Lautaro. Política indigenista. Bodes expiatórios

com um Lautaro líder, o povo Mapuche não era perseguido pelos Huinca

Gritam os Mapuche desde o centro do Chile: pulchetun… pulchetun… Esta palavra, na língua dos “hombres de la tierra: mapu-che”, quer dizer: faça deslizar a flecha mensageira. Para quem escreve, a mutação da palavra flecha é para chamar à atenção para mais uma das incontáveis dores que o povo originário chileno está vivendo. Desde o dia 13 de Março, um grupo de quatro pessoas, três delas Mapuche, vivem uma greve de fome. Passam mais de cinquenta dias e a situação chega a seu ponto crítico, visto que a partir do primeiro de Maio, os quatro decidiram nem beber água. A vida se esvai e muito pouco está sendo feito para denunciar o terror.

Os grevistas são prisioneiros do Estado, acusados de terem incendiado instalações de uma empresa florestal multinacional. A empresa é responsável pela destruição das florestas e da vida do povo Mapuche que é, afinal, o guardião de Mapu (a terra) e por isso, têm como responsabilidade cuidar de tudo o que fazem com ela. Mas, lá, no Chile, quem virou vítima é justamente quem destrói Mapu e não quem luta para proteger a vida.

Perante esta situação, apenas é possível gritar pulchetún, envie a flecha mensageira a Lautaro o para um como ele., nos tempos de hoje…podia salvar a Pátria e a Nação Mapuche, como fez o Lonco Lautaro no seu tempo – Rei em Mapudungum, a língua da terra em português.

Parece uma lenda mas é uma verdade que não se duvida. Duvidar da existência de Lautaro, e dos Lautaro de hoje, seria duvidar da forma heróica em que se defenderam os Mapuche do Chile da sua habitual liberdade Bem sabemos que o Chile foi a derradeira colónia organizada pelos conquistadores hispânicos, na hoje denominada América Latina.

 Foi fundada por Pedro de Valdivia apesar de ter ser descoberta antes por Diego de Almagro em 1535. Mas achou o país pobre e perigoso e não havia a riqueza em ouro que ele pensava encontrar. Bem se sabe que estes espanhóis não eram soldados, eram convictos espanhóis que andavam a pilhar. Valdívia não, era de profissão soldado do Rei da Monarquia Espanhola. Sabia o que fazia.

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Compras urgentes para o Conselho Superior da Magistratura

 

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Tribunal falha entrega do acórdão Casa Pia pela terceira vez. Depois de ontem terem alegado problemas de impressão, hoje parece que são outros problemas informáticos. De formatação dos textos, consta.

A Ópera Bufa

“Tribunal falha entrega do acórdão Casa Pia pela terceira vez”

Finalmente a República, de tão fodida que tem sido, sucumbe…

post scriptum:

o crescimento das crianças-6ªparte-I-ontem e hoje

Mapuche e o clã Picunche marcham em protesto da perseguição Huinca

O que é uma criança? É todo ser que cresce entre o nascimento e a puberdade Já estava definida e, outros textos meus, com as citações que academia manda um intelectual fazer. Quer no meu O saber das crianças (1996), quer no meu Imaginário das crianças (1997), tive especial cuidado de dedicar ideias para delimitar o campo da pesquisa. Que tinha já sido definido no meu A construção social do insucesso escolar (1990b), esse esgotado livro que é muito procurado. Como em outros textos. Gostava acrescentar á minha tradicional definição, de que todo ser humano é criança em certos aspectos das suas relações, em quanto é adulto em outras. E ao contrario. Porque há campos do comportamento que sabemos, e campos da interacção no qual estamos menos desenvolvidos. Percebe-se de que um adulto é um ser crescido em corpo e em idade, capaz de reproduzir. E com as suas emoções bem definidas e detalhadas e

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O crescimento das crianças-1ª Parte

Indígena Mapuche, do clã Picunche, os meus anfitrióes, pensamento analisado por mim

DECLARACIÓN PÚBLICA COLEGIO DE ANTROPÓLOGOS

A cincuenta días de iniciada la huelga de hambre de los presos políticos mapuche en diversos centros carcelarios del sur de Chile, es poco lo que cabe agregar a lo ya dicho en pro de las legítimas demandas por ellos planteadas.

El asedio al pueblo mapuche vuelve a poner en evidencia la crueldad e inconsistencia con la que el estado chileno enfrenta a quienes están condenados a vivir una ciudadanía de segunda clase. Privados de los medios para la realización de su cultura son también privados de los derechos básicos para defender su dignidad. La legislación de excepción que se les aplica niega lo que por otro lado se les dice: la igualdad frente al resto de la ciudadanía. Se les trata, en cambio, como enemigos de guerra; se les fuerza a la extranjería no sólo por la discriminación que todos los días recae sobre mujeres y hombres de este pueblo sino también por la acción de fiscales y autoridades que les enjuician como si no fuesen personas en la integralidad de sus derechos. Es responsabilidad del estado, en el marco constitucional y de los convenios internacionales, el manejo democrático de los conflictos sociales y el uso proporcional de las medidas de persecución y represión criminal, respetando el derecho de las personas a un proceso judicial equitativo. Es por ello que el uso de la ley antiterrorista atenta contra el sistema democrático que pretende defender. [Read more…]

A face oculta da justiça

A escolha do título ‘face oculta’ é, de facto, um rasgo de rara sagacidade; diria mesmo um pensamento inspirado por iluminação divina. Com dois nomes apenas, aplicados ao complexo processo das sucatas, gravou-se de forma sintética e inextinguível a classificação genérica de tudo o que é trabalho de investigação do Ministério Público, quando há a presunção de envolvimento de políticos e gente ‘VIP’ do país. O autor do título mereceria um ‘Óscar’.  

Com efeito, nos casos em que pontificam suas excelências, a justiça portuguesa tem sempre uma face oculta. Por mais que o PGR e outros responsáveis do MP se desdobrem em declarações e entrevistas, o cerne e desfecho do processo terminam inevitavelmente na ocultação da única face que os cidadãos têm direito de conhecer, a verdade.

Hoje, segundo o anunciado por ‘PUBLICO’ e TVI, foram constituídos mais três arguidos, todos ligados à REN. Com este episódio, juntam-se no processo mais de 20 arguidos. Do grupo, lembre-se, fazem parte os políticos Armando Vara e José Penedos, o filho deste último e o sucateiro, Manuel Godinho. Este foi o único detido preventivamente.

O amontoar de arguidos e da complexidade processual, além das controvérsias no seio do MP, a que se juntam mediáticos sindicalistas, descamba na consabida morosidade e ineficácia das investigações. E no fim sucederá o trivial: a montanha parirá um rato – os gatos, ou melhor os tigres, esses ficarão protegidos e tratados com pitança de luxo, porque há que preservá-los do risco de extinção da espécie. Curiosamente, acho que deveria ser exterminada, mas, se calhar, é uma ideia politicamente incorrecta.

Umas últimas perguntas: que é feito do processo do BPN, de Oliveira e Costa, de Dias Loureiro e dos restantes envolvidos? E do caso BPP e de João Rendeiro e outros? Mesmo com a utilização de cerca 6.000 M de euros de dinheiros públicos, ouço uma voz remota mas firme a sentenciar: “Caluda!”.   

Duarte Lima e o assassínio de Rosalina Ribeiro

Confesso a intenção, frustrada, de passar a alhear-me da novela deste Verão: o assassínio de Rosalina Ribeiro no Brasil, a ligação profissional e amorosa mantida com Lúcio Tomé Feteira e a acesa disputa da herança do milionário entre Rosalina e a filha deste, Olímpia Feteira.

Os comentários feitos aqui e as estranhezas manifestadas aqui foram, essencialmente, determinados por duas ordens de razões:

  1. Conheci e trabalhei com as três personagens principais da história – excluo, portanto, Duarte Lima – e o acontecimento remeteu-me para a memória da minha passagem pelos quadros da Covina – Companhia Vidreira Nacional, entre 1964 e 1980;
  2. Neste, como em outros casos, embora deteste a cultura sensacionalista de temas como ‘o amor e o crime’, tenho interesse em saber a verdade.

O retorno à história, desta feita, destina-se a manifestar a constatação de que, entre a comunicação social portuguesa e brasileira, existem diferenças assinaláveis nos conteúdos com que abordam o caso.

Na comunicação social portuguesa, excepto em situações inspiradas em notícias publicadas no Brasil, caso do jornal ‘I’ e TVI em edições de hoje, centra-se no emaranhado de notícias novelescas, do tipo daquela que se pode ler no Diário de Notícias, com predominância dos sarilhos entre filha e pai; sarilhos esses, acentue-se, que vinham de longa data e se iniciaram algum tempo após a ligação de Lúcio Tomé Feteira com Rosalina Ribeiro. Até aí, asseguro, Olímpia Feteira, “a menina” como lhe chamávamos na empresa, era o que se poderia classificar ‘o encanto do seu pai’.

A comunicação social brasileira, distanciada geograficamente de eventuais influências e interesses, é mais objectiva e pragmática. Caso do Jornal Extra. O foco das notícias, no outro lado do Atlântico, é o crime e o descortinar de pistas e dados para descobrir quem o praticou. E segundo tais notícias, Duarte Lima está efectivamente em posição, no mínimo, incómoda. De resto, o próprio advogado de Rosalina, no Brasil, considera Lima “a pessoa errada no local errado”. O que é que isto quer dizer?

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A ACOP pretende que as isenções de taxas de justiça e custas em vista de uma justiça acessível e pronta sejam repostas

A ACOP – associação de consumidores de Portugal -, de interesse genérico e âmbito nacional, sediada em Coimbra num gritante desafio à centralização que continua a perspectivar o “País como paisagem” porque só Lisboa encarna essa vocação – a de ser País e nada mais que País -, recorda que os consumidores viram esvaziado de conteúdo o direito a uma ”justiça acessível e pronta”.

Com efeito, o DL 34/2008, o qual baixou o Regulamento das Custas Processuais, ao revogar, no seu artigo 25, as disposições em contrário, cometeu essa vilania – a de fulminar de modo ínvio o acesso do consumidor à justiça, no que isso tem de fundamental para a vida do dia-a-dia, para a vida dos cidadãos.

Todos, até o Ministério da Justiça, parecem ignorar o que o artigo 25 do invocado diploma legal prescreve e cumpre lembrar:

“1- São revogadas as isenções de custas previstas em qualquer lei, regulamento ou portaria e conferidas a quaisquer entidades públicas ou privadas, que não estejam previstas no presente decreto -lei.”

E o que dizia o artigo 14.º da LDC – Lei de Defesa do Consumidor?

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a Joana da Figueira e os rapazes da Madeira

violência familiar:uma testemunha

Para as crianças vítimas de violência familiar

Sabemos que o mito que orienta o nosso comportamento é o da Sagrada Família definida pelos cristãos romanos: um pai que trabalha, uma mãe a tomar conta da vida doméstica, uma criança que brinca com os seus pares e ensina aos eruditos do Templo de Jerusalém, por brincalhão, sorridente e sábio que é ao ponto dos pais ficarem impressionados. Ideais conhecidas por nós da cultura romana e faladas por mim nesta coluna imensas vezes. Reiterada, para lembrar sempre o necessário respeito incluído na interacção dos seres humanos, seja qual for a sua idade e a sua geração. Esse respeito que precisa de ser entendido como a conversa entre adulto e criança, com ideais e palavras definidas pelo entendimento do mais novo. O mito serve apenas para nos indicar da necessária bondade e educação que esse adulto transmite ao mais novo. No denominado Decálogo ou Dez Mandamentos, existe uma frase que manda respeitar pai e mãe. Mas, não há retorno: em lado algum é possível ler honrar as crianças. Pode-se comentar que todo o Decálogo tem por objectivo organizar o contexto de bem-estar para o conjunto do grupo social. E, sem qualquer dúvida, receio do esquecimento dos pequenos no conjunto da vida social. Diz Freud em 1885 que a criança  é todo ser humano desde a concepção até o começo do entendimento aos cinco anos de idade. Procura o seu divertimento ideal e erótico e a subtracção à morte, o que denominou Eros e Thanatos, para surpresa do mundo científico e do mundo social em geral. Até ao dia de hoje. Em 1966, um seu seguidor, Wilfred Bion, contradiz e para definir que o ser humano, criança ou adulto, tenta confrontar a dor para aceitar a humilhação a que a vida definida por Adam Smith, John Maynard Keynes, Margaret Thatcher, Ronald Reagan,

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a criança, esse valor de câmbio

uma das crianças sujeitas ao que anda na moda: a pedofilia

Para a escola de Belas

Estou empenhado em duas lutas, em duas frentes diferentes. Um, é mostrar aos leitores, como pensavam os fundadores da nossa ciência da Antropologia, especialmente em etnopsicologia da infância; a outra, em desmascarar os adultos abusadores de crianças. Este texto tem por objectivo a luta por crianças sãs e a viverem no seu lar.

O que acontece na faixa de Gaza e quotidianamente no Afeganistão, esses Talibãs que não apenas matam, mas abusam das crianças. Como na Madeira….

Temos hábitos. Hábitos de conceitos. Hábitos de significados. Hábitos emotivos. Os primeiros, são de grande facilidade de definir: um conceito diz o que uma coisa é, uma actividade ou um facto. O significado, diz-nos a abstracção dessa realidade. Como valor, o tempo usado em fabricar uma mercadoria. Como câmbio, a utilidade de trocar um bem que eu faço por um bem que não tenho, intermediado pela abstracção dinheiro ou capital. E fica assim, rapidamente tudo definido e no seu sítio racional. Os emotivos, nem conseguem ser hábitos. Ou, por outra, temos o hábito de ter emoções e sentimentos, como referi no jornal de Julho deste ano. Texto que referia conceitos abstractos de sentimentos. E, como refere a dedicatória, bom para o que eu costumo denominar processo de ensino e aprendizagem.

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As amigas são para as ocasiões


Cândida Almeida travou equipa mista liderada pela PJ para investigar o Freeport

prostitución de crianças

reedito este texto en memória del amigo que me desafaria a escreve-lo

Devuelvan nos al niño!

(canção sem palavras)

Em memória de mi amigo Estevão Stoer, amigo durante anos, cujos comentários me desafiaram a escrever este texto. Como outros escritos da minha vida.

1. A ilusão da infância

Ilusão de quem? Do adulto ou da criança? O adulto tem pensado como deve ser uma criança. Tem desenhado as suas habilidades e aptidões, a sua inocência e a sua responsabilidade. A compilação de decretos eclesiásticos do Bispo católico Graciano, feita durante o século IX e convertido em Código no passado século XX, define à infância. Com essa inocência e irresponsabilidade civil e criminal, já conhecidas pelos meus leitores, à força de tanto martelar sobre o facto neste jornal. Napoleão Bonaparte, mandou também compilar esses textos, para o Código Civil que nos governa. [Read more…]

5 Cubanos

(adão cruz)

Solidariedade com os cinco cubanos presos nos EUA

No passado dia 21 de Julho, o cidadão cubano Gerardo Hernández, preso há 12 anos nos EUA, foi encerrado numa cela de dois metros por um, sem ventilação e onde a temperatura atingia os 35 graus, privado de quaisquer bens pessoais, mesmo dos mais elementares artigos de higiene, proibido de receber visitas, inclusive do seu advogado – numa situação que, como incisivamente sublinhou o Presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcon, «equivale a tortura». [Read more…]

País Maravilhoso, O Nosso!

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Estão a gozar connosco, só pode!
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Depois de ler esta notícia, só posso envergonhar-me de ter estes “mandantes” a mandar em nós.
Se tal acontecer, e se nada se fizer a esse respeito, só apetece mesmo renegar esta gente, a qualidade deste povo, e este País, e aproveitar para chamar a quem permite estas coisas, uma cambada de f….. .. ….
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Sócrates não esquece quem o serve

 

Governo reafirma confiança em Pinto Monteiro.

Silly season


Começou a estação parva. Este senhor diz que tem os poderes da Rainha de Inglaterra. Pois desde já advertimos Sua Excelência, que por um centésimo daquilo que ele diz, fez, ou pior ainda, não faz, a Rainha Isabel II já teria sido deposta.

o crime social do aborto

é preciso distinguir entre aborto ritua e aborto economicista

1. Conceito.

É conhecido como impedir a vida de uma criança antes de esta ter nascido. Isso é designado como a interrupção voluntária da gravidez É ainda um delito punido com pena de prisão. É normalmente, uma decisão tomada por uma mulher por não ter um pai para essa criança em gestação, ou porque já tem muitas e tem dificuldade em cuidar delas e educá-las. Seja como for, a população infantil tem vindo a diminuir entre pessoas que não usam precauções para não engravidarem e darem vida a outra vida. Um facto que acontece em Portugal, na Espanha, na Itália, em etnias que vivem para além Europa. A diferença é que, na Europa e nas suas antigas colónias, o aborto é considerado uma perda de um ser humano punida por lei. Muito diferente é o caso dos Ba-Thonga de Moçambique estudados por Henry Junod em 1898 e por José Fialho Feliciano em 1998. O nascimento de gémeos coloca um problema: um deles deve casar, por obrigação cultural ou legal, com um descendente do clã de parentes. Apenas um. Se há dois pretendentes, um deles é morto, ou à nascença ou abortado mal se perceba que há dois no ventre da mãe.

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Uma justiça portuguesa catatónica

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A justiça portuguesa está num estado catatónico. Não é nada de novo. Respira, olha, mas existe fechada dentro dela, num cenário de total alheamento da realidade. É muito cara, demasiado lenta, na maior parte das vezes ineficaz. Pelo país há mais de um milhão de processos pendentes. Já não chegava toda esta situação, agora ficamos a saber que temos de torcer o nariz a todas as suas deliberações e opções.

Descobrimos que a justiça, pelo menos algumas vezes, não trabalha de forma concreta e não vai ao fim dos processos, fica pela rama. Por falta de tempo ficam por escutar entidades relevantes para os processos. Por falta de tempo adiam-se sentenças. Por falta de tempo prolongam-se processos quase indefinidamente. Por falta de tempo ou por falta de vontade.

Curioso é que, apesar de deste panorama, a maior parte dos agentes da justiça faz o que somos especialistas em fazer: atirar as culpas para debaixo do tapete de outros. Quando confrontados com os enormes problemas da justiça, os sindicatos ou associações representativas dos vários elementos, funcionários, juízes, Ministério Público, advogados, garantem isenção de responsabilidades e acusam outros, incluindo o Governo e o Parlamento, que também têm a sua dose de culpa no cartório.

Deve ser por tudo isto que dizem que a justiça é cega.

O cemitério do Freeport recomeça amanhã…

Com  índicios de corrupção, amanhã o Ministério Público tem que tomar uma decisão. Acusa ou arquiva!

Ao que sabemos (os faxes, o vídeo, as conversas sobre envelopes…) acrescentam-se os depósitos bancários em notas, muitos milhares de euros em várias contas de vários titulares, todos ligados ao processo. Em dinheiro, em notas, todos deram uma boa explicação, negócios, partilhas, mas a conclusão a que se chegou é que todos depositaram mais dinheiro nas respectivas contas que o que declararam às finanças.

Crime fiscal? Amanhã com a acusação, se a houver, vamos saber as bases da pronúncia, se a decisão for o arquivamento, vamos ter tudo eacarrapachado nos jornais. Bem sabemos que a prova em tribunal não se compadece com “intuições”, mas as notícias, vão ter títulos a “preceito”, deixar dúvidas no ar, e desenvolver o processo por muitos dias a tal ponto que quando se chegar ao fim, cada um de nós vai ficar com uma “impressão”.

Agora uma coisa é certa, um cemitério tem muito menos vida que um freeshop, apoquenta muito menos as avezinhas , e não atormenta os sapais e, no entanto, foi chumbado.

Até os mortos se viraram com aquela aprovação!

Ministério Público fechou caso Freeport

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Está pronto. Pelo menos em parte. Foram mais de cinco anos de investigação, de escutas, documentos, vídeos, intriga, enfim um conjunto de elementos que ajudam a fazer um argumento de um caso estranho.

O Freeport, é sabido, nasceu torto. Muito torto. Ainda não se endireitou no que diz respeito à dignidade da política e, sobretudo, da justiça portuguesa. Lenta, estranha, a funcionar a para e arranca, com inúmeras fugas de informação.

Consta que dois arguidos foram acusados. Se se confirmar, foi o chamado rendimento mínimo num processo complexo e que ainda dará muito que falar.

Este é mais um daqueles casos que nos faz lamentar o estado a que Portugal chegou.

Julgados de Paz – Justiça célere e barata

Até ao final de 2009 os 23 Julgados de Paz resolveram 31 823 processos, isto num país onde a Justiça tem atrasados 1,2 milhões de processos.

Para os fragilizar chamam-lhes “tribunais de condomínio” mas a verdade é que são muito mais do que isso, o termo depreciativo encobre o desejo que poucos o utilizem, porque são acessiveis, razoáveis e rápidos e o valor do processo ronda os 70 euros.

O processo em média não ultrapassa os dois meses, há um envolvimento efectivo do tribunal na resolução do problema e dos mais de 30 000 processos entrados ao longo destes oito anos, apenas em 0,01% foi apresentado recurso de decisões. Em 80% dos casos as partes estão representadas por advogado, mas os tribunais judiciais  comuns não remetem processos, o que poderia contribuir para aliviar aqueles tribunais da sobrecarga a que estão sujeitos.

Os próprios advogados ainda estão pouco abertos a esta solução alternativa para resolução dos litígios dos seus constituintes, uns por desconhecimento da capacidade e da eficácia dos Julgados de Paz, outros por desconfiança, e ainda outros por estratégia.

Oeiras: Presidência da Câmara a funcionar na Penitenciária

O José de Freitas tem razão. A confusão propagou-se durante o dia de ontem. Vários órgãos de informação publicaram versões distintas das deliberações do Tribunal de Relação de Lisboa (TRL) sobre o processo de Isaltino de Morais. Tornou-se, de facto, difícil saber a verdade.

Imaginemos o noticiado pelo Diário de Notícias como certo. O jornal cita fonte de informação do TRL à Lusa. Publica detalhes da comutação das penas. Enfim, dá algumas garantias de rigor – embora, hoje em dia, sobre os escritos e ditos da comunicação social, pairar com frequência a dúvida entre o real e a ficção, a ingenuidade e a má intenção e outras dicotomias do género. Sobretudo, em casos de políticos no activo ou retirados, gente da alta finança, gestores públicos e privados, e gente muito, muito mediática.   

Então, a ser verdadeira a versão do DN, o edil estará em risco de cumprir uma pena de prisão efectiva de dois anos, não perdendo, contudo, o direito de exercer o mandato de Presidente da Câmara Municipal de Oeiras.

Para um leigo, como eu, em matéria de Justiça e direito autárquico, a informação avançada pelo DN suscita naturais dúvidas e interrogações. Será que vão encarcerar o Isaltino em estabelecimento prisional, em célula especial, com decoração e mobiliário à altura de um Presidente da C. M. de Oeiras? Terá direito a gabinete complementar para o secretariado? E a uma sala de reuniões para receber o vice-presidente, os vereadores, empreiteiros e munícipes ilustres ou modestos? Obrigarão o homem a vestir sempre a farda de presidiário, às riscas, e boné a condizer? E receberá as visitas com tal indumentária? Bom, chega por ora de perguntas. Aguardo respostas.

Por curiosidade, vou procurar em todos os motores de busca se, no mundo, existe ou existiu situação idêntica. Caso não haja, é sinal de que o Portugal contemporâneo, a somar ao engenheiro formado ao domingo e a outros casos anedóticos, conta com mais uma originalidade: um presidente de câmara a exercer o cargo na penitenciária. Para o exercício de cargos políticos, seremos país pioneiro no tocante à ausência de reservas sobre espaços a utilizar. Prisões incluídas.

o tsunami das perversões

o comércio de certos países asiáticos

Lembranças do farmacêutico da Parede

O nosso costume era parar na rua e falar vários minutos sobre os factos do dia. Curto, breve, ético, directo. Sem vergonha na opinião. Fugindo do julgamento da praça pública. Minutos curtos por não poder, o Senhor Farmacêutico, manter-se em pé muito tempo devido às suas pernas: passava dos 90, mas desde os 80, com memória em excelente estado, tinha opinião para tudo. Durante os últimos três anos, a ética do nosso País andou abalada, e as suas palavras não permitiam opiniões divergentes, atitude que me fazia, que me ensinava. Especialmente, acerca das perversões que iam acontecendo. Até ao dia de não podermos falar mais, nem eu me inspirar nas suas opiniões, essas ideias educativas. Retiradas da sua experiência de vida, de criar filhos, opinar com netos e ouvir bisnetos. Um processo educativo, como gosto de denominar. Um dia, o Farmacêutico não estava mais. E não foi possível comentar a tragédia que nesses dias de Dezembro de 2004, passei a viver: eu estava fora do País, ele tinha entrado na eternidade.

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E agora, filho?

texto escrito como louvor para um trabalhador da bola que sofre a felonia de ver a sua vida privada, entrometida

Carta imaginaria de CR ao seu filho em dias prévios ao grande triunfo do Mundial 2010

O que vamos fazer? E esse bisbilhotar sobre nós, este não nos deixar em paz e em calma? Este andar a falar sempre de nós, como se formos seres aparecidos de outro mundo, de caras que assustam, essa necessidade de andar sempre a fugir para outras terras, porque na terra do pai a imprensa nos invade e coloca questões que o pai nem quer responder para usar a sua santa liberdade, a sua opção sã e destemida, esse de ter um filho apenas meu? Um filho sem mãe, ou por outra, com tantas mães, como são a tua avó, as tuas tias, as vizinhas discreta nas que confio imenso? Reparaste já no jornal que te atribui um valor não de filho surpresa e único, mas um filho que é… milhares de euros? Onde fica o filho amado e imensamente procurado, sem o pai nunca encontrar a pessoa adequada para, por paixão, por amor, por essa força da natureza, ia criar ao meu pequeno como eu próprio fui criado, com ternura, com doçura, orientado para aquilo o que o pai parecia ser melhor, o jogo da bola?

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O filho de Cristiano Ronaldo: Parece-me felonia intervir na vida privada das pessoas

a arte do novo pai a ser transferida em breve ao novo filho

É o meu hábito, desde que lembro dos meus dias de vida, que começam a ser muitos, acordar entre 6 e 7 da manhã, a melhor hora para escrever: todos andam a dormir, o silêncio é interrompido apenas pelos pássaros que acordam ao dia e o telefone não tem esse pouco simpático som que faz perder o fio a meada. Hábito ao que tenho todo o direito, porque a seguir, adormeço meia hora e fico fresco, como alface. Como agora.

Apenas que hoje, o mundo mudou. Como quando integro júris longe das minhas terras e para estar em Coimbra, devo sair de Cascais pelo menos as 6 da manhã. A minha sesta passa, a volta, a ser de, pelo menos duas horas. Hoje, por ter acabado um novo livro que ofereci a minha Universidade: Marx, um devoto luterano, 365 páginas, estava cansado e sentei-me no cadeirão do meu estudo para ler notícias.

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Roubou billiones, diz o Joe do Jardim

E para já o Tribunal diz que há fundamentos sérios para Joe dizer o que disse do Jardim !

O Jardim foi condenado pelo Banco de Portugal ao pagamento de uma coima de 1 milhão de euros e à inibição do exercício de atividades no sector financeiro pelo período de nove anos. Além disso, Jardim está acusado da prática de crimes de manipulação do mercado, falsificação de documentos e burla qualificada.

O juiz vai dizendo que o Joe foi longe demais que tocou na honra e bom nome do Jardim mas que o Joe, enquanto representante dos accionistas do banco, tinha sérios fundamentos para reputar como verdadeiras as imputações que formulou.

Entretanto, o Joe já avançou com acções judiciais contra alguns ex-administradores do BCP pedidndo indemnizações no montante global de 1, 328 mil milhões…

Face a este montante eu tambem acho que é mais desvio do que roubo!

Extrema direita acusa em tribunal familia de Sócrates!

Mário Machado e outros oito réus estão a ser julgados no tribunal de Loures  por vários crimes. Na última sessão o tribunal mandou enviar para o PGR uma certidão das declarações de Mário Machado e de Rui Dias que garantem ter na sua posse documentos que comprovam o envolvimento de um tio, da mãe e de um primo de Sócrates, “no desvio de 383 milhões de euros”.

Rui Dias, gestor financeiro na área do mercado de capitais, garantiu que é por causa de ter estes documentos que está preso preventivamente e a ser julgado em conjunto com Mário Machado e outros arguidos. Os documentos serão originais e estão guardados em dois blocos diferentes para não serem encontrados.

José Manuel de Castro, advogado de defesa, referiu que o referido dossier integra “comprovativos originais de depósitos e transferências de bancos em paraísos fiscais!

senhora ministra da educação, com respeito mas com firmeza

A Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, antiga ministra da educação

Não me parece correcto bater sobre a árvore caida, mas não posso permitir que se dé continuidade a uma crítica permanente a quem parece ter errado por causa de quem ai a colocara. A minha carta aberta a antiga ministra não é um insulto, é um alicerce para animar a mudar a política educativa deste país. O ministério da educação foi sempre difícil de gerir. A Catedrática Maria de Lurdes Rodrigues não podia fazer milagres. Como a carta está a ser usada outra vez, vou publica-la no sítio devido. A carta, publicada no antigo jornal A Página da Educação,  é de Abril de 2008 e diz, enquanto se debate concentração de escolas, que poucos  parecem querer, política sobre a que já escrevi antes neste blogue, vejamos e comparemos, porque reitero o que a carta diz:

Minha querida Maria de Lurdes Rodrigues,

Ainda lembro esses dias em que foi minha discente em Antropologia. Bem sei que é Socióloga e que entende da interacção entre os membros de uma mesma cultura, ou, pelo menos, isso foi o que eu ensinei a si e aos seus colegas nos anos 90 do Século passado, nesses dias em que o meu português tinha esse sotaque que aparece nas cinco línguas que estou obrigado a falar e que a Maria de Lurdes muito bem entendia e ajudava a corrigir  para eu aprender mais. Ainda lembro a alegria das nossas conversas extracurriculares, no corredor do nosso ISCTE ou no meu Gabinete, ao me referir à sua dedicação adequada e conveniente, para o estudo das suas outras matérias. Mais ainda, os comentários, do meu grupo de colaboradores de Cátedra que comigo ensinavam, hoje todos doutores como a Maria de Lurdes, e os comentários dos meus colegas Sociólogos em outra matérias. Especialmente, os do meu grande amigo João Freire, que orientou a sua tese. Se bem me recordo, connosco teve um alto valor como resultado dos seus estudos. Se bem me recordo, era do curso da noite no meu Departamento e na nossa Licenciatura. Por outras palavras, estudava, trabalhava para ganhar a vida e tomar conta da sua família. Por outras palavras também, era uma estudante trabalhadora e uma Senhora devota e dedicada ao lar, como muitos dos seus colegas masculinos e femininos. A minha querida Maria de Lurdes aprendeu comigo e outros da minha Cátedra, de que o tempo era curto, temido e não dava para tudo. Reuniões, falta de livros na Biblioteca para estudar e investigar, o difícil que era entender a, por mim denominada, mente cultural dos estudantes e a dos seus pais, o inenarrável suplício de saber o que pensavam e os parâmetros que orientavam essas mentes. Não esqueço as suas queixas sobre os pedidos do Ministério da Educação que pesavam uma tonelada ideológica e estrutural, na organização dos trabalhos dos docentes primários e secundários, que nem tempo tinham para entender a mente cultural dos seus discípulos ao serem mudados todos os anos para outras escolas. O nosso convívio era aberto e directo. Estou feliz por isso. Aliás, feliz, porque pensava em silêncio: “cá temos uma futura grande educadora”. Apenas que, enveredou para a engenharia da interacção social, ao estudar com o meu querido amigo João Freire. E o problema nasceu. Os professores primários e secundários devem preparar as sua lições, como Maria de Lurdes sabe, especialmente os do ensino especial ou inclusivo, que trata de estudantes com problemas de aprendizagem e precisam trabalhar desde as 8 da manhã até por vezes às 9 da noite. Esse ensino inclusivo de João de Deus, da Subsecretária de Estado, Ana Maria Toscano de Bénard da Costa, da sua colega no saber e no posicionamento partidário do Ministério da Educação, a minha grande amiga Ana Benavente, ou do meu outro grande amigo, o seu colega ideológico e no cargo de Ministro da Educação em 2000, Augusto Santos Silva, que nos foi “roubado” ao passar para a vida política.

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de menina subordinada a figura carismática

a capacidade de acolhimento universal de uma mulher carismática
Nel Museo dell’Opera del Duomo di Firenze. Foto personale aprile 2005.

Ensaio de etnologia da infância

Para a Senhora Engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo

Por assuntos vários, tive um desgosto hoje e lembrei-me deste texto dedicado a uma amiga:

Vamos andando, Maria de Lourdes. Vamos andando. Com passo lento, com memórias, cheio de respeito. Um passo que acompanha um modelo de comportamento. Vamos andando ao ritmo das minhas letras, enquanto a nossa Antiga Primeira-ministra é levada a descansar. [Read more…]

maria fernanda loureiro

homenagem a uma compatriota, conhecia à moda etográfica de Lewis

Conheci a Maria Fernanda, pelos anos 80 do Século passado, mais precisamente em 1988. Tinha 22 anos, magra, alegre, sempre com um sorriso, a tomar conta das crianças com as limpezas que fazia na escola e as comidas que preparava para as crianças que trabalhavam connosco na escola. Os seus pais são Manuel Marques Loureiro e Elvira de Jesus de Loureiro. O seu irmão, o amigo e compadre Ramiro Vítor Loureiro, casado com Fátima Abrantes e pais de Sara, a minha afilhada. [Read more…]