Obrigado Orlando Sousa 👍
Embaixada da Rússia em Lisboa
A foto é de Carlos Nunes Lopes. Embaixada da Rússia em Lisboa, esta noite. Agora é que não nos vamos livrar de um míssil.

O perigoso trilho da personificação do mal
É indubitável que Vladimir Putin é um déspota, sem escrúpulos. E a questão essencial não é se há outros ou não. Até porque sabemos que há.
A questão essencial é se só agora ele se revelou como tal.
Obviamente que não. E, no entanto, todo o chamado “Mundo Ocidental”, do qual fazemos parte, hoje chocado e revoltado com a sua ofensiva bélica sobre a Ucrânia, num conflito armado que dizima vidas inocentes, não se inibiu de fazer negócios, de engrossar fortunas, e até, ficar na sua dependência.
Já se sabia quem era Vladimir Putin quando a Europa – leia-se França e Alemanha -, aceitou ficar em grande parte dependente do gás russo. Ou quando Portugal foi à Rússia vender vistos gold. Ou quando a OTAN começou a expandir-se para o outrora Bloco de Leste, rumo à fronteira com a Rússia, em violação do compromisso por si assumido de não fazer tal.
Tudo isto foi acontecendo enquanto jornalistas, activistas e opositores a Putin, eram assassinados; enquanto os envenenamentos se tornavam uma espécie de instrumento de política internacional russa, etc.
Da mesma forma que o “Mundo Ocidental” sabe bem quem é e que é Xi Jiping e a China. E se a China resolver invadir a Ilha Formosa, ou Taiwan, ou que se lhe quiser chamar, o mesmo “Mundo Ocidental” que deslocou para a China a sua indústria, e que se tornou dependente dos seus fornecimentos de bens e capitais, vai bradar “Sacanas dos chineses! Maldito Xi Jiping!”. [Read more…]
Sinal de esperança?
The Kremlin has announced its demands for ending the war in Ukraine:
-Ukraine must change its constitution to guarantee it won’t join any “blocs”, i.e. NATO + EU.
-Must recognise Crimea as part of Russia.
-Must recognise the eastern separatist regions as independent.
Alguém explique…
A este hipócrita que a culpa é do seu amigo Putin. Ou já se esqueceu de quem andou a financiar a extrema direita europeia?

Porque a hipocrisia não é….
Alegadamente…

…. um grupo de entusiastas de Vladimir Putin estão reunidos em Lisboa. Assim se vê a força da democracia portuguesa: sejam chalupas de extrema direita ou chalupas de extrema esquerda, a todos o direito de reunião e manifestação.
RESISTÊNCIA
Vemos muita gente a fugir da Ucrânia. É natural e os números tenderão a aumentar com o agravamento do conflito.
Vê-se também gente dirigindo-se para a Ucrânia, voluntariando-se para acções de defesa. Boa parte são emigrantes ucranianos residindo noutros países que se sentem motivados a defender a sua terra e os seus familiares. Outros, porém, são estrangeiros que se propõem lutar contra uma injustiça que acham gritante.
Haverá, entre todos eles, militaristas nostálgicos e românticos da guerra que gostam do cheiro da pólvora, de camuflados e de cenários de destruição. Serão, suponho, uma minoria.
Muitas destas pessoas são apenas gente corajosa, com o coração no lugar certo e grande generosidade. Não se lhes pode, em bom rigor, chamar belicistas nem pacifistas, mas vão para a guerra almejando a paz. Uma paz que não seja podre.
As descobertas da direita portuguesa ou mesmo mundial
Quando o mesmo homem, num país, desempenha, em anos seguidos e alternadamente, as funções de Presidente da República e de Primeiro-ministro, dificilmente poderíamos falar em democracia consolidada ou mesmo em democracia. Vladimir Putin nunca foi flor que se cheirasse, tal como os oligarcas e mafiosos que o rodeiam e que andam pelo mundo a comprar clubes de futebol e empresas e casas e iates. Putin é um escarro tóxico que aprendeu muito do que sabe no mundo soviético, para, hoje, ser chefe de um bloco capitalista e imperialista, porque o primeiro implica o segundo, a cavalo de uma globalização inevitável e cavalgada por gente muito pouco recomendável, sempre salvaguardada, no entanto, por quantos defendem a pureza de um capitalismo imaginariamente assente numa aparência de meritocracia.
A direita portuguesa ou mesmo mundial descobriu, com a invasão da Ucrânia, que o Putin era mesmo mau. De caminho, aproveitou para continuar a normalizar o Chega, indignando-se muito com a posição equívoca do PCP (que consegue condenar e relativizar, ao mesmo tempo, a invasão russa), como se o PCP não tivesse, há muitos anos, posições equívocas sobre algumas ditaduras, usando de uma linguagem tortuosa para fugir a comentários sobre excrescências como a antiga oligarquia angolana ou a ditadura norte-coreana. [Read more…]
Adega de Pegões na linha da frente da resistência à ocupação russa

Cumprido o seu propósito, esta garrafa da adega de Pegões foi transformada em cocktail molotov, e será – talvez já tenha sido – usada para resistir à ocupação do Adolfo de São Petersburgo. Melhor que reciclar uma garrafa de boa pinga setubalense, só mesmo arremessá-la e fazê-la explodir contra o exército invasor. No mínimo, rebenta com um blindado.
Esta é pelos produtores de vinho deste país, que estão agora privados de um mercado de 45 milhões de euros – que até cresceu 61% em 2021, apesar da pandemia – porque aquele filho da Putin decidiu invadir a Ucrânia e ameaçar os países da NATO com nukes. Em vez de deixar os russos beber o seu Adega de Pegões em paz. Facho de merda.
O professor doutor especialista e “tudólogo” Alexandre Rublo Guerreiro

As nossas televisões são uma maravilha no que toca a descobrir aves raras do comentário. Talvez por falta de atenção minha ainda não conhecia a “última bolacha do pacote” das aves raras do comentário televisivo: o Alexandre Guerreiro. Ao que parece divide o seu tempo entre vender aulas na FDUL, o comentário desportivo e agora a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
Bem vistas as coisas está tudo interligado. São tudo verdadeiros cenários de guerra. E, verdade seja dita, o lado bélico do comentário sobre bola nas televisões em Portugal não anda muito longe do antagonismo verbal a que se assistiu hoje de manhã na Sic Notícias entre este Alexandre “Rublo” Guerreiro e o José Milhazes. Vamos então ouvir o especialista em guerras, sejam elas no leste da Europa ou no Sporting:
Sobre Bruno de Carvalho, Ministério Público, Terrorismo e Alcochete: AQUI
Agora sobre a manifestação das forças de segurança na crónica criminal num programa da manhã da TVI e também fala de Terrorismo: AQUI
Já neste, temos o especialista, desta vez na TV Record, a falar sobre o “Terrorista” do ISCTE: AQUI
E aqui temos o benfiquista especialista Alexandre Rublo Guerreiro a falar sobre a agressão a um director de modalidades do Sporting no programa do Goucha na TVI: AQUI
Nestes exemplos temos o homem a falar como um verdadeiro especialista em terrorismo, direito, futebol, medicina, política internacional, políticas de segurança. E confesso que não coloquei aqui tudo. Estou convencido que se a minha busca fosse mais intensa ainda descobria um vídeo sobre como fazer o melhor “Bacalhau com Todos”.
Sean Penn Blues
Coragem
“Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não”

fonte: esquerda.net
A realidade
Lixa-nos a realidade. Foi-se o lirismo.
Somos sempre pela paz. E nunca queremos a guerra. Por isso, entrincheiramo-nos… para fazer a guerra. Ou será a luta pela paz? Será possível querer paz fazendo a guerra? Ou é uma contradição?
Sem lirismo, a realidade: é por perpetuarmos as guerras que não atingimos a paz. E enquanto houver quem se queira entrincheirar nas guerras dos burgueses, o povo continuará a ser, apenas e só, figurante.
Choninhas soberanos baixam as calças ao “imperialismo de bem”
Corre por aí uma tese: tens de apoiar um lado. Sim, tens de apoiar um lado mesmo que ambos os lados sejam péssimos! Nazis ou fascistas? Escolhe rápido!
“Aqueles também são filhos da puta, mas são os meus filhos da puta”, dizem por aí.
Os choninhas portugueses, soberanos, fazem sempre a mesma escolha: dar o cu a quem o quiser. Assim é, também, neste caso.
Deixem-se de merdas; não tens de escolher um lado entre EUA/NATO e Rússia coisa nenhuma. Se num cenário como este, o que te dão a escolher é entre o vómito e a diarreia, foge. O lado que tens de escolher é: PAZ ou GUERRA?
Por tal, Portugal agora tem uma missão. A saber:
Revogar os vistos gold dos oligarcas russos (1), acolher os refugiados ucranianos que fogem da guerra (2) e apoiar as várias sanções à Rússia (3).
Por fim, ficar bem longe das intenções de resposta de instituições nazis como a NATO (4) que só perpetuam a guerra. Escolher a paz.
Caros senhores da guerra,
Não há imperialismo bom e imperialismo mau.
Existe Rússia, China, EUA, UE e NATO. As ententes da guerra. Espero que se fodam todos bem fodidos.
Só o povo salva o povo.

Protesto anti-guerra. Estados Unidos da América, 1970. Autor desconhecido.
Anda um espectro pela Europa, o seu nome é Vladimir Putin, e é bom que os poderes da velha Europa se aliem para lhe fazer frente

A ameaça a Leste nunca deixou de o ser, apesar do alegado desanuviamento da era Yeltsin. Vladimir Putin, uma espécie de Estaline 2.0, tem hoje um poder desmesurado, reforçado por quatro anos de enfraquecimento do hard power ocidental, uma das muitas consequências do consulado do idiota-útil Trump, e representa, agora mais do que nunca, pelo menos desde a desintegração da União Soviética, uma ameaça permanente para as democracias liberais da Europa. Vale a pena ler a peça da jornalista Ana França, no Expresso, que sintetiza bem aquilo que se está a passar.
Comecemos pela Ucrânia: em 2014, Putin invadiu e anexou a Crimeia. Num ápice e sem que a comunidade internacional movesse mais do que os lábios e os dedos para declarações contidas, cobardes e circunstanciais. Desde então, tem apoiado os separatistas russos na região de Dombass, parcialmente controlada pelas milícias apoiadas pelo Kremlin, onde o risco de novo Anschluss é real. Desde então, mais de 14 mil pessoas perderam a vida no conflito.
Illustrated – Russian Journey by Robert Capa and John Steinbeck
As coisas que eu encontro nas minhas tralhas, quando ando à procura de outras.
Estava eu à procura de uma caderneta de racionamento dos tempos da Segunda Guerra Mundial, e dei com esta revista “Illustrated” de Maio de 1948:

O exemplar, apresenta-nos uma reportagem feita por uma dupla excepcional: Robert Capa (fotógrafo) – que o nosso João L. Maio recentemente evocou -, e John Steinbeck (escritor):
Cristiano Ronaldo, Coca-Cola e o Europeu dos autocratas
Gostei de ver a UEFA a sair em defesa da Coca-Cola, na sequência da ronalidice a que assistimos há uns dias. Até porque nem todos se podem dar ao luxo de cuspir no prato onde comeram, como fez Cristiano Ronaldo.
Por causa deste episódio, fui espreitar os patrocinadores oficiais do Euro 2020. E descobri que pelo menos um terço das empresas patrocinadoras são geridas por oligarcas e directamente controladas por um regime totalitário:
[Read more…]Chamar os Putins pelos nomes
Joe Biden chamou assassino a Vladimir Putin, e logo um coro de virgens ofendidas surgiu a rasgar as vestes, pelos mais variados motivos que vão da vassalagem a Moscovo, que impera no leste da Europa, ao anti-imperialismo estado-unidense, passando pela fábula da diplomacia, inútil contra tiranos totalitários, ou peloa receios de que o Ocidente perca o acesso ao enorme mercado russo.
Putin é um facínora que deve ser sancionado, embargado e isolado. E a cada novo negócio que a Europa ou os EUA fazem com o regime de Moscovo, onde praticamente toda a economia está concentrada nas mãos dos oligarcas UE gravitam em torno do Kremlin e da figura do seu imperador, é mais um prego que se martela no caixão da democracia, mais um milhão que Putin transfere para os seus satélites europeus, mais um passo na legitimação da autocracia, com cada vez mais adeptos no bloco europeu.
Esteve bem, Joe Biden, ao apelidar Vladimir Putin de assassino. Porque é exactamente isso que ele é. Depois de quatro anos de vassalagem bajuladora de Trump, é tempo de chamar os ursos pelo nome e assumir uma posição de ruptura. Enquanto o Ocidente não for capaz de se demarcar deste é de outros regimes, como o chinês ou o Saudita, a democracia continuará a ser um mero eufemismo para o colaboracionismo que nos assiste. Não foi para isto que se derrubou a Cortina de Ferro. Putin é nosso inimigo e é tempo de o começarmos a tratar como tal.
Recessão democrática

No take introdutório do GPS emitido na passada semana na RTP3, Fareed Zakaria apresentou a sua visão sobre aquela que deve ser a prioridade das prioridades da Administração Biden: conter a pandemia. Conter a pandemia, salvar pessoas, vacinar mais e mais rápido, recuperar a economia e mostrar ao mundo que os EUA podem liderar no combate à pandemia e à crise económica, e voltar a ocupar a posição de farol das democracias liberais, reconstruindo alianças estilhaçadas por quatro anos de governação destrutiva, recuperando a credibilidade perdida, redefinindo prioridades diplomáticas, estratégicas e geopolíticas, reafirmando o papel dos EUA no mundo e recolocando o país no centro da política internacional. Uma missão quase-impossível, pelo menos no curto prazo, depois dos estragos causados pelo furacão Trump.
No mesmo programa, David Miliband usou um termo que ouvi pela primeira vez, “democratic recession”, associado não só à governação Trump, mas a toda a onda de populismo oportunista, mais ou menos autoritária, sempre grosseira e arrogante, ideologicamente vazia, no sentido filosófico da palavra, e cuja artilharia pesada consiste na divisão, exacerbada pela construção artificial de um (ou mais) inimigo comum, pela transformação de minorias em bodes expiatórios, para efeitos de distracção, e numa profunda instrumentalização do medo, de feridas mal saradas, do ressentimento e do ódio, como catalisador da violência miliciana.
América, hoje (1): A interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016
O que é que se passou com os russos e a interferência nas eleições norte-americanas de 2016?
Ao longo da eleição [de 2016], um grupo alargado de russos testou as base de dados de eleitores do Estado [norte-americano] em busca de inseguranças; infiltrou-se [hacked] na Campanha de Hillary Clinton, na Comissão de Campanha Democrata ao Congresso e na Comissão Nacional Democrata; tentou infiltrar-se na campanha do senador [republicano] Marco Rubio e na Comissão Nacional Republicana; divulgou informações politicamente prejudiciais na Internet; espalhou propaganda no Twitter, Facebook, YouTube e Instagram; organizou comícios na Flórida e na Pensilvânia; teve reuniões com membros da campanha Trump e seus associados; e apresentou uma proposta de negócio de um arranha-céu em Moscovo para a Trump Organization. [Revista Time, 18 de Abril de 2019]
Poderão alguns dizer que a Time faz parte dos Fake Media a que Trump recorrentemente se refere quando as notícias não lhe são favoráveis (spoiler alert: para Trump, tudo o que não é notícia a ele favorável, é fake media).
Vejamos então o que disse a comissão de espionagem do senado norte-americano (US SSCI), parte integrante do Congresso norte-americano, o qual é controlado pela maioria republicana de Trump. Dito de outra forma, só ficou escrito o que os republicanos aprovaram. E disso, só ficou por censurar na versão tornada pública o que, novamente, os republicanos aprovaram.
O choque de ventiladores

Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.
Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]












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