Exame de Língua Portuguesa do 4º ano

Crato e os conservadores, saudosistas de um passado que não pode voltar, pregaram hoje mais um prego no caixão em que estão a embrulhar a Escola Pública e a Educação em Portugal.

Mais de cem mil alunos realizaram hoje o exame da 4ª classe, agora mais conhecido por Prova Final do 1ºciclo do Ensino Básico (pode consultar a prova em formato pdf: Caderno 1 | Caderno 2 | Critérios.

Sobre a prova haverá certamente gente mais qualificada para comentar, mas há dois aspectos que importa salientar e que são mais um exemplo da ignorância de quem procura gerir estas coisas:

– deslocar as crianças de 9 e 10 para a escola dos grandes é um esforço que não acrescenta nada, não valoriza o processo e que cria desigualdades;

– a desconfiança em relação aos docentes do 1ºciclo – impedidos de vigiar a realização das provas – é um insulto que eu não deixo passar em branco. Talvez o intelectual que decide estas coisas considere que todos os docentes do 1ºciclo são eticamente do seu género, mas, permita-me que lhe sugira que está enganado. Muito enganado, mas do alto da sua ignorância não entende isso, pois não?

 

Alugar uma bicicleta no Porto e ser feliz

Sérgio Marques

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Em 2012, eu e a minha namorada fizemos a inscrição no Biketour que se iria realizar no Porto. Andávamos entusiasmados pois precisávamos de bicicletas para darmos umas voltas .
Estava próximo o evento quando anunciaram o seu cancelamento por falta de verbas que permitissem a segurança necessária à realização da prova. Fomos reembolsados e eu fiquei com a tarefa de adquirir duas bicicletas para as férias de verão. [Read more…]

Síntese

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Electricista, Sindicalista, Economista e Político – Lech Walesa

Raras são as vezes que se tem oportunidade de ouvir um dos homens da luta anti-comunista.

Curioso é, perceber que este mesmo homem que foi o fundador e líder do Solidariedade (organização sindical independente do Partido Comunista da Polónia) apresentou hoje, nas Conferências do Estoril, uma visão antagónica do que temos ouvido nos dias que correm dos Camaradas Portugueses. 

Lech Walesa, que esteve em várias manifestações anti-capitalistas durante o último ano, afirma que é preciso uma reforma do sistema económico Europeu: “Ninguém no seu devido juízo põe em causa a economia de mercado ou a propriedade privada (…) agora estamos numa nova era que exige organizações e estruturas completamente diferentes. Na ditadura a greve era a única solução. Mas agora cabe-nos a nós chegar a um consenso de como introduzir as reformas e medidas necessárias através do debate, para escolher as melhores opções para o desenvolvimento do futuro”. Será esta uma visão antagónica ou progressista do comunismo?

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Manobras de Maio

Viver aqui, no litoral próspero de outros tempos, significa não ter tradição de lutas nem manifestações. Isso era coisa da Marinha Grande, nos mesmos tempos. Aqui não há registos de desfiles de Abril e as comemorações do 1º de Maio em Leiria são há muitos anos participadas pelos mesmos, nem muitos nem poucos, assim-assim, a reboque dos sindicalistas resistentes. E foi por isso que as manifestações de Setembro e Março assumiram tamanha importância, também. Vive aqui a mesma gente, do mesmo país, afinal. Coabitam o mesmo espaço que os empreendedores (ah, os empreendedores!), os empresários, os patrões, num distrito a que Feliciano Barreiras Duarte (o secretário de Estado que emergiu publicamente da luta das portagens no oeste, nos anos 90) caracterizou em livro como “um gigante económico, mas um anão político”.  [Read more…]

Os swaps e a leviandade de críticas insustentáveis.

Tenho ouvido e lido por aí a condenação generalizada do governo de Sócrates, no que respeita ao fecho de contratos de ‘swaps tóxicos’ – parte dos críticos nem sequer estão habilitados a perceber a diferença entre ‘tóxicos ou exóticos’ e os ‘vanilla swaps’ – estes últimos correspondem  a níveis de segurança mais elevados e são utilizados por gestores competentes. Sem os  enjeitar à partida, recorrem ao seu uso, numa óptica prudente de riscos pré-avaliados.

Deprimidos pelo desconhecimento, optam por personalizar a discussão. Segundo os padrões anglo-saxónicos, refugiam-se na subjectividade de acusações gratuitas a este e aquele, furtando-se à objectividade por ignorância, mentira ou motivações sectárias.

O pior de tudo é que, mesmo no plano da subjectividade, distorcem a verdade para atacar adversários e inimigos políticos que, natural e legitimamente detestam, fazendo da inconsciente ignorância uma arma pérfida de dolosa falsidade. [Read more…]

É pr’amanhã

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25 Abril 2013

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De repente há cravos por todo o lado, e até mesmo nas lapelas dos bons fatos dos burocratas da Europa, a nossa Liberdade apropriada por quem hoje no-la tira e nem imagina o que foi esse dia mais feliz da vida de tantos portugueses há 39 anos.

Em Lisboa, caminhando outra vez a tristeza, o povo chora a raiva da impotência, uma senhora deseja a morte dos governantes e alguém remata: “a revolução está perto”. Talvez esteja em Madrid, onde os nossos cravos inspiraram hoje alguns desses seis milhões de desempregados que não têm nada a perder.

Euro evasão fiscal: Hoeness o Depardieu alemão

Controlar míseras centenas de euros dos cidadãos pobres ou remediados é fácil. Negar o direito ao trabalho e a salário mínimo é imperativo para solucionar a crise europeia. Todavia, conjugar esforços da UE com outros países desenvolvidos no sentido da desactivação dos paraísos fiscais e combate das evasões ao fisco de milhões sobre milhões transformou-se em objectivo esquecido, em prateleiras do arquivo morto. Isto, a despeito de reiteradas promessas dos dirigentes do G-20; em especial, lembro os discursos pronunciados em Nice por Obama e pelo anfitrião Sarkozy, em Novembro de 2011.

Os casos multiplicam-se por vários pontos do globo: corrupção, enriquecimento ilícito e incumprimento de obrigações fiscais constituem o prémio de uns; austeridade severa e cega, pobreza e miséria formam a penitência de outros.

À tradicional fuga de capitais – para as 20 sociedades do PSI-20 português até é legal e os autores adquirem o direito a condecorações no 10 de Junho – está a surgir um novo fenómeno. Se necessário, exportam-se os milhões e muda-se de nacionalidade. O Putin é amigo e, se complicar, terá concorrência no negócio.

O antigo internacional de futebol alemão e actual presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, denunciou às autoridades fiscais alemãs a impossibilidade de liquidar milhões de impostos, por ganhos em activos colocados na Suíça – fala-se de 20 milhões. O eixo franco-alemão, mesmo neste domínio, está funcionar em sintonia. Diz-se até que Hoeness é o Depardieu em versão germânica. [Read more…]

Passos Coelho a Nobel da Economia?

41798_65198417291_7710_nMuito se tem dito, e escrito, acerca das opções de política financeira e económica do 1º ministro Passos Coelho, alguns elogiando outros denegrindo. A meu ver, todos estão errados.

É comum, entre as mentes menos esclarecidas, aceitar de forma acrítica ou rejeitar sem fundamento, as teorias verdadeiramente revolucionárias e que representam um vigoroso salto em frente no pensamento e conhecimento humanos. E Passos está a ser vítima desse tipo de inércia característico das pessoas vulgares. Vejamos mais detalhadamente as razões que me assistem na formulação de tão categórica asserção.

Começo por esclarecer os mais cépticos sobre as razões que me têm tolhido o verbo na análise dos aspectos macro-económicos da crise que afecta a zona Euro, em particular, e a União Europeia, em geral. Tal facto deriva apenas do “encolhimento”dos meus rendimentos – assoberbado pelas necessidades do dia a dia, as minhas atenções têm recaído sobre questões cada vez mais pequenas, isto é, micro económicas, como a renda da casa, a alimentação, a conta da farmácia, etc.. [Read more…]

O Tó da Farmácia partiu

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O Tó da Farmácia deu, ontem, entrada na sua última morada. Tinha 51 anos, e o caranguejo da morte abocanhou-lhe o pâncreas, chupou-o até ao osso e entregou-o à família para um último adeus, com aquele ar de cera que anuncia a passagem.

Um simples telefonema, uma mensagem, e a notícia era, então, definitiva para todo o clã: o Tó, o mais certinho de todos, tinha hora marcada numa capela mortuária, na mesma igreja que quase todos havíamos frequentado.

Eu era mais velho, 10 anos naquele tempo que eternidade, tinha quarto alugado na casa de um deles, estudava e trabalhava. Olhavam-me de soslaio, era um velho. No regresso das aulas, na Praça, lá estavam eles, a jogar à bola com os bancos por balizas, a preparar a última estória para memória futura, a aprenderem o primeiro sabor do cigarro. No mesmo sítio, onde, mais tarde, se iniciaram nos drunfes com cerveja, na ganza, no chuto. Outros que não. Ficava por ali um pouco, lançando olhares às sopeiras, titubeando uns piropos, naquela aprendizagem que todos fazíamos no jardim público ao pé de casa. [Read more…]

Isto é o que se chama gastar demasiada cera com tão ruim defunto

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Começou por ser Ministra da Educação. Durante o seu mandato, acabou com o leite grátis para as crianças dos 7 aos 11 anos e limitou-o a um terço de um copo às crianças mais pequenas. Para além disso, fechou mais de 3 mil escolas especializadas em determinado tipo de ensino, transformando-as em escolas de ensino regular. Acabou com todo o tipo de regulamentação das ementas escolares, abrindo caminho à fast food e ao tipo de alimentação que hoje domina as escolas inglesas.
Num acto de traição e deslealdade para quem a nomeara, Edward Heath, chegou ao poder do Partido Conservador. Ao mesmo tempo que frequentava o Instituto de Assuntos Económicos, ia formando um conjunto de ideias de clara oposição ao Estado Social, ideias essas que não tardou a pôr em prática quando se tornou primeira-ministra em 1979. Uma eleição que ganhou porque, entre outros factores, conseguiu captar um número maciço de votos provenientes da Frente Nacional Britânica, Partido racista de extrema-direita que, a partir daí, praticamente se diluíu no Partido Conservador, passando de 190 mil votos em 1979 para 23 mil em 1983.
Não por acaso, 2 meses depois de ser eleita começava a pôr em causa aquilo que via como o excesso de imigrantes asiáticos em Inglaterra. Como principais medidas dos seus Governos, temos [Read more…]

Energúmenos da mentira

Ao ler a notícia da TSF “Sofia Galvão: «Temo que não seja possível manter educação gratuita»” veio-me à memória uma história batida, a da falta de honestidade na construção argumentativa. Nada que existe no estado é gratuito, parecendo necessário lembrar à senhora Sofia Galvão que a educação não é gratuita. Talvez, com uma comparação mais terra a terra, ela perceba. Alguém que lhe diga que, tal como o ordenado dela sai dos impostos que pagamos, também a educação é paga com esses mesmos impostos.

Esses que vêm com a conversa da impossibilidade de continuar o serviço gratuito na educação, ou em que área for, querem, na verdade, selectivamente aumentar os impostos e, simultaneamente, tornar mais competitivas as alternativas disponíveis no privado. Que é como quem diz, arranjar negócio aos amigos.

Mas fazem-no com dissimulação e mentindo, atributos de gente de fraco carácter. Terem subido na vida o suficiente para conduzirem o destino de um povo diz muito sobre o ponto a que chegámos e sobre o povo que os escolheu.

Valboni, Gondomar

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Já lá dizia o meu tio: Valbom, Paris e Londres.

Troviscal oferece emprego a Relvas

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A Junta de Freguesia do Troviscal fez notícia: ofereceu ao desempregado Relvas um lugar nos seus quadros de pessoal. Precário, mas emprego.

O Troviscal é terra de tradições republicanas numa zona que nem por isso. Tem  a sua Banda Filarmónica, herdeira de outra que chegou a ser excomungada pelo Bispo de Coimbra, num episódio que ali me foi contado, perdi os detalhes porque é gente de bem receber, mas passa pelas festas da Rainha Santa em Coimbra e tem um final delicioso: mandam avançar a autoridade para os fazer calar e prender o maestro, e este responde com a arma que tem à mão: tocam o Hino Nacional e lá tiveram as forças da ordem de se colocarem em sentido.

Voltando ao Relvas: devem estar a pensar que aquilo é gente de esquerda. A Assembleia de Freguesia tem 5 eleitos pelo CDS e 4 pelo PSD, como é natural num concelho onde o PS é um partido de extrema-esquerda (sei do que falo, ali vivi).

É nestas alturas que se confirma: temos um governo que não governa, tenta um golpe de estado, e no fundo já nem existe.

Então e as Crianças?

unicef2Sou doador regular da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Dentro dos condicionalismos financeiros com que vivo, é evidente.

A sensibilidade à pobreza e ao sofrimento infantil vêm desde a ‘primária’. Frequentei a Escola 15 de Lisboa. Parte significativa dos alunos apresentava-se sempre descalça, esfarrapada e esfomeada. Viviam nessa autêntica favela à portuguesa, chamada então ‘Quinta dos Peixinhos’. Em parte dos terrenos, foi construída a Escola Patrício Prazeres.

Anos mais tarde, a vida profissional forçou-me a visitar diversas regiões de África. O escabroso cenário de miséria, sobretudo fome e mortalidade infantil, percorri-o vastamente. Do Mali a Moçambique.

Todavia, foi no Huambo, Angola, que em 1992 me deparei com as cenas mais trágicas de vida infantil. Meninos, nus ou de camisola branca tingida de uma espécie de tela de empedrenida sujidade, vagueavam pelas ruas e bebiam águas de poças. Como os cães dos pobres ou desprezados; sim, porque os cães dos ricos alimentam-se de ‘Royal Canin’, ‘gourmets’ de diversas variedades e ainda são mimados com certas guloseimas. [Read more…]

O síndroma Egas Moniz

Sempre me inquietou aquela ilustração dos antigos livros de História em que o fidalgo, com a mulher e os filhos, descalços e de baraço ao pescoço, se davam à morte na frente do Rei de Leão e Castela.
Se o Afonso Henriques rasgou o memorando, desculpem, marimbou no acordo feito porque tinha mais que ser, se estavam sitiados e quase mortos de fome tinham de prometer qualquer coisinha e nessas alturas promete-se tudo e mais alguma coisa e quem nunca o fez pode-se dar por feliz, e entrou por Galiza adentro, ele lá sabia o que estava a fazer, e se até um antigo presidente da assembleia geral da ONU já disse que os acordos entre Estados, ou condados ou lá o que nós éramos, ou ainda somos, não têm de ser cumpridos porque, infelizmente, a maior parte deles nunca passa de letra de forma, não pode ser desonra para um homem de estado dar o dito por não dito mas se o Egas se sentiu incomodado então que fosse sozinho e deixasse a mulher e as crianças em paz.
Essa é a parte que me chateia, o gajo levou a mulher e os filhos para pagarem por um suposto erro dele e de certeza, ou quase, que não lhes pediu a opinião: Vamos lá que se eu estou lixado vocês vão estar comigo que o meu senhor vai ter de perceber que sou um homem de palavra e sacrifico os meus por ela sem levantar armas ou tentar defendê-los. [Read more…]

Bom dia, Mark Twain!

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Hoje, acordei com Mark Twain a bater na janela dos pensamentos, como a pedir-me para ter juízo. Podia ser pior!

Não sei se foi pela raiva que começa a instalar-se nos comentadores políticos. Então, na dúvida, leio: A raiva é um ácido que danifica mais o recipiente em que está armazenado do que a superfície sobre a qual é lançado.

Não sei se foi por estar farto deles, e deveria calar-me.

Na dúvida, ainda, retenho: É melhor ficar calado e ser considerado tolo do que abrir a boca e dissipar todas as dúvidas. [Read more…]

Nêsperas

Enredados no embrulho dos dias, tendemos a esquecer-nos que existem coisas verdadeiramente importantes que nos parecem menores.

Mas não, nem menores, nem dispensáveis, bem pelo contrário. A nespereira que tenho no quintal está vergada sob o peso delicioso das nêsperas. Eu vou-as comendo com parcimónia, apenas porque não consigo resistir-lhes. É que gosto mesmo, mesmo, quando começam a enrugar ligeiramente e a enegrecer suavemente por fora. Então sim, é estender a mão, descascá-las e comê-las imediatamente, ali mesmo, debaixo da árvore.

Menores? Neste caso as menores são as melhores, mais doces e com os perfumes mais concentrados. Sabem que mais? Que se lixe a Troika, diria Pessoa, se tivesse conhecido a nespereira do meu quintal, e acrescentaria:

Come nêsperas, pequena;
Come nêsperas!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão nêsperas.

E eu, que não o deixaria sozinho a acabar-me as nêsperas do quintal, responderia com a boca cheia, cuspindo caroços:

-No tempo delas, Fernando, no tempo delas!

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Demitam-se incompetentes!

Apesar da fuga dos ratos, a jangada continua a ir ao fundo e desta vez o tiro foi mandado pelo porta-aviões, isto é, pelo Tribunal Constitucional. Confesso que me agrada a derrota dos meus inimigos, ainda que isso esteja longe de significar a minha vitória. E, também por isso, não vou a correr marcar as minhas férias, porque esta gente, que está a ver o chão a fugir, é capaz de tudo.

O Aventar tem sido exemplar no exercício do serviço público de informação na tradução de documentos importantes, mas creio que desta vez, não teremos grandes possibilidades de sucesso com uma tradução para português- fui dar uma voltinha pelo Acórdão do TC e …  [Read more…]

A chinesa que “leu” Pepetela

Em “Crónicas com fundo de guerra”, Pepetela escreveu:

“Aborrece-me que Deus não nos permita viver um acontecimento como a morte senão uma única vez – e ainda por cima sem direito a ensaios”.

Então Jang Zia “leu”, ensaiou e experimentou!

“Apercebi-me de que as pessoas gastam imenso tempo a pensar em alguém que já faleceu. Quis perceber o que as pessoas pensavam de mim então decidi simular o meu funeral enquanto o posso aproveitar”.

Para concluir:

“Experienciar a morte fez-me apreciar mais a vida”.

Pobre Relvas

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Uma vida dedicada à carreira. Uma carreira apontada a um cargo importante num governo abrindo portas aos negócios. Inventou um candidato a primeiro-ministro. Com Marco António Costa precipitou uma ida ao pote na altura mais ingovernável possível.

E, suprema ironia, filado por uma licenciatura-brinde investigada por um jornal  tido por improvável, transforma-se na maior fonte de dichotes populares desde o falecido Velhinho Pateta (vulgo Américo Tomás), com a chatice de em democracia e em rede se multiplicarem rumo ao infinito, reduzido àquilo que sempre foi: um ícone da vida política jotinha, gente sem escrúpulos, símbolo máximo da decadência da II República.

Também vou ter saudades deste asno, que me perdoem os equídeos.

O romance do Raposo

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Henrique Raposo irá, decerto, propor, numa próxima revisão constitucional que a realidade, a crise e a bancarrota passem a ser consideradas extremamente constitucionais e que as pensões e os direitos adquiridos, devido ao seu “peso brutal”, sejam declarados inconstitucionalíssimos. Enquanto tal não acontecer, o mesmo cronista não hesitará em declarar inconstitucional a própria Constituição, o que, a ser confirmado pelo Tribunal Constitucional, será facto inédito num Estado de Direito.

No fundo, Henrique Raposo acaba por repensar o aforismo “A lei é dura, mas é lei”. Para ele, a lei não é suficientemente dura, inferindo-se, portanto, que não pode ser lei. Para o corajoso cronista, a Constituição é, portanto, mole. Ergo, a Constituição é inconstitucional.

Para Raposo, só quando for possível limpar a Constituição das molezas que a afectam será possível resolver a crise, a bancarrota e a realidade, porque todas as três são consequências dos “tais “direitos adquiridos” de partes da população”, direitos esses tornados intocáveis por uma lei praticamente ilegal. [Read more…]

Adivinha quem voltou?

ImagemO Arunca, em todo o seu esplendor das lamas, reapareceu hoje em Pombal e por aí fora, como sempre acontece em tempo de grandes chuvadas. É uma espécie de benção para aqueles que farejam as águas a galgarem e as margens, a alagarem estradas,a ensoparem terrenos de cultivo. Que melhor espectáculo para um domingo de Páscoa que aquele, de ver o poder das águas côr-de-lama? Hum?

Desta vez o espectáculo aconteceu no Parque Verde do Açude, vulgo corredor ribeirinho, uma obra que demorou décadas a concretizar e que ainda não completou um ano de inauguração. Foi o primeiro grande teste. Dizem os entendidos (aprendizes de iluminados e pseudo-intelectuais) que não podemos impedir a força da natureza, mas devemos prevenir para não remediar. E há (havia) cuidados a ter em conta.  Ou então não. Ou então isto chama-se planeamento e visão estratégica, pois que o passeio ribeirinho se transformou em passeio marítimo. Venham as docas, antes das eleições, vá…

O Zé é a pitança do momento

Sempre manifestei reprovação em relação à maioria das políticas de Sócrates. Contudo, recuso liminarmente colocar no regressado emigrante de luxo  as integrais responsabilidades pela situação a que o País chegou.

A nível interno, existem outros co-autores do desastre. Cavaco, fundador do ciclo das PPP, e Guterres foram dos mais responsáveis. Dispuseram de abundantes fundos comunitários, a maior parte desperdiçada em obras de fachada (CCB, Expo 98, Mercados Abastecedores, pontes, viadutos e autoestradas); fundos de tal monta que, diga-se, qualquer PM jamais desfrutou posteriormente. Barroso, outro PM refractário, da aquisição dos submarinos alemães, aos contratos das ‘Pandur’  (Paulo Portas sabe disso muito, muito mais do que eu) deixou o Estado com défice de 3% em 2004; mas, logo de seguida, em 2005, o governo do generoso Santana Lopes permitiu que o défice disparasse para 6%. [Read more…]

Zona Euro, o frenético desatino

Por imperativos de ordem familiar, mas profissionais, lembro-me do relato de comportamentos de doentes mentais hospitalizados. Um dos que me ocorre é o desassossego intenso e colectivo, despoletado subitamente por um único dos internados – na altura seriam no mínimo 40, por enfermaria.

Toda aquela gente é atacada por violenta perturbação. Os incidentes fundavam-se, é evidente, em razões patológicas mentais: o grupo era, pois, atormentado a partir de um pesadelo, de alguém que gritava, gesticulava, ofendia e chegava a agredir os companheiros, incluindo os enfermeiros e outros profissionais.

Tudo isto vem a propósito das declarações de Jeroen Dijsselbloem, novo presidente do Eurogrupo, ao assegurar que ‘o modelo aplicado em Chipre de confisco de 30 a 40% de depósitos acima dos 100.000 se tornará regra para outros países com bancos em situações semelhantes’ – a D. Merkel para escaldar a polémica, e em clara defesa dos investidores alemães, valeu-se do argumento de falsa solidariedade com os contribuintes… enfim, disparates e desconchavadas justificações mal sintonizadas. [Read more…]

O mais perigoso dos Euro-loucos & Cia.

três loucos

Holandês louco e burro

Jeroen Dijsselbloem, holandês na figura ladeado por Lagarde e Oli Rhen, depois de aprovada a operação de resgate do Chipre, garantiu:

O programa de emergência acordado para Chipre, segunda-feira, representa um novo modelo para a resolução de problemas de bancos da Zona Euro e de outros países que possam ter de reestruturar o sector bancário…

Consiste em penalizar com o corte de 30% os depósitos de valor acima dos 100.000 euros  – estima-se que 37% dos depositantes afectados sejam russos; porém, não devem ignorar-se que, no Chipre, existem cerca de 70.000 residentes britânicos, permanentes, intermitentes ou fictícios, assim como cidadãos de outras origens – espanhóis, italianos ou mesmo portugueses.

Não é despiciendo que, entre os visados, existam muitos cidadãos cipriotas que, com poupanças de 110.000 ou 120.000 euros, por exemplo, sofrerão substanciais reduções nas poupanças, no momento em que o Chipre entrará, fatalmente, em crescente e profunda recessão. Nada garante que, nos impactos desta e das habituais medidas da ‘troika’, haja reformados que, além do confisco da poupança, venham a ser atingidos por cortes de prestações sociais – pensões, reformas e outros subsídios. [Read more…]

dodo…dede….

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Desculpe, foi você quem pediu para ficar de cócoras?

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Ponto prévio: nunca despi um(a) polícia nem o(a) pus de cócoras. Desconheço, por isso, que pena teria de cumprir se o fizesse.

Outro ponto prévio: já andei pendurado em eléctricos. Felizmente, não nas Mercês, por isso, nunca nenhum(a) polícia me despiu ou pôs de cócoras. Desafio, aliás, qualquer dos meus pares a jurar que nunca andou pendurado em eléctricos, ou, pelo menos, não teve essa tentação, que não concretizou por medo, apenas… [Read more…]

Croniquetas de Maputo: o mercado de Xipamanine

A última destas croniquetas,
dedicada à Carla Romualdo
que me “encomendou” umas crónicas
 
“Mas ele aprendera a espalhar na sua alma o remédio do há-de vir. E  consolava-se:
-A farinha há-de-me visitar, eu sei”
Mia Couto em Vozes Anoitecidas
Mafura

Mafura

À medida que nos aproximamos de Xipamanine começamos a ter um prenúncio do que vamos encontrar. Filas de jipes, chapas, algumas carroças, todos procurando circular ao mesmo tempo, procurando vantagem no trânsito, enfiando-se por espaços livres minúsculos, travagens, buzinadelas, saudações de carro para carro, pedaços de conversas desgarradas, impropérios a transeuntes, algumas altercações e quezílias entre condutores que, na ânsia de passar primeiro, engarrafam o tráfego e obrigam a manobras de delicada geometria. O povo moçambicano, cortês, simpático e, sobretudo, muito paciente é pouco dado ao insulto e a palavras fortes. [Read more…]