O Benfica merece tudo, já o País é outra história

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«O Benfica merece tudo», diz uma senhora que há horas esperava que a equipa do Benfica chegasse ao Estádio da Luz, relativizando a espera, o calor, a estafa, o empate. Pasmo-me a ver o povo assim mobilizado, espanta-me a resiliência, o carinho que dedicam a uma ideia de comunhão, aquilo de que são capazes por um clube de futebol. Nada tenho contra o clubismo – uma parte de mim é gloriosamente do Benfica, outra da Selecção Nacional – a não ser o facto de se substituir a causas maiores, mais importantes, verdadeiramente determinantes para a vida das pessoas.

Parte substancial dessas massas de adeptos abstem-se de votar, por vezes com o mesmo orgulho com que se dispõem a esperar pela chegada dos jogadores, alheados da realidade política de que são parte, tudo parecendo ignorar sobre um sistema eleitoral que faz do voto bastante mais que um direito, empenhados na abstenção com a firmeza dos que assim agindo pretendem punir a classe política. Olham para as acções de campanha partidárias com a displicência de quem vê passar a banda, com o voto deles é que não contam, isso é que era bom, que eles não andam a dormir. No dia de votar, terão mais que fazer.

“A resistência é a coragem da liberdade”

Uma análise interessante do filósofo Costas Douzinas sobre o presente e o futuro da Grécia e da Europa em tempos de submissão ao neoliberalismo (em castelhano).

Parece mentira…

… mas, a meses de fazer 100 anos,  os conflitos anteriores à primeira guerra mundial parecem de novo erguer-se.

O desemprego na Europa e a emigração em Portugal

A Europa

Deixo agora de parte o ‘sistema financeiro internacional’, a desregulação da banca, os paraísos fiscais, o funcionamento bolsista e todas as estruturas e agentes promotores da profunda crise que se derramou pelo chamado mundo ocidental (Europa e EUA).

O Eurostat acaba de divulgar números do desemprego na UE28 e, especificamente, na Zona Euro; esta, sabe-se, é parte da primeira, distinguindo-se pelo uso de moeda única, euro, pelos Estados-Membros que a integram – caso de Portugal.

Uma súmula de dados transmite com clareza a ideia do desastre socioeconómico europeu, o qual nem mesmo o sucesso alemão consegue esbater. Atente-se nesses dados, reportados a Novembro de 2013:

  1. Estimativas de desemprego na UE28: 26.553 milhões de cidadãos, dos quais a maior parte (19.241 milhões, i.e., 72,4%) pertence à Zona Euro.
  2. Comparado com Novembro de 2012, o desemprego aumentou de 278.000 cidadãos na UE28 e 452.000 na Zona Euro. [Read more…]

Relações SM

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Foto: Jens Wolf

Merkel representa uma mulher que sobrevive e predomina nas actuais sociedades: a mamã castigadora (os alemães chamam-lhe Mutti – reparem como há tantas na imagem) que transfere para os filhos, regra geral na mais inacreditável inconsciência, as culpas que carrega – as dela, e as dos pais e avós. «Mas pensar em Merkel como essa mãe é totalmente desadequado à descrição de uma personalidade política», escreve-se hoje  no Der Tagesspiegel. «A distância entre a mãe que cuida e a castradora de homens corresponde mais coisa menos coisa ao que separa uma santa de uma meretriz. Mas até mesmo a imagem da castradora é desadequada para compreender quem é Merkel. Trata-se tão simplesmente do fruto da imaginação masculina… Pois se nos dispuséssemos de uma vez por todas a fazer uma leitura de Merkel na sua qualidade de política e não de mulher (entenda-se do estereótipo feminino), poderíamos enfim ocupar-nos da sua política – com benefício para a Alemanha e para a Europa.»

Nós, portugueses e restantes povos do Sul (a que se acrescentam os irlandeses), somos os seus enteados: burros que nem portas, que aceitam todas essas culpas e culpabilizações, enquanto os alemães e os franceses nos censuram, acusando-nos de sermos esbanjadores, preguiçosos, irresponsáveis, como crianças que se recusassem a crescer, e muito embora o dinheiro que hoje falta para financiar a nossa soberania e independência se tenha essencialmente perdido na corrupção mais abjecta. Uma sorte para os alemães e para os franceses, como bem explicou Harald Schumann.

E no entanto, e como sempre (é um padrão humano, que diz muito sobre o subdesenvolvimento da consciência humana) há uma relação de amor entre o carrasco (o sádico) e a vítima (o masoquista). E não saímos das relações de poder. Manda quem pode, obedece quem quer (Salazar dizia que obedecia quem devia, lá está).

25 milhões de novos pobres europeus em 2020/2025

Desigualdade, desemprego, empobrecimento. Se continuar, o programa de austeridade vai levar 1/3 dos europeus à pobreza até 2020/2025.

Fonte: Relatório da Oxfam.

Os pais fundadores

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Crescimento zero: a hora da França

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Apesar do que tem vindo a acontecer noutros países da Europa, François Hollande está pasmado:  com a estagnação a tornar-se estrutural, a sociedade francesa vai ter de levar uma grande volta.  E começa-se desde logo pelo Estado. Quel enfoiré!, dirão em coro os franceses de esquerda que votaram nele.

Escutas dos EUA à Europa

A Comissão Europeia e alguns países europeus estão indignados com as escutas americanas a instituições, cidadãos e dirigentes do continente. Têm razão e pediram, para já, explicações aos EUA.

Só na Alemanha a vigilância americana intercepta cerca de 500 milhões de comunicações por mês.

Estes dados, revelados por Edward Snowden ao jornal Guardian, confirmam suspeitas antigas ainda não provadas. Dificilmente os EUA confirmarão o que quer que seja e o caso ficará em águas de bacalhau, a menos que a Europa decida agir activamente, repondo alguma justiça pelo caminho, acolhendo, albergando e protegendo Edward Snowden, dando um sinal de que não tolerará a repetição destas práticas e abrindo brechas para futuros “Snowdens” denunciarem casos semelhantes.

Não acredito que a Europa (esta Europa hoje sem valores nem espinha dorsal) o faça, mas devia.

GREVE GERAL: pobreza não paga a dívida

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em dia de GREVE GERAL, uma excelente proposta!

Por ter memória

Sou do BENFICA!

Derrotem-no em Eleições. Ou não.

OberkapoO cão conveniente de todas as culpas, o alvo privilegiado de todas as setas é Passos Coelho. Tão justo quanto a raiva gratuita que esta tarde uma ou outra hoste futebolística tenha ou não razões para vazar razias e desculpas. As medidas que o directório da ingerência troykista visa implementar em Portugal são de tal modo contorcionistas quando comparadas aos cenários pré-eleitorais de 2011 que não há como fugir de um certo nível de escândalo: ontem, na SICN, José Adelino Maltez, se tivesse uma arma, disparava contra os delegados nacionais de Berlim, à conta do que se prepara ou é possível nos cortes das pensões actuais em pagamento. Todavia, nada se faz ou manda fazer sem a efectiva e fática-phátis pressão e aval da Troyka, pelo que, como não a elegemos, pois só o PS votou nela e fez por ela, devemos derrotar Passos nas próximas eleições. Até lá, deixem-no trabalhar, isto é, obedecer à Troyka. [Read more…]

Sair do Euro e ficar na Europa é possível?

Há uns dias, a propósito da situação em Chipre, escrevi:

sou, desde sempre um internacionalista a quem agrada, MUITO, uma Europa das Pessoas e por isso quero ser parte de uma solução que junte povos e pessoas e não uma saída que nos separe a todos – não concordo com a proposta do PCP. Penso, no entanto que começa a valer a pena olhar para dois casos: a Islândia e a Argentina – algures ali no meio estará a saída para Portugal, não?

Hoje, ao ler no público sobre a aposta chinesa em África ocorreu-me que a existência da Europa, como projeto político interessa a pouca gente, não?

De fora, Americanos, Chineses e Russos não têm qualquer interesse numa Europa forte, até porque, às fatias, podem vir buscar a parte deles – os Americanos na Irlanda, os Russos em Chipre e nos países do Báltico, os Chineses em Portugal (EDP). Fará esta leitura algum sentido?

Isto é, há claramente uma pressão externa que força a destruição da UE e só assim é possível entender esta crise dominó que vai derrubando um a um.

Mas e internamente? Há interesse, fundamentalmente da Alemanha, em manter o Euro? E a Europa?

Confesso que não consigo ver uma saída para Portugal fora do EURO, mas dentro da Europa. E que consequências terá para nós o regresso ao Escudo?

PC e BE estão já a fazer caminho nesta reflexão – será que o PS poderá ir por aqui na construção de uma alternativa real à TROIKA?

Nota: alguém sabe explicar qual é o problema dos russos terem o dinheiro nos bancos de Chipre?

Inveja do Chipre

Não conheço os detalhes que levaram o parlamento do Chipre a recusar a medida que a União Europeia tentou aplicar. Não sou, também , um especialista no Chipre – sei que é uma ilha vizinha da Turquia e pouco mais, mas a Wikipedia pode dar uma ajudinha.

Mas, mesmo ignorante, sinto uma enorme inveja da posição que eles tomaram. Têm menos habitantes que o Grande Porto (um pouco mais de 800 mil habitantes) e são, por isso, uma migalha quando comparados com o gigante Alemanha. Mas, os seus parlamentares tiveram os tomates no sítio e votaram contra a imposição da Europa. Não sei o que lhes vai acontecer, tal como não faço a mais pequena ideia do que nos vai acontecer, mas estou cada vez mais convencido que está em marcha um processo político que tem como principal objetivo destruir a União Europeia e acabar com o Projeto Europeu.

Sou, desde sempre um internacionalista a quem agrada, MUITO, uma Europa das Pessoas e por isso quero ser parte de uma solução que junte povos e pessoas e não uma saída que nos separe a todos – não concordo com a proposta do PCP. Penso, no entanto que começa a valer a pena olhar para dois casos: a Islândia e a Argentina – algures ali no meio estará a saída para Portugal, não?

Os portugueses da Europa – um retrato a preto&branco

Somos um bocado aristocratas, altivos, vaidosos até, porém não porque sejamos má gente, ou tenhamos a supremacia no coração – é só porque somos antigos que somos assim, é porque somos gente há muito tempo, povo independente, de cultura singular, únicos na Europa, apesar de todas as semelhanças – com os do Sul, necessariamente, e também com os de África, a nossa outra terra, que deixámos ainda anteontem, fugidos de lá pela metamorfose da História que nos devolveu ao território de partida, aqui regressados anteontem chegados cheios de raízes outras, remotas e até um pouco excêntricas para Homens pós-modernos do século XXI que vivem em economias de mercado.

Somos esses, senhores da Europa, e até mesmo quando somos pobres. Se estudarem a História do Mundo verão que estamos sempre lá, nos momentos decisivos como nos outros. O nosso outro nome é viagem. Por vezes chamamo-nos Oliveira de Figueira. Somos árvores, compreendem? Somos navios de madeira verdadeira, exóticos de antiguidade, já nem se usa. [Read more…]

Uma questão de perspectiva

A minha tia – Portugal parece um país africano de democracia novinha, onde as instituições não funcionam, e os políticos cometem crimes mas não são presos. Até esse senhor chamado Franquelim faz lembrar África.
Uma amiga dela – Portugal *é* esse país africano!
A minha tia – Nem parece um país europeu, que tristeza…
A amiga – Não parece porque não é!
A minha tia – Podemos ser o último país da Europa, mas sempre somos europeus… apesar de tudo…
A amiga – Somos mas é o primeiro país de África. Nisso somos mesmo os primeiros…!
A minha tia – Ao menos nalguma coisa.

Globalização da tortura

54 países colaboraram com a CIA num programa de repressão musculada accionado após o 11 de Setembro. Alemanha, Bélgica, Irlanda, Espanha, Itália, Dinamarca, Áustria e Finlândia contam-se entre os países que secretamente participaram numa acção que a Open Society Justice vem agora denunciar num relatório. Abertura do espaço aéreo a voos secretos, detenções e tortura questionam a legalidade dos métodos e a moralidade dos Estados. Apenas o Canadá apresentou desculpas a uma vítima apanhada na loucura persecutória, indemnizando-a, à semelhança do que aconteceu também na Austrália e no Reino Unido, onde tribunais condenaram os excessos contra cidadãos inocentes. Quanto aos EUA, a administração de Obama parece empenhada em prosseguir os seus programas de detenções secretas, usando métodos inaceitáveis à luz dos direitos humanos, e recusando-se a publicar o documentos relativos a esse programa da CIA. Mais informação aqui. Fonte: AFP, via Libération

Paris na mira dos jihadistas

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Um dos responsáveis pelo MUJAO (Mouvement pour l’Unicité et le Jihad en Afrique de l’Ouest) anunciou ontem em Bamako, capital do Mali, que vai ripostar ao ataque militar francês e atacar o coração da França. A recessão chega a França com a ameaça de terrorismo. Prova de fogo para François Hollande.

Parabéns, temos dos impostos mais elevados da Europa

Por fim, estamos entre os ricos. Custou muito mas podemos erguer os braços ao céu, sorrir, quem sabe derramar uma lágrima ou outra e gritar um sonoro “conseguimos”.

Não é para todos. Já desconfiávamos que estávamos lá mas, agora, é um carimbo quase oficial. Um estudo da KPMG atesta que os “trabalhadores e pensionistas portugueses terão este ano a carga fiscal mais elevada quando comparada com os cinco países mais ricos da Europa”.

Por exemplo, os pensionistas lusos pagam três vezes mais impostos que os seus congéneres alemães. Embrulha, Merkel.

A opção europeia – uma questão de fé

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11 de Abril de 1985 (Arquivo RTP)
Fonte: Centre d’études européennes

S. Bento, Lisboa, Abril de 1985. No Parlamento fumava-se, e a então deputada comunista Zita Seabra comia, enquanto Carlos Carvalhas, à sua frente nesse plano televisivo, discursava interpelando um ministro do PS (quem seria?) que chamara aos estudos então realizados pelo PCP sobre as vantagens e desvantagens da adesão de Portugal à União Económica Europeia “uma cortina de fumo cujas opções se radicavam em razões ideológicas” – o velho argumento que é pau para toda a obra quando o objectivo é tergiversar. Respondendo a esse ministro, Carlos Carvalhas lembrava que “a Europa não [era] a CEE – a CEE [era] a Europa dos monopólios e não a dos trabalhadores [hoje chamamos-lhes cidadãos] – e nem sequer um clube, e muito menos um clube caritativo”, pois seria nalgum ponto necessário começar a contribuir – pagando como os outros. [Read more…]

A hora do Sul

la_cassure

Um novo livro do politólogo e especialista em relações internacionais Bertrand Badie (n.1950) e do jornalista Dominique Vidal (n.1950) ajuda a pensar o nosso mundo em ruptura. La cassure (editora La découverte, colecção L’état du monde, dirigida pelos dois) defende a salvação daquilo a que chamam “o soldado político”. Quem é este novo recruta? Não é novo, mas tem andado a dormir na forma, enquanto o modelo norte-americano dava cabo do contrato social na Europa, elevando o marketing e as ciências da gestão (designações mentirosas para o que nunca passou de comércio) ao estatuto de religião monoteísta dos Estados. [Read more…]

Biografia breve do PAI NATAL

Séc. XX, Dezembro 1952, Aeroporto, Ilha de Santa Maria

A chegada do Pai Natal ao Aeroporto da Ilha de Santa Maria
(Dezembro 1952) © Grupo Facebook Memorias Santa Maria

QUEM É O PAI NATAL?
Chamêmos-lhe S. Nicolau, Papai Noel, Papá Noel, Père Noël, Viejito Pascuero (chileno), Santa Claus, Joulupukki (finlandês), Father Christmas, Ded Moroz (russo), ou Kris Kringle (um nome que se julga derivar do alemão Christkindl – Menino Jesus – apropriado pelo «vernáculo» dos primeiros colonos norte-americanos), é tido hoje como verdadeiro que mora longe, muito longe da grande maioria dos beneficiários da sua acção benévola: para lá do círculo polar árctico, no sopé de uma misteriosa montanha chamada Korvatunturi, com os seus duendes ajudantes, as suas renas e, enfim, toda a parafernália de espantosas excentricidades a que já nos habituou. Trata-se da mais intricada das fantasias demiúrgicas do nosso tempo, pejada de zonas sombrias, contradições e, claro, grandes cedências ao marketing, constantemente necessitado de renovados ícones.

Um concorrente de Jesus
Patrono dos marinheiros (sobretudo dos holandeses), dos comerciantes de todas as latitudes, dos guardas-nocturnos arménios, dos meninos de coro italianos, das raparigas solteiras e casadoiras, o multinacional padroeiro Nicolau terá sido antes de mais um protector dos fracos e dos oprimidos, fama que se por um lado o tornou amado um pouco por todo o mundo cristão, por outro o colocou em franca posição de concorrência com Jesus, o que terá determinado (juntamente com a Reforma protestante que aboliu o culto dos santos, e com a escassez de documentação sobre a sua vida) a decisão do Papa Paulo VI em retirar, em 1969, as festividades de São Nicolau do Calendário Oficial Católico. [Read more…]

O suicidio da Europa

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Imundície moral hallal a instalar-se por contumácia nas escolas francesas, obrigando os não seguidores da seita a tragarem aquilo que não comem em casa. Na Itália, os maluquinhos do costume exigem a destruição de um fresco do século XV, ao mesmo tempo que conseguem retirar os crucifixos – …“um corpinho espetado em dois paus – das salas de aula. Um pateta que na Alemanha se intitula imã de qualquer coisa e nos faz recuar na história, pretendia há uns tempos  banir os toques de sinos, as procissões cristãs e … interditar a difusão pública da música de Bach e de outros autores, como Haendel. Na Inglaterra e entre outras bandalheiras, uma curiosa taradice para provocar. Na Suécia, com pezinhos de lá, sorrateiramente e em época de festividades natalícias, os professores recebem directivas que excluem a menção a Jesus.  Na Escócia, o Natal é pura e simplesmente omitido, ao mesmo tempo que paródias exóticas vindas das comunidades muçulmanas – há várias e algumas em rija guerra entre si, lembram-se? -, hindus, sikhs e umas tantas chinoiseres, constam nos programazinhos dirigidos pela grotesca nomenklatura da União Europeia.

A estupidez destes nossos carrascos não tem limites. Gostem ou não gostem, o facto de a Europa ter sido até há pouco culturalmente cristã, felizmente possibilitou todas estas liberalidades para com as crenças alheias. A reciprocidade não existe, não valerá a pena virem com estorietas acerca do há muito extinto califado de Córdova. Não acreditam? Ora, se puderem viajem, experimentem e logo verão.

Decididamente, parece que andam a fazer tudo para que os Le Pen europeus cheguem um dia ao poder.

Ah…! Feliz Natal.

Eduardo Lourenço, Vasco Pulido Valente e eu

    
Não é todos os dias que temos no PÚBLICO a opinião de Eduardo Lourenço, vulto da cultura portuguesa, intelectual de primeira, filósofo respeitado. Mas do seu texto «Da não-Europa» (sobre o futuro da UE), publicado no passado dia 24 e redigido em Vence (França), onde vive a maior parte do tempo, eu percebi muito pouco, quase nada. Ficou-me apenas a ideia de que a Inglaterra tem, para além de outros adjectivos, o de ser “uma super-nação”.
Fiquei desiludida por não conseguir acompanhar o seu racionício. Falou-me numa outra «língua» a que não tenho acesso pela minha humilde formação.
Que pena, pensei. Que ignorante me fiz. Um desperdício: Eduardo Lourenço escreveu no PÚBLICO e eu não aproveitei : “Frankenstein histórico que é hoje a União Europeia “; “nada que se pareça com o sonho para ela “demoníaco” de Jean Monet verá a luz do dia”; “E estaríamos agora a viver — quem sabe — uma  pax britannica numa Europa predestinada desde os tempos de César aos divinos filhos de Albion… “; “uma Europa onde não triunfem apenas instâncias obscuras sem outra ideologia que a da gestão do “ouro do Reno” wagneriano, convertido em deus do coração humano”; etc. Lindo, mas não percebo nada!! [Read more…]

Contra o Vosso Embevecimento Narcisista

As greves gerais são, hoje, manifestações ineficazes
perfeitamente arqueolíticas.

Infelizmente, as greves na Europa só podem ser uma festa na Índia e na China, actos tardios de náufragos enganados quanto ao número de balsas e à gravidade do rombo no casco colectivo europeu. Não impactam um centímetro nas actuais políticas sufocantes de sobrevivência europeia, tentativa de recuperação económica através do nivelamento por baixo relativamente ao resto do mundo, onde, ao contrário da Europa, se produz 90% da riqueza mundial. Não espelham nem dão esperança a desempregados porque o mercado de trabalho está entupido de direitos adquiridos por uns e inacessíveis aos demais, à maioria, talvez para sempre. A luta, através da Greve, é paradoxal: empobrece as principais vítimas das políticas seguidas e não atinge os interesses que passam bem ao largo dos sofrimentos das pessoas, os quais vieram para ficar. A riqueza e a vitalidade económico-financeiras já não estão aqui. Estão longe, no Dubai, em Singapura, em Hong Kong, sim, em Angola e, sim, no Brasil. Está tudo errado, se uma greve não significa nem garante o que pretende obter: uma direcção por onde o Mundo não irá, um rumo que a globalização não seguirá. Esta Greve ‘Geral’ tem um lugar raso no grande cemitério das greves inúteis porque no fundo equivale à insana atitude ataráxica d’ Os Jogadores de Xadrez, de Ricardo Reis, diante de um desastre muito mais amplo. Esta noite, tirem-me da frente, nas TV, a vossa face de embevecimento narcisista por terem feito greve, neste oceano de desactivados e desempregados de que faço parte. Olhem bem para os nossos cornos, primeiro! É que quando me vierem dizer que a vossa Greve ‘Geral’ foi geral, os senhores estarão a passar a si mesmos um dos mais estrondosos atestados da vossa mumificação intelectual.

Luís, o poeta, decassílaba-se sobre a Greve Geral

Logo de Macedónia estão as gentes,
A quem lava do Axio a água fria;
E vós também, ó terras excelentes
Nos costumes, engenhos e ousadia,
Que criastes os peitos eloquentes
E os juízos de alta fantasia,
Com quem tu, clara Grécia, o Céu penetras,
E não menos por armas, que por letras.

Logo os Dálmatas vivem; e no seio,
Onde Antenor já muros levantou,
A soberba Veneza está no meio
Das águas, que tão baixa começou.
Da terra um braço vem ao mar, que cheio
De esforço, nações várias sujeitou,
Braço forte, de gente sublimada,
Não menos nos engenhos, que na espada. [Read more…]

14N: Greve Europeia

Em Portugal a CGTP convocou uma GREVE GERAL para dia 14 de novembro.

Em Espanha as Comisiones Obreras convocaram uma GREVE GERAL. E a UGT, em ESPANHA convocou uma Greve Geral.

Sim, claro! Para dia 14 de novembro.

Em Itália a CGIL e a COBAS convocaram uma GREVE GERAL. Para dia 14.

Claro que na Grécia há também convocatórias para a Greve Geral. Em França e em Inglaterra acontecerão manifestações.

Será que só a UGT de Portugal é que fica de fora? Ou antes, será que só a UGT do PSD ficará de fora da GREVE GERAL EUROPEIA?

Greve Geral a 14 de novembro

São cada vez mais os sindicatos a aderir, muitos filiados na UGT: Função Pública, CTT, Fisco e muitos mais.

Cresce também pela Europa um sentimento de cumplicidade com a Greve Geral marcada para Portugal – 14 de novembro. Também por França.

É geral, de TODOS os que trabalham e vai ser estrondosa: TODOS a podem fazer.

E, sem margem para qualquer tipo de dúvida: Esta Greve vai ser uma Greve especial.

Quanto a isso, já não há dúvidas.

14n ficará na história como o primeiro momento de luta à escala europeia.

Ganhar o Nobel por estar em guerra contra o seu povo

Nobel da Paz para a Europa?