Coletes amarelos: o povo saiu à rua

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A batalha de Paris, que ontem levou a cena o seu quinto acto, não é uma versão moderna da tomada da Bastilha. É a entrada em cena, no núcleo duro da velha Europa ocidental, de uma forma muito particular de terrorismo, que há meses se manifesta ideologicamente em blogues e redes sociais, onde se formou um pequeno exército de indignados que, a meu ver inadvertidamente, serviu de cobertura para que um grupo de profissionais do distúrbio pusessem em marcha uma agenda de destabilização, focada no objectivo final de abater a Democracia como a conhecemos. E de colocar Marine Le Pen no poder.

Mas esse pequeno exército, que nem é tão pequeno como parece, nem se resume aos revolucionários gauleses que tomaram as ruas da capital e das grandes cidades francesas, é muito mais do que um grupo de delinquentes que professa ideologias extremistas. É a manifestação de um povo, cada vez mais consciente da sua condição de financiador das mais fabulosas fortunas do planeta, que assiste, indignado, à galopante precarização das suas condições de vida, perante a indiferença e escárnio da elite que os comanda. [Read more…]

Que nos sirva de exemplo!

ganhou a persistência sindical e a solidariedade entre os trabalhadores das diferentes cidades. 

VIVA, VIVA OS ESTIVADORES!

Neste gélido tempo neoliberal, o acordo alcançado pelos valentes e clarividentes estivadores de Setúbal aquece e enche o coração:

PARABÉNS, VIVA A SOLIDARIEDADE!

Sem saber ler nem escrever

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Trumpalhada, poupem-me de merdas: um presidente não tem que ter 10 mestrados e 4 doutoramentos. Mas ler e escrever são requisitos mínimos. Até para um nacionalista (principalmente para um nacionalista?), a quem o novo politicamente correcto me obriga a chamar conservador. Como o gajo da Arábia Saudita, que manda fatiar jornalistas, mais o Orbán e o Bolsonaro. São todos conservadores e até bastante liberais. Já agora, que raio de nacionalistas são estes, que não respeitam o valor da língua materna? Que falam de tradições e raízes, mas não se dão ao trabalho de escrever correctamente? [Read more…]

Vergonha perdida

deputados Jorge Lacão (PS) e Carlos Peixoto (PSD), que defenderam uma maioria de não magistrados no CSMP (…)

Isto assusta

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou ainda que promulgará a Lei que “cumpra os objetivos que acha fundamentais” ou vetará caso entenda que “não cumpre”. Isto não será ir longe no intervencionismo? Está à vista o que está em causa…

Afinal,

o regime que está podre somos nós. Não, o povo português não está mesmo nada de parabéns. Fazer cara alegre a turistas vale menos do que cuidar da democracia. E livrem-se de darem maioria absoluta ao PS.

Mais uma prenda tóxica

O Parlamento Europeu aprovou ontem em Estrasburgo o Acordo de Parceria Económica entre União Europeia e Japão, o mais importante acordo comercial bilateral jamais celebrado pelo bloco europeu.

Tout court, quase sem direito a notícia nos media nacionais, ignorado pelos partidos e muito mal conhecido por deputados, órgãos municipais e por aí fora. Espertamente, a protecção do investimento (ISDS e afins) que está a ser preparada à parte, foi guardada para outras núpcias, de modo a permitir fazer o cozido exclusivamente a nível europeu. Lição aprendida do CETA, o acordo UE/Canadá.

A fulminante comissária europeia do comércio, Cecilia Malmstrom, promete deals lucrativos às empresas e aos agricultores europeus e anuncia que, “se tudo correr bem, deverá entrar em vigor no dia 1 de Fevereiro “ e que “O acordo não só envia um sinal ao mundo, como é também extremamente avançado no que se refere à abertura dos mercados”.

É abrir até rasgar, na senda da liberalização. É reduzir as regulamentações e restrições governamentais (p. ex., normas laborais ou ambientais) e promover as privatizações. A nível nacional, já se percebeu que esse caminho é insano, não é verdade? Porém, em Bruxelas, comissão, estados-membros e parlamento não querem de todo acordar… é tão fofo o berço aquecidinho dos lobbies.

Veja o presente contaminado que, com mais este acordo de “livre” comércio – anémico no que toca a normas sociais, ecológicas e democráticas – nos é colocado debaixo da árvore natalícia. E brinde à impotência, mas com água – aproveite, enquanto ela não for privatizada pela mão euro-nipónica do JEFTA.

Mais um inefável relatório da OCDE

Santana Castilho*

A análise feita na imprensa sobre o Reviews of School Resouces. Portugal 2018, o último relatório da OCDE, fornece, mais uma vez, uma subliminar informação desfavorável aos professores, assente nos seguintes tópicos:

Retoma do discurso segundo o qual os professores estão bem pagos (a OCDE foi, há meses, confrontada com a discrepância entre registos estatísticos abstractos e a situação concreta, mas não aproveitou este novo documento para se corrigir, favorecendo, assim, o Governo na corrente disputa com os sindicatos).

Tese segundo a qual directores e professores manipulam as necessidades educativas dos alunos para reduzir o tamanho das turmas (tese que apoia os esforços do Governo para impor políticas prioritariamente centradas na redução dos custos).

Lamento por a descentralização (leia-se municipalização) não ter ido mais longe, designadamente acolhendo a contratação e colocação do pessoal docente e a atribuição aos municípios da responsabilidade por todos os assuntos operacionais (tão a propósito para a redução da autonomia das escolas e para a visão do Governo sobre a matéria). [Read more…]

Fisco, um diálogo de surdos

Hoje, o Fisco teve a amabilidade de me enviar spam, num email escrito com assunto capitalizado, gritando

INQUÉRITO (PORTAL DAS FINANÇAS) 2018
bla bla bla bla bla bla e tal
Agradeço, desde já, a sua colaboração a trabalhar de borla, tal como no e-factuara, melhores cumprimentos e tal,
O Subdiretor-Geral
Manuel Gonçalves Cecílio

Não sei se o senhor Cecílio ouviu falar em RGPD. Parece que está relacionado, entre outras coisas, com o uso de dados pessoais para fins não autorizados e com o combate à praga do spam.

Educadamente, respondi que preferia não receber spam, tendo de imediato sido informado que do lado de lá não estão para se chatear a ler emails.

Este endereço não se destina a comunicação com a Autoridade Tributária e Aduaneira.
Solicitamos que enderece a sua mensagem através dos contactos disponibilizados no Portal da Autoridade Tributária e Aduaneira em http://www.portaldasfinancas.gov.pt

Pronto, era só isto. Agora vou voltar ao trabalho, que tenho impostos para pagar.

Salazar e a fábula do homem humilde e incorruptível

S

Já todos ouvimos a fábula. Contam-na lealistas, saudosistas e ermitas do armário, ermitando por vezes no seio de partidos ditos democráticos. Aqueles que, como eu, perdem tempo demais no Facebook, com certeza já se terão cruzado com diferentes montagens, exibindo um Salazar em pose de estadista, acompanhado por dizeres que vão mais ou menos assim: “no tempo dele… blá blá blá… humildade… blá blá… não era corrupto…blá… não se deixava instrumentalizar pelos poderosos…blá blá”.

Há também a outra fábula, aquela do “morreu pobrezinho”, mas essa o Rui Curado da Silva já aqui contou. Foquemo-nos, então, nesta outra forte tendência entre a extrema-direita das catacumbas virtuais, que para além de correr com os emigrantes – ignorando, porque convém, que em 2017 viviam 2,3 milhões de portugueses lá fora, ao passo que aqui vivem actualmente cerca de meio milhão de imigrantes – prender os políticos todos, e de caminho abolir a democracia representativa, castrar quimicamente todos os pedófilos, e se possível a comunidade LGBT, e subtrair uns quantos direitos adquiridos em nome da tradição ou da religião, procura também pregar a velha fábula do homem humilde e incorruptível.

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Cortinas de fumo

Os jogos, ou jogatanas, como diria Jerónimo de Sousa, da dívida pública explicados por Ricardo Cabral. Estado chinês, Eurogrupo, FMI e governo, pela mão do IGCP, num vale tudo com o dinheiro público, o nosso.

Uma poupança de menos de 90 M€ por ano até 2021 e que desaparece completamente após 2024, em contraponto com o compromisso do Governo de manter uma almofada financeira que poderá custar 200 M€ por ano, durante um prazo indefinido, mas que poderá ser longo, não se afigura de facto uma medida de política económica avisada e prudente.

(…)

Esta “almofada financeira” pública [“7900 M€ corresponde a quase 4% da riqueza produzida anualmente em Portugal”], que, faz anos, não há maneira de descer e os resgates obscenos à banca constituem os principais desperdícios de dinheiros públicos do passado recente. [Ricardo Cabral, Público]

A largueza da compatibilidade

que é resultado do tal bocadinho mais acima,  a que Rio se referia. Nas últimas duas legislaturas, a subcomissão de Ética foi chamada a pronunciar-se 52 vezes sobre incompatibilidades e impedimentos de deputados. Nunca encontrou nenhuma.

Que las hay, mostra-se p.ex. aqui. Isto está arreigado. E esses senhores que deveriam dar o exemplo, não estão para tal; pelos vistos, até agora isso não causou mossa. A ver que passa.

Um olho pequenino e outro grandalhão

Mercosul, com a Argentina e o Brasil à cabeça, diz-se empenhado em „fechar“ acordo comercial com a UE. E vice-versa, é mais que sabido, se há coisa que está a funcionar na UE é a “política comercial e de investimento”.  E aqui se vislumbra a cegueira destes governos e desta UE e a manta de retalhos esburacada que andam a produzir – porque ora abrem o olho pequenino e dão passinhos para diminuir as emissões de CO2, ora abrem o grandalhão e promovem a grande vapor exactamente o contrário.

Exemplo:

No âmbito da apresentação do Roteiro para a Neutralidade Carbónica para 2050, o Ministro do Ambiente avançou a intenção de redução da produção nacional de bovinos entre 20% e 50% até 2015. Tanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) como a Confederação dos Agricultores (CAP) de Portugal reagiram:

Para a CAP, esta posição demonstra falta de conhecimento da realidade da agricultura portuguesa e só pode constituir uma intenção isolada do ministério do ambiente no conjunto do governo. Com efeito, a produção de bovinos em Portugal é sobretudo efetuada em regime extensivo, com uma contribuição para os gases com efeito de estufa substancialmente inferior à dos sistemas de produção intensivos praticados em outros países.

Acresce que uma redução da produção de bovinos teria um impacto muito significativo na produção de derivados de leite, queijo, iogurtes, entre outros produtos, os quais iriam também aumentar as importações nacionais e comprometer o nosso crescimento económico.

Para além de tudo isto, é naturalmente questionável, do ponto de vista ambiental, que cada país deixe de produzir o que em seguida irá importar de outros países, com uma pegada ecológica provavelmente superior. No caso da carne em concreto, os grandes produtores mundiais são o Brasil e a Argentina, o que implica um custo e uma pegada ecológica muito considerável só no que concerne ao transporte.”

Ora nem mais, aí está: O MERCOSUR abre as portas da UE a carne barata em massa. Barata? Vinda do outro lado do oceano? Pois, por um lado, devido ao uso de métodos intensivos de produção, utilização de hormonas proibidas na UE e (maior) exploração dos trabalhadores agrícolas. Nos países do Mercosul, o aumento da produção contribui também para que sejam expulsos pequenos agricultores e povos indígenas a fim de aumentar o espaço para as monoculturas do agronegócio e desmatadas áreas de floresta tropical (Bolsonaro esfrega as mãos de contente). [Read more…]

“Fake news”

Até lá vem a foto a prová-lo: quem lê o artigo da Sábado fica a saber que companhia aérea Emirates tem um avião forrado a diamantes. A Sábado garante mesmo que a artista paquistanesa é conhecida pelas suas “criações com brilhantes”. Só não diz que a artista cria imagens digitais com cristais à mistura. E, portanto, nunca revestiu nenhum avião com pedrinhas brilhantes. 
O lapso jornalístico teria apenas piada se uma multidão de comentadores se manifeste, minuto a minuto, com o ultraje que é a “ostentação” de riqueza por parte da companhia aérea.  
Ah, a Emirates diz claramente que a imagem é uma criação  da artista Sara Shakeel. Uma criação, a imagem, não a porra do avião… que, claro está, não fez nenhuma viagem “brilhante” entre o Paquistão e Itália.

A susceptibilidade e os espectadores

Em vez de se preocupar com a *suscetibilidade dos *espetadores,

convinha que a RTP prestasse mais atenção à susceptibilidade dos espectadores. E dos telespectadores.

Ou há ortografia

ou comem todos.

No sítio do costume, ’tá tudo bem:

Efectivamente, tudo bem. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

JM Branco: “Não vemos malta do povão, da ferrugem”

José Mário Branco no Jornal i sobre o Bloco:

Burguês?
Com certeza. Não vemos malta do povão, da ferrugem. É preciso procurar muito bem um operário do Bloco.

Os precários e os desempregados, dois dos principais setores da sociedade que mais sofrem, são um mar de gente no Bloco, quer entre os simpatizantes quer entre os aderentes. Enchem o Bloco de baixo para cima. Entre os quadros eleitos do Bloco, mesmo entre os mais mediáticos, a precariedade laboral é praticamente a regra. Quem conhece bem o Bloco, quem frequenta as suas concelhias da pequena à grande cidade sabe que desempregados e precários é mato.

Não, o Bloco não tem tantos operários como o PCP, é verdade. Mas o Bloco está muito mais implantado entre os setores da pobreza mais profunda do país. Alguns destes setores, o PCP tem vergonha de representar (este bitaite do J.M, Branco é muito colado ao que ouvimos do PCP quando critica o Bloco), como os beneficiários do RSI, as etnias minoritárias e os que nada têm e nada recebem (que não são assim tão poucos). O Comité Central do PCP tem muitos preconceitos sobre estes setores, muitos militantes até revelam em conversas informais que se tratam de malandros, ouvem-se mesmo comentários racistas. Mas o mais chato é que estes setores não são nada práticos para o PCP, não entram bem nas caixinhas controladas pelo Comité Central, nos sindicatos e nas organizações profissionais com e sem ferrugem. [Read more…]

Porque hoje é 7 de Dezembro

«Happy Noam Chomsky Day». Efectivamente. Foto: Jodi Hilton/NYT

Pediu hoje demissão de todos os cargos,

que já foi aceite, a deputada do PSD Maria das Mercês Borges; parece que vale a pena haver pressão pública.

E outros dias

Quinta-feira é o dia de copos e vadiagem aqui por Coimbra. Terça também, mas menos. Ainda há dias, vendo junto à porta de casa um folião que suportava, com auxílio da parede, os ataques da lei da gravidade, confidenciava para quem me acompanhava:

É quinta-feira, nota-se…

Quinta-feira e outros dias!… – atalhou o oscilante etilizado com voz entaramelada, dedo indicador apontado aos céus e a dignidade altaneira dos bêbados.

É para que vejam: mesmo in vino, o estudante tocado não perdeu a oportunidade de uma referência político-literária. Cavaco Silva ficaria orgulhoso!

Apolónia

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«Pegar nas flores pelos espinhos»

tem tanto sentido como «atirar arena para os óculos». Foto: Francisco Leong//AFP/Getty Images.

Ainda a propósito dos negócios

A mim parece-me bem.

Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan,
privatize-se a Capela Sistina,
privatize-se o Pártenon,
privatize-se o Nuno Gonçalves,
privatize-se a Catedral de Chartres,
privatize-se o Descimento da Cruz,
de Antonio da Crestalcore,
privatize-se o Pórtico da Glória
de Santiago de Compostela,
privatize-se a Cordilheira dos Andes,
privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu,
privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei,
privatize-se a nuvem que passa,
privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno
e de olhos abertos.

E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar,
privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez
a exploração deles a empresas privadas,
mediante concurso internacional.
Aí se encontra a salvação do mundo…

E, já agora, privatize-se também
a puta que os pariu a todos.

– José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996.

P.S. Tragicamente, este sublime escrito não perde a actualidade, antes pelo contrário. Passe o machismo da catacrese final; para o caso, tanto faz.

E amanhã há mais Marcelo

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Cartoon de António Jorge Gonçalves

Por volta das 21h, alguns órgãos de comunicação social deram conta de um motim no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Um motim à portuguesa, apesar dos colchões à arder, ao qual o Grupo de Intervenção de Segurança Prisional da GNR foi chamado, apesar de não ter chegado a entrar. É que o motim, do qual resultaram zero feridos, teve início pelas 19h e pelas 20:30h já estava concluído. Tipo aquelas manifestações que começam tarde e desmobilizam por volta da hora do jantar.

Já o presidente Marcelo, que não falha uma, terminou o jantar com o seu homólogo chinês, fez a resenha do Livro Vermelho do Mao, abandonou o Palácio da Ajuda, parou para ver as luzes de Natal e deu um salto ao Estabelecimento Prisional de Lisboa, onde se inteirou da situação, confortou pessoas, tirou selfies e deu abraços. Meio país sem saber o que se passava e já Marcelo tinha ido e regressado.

Marcelo – lapalissada alert – está mesmo em todo o lado. E tende a ser o primeiro a chegar. Na cerimónia e na tragédia, na Websummit ou no Estoril Open, Marcelo é omnipresente e, reza a lenda, ainda tem tempo para ler e dormir. Porém, há quem não aprecie o estilo. Há quem prefira aristocratas cinzentos com pulsões autoritárias. Eu, que não votei nele, e que deixei isso bem claro por estas bandas, não estou desagradado. Gosto de o ver em sítios, a conversar com pessoas e até a criar conteúdos para redes sociais. Podia ser pior, o que, nos tempos que correm, sempre dá algum conforto.

E amanhã há mais Marcelo.

Pois é, Nunes.

O partido da gelatina é o que é.

Quando a carga fiscal se torna excessiva – II

Em boa hora o governo francês cedeu à pressão da sociedade e recuou na intenção de subir impostos sobre combustíveis. O primeiro-ministro já veio dizer que se as pessoas querem diminuir a receita fiscal, terão que repensar a despesa pública. Vale a pena recordar que nos últimos 10 anos a carga fiscal tem vindo a subir, rondando os 48% para um inacreditável nível de despesa pública perto dos 57%. Ou seja, boa parte dos franceses trabalha mais para alimentar o Estado do que a si próprios, o que além de imoral, é um atentado à Liberdade. Os governos nunca limitam gastos, mas os bolsos do contribuinte não são infinitos, algum dia o esbulho terá que parar… [Read more…]

Xi Jinping, o bem-amado

Foto: Reuters/ Thomas Peter

O presidente da China veio visitar Portugal, a convite do presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A ideia por trás – e mesmo pela frente – da prosa: promover deals. Colocar sectores estratégicos, como a energia, nas mãos do estado mais poderoso do mundo, de regime ditatorial, com um presidente que diligenciou, num pseudoparlamento, a emenda da constituição chinesa para se tornar presidente vitalício? No problem. Investimento é a palavra de ordem. Banca, seguros, saúde, aviação, transportes (olha a CP que tanto precisa, coitadinha)? Tudo à escolha em Portugal, baratinho, é aproveitar. Dependência? Qual o quê!

Questionado se a iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas “Uma Faixa, Uma Rota” “podia atravessar Portugal” num dos seus “principais portos”, diz Marcelo: “É possível que durante a visita do Presidente Xi a Portugal se venha a assinar o memorando de entendimento sobre este assunto? É. „Estamos a negociar, estamos a trabalhar nisso. Portanto, é possível“, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Fixe, até o Presidente da República se encarrega pessoalmente dos negócios, em Portugal.

Mas está tudo óptimo, desde que haja touradas para os Portugueses.

P.S. – E futebol, claro.

Um novo recurso para a Educação

Aquilo que se considera novo é, muitas vezes, antigo. As calças à boca de sino reaparecem espantosamente novas e os discos de vinil são, desde há uns anos, uma descoberta surpreendente. Em Educação, passa-se algo semelhante, com ideias velhas anunciadas como invenções recentes, havendo, até, quem pense que o século XXI, que atingiu a maioridade legal este ano, é já gente crescida.

É por saber isso que acredito que um certo recurso educativo será reciclado dentro de alguns anos e anunciado ao mundo como um mar nunca dantes navegado. [Read more…]

Eleições Andaluzia

E continua-se a assobiar para o lado

Barroso e o desígnio do diesel

Durão Barroso foi um dos principais responsáveis pela aposta europeia na tecnologia diesel, pela multiplicação de viaturas particulares a diesel e pelos seus efeitos negativos, quer económicos quer ambientais. Durante os dois mandatos de Barrosos como Presidente da Comissão, a tecnologia diesel europeia foi eleita como uma das tecnologias prioritárias a desenvolver e a exportar massivamente para o resto do mundo. Poderia ter apostado no software de utilização livre Linux ou nos telefones móveis quando esta tecnologia era liderada pela Nokia ou pela Ericsson. Poderia ainda, ter apostado no investimento no desenvolvimento científico e tecnológico nas universidades e nas empresas europeias, como o fizeram Bill Clinton e Al Gore nos EUA com resultados conhecidos (Google, Facebook, Youtube, etc.). Em vez, Barroso apostou na estratégia comercial da Volkswagen e de outras marcas alemãs, sob o pretexto do acordo de redução do dióxido de carbono assinado com a Indústria Automóvel Europeia em 1998. Segundo a Comissão Barroso, a emissão de dióxido de carbono seria reduzida pela adoção dos motores diesel em alternativa aos motores a gasolina. Na teoria as contas pareciam bater certas, na prática essas contas escondiam uma estratégia mais lucrativa de venda de carros com motor a diesel e uma fraude na contabilização das emissões que seria desvendada mais tarde. [Read more…]