Um endereço muito significativo

Já não é o que está na notícia, mas corre pelo facebook que já lá esteve. E se não aconteceu, bem podia ter acontecido…

 

Keynesianos e liberais, quando convém…

-Não me surpreende que os madeirenses possam eleger para novo mandato Alberto João Jardim. Eu próprio se trabalhasse na Madeira e pagasse lá os meus impostos, talvez votasse também no homem, afinal quem não gostaria que as medidas difíceis que todo o país tem de enfrentar, lhe passassem ao lado? Um político que afirma com o maior desplante, ir continuar a política despesista que conduziu a região ao desastre financeiro, com graves consequências para todo o país, só poderia ter uma resposta à altura do governo da República, isto se tivéssemos governantes à altura, que pelos visto não temos, era ver imediatamente fechada a torneira das transferências financeiras entre o Estado e a Região até que o resultado fosse 0 cumprimento das metas a que o governo regional está obrigado. Mas o PSD já se prepara para ajoelhar uma vez mais diante do mais despudorado caciquismo, procurando agora no governo justificar o que durante anos, com razão, criticou aos governos socialistas, a utilização de dinheiros públicos ao serviço do interesse partidário, sem atender à realidade do país. Estranho e lamento que alguns liberais, possam pactuar com políticas keynesianas no arquipélago, em tudo semelhantes às que combatem no continente. Ou será que para eles a opção pelo investimento público como modelo de desenvolvimento, indiferentes a derrapagens e compadrio é aceitável se o governo for da cor e beneficiar amigos?

Madeira, um caso de polícia

Mais um buraco nas contas do governo de Alberto João Jardim, desta vez  por dívidas que não foram registadas, pagas ou comunicadas às autoridades estatísticas. O bailinho leva a inscrever mais 1681,3 milhões de euros nos défices de 2008 a 2011.

Das duas uma: ou há leis em Portugal para estas coisas (e não sou defensor da penalização jurídica do que deve ser castigado politicamente, mas para tudo há fronteiras e limites), ou não havendo, tem de haver. Se somarmos a todo este regabofe o offshore madeirense, por onde se escoam milhões todos os dias, a solidariedade com o todo territorial de um país acaba aqui. O governo é de Portugal, o presidente da República é de Portugal, a Procuradoria Geral é de toda a República, ou actuam sobre a Madeira ou isto nunca mais pára.

Luigi Abbondanza e Pedro Ferreira em Avenida à Rasca 193

avenida à rasca 193

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Homem Digital, no PortoCartoon

Encontram-se em votação as obras finalistas no XIII PortoCartoon.

Da lista faz parte a escultura intitulada “Homem Digital”, de Fernando Saraiva – que já publicou diversos cartoons aqui no Aventar: “A mudança“, “Euro crucificado” ou “Os tapados da troika” .

A votação decorre até 31 de Dezembro e pode ser feita no Museu Virtual. Vamos lá dar ao dedo!

Programa de merchandising eleitoral Magalhães suspenso

No TEK:

Os alunos do primeiro ciclo do ensino básico não vão este ano poder inscrever-se para ter acesso ao programa e-escolinha e ao computador Magalhães.

Limito-me a reproduzir o que havia escrito há dois anos e meio:

1. O Magalhães não se destina a permitir que os alunos tenho acesso à informática. Para isso criavam-se centros de cálculo nas escolas, garantindo em simultâneo que as gerações seguintes também pudessem usar estes recursos (alguém acredita que a fonte dos Magalhães ainda jorrará depois das eleições?). O Magalhães destina-se a comprar votos, os dos pais dos miúdos que recebem em casa uma pechincha. Nada que Valentim Loureiro não tenha já feito com frigoríficos. [Read more…]

Tudo ao corte:

•Integração do Instituto da Água IP, da Agência Portuguesa do Ambiente e de dois órgãos consultivos para as alterações climáticas na Agência Portuguesa para o Ambiente, Água e Acção Climática (DG)
•Extinção dos Controladores Financeiros
•Extinção de seis Caixas de Previdência
•Integração da Inspecção Geral da Administração Local na Inspeção Geral de Finanças
•Fusão da Inspecção Geral da Agricultura e Pescas com a Inspecção Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território
•Fusão da Inspecção Geral da Educação com a Inspecção Geral da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
E ainda:
Situação inicial Situação Final Variação global
Dirigentes Superiores Dirigentes Intermédios Dirigentes Superiores Dirigentes Intermédios Dirigentes Superiores Dirigentes Intermédios
715 5571 441 4133 -274 -1438
6286 4574 -1712
-38% -26%
-27%
E por fim:

 

O Compromisso Eficiência no domínio do sector público assumido por este Governo, terá continuidade em outras acções concretas, a desenvolver no curto/médio prazo, com referência especial para:

•Reestruturação do Sector Empresarial do Estado;
•Reforma da Administração Local Autárquica;
•Realização de censo e análise detalhada do custo/benefício de todas as Fundações;
•Reorganização dos serviços desconcentrados da Administração Central;
•Reforço da utilização de serviços partilhados na Administração Pública.

Portugal, 8 – Suiça, 0

Algo em que somos positivamente bons, genuinamente bons: Hóquei em Patins.

Decorre em Barcelos, até ao próximo sábado, o campeonato do mundo sub-20. Já malhámos em Angola, malhámos na França, na Áustria (pela módica quantia de 38 a 1), e hoje malhámos forte e feio na Suiça. Oito bolas secas, toma, vai buscar… a certa altura, o guarda-redes helvético senta-se a pensar na vida e nas três bolas que viriam a seguir… sábado é a final e Portugal vai lá estar.

Elogios à Junta de Freguesia de Tadim – 1

Na última Assembleia de Freguesia cá do burgo, o nosso ilustre presidente de Junta, José Manuel Cunha, acusou-me – e com razão! – que eu nunca vou às assembleias elogiar o trabalho da Junta.

Pois, senhor presidente, vou dar a mão à palmatória e dedicarei aos elogios à actuação da Junta de Freguesia de Tadim toda uma colecção de textos doravante; mas o senhor presidente tem que me ajudar, tem que me dar motivos para elogiar o trabalho abnegado que faz em prol de Tadim, com o dinheiro dos tadinenses. Desde já lhe agradeço a ajuda e a inspiração….

Fernanda Policarpo e João Vilas em Avenida à Rasca 193

avenida à rasca 193

Versão sem petróleo mas com bananas

Não vos faz lembrar uma célebre foto do antigo ditador iraquiano?

A Líbia e a Charia

Declarações dos novos dirigentes líbios narradas pelo El País estão a provocar uma reacção curiosa. Mustafá Abdel Yalil, antigo ministro da Justiça da ditadura, afirmou:

Buscamos un Estado de Derecho, y de prosperidad donde la sharía sea la única fuente de legislación y eso requiere unas condiciones previas.

Não é uma boa notícia, embora expectável, mas sobretudo não é uma novidade: a Líbia já incorporava a charia na sua legislaçãoMuammar al-Gaddafi teve como suposta originalidade criar uma espécie de ideologia que misturava Marx com Maomé, pendendo muito mais para o segundo que para o primeiro, que não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome, na Líbia ou na China. O facto de se anunciar que a Líbia não será uma nova Arábia Saudita é tranquilizante, tanto quanto estas supostas intenções o podem ser.

Não estou à espera de uma Líbia campeã dos direitos humanos mas convém lembrar que pior do que estava é difícil. A arrogância de quem despreza as revoluções alheias, uns por islamofobia, outros por lerem Marx como quem lê o Corão, merece como resposta o lamento por não terem vivido na Líbia do ditador ora deposto.  Se no caso dos corporativistas se compreende a rápida nostalgia pelo amigo de Sócrates, se Helena Matos só descansará quando uma cruzada converter todos os infiéis, já à esquerda a cegueira é mais preocupante (e era só perceber o que Cunhal teorizou com a Revolução Democrática Nacional).

Ponto da situação

Encontrado num mail. Entrega-se a quem provar pertencer-lhe. Inimigo Público de sexta-feita, dia 9 de Setembro, e os meus agradecimentos ao leitor que deixou esta indicação.

Corta!

O primeiro-ministro anunciou hoje os primeiros cortes: 1712 lugares de dirigentes e 137 entidades públicas extintas.

É um primeiro passo, significativo. Uma medida fundamental.

Vamos colocar na Constituição um limite ao número de infectados com doenças sexualmente transmissíveis

A ideia é simples e resume-se ao que diz o título deste post. Já a explicação é um pouco mais demorada, pelo vamos a ela sem delongas.

Como é público, as doenças sexualmente transmissíveis prejudicam as pessoas e a sociedade em geral. Defendo por isso que se deve inscrever na Constituição um limite de 3% como tecto para o número de contágios devidos a esta doença.

Esta abordagem tem ainda a vantagem de ser familiar aos portugueses, o que facilita a respectiva adopção, já que segue o habitual padrão de se fazer uma lei sempre que há um problema e é preciso dar a impressão de se estar a fazer algo para o resolver.

Finalmente, assim defendidos pelo latex protector da lei das leis, outras liberdades naturalmente virão. Por exemplo, pode-se passar a morrer mais por insuficiência renal, já que, ao que parece, há que cortar nos transplantes dos rins.

Mulher doa rim aos mercados

Despedida por faltar ao trabalho para doar rim a filho

A ser verdade esta notícia (porque verosímil é, com certeza), confirmamos que não há conquistas asseguradas. No mesmo mundo ocidental que comemora o Primeiro de Maio, a regressão contínua e frequente dos direitos dos trabalhadores é um facto lamentável e nada lamentado por um patronato em roda livre, apoiado em políticos encandeados com o brilho dos mercados e de um capitalismo que não é mais do que a suspensão de qualquer resquício de humanidade, uma lei da selva com aroma a perfumes caros.

Uma mãe que dá, pela segunda vez, vida a um filho é, para estes yuppies (ana)crónicos, um anacronismo que deve ser varrido. Nem será de admirar que os lusos seguidores desta seita de um capitalismo de rosto inumano venham a exigir aos assalariados a doação de órgãos, porque parece estar cada vez mais perto o dia em que já não será possível retirar-lhes direitos ou cortar-lhes salários.

Fernanda Policarpo em Avenida à Rasca 193

fernanda policarpo

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Quando menos por menos não dá mais

Santana Castilho *

Em Álgebra, menos por menos dá mais. Mas o sistema educativo não se gere com as leis algébricas. Fazer mais com menos, como pede o ministro, supunha saber. E ele não sabe. Sou precoce na sentença? Não, não sou. A emergência financeira que o país vive não se compadece com estados de graça. Quem criticou tanto (ele, Crato) e jurou que faria tanto (ele, Passos), não pode chegar e cortar, só, cegamente, erradamente. Não podem ser mais rápidos que a própria sombra para cortar e taxar e remeterem para decisão posterior o que deviam fazer no dia seguinte à tomada de posse. [Read more…]

A chapelada

Foram-se pondo cruzinhas em boletins de voto e descarregando nos cadernos eleitorais. (…) Temos uma absenção de 40% portanto é fácil. As pessoas que vão para as mesas residem na área territorial dos eleitores e facilmente sabem quem está e quem não está a votar, quem vota e quem não vota.
Em 1980 todas as mesas do concelho do Funchal alteraram a votação. Em todas as mesas Eanes tinha ganho e em todas as mesas Soares Carneiro passou a ganhar. E não estamos a brincar. A chapelada foi grande. Não foram 10 ou 15 votos por mesa; foram 300 a 400, preenchidos em nome de votantes que não foram votar.
Presenciou essas alegadas adulterações?
Presenciei.
Fazia parte de alguma mesa de voto?
Sim. Fazia.

António Fontes, na altura militante da JSD/Madeira, em entrevista ao DN de 13.09.2011.

Histórias das eleições na Madeira fui ouvindo ao longo de anos, até porque tive vários colegas madeirenses. Delegados de partidos afastados de mesas de voto com uma arma apontada à cabeça, por exemplo. Fica este registo, dirigido a quem insiste na bondade democrática das vitórias eleitorais sucessivas de Alberto João Jardim. As bruxas não existem, mas lá que votam, votam.

 

 

A galinha dos impostos de ouro


Retrato de Vítor Gaspar enquanto ministro. Do Kaos.

Eu gasto, vocês pagam

Cada madeirense deve 30 mil euros, o dobro da média nacional

Este título do Público (com ligação só para assinantes) faz lembrar a brincadeira que é costume fazer nos restaurantes, quando, na hora de pagar a conta, um grupo de, por exemplo, quatro convivas propõe ao criado de mesa que divida o total por cinco, sobrecarregando virtualmente o pobre assalariado e virtualmente aliviando as finanças dos pagantes. É igualmente costume que a brincadeira acabe com os cinco a rir e os quatro a pagar.

Transferindo a graçola para o país (e também para a Madeira), aquilo que não deveria passar de uma piada é uma ideia tão arreigada que nem sequer parece estranho a um jornalista dividir por todos os madeirenses uma dívida criada por uma minoria de senhores com obra feita e benefícios pessoais à custa de dinheiros públicos.

Vou dormir e sonhar com um mundo em que todos pagássemos as minhas férias ou as minhas cervejas. Todos, menos eu, claro.

Uma Casa de Putas

Portugal é uma casa de putas; senão vejamos:

Entre 22 de Maio e 31 de Julho deste ano desembarcaram no novo Mastodonte de Beja… 164 passageiros*, dos quais 41 responderam a um inquérito de satisfação. O grau de satisfação deste mar de gente – numa escala até 5 – é de 4,7!

A esta média espectacular de 2,3 passageiros por dia, ainda estou para perceber de que forma é que o Fóssil de Beja  “poderá complementar o Aeroporto da OTA”. Alcochete jamé. A lista das possibilidades é incrível, mesmo. E quem paga as contas?

* TANTA gente cabe em duas carruagens de 2ª Classe do Intercidades

ADENDA: segundo comentário de Luís Miguel Taborda (da ANA?), e recorrendo a esta notícia, o tráfego que eu citei (via imprensa local) de 164 passageiros em 71 dias foi, afinal, de 328 passageiros (embarques/desembarques). Notável média diária de 4,6 pax/dia.

“Contemplou a sua obra e era tudo muito bom”

O PS esteve em congresso durante três dias, aqui mesmo em terras do Minho. E no final, nem uma conclusão ou sequer uma apreciação crítica à (des)governação dos últimos anos.

A crise internacional tratou de explicar tudo.

Segundo o Livro de Génesis, chegado ao sexto e último dia da empreitada de criar o Mundo, pois o sétimo foi para descanso, Deus contemplou a sua obra e concluiu que era tudo muito bom. Pois o PS em três dias não encontrou nada de mau na governação de seis anos.

Apenas, e tão só, um alerta de José Seguro de que o PS poderá vir a errar. Tudo numa lógica com um oportuno toque de diferença, quando é normal na política nacional falar-se tanto de responsabilidade.

O PS poderá não ir formoso, mas quer parecer seguro. Pelo menos conta com o seu líder. Literalmente.

Entroncamento

Já hoje escrevi sobre comboios, inspirado no “nosso” Dario. Foi um momento “Aventar” para os lados do “Apache”.

Ao passar o Entroncamento lembrei-me dos preços dos manuais escolares, esse esbulho do reino do sem rei nem roque. O resultado do entroncamento entre os interesses privados das editoras e os desígnios dos técnicos do ME. Pode o governo ser PS, PSD ou de coligação que, nesta matéria, tudo fica na mesma.

São fenómenos tão singulares. Coisas do Entroncamento…

Carmen Isidoro em Avenida à Rasca 193

carmen isidoro

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A má obra da Parque Escolar

O Tiago Mota Saraiva desmonta mais uma socretinice do Daniel Oliveira, agora defensor cego da Parque Escolar.

Acrescento que a Parque Escolar enquanto dona de obra demonstrou uma incompetência que chega a tocar as raias do ridículo. Dos pavilhões onde chove, e a culpa é do clima à ausência de estacionamento (não me venham com a conversinha dos professores usarem transportes públicos: a carta de condução e a propriedade de um veículo automóvel é hoje obrigatória na profissão, e chega a ter indirectamente força de lei) ao aumento do consumo energético:

Daniel Oliveira titulou seu artigo “As escolas públicas querem-se velhas e frias” com uma ironia que lhe acerta no pé.

Não se trata de mera incompetência: é dos livros que o dono da obra tem de conhecer muito bem o local onde se implanta e as funções a que se destina. Não é o caso da Parque Escolar e as direcções das escolas foram na maior parte dos casos completamente afastadas do seu planeamento e execução. Se é verdade que um bom arquitecto, ou engenheiro, se preocuparia com isso, nem sempre sucedeu. Como também é dos livros, a catástrofe está à vista, e como bem sabemos, é irreversível.

A família pedófila

família pedófile

Para os meus discentes do derradeiro ano da Licenciatura de Antropologia do ISCTE, antes de entrarmos no Modelo Bolonha de Universidade.

É-me quase impossível esquecer este ano de debates, quer em Etnopsicologia da Infância, quer em Antropologia Económica. Durante o ano que finda este mês, quatro discentes meus foram pais e mães. Não consigo esquecer os incasáveis conselhos que saíam da minha boca, via Freud, Klein, especialmente Bion: permitam às crianças entenderem o mundo, não durmam com elas ou, como diz Boris Cyrulnik, qualquer dia temos uma família pedófila? [Read more…]

In illo tempore

Poucos minutos depois das 0h00 de há 32 anos – 10 de Setembro de 1979 – atrás recolheu às extintas instalações dos Serviços Municipalizados de Braga, à rua do Avelino, o último troleicarro que circulou em Braga.  Eram tempos muitos agitados e conturbados e a rede de transportes urbanos da cidade – troleicarros incluídos –, então operados por uma companhia privada, a SOTUBE, estavam na “mira” da nacionalização, tão em voga na época: a SOTUBE (boa ou má, não interessa agora ao caso) era diariamente “torpedeada”: inclusive tinham tido recebido, pouco tempo antes, ordem de despejo das instalações dos SMB da dia para a noite, e só os troleicarros ali permaneciam “de favor”. Favor esse que terminou em 10 de setembro de 1979, um domingo, quando a ‘Avenida’ passou, por determinação camarária, a ter apenas circulação viária no sentido descendente; ora como os troleicarros a usavam cerca de 200 m no sentido ascendente… consumatum est.

Os troleicarros, esses, estavam decrépitos; e a rede ainda em pior estado. Mas dois veículos tinham sido recarroçados 4 anos antes; quem sabe a SOTUBE queria continuar…

Tudo, como se sabe, foi para Coimbra, que ainda usa algum material da linha aérea; os carros foram vendidos como sucata. “Sobra” o carro-torre, uma velha relíquia – em breve apenas relíquia dado o péssimo estado de conservação em que se encontra num esconso do pátio descoberto dos SMTUC.

Mas hoje recordemo-los enquanto eram o melhor do havia na “cidade dos Arcebispos”: em frente à Arcada, em foto de Arselino de 1965, na minha coleção pessoal.

Emídio Gardé

O ódio às árvores

Jardim Salgueiro Maia, Massamá

Li há dias e acabo de confirmar:

«Desde o início do verão que a Câmara de Oeiras tem desenvolvido um plano de intervenção que prevê o abate de 90 por cento de árvores na freguesia de Santo Amaro de Oeiras, uma decisão que tem sido alvo de protestos.» na Rádio Ocidente

A Câmara de Oeiras justifica a acção como decorrente de várias reclamações devido às árvores terem “elevado risco de rutura” mas que estão previstas “novas plantações e melhores acessibilidades (zonas de passeio e estacionamento)”. Sem conhecer o caso mas atendendo ao habitual modus operandi aqui deixo a minha aposta de as reclamações terem vindo da parte da tesouraria da câmara, que novos estacionamentos pagos e árvores era coisa incompatível. Os protestos decorrem mas têm os políticos em Portugal este velho hábito de os ignorarem e, mesmo assim, conseguirem fazer-se eleger na mesma. Até com processos em tribunal e condenações à vista, já agora.

O ódio às árvores, particularmente entre o poder local, é algo de longa data. [Read more…]

A tributação dos ricos, as receitas fiscais e o investimento

Warren Buffet, um milionário norte-americano, lançou a ideia de contribuir mais com os seus impostos para a atual crise. Outros ricos de outros países deram especial atenção às palavras de Buffet e vieram também a público defender a criação de um imposto especial sobre as grandes fortunas. Alguns partidos, numa atitude puramente demagógica, não se atrasaram a defender, como têm defendido insistentemente nos últimos anos, a criação de um imposto sobre as grandes fortunas. Aliás, muitos desses partidos fazem da perseguição ideológica aos ricos o seu cavalo de batalha. Ainda não perceberam que mais impostos só agravam a situação.

Vamos por partes: Portugal, tal como outros países, atravessa um momento de grave crise financeira. O dinheiro não abunda nos cofres das finanças públicas portuguesas. A crise financeira não se resolve sem uma economia pujante (esta afirmação é consensual a toda gente). Acontece, porém, que mais impostos são prejudiciais à economia. Se o aumento de impostos pode ajudar as finanças públicas portuguesas no curto prazo, no médio/longo prazo a situação agravar-se-á. Não há milagres. Sem crescimento económico, as nossas contas dificilmente ficarão equilibradas. [Read more…]