Probatum, ele é Aljubarrota, ele é a Restauração, datas, mais datas e ainda datas.
Mas porquê então comemorar o 5 de Outubro? Porque o objectivo é apagar a comemoração republicana. E está tudo certo, porque, felizmente, vivemos em liberdade por causa de uma certa data que não vou agora revelar, porque quero criar aqui algum suspense. [Read more…]

“É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz. É preciso que a União Europeia comece a falar em paz. Pa’ gente poder convencer o Putin e o Zelenskyy de que a paz interessa a todo o mundo e a guerra só está interessando por enquanto aos dois.”
Foi esta a declaração de Lula da Silva que causou indignação cirúrgica, sobretudo entre a direita radical. Para a extrema-direita terá seguramente sido indiferente. O grosso dos seus aliados, como Orbán, Salvini ou Le Pen, sempre foram próximos de Putin e até receberam financiamento do Kremlin para a sua actividade política. E o circo já estava a ser montado. Já Montenegro foi cauteloso, e teve, a meu ver, sentido de Estado. Porque sabe, ao contrário dos restantes, que existe uma forte possibilidade de ser o próximo primeiro-ministro de Portugal. E, como tal, percebe a importância das relações diplomáticas com o Brasil. [Read more…]

André Ventura não gosta do Papa Francisco. É natural. Francisco tem alertado para a ameaça que representam a instigação do ódio e a instrumentalização da fé católica para fins políticos, duas das especialidades de um político que por várias vezes se assumiu como enviado ou escolhido por Deus.
A táctica de autopromoção de Ventura, contudo, obriga-o a não hostilizar o Papa, como de resto não hostiliza padres pedófilos. No entanto, atendendo a que o Papa Francisco afirmou, há dias, que a guerra da Ucrânia está a ser alimentada pelos interesses de vários impérios, e não apenas pelo interesse do império russo, o mínimo que Ventura e os funcionários da sua unipessoal podem fazer, depois da vergonha a que ontem submeteram a Assembleia da República, é convocar nova manifestação para as Jornadas Mundiais da Juventude, acusar Francisco de servir Putin, insultá-lo e insultar todos os que o seguem. Seria giro de ver, se André Ventura os tivesse no sítio.
Fun fact: não tem.
Milhares de pessoas reuniram-se hoje no Porto para celebrarem os 49 anos da Revolução de Abril.
Crianças, jovens e idosos em comunhão para nos lembrarem todos do mesmo: a Liberdade conquistada em 1974 é um dos marcos mais importantes da História de Portugal, marco esse que é preciso nunca esquecer, zelando pelos valores de Abril, especialmente nos dias de hoje em que o bafio fascista dos tempos antigos parece querer assolar o nosso bem mais valioso – a Democracia.
E essa, a nossa Democracia, continuará a ser o pior de todos os regimes, com excepção de todos os outros. Não a percamos, pois então. Celebremo-la.
25 de Abril sempre. Fascismo nunca mais.

O principal risco para a nossa democracia é aceitarmos a intimidação e a dominação da agenda pelos autoritários.
Saibamos confiar nos democratas e dar-lhes confiança. Tenho orgulho de pertencer a um povo que dirá sempre que for necessário: 25 de Abril Sempre! Não voltarão. pic.twitter.com/gtZYAAJ7ak
— LIVRE (@LIVREpt) April 25, 2023
Grande discurso do Rui Tavares, hoje, na Casa da Democracia.
25 de Abril SEMPRE, fascismo nunca mais!
Jordan Peterson tem sido um dos tais que condena a invasão de Putin com um “mas” a seguir.
Porém, ao contrário daqueles que apontam a ingerência norte-americana como causa primária para o conflito, Peterson tem uma explicação mais criativa para “operação militar especial” do Kremlin: a culpa é do “Ocidente degenerado”.
Tal como os eternos combatentes do imperalismo conduzido a partir de Washington, Jordan Peterson tem igualmente apontado o “expansionismo da NATO” como causa da invasão. [Read more…]
“O pior que poderia haver era agora o Presidente da República imiscuir-se” pic.twitter.com/gDEaB7GhhB
— volksvargas (@volksvargas) February 26, 2023
Marcelo Rebelo de Sousa mentiu ao país. Mentiu de forma deliberada, com o calculismo que se lhe conhece, e quis fazer-nos todos de parvos. E mentiu porque não só sabia da vinda de Lula da Silva, como foi o próprio Marcelo a fazer o convite. Tal como foi ele quem, a 31 de Dezembro, informou pela primeira vez o país sobre a participação do presidente do Brasil nas cerimónias do 25 de Abril. O poeta de Fernando Pessoa é um fingidor, mas tem muito que aprender para fingir tão completamente como o Presidente da República de Portugal.

Sabem quantos dias de luto nacional foram decretados quando o capitão Salgueiro Maia faleceu?
Zero.
Zero dias de luto nacional pelo homem que desceu a Rua do Arsenal desarmado e enfrentou os tanques de Junqueira dos Reis.
Assim elogiou Portugal um dos grandes heróis da democracia, o que não surpreende, ou não fosse Cavaco Silva primeiro-ministro, o mesmo que atribuiu pensões vitalícias a ex-PIDEs e a recusou a…. Salgueiro Maia.
Agora, 30 anos depois da morte do último grande herói, assisto, perplexo, ao decretar de 3 dias de luto nacional pela rainha de Inglaterra, sem perceber muito bem porquê. Ou talvez se perceba: o luto nacional, como outras ferramentas protocolares ao serviço de quem governa as várias instituições deste país, não passa de um privilégio que os privilegiados usam para privilegiar as suas castas. Corrijam-me se estiver enganado, mas não me recordo de nenhum serviço prestado por Elizabeth II à REPÚBLICA portuguesa que justifique tal honra.
Vocês recordam?
A verdade, inegável, é que este país deve mais a Salgueiro Maia do que à rainha, ao Cavaco, ao Costa e a toda a casta de privilegiados que se privilegia entre si. Todos juntos não valem uma unha do capitão.
Misael Martins*
Cumpre-se hoje, 25 de julho, um ano da morte de Otelo Saraiva de Carvalho, figura incontornável da história da segunda metade do século XX português pela sua valorosa participação no desenho das operações militares que depuseram o fascismo e inauguraram o biénio revolucionário de 1974/75, período ao longo do qual Otelo desempenhou múltiplas funções e se destacou, no campo revolucionário do MFA, por dirigir o Comando Operacional do Continente (COPCON).
Otelo foi muitas coisas e o seu projeto político não era heterodoxo nem se consubstanciou sempre nas mesmas pretensões. Representa, no entanto, e essencialmente, uma confiança nas massas, uma convicção de que o caminho da revolução devia ser desenhado pelo povo, direta e autonomamente, organizado nas suas próprias estruturas, e não por comités centrais, conselhos militares ou decretos parlamentares. [Read more…]
A Iniciativa Liberal desceu a Avenida da Liberdade. Depois de no ano passado a organização do desfile ter – de forma consciente e lúcida – recusado a participação de um partido que anteriormente havia dito que o verdadeiro dia da Liberdade era o de Novembro, nunca o de Abril, e mesmo tendo a IL descido na mesma – e bem, o espaço é público – este ano decidiram descê-la por sua conta e risco.
Ver um partido elitista, agressivamente capitalista e que em matérias económicas está sempre, sempre do lado dos mais poderosos, a descer a Avenida da Liberdade no 25 de Abril, como se aquilo fosse mesmo liberalismo clássico e estes fossem de esquerda, confesso, tem a sua ironia. Não se pode festejar Abril ao mesmo tempo que se quer uma Flat Tax… porque isso só é Abril para os ricos e Abril fez-se para todos.
Este partido capitalista, neo-liberal, acha que a Revolução foi feita para os grandes e poderosos e, por isso, desceu a Liberdade também… mas só depois de todos os outros, pois eles são gente fina que veste Pierre Cardin e Tommy Hilfiger e não se gostam de confundir com os esquerdalhos do 25 de Abril que compram boxers e meias aos ciganos na feira. Misturas como essa seriam um erro; se optassem por descer a Avenida ao mesmo tempo que todos os outros, ainda apanhariam a gripe marxista ou o vírus social-democrata… e também não querem arriscar, agora que acabaram as máscaras (vitória da IL, dizem eles… a sério, eles acham que foram os responsáveis pelo fim da obrigatoriedade das máscaras); e estar sujeito a ter de voltar a usar açaimes na cara por causa de mais um vírus maoista?! Nessa não os apanham mais.
Calculo e espero que também marquem presença no 1 de Maio, pois eles amam a liberdade (deduzo que só digam isso para a calar, mas depois vão ter com a outra). Se assim é, espero-os na Alameda, na luta pelos direitos dos trabalhadores (ou dos colaboradores, como eles lhes chamam), mas, tal como ontem, que só apareçam no fim quando todos tiverem ido embora (ah, e levem ucranianos para lhes explicarem como é que o capital os vai explorar cá onde… o “liberalismo faz falta”).

Capitão Salgueiro Cotrim Maia de Figueiredo, na sua chai… no seu jipe que costuma levar à Comporta, comportando-se como um esquerdalho arruaceiro.
Já não havia volta a dar. E ainda bem.

Partiu há 30 anos o verdadeiro herói do 25 de Abril.
Rui Rio, como muita direita portuguesa, tem um problema com o 25 de Abril, o que é natural. Essa direita, também de Rio e alegadamente democrática, chega mesmo a relativizar a ditadura do Estado Novo, enveredando por preciosismos terminológicos, tentando provar que não era fascismo. Até imagino que, num acto de revisionismo analgésico, os que foram torturados pela PIDE, por exemplo, relembrem o seu passado e esqueçam as suas dores, ao descobrir que, afinal, os torturadores não eram fascistas.
Em Portugal, temos um problema com a Justiça, desde a morosidade dos processos até às custas. Espera-se que, em campanha eleitoral, os políticos falem do assunto. Rui Rio falou. Mais valia ter ficado calado.
Segundo Rio, uma das duas pessoas que poderá vir a ser primeiro-ministro, a Justiça, em Portugal, é menos eficaz desde o 25 de Abril. Deduz-se que seja o de 1974.
Disse o novel humorista e presidente do PSD: “Tirando os julgamentos políticos, em termos de eficácia, desde o 25 de Abril a justiça piorou”. Para quem mede as acções apenas pela sua eficácia, Rio está errado – os julgamentos políticos foram de uma eficácia imbatível, até porque não havia grandes demoras e até se devia poupar dinheiro.
Entretanto, com todos os defeitos que podemos e devemos identificar em muitas áreas, só quem sofre de algum défice de cognição (também) democrática é que pode dizer que Portugal está pior agora do que antes do 25 de Abril. Este Portugal cheio de defeitos é o melhor de sempre, em todas as áreas. É claro que é muito mais difícil governar em democracia e talvez Rui Rio não goste de dificuldades, o que se notou muito durante o seu consulado autárquico. [Read more…]

Ontem vimos partir um dos nossos melhores. Um combatente destemido, um espírito culto e pleno de substância, um político excepcional, um exemplo para muitos, onde orgulhosamente me incluo, e, sobretudo, um homem bom. Uma das poucas reservas morais que nos restavam de uma classe política em decadência. Sempre do lado certo da luta.
Jorge Sampaio enfrentou o Estado Novo pela primeira vez no início dos anos 60, enquanto líder estudantil, durante a sua passagem pela Faculdade de Direito de Lisboa, numa década marcada pelo Maio de 68. Já advogado, defendeu presos políticos em julgamentos viciados pelo regime fascista, sem nunca tremer ou hesitar. Corajoso, voltaria a desafiar o regime ditatorial ao concorrer à Assembleia Nacional pela CDE em 1969. Correu sérios riscos, apesar da vida confortável onde se poderia ter refugiado, mas que nunca o demoveu.
[Read more…]
Há quem considere que Otelo foi um herói que, anos mais tarde, cometeu alguns erros. Mas Otelo não cometeu erros. Erro cometi eu, quando uma vez fechei a porta de casa com a chave metida na fechadura do lado de dentro. Já Otelo integrou uma organização terrorista que assassinou 17 pessoas, e isso não foi um erro. Porque os erros, como fechar a porta com a chave na fechadura do lado de dentro, são involuntários. Ou fruto de ingenuidade, de distracção. O que as FP-25 fizeram foi calculado, planeado, intencional. Hediondo. E a negação dos ideais de Abril.
Há quem considere que Otelo foi um simples criminoso. Mas Otelo foi nada menos que o cérebro da Revolução dos Cravos, a tal que nos libertou do fascismo opressor. Conspirou contra o regime, mobilizou militares e civis, correu enormes riscos, arquitectou o plano e dirigiu-o com genialidade, na noite de 24 para 25 de Abril, a partir do Quartel da Pontinha. Sem ele, a revolução que derrubou a ditadura poderia não ter sido possível. Com outro líder, é possível que a revolução tivesse sido sangrenta, que não foi. Otelo é, sem sombra de dúvida, um dos grandes obreiros de Abril. Da liberdade e da democracia. E o país, a liberdade e a democracia, devem-lhe muito.
[Read more…]Futebol. Um conjunto de instituições de exagerado poder, com tentáculos na política local e nacional, há décadas a viver acima das suas possibilidades e em situação permanente de falência técnica, em particular as suas elites, a quem tudo é permitido, seja corrupção, sejam fraudes fiscais, sejam os mais variados abusos de poder, seja o que for. Vale tudo e está tudo bem.
Até no interior do Parlamento se faz o poder futebolístico representar, através dos poucos fóruns onde o unanimismo reina, que são as associações de deputados-adeptos dos principais clubes, onde podemos encontrar um deputado do CDS a brindar com outro do PCP, e que, não raras vezes, até recebem os seus presidentes e outros dirigentes para almoçar ou jantar.
Relembremos a propósito as comemorações do 25º aniversário.
O que delas ficou explica-se em poucas palavras. O governo do PS através da TV pública mandou realizar um filme, obra ficcionada sobre factos reais ocorridos em 25 de Abril de 1974, agenciando para o efeito uma actriz ( Maria de Medeiros), tida como próxima dos socialistas. Obra de discutível gosto, de grandes custos financeiros em que por via de amizades profissionais foram desencantar um actor italiano para interpretar o papel que no filme atribuem a Salgueiro Maia.
Ao mesmo tempo, uma TV privada, a SIC, investiu enormes recursos financeiros, para com actores portugueses e um guião que seguiu estritamente os testemunhos dos principais intervenientes operacionais, militares e civis, – sim civis, que também os houve – , para deixar um documentário (Hora da Liberdade) que permitirá às futuras gerações, face à escassez de testemunhos vídeo e fotográficos da parte fulcral do movimento militar, terem uma noção aproximada dos acontecimentos.
Atentemos agora nas evitáveis polémicas que já marcam o cinquentenário. [Read more…]
Na comissão executiva da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril e na respectiva estrutura de apoio são todos pobres: Pedro Adão e Silva é pobre, o secretário pessoal é pobre, os três técnicos especialistas são pobres, os três adjuntos são pobres, o motorista é pobre.

Portugal celebrou no domingo o dia em que a mais longa ditadura da Europa Ocidental no século XX caiu por terra, dando lugar à liberdade e ao início da construção de um Estado livre e democrático, ideologicamente pluripartidário. Desde então, a preservação e defesa dos nossos direitos, liberdades e garantias têm sido um trabalho contínuo de todos, para todos, tanto à esquerda como à direita.
A ideia de que as celebrações do 25 de Abril possam ser tomadas como património de um só lado da barricada é não só intelectualmente desonesta, mas também ofensiva. A presunção de que a nossa liberdade só pode ser celebrada por um clube restrito é, na sua essência, uma subversão total dos valores de Abril e, na prática, um desserviço à memória dos que tanto arriscaram para que pudéssemos descer avenidas e, sem medo, cantar Grândolas e grandoladas.
Mesmo que seja historicamente notória a ausência da direita nas celebrações públicas desta data – o que invariavelmente tem concedido espaço à esquerda para tomar as rédeas na matéria –, a recusa da participação a um partido de fora da esfera da esquerda neste desfile é intolerável e inaceitável. A situação pandémica, a ser considerada como impeditiva de tais celebrações, teria que sê-lo para todos, tal como o foi em 2020. Não podem existir dois pesos e duas medidas no que a um património que é de todos os Portugueses diz respeito. A liberdade não é, nem deve ser nunca, vista como um bem passível de ser apropriado.
A liberdade conquista-se todos os dias, não tem donos, muito menos carece de autorização.
A arrogância dos pretensos donos do 25 de Abril não só insulta os que livremente pensam diferente, como degrada a própria noção de liberdade, porque dá aos que se dizem seus tutores a convicção de estarem acima do escrutínio e do debate de ideias. É essa confiança excessiva que depois forma consensos acríticos que atentam contra as liberdades individuais, por exemplo através do que parece agora ser um interminável estado de emergência, totalmente arbitrário, abusivo e desproporcional, quase sem escrutínio e com a complacência do maior partido da oposição. Um partido que conta, aliás, com um líder que, por um lado, diz publicamente estar disponível para aprovar os estados de emergência que este Governo bem entender, mas por outro não se coíbe de criticar as medidas que derivam desse autêntico cheque em branco por si passado.
Não podemos esquecer que o António Costa que usa a Constituição para tentar evitar distribuir apoios sociais a quem mais deles precisa é o mesmo que defendeu que o confinamento é para manter, “diga a Constituição o que diga [sic]”. Foi o primeiro-ministro que o disse – e não um qualquer perigoso “neoliberal” do tempo da Troika –, quando confrontado com a impossibilidade de manter o dever de recolhimento com o estado de calamidade, algo que apenas pode ser feito ao abrigo de um estado de emergência.
Isto diz muito da arbitrariedade com que este Governo tem vindo a conduzir a sua actuação na resposta à pandemia: a alternância entre estado de emergência e estado de calamidade é feita por motivos puramente políticos e ideológicos, por um executivo que já mostrou, em várias ocasiões, ter a propaganda, as sondagens e a resposta aos focus groups no topo da agenda e das prioridades, mais do que o bem e a saúde públicos.

Há poucas vergonhas maiores do que a autocitação da própria “obra”. Por isso, vamos lá. Em 2017, publiquei, ou publicaram-me, um conjunto de crónicas a que chamei “A Ameaça Vermelha”. O livrinho reunia sobretudo textos posteriores à conquista do poder pelo dr. Costa e a frente de esquerda que ele engendrou. Não são textos optimistas.
A própria capa, ideia minha, inspirava-se na famosa capa da Time com as imagens de Otelo, Vasco Gonçalves e Costa Gomes, na versão actualizada para o dr. Costa, Jerónimo e Catarina Martins. O título de então, “Red Threat in Portugal”, também foi uma óbvia influência. Isto para dizer que, desde o final de 2015, fiquei convencido de que se tinham reunido as condições para o regresso a uma ditadura, ou a consagração do tipo de regime que comunistas e similares tentaram, e falharam, há quarenta e seis anos. Em vários artigos, notei, sem ironia, que isto caminhava para uma espécie de Venezuela mitigada pelos laços à “Europa”, sendo os laços o dinheiro que a “Europa” envia (e a esquerda aprecia) e as obrigações que a “Europa” impõe.

A 25 de Abril de 1974, Portugal iniciou a terceira vaga democrática que varreu a Europa até 1991. As descrições que recebemos da geração que a viveu fazem-nos sonhar, e é impossível não deixar de os invejar por terem assistido a tal momento histórico. Mas se não me era possível ter assistido à Revolução dos Cravos, o mesmo não aconteceu com a queda do Muro de Berlim e o colapso da União Soviética, um terramoto político que pressagiava o Fim da História, como lhe chamou Francis Fukuyama. Parecia ser a vitória total da democracia liberal capitalista e tudo indicava que se alastraria inevitavelmente a todo o planeta. A última grande sociedade comunista no mundo, a República Popular da China, já tinha abandonado há algum tempo o caminho mais sinistro de Mao Tse Tung e parecia frágil depois do massacre de Tiananmen. Na África do Sul, uma aliança entre Nelson Mandela e o novo presidente de Clerk, derrubava o regime de Apartheid e inicia uma revolução pacífica e democrática num dos mais poderosos países da África. Na América do Sul, o gigante Brasil acabava com o regime militar e voltava a ser uma democracia. Apenas uma região do mundo se mantinha firme na resistência ao modelo democrático, o Médio Oriente.
Há precisamente uma década atrás encontrava-me a viver na Palestina quando começou a Primavera Árabe, um movimento algo semelhante ao nosso 25 de Abril e que muitos acreditaram ser a quarta vaga democrática. Na Palestina, a Primavera Árabe foi seguida com enorme interesse e uma sensação de enorme proximidade à revolução. Falando com colegas e amigos árabes, foi notória a excitação nos dias anteriores à primeira grande manifestação e óbvio o aumento do interesse a cada dia que passava. Desde a revolução tunisina que ouvíamos muitos e extremamente sombrios relatos do que era a vida debaixo desse regime totalitário. Colegas que lá tinham estudado e trabalhado na Tunísia contavam-nos histórias e detalhes da repressão, falta de liberdade e corrupção endémica centrada na família de Ben Ali, mas agora, com as manifestações a propagarem-se para muitos outros países, em especial para o Egipto, a dimensão da revolução torna-se incomparavelmente superior.
O Egipto tem um lugar especial no médio oriente. Define as modas, tem uma história milenar, produz os melhores desportistas (o seu campeonato de futebol era seguido em toda a região), para além de uma economia forte e diversificada e uma população que já ultrapassou hoje os 100 milhões de habitantes. Foi deste país que nasceram os mais significativos movimentos intelectuais árabes dos últimos 80 anos, como os nacionalista pan-árabes de Gamal Abdel Nasser ou a Irmandade Muçulmana de Hassan Al-Banna.
A história está contada no Notícias da Maia e aconteceu ontem, durante a Sessão Solene do 25 de Abril na Assembleia Municipal da Maia.
“Tá a comer e tá-se a rir o filho da puta”. Assim mesmo, em directo e a cores. O autor foi um vereador eleito pelo JPP (Juntos Pelo Povo) logo no arranque da dita sessão e solenemente referindo-se a um deputado Municipal. E continuou: depois de um “bom dia” de uma deputada do Partido Socialista, o Vereador reagiu com “ó cabra do caralho”. Em sua defesa: o homem não sabia que já estava em directo.
Isto de ter de lidar com as novas tecnologias não é fácil.

Porque
„Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação,
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.“
E quando a Justiça for célere e eficiente para todos e deixar de funcionar com tempos e medidas diferentes para pobres e ricos. E já agora, sem deixar alçapões para os poderosos aplicarem estratagemas.
Iniciativa Liberal participa nas comemorações do 25 de Abril
Esta foto é da @streetart_mallorca e o autor do grafiti é Abraham Calero. Está na Rambla em Palma de Maiorca. Porque a Liberdade é universal. Porque o 25 de Abril é de todos. Porque Celeste Caeiro não será esquecida.

Ainda me arrepio com as histórias, as músicas e os relatos de quem viveu a guerra e a revolução. Com os documentários, as reconstituições cinematográficas e as fotografias daquele dia inicial inteiro e limpo. Com a coragem daqueles militares, que arriscaram a liberdade e a vida para que todos pudéssemos ser livres e – finalmente – viver. Com a existência clandestina dos bravos da resistência antifascista. Com a realização daquela aparente utopia, que na madrugada que todos esperavam emergiu das trevas e limpou o céu. Com o privilégio que foi nascer em democracia, sem nunca, de forma alguma, ter estado sujeito à censura, à perseguição ideológica, à prisão arbitrária, à tortura ou à morte às mãos de um qualquer carrasco da PIDE. Por delito de opinião.
[Read more…]
Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

O governo da República Portuguesa publica uma nota sobre Educação utilizando uma fotografia de um suposto professor em suposto ambiente de suposta sala de aula com um quadro e giz.
Há quantas décadas desapareceram os quadros e giz das salas de aula na república portuguesa…?

“Não está em causa o direito à opinião, está em causa o relativismo opinativo”
—Ana Cristina Leonardo
Mourinho é uma recente prova viva de que as derrotas não são inevitáveis, coisíssima nenhuma. E o jornalista da Cadena SER ficou sem resposta à altura e, pior, sem a informação.

Os africanos invadiram África. Ele há cada coisa…
É verdade. Escreveu aquele “agora facto é igual a fato (de roupa)” e nunca se retractou.

Foto:Paulo Novais/Lusa
The Guardian. O que interessa é a arte, a arte, a arte!

(Foto de Francis Goodman/Getty Images)
Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

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