Eu peço desculpa por este creme feito de leite azedo e de gosto amargo mas não sou eu o responsável pelos ingredientes.
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
Eu peço desculpa por este creme feito de leite azedo e de gosto amargo mas não sou eu o responsável pelos ingredientes.
A cidade está deserta por dentro e por fora de nós começa a não haver vivalma neste lusco-fusco brumoso neste irracional azul de um céu de chumbo nesta descrença de manhãs de sonho em bicéfalas e bárbaras bandeiras de um mundo informe e medonho [Read more…]
Presume-se que os vitoriosos deste Mundo, sejam os vitoriosos que provocaram ou facilitaram a fabricação desta plataforma em que vivemos, da barbárie ocidental dos tempos modernos, da poluição, da fome, da super-alimentação e da alimentação envenenada, o mundo da degradação, da auto-destruição e da massificação da economia, o mundo-universo da droga, do suicídio, da delinquência, da violência e do extremismo. [Read more…]
Passei o dia a ouvir música sempre a mesma alternando Madredeus e Erik Satie.
Como foi possível parecerem-me tão semelhantes?
Que percebe de sons este monocórdico espírito?
Mas foi o mesmo o que produziram em mim a sensação amarga de ter atirado fora uma paveia de sentimentos.
Como vou misturar é quase certo que nada existe nada está perto nem eu estou triste com Embryons desséchés e Peccadilles importunes?
Eu próprio me sinto mistura de contradições e acasos harmonia de contrastes santidade e pecado.
Nada percebo de música mas quero que a música seja ar chuva ou vento olhos boca sustento febre delírio amor e tormento.
Não sei onde fica a música nem a terra onde ela conduz sei apenas que é de sol e de luz ar puro e perfume o caminho da música para o alto dos montes.
Não chovia, mas o céu ameaçava desfazer-se em água. Era plúmbeo, presumivelmente a oeste, e carregado de negro do lado oposto. Uma faixa mais clara nascia por cima de Irkutsk e desfibrava-se ao longo do rio Angorá. Mais parecia um quadro de Fiódor Vasiliev ou de Ivan Aivasovsky. [Read more…]
Na sequência de algumas crónicas sobre as minhas vivências na guerra colonial da Guiné, publicadas no Aventar e no Estrolábio, recebi um mail de um amigo que não vejo há quarenta e cinco anos. Por mero acaso, este amigo, o alferes Ruca, leu os meus textos e enviou-me esse mail dizendo: você é que é o médico da minha companhia, o Adão Cruz?! Vou mandar-lhe uma foto em que estamos os dois à porta de uma Dornier. Com efeito lá estávamos, a entrar ou a sair, não me lembro bem, da avioneta [Read more…]
Quando nasceu trazia entranhados em si dois grandes pecados, o pecado original e o pecado de ter sido gerado em mãe solteira. [Read more…]
Ela não sabia mas a vida havia-lhe ensinado naturalmente que os mais belos poemas se fazem com gestos e palavras simples [Read more…]
Sempre procurei não pensar apenas com a cabeça dos dedos. Sempre procurei não sentir apenas com o toque da pele. Sempre procurei não julgar apenas pela cor e pelo cheiro. [Read more…]
Dia de enganos
Uma gaivota beijando a espuma branca das águas fundas em bailado grandi mestri culminando as chaminés do cabo do mundo
O barco ao longe só estático no horizonte como eu aqui de olhos fitos nas rochas
Gaivotas bailando Rossini mascagni massenet sem ponte nem horizonte verdi wagner bizet sobre a espuma da tarde sem dia do dia sem ponte sem horizonte para lá das rochas negras e nuas
Marcia trionfale dunas de espuma branca abraçando as rochas do meu deserto tão perto do mar imenso tocando as nuvens por dentro de mim
Alguém me leva nas asas da gaivota por dentro de mim em doce intermezo de rios de sol e mar sem fim
Alguém me passeia por dentro de ti cavalcate delle valchirie a vertigem avança em turbilhão até planar bailando sobre o coração cravado no sol poente vermelho e quente do sangue que verti
Bruscamente o prelúdio voando dentro de mim a alma que resta em meditazioni pelo espaço imenso tocando aqui e ali as penas das asas que perdi
Vesti la giuba viajante da barcarola com ar triunfante va pensiero seguro de quem se apoia nas pedras nuas da orla do mar esquecendo o mar que navega infinito mistério
Foi a noite mais triste a mais negra noite mais triste do que todas as sombras mais triste do que a noite de Orfeu mais triste do que a sombra dos coqueiros sem lua mais negra do que o mergulho do tarrafe nas águas fundas do Cacheu
adão cruz
Quando eu era criança, diziam-me os meus pais que eu tinha de fazer tudo para ser gente. Ser gente? Mas o que é ser gente? [Read more…]
Diziam que ele tinha o diabo no corpo mas não tinha. Pelo menos assim o afirmava a sua prima, sabida que era em coisas de mau-olhado e almas penadas. O diabo no corpo era outra coisa. O que ele tinha era uma comichão dos diabos que o atormentava dia e noite, obrigando-o a coçar-se até se arranhar e fazer sangue.
O labirinto tem que ter uma porta uma saída um caminho que não encontro.
Sei que sou buraco de mim mesmo mas não é por aí que eu quero sair.
Meu sonho é ser um pássaro voar na proporção do amor sem medo nas penas… [Read more…]
(Permitam que transcreva este texto do Carlos Esperança)
Porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa diz que o processo acarreta morosidade
Enquanto o 5 de Outubro e o 1.º de Dezembro desaparecem do calendário dos feriados, o fim dos feriados religiosos pode ser adiado para 2013 por este Governo, que está de joelhos perante as sotainas, desprezando a laicidade a que é obrigado e traindo o regime – a República –, cuja data emblemática é o 5 de Outubro.
A laicidade é uma conquista republicana que defende a liberdade religiosa e a paz.
Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à Tora e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam a laicidade e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo assustam a Europa.
A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.
A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade. [Read more…]
Passei frente à loja onde se deu o crime e lembrei-me…
Mataram o meu filho, Sr. dr., e ele está aí.
Isto dizia a voz rouca do outro lado da linha.
Pousei o telefone e desci imediatamente à urgência que ficava no rés-do-chão. A primeira maca que vi no corredor tinha um corpo coberto com um lençol. Levantei a ponta do lençol e vi logo que era ele, o filho do Sr. José. Tinha um botão de sangue coalhado acima da clavícula, na parte esquerda da base do pescoço. [Read more…]
(Poemas de mãos dadas)
Já fui poeta da luz quando a palavra alumiava o infinito e o sol nascia dentro de mim.
Quando a vida alumiava o infinito eu nasci na erva e dormi no feno e acordei com melros e rouxinóis e saltitei com os pardais.
Quando me vesti de sol e me despi de luar e estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios.
Quando meus olhos dormidos casavam a noite e o dia no mesmo silêncio de sonho-menino. [Read more…]
Furioso, João entrou na livraria e só lá dentro se deu conta de que era uma livraria gay, de literatura erótica. Não tinha disposição para nada, muito menos para aquilo. Deu duas voltas à sala, cumprimentou e saiu. Madrid estava fria como o seu coração, e sentia uma lagrimeta no canto dos olhos. Atirou-se para a cadeira de uma esplanada em frente e pediu uma fabada asturiana. [Read more…]
Laila nunca fora feliz. Nem muito nem pouco. A felicidade não engraçara com ela, talvez por ser feia. Feia não era. Até era muito bonita por fora, o que não acontecia por dentro. Tinha sempre a alma do avesso e os sentimentos fora do corpo. Nunca atravessava a rua pela passadeira, entrava nas portas sempre às arrecuas e não beijava o Senhor na visita do compasso. Puxava o manto do Senhor dos passos na procissão da Paixão e fazia caretas às zeladoras do Coração de Jesus. Assistia à missa de costas para o padre. Não rezava nem comungava. A bruxa já havia dito que algum mau-olhado caíra sobre ela quando era criança ou que o diabo lhe cravara as garras na gola do casaco. [Read more…]
Quem por ali passe nem repara no MINITITANIC, nem se apercebe da vida que ele foi. Um pequeno barco de quatro ou cinco metros, já gasto, assente na margem lodosa do rio, a um canto de um apodrecido cais, preso não se sabe aonde nem a quê, por uma longa corda cheia de nós. Um barco sem fé nem esperança, isolado do mundo, afastado de todos os seus irmãos, ancorado no tempo, agarrado à memória do lado esquecido da vida. Há muito parado e imóvel, apenas baloiça levemente à flor da água quando a maré lhe entra sorrateiramente por baixo, afagando o casco de cores já mortas, num beijo de saudade como que a dizer, anda, desprende-te, vem comigo até ao infinito. Um barco muito triste, quando a maré se vai e o deixa de novo pousado na areia negra e suja. [Read more…]
Não me dês um título entre este rígido corpo e o cosmos.
Deixa-me o traço fino deste constrangedor aperto entre o que
sou e o que não sou.
Se fores capaz de me abrir estes braços cruzados entre o ser
e não ser não me importa que me vejam
o rosto. [Read more…]
Olho as folhas caídas na espiral de espinhos e flores e água sem regresso.
Minha voz de gravador que outros ouvem só eu não tem milhões de segundos num segundo que já foi meu.
Sonho de amor invisível e ateu.
Pela escada fantasma do falso destino destino essencial quem subia ou descia afinal…era eu. [Read more…]
Há muitos anos, João andava na Faculdade. Encontrava-se no velho Café a estudar umas coisas de embriologia, a estúpida abordagem da embriologia de então, que nada tem a ver com as maravilhosas lições de Richard Dawkins. Estava sentado numa daquelas pequenas mesas quadradas, mesmo junto à porta. [Read more…]
Tu vens
eu acredito que vens
neste céu de cabelos soltos
e seios ao vento
nesta fome de corpo e pensamento. [Read more…]
A Isabel nunca andara na Faculdade, para falar tão bem nas traseiras do sentimento, mas foi criada de servir em Bissau, o que, numa aldeia do mato, era um curso superior. Isabel era uma mulher muito bonita, daquelas que são sempre futuro, ainda que a pele se engelhe. As suas formas afeiçoavam-se aos olhos, mais despindo a existência do que o corpo. Uma espécie de mulher à flor da pele, bem calculada por dentro. Mulheres nascidas de si mesmas, sem vida nos outros. Mulheres de além-desejo, voo de ave, caminhando fora dos passos. Isabel, um torvelinho de tonturas. [Read more…]
A luz do sol era azul…lembro-me como se fosse hoje a luz azul azulava os claustros as caras e o sentir.
Imaterial pálida e fria.
As grandes janelas filtravam a luz azul que entrava dentro de nós como chuva miudinha. [Read more…]
Tinha um nome muito bonito que não vamos revelar. Contentemo-nos em chamar-lhe Linda, que também não é feio. Tinha um ar luminoso, os olhos cheios de sol. Os cabelos douravam como uma auréola o ar límpido do azul do céu à volta da sua cabeça. Abria-se em nós como romã sumarenta. Uma onda transparente de um qualquer mar de inesperado encanto embalava o olhar de quem dela não conseguia desviá-lo. Tinha quarenta anos e um provável cancro do colo do útero. Mas eu não sabia. [Read more…]
(Uma espécie de cólica num momento de indignação)
Deixa-me rir.
Que rumo dar ao que não existe!
A direita aí está, escarrapachada, retinta.
A direita aí está, varrendo para o lixo os restos da democracia.
A direita aí está, abocanhando o prato dos outros.
A direita aí está, cuspindo na Constituição, porque ainda não pôde rasgá-la aos bocadinhos. [Read more…]
Mal a luz do dia beliscou a frincha da janela ele acordou acordou como sempre com pedaços do passado agarrados ao pijama às mãos e aos cabelos.
Sentou-se na beira da cama e um sonolento oh que merda soltou-se da garganta ainda seca do bagaço da véspera quando os pés palparam a falta dos chinelos.
Moldou os passos ao chão de modo a evitar a madeira fria do soalho.
Sobre a cómoda continuava a tristeza à mistura com águas-de-colónia de vários tipos. [Read more…]
A dor vestiu-se de mulher.
A dor vestiu-se de mulher de terra e flores e voou para lá das nuvens onde mora o vento.
A vida é um lugar muito longe lá para as bandas do sonho nas margens do silêncio na arte do encontro – desencontro na alegria de ser triste.
Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós pinta Jordi um rosto de mulher a ocre terra-siena e carmim.
…Que os cabelos e os jardins querem-se soltos e naturais como as aves e as manhãs.
Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.
Bem perto daqui há muito foi sonhada Nostalgia mas ninguém viu a luz vermelha fendendo as águas verdes e a dor já se vestia de terra e flores e a dor já fugia para lá dos montes onde moram mulheres de vento.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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