
Um brinde às actividades da GALP em Cabo Delgado. A nossa energia cria distopia…

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.
A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, esclareceu a AHRESP que no período da Páscoa – considerado o arranque da época turística – só os cidadãos que não tenham residência no país e sejam “forçados a circular por vários concelhos” de forma a poderem chegar aos hotéis são a exceção à regra que restringe as deslocações, à semelhança do que foi adotado no período de 30 de outubro a 3 de novembro.
Os portugueses com residência no território ficarão no período da Páscoa impedidos de circular entre concelhos, mesmo que seja com a finalidade de ficar num hotel, mantendo-se a norma de permitir “deslocações de cidadãos não residentes em território nacional continental para locais de permanência comprovada”, como é o caso dos alojamentos turísticos. O objetivo é o de “evitar a transmissão da doença covid-19, caso contrário estaríamos a desvirtuar o objetivo da norma”, especificou Rita Marques à AHRESP.
Mas tal não se aplica aos portugueses residentes que tenham de fazer deslocações ao aeroporto com o fim de realizar viagens para as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. [Expresso]
A propaganda nunca teve por base a racionalidade. O objectivo, senhora Rita Marques, é claro, se bem que distinto no anunciado. O que em Dezembro foi permitido, porque sim, agora é proibido, porque sim.
“Em Memória de pessoas que tão vilipendiadas foram, durante muitos anos, pelo escol brutal do passadismo, daqui subscrevemos o apelo: não vos mataram, semearam-vos!” – assim dita a carta aberta que hoje assinala os 45 anos do atentado que vitimou o Padre Max e uma sua aluna, Maria de Lurdes, e que junta mais de 300 subscritores.
Dois de Abril de mil novecentos e setenta e seis.
Há quarenta e cinco anos o Padre Max e Maria de Lurdes, sua aluna, caíam às mãos do terrorismo da extrema-direita. Maximiano Barbosa de Sousa, padre de Vila Real, nascido em 1943, começou o seu percurso político-social em França, onde se imbuiu do espírito que deu origem à Revolução de Maio de ’68, tendo sido influenciado pelos ideais que daí resultaram.
Com o objectivo de ajudar os mais desfavorecidos, Maximiano de Sousa decidiu-se, então, por uma carreira no Clero, tendo sido colaborador da Acção Católica Portuguesa. Conhecido como Padre Max, querido entre os seus pares e fiéis, fixa-se em Vila Real. Acaba por exercer a docência em liceus em Lisboa e Setúbal. Ciente da situação política em Portugal, onde grassava uma ditadura fascista liderada por António de Oliveira Salazar, e consciente dos valores que tinha adquirido em França, Max inicia por consciencializar muitas das pessoas que passavam pela sua igreja, tentando levá-las para a luta anti-fascista, acabando, por diversas vezes, preso às mãos do Estado Novo. [Read more…]

O mês de Março vai ficar para a história recente do Aventar. No conjunto leitores/ouvintes, o blogue ultrapassou os 81 mil leitores e ouvintes num só mês, números que já não se viam há muitos anos e que confirmam uma tendência de crescimento verificada desde o último trimestre de 2020. E a estes valores não foram incluídas nem as visualizações nem as estatísticas das nossas páginas nas redes sociais (onde se destaca o Twitter com uma subida consistente nos últimos meses).
A criação do PodAventar, o podcast do blogue Aventar, ajudou e muito a estes números que fazem lembrar os tempos áureos da blogosfera portuguesa. Sem esquecer a chegada de novos membros a esta equipa que continua, 12 anos depois, a renovar-se. Contudo, existe outra razão para este crescimento: a blogosfera enquanto espaço de Liberdade. Aqui (WordPress) o senhor Zucker ainda não consegue introduzir a censura. Aqui (Aventar) todos os autores são livres de escrever o que lhes apetece. Como não estamos sozinhos na blogosfera, nem ela está morta, sabemos que existe um novo fenómeno de regresso de alguns antigos bloggers à blogosfera portuguesa. O que mais nos alegra é ver uma nova geração a chegar. A geração dos nascidos depois de 1990. Cheios de curiosidade. Cheios de vontade. Com uma força tremenda. O Aventar pode orgulhar-se de ser o primeiro dos “velhinhos” a receber essa nova geração e a criar essa mistura de gerações. Sempre com uma regra: Liberdade. Liberdade de expressão. Liberdade de pensamento.
A todos os nossos leitores o devido e sentido: Obrigado.
Holodomor para aqui, Holodomor para ali, Inês Melo Sampaio, Jurista na Comissão Europeia, disse isto:

E muito bem. Temos de ter prioridades e o combate à pandemia é uma delas. Não, espera, afinal…

Mais rapidamente se apanha um fanático do que um coxo.
Retóricas novilinguísticas sobre socialismos e liberalismos à parte, o caso da concessão das barragens no rio Douro pela EDP à Engie é um daqueles sinais, por demais evidentes, de um longo historial de vassalagem do Estado aos mais poderosos interesses privados. Este negócio, que remonta a 2019, traduziu-se numa venda na ordem dos 2.200.000.000€, estando sujeito ao pagamento de Imposto de Selo de 5% do valor total da transacção, os tais 110 milhões de euros de que tanto temos ouvido falar nos telejornais.
No ano seguinte, estávamos nós já demasiadamente ocupados com vírus e outras pandemias, o governo decide alterar o artigo 60 do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) alargando a isenção do Imposto de Selo a qualquer estabelecimento comercial, industrial ou agrícola que esteja abrangido por operações de reestruturação. E o que fez a EDP? Reestruturou-se.

Abomino o PAN e o seu dirigente, o não sei quantos que nem me quero lembrar do nome do artista. O fulano é, apenas por caprichos pessoais, contra praticas que eu aprecio e que acho fundamentais para o quotidiano dos homens com sítio, como sejam os toiros de morte, a caça, a pesca, o arroz de lampreia e outros prazeres da comida, tudo peças fundamentais ligadas à vida dos seres do mundo rural, desde há milhares de anos. E eu, sinto-me pertencendo a esse mundo e a essa cultura da terra e à sua rudeza simples e bela. A caça e a pesca são talvez as primeiras actividades que o ser humano praticou, e são hoje eventualmente a última ligação que temos à nossa génese ancestral de seres nómadas. Os toiros bravos foram talvez dos primeiro actos de diversão e desafio colocados ao homem errante. Caçar qualquer das outras espécies existentes teve dificuldades que foram ultrapassadas com mestria. Conseguir chegar próximo de um Uro ou Auroque (Bos Primigenius) era outra conversa, porque eram naturalmente agressivos e tinham um elevado sentido de marcação do seu território. Ao sentir o seu espaço invadido, o animal ataca para matar. Apesar de herbívoro é o único animal que tem este instinto de atacar em vez de fugir, mesmo que seja castigado. Este comportamento agressivo e nobre é um desafio à inteligência do ser humano. O Auroque acompanhou o homem no seu percurso desde Africa até à Europa. Terá tido origem na Mesopotâmia e acompanhou e evolução do homem de nómada a sedentário e ter-se-á extinguido no século XVII, no bosque Jaktorowka (Polónia) onde se diz que foi caçado o último exemplar. Folgar com um exemplar destes, até o conseguir cansar e finalmente abater, requeria mais que inteligência. Requeria arte e saber, factores que vieram a dar origem à tauromaquia como a conhecemos hoje em dia. Antes de extinto, o auroque deu origem aos encastes dos actuais touros bravos, originários de Espanha, França e Portugal (Castas Navarra, Morucha Castelhana, Jijona, Cabrera, Vazqueña, Vistahermosa, Camarguesa e Portuguesa).
Todas estas peças de cultura são praticas saudáveis, quer física quer mentalmente, e são depositárias de estética e de ética. Hoje em dia têm importância acrescida em novos contextos, desde o social ao económico, e no caso da caça, ao equilíbrio ecológico e ao controle das espécies cinegéticas, garante da saúde destas espécies, quase todas em vias de extinção, pela influência nefasta das práticas do homem da cidade.
Pois este artista não “concorda” com a vida dos homens do campo, porque é um ignorante da realidade que por cá se vive, tal como não percebe nem sabe o que é um campo em poisio, ou em relvas, ou dobrado, ou um alqueve, não os distinguindo de uma pastagem, ou de um matagal. Uma coisa, que está na sua liberdade individual, é ele, por desconhecimento, não gostar de algumas praticas correntes da vida no campo, por razões apenas estéticas ou sensoriais. Outra coisa é ele pretender, por se considerar um ser superior e missionário da sua cultura urbana, impor a sua disparatada ideia de idiota citadino, por ignorância do que é a vida no campo, porque nunca teve um galinheiro, um enxurdeiro ou uma coelheira no quintal. Por essa razão, não pode arrogar-se a impor os seus conceitos, por lei, achando ainda por cima que está a fazer um favor aos trogloditas dos atrasados dos camponeses. Foi isto que fizeram os civilizados povoadores da América, ao querer “educar” os Índios, acabando com a sua imensa cultura, os seus campos de caça, a sua vida e organização tribal, por acharem que não eram suficientemente sociáveis. Os resultados ainda hoje são visíveis.
Todo o namoro acaba, ou em união ou em separação. A primeira fase de namoro terminou com os incêndios de Pedrógão, com António Costa a ceder a Marcelo Rebelo de Sousa.

O namoro continuou, com menor fulgor, é certo, mas unidos e apoiantes um do outro publicamente, até ao primeiro Estado de Emergência em Março de 2020 – Costa considerava-o desnecessário. Não era, porque o Estado não dispunha de outra moldura jurídica que sustentasse as medidas impostas aos cidadãos, nomeadamente a perda de direitos e liberdades, bem como a de garantias conferido pela Constituição. Em boa verdade, é difícil de compreender que um ano passou sem que qualquer deputado ou bancada parlamentar apresentasse um projecto de lei aplicável em caso de pandemias que evitasse o recurso ao Estado de Emergência, que deveria ser usado em casos extremos de catástrofes naturais, terrorismo ou de guerra. Não, a Assembleia da República nada fez nesse sentido, nem os que votam a favor nem os que foram contra e os que se abstêm relativamente aos sucessivos Decretos de Estado de Emergência.
Costa foi cedendo sempre a Marcelo, resignando-se [Read more…]

Aqui há uns tempos ouvi falar de um livro que tinha sido publicado sobre a blogosfera portuguesa. Obviamente, enquanto velho blogger português e que escreve num dos mais antigos blogues portugueses, fiquei curioso. Como vivo fora de Portugal perguntei a alguns amigos se já o tinham comprado e lido. Não foi fácil. Até que um deles me disse: “esquece, não vale a pena”. Nestas coisas sou um curioso e teimei. Até que esse amigo me enviou isto:

Quando li este pequeno naco compreendi. Com que então, citando: “…só chegou à blogosfera em 2017, quando já quase toda a gente tinha ido embora”. Fiquei esclarecido. O autor, Sérgio Barreto Costa, cumpriu uma espécie de norma muito portuguesa, o “ouvi dizer”. Como aqueles “orçamentistas” que param para ver um acidente na estrada e explicam o acontecido terminando com um “eu, a bem dizer, não vi pois cheguei no fim mas uma senhora que viu tudo contou-me”. Agora compreendo duas coisas: o porquê de alguns velhos bloggers portugueses terem passado ao lado da obra e, mais importante, a sentença do autor quanto à blogosfera portuguesa: “morreu”.
Ora, para “cagar sentenças” é preciso ter alguma arte, um mínimo de conhecimentos e, também, um pouco de sorte. Se quanto às duas primeiras me abstenho (não vi o acidente), já quanto à terceira posso afirmar que a sorte não esteve com Sérgio Barreto Costa. Então a blogosfera morreu? Como se explica tal quando as audiências do Aventar, por exemplo, duplicaram nos últimos meses (efeito pandemia?). Como explicar o facto de “velhos” bloggers estarem a regressar aos seus blogues colectivos? Como explicar a vitalidade de vários clássicos da nossa blogosfera (apenas vou citar três: O Meu Quintal, Blasfémias e Insurgente)? É o problema de falar sobre o que não se conhece. Um desporto com muitos praticantes em Portugal.
Em conclusão, o autor da obra sonhou umas coisas, uns bacanos sopraram-lhe outras, os amigos forneceram uns bitaites e a coisa fez-se. Até podia ser mentira de 1 de Abril. Infelizmente, não é. É o que temos, ou, citando um outro blogger, “isto não dá para mais”.
Hoje é dia da mentira. É dia de dizer que o PS é de centro-direita, é dia de culpar o neoliberalismo pelo mal do nosso país, é dia de dizer que não vivemos afogados em impostos… Infelizmente, temos uma esquerda não-PS que constantemente abana estes fantasmas para que não se suje a sua pureza ideológica de igualdade e dos amanhãs que cantam.
Ontem, António Costa “anunciou que vai pedir a fiscalização sucessiva dos diplomas com novos apoios sociais que a oposição aprovou no Parlamento e o Presidente promulgou”. A razão que Costa deu é o facto de ser inconstitucional, pois aumenta a despesa fixada no Orçamento de Estado. Finalmente, temos um primeiro-ministro responsável e que tem um respeito máximo pela Constituição. Se fosse o mesmo PM que tínhamos em Abril de 2020, às tantas, dizia que era para manter os apoios “diga o que disser a Constituição”. Pelo menos foi o que esse disse sobre o confinamento. [Read more…]
…hoje é 1 de Abril mas nem tudo é mentira.

(foto montagem de Axel Soares)
O Tratado da Carta da Energia coloca algemas às medidas de acção climática:

Guardem esta data. O dia em que acabou a lua de mel entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.
António Costa, ao enviar para o Tribunal Constitucional os diplomas sobre o alargamento dos apoios sociais aos trabalhadores independentes e sócios-gerentes, às famílias prejudicadas pelo encerramento das aulas presenciais e aos profissionais de saúde, acaba de contrariar de forma clara e objectiva o Presidente da República (e a vontade da larga maioria dos partidos com assento na Assembleia da República). Ou muito me engano ou começou mais uma daquelas guerras típicas e históricas entre São Bento e Belém. Voltou a política à portuguesa.
Ontem, Cristiano Ronaldo falhou um golo só com o guarda-redes pela frente. Eu, se fosse o árbitro, saía do campo e atirava com o apito.
As medidas para um suposto combate à pandemia estão a enlouquecer os decisores políticos, um pouco por todo o lado. Na vertigem diária dos meios de comunicação com os números de infectados e de falecidos acontece de nos esquecermos de coisas que aconteceram nos dias anteriores. Ainda se lembram daquela reunião de madrugada em que Merkel decidiu uma coisa para nas horas seguintes pedir desculpa e decidir o seu contrário?
Agora foi em Espanha. Aliás, aqui em Espanha as contradições são tantas que era preciso criar um segundo Aventar e temático. A última foi ontem: decidiram que era obrigatório o uso de máscaras nas praias e piscinas. Perante os protestos, hoje decidiram que afinal já não é obrigatório.
Sábado, em Nicosia, centenas de cipriotas manifestaram-se contra as medidas de confinamento impostas no país e exigiram mais apoios do governo para conter a crise económica. Em todas as imagens transmitidas na peça da Euronews, e foram várias, todos os manifestantes – repito: todos os manifestantes – usavam máscaras. E fizeram-se ouvir, tal como a peça na Euronews demonstra.
Concordando ou não com as suas motivações, está é uma manifestação com a qual simpatizei, como simpatizo com qualquer manifestação cujo objectivo seja o de lutar por mais dignidade, liberdades, direitos, garantias ou por qualquer outro reforço da democracia. Porque ela não foi suspensa, mas o respeito pela segurança e pela saúde dos outros não pode ser submetido a devaneios ideológicos extremistas. Como não pode ser submetido a provocações baratas ou chalupices.
Imaginem que eu sou contra o limite de velocidade imposto por lei, contra as coimas aplicadas à condução perigosa ou contra o uso do cinto de segurança. E que eu, e outros palermas de igual categoria, decidimos fazer uma manifestação para acabar com todas estes limitações à nossa liberdade de sermos umas bestas rodoviárias. Isso dá-nos o direito de conduzir como uns loucos até ao local da manif, sem cinto, em excesso de velocidade e a fazer curvas em drift, até ao Rossio, pondo em risco o bem estar dos restantes? É claro que não. E não é preciso ser um rocket scientist para perceber isto.
Ricardo Lima, O Insurgente
Estamos prestes a fazer vinte anos desde que Evan Williams, um jovem empreendedor do Nebraska, cunhou o verbo “to blog”, nos tempos da sua Pyra Labs. A sua plataforma “Blogger”, que pretendia democratizar o weblog, haveria de ser comprada pela Google. Williams não parou. Foi pioneiro dos podcasts e com os recursos deste projecto, que fracassou, funda o Twitter para, segundo quem o conhecia, provar que não era apenas um homem de uma única ideia. Expulso da empresa que ajuda a criar, dá outra cambalhota para criar o cada vez mais popular Medium.
Lançamento da braçadeira.
Por Nuno Gouveia
Parabéns aos resistentes da blogosfera. A começar pelo Aventar, um dos principais blogues do inicio da década passada que ainda se mantém em atividade. E efervescente. Confesso que, como muitos outros, depois de ter deixado de escrever regularmente em blogues também deixei de ser leitor regular dos resistentes, como é o caso do Aventar, mas também de outros como o Delito de Opinião, o Insurgente ou o Blasfémias, só para citar alguns dos mais antigos ainda em actividade. Bem diferente de há 10 anos, quando passava parte do meu tempo livre a escrever e ler blogues. Entre 2008 e 2013 participei em diferentes blogues, como a Revista Atlântico, o 31 da Armada, o Cachimbo de Magritte ou o Era uma vez na América. Isto quando não dava uma “perninha” em blogues de campanhas políticas, como o Jamais ou o Papa Myzena, ou também analisando comunicação política, no “imagens de Campanha” ou até debatendo futebol, um tema eminentemente aborrecido de discutir – não de ver, claro – no Catedral da Luz.
Conforme se pode observar pelo meu “cadastro”, estive vários anos muito activo em blogues, mas a pouco e pouco, fui abandonando este cluster digital. Bem sei que os blogues não desapareceram e alguns até permanecem bem activos e influentes. Mas a novidade foi desaparecendo bem como a capacidade de influenciar o debate público e com a emergência das redes sociais, especialmente do Twitter, outros espaços foram assumindo o significado social que era anteriormente ocupado pelos blogues. Curiosamente, o Twitter em Portugal continua a ter uma particularidade distintiva que caracterizava os blogues nessa fase (e diria que ainda se mantém actual): a sua abrangência reduzida e a forte incidência no mundo político. Nessa altura, quando escrevíamos em blogues, sabíamos perfeitamente que os seus leitores não eram muitos nem que a sua mensagem chegava a muita gente. Mas eram lidos sobretudo na bolha “política”, o que fez com que rapidamente surgissem muitos blogues identificados com um partido ou uma determinada corrente política. O Aventar sempre foi uma das poucas excepções, pois nunca pretendeu fazer parte destas “guerras” (talvez esteja aí uma das razões da sua longevidade), mas a regra eram blogues de direita, de esquerda ou até de facções partidárias. Foi um tempo de grande guerrilha entre esquerda e direita, entre socráticos e não socráticos, onde até direita e esquerda se juntaram para organizar uma manifestação – fez há um mês dez anos da grande* manifestação “Todos pela Liberdade”.
Por Rui Albuquerque, Blogue Blasfémias
Lembro-me, como se fosse hoje, da primeira vez que ouvi a palavra «blog». Da estranheza com que a recebi, ao telefone, do meu interlocutor, com quem falava de outros assuntos e que, de repente, me espetou com uma frase que não tinha para mim qualquer sentido: «Sabes, tenho um blog. Abri um blog com o Carlos Loureiro e o Luís Rocha: o “Mata-Mouros”!». A conversa decorreu numa tarde de início de Verão, e do outro lado da linha estava o Carlos Abreu Amorim, qual Arcanjo Gabriel a anunciar uma boa nova que passou a ser para mim, quase nesse mesmo instante, um vício e uma paixão.
Poucas horas depois do inesperado diálogo, abri, eu mesmo, um «blog», esse estranho alienígena que me acabara de ser apresentado, ao qual dei o nome de «Catalaxia». Pouco tempo depois, com o trio do «Mata-Mouros», e o Gabriel Silva, do «Cidadão Livre», fizemos uma das primeiras (a primeira?) joint-ventures da blogosfera indígena, o «Blasfémias», que foi crescendo com mais autores de outros blogs que ficariam pelo caminho. Éramos todos razoavelmente liberais, fosse o que fosse o liberalismo. Tínhamos uma enorme disponibilidade para pensar, refletir, ler e debater, escrever e entrar em polémicas. E tínhamos quase menos vinte anos do que hoje temos.
Durante boa parte dessas quase duas décadas, a blogosfera tomou conta do país. Subitamente, todos falávamos em blogs. A comunicação social convencional – os jornais e as televisões – foram obrigados a aceitá-los, embora com alguma relutância e um certo temor. Talvez com a exceção do Miguel Sousa Tavares, claro, que, como nos garantiu que jamais usaria a máscara do covid, também nos jurou que nunca leria semelhante coisa, todo o país lia os blogs mais marcantes. Estou absolutamente convencido de que, em ambos os casos, o Miguel Sousa Tavares terá honrado a sua palavra…
As redes de políticos, jornalistas e comentadores apoucam amiúde as redes sociais em todos os espaços mediáticos que lhes pagam ou fazem vénia.
O Aventar está há 12 anos a ouvi-los e a ver os resultados das suas notáveis acções.
Força vozes livres!
O Aventar faz doze anos, o que em idade de blogues é certamente uma idade de respeito. O Aventar é dos tempos em que os blogues serviam para comunicar algo de diferente, informar mais, esclarecer o que se sentia que não tinha lugar nos meios de comunicação tradicionais e não apenas para vender fraldas, cosméticos ou cera para a ponta dos bigodes. É do tempo – e assim se mantém – em que não se entrava numa página tão carregada de publicidade que dá vontade logo de sair, tamanha a dor nos olhos e na alma.
Apesar do aspecto que não hesito em classificar como “clássico” (partilho o gosto por aquele fundo branco), soube adaptar-se aos tempos, espalhando-se pelas redes sociais e até tendo agora – o tempora, o mores! – um podcast de sucesso. Ao contrário de umas teses peregrinas que por aí andam, o Aventar está muito vivo e recomenda-se. Ao contrário de outros blogues que se limitam a sobreviver para dar visibilidade a uns quantos aspirantes a assessores de grupos parlamentares ou governantes, o Aventar existe porque faz sentido em si mesmo. [Read more…]
“Estes gajos do Porto são uns calimeros, sempre a reclamar que são mal tratados pela comunicação social do Al Andalus e tal e coisa”.
Entretanto:

Todos nós conhecemos Francisco Louçã, atual Conselheiro de Estado. Sabemos que tem uma obsessão pelos seus fantasmas neoliberais e que faz parte de uma classe desonesta que tortura a realidade até que ela fique a seu gosto. O próprio Francisco Louçã, que em pouco dignifica o meu bonito nome, teve também momentos infelizes em que tenta colar nomes como Friedman e Hayek a autênticos facínoras, recorrendo a citações totalmente descontextualizadas. Também foi apanhado a mentir sobre a taxa fixa proposta pela Iniciativa Liberal e foi ainda desmascarado por Mário Amorim Lopes numa troca de galhardetes que foi do Expresso ao Observador. [Read more…]
Joe Biden chamou assassino a Vladimir Putin, e logo um coro de virgens ofendidas surgiu a rasgar as vestes, pelos mais variados motivos que vão da vassalagem a Moscovo, que impera no leste da Europa, ao anti-imperialismo estado-unidense, passando pela fábula da diplomacia, inútil contra tiranos totalitários, ou peloa receios de que o Ocidente perca o acesso ao enorme mercado russo.
Putin é um facínora que deve ser sancionado, embargado e isolado. E a cada novo negócio que a Europa ou os EUA fazem com o regime de Moscovo, onde praticamente toda a economia está concentrada nas mãos dos oligarcas UE gravitam em torno do Kremlin e da figura do seu imperador, é mais um prego que se martela no caixão da democracia, mais um milhão que Putin transfere para os seus satélites europeus, mais um passo na legitimação da autocracia, com cada vez mais adeptos no bloco europeu.
Esteve bem, Joe Biden, ao apelidar Vladimir Putin de assassino. Porque é exactamente isso que ele é. Depois de quatro anos de vassalagem bajuladora de Trump, é tempo de chamar os ursos pelo nome e assumir uma posição de ruptura. Enquanto o Ocidente não for capaz de se demarcar deste é de outros regimes, como o chinês ou o Saudita, a democracia continuará a ser um mero eufemismo para o colaboracionismo que nos assiste. Não foi para isto que se derrubou a Cortina de Ferro. Putin é nosso inimigo e é tempo de o começarmos a tratar como tal.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
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