
Desde a Alemanha.
© Rui Barbosa
Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

Desde a Alemanha.
© Rui Barbosa
[Pedro Guimarães]
Em cima, o very typical subsídio de inserção social no limiar da pobreza. Em baixo, a malta dos pequenos-almoços de 15 euros (tosta de abacate e Cappuccino) sempre com o seu inseparável macbook onde fazem “cenas” enquanto mastigam a olhar para o display Retina. Se alguém tivesse iniciativas que juntassem o andar de cima com o andar de baixo, isso sim, seria de valor. A iniciativa privada tem medo dessas coisas porque é, em larga medida, ignorante e não sabe como fazer. Até lá, vai ser sempre hipsters vs pobres – ou, posto de outra forma, intolerantes ao glúten e à lactose vs gente que come o que houver. (disclaimer: nada contra ninguém, só acho que conseguimos melhor do que isto).
É assim há muitos anos: entre alternâncias aparentes e reais continuidades, o Ministério da Educação é uma mina de veios já demasiado explorados. Ao longo dos anos, esquerda e direita (também sempre mais aparentes do que reais) limitam-se a povoar a Educação com os respectivos tiques, dificultando, de modo contumaz, a vida das escolas. Na realidade, o que lhes interessa é diminuir a massa salarial, desiderato alcançado por Sócrates e Passos Coelho, graças a alterações de carreira, modificações nos horários e congelamentos.
João Costa, secretário de Estado da Educação, debita, numa entrevista recente, lugares-comuns, disfarçando mal o complexo de superioridade de quem julga ter descoberto o fogo ou inventado a pólvora.
É evidente que não é possível nem desejável rebater a maior parte das afirmações de João Costa, exactamente por serem lugares-comuns. A maioria dos professores, por incrível que pareça aos iluminados de gabinete, já descobriu a importância das pedagogias alternativas, das novas tecnologias ou da realização de projectos (essa mesma maioria de professores tem-se confrontado, também, com crescentes bloqueios no que se refere a condições de trabalho). [Read more…]

O Expresso traz hoje uma notícia alarmante: a maçonaria, coitada, está a perder poder. O nível de negociata continua em forte alta, é certo, mas, aparentemente, o número de figuras políticas de relevo estará a diminuir substancialmente nas fileiras do avental. Segundo o semanário, estamos mesmo a viver um momento único na história da nossa democracia, em que nem o presidente da Assembleia da República, nem o líder parlamentar do PS são maçons, quebrando assim “uma certa tradição maçónica“. Felizmente, a tradição já não é o que era. [Read more…]

No momento em que o poderoso lobby dos colégios privados volta à carga, apoiado, como é habitual, pelo previsível enviesamento no tratamento jornalístico de uma imprensa que não consegue disfarçar o facto de ter tomado as dores de uma das partes, importa recordar a forma categórica como o professor Santana Castilho literalmente destruiu a propaganda vigente. Santana Castilho, que está longe de ser um yes man da actual solução governativa, coloca os pontos nos i’s, esmaga a narrativa do lobby do ensino privado e ainda tem tempo de envergonhar a falecida ETV. A luta neoliberal pelo financiamento público do sector privado da Educação segue dentro de momentos.

Em relação à polémica sobre o Convento de Cristo, convém que se apurem verdades, não alegações baseadas em denúncias sem rosto, quando algumas das pessoas entrevistadas nem sequer lá trabalham e não podiam, portanto, ter presenciado as filmagens de O Homem Que Matou Dom Quixote, do realizador Terry Gilliam.
A reportagem da jornalista Soraia Ramos, da RTP, peca em vários aspectos.
Gosto de ter um termo de comparação ao nível da idiotice, para aferir o nível.
Não sei se trata de um verbo ou de um nome.
O presidente executivo da EDP, António Mexia, foi constituído arguido na investigação do Departamento Central de Investigação Criminal e Acção Penal (DCIAP) aos contratos entre o Estado e a EDP sobre rendas garantidas (os chamados CMEC). A notícia, avançada pela TVI e pela SIC Notícias, foi confirmada pelo PÚBLICO e mais tarde pelo próprio DCIAP. [PÚBLICO]
Sei que se trata de uma empresa estratégica para o país, que foi privatizada e que tem uma figura de topo a ser investigada.
Um partido perde eleições e imediatamente um seu ministro salta para a administração de uma grande empresa pública, nomeado pelo governo sucessor. Supostamente a empresa aldraba contas, o ministro da tutela aprova, contribuintes e empresas pagam. Finalmente o ministro consegue um emprego como professor universitário nos USA, não por ter sido convidado pela universidade, mas porque a empresa anteriormente tutelada financiou o curso que a universidade introduziu no seu programa. Lembram-se quem à época dos factos governava Portugal?

A coisa começa logo mal por vivermos neste sistema exótico onde um deputado com investimentos e interesses pessoais numa determinada área pode integrar comissões parlamentares ou grupos de trabalho que sobre ela exerçam influência. Isso por si só é tão incompreensível e revoltante, pelo menos para mim, que é impossível não ficar indignado. Depois queixam-se quando a malta diz que eles não estão lá a fazer nada. Como é que algo tão básico, tão senso-comum, não está já rectificado e devidamente regulado? Enfim, como diria o Capitão, é o estado a que chegamos. [Read more…]
A partir de 1 de Janeiro de 2018 será proibido fumar em locais para menores, ainda que ao ar livre, como campos de férias ou parques infantis, segundo a lei que hoje deve ser aprovada no Parlamento. (SIC)
Ao ar livre. De seguida, o governo irá proibir a emissão de gases por parte de automóveis, autocarros e camiões que circulem ao ar livre.
Don’t you know the truth is killing you?
— William Henry Duffy & Ian Robert Astbury
Shy. The villanie you teach me I will execute, and it shall goe hard but I will better the instruction.
— Shakespeare, “The Merchant of Venice” (Folio 1, 1623)
No one to blame always the same.
***
Unido de fato?
Com o titular de uma habitação pública já atribuída?
Exactamente: «unido de fato com o titular de uma habitação pública já atribuída».

Efectivamente, andamos nisto há muito tempo. [Read more…]
Banda sonora do mundo. Ou nas palavras de Paul McCartney, um álbum tão importante “que, por vezes, as pessoas ouvem a reputação em vez de ouvirem o disco”. Parabéns ao mundo.

Um homem lê uma coisa destas e fica de lágrima no canto do olho. Com a economia arrasada e um clima de guerra civil iminente, a Venezuela está em péssimos lençóis. Maduro não é Chávez, os rendimentos do petróleo já conheceram melhores dias e os expedientes usados pelo regime afastam os cada vez menos simpatizantes da revolução bolivariana. E no momento de maior aperto, quando já quase tudo escasseia, eis que surge o Goldman Sachs, o (nada) improvável salvador, a comprar 2,8 mil milhões de dólares de dívida pública venezuelana, pela módica quantia de 865 milhões de euros. Get rich or die tryin’, motherfuckers! [Read more…]
e projecta crescimento económico de 2,5% do PIB em 2017. Tenham medo, o próximo resgate está quase quase a chegar.

Uns vão directos ao mar, mas dão de comer a muito boa boyzada gente. Outros há que azucrinam a vida das pessoas em sítios onde não deviam estar, tipo aeroportos, como este imbecil e outros antes dele. Um dia pode correr mal. E os drones, neste planeta cada vez mais orwelliano, tendem a crescer e a multiplicar-se.
Sim, eu sei que eles servem para outras coisas. Para boas filmagens aéreas, para entregar comida a idosos em isolamento. Mas isso é tudo muito bonito até que um bicho destes nos apanha com as calças na mão. A chantagem tem um futuro risonho pela frente. Como se já não bastasse termos entregue a nossa privacidade de mão beijada ao Facebook e da Google.
A poucos meses das Autárquicas, a liderança do PSD Lisboa será disputada por Pedro Pinto, em representação do aparelho e com a máquina passista na retaguarda, e Pedro Rodrigues, crítico do regime vigente. Fight!

Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres, Narciso Miranda e agora o eterno Major Valentim, entre outros, que julgávamos extintos. Temos os políticos que merecemos, não é mesmo?
Já só fica a faltar o anúncio de José Sócrates a Belém-2020. Num Conselho de Estado com o Carlos Santos Silva e Armando Vara, não vão faltar bons robalos e filosofia política de qualidade.

Foto slbenfica.pt
No arranque da última época desportiva fiz, aqui no Aventar, a previsão de que o Sport Lisboa e Benfica iria chegar ao Tetra.
Dizia, nesse texto, que para se ser campeão é necessário:
– ter mais de 81 pontos: o Sport Lisboa e Benfica marcou 82 (76 para o 2º classificado),
– marcar 80 golos: o tetra campeão marcou 72, (2º classificado: 71)
– sofrer 20 golos: a equipa de Rui Vitória sofreu 18, (2º classificado:19)
– vencer 27 ou 28 jogos: as vitórias do Campeão foram 25 (2º classificado: 22).
Os números deste campeonato estão em linha com os dos últimos anos. O campeão nos oito últimos títulos (5 do Benfica e 3 do Porto) tem uma taxa de sucesso acima dos 80%, enquanto o tetra do Porto que os antecedeu tinha uma percentagem entre os 76 e os 78% e com os adversários muito longe. Nos anos do tetra azul, a diferença média para o segundo foi superior a 7%, enquanto o tetra Vermelho teve uma proximidade maior (4%) para os segundos classificados. [Read more…]
Don’t you get it yet?
***
É possível contatar? Sim, é possível.
Onde? No sítio do costume.

Quando? Desde Janeiro de 2012.
Quanto ao jornal que adopta a resistência silenciosa em vez da expressão, eis uma selfie de Simão Sabrosa (os meus agradecimentos a um excelente leitor do Aventar).

É verdade que a tradução «Simão Sabrosa tira uma selfie das críticas a Fernando Aguiar» é estranha. Contudo, não tenho culpa. Não assinei o AO90. Quem assinou o AO90 foi quem escreveu «agora facto é igual a fato (de roupa)» . Como é sabido, não escrevi tal coisa. Logo, a culpa não é minha.
Continuação de uma óptima semana.
***

A confirmarem-se as notícias avançadas hoje, primeiro pelo site Axios, posteriormente confirmada por um dos órgãos oficiais do regime Trump, a Fox News, os Estados Unidos poderão estar a ultimar a saída do país do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, juntando-se assim à Síria e à Nicarágua, os dois únicos Estados-membros da ONU que, segundo o DN, não apoiam o acordo.
Nada disto nos pode admirar. Trump é um negacionista das alterações climáticas, rodeado de fundamentalistas da poluição, nomeou Rick Perry secretário da Energia (departamento que o próprio Perry queria ver extinto, por ser um autêntico activista dos combustíveis fósseis, ou não fosse ele governador do Texas) e ainda conseguiu a proeza nepotista de escolher a filha Ivanka para liderar um painel de especialistas que irá rever a posição dos EUA nos vários acordos aos quais está vinculado, nomeadamente o Acordo de Paris. De pouco adiantou o presente oferecido pelo Papa Francisco. [Read more…]
está aí a confirmação do INE: no primeiro trimestre, a economia portuguesa cresceu mesmo 2,8% em termos homólogos, o melhor resultado dos últimos 10 anos, e 1% em cadeia. O próximo resgate segue dentre de momentos.
“Não há entendimento possível entre nós. Separa-nos um fosso da largura da verdade. Ouvi-los é ouvir papagaios insinceros”. Esta epígrafe, que cito de memória, pertence a Torga, referindo-se aos políticos, e ocorreu-me ao ouvir António Costa garantir que haveria brevemente novo processo de vinculação extraordinária de professores contratados. Com efeito, foi tornado público que cerca de duas centenas de professores, que se candidataram recentemente a lugares de quadro, têm 60 ou mais anos de idade. Perante isto e duas vezes mais candidatos do que vagas, António Costa embrulhou o anúncio em declarações pífias de repúdio, “por não haver nenhuma razão verdadeira para que os professores vivam, ano após ano, na incerteza sobre o local onde irão trabalhar ou, pior ainda, se irão trabalhar”.
O problema é que as regras que se aplicam aos professores, para saírem da precariedade, são bem mais restritivas que o previsto para os outros sectores. O problema é que boa parte do que repudiou foi da responsabilidade de Maria de Lurdes Rodrigues, macabra ministra de um governo do partido de que ele é secretário-geral e a que ele próprio pertenceu, sem que o assuma responsavelmente. O problema é que se os concursos extraordinários resolvem a situação de parte dos precários de uma vida, iludem, maliciosamente, outras situações, igualmente graves, sem as resolver. Que é, senão malicioso, deixar para trás docentes com maior antiguidade, só porque já foram vítimas de injustiças anteriores? Que se pode dizer aos professores dos quadros, que esperaram anos a fio para se aproximarem das suas casas e famílias, e agora assistem à ocupação de vagas, que finalmente existem, por colegas com muito menos tempo de serviço, que puderam concorrer a um concurso que lhes foi vedado?
«o jogo nas Antas — o momento em que nós também marcamos o golo, quase a acabar — foi outro ». Exactamente.
É só porque há pessoas que são muito maiores do que parecem, mas claro que isso só se aprende quando elas deixam de estar.
***
Antes de passarmos à inusitada ocorrência de estupefacto sem pê (+ vogal), há pouco detectada e transmitida por amigo atento, consultemos a edição de hoje do Diário da República.

Efectivamente, tudo como dantes, no sítio do costume.
Agora, para registo [Read more…]
Excelente guarda-redes.
— Rodolfo Reis, 28/5/2017
As he [Noah Smith] says, sometimes there are vast literatures of nonsense, or at any rate of dubious quality, that mainly serve to protect vested intellectual interests.
***

Efectivamente.

Angola

Bom dia Camaradas, Ondjaki. Caminho.

Um longo monólogo, com muitos gestos e fundo musical E o colega com bichinhos carpinteiros. As perguntas que já não se fazem, colocam-se. Uma confusão de pessoas e de nomes. No afã de interromper e de falar por cima, quase saía um cinquenta por cento, em vez de trinta.

Tuttle Creek Rd., Lone Pine, Califórnia, EUA, Junho de 2025
(a propósito de tudo sobre o excelente Bad Day at Black Rock, por causa do Spencer Tracy)
Efectivamente, na KEXP.
Por acaso, já agora… Um dia, estava eu no Castle Howard, a recordar, reviver e revisitar, mas num ambiente pop, quando me apareceram de surpresa. Amanhã, em Bruxelas, voltarei a vê-los e ouvi-los. Com novidades, anunciadas há meses por Alexis Petridis, como “alien offshoot mushroom, going the gym to get slim“, “my dream house is a negative space of rock” ou “when I was a child I wanted to be a horse, eating onions, carrots, celery“. Em princípio, será isto. Veremos.

Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Subida exponencial do preço do petróleo, aumento da inflação e das taxas de juro, perda de poder de compra, perigo de incumprimento nos créditos bancários, tudo em ambiente de forte especulação e de bolha imobiliária. Onde é que eu já vi isto?!
diz Santana Lopes. Pois. Mas só uma pessoa escreveu «agora “facto” é igual a fato (de roupa)». Uma.
Vinícius Jr. “incluiu a Seleção Nacional no lote de favoritos à conquista do Mundial 2026“. Lembrete: ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.
Efectivamente, no Expresso: “Enfermeiro nomeado para coordenador da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis deixou o cargo quatro dias depois da nomeação ter sido publicada“.
É possível lermos, num artigo de Jorge Pinto, “um partido que defende a política assente na ciência e nos dados” e a indicação “O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990“? É.
“uma constatação de factos“. Factos? Com /k/? Estranho. Então e o “agora facto é igual a fato (de roupa)“?
“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.
Não é Trump always *chicken out (00:31). O verbo é to chicken out, conjugado na terceira pessoa do singular (presente do indicativo), logo, aquele s faz imensa falta. Oh yeah!
Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.
Oferecer um calendário ou uma agenda a Mourinho. O jogo é na terça…

« Mais vous avez tout à fait raison, monsieur le Premier ministre ! » (1988). Mas, prontos. Voilà. Efectivamente.
Existe uma semelhança entre as pianadas do Lennon no Something e do Tommy Lee no Home Sweet Home.
Moreira, mandatário de Mendes, admite que avanço de Cotrim o levou a não ser candidato a Belém. Júdice, mandatário de Cotrim, votará Seguro na segunda volta.
O “cartel da banca” termina com um perdão de 225 milhões de euros aos 11 bancos acusados de conluio pelo Tribunal da Concorrência. Nada temam!
Recent Comments