ai, mísero de mi, ai, infelice

deprimido

Esforçava-me em esquecer os dramas que hoje em dia vivemos, só, sem amigos, doente e sem dinheiro, esse número de desventuras que podem cair sobre nós, quando as empresas e indústrias, também estabelecimentos de ensino de todos os tipos não cumprem o seu dever, e a pobreza nos agarra como um vento de furacão, que nem comer permite-nos.

Com que dinheiro, com que meios vivemos, qual a água que usamos para não pagar esse 40% mais que começa a ser cobrado? Voltamos as velas para nos iluminarmos e fugir dos impostos? Usamos mantas para nos sentar e agasalhar-mos-nos, fugindo do frio e dos impostos? O título do meu texto explica bem, penso eu, a depressão que o sítio causa, especialmente se o encontro é com a gestora dos meus bens, dos poucos que ficam, porque os outros foram-se com o vento da falência portuguesa e da Europa. [Read more…]

TGV: Concurso de ideias

O Aventar, na linha de serviço público que o distingue, lança aqui um patriótico apelo à criatividade lusa, também conhecida por desenrascanço, por forma a ajudarmos o nosso primeiro-ministro a encontrar mais ideias sobre como fazer um TGV que se tinha prometido não fazer e, ainda, poupar uns tostões, perdão, uns cêntimos. À ideia mais criativa será oferecida uma lâmpadazinha onde ela possa brilhar.

CONCURSO DE IDEIAS TGV-AVENTAR

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Contribuições:

  • Uma linha e meia de TGV, com esquema de bifurcação para duas linhas. Autor: Pedro Passos Coelho.
    Comentário do júri: a ideia até é gira, pois quando o comboio abrandar para os 20Km/h nessas bifurcações até deve dar para ir às uvas
      
  • Em vez do pequeno troço de via dupla, as pessoas atiravam-se todas para o lado de fora do comboio para que andasse só com um dos rodados nos carris, assim à moda dos “cascadeurs”. Autor: pessoa equilibrada.
    Comentário do júri: poderá ser uma opção arriscada pensar em equilíbrios quando as nossas contas estão tão desequilibradas
     
  • Uma rampa de lançamento para fazer um TGV passar por cima do outro que viesse em sentido contrário. Autor: Leonardo da Vinci
    Comentário do júri: mais uma vez se comprova o génio de da Vinci que, há uns 500 anos, já anteviu a hipótese de um TGV ir em via simples até Poceirão-City
      

  • Deixe a sua ideia na caixa de comentários. O país agradece.

Nova York, 17 de setembro

O TGV manco

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Esta do TGV manco foi, para mim, a gota. Ao contrário dos sapos que engoli porque o que veio de trás a isso obrigou, a esta cambalhota do TGV ninguém obrigou o governo. Isto é, se não contarmos com o lobby da construção…

Criminoso Pelo que Fez a Portugal

Este homem tem que ser julgado“. Mas tem que ser um julgamento justo, sem as televisões do Contenente, só o jornal da Madeira

Se não foi ele, foi a poncha

O presidente do Governo regional da Madeira, Alberto João Jardim (…), acusa a comunicação social de ter manipulado as suas declarações em que, por “qualquer eventual frase ou “lapsus linguae”, assumiu ter ocultado dívidas. in Público

Uma eventual ocultação de dívidas, portanto. Uma qualidade que não pode ser menosprezada neste homem: a sua capacidade de nos tratar a todos por imbecis e continuar a ter adeptos.

Passo a Citar: “Uma Imagem Péssima da Madeira”

Uns bastardos, uns filhos-da-puta, isto dá muito má imagem da Madeira, “o partido não tem vergonha”.

Portugal é, definitivamente, um prostíbulo.

Desalavanca-me toda, querido!

A personagem de Jamie Lee Curtis, de Um Peixe Chamado Wanda, tinha a particularidade de ficar excitada sempre que ouvia qualquer língua que não a inglesa. Pergunto-me se a mesma personagem resistiria aos encantos do economês de Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal. Como pode uma mulher não gemer quando ouve um homem dizer coisas como “A desalavancagem tem de se fazer através de ‘stocks’, alienação de ativos, de modo a não prejudicar a economia”? Como poderia ela sufocar um grito rouco quando ouvisse sussurrar “O processo de desalavancagem de fluxos sacrifica o financiamento da economia e o crescimento e, logo, o balanço dos bancos pela qualidade. Nessa altura, entra pela janela o que tinha saído pela porta.”?

No que me diz respeito, já ficaria contente se, um dia, um economista com responsabilidades de qualquer tipo de governação fizesse previsões acertadas. A esse, mesmo preso dentro deste corpo heterossexual, dar-lhe-ia ouvidos.

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As hipocrisias nacionais

Na Madeira mente-se em legítima defesa, significando isto que se pode gastar dinheiro sem para isso se ter legitimidade. Na verdade, isso nem é exclusivo da Madeira, bastando olhar para os ajustes directos para se perceber que a prática tem historial. A Parque Escolar, por exemplo desdobrou obras para caberem nos ajustes directos, em clara violação da lei. Tal como na Madeira, as diversas autoridades vieram sacudir a água do capote com o habitual “fomos enganados, de nada sabíamos”.  A diferença limita-se à arrogância com que AJJ vem declarar que foi de propósito e como passa pelos pingos de chuva sem se molhar: ganha votos na Madeira, onde passa por herói e talvez um dia lhe seja aplicada uma multa simbólica. Neste buraco madeirense, apenas uma coisa me intriga. Tendo a Madeira 267.938 habitantes (dados Censos 2011) e atendendo a que não se fez uma fogueira com notas de euro, para onde foram os 1,11 mil milhões de euros gastos para além das restantes transferências autorizadas (as quais, só por si, já foram uma pipa de massa)?

Quanto às hipocrisias nacionais, contava Ana Sá Lopes no último Contraditório (minuto 15:50) o episódio de, no último orçamento, estar Teixeira dos Santos no Plenário a atirar-se aos gastos da Madeira quando, ao mesmo tempo, estava Jorge Lacão a negociar com Guilherme Silva a introdução de mais despesa. Tudo isto é muito vitoriano: desde que não seja público não faz mal. Só que agora é preciso justificar aumento de impostos e há contas a pagar… Quantos casos destes haverá por este país fora? Sobre este mesmo tema, transcrevo ainda o editorial do Público de hoje. Tal como nele se escreve, «a repetir-se, esta farsa só ressurgirá como tragédia».

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Legítima Defesa

Isto é um assalto…

…mas é em legítima defesa.

Olé?!

Educação para todos?

No país cuja Constituição consagra a gratuitidade do ensino, obter uma Educação de qualidade é um luxo que muitas famílias não podem pagar, com perdas nas vidas individuais e com prejuízos para uma nação que continua a não investir no fundamental, enquanto chama “investimentos” a estádios de futebol e a exposições mundiais ou enquanto desvia impostos e cortes salariais para desmandos privados e disparates regionais.

Diante dos que são impedidos de continuar a estudar, muitos argumentarão que “sempre foi assim” ou que “não somos todos iguais” ou que “não podem ser todos doutores”. Dos jovens ouviremos frases como “Tive de ir trabalhar, que os meus pais não tinham dinheiro para eu continuar a estudar.”

O arrepiante de tudo isto é que estes ditos são iguais àqueles que eram pronunciados antes do 25 de Abril. Já se sabe que não somos todos iguais, mas, numa democracia moderna, esperar-se-ia que tivéssemos oportunidades semelhantes, que pudéssemos contar com um Estado em busca de justiça social. Em vez disso, sempre ao arrepio de uma Constituição que tantos querem alterar, temos um Estado a esvaziar-se, muito contente com o dinheiro que vai obter nas privatizações, com anéis e dedos metidos no mesmo saco.

As finanças públicas, atacadas por vícios privados, poderão ficar, finalmente, equilibradas. Numa contradição que me será sempre estranha, o país ficará tão bem como mal continuarão as pessoas.

Na Madeira uma vaca quando morre é madeirense

A título excepcional, podem ser admitidos ao uso da marca Produto da Madeira, os seguintes produtos: a) A carne fresca de bovino proveniente de animais vivos adquiridos no exterior desde que estes permaneçam para acabamento no território da Região Autónoma da Madeira, desde a data da confirmação do seu desembarque, pelo menos 4 meses;

Portaria n.º 27/2011 de 22 de Março

Apanhado neste vídeo.

Planos de Salvamento

É pena as verdades serem ditas apenas em programas humorísticos/satíricos.

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Encontra-se cada coisa numa caixa de comentários

Esta anda mesmo muito mal frequentada. E afinal quem é o Firmino?

 

Batalha Naval

Hoje é domingo, é um dia bom pa’ ir até à praia ver o que é feito do nosso dinheiro.

Concursos públicos e masturbação

Woody Allen, um dos mais avisados sexólogos do mundo ocidental, disse acerca do onanismo: “Não digam mal da masturbação, que é fazer amor com alguém de quem gosto muito.” Por analogia, e porque, no fundo, a sociologia é sexologia com mais roupa, parece-me absolutamente justo que um inspector-geral abra concurso para seu próprio benefício. Este é o verdadeiro português, o descobridor que não vira a cara à luta, o homem que, sozinho, vai contra cinco ou mais, sem se importar com quem esteja a ver, o corajoso que esgalha o pessegueiro, ainda que esteja em propriedade alheia.

Americanos ocupam Wall Street (em actualização)

A acampada dos indignados de Nova York

Serão milhares? Pelas imagens, não sendo enganam muito bem.  Da parte da comunicação social o boicote é internacional (nem uma só referência no online português, até ver).

Para todos os efeitos nem que fossem só 100 manifestantes tentando acampar nas imediações de Wall Street seria notícia, mas já sabemos o que a casa gasta.

De notar que a polícia montou barreiras, “and only those could prove they lived or worked on Wall Street were allowed to enter. “

Neste artigo em actualização ao longo do dia pode ver um directo, imagens e vídeos. Faça as suas contas, e siga através do twitter, ou acompanhe por exemplo através desta página.

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Parabéns 5 Dias

O 5 Dias fez ontem 5 anos. Para essa grande casa da esquerda os meus parabéns e esta modesta recordação à laia de prenda de aniversário.

outra versão da imagem aqui

Morreram Dois Espetadores

Diz o Expresso que morreram dois espetadores. Não diz se eram ou não muito aguçados.

Ilhas, buracos e vórtices

Já se sabia que, do ponto de vista da água, uma ilha pode ser vista como um buraco. A Madeira, graças aos préstimos de Alberto João Jardim, é também um buraco, do ponto de vista financeiro. Este dado, aliás, transforma esta ilha numa originalidade: em vez de estar rodeada de água por todos os lados, mete água por todos os lados.

A Madeira é, portanto, um buraco e, mais propriamente, um vórtice, já que arrasta para o fundo um país inteiro. Face a este naufrágio, todos os que já desconfiavam ou já sabiam dos desvarios do “Bokassa” madeirense, nas palavras do volúvel Jaime Gama, fingem-se surpreendidos. Alberto João continuará a rir-se e a produzir alarvidades, enquanto vê os salários dos outros a escorrer para o turbilhão que criou.

Entretanto, é sempre curioso verificar como, no meio deste turbilhão, Carlos Abreu Amorim se deixou transformar num Francisco Assis alaranjado, com os mesmos argumentos tão fracos como palavrosos, respondendo às críticas do PS com uma espécie de “quem diz é quem é”. Foi o mesmo Carlos Abreu Amorim que defendeu, além do mais, que Jardim é o político mais injustiçado de Portugal, o que faria sentido se “injustiçado” quisesse dizer que nunca compareceu diante da Justiça.

Portugal, 2 – Espanha, 7

A Espanha ganhou com mérito mas não teve o inequívoco apoio das bancadas como Portugal teve.

Milhares de americanos ocupam Wall Street


Há quem fale em 50 000. Não sabia? nas televisões locais também não sabem. Pode ver em directo aqui,  seguir no twitter (#takewallstreet) ou na página de apoio.

Pegando o touro pelos cornos, actualizado com imagens e vídeos: [Read more…]

Die de la Lhéngua Mirandesa

Hoje é o dia da língua mirandesa.

Nós tenemos
muitos nabos
a cozer nua panela,
nun tenemos
sal nien unto
nien presunto nien bitela [Read more…]

Estamos de Tango

O bailinho na Madeira continua. Virou…

Terreiro do Paço, a veneziana S. Marcos em Lisboa

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Olhando para o Terreiro do Paço, com o seu amplo espaço e com as colunas a convidarem o olhar a pousar no rio, noto o quanto esta praça tem os mesmos ingredientes paisagístico-arquitectónicos da Praça de S.Marcos, em Veneza. Já o ambiente humano é completamente diferente, faltando ao deserto que é a  congénere lisboeta a vida que enche S. Marcos. Valham-nos as cíclicas manifs que a populam, ou poderíamos pensar que se destinava aos pombos aquela imensidão, na qual até se estoirou em abundância o escasso dinheiro para trocar a bela calçada portuguesa por uma vulgar lage de “terra” batida.

O precariado contra ataca

A 15 de Outubro, numa rua perto de si.

Cartaz da Gui

Portugal, 9 – Argentina, 7

Depois da vitória com estilo de ontem, hoje foi a vez de levarmos a Argentina pela frente; a Final é amanhã e vamos dar uma lição aos espanhóis…

 

Um dia na CP

Hoje tive a sorte de começar o dia a trabalhar na baixa lisboeta. Uma agradável surpresa que logo me convidou ao velho hábito de comprar o Público, apanhar o comboio da linha de Sintra e aproveitar para iniciar a manhã sem o stress automóvel.

Ouro sobre azul? Seria, não houvesse uma avaria em alguma coisa, não se sabe o quê, levando ao caos na estação. Problemas em todo o lado existem, a diferença está em saber a eles reagir ou não e  como pude verificar, a CP não sabe. Há painéis electrónicos para informação mas nada diziam; o sistema sonoro estava mudo; na bilheteira havia uma fila de pessoas a tentar obter uma resposta do funcionário, o qual não respondia porque estava ao telefone a tentar perceber o que é que se passava; clientes furiosos tentavam que lhe devolvessem o dinheiro pago pelo bilhete, mas sem sucesso porque o “sistema não deixa ver”. Desorganização total.

Mas voltemos um pouco atrás. Estava para sair de casa e peguei nos vários cartões recarregáveis de viagens. Um deles haveria de funcionar. Azar, alguns eram do metro e, apesar de serem teoricamente usáveis em todos os transportes de Lisboa, depois de usados num transporte já não funcionam nos outros. E os dois que foram estreados na CP tinham a validade expirada. Parece que só se podem usar durante um ano.

Acabei por comprar um novo cartão, lá apanhei um comboio e fui à minha vida. Ao regressar a casa, lembrei-me que podia tentar devolver o cartão expirado. Atendeu-me um cavalheiro, prestável e simpático, que lamentou nada poder fazer, já que os cartões só podem ser trocados nos cinco dias depois da compra. Mas foi uma boa notícia, pois antevi o plano de, à chegada, devolver o cartão na bilheteira. O plano só falhou por estar fechada  mas fora isso é perfeito.

Assim foi o meio dia na CP. Fui servido e, por bónus, ainda ganhei um cartão para a colecção. Quem sabe se isto não é como os selos e, daqui a uns anos, não terão valor para a troca?

E haverá interesse nacional?

Passos diz que “há muito interesse francês no processo” das privatizações

D. João II, o Príncipe Perfeito, terá declarado, acerca do reinado de seu pai, Afonso V, que este o deixou dono das estradas de Portugal, tais foram os favores com teria cumulado a aristocracia. D. Afonso V terá sido, portanto, um cultor do Estado mínimo, avant la lettre. Para corrigir aquilo que considerou erros macroeconomicopolíticos do pai, D. João chegou ao ponto de esfaquear um cunhado, entre outras medidas pouco simpáticas.

Os afonsos que nos governam já venderam as estradas e andam pelo mundo a oferecer o resto. Quando acabarem, o Estado será uma coisa tão mínima que acabará por fazer as delícias de todos os que sonham em viver num protectorado. Cá estaremos todos, à espera que os alemães ou os franceses façam o pedido que comunicaremos, pressurosos, às cozinhas. Que, ao menos, a gorjeta valha a pena.