A data mais temida

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A data mais temida pelo sistema financeiro e pelos governos europeus que o servem fielmente é a data das eleições espanholas, agendadas para dezembro deste ano. Se um Syriza incomoda os mercados, um Syriza e um Podemos incomodam muito mais. Para os mercados financeiros seria um pesadelo gerir (leia-se manipular) cimeiras europeias com Tsipras e Iglesias do Podemos. Este é o cenário mais temido, tudo o resto que acontecer até às eleições espanholas não será mais do que um longo esforço para fazer do Syriza um exemplo a não ser seguido em Espanha, na Irlanda onde o Sinn Féin tem 20% nas sondagens, na Escócia onde o Partido Nacional Escocês é maioritário e em Portugal se o Bloco continuar a sua subida nas sondagens.

Ao contrário de outros comentadores, não sou vidente e não sei o que se sucederá na Grécia. Sei que os gregos e o Syriza não querem sair do euro e muito menos da União Europeia. Sei de governos que gostariam de os empurrar para fora do euro e de muitos mais que rezam pela queda do governo do Syriza. Não estou otimista para hoje. Se o governo do Syriza cair, não pense a oligarquia financeira que se vai livrar das suas responsabilidades. Depois do Syriza a política não voltará a ser a mesma, o povo reconhece hoje melhor do que nunca a diferença entre os submissos ao poder financeiro e os que lutam contra aqueles que em Genebra, na City londrina, no Luxemburgo, na Holanda ou na Jerónimo Martins continuam a ter lucros com a crise e a esmagar o povo.

Adaptação de artigo publicado no diário As Beiras a 02/07/2015.

Discurso do grande Cacique Cavalo Cansado

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“A zona do euro são 19 países (…) mas se a Grécia sair ficam 18 países”
“Há muito tempo que eu pensava que (…) as coisas iam acabar mal”
“A zona euro irá sobreviver com a mesma força que teve no passado”
“Eu também digo que não entendo esta jogada”
(Declarações de Aníbal Cavaco silva)


Perplexo com estas declarações e receando ser parcial ao comentá-las, socorri-me da opinião do ilustre Grande Chefe Cavalo Cansado, sábio e prudente cacique de além mar, chefe dos Apanhas Na Tola, glória das pradarias do Oeste. Assim falou o venerando chefe:
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O referendo britânico e o futuro da União Europeia

Em 2012, David Cameron abria a porta a um referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE. Em 2013 reiterou a sua determinação em levar a cabo a consulta popular até 2017. No início deste ano, o primeiro-ministro britânico insistiu novamente na necessidade de consultar a população. Na recta final da campanha para as Legislativas que ontem reconduziram o líder dos conservadores para o nº 10 de Downing Street, o trabalhista e ex-capacho da violenta invasão que celebrizou Durão Barroso como um dos mordomos mais bem pagos do mundo, Tony Blair, apressou-se a profetizar a desgraça: a saída do pais da UE iria fragilizar ainda mais a economia do Reino Unido e diminuir o seu papel no mundo. Cameron acusou Blair de não confiar nos britânicos e no seu julgamento. Eu acusá-lo-ia de chantagem.

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Segredos da máquina mediática de Bruxelas

 Nikos Sverkos

Na política, dizem os insiders dos órgãos de comunicação políticos, está sempre em vantagem quem melhor conseguir influenciar os media internacionais para que veiculem as suas posições. E isto não acontece apenas durante os períodos de campanha eleitoral: na União Europeia, o poder de decisão depende não apenas da força da economia de um dado parceiro, mas também do modo como ele lida com os órgãos de comunicação internacionais.

Não é segredo que em Bruxelas existe uma máquina de comunicação bem oleada que consegue distribuir informação às principais agências de comunicação numa questão de horas. Esta máquina, que aumentou a sua influência desde o início da crise financeira em 2008, opera com base na manutenção do anonimato das fontes jornalísticas que a alimentam – um dos princípios mais sagrados da ética jornalística.

No entanto, este princípio de anonimato tem sido também utilizado para proteger a própria máquina mediática de Bruxelas e garantir que a mesma permanecerá oculta da opinião pública. Nenhum jornalista na capital Belga está preparado para arriscar o seu emprego expondo o modo como o sistema funciona, preservando e reproduzindo, assim, um ‘código de silêncio’ em torno deste assunto.

O Núcleo duro

O grupo com maior influência sobre a máquina mediática de Bruxelas é constituído pelo ‘núcleo duro’ da Eurozona. Nele se incluí a Representação Permanente da Alemanha, sediada em Bruxelas e assistida pelos países-satélite (em termos políticos e financeiros) daquele país – Espanha, Portugal, Eslováquia e os estados do Báltico (entre os quais a Letónia, que ocupa presentemente a Presidência da União Europeia). A França e a Itália possuem claramente menos acesso e influência neste sistema. [Read more…]

A distribuição de panelas no IV Reich

Existem 149 cargos de gestão de topo na UE, cerca de 1/6 (23) são ocupados por alemães. Os restantes 126 que se dividam entre os outros 27 países que constituem o império. E não se queixem, dá quase 5 lugares para cada um.

Azul (muito escuro)

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Tem-se discutido na União Europeia o projecto Crescimento Azul, a que alguns chamam já “mar azul” que, com aparente acerto, proclama : “A inovação na economia azul: materializar o potencial de crescimento e de emprego dos nossos mares e oceanos”. Lemos os propósitos enunciados a propósito desta “Estratégia Marinha” em relatórios e deliberações já publicados e, num primeiro olhar, aquilo parece excelente. Mas, depois, arrebitamos as orelhas. É que um dos efeitos das práticas políticas dominantes na UE, sobretudo na última década e meia, foi o de nos alertar para as armadilhas desta retórica.”Crescimento Azul: Oportunidades para um crescimento marinho e marítimo sustentável”? Quem não concordaria, há uns anos? E mais: “Considerando que o conceito de Economia Azul abarca um amplo espectro de sectores de actividade económica ligados aos mares e aos oceanos, incluindo sectores tradicionais e sectores emergentes, como sejam os seguintes: pescas, aquacultura, transportes marítimos e fluviais, portos e logística, turismo e náutica de recreio e de cruzeiro,construção e reparação naval, obras marítimas e de defesa da orla costeira, prospecção e exploração de recursos minerais (offshore), prospecção e exploração de recursos energéticos (offshore), biotecnologia, entre outros;…”. [Read more…]

Na Alemanha

há 12 milhões e meio de pessoas no «limiar da pobreza(*)» (eufemismo onde cabe muita sobrevivência), de que os media não falam, que não votam, e que nenhuma força política representa. Só para avisar.
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(*) viver com menos de 60% do rendimento médio

Que a Alemanha reembolse a Grécia já!

Kai Littmann

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© Bundesarchiv via Wikimedia Commons

[Nos anos 1980, o alemão Kai Littmann passou um ano na ilha grega de Creta, numa aldeia recôndita onde não havia electricidade. Um dia, um velhote grego mostrou-lhe um cemitério onde haviam sido enterrados 150 resistentes gregos, fuzilados pelos nazis durante a Segunda Grande Guerra, e explicou-lhe alguns factos da História. As gerações alemãs (mas nem só) nascidas depois da Grande Guerra ignoram muita coisa que aconteceu, incluíndo os crimes de guerra perpetrados pelos nazis na Grécia, que não figuram nos manuais escolares de História. Não admira por isso que ninguém perceba muito bem do que falam os gregos quando agora, pela mão do Governo recentemente eleito, reclamam o pagamento de uma dívida que os alemães têm para com eles. Uma dívida que, ao contrário do que tem sido sugerido pelos media que chegam a Portugal, não corresponde a reparações de guerra. S.A.]

Para perceber de que dívida se trata (essa mesma cuja urgente liquidação o actual Governo grego reclama) é preciso saber que em 1942 os nazis obrigaram o Banco da Grécia a acordar-lhes um “crédito” de valor equivalente a 476 milhões de marcos da época, o que hoje, acrescido de juros de mora, soma algo que pode ascender aos 70 mil milhões de euros. Uma dívida que a Alemanha afirma ter honrado em 1960, quando transferiu para os cofres do Tesouro grego a quantia de 115 milhões de marcos. Sucede que esse valor foi na verdade pago a título de indemnizações às vítimas do nazismo na Grécia, que foram muitas, e não tem nenhuma relação com a dívida de que aqui é questão. [Read more…]

Vistos gold:

o preço de vender os direitos de cidadania. A negação da democracia em todo o seu abjecto esplendor.

«Se a Europa deu consigo a criar uma moeda sem Estado em 1992

(…) foi porque esta resolução internacional foi concebida (…) no momento em que se pensava qe os bancos centrais tinham por única função a de ver passar os comboios (…). Foi assim que criámos uma moeda sem Estado e um banco central sem Governo. (…)» Thomas Piketty, O capital no século XXI

António, recebi a tua carta.

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Fui encontrá-la no chão da entrada, onde aterram até que alguém os apanhe os envelopes que o carteiro enfia por debaixo da porta da rua. Havia outra, imaginas de quem, não é? Lá dentro estava um texto em Português acordizado, razão bastante, caso não houvesse outras, para não passar das primeiras linhas. Não aguento ver assim tratada a única pátria que conheço, compreendes?

No verso do teu envelope, lá estava aquela frase a afirmar na sua importância maiúscula que «PORTUGAL PRECISA DE SI.» Quando, depois das viagens formadoras da juventude, voltei para Portugal, fi-lo a achar isso mesmo: que Portugal, onde estava tudo por fazer, precisava de mim, mesmo se na justa medida em que também eu precisava de Portugal, pelas razões de superlativo mistério que fizeram com que uma imigrante (ou estrangeirada, chama-lhe o que quiseres António) se ligasse a este lugar mental ainda tão novinha, e desafiando as mais avisadas advertências que me exortavam a abraçar outra pátria.

Volto à tua carta: abri-a, lá te descobri na imagem de cabeçalho junto a uma réplica dessa frase: «PORTUGAL PRECISA DE SI». Pronto, afinal sempre era verdade. [Read more…]

O rapto de Europa

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No começo de tudo quem mandava era Zeus, o mais sortudo dos filhos do Tempo (Cronos) que, conseguindo escapar ao grande apetite do pai (famoso comedor da própria descendência), tomou o seu destino em mãos, vindo a unir-se a Europa, uma ninfa que conheceu na Fenícia certo dia em que ela estava com umas amigas a apanhar conchinhas à beira-mar. Zeus e Europa tiveram três filhos, entre os quais Minos, que viria a tornar-se muito poderoso, reinando em Cnossos – cidade-labirinto onde jazem ainda hoje (em Creta) o primeiro trono, a primeira banheira, o primeiro sistema de canalização de águas, a primeira estrada e o primeiro teatro do Ocidente.

À falta de melhor critério, Zeus determinava o destino de todos fazendo apelo a uns jarrões que tinha à porta da caverna onde vivia – contendo um apenas coisas boas, e o outro somente coisas más. Assim, Zeus dava a uns (muito poucos, crê-se) uma vida muito boa, a outros (acredita-se que a maioria) uma vida muito má, e aos restantes uma vida mais-ou-menos, que era quando ele retirava coisas dos dois jarrões. O princípio e o padrão mantiveram-se até aos dias de hoje, [Read more…]

“A resistência é a coragem da liberdade”

Uma análise interessante do filósofo Costas Douzinas sobre o presente e o futuro da Grécia e da Europa em tempos de submissão ao neoliberalismo (em castelhano).

Que farei quando tudo arde?

Tanja Ostojic, After Courbet

Lá diz o povo que até para ser cão é preciso ter sorte. A nós calhou-nos esta matilha. E neste grupo arraçado de gente todos querem phoder na Europa. Até a elite política chinesa já procura o prazer dos paraísos nas Ilhas Virgens. Isto anda tudo ligado, não anda?

As notícias dizem-nos que a Europa já só atrai 20 % do investimento feito em todo o mundo [Read more…]

Relações SM

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Foto: Jens Wolf

Merkel representa uma mulher que sobrevive e predomina nas actuais sociedades: a mamã castigadora (os alemães chamam-lhe Mutti – reparem como há tantas na imagem) que transfere para os filhos, regra geral na mais inacreditável inconsciência, as culpas que carrega – as dela, e as dos pais e avós. «Mas pensar em Merkel como essa mãe é totalmente desadequado à descrição de uma personalidade política», escreve-se hoje  no Der Tagesspiegel. «A distância entre a mãe que cuida e a castradora de homens corresponde mais coisa menos coisa ao que separa uma santa de uma meretriz. Mas até mesmo a imagem da castradora é desadequada para compreender quem é Merkel. Trata-se tão simplesmente do fruto da imaginação masculina… Pois se nos dispuséssemos de uma vez por todas a fazer uma leitura de Merkel na sua qualidade de política e não de mulher (entenda-se do estereótipo feminino), poderíamos enfim ocupar-nos da sua política – com benefício para a Alemanha e para a Europa.»

Nós, portugueses e restantes povos do Sul (a que se acrescentam os irlandeses), somos os seus enteados: burros que nem portas, que aceitam todas essas culpas e culpabilizações, enquanto os alemães e os franceses nos censuram, acusando-nos de sermos esbanjadores, preguiçosos, irresponsáveis, como crianças que se recusassem a crescer, e muito embora o dinheiro que hoje falta para financiar a nossa soberania e independência se tenha essencialmente perdido na corrupção mais abjecta. Uma sorte para os alemães e para os franceses, como bem explicou Harald Schumann.

E no entanto, e como sempre (é um padrão humano, que diz muito sobre o subdesenvolvimento da consciência humana) há uma relação de amor entre o carrasco (o sádico) e a vítima (o masoquista). E não saímos das relações de poder. Manda quem pode, obedece quem quer (Salazar dizia que obedecia quem devia, lá está).

Governar à esquerda

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Mais preocupante do que a actual “crise política” (eufemismo para desagregação da coligação) é a ausência de uma verdadeira alternativa governativa, com um PS mais interessado em coligar-se com o CDS do que com os partidos doutrinariamente mais próximos – sendo certo que também esses não foram até agora capazes de um diálogo que possa tornar possível uma futura solução governativa à esquerda, necessariamente assente no compromisso.

Quase sempre dispostos a uma radicalização de posições, e por essa razão ditos radicais (para grande perplexidade dos mais libertários), os partidos da esquerda carregam as divergências históricas locais que nenhuma renovação parece ser capaz de sanar. [Read more…]

Melina

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No dia em que a União Europeia faz um ultimato à Grécia para que resolva em três dias (e no meio de uma crise política parecida com a nossa) a bicuda questão das garantias associadas ao financiamento daquele Estado sob resgate financeiro, recordo uma tarde que passei em Atenas à conversa com o marido de Melina Mercouri (1920-1994) – o cineasta Jules Dassin (1911-2008), que ela conhecera em Cannes em meados dos anos 50.

Actriz, cantora, activista política, Mercouri foi também Ministra da Cultura – é da sua autoria a ideia das capitais culturais da Europa, [Read more…]

Se Me Apoiares, Perduro!

Há um antes e um depois contando a partir do momento em que o peso-morto Relvas, autêntico São Sebastião da política, se arrastou para fora do Governo. Miguel Poiares Maduro tem moral interior e intelectual para defender ideias com substância mobilizadora na infecta e conspirativa arena doméstica e no areópago europeu, o qual, como se sabe, é uma casa em cacos, entregue às hienas do egoísmo dos mais fortes e respectivo cinismo político. A União Europeia, fenómeno que no Brasil testemunhei ser admirado como milagre de força coesiva político-económico, necessita de mais democracia e não de menos, mais participação cívica ascendente e menos directório verticalista. Nada mais deprimente que o desprestígio da UE, os seus impasses, o ritual ineficaz das suas cimeiras, a lentidão e impotência para apagar fogos e para o que realmente importa. A União, gigantesca e disforme, é um Ciclope Cego na iminência de tropeçar e tombar com estrondo. Daí que a ideia da eleição directa do presidente da Comissão Europeia pelos cidadãos dos 27 seria, como advoga Maduro, um bom passo para a União Europeia ter um capital político mais forte e para se ver livre de fantoches e canas agitadas pelo vento como Barroso e mesmo o simpático nulo Herman Van Rompuy, os quais falam, falam, mas não revestem a aventura europeia nem de carisma nem de rumo.

A imagem das instituições europeias degradou-se terrivelmente e o estalinismo funcional dos seus métodos exaspera os povos mais pressionados na austeridade e desequilibrados nos seus orçamentos, povos pouco tidos e pouco achados no processo edificador da União Económico-Burocrática dos últimos vinte anos.  [Read more…]

O dia em que a União Europeia morreu..

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Quando li a notícia não acreditei. Por breves instantes pensei que era uma brincadeira do dia 1 de abril:

“Resgate no Chipre, aprovado no Eurogrupo, apresenta uma medida inédita, um imposto extraordinário sobre depósitos bancários. Para as contas de valor inferior a 100 mil euros, serão retirados 6,7%; para valor superior a 100 mil euros, serão retirados 6,7%; nas contas das empresas, 12,5%”.

Estamos perante um crime, como ontem lembrava, num programa de televisão, um comentador. Sim, um verdadeiro crime punido pela lei criminal de qualquer país civilizado. Um crime de roubo. Agravado, digo eu, pela forma como foi decidido. Além de um crime de roubo, estamos perante algo ainda mais grave, o fim da confiança dos europeus no seu sistema bancário. Quando qualquer um de nós vai a um banco e nele deposita o seu dinheiro, as suas poupanças, não o faz apenas por desejar uma determinada remuneração dos seus depósitos. Nos tempos que correm, o nosso dinheiro vai para o banco por uma questão de confiança e segurança – o receio é tal que já nem se discute muito a remuneração dos mesmos. [Read more…]

Construção embargada

“Os portugueses sentem-se pouco europeus”, leio por aí. Olha que novidade. Os portugueses nunca se sentiram verdadeiramente europeus por todas as razões que os separam desse povo imaginado, indistinto e vago, constituído por gente culturalmente muito diversa entre si, cidadãos de um império alargado em combinações possíveis. Os portugueses são um povo demasiado (ou suficientemente, conforme a perspectiva) ancorado materialmente na sua identidade (na sua terra concreta, a que sempre regressam, propulsados pela saudade) para conseguirem projectar-se numa utopia a que a realidade tem conferido crescente distância. [Read more…]

Os portugueses da Europa – um retrato a preto&branco

Somos um bocado aristocratas, altivos, vaidosos até, porém não porque sejamos má gente, ou tenhamos a supremacia no coração – é só porque somos antigos que somos assim, é porque somos gente há muito tempo, povo independente, de cultura singular, únicos na Europa, apesar de todas as semelhanças – com os do Sul, necessariamente, e também com os de África, a nossa outra terra, que deixámos ainda anteontem, fugidos de lá pela metamorfose da História que nos devolveu ao território de partida, aqui regressados anteontem chegados cheios de raízes outras, remotas e até um pouco excêntricas para Homens pós-modernos do século XXI que vivem em economias de mercado.

Somos esses, senhores da Europa, e até mesmo quando somos pobres. Se estudarem a História do Mundo verão que estamos sempre lá, nos momentos decisivos como nos outros. O nosso outro nome é viagem. Por vezes chamamo-nos Oliveira de Figueira. Somos árvores, compreendem? Somos navios de madeira verdadeira, exóticos de antiguidade, já nem se usa. [Read more…]

Hoje Greve geral na Grécia

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Contra a continuação das políticas de austeridade exigidas pela troika. Mais aqui.

vagas de fundo fosfatado

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O portentoso Costa dos desastres urbanos diz que vai  mas não vai e afinal apenas avisa. Deve estar à espera de conseguir uma daquelas vagas de fundo ao estilo da Nazaré. No entanto, a notícia que mais interessa ao comum transeunte das nossas escalavradas calçadas, é a má nova acerca do bacalhau fosfatado. A escória bruxelesa nada mais tem em que pensar senão nos beneficíos a conceder às indústrias de venenos da Alemanha, Suécia, Holanda, Finlândia e Dinamarca. Isso mesmo, tudo não passará de mais ganância sobre ainda maior ganância.

Quando em boa hora levámos a cabo a Restauração de 1640, os nossos amigos da onça batavos, de imediato decidiram exigir a península de Setúbal como compensação pela paz. Queriam o sal, vá-se lá saber porquê…

A iliteracia vista por uma princesa

“Um em cada cinco europeus tem dificuldade em ler o mundo. Frase escolhida para título de um relatório sobre literacia na União Europeia. E a princesa Laurentien da Holanda, que liderou os peritos, não se conforma. “É preciso agir já”, diz. Os europeus de que se fala têm 15 anos (Público).

Transcrevo um excerto das declarações da Princesa ao jornal Público:  ” (…) a Europa se ter deixado chegar a estes níveis “inesperados” de iliteracia. (…) O mesmo se passa com quem não sabe ler ou lê mal. Tem vergonha, esconde-se, torna-se insegura e desconfiada. Não quero isso para ninguém.”

Ela tem razão e há que agir no sentido de elevar os níveis de literacia, mas conheço homens e mulheres que não puderam aprender a ler e a escrever e que, ao contrário do que diz a princesa, não são nada inseguros, desconfiados ou envergonhados… pelo contrário, e têm muito para contar! A sua leitura do mundo devia ser mais ouvida. Mostra-me até que sou ignorante.

Ler o mundo” –  é difícil ler este mundo. Não há literacia que nos valha.

Os parlamentos dos Países das União Europeia

A crise que Portugal vive, desde sempre digo eu, há uns anos dirão os mais rigorosos, tem servido para quase tudo. No meio do ruído que se vai gerando surgiu a possibilidade de reduzir o número de deputados do nosso parlamento.

Fui procurar na Web informações sobre os parlamentos de cada um dos países membros da União Europeia para, de algum modo, contribuir para que o debate possa ser um pouco mais interessante.

A primeira grande diferença é no número de câmaras: [Read more…]

A censura na Net

Não é apenas a versão soft apresentada pelo Público: Estados europeus sugerem botão para denunciar conteúdos terroristas na Internet.

Vai muito para além disso. O Público, em vez de citar o El País, podia ter lido o documento (PDF)…

Clean IT – ou Limpar a Internet

A Internet como a conhece está em perigo de desaparecer.

As empresas de publicidade, perseguindo o seu desejo normal de terem cada vez melhores resultados, querem a todo o custo eliminar a navegação anónima na Internet. Ainda ontem se descobriu que o facebook anda a pedir aos utilizadores que denunciem “amigos” que não usem o seu nome real na rede. É bem conhecida a política em relação a nomes adoptada pela Google. Isto para já não falar nos serviços que, graciosamente, se oferecem para guardar toda a nossa informação pessoal (mais uma vez os piores são a Google, a Apple com o iCloud, etc).

Bufo 2.0: como delatar na Internet (roubado daqui)

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APPLE desafia a União Europeia

“Em Roma… sê romano!”
No entanto, ainda que a APPLE pretendesse ser ROMENA, ia dar no mesmo.
Porque a Roménia faz parte da União Europeia e, no seu seio, a garantia legal das coisas móveis (Directiva 1999/44/CE, de 25 de Maio), o mínimo, o mínimo de garantia é de dois anos para as coisas móveis novas.
Pois a APPLE, na Europa, só concede aos seus produtos uma garantia de um ano, o que é manifestamente ilegal.
Claro que o consumidor tem de atacar, em caso de actuação da garantia, o fornecedor. Directa. Imediatamente. Pode fazê-lo, porém, perante o fabricante ou seu importador na União Europeia.
Mas há que denunciar os factos à União Europeia, já que a arrogância dos fabricantes de equipamentos APPLE é manifesta.
A União Europeia terá de tomar medidas, a outro nível, para que os consumidores não se prejudiquem. Esse terá de ser o caminho.

Já agora, falando de lambe-botas…


Num normalizado artigo de encher pneus em que requenta a sua expressa opinião do costume, o balsemado valentão-anti-cobardes Daniel Oliveira espuma por Passos Coelho não ter aderido ao documento glosado por David Cameron. Em boa verdade, muito daquilo que lá está escrito poderia ser suficiente para o governo português assinar de cruz, como aliás habitualmente tem feito desde há mais de trinta anos. Mas simplesmente não pode agora fazê-lo de ânimo leve. Porquê?

O sistema que pariu e tem mantido os danieisioliveiras, é precisamente aquele que hoje se encontra em apuros e sob o fogo cerrado dos mesmos eternamente irados danieisoliveiras. É o esquema do subsídio à farta para o mau cinema votado às moscas, para os grupos teatrais do rebola no chão e bate na lata, o subsídio para resmas e resmas de ilegíveis opúsculos de e para amigos, das fundações e gabinetes de comparsas, etc. O dinheiro acabou e isso parece insuportável, urgindo recorrer à chantagem para que o caudal volte ao leito a que se habituaram. Tarde demais, é impossível. [Read more…]

A extorsão (1): o novo presidente do “Parlamento” Europeu

O novo presidente do Parlamento Europeu, evoca os acontecimentos de há duzentos anos para caracterizar uma Europa padronizada sob um rolo compressor e ao arrepio da vontade dos seus povos. Este é um caso de uma antiguidade bem recente, recordando-nos todos dos tristes episódios dos referendos “até que sim”, das pressões chantagistas utilizando o eterno argumento monetário e as ameaças cada vez menos veladas, consagradas através de telefonemas exigindo a expulsão de primeiros ministros eleitos democraticamente. Esta é a Europa do Directório Continental de corte bonapartista, sempre lesiva e de uma extrema ameaça aos interesses de Portugal e da sua existência como Estado independente e de pleno Direito internacional. O pior de tudo, consiste no insistir da propaganda mentirosa e abusiva das “inevitabilidades” que cavam ainda mais fundo, se é que isto é possível, o caviloso buraco de extorsão em que nos precipitámos. Sem qualquer menosprezo relativamente a húngaros, checos, letões, romenos, suecos, dinamarqueses, holandeses e quase todos os outros compagnons de route comunautaire, a rápida leitura da nossa história e a presença cultural de facto no mundo, possibilitam-nos a alternativa que todos sabem existir mas alguns teimam em alijar como coisa sem préstimo. Esta teimosia apenas tem um móbil: o interesse pessoal dos membros da oligarquia e do seu nefasto e prescindível Euro.
Pois aqui vos deixamos esta inabalável certeza, velha de séculos: não há outro caminho senão olharmos para Sul e para o Oriente. Nenhum outro.